Primeira e Segunda Cartas de Paulo aos Coríntios

1 CORÍNTIOS

Tema
A primeira epístola aos Coríntios foi escrita com o propósito de corrigir desordens que haviam surgido na Igreja de Corinto e para estabelecer aos fiéis um modelo de conduta cristã. Assim sendo, podemos determinar o seu tema da seguinte maneira: a conduta cristã na igreja, no lar e no mundo (M. Pearlman).

Verso Chave
1 Co 11.29

O Escritor
Paulo, o apóstolo. A introdução à carta confirma Paulo como seu autor (1.1). Sua autoria é virtualmente inquestionável.

Histórico
Há clara evidência no livro de 1 Coríntios de que Paulo fundara a igreja. Atos 18.1-17 confirma isto e fornece uma narrativa histórica da fundação da igreja. Ele permaneceu lá por 18 meses. Apolo ficou por algum tempo (Atos 18.24-28).
A igreja em Corinto era predominantemente gentílica e não havia nenhum problema com os judaizantes. No entanto, a igreja, localizada numa cidade que estava entregue à adoração de divindades e filosofias pagãs de todo tipo, rapidamente helenizou-se depois da partida de Apolo.
Paulo tinha-lhes anteriormente escrito, exortando-os a não ligar-se com pessoas imorais (1 Cor. 5.9), mas não há nenhum outro registro desta carta ou do seu conteúdo. Entretanto, é importante percebermos que 1 Coríntios não é a primeira carta que Paulo escrevera à igreja e que havia problemas anteriores.

Data e Lugar
1 Coríntios foi escrito durante os últimos meses de Paulo em Éfeso, durante a terceira viagem missionária. Provavelmente na parte final de 54 d.C. Foi entregue por Timóteo (16.10,11).

Propósito Imediato
Paulo recebera pelo menos dois relatórios falando de contenda, divisão e imoralidade na igreja em Corinto. O primeiro foi um relatório oral da casa de Cloe (1.11) a respeito de contenda dentro da igreja; o segundo foi uma delegação com uma oferta (16.17) e uma carta sobre uma variedade de problemas. Evidência da carta é extraída de várias ‘declarações agora’ em 1 Coríntios; por exemplo, “Agora quanto ao que me escrevestes…” (7.1).
Os assuntos envolvidos eram, para dizer o mínimo, perturbadores: divisões, incesto, fornicação, bebedice, desordem e grave erro doutrinário. 1 Coríntios é o endereçamento de Paulo quanto a assuntos que, ainda, em princípio, estão impregnados na igreja cristã.

Introdução
Corinto tinha uma posição estratégica na ponta da Grécia. Localizada em mares tempestuosos, entre o Oriente e o Ocidente, sua população de mais ou menos 500.000 habitantes era cosmopolitana e variada. Era uma fortaleza natural; a acrópole em Corinto situava-se 630 metros acima do nível do mar. Esta colônia romana, a capital da Acaia (norte da Grécia), estava sob o proconsulado de Gálio (Atos 18.12). Era a terceira maior cidade do império romano, depois de Alexandria e Roma, e muito próspera.
Corinto tinha uma reputação pela corrupção moral; o verbo ‘korinthioniazo’ (corintianizar) significava praticar fornicação. Havia 1.000 prostitutas do templo devotadas à Afrodite, cujo templo foi construído no topo da acrópole e dominava a cidade. Nas proximidades havia um outro templo dedicado a Apolo; além das religiões misteriosas, ‘deuses’ pagãos, incluindo Isis, Osíris, Serapis e Mitras, eram adorados.
Corinto era uma cidade muito rica; assim, havia muito lazer para os ricos. Uma das suas buscas favoritas era a ‘sabedoria’. Adoravam ouvir grandes discursos na praça do mercado e passavam muito tempo debatendo a filosofia mais atual. Uma das filosofias mais comuns era o gnosticismo, o qual ensinava que toda a matéria é maligna e somente o espírito é bom. O pensamento gnóstico estava na raiz de muitos dos problemas na igreja em Corinto.

Esboço

1. PAULO RESPONDE AO RELATÓRIO DE CLOE – 1 Co 1.11

1.10-4.21 – Divisão
5.1-13 – Incesto
6.1-11 – Litígios
6.12-20 – Fornicação

A busca da sabedoria permeava a igreja; facções haviam-se formado seguindo a vários líderes ‘sábios’. O apelo à sabedoria ‘carnal’ dentro da igreja fez com que levassem suas disputas à tribunais civis, os quais eram realizados publicamente na praça do mercado. (1.4-21 e 6.1-11).
O pensamento gnóstico levara a problemas de incesto e fornicação. Argumentavam que se o corpo era mal de qualquer modo, não havia nenhuma diferença em satisfazer seus desejos. (5.1-13 e 6.12-20).

2. PAULO RESPONDE A UMA CARTA – 1 Co 7.1

7.1-24 – Comportamento dentro do casamento
7.25-40 – Acerca das virgens
8.1-11.1 – Carne sacrificada a ídolos
11.2-16 – Cobertura na cabeça das mulheres
11.17-34 – Abuso da mesa do Senhor
12.1-14.40 – Acerca dos dons espirituais
15.1-58 – Ressurreição física de todos os crentes

O capítulo 7 é primeiramente sobre casamento e depois sobre atitudes das pessoas solteiras. Escreveram para Paulo dizendo que estava sendo ensinado dentro da igreja que era bom para um homem não ter relacionamentos com uma mulher no casamento. Este ensino criara problemas sérios.
O gnosticismo tinha dois extremos. Um é satisfazer a carne como vimos na parte 1 de 1 Coríntios: isto é libertinagem. No capítulo 7 as esposas foram ao outro extremo; a carne é maligna, assim negue todos os seus desejos. Elas negaram a seus maridos todos os direitos conjugais. Os homens, então, apelaram para as prostitutas do templo. Paulo exorta cada homem a ter relações com sua própria mulher e vice-versa (7.3).
Os capítulos 8.1-11.1 referem-se a questões de consciência com relação à carne sacrificada a ídolos, tendo um parêntese no capítulo 9, defendendo o apostolado de Paulo e seu direito de viver por ele. Concernente à comida sacrificada a ídolos, podemos aplicar os princípios gerais, ensinados por Paulo, à nossa vida cristã.
O assunto da cobertura na cabeça das mulheres também deve ser interpretado em princípio. As mulheres levaram sua igualdade em Cristo ao extremo e deixaram de ser submissas. A cobertura da cabeça na sociedade em Corinto era um sinal de submissão ao marido. Isto nos faz lembrar que enquanto estamos vivendo aqui na terra, vivemos segundo a ordem de Deus.
A mesa do Senhor, 11.17-34, estava sendo abusada: membros mais ricos estavam tendo a preferência, havia bebedice e compravam muita comida, mas não compartilhavam-na com os pobres. A mesa do Senhor era combinada com uma festa de amor. O pensamento gnósticos deles ‘toda matéria é maligna’, levara-os a negar a existência física ou a ressurreição de Cristo; assim, havia pouca probabilidade de reconhecer o corpo do Senhor na eucaristia. Este é o âmago do problema em Corinto.
Os dons espirituais dominam os capítulos 12-14. O verso 12.1, no grego, literalmente diz “agora com relação aos espirituais”, ou “homens espirituais”. Sentiam que falar em línguas era uma sabedoria eclética, que provavam uma espiritualidade superior. O ensino de Paulo acerca dos dons é para variedade e edificação. Não é um tratado acerca dos dons, mas um corretivo e deve ser interpretado como tal.
O capítulo 15 encaixa-se com nossa discussão na segunda parte do capítulo 11. O gnóstico não conseguia crer numa ressurreição física. A resposta de Paulo é, “se Cristo não ressuscitou, vossa fé é inútil, ainda estais em vosso pecado”. Este é o grande capítulo da “ressurreição”, sendo uma leitura empolgante. Por que não lê-lo agora! Perceba os versos 50 em diante. Um dia você receberá um lindo corpo ressurrecto incorruptível. Aleluia!

Conclusão
Embora Paulo fundara a igreja com Silvano (Silas) e Timóteo, tanto Cefas (Pedro) como Apolo se envolveram. Apolo deve ter passado por grandes dificuldades, porque ele recusou-se a voltar (1 Co 16.12). Parece que Timóteo também foi até lá para tentar resolver as coisas; provavelmente foi ele que entregou a carta que chamamos de 1 Coríntios. Tristemente, nem a visita de Timóteo, nem a carta de Paulo, levou a uma mudança no comportamento da igreja em Corinto.

2 CORÍNTIOS

Tema
Discernimento de Paulo como um apóstolo e homem, intitulado por
muitos como ‘Apologia Pro Vita Sua’ de Paulo (defesa de sua vida).
“Mais do que qualquer das demais epístolas de Paulo, 2 Coríntios permite-nos entrever os sentimentos íntimos do Apóstolo sobre si mesmo, sobre seu ministério apostólico e sobre seu relacionamento com as igrejas que fundava e nutria” (Gundry).

Verso Chave
2 Co 4.11

O Escritor
A natureza autobiográfica da carta, suas muitas referências às pessoas e lugares, e sua progressão a partir de 1 Coríntios, levam à conclusão inquestionável de que Paulo é seu autor.
A igreja em Corinto não tinha reagido às repreensões de 1 Coríntio e a situação se deteriorara. Paulo visitou a igreja para consertar as coisas, mas acabou sendo uma visita dolorosa e triste (subentendido a partir de 2 Co 2.1). Havia grande oposição a Paulo.
Paulo escreveu novamente, sua terceira carta a eles (citada em 2 Co 2.3-4). Depois de enviar esta carta obviamente dura, juntamente com Tito, e ansioso em ouvir acerca de situação, Paulo procurou encontrar-se com ele em Trôade, mas Tito não apareceu. Perturbado em espírito, Paulo partiu sozinho para a Macedônia (2.13). Para sua alegria, ele encontrou-se posteriormente com Tito e teve notícias de uma mudança completa em Corinto (7.5-7). Os principais oponentes de Paulo foram disciplinados e boa parte da igreja havia se arrependido. Estes adversários intitularam-se a si mesmos de “apóstolos”. Paulo os chamou de “super apóstolos” (11.5, 12.11).
O resumo seguinte do relacionamento de Paulo com a igreja em Corinto foi extraído de “A Survey of the New Testament”, escrito por Gundry:
– Paulo evangelizou Corinto durante sua segunda viagem.
– Paulo escreveu uma carta perdida para Corinto, na qual ele ordenou uma separação dos cristãos que tinham uma vida imoral.
– Paulo escreveu 1 Coríntios em Éfeso, durante sua terceira viagem para lidar com uma variedade de problemas na igreja.
– Paulo fez uma rápida visita “dolorosa”, partindo de Éfeso para Corinto, e depois retomando, a fim de consertar os problemas em Corinto, mas não conseguiu realizar o seu propósito.
– Paulo enviou uma outra carta perdida, chamada de “carta triste”, na qual ele ordenou que os de Corinto disciplinassem seu principal oponente na igreja (2 Co 2.3-10).
– Paulo deixou Éfeso e ansiosamente aguardou por Tito, primeiro em Trôade, depois na Macedônia.
– Tito finalmente chegou com as boas novas de que a igreja tinha disciplinado o oponente de Paulo, e que boa parte da igreja submetera-se agora à autoridade de Paulo.
– Paulo escreveu 2 Coríntios na Macedônia (ainda na terceira viagem) em resposta ao relatório favorável de Tito.

Data e Lugar
Foi da Macedônia que Paulo escreveu 2 Coríntios, sua quarta carta à igreja em Corinto. A carta foi escrita apenas alguns meses depois de 1 Coríntios, provavelmente no outono de 56 d.C. Tanto 1 como 2 Coríntios foram escritos durante a terceira viagem missionária de Paulo.

Propósito Imediato
O propósito imediato de 2 Coríntios é triplo. Paulo queria expressar sua alegria pela mudança de coração deles, e ao fazer isso, abrir seu próprio coração com relação às provações de se ser um apóstolo. Segundo, com a normalização das relações, Paulo os lembra da oferta para os crentes pobres em Jerusalém. Por fim, Paulo responde algumas das acusações contra si que surgiram durante o conflito, defendendo seu ministério como apóstolo.

Características Principais
Uma característica principal de 2 Coríntios é que trata-se de uma carta intensamente pessoal e autobiográfica. Após a mudança em Corinto, Paulo vê-se disposto a abrir seu coração para eles. Na defesa do seu ministério, ele nos leva à profundidade do seu relacionamento com Deus e às provações intensas do ministério.
Há alguns versos maravilhosos em 2 Coríntios; ao lê-los, procure memorizá-los. Alguns dos meus favoritos são: 2.14; 3.6; 3.17; 1.17-18; 5.17; 6.2; 9.6-7; 10.3-5.

Esboço
1. Introdução, relacionamento de Paulo com a igreja e a defesa do seu ministério
(1.7-7.16)
2. A oferta da igreja para os pobres em Jerusalém (8.1-9.15)
3. Defesa pessoal e conclusão (10.1-13.14)

Tenho certeza de que Paulo vai além do seu contexto imediato para formular uma defesa contra as alegações contrárias ao seu ministério onde quer que ele pregue.
A seção sobre contribuir é também uma ’apologia’ desenvolvida ao logo de um bom tempo e vemos agora sua formulação.
Possivelmente 2 Coríntios carece da importância doutrinária de Romanos, dos assuntos de 1 Coríntios, ou da transcendência de Efésios; todavia, permanece um dos grandes livros do Novo Testamento e uma declaração profunda acerca do ministério e vida cristã.
Logo depois de escrever esta carta, Paulo passou três meses na igreja em Corinto, provavelmente acompanhado de Lucas (At 20.1-6).
Depois disso, era hora de retomar à Jerusalém para a Páscoa. Ao ouvir a respeito de um complô contra sua vida, ele foi para o norte via Macedônia, em vez de navegar via Trôade.
Isso marcou o final da terceira viagem missionária de Paulo; ele partiu sabedor de que a captura e aprisionamento o aguardavam em Jerusalém.

Fonte: Apostila do “International Bible Institute of London”, por Peter Rowe, PhD.

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Epístola aos Romanos

Tema
A justiça somente pode ser recebida mediante a fé em Jesus Cristo. O homem é muito pecaminoso para merecê-la.

Verso Chave
Romanos 1.16-17

O Escritor
Paulo, o apóstolo. Sua autoria é virtualmente incontestável.

– A introdução à carta confirma Paulo como seu autor (Romanos 1.1);
– Os pais da igreja primitiva unanimemente aceitavam a autoria paulina;
– Pedro, o apóstolo, o qual aceitou todas as cartas de Paulo como Escritura (2 Pedro 3.15-16), é fortemente influenciado pelos escritos de Paulo; por exemplo, há várias semelhanças entre Romanos 12 e 1 Pedro.

Histórico
A igreja em Roma não foi fundada por Paulo. Na época em que estava escrevendo a carta, ele ainda não havia visitado Roma; isto somente aconteceria depois de sua prisão em Jerusalém. Todavia, ele tinha muitos amigos em Roma e fizera algumas tentativas de visitá-los, mas sem sucesso (Rm 1.13). A epístola aos Romanos foi levada à Roma por Febe (Rm 16.1). Febe foi uma diaconisa da igreja em Cencréia, perto de Corinto.
A Roma do Novo Testamento era o centro do mundo. Uma metrópole cosmopolita com uma população próspera e agitada – o centro de todo governo e poder.
Roma já estava com 800 anos, mas agora alcançara sua era dourada. A riqueza do império era usada em prédios públicos, excessos materiais e todo prazer conhecido ao homem.
O antigo ditado ‘todos os caminhos levam à Roma’ estava longe de ser figurativo. Paulo sabia que uma vez em Roma, o coração do império, então, o cumprimento de Atos 1.8 seria inevitável.
Na época desta epístola, 56 d.C., Nero era o imperador, mas ele não era uma ameaça aos cristãos nestes primeiros dias do seu reinado.
Muitos creem que Pedro fundou a igreja em Roma, mas não há nenhuma evidência a respeito disso. Seutônio, o historiador romano, registrou que o imperador Cláudio expulsou os judeus de Roma em 49 ou 50 d.C. por causa ‘do tumulto instigado por um Crestos’ (Latim para ‘Cristo’). Isto indicaria que o cristianismo alcançara Roma na altura de 49 d.C. quando Pedro ainda estava em Jerusalém e envolvido no Concílio de Jerusalém. Se Pedro estivesse envolvido com a igreja romana, então Paulo teria mandado uma saudação a ele na carta. Parece que a igreja em Roma começou quando judeus romanos convertidos ao cristianismo retornaram à Roma depois do Pentecoste (Atos 2.10). Priscila e Áquila estiveram na igreja até a época da expulsão sob Cláudio, indo então para Corinto (Atos 18.2). Muitos dos que foram expulsos, incluindo Priscila e Áquila, teriam retornado na época da morte de Cláudio, em 54 d.C.
Há muita discussão entre os estudiosos se a igreja em Roma foi predominantemente judaica ou gentílica. Por um lado, há o conteúdo judaico dos capítulos 9-11 e as discussão sobre lei versus graça; todavia, em Romanos 11.13, Paulo endereça “…a vós que sois gentios. Visto, pois, que eu sou apóstolo dos gentios…”. É minha opinião que Paulo está escrevendo a uma
congregação misturada, com exortações tanto para crentes judeus, como gentios, e forte referência à sociedade pagã que os circundava.

Data e Lugar
Paulo estava escrevendo de Corinto. Sabemos disso porque ele acabara de levantar uma oferta para os cristãos em Jerusalém das igrejas na Grécia (Rm 15.26) e Paulo estava com Gaio (Rm 16.23), um convertido que batizara em Corinto (1 Co 1.14).
A carta é muito fácil de datar pois foi escrita no final da terceira viagem missionária, no término da estadia de Paulo de três meses em Corinto em 56 d.C.

Propósito Imediato
Paulo queria que os cristãos romanos soubessem que ele não estava negligenciando-os; ele queria ir lá e faria isso num futuro breve. Paulo também queria assegurar-se de que a igreja estava andando na sã doutrina, nem sendo influenciada pelos elementos judaizantes, nem sendo influenciada pelo paganismo dos gentios. Ele usou a ocasião para advogar fundamentos bíblicos da justificação pela fé e formou um credo para o cristianismo, o qual ele possivelmente esperava tomar-se um manifesto, tanto ao governo romano, como à comunidade cristã.
Ele também queria enfatizar que o cristianismo não era nem uma seita judaica, nem um complô politicamente subversivo; ele deu tudo de si para revelar que os cristãos eram cidadãos que cumpriam a lei (cap. 13).

Características Principais
Apesar de ser reconhecido como o grande livro de doutrina, Romanos não é difícil de se ler. O capítulo 8 é possivelmente a maior passagem em toda a Bíblia, você deve lê-lo repetidas vezes.
As doutrinas principais abordadas no livro de Romanos são pecado, santificação, justificação, propiciação e reconciliação. Naturalmente, outras doutrinas, tais como adoção, fé e glorificação são também abordadas.
Você perceberá muitas semelhanças entre Gálatas e Romanos. Gálatas foi escrita para opor-se aos judaizantes da igreja do sul da Galácia em 48 d.C. e Romanos, escrita 8 anos depois, expande os temas estabelecidos em Gálatas.
Porque Romanos é tão importante, gostaria de registrar declarações a seu respeito de alguns dos maiores líderes e teólogos da história. As seguintes foram extraídas do livro de Scroggie, ‘The Unfolding Drama of Redemption’, um livro que recomendo:
Alford: ‘A maior obra de S. Paulo.’
Coleridge: ‘O escrito existente mais profundo.’
Godet: ‘A maior obra-prima que a mente humana pôde conceber e realizar; a primeira exposição lógica da obra de Deus em Cristo para a salvação do mundo.’
Lutero: ‘A parte principal do Novo Testamento, o evangelho perfeito.’
Calvino: ‘Todo cristão devia alimentar-se dele como pão para sua alma.’
H. Meyer: ‘A maior e mais rica de todas as obras apostólicas.’
Tholuck: ‘Uma filosofia cristã da história humana.’
Farrar: ‘E inquestionavelmente a declaração mais clara e mais plena da doutrina do pecado e da doutrina da libertação, colocada pelo maior dos apóstolos.’

Esboço

1. PECAMINOSIDADE DE TODOS OS HOMENS – 1.16-3.20
Todos os homens são pecaminosos, sejam gentios ou judeus. O gentio, que tem ampla evidência da existência de Deus, tanto através da criação, como da lei interior do coração, também será julgado. Ambos são culpados pois a justiça é somente mediante a fé em Jesus Cristo.

2. JUSTIFICAÇÃO DOS CRENTES EM JESUS – 3.21-5.21
A morte expiatória de Jesus é a base da justificação (3.21-26). A fé é o meio de obter-se a justificação: fica excluída a jactância humana devido às boas obras, e exemplos vetero-testamentários em Abraão (especialmente) e Davi (3.27-4.25). As muitas bençãos da justificação (5.1-11). Contraste entre Adão, em quem há pecado e morte, e Cristo, em quem há justiça e vida (5.12-21).

3. SANTIFICAÇÃO DOS CRENTES EM JESUS – 6.1-8.39
O batismo representa nossa identificação com a morte e ressurreição de Jesus – morrer ao pecado e ressuscitar para a justiça. Escravidão à justiça através da tentativa de guardar a lei tem o mesmo efeito que escravidão ao pecado (cap. 6).
Paulo reflete que sua própria escravidão à lei produziu culpa, pecado e condenação (cap. 7). Mas as boas novas são que “não há nenhuma condenação àqueles que estão em Cristo Jesus”. Assim triunfamos em Cristo e nunca somos separados do amor de Deus em Cristo Jesus (cap. 8).

4. INCREDULIDADE DE ISRAEL – 9.1-11.36
A presente incredulidade de Israel tem um propósito. Devem ver que a justiça auto-produzida não é aceitável a Deus (caps. 9-10); por enquanto, os gentios foram enxertados na árvore da bênção, mas haverá a hora de Israel (cap. 11).
Uma palavra de alerta. Alguns mestres insistem que o Israel natural não é diferente de qualquer outro país, e que a igreja é agora Israel. Ao ler o capítulo 11 cuidadosamente, juntamente com as profecias de Isaías, Zacarias e outros, não podemos evitar a conclusão de que Israel se tornará um centro do foco mundial nestes últimos dias e que Deus não o esqueceu.
Temos liberdade para espiritualizar a escritura somente quando a Bíblia assim o faz – Romanos 11.25b-26a diz: “…veio endurecimento em parte a Israel, ate’que haja entrado a plenitude dos gentios. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito…”.

5. VIVER CRISTÃO E CONCLUSÃO – 12.1-16.27
Consagração, ministérios na igreja, amor dentro da igreja e relacionamentos fora da igreja (cap. 12).
Obediência ao estado, amor e aguardar a vinda de Cristo (cap. 13). Cap 14 até 15.1-13 lida com o assunto da liberdade dos crentes com relação às leis cerimoniais e alimentares. Por fim, os planos de Paulo para retomar à Roma, alertas quanto aos falsos mestres, saudações e doxologia (cap. 15-16).

Fonte: Apostila do “International Bible Institute of London”, por Peter Rowe, PhD.

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Atos dos Apóstolos

Título
Atos tem sido comumente chamado de ‘Atos dos Apóstolos’ desde pelo menos o final do século dois, embora duvide-se que Lucas tinha a idéia de usar este título.
A referência aos apóstolos muito provavelmente significa os doze, todavia uma inspeção mais de perto do livro limita a atividade ‘apostólica’ a Pedro, João e Tiago, e mesmo assim somente nos primeiros capítulos.
‘Atos’ também faz referência à atividade sobrenatural que ocorreu no ministério da igreja. Esta atividade é de modo algum limitada aos doze apóstolos, mas inclui Felipe, Estevão, Ananias e Paulo; de fato a maior porção dos seus vinte e oito capítulos poderiam muito bem ter o título de ‘Os Atos de Paulo’.
A verdadeira ‘estrela’ do livro de Atos, contudo, não é Paulo, nem os doze, mas sim o Espírito Santo, o qual traz glória ao Cristo ressurreto através da igreja primitiva.

Tema
O tema de Atos é a obra do Espírito Santo dentro e através da igreja. A obra da redenção está agora completa, Cristo ressuscitou, a profecia de João 16.7 pode agora se cumprir. “Mas eu vos digo a verdade: Convém-vos que eu vá, porque se eu não for, o Consolador não virá para vós; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei.”

Verso Chave: Atos 1.8

Escritor
Lucas, o médico e companheiro de Paulo. O ‘primeiro relato’ mencionado em Atos 1.1 é o livro de Lucas, também endereçado a Teófilo (Lucas 1.3). Nossa discussão da autoria do livro de Lucas também discute a autoria de Atos.

Data e Lugar
Atos não registra a morte de Paulo, mas conclui a narrativa com Paulo ativamente trabalhando em Roma durante dois anos (Atos 28.30-31). Não há nem mesmo uma sugestão de um julgamento iminente, nem menção de quaisquer perseguições, as quais começaram com Nero em 64 AD; então, subentende-se que Atos foi escrito em 63 AD, cerca de dois anos depois da chegada de Paulo em Roma (61 AD). Paulo foi martirizado durante a perseguição de Nero aos cristãos em 64 AD.
Quanto ao lugar em que foi escrito, não há nenhuma evidência sugerindo que Lucas não esteve em Roma quando o livro foi escrito.

Propósito Imediato
O propósito de Atos foi de escrever um relato da expansão do evangelho e o desenvolvimento da igreja a partir do seu início em Jerusalém até o centro do poder em Roma.
Foi escrito para o mesmo patrono ou benfeitor do evangelho de Lucas, Teófilo, o qual pode ter ajudado financeiramente na sua publicação.
É interessante que Lucas nunca fala depreciativamente acerca dos oficiais romanos em sua narrativa, particularmente no modo que trataram a Paulo:
Sérgio Paulo, um homem inteligente – 13.7
Gálio apóia Paulo contra os judeus – 18.14-16
O escrivão da cidade apóia os cristãos – 19.37
Cláudio Lísias não viu nada contra Paulo – 23.29
Festo – Paulo nada fez para que morra – 25.25
Lucas procurou informar que o cristianismo não era nem subversivo (insubmisso, insubordinado), nem uma seita judaica, mas era para todos os homens, de toda parte.

Introdução
Atos é a última narrativa histórica da Bíblia. Registra o nascimento e primeiros momentos igreja de Jesus Cristo. Um mover dinâmico do Espírito Santo sobre a igreja primitiva provocou um crescimento, partindo de uma comunidade localizada em Jerusalém alcançando um fenômeno mundial em pouco mais de 30 anos.
Dizem que o último capítulo de Atos ainda está para ser escrito. Se o Espírito Santo atuou com tal poder sobrenatural durante os dias iniciais da igreja, então quanto mais podemos esperar nestes últimos dias!
Se você estudar o livro de Atos, é interessante observar o relacionamento dos seus dois personagens principais, Pedro e Paulo, no que se refere aos propósitos gerais de Deus. É como se estes homens fossem carregadores de tochas olímpicas. A chama de Pedro inflamou a igreja primitiva e levou o evangelho aos gentios, e então, ele passou a tocha para Paulo, o qual carregou-a pela Europa para cumprir o alvo de levar o evangelho a Roma.
O livro de Atos é empolgante e desafiador. Ele revela o que Deus pode fazer, mediante o poder do Espírito, com um bando de discípulos desencorajados e confusos. E inspirador considerar que não há nenhuma razão pela qual a mesma coisa não possa acontecer conosco.

ESBOÇO
O livro de Atos pode ser dividido de acordo com o verso chave (Atos 1.8), “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em JERUSALÉM, como em toda JUDÉIA E SAMARIA, e até aos CONFINS DA TERRA.”
1. Jerusalém – 1.1-7.60
2. Judéia e Samaria – 8.1-11.18
3. Confins da terra – 11.19-28.31

1. JERUSALÉM – 1.1-7.60
O esboço de Atos que preparei é o mais detalhado que o esboço que fiz de qualquer outro livro do Novo Testamento. Isto deve-se ao fato de Atos fornecer uma estrutura para o entendimento de muitas das epístolas que vêm em seguida. O livro de Atos começa com as últimas palavras de Jesus aos Seus discípulos (1.8), seguido pela Sua ascensão ao céu. Após a nomeação de Matias para substituir a Judas, vemos o relato familiar do dia de Pentecoste. É interessante observar que, embora muitos deles estavam falando em outras línguas conhecidas na época do derramar do Espírito, a Escritura não diz que todas as línguas eram em idiomas conhecidos.
O sermão de Pedro é provavelmente registrado como uma sinopse da sua mensagem. Fortemente influenciado pelo profeta Joel, tenho a impressão que ele ficou tão surpreso quanto os outros. O resultado, 3.000 salvos e muitos milagres.
No capítulo 3, a cura do mendigo na Porta Formosa e o sermão subsequente de Pedro trouxeram um fim abrupto aos sentimentos de 2.47, “…contando com a simpatia de todo o povo…”.
Pedro e João foram presos, mas posteriormente libertos, recebendo um alerta impossível de ser cumprido, não falar mais acerca do nome de Jesus (4.17).
A igreja primitiva foi uma comunidade real, tendo todas as coisas cm comum. Esta não é uma ordem para os cristãos venderem suas casas e dar o dinheiro à igreja, embora o princípio de dar, ajudar e compartilhar transcende o tempo – havia uma situação especial: um vasto número de visitantes de todo o mundo eram salvos e permaneciam em Jerusalém. Precisavam de casa e comida.
Quando oramos por um reavivamento, sempre pensamos em termos de milagres, curas, etc; mas reavivamento traz julgamentos poderosos também. O julgamento de Ananias e Safira é exatamente tal caso. O resultado foi fenomenal – maiores milagres se seguiram. Leia capítulo 5.11-16.
À medida que os milagres aumentavam, a perseguição também aumentava; depois da sua segunda prisão, Pedro e João foram açoitados antes de serem soltos.
No capítulo 6, sete judeus foram escolhidos para ministrar a entrega das provisões às viúvas. Os apóstolos estavam muito ocupados para fazer isso, e os judeus gregos reclamavam que os judeus nativos estavam sendo favorecidos.
Assim escolheram sete ajudantes, todos com nomes gregos. Dois destes, Filipe e Estevão iriam se tornar personagens principais o livro de Atos.
Estevão foi um grande pregador e fazia milagres (6.8, 10), mas os judeus se levantaram contra ele e levaram-no a julgamento. Sua defesa no capítulo 7 é uma maravilhosa sinopse do Velho Testamento, o qual foi cumprido por Jesus. Isto foi muito para eles; levaram-no para fora e, sem referência ao fato de que era contra a lei romana matar um homem sem consentimento do procurador, o apedrejaram. Semelhante a Jesus, Estevão também orou pelo perdão dos seus executores.

2. EM TODA JUDÉIA E SAMARIA – 8.1-12.25
O martírio de Estevão e a perseguição feita por Paulo fez com que a igreja se espalhasse para a Judéia, Samaria e além. Quase todo o capítulo 8 envolve a pregação de Filipe em Samaria; seu ministério foi poderosamente sobrenatural com curas espantosas; ele foi até mesmo trasladado pelo Espírito Santo para Azoto.
A conversão de Saulo no capítulo 9 vem logo em seguida; Paulo, este arqui-perseguidor de cristãos, o qual estava a caminho de Damasco para este fim, torna-se um pregador do evangelho. Não demorou muito antes que ele tivesse que escapar pelo muro da cidade num cesto a fim de evitar um complô judeu.
Paulo teve uma breve estadia em Jerusalém três anos depois, mas os cristãos estavam naturalmente muito desconfiados. Barnabé tornou-se seu amigo e Paulo teve um breve encontro com Pedro e os apóstolos antes de partir para a Arábia. Temos conhecimento deste período da vida de Paulo através do capítulo 1 de Gálatas. Há a sugestão de que Paulo passou 10 anos na Arábia, recebendo grandes revelações acerca da salvação dos gentios.

Vejamos Paulo com mais detalhes antes de continuarmos nosso estudo de Atos.
A educação de Paulo e sua membresia no Conselho Judaico do Sinédrio (Atos 26.10) pareceria indicar que ele era abastado. Ele era um estudante brilhante (Gl 1.14), que estudou na escola rabínica do famoso Gamaliel, mencionado em Atos 5.34 (também Atos 22.3), e provavelmente ficou com sua irmã em Jerusalém (Atos 23.16).
Quando era rapaz em Tarso, como todos os meninos judeus, ele aprendera uma profissão; no caso de Paulo ele era um fazedor de tenda e curtidor. Paulo foi sempre primeiro um judeu, mas tinha orgulho de sua cidadania romana.
Embora seus escritos refletem fortes influências helenísticas, ele não se identificou com os Saduceus helenísticos, mas era um Fariseu ortodoxo de alto nível (Fp 3.5). Entretanto, foi a influência helenística que o capacitou a pregar no mundo grego dos seus dia.
Com relação ao homem em si, vemo-lo como uma combinação de forte, fraco, abrasivo, gentil; um homem de contrastes. Os atos não-bíblicos de Paulo do século dois dizem isto:
‘Ele era pequeno em estatura e calvo, pernas tortas, mas corpo em bom estado. Sobrancelhas ligadas e nariz um tanto recurvado. Cheio de afabilidade. Num momento parecia como um homem, no outro, tinha a face de um anjo.’
Sabemos que Paulo não era um grande orador (2 Cor. 10.10), todavia, ele sempre falou com o poder e demonstração do Espírito (1 Cor. 2.4).
Diz-me comumente que Paulo era casado porque era um membro do Sinédrio, mas não foi senão no final do primeiro século que o casamento tornou-se um requisito para a membresia. Leia em Atos para descobrir mais sobre este homem incrível.

Tarso
Veremos brevemente agora o lugar onde Paulo nasceu. Tarso era um grande centro judaico, localizado numa brecha na parte oriental das montanhas turcas Taurus. Sua proximidade com a Síria, em combinação com sua rota de passagem pelas montanhas, deu-lhe o título de “Portal da Ásia Menor”.
Bem antes, no tempo dos Selêucidas, Tarso fora aberta para a helenização, como ainda é no tempo de Atos. Sob a liderança de Antíoco Epifânio, os judeus da cidade receberam cidadania plena. Em 55 AC, quando Tarso tomou-se uma província Romana, Cícero, o governador romano, concedeu aos judeus cidadania romana plena.
Sua ênfase no aprendizado, filosofia, comércio e sua mistura racial outorgou-lhe o título de “Atenas do Oriente”.

Ministério de Pedro – 9.32-11.18
O restante do capítulo 9 revela milagres incríveis nas mãos de Pedro, incluindo a ressurreição de Tabita (Dorcas). No entanto, o acontecimento mais significativo desde o Pentecoste eslava prestes a ocorrer.
Um homem que temia a Deus (um gentio não-circuncidado), cujo nome era Cornélio, viu um anjo que ordenou que ele mandasse chamar a Pedro. Agora Pedro, um judeu, não estava preparado para isto; assim, Deus deu-lhe uma visão. É interessante que a visão de Pedro (10.9-16) a respeito dos animais impuros poderia ter sido precipitada pelo fato de que ele estava na casa de um curtidor (também impuro). A visão preparou Pedro para ministrar o Espírito Santo aos gentios (10.44-46).
O capítulo 11 é muito significativo, quando Pedro relata aos anciãos em Jerusalém acerca dos gentios terem recebido o Espírito Santo. Deus usou Pedro para isto, primeiro como um dos doze, mas também porque Paulo ainda não tinha credibilidade com os apóstolos.
O restante do capítulo 11 lida com a igreja em Antioquia; voltaremos a este tópico, mas, primeiro, uma outra perseguição rompeu em Jerusalém sob a liderança de Herodes. Ele mandou decepar Tiago e aprisionou a Pedro. Pedro foi miraculosamente liberto pelos anjos e Herodes morreu logo depois por querer obter a glória de Deus (12.20-24).

Antioquia
Antioquia, outrora um pequeno povoado nas margens do rio Orontes, perto da costa do Mediterrâneo, foi tomada por Selêuco, o qual a transformou na capital da Síria. Ela foi elaborada por um arquiteto profissional chamado Selêucia.
Uma rua central espetacular repleta de colunas, com um comprimento de três quilômetros e toda coberta por um telhado, atravessava esta cidade esplêndida. Ela foi asfaltada por Herodes, o Grande, em honra a Augusto. Cada lado da rua era alinhado por lojas, fazendo-a ser conhecida como o ‘quilômetro dourado’.
Sua localização na junção do Oriente com o Ocidente trouxe comerciantes de todo o mundo. Esta cidade próspera e imoral era a maior metrópole do Oriente, depois de Alexandria.
A relativa proximidade da Palestina, e sua prosperidade, atraiu um grande número de imigrantes judeus, engrossando a população.
Depois do martírio de Estevão, e da perseguição de Herodes, muitos cristãos fugiram para lá e pregaram o evangelho, resultando num grande número de convertidos.
Enquanto Jerusalém permanecia o centro de autoridade, Antioquia tornou-se o centro do evangelismo. As viagens missionárias de Paulo originaram-se de Antioquia; com um pequeno grupo de ajudantes, ele levou o evangelho por toda a Ásia Menor e a Grécia numa velocidade surpreendente.

3. OS CONFINS DA TERRA 11.19-28.31

PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (Atos 13.1-14.28)
Barnabé e Paulo juntamente com João Marcos (autor do evangelho de Marcos) partiram para a Galácia (atual Turquia), via Chipre. Esta viagem demorou quase três anos e envolveu uma travessia tortuosa das montanhas Taurus, infestadas de bandidos e mosquitos transmissores da malária. A viagem de Perge na costa, para Antioquia da Pisídia pelas montanhas, foi uma viagem particularmente perigosa. João Marcos os deixou em Perge, possivelmente por causa dos perigos adiante, ou talvez por causa de um conflito de personalidade com Paulo.
Os resultados da viagem foram muito positivos, com igrejas plantadas em Perge, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra (Paulo foi apedrejado aqui), Derbe e possivelmente outros lugares. Na sua viagem de retorno, Barnabé e Paulo nomearam anciãos em todas as igrejas.

O CONSELHO DE JERUSALÉM (Atos 15.1-35)
Veja nossa discussão no livro de Gálatas quanto aos assuntos abordados no Conselho de Jerusalém.

SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA (Atos 15.36-18.22)
Paulo e Barnabé, depois de discutirem sobre João Marcos, concordaram em se separar. Barnabé tomou Marcos e foi para Chipre, e Paulo levou Silas consigo na sua segunda viagem. Foram para encorajar as igrejas na Síria e Ásia. Incidentalmente, ao retornar para Listra, Timóteo juntou-se a Paulo e Silas. Paulo recebeu direcionamento divino em Trôade para ir à Macedônia (norte da Grécia); assim partiram para Filipos. (Para maiores informações, veja Filipenses nesta apostila). Foi em Filipos que houve o primeiro convertido europeu, Lídia. Logo depois disto, Paulo e Silas foram presos por expelirem um demônio de uma menina escrava. Enquanto estavam na prisão, louvavam ao Senhor à meia-noite e um grande terremoto atingiu o lugar. Depois de levar o carcereiro e sua família a Cristo e batizá-los, foram libertos, e continuaram para a vizinha Tessalônica. Foi aqui que os judeus levantaram um tumulto; Paulo e Silas, então, partiram de noite para Beréia. Os bereanos aceitaram calorosamente as palavas de Paulo até que os judeus de Tessalônica chegaram para causar confusão.
Na cidade seguinte, Atenas, Paulo pregou seu famoso sermão no Areópago, convidado pelos filósofos epicureus e estóicos. Isto levou à salvação de Dionísio, uma das figuras principais de Atenas. Os resultados em Atenas, comparados com outras cidades, foram longe de serem espetaculares, e assim Paulo partiu para Corinto (para mais informações veja 1 Coríntios nesta apostila).
Foi em Corinto que Paulo encontrou-se com Áquila e Priscila, cristãos que tinham fugido de Roma devido à perseguição de Cláudio. Foi também em Corinto que Paulo fez um voto de levar o evangelho aos gentios, depois que os judeus haviam blasfemado o nome de Jesus. A salvação de Crispo, um líder da sinagoga, levou a uma grande fúria por parte dos judeus, os quais arrastaram Paulo perante Gálio. O resultado foi irônico; Paulo foi liberto e Sóstenes, o líder da sinagoga, foi açoitado. Fico imaginando se este é o mesmo Sóstenes que é o companheiro de Paulo no evangelho em 1 Coríntios 1.1. O grupo retornou para Antioquia depois de pregação em Éfeso de passagem.

TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (Atos 18.23-21.14)
Paulo novamente visita as igrejas da Galácia e Frígia, indo então para Corinto, e depois para Éfeso com Priscila e Áquila.
Apolo estivera em Éfeso um pouco antes da visita de Paulo, mas fora para Corinto depois que Priscila e Áquila corrigiram sua doutrina.
Paulo encontrou liberdade para ficar em Éfeso por um período maior e esta grande cidade tornou-se uma base para alcançar toda a Ásia (19.10). Alguns outros centros asiáticos são bem conhecidos nossos a partir de Apocalipse 2-4: Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardis, Filadélfia e Laodicéia.
Éfeso era o mercado da Ásia Menor, situada na foz do rio Caister. Era chamada de “casa do tesouro”; todos os navios da Europa ou Oriente Médio paravam ali.
Éfeso era uma cidade para inquéritos judiciais; o governador romano visitava-a para julgar casos importantes de toda a Ásia. Havia muita pompa e cerimônia envoltos nestes julgamentos.
Interessante também é que os jogos Pan Iônicos eram realizados ali (o sudeste da Ásia chama-se Iônia). Estes jogos de prestígio eram organizados pelos asiarcas, os governantes de toda a Ásia (19.31).
Éfeso era famosa pelos seus amuletos e encantamentos que chamavam-se ‘cartas de Éfeso’; eram usados para proteger o usuário.
A glória de Éfeso era a ‘deusa’ Artemis (Latim: Diana). Um comércio enorme girava ao redor da adoração à Artemis (19.24). Seu templo era uma das sete maravilhas do mundo, mas ela mesma era representada por uma horrível efígie de madeira, sentada e com muitos peitos; a superstição local é que Zeus lançou-a do céu (19.35).
Enquanto estava em Éfeso, Paulo foi confrontado com o problema de cristãos incompletos, semelhantes a Apolo, os quais tinham somente ouvido a pregação de João Batista. Durante os dois anos de sua estadia, Paulo também escreveu 1 Coríntios.
Uma característica do ministério em Éfeso foram os milagres incríveis que Paulo executou, particularmente depois da humilhação dos exorcistas judeus, os filhos de Seva.
O ministério de Paulo começou a atrapalhar o comércio local, visto que os pedidos para os ídolos diminuíram. Tumultos se levantaram, mas Paulo foi inocentado e partiu para Macedônia.
Na Grécia, Paulo ficou sabendo de uma ameaça contra sua vida; assim ele começou sua longa viagem para casa, passando por Filipos, e depois de navio para Trôade. Foi em Trôade que Paulo pregou até meia-noite e Êutico adormeceu, vindo a morrer e a ser ressuscitado dentre os mortos. Paulo partiu para Mileto, então para Éfeso, a fim de encorajar os anciãos com um emocionante discurso de despedida.
Paulo sabia que a captura o aguardava em Jerusalém (20.23); ainda assim, ele resolutamente retornou, apesar de alertas posteriores em Tiro e em Cesaréia, através de Ágabo.

JERUSALÉM
Na sua chegada em Jerusalém, Paulo encontrou-se com Tiago. Os antigos problemas judeus vieram à tona (21.21), assim arquitetaram o plano de fazer Paulo ficar bem com os judeu ao sustentar financeiramente quatro judeus que fizeram um voto nazireu e acompanhá-los ao templo para o ritual de purificação.
A manobra não deu certo e Paulo foi preso para sua própria segurança depois das acusações dos judeus de que ele levara um gentio ao templo.
Pleiteando sua cidadania romana, Paulo obteve consentimento de endereçar algumas palavras à multidão nas escadarias do Castelo Antônia, mas a multidão clamou em desaprovação (22.23). A resposta dos romanos foi de açoitar a Paulo (quase uma sentença de morte), mas ele os lembrou de que era contra a lei açoitar um cidadão romano.
Paulo recebeu ordens de ir perante o conselho judeu para responder as acusações. Ele astutamente pregou acerca da ressurreição, um tópico que dividia os fariseus e saduceus. No tumulto que se seguiu, Paulo foi levado à custódia protetora e transportado para Cesareia. Félix, o governador, temeroso em fazer um julgamento, e também esperando por um suborno, deixou que Paulo definhasse na prisão por dois anos.
No capítulo 25, Festo ressuscitou o caso, mas Paulo que iria enfrentar um julgamento judeu em Jerusalém, exigiu como cidadão de Roma que fosse julgado perante César. Festo levou Paulo perante Herodes Agripa, o qual considerou-o inocente. Todavia, ele tinha de mandá- lo para Roma, devido ao seu apelo a César.
Depois de uma viagem tumultuada para Roma, incluindo um naufrágio, Paulo é colocado em prisão domiciliar. Muitos vieram para visitá-lo e alguns da casa de César foram salvos. Foi nesta época, 60 – 62 AD, que ele escreveu suas epístolas da prisão.
Um apelo a Nero em 62 AD deu-lhe liberdade temporária, mas ele foi aprisionado novamente durante a perseguição de Nero e foi executado. Pedro também pereceu nesta época.

Fonte: Apostila do “International Bible Institute of London”, por Peter Rowe, PhD.

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Características da Pregação Neotestamentária

1. Tem base Escriturística – At 2.17-21,25-28,34,35
2. Cristocêntrica – At 2.22
3. Reconhece a Soberania de Deus – At 2. 23
4. Confrontativa, Ungida (Coragem) – At 2.23,36
5. Enfatiza a morte de Cristo – At 2.23
6. Enfatiza a ressurreição de Cristo – At 2.24-32; 1 Co 15
7. Enfatiza a exaltação de Cristo – At 2.33
8. Revela Jesus como doador do Espírito Santo – At 2.33; Jo 16.7
9. Proclama Jesus como Senhor – At 2.36
10. Proclama Jesus como Cristo – At 2.36
11. Chama ao arrependimento – At 2.38
12. Enfatiza a ordenança do Batismo-At 2.38
13. Enfatiza o perdão dos pecados como resultado do arrependimento – At 2.38
14. Enfatiza a promessa do Espírito Santo para os que se arrependem e creem – At 2.38,39
15. Inclui um chamado à Santificação – At 2.40
16. Focaliza o Reino de Deus (não pessoas ou igrejas) – At 28.31; Lc 8.1, 9.2
17. Realizada no Poder do Espirito Santo – 1 Co 2.1-5
18. Enfatiza a salvação pela fé e não por obras – At 13.39; Gl 3.1-11; Ef 2.8,9
19. Toda Glória deve ser remetida a Deus em Cristo – At 3.12,13
20. Reconhece que parte da revelação de Deus se deu através da História de Israel – Hb 1.1-4
21. É dirigida a todos, indistintamente – Mc 16.15; At 10.28,34
22. Inclui a possibilidade de salvação ou de perdição – Mc 16.16; Jo 3.16
23. Deve ser coerente com a prática — 1 Co 9.24-27
24. Deve incluir insistência, admoestação, repreensão, exortação e ensino – 2 Tm 4.1,2
25. Encontra um ponto de contato – At 17.22-31
26. Enfatiza o poder que há no nome de Jesus – At 3.16, 4.10
27. Reconhece Jesus como único meio de salvação – At 4.12.
28. Tem com alvo levar as pessoas a crerem e confessarem Jesus como Senhor – Rm 10.9-13
29. Deve ser pregada a todas as pessoas em todos os lugares – Rm 10.14,15
30. O Espírito Santo usa a pregação para gerar fé nos corações – Rm 10.16,17

Pr Ronaldo Guedes Beserra.

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Como se deve fazer a obra do Senhor?

Texto: 1 Co 15.58

1. A obra do Senhor se deve fazer com firmeza
– Sede firmes.
– Sólido, estável; Resistente, compacto; Resoluto, que não hesita ou vacila; Constante, inabalável, perseverante.
– Temos sido firmes na realização da obra de Deus?

2. A obra do Senhor se deve fazer com constância
– Sede … inabaláveis (ARA)
– Sentido no original: irremovível, que não pode ser mudado de seu lugar.
– Não podemos ser inconstantes como Israel – Os 6.4
– Temos sido inabaláveis, ou temos nos abalado facilmente? Temos sido constantes ou inconstantes?

3. A obra do Senhor se deve fazer com abundância
– Sempre abundantes, não de vez em quando.
– Abundar: Produzir em grande quantidade.
– Temos sido sempre abundantes? Nossa produção tem sido grande ou pequena?

4. A obra do Senhor se deve fazer com esforço
– Vosso trabalho, no original pode ser traduzido por ‘vosso esforço’.
– Ler Ec 9.10; Rm 12.11
– Temos nos esforçado na realização da obra de Deus?

5. A obra do Senhor se deve fazer com a consciência de que teremos recompensa pelo nosso trabalho
– No Senhor o vosso trabalho não é vão, vazio.
– Ler 1 Co 3.11-15 – Os galardões serão dados de acordo com o tipo de material usado na realização da obra de Deus.

Pr Ronaldo Guedes Beserra

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Um Verdadeiro Servo

Texto: João 13.1-17

Introdução
– Ef 6.6 – “não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus”; Nosso objetivo como servos não deve ser o de agradar a homens, mas agradar a Deus.
– Jesus é o maior exemplo de servo que agradou ao Pai; é o Servo por excelência – Is 53; Mt 20.28; Fp 2.5-8.

Transição
– João 13 é uma das passagens mais emblemáticas (simbólicas) de Jesus como Servo. Aqui, de forma bastante prática, Jesus é apresentado como Servo.
– A partir do exemplo de Jesus como Servo, o texto nos mostra alguns ensinamentos a respeito de um verdadeiro servo.

I.) O verdadeiro servo ama até o fim – v. 1
– Para servir é necessário muito amor!
– Ler 1 Co 13.4-8 e comentar.
– Como servos temos amado aqueles a quem servimos? E amado até o fim?

II.) O verdadeiro servo pode ser traído por alguns daqueles a quem serve – v. 2
– Jesus seria traído por Judas, pois o diabo havia colocado esse desejo maligno no coração de Judas. Portanto, nosso trabalho como servos está envolvido em intensa luta espiritual.
– Mesmo sabendo que está sendo traído, o servo deve continuar disposto a servir o traidor; Jesus também lavou os pés de Judas!
– Traições podem acontecer, e isso pode até nos angustiar, mas não deve nos tirar de nosso objetivo (v. 21).

III.) O verdadeiro servo tem consciência de quem lhe deu autoridade, e tem segurança da sua identidade – v. 3
– O servo sabe que sua autoridade vem de Deus, ainda que por meio das autoridades eclesiásticas. Portanto, a sua responsabilidade é antes para com Deus, do que para com os líderes da igreja. Em última instância, o servo deve prestar contas a Deus. O seu serviço está sendo feito para Deus. Ao servir pessoas, na verdade ele está servindo a Deus!
– Se Deus, e não o nosso líder, nos pedir conta hoje do nosso trabalho, o que responderemos?
– Jesus tinha “plena consciência de sua divindade e messiado”. (Pack). Ou seja, Ele tinha segurança de Sua identidade; não precisava ficar se comparando com os outros!
– Quem está seguro do seu valor pessoal, e do seu lugar no corpo de Cristo, não precisa ficar se comparando com outras pessoas, seja para se engrandecer, seja para se depreciar!
– Você tem se comparado muito com outros servos? Isso não pode ser sinal de insegurança pessoal?

IV.) O verdadeiro servo se dispõe a fazer o serviço mais vil – v. 4,5
– “Ele se veste como um empregado da casa e pratica a tarefa de um empregado” (F. F. Bruce, referindo-se a Jesus).
– Diante da intensa competição que havia entre eles, Jesus lhes deu um grande exemplo (ver Lc 22.24-27).
– As pessoas brigam por cargos na igreja, mas geralmente não se dispõem para ir aos asilos, orfanatos, hospitais, clinicas de recuperação, etc.
– As pessoas brigam para participar de ministérios que mais aparecem, mas não brigam para limpar banheiros e para olhar os carros na parte externa do templo.
– Estamos dispostos a fazer o trabalho mais vil? Jesus o fez!

V.) O verdadeiro servo pode encontrar resistência ao servir; no entanto deve contornar tal resistência com sabedoria e completar a tarefa – v. 6-9
– Pedro tentou resistir; Jesus sabiamente lhe convenceu a ser servido!
– Você tem encontrado resistência em sua função e em seu desejo de servir? Haja com sabedoria e cumpra a sua tarefa!

VI.) O verdadeiro servo é uma pessoa de discernimento – v. 10,11.
– Discernimento para ensinar verdades espirituais, e discernimento para conhecer as pessoas com as quais convive.
– Um servo não precisa necessariamente ser uma pessoa sem discernimento; deve se aplicar no aprendizado das coisas espirituais, deve ser dirigido pelo Espírito Santo, deve aprender com as experiências da vida.
– Não se conforme em ser alguém sem preparo bíblico, espiritual, intelectual!
– Você tem tido discernimento como servo?

VII.) O verdadeiro servo ensina com palavras e pelo exemplo – v. 12-15
– Nesses versos Jesus ensina com palavras o que já havia ensinado com Seu exemplo prático!
– Jesus foi um especialista em abrir as janelas da mente dos discípulos; Ele instigava a inteligência deles, não só com palavras, mas também com atitudes!
– v. 14 – Devemos lavar os pés uns dos outros! Temos feito isso? Temos sido servos uns dos outros?
– v. 15 – Devemos imitar o Mestre! Temos feito isso? Temos sido seus imitadores?

Conclusão
– Destacar os vs. 16,17.
– v. 16 – O servo não é maior que o seu senhor, ou seja, se o senhor serve, os servos também devem servir!
– v. 17 – Bem-aventurados, felizes sereis se praticardes estas coisas!

Pr Ronaldo Guedes Beserra – SP, 25.08.2017.

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