O Nascimento de Jesus e seus Aprendizados

Texto: Lucas 2.1-20

Introdução
– Nessa época do ano devemos ter em mente que os holofotes devem estar sempre em Jesus e não em árvores de Natal, papai Noel, panetones e presentes!
– O nascimento de Jesus não se deu nesta época do ano, mas convencionou-se comemorá-la nesta época. A data provável do nascimento deve ter sido na primavera (maio-junho). Nesta época é inverno em Israel, e dificilmente o imperador determinaria um recenseamento no inverno.

Transição
– O fato é que um dia Jesus nasceu, o Verbo se fez carne e habitou entre nós.
– Esse texto bíblico mostra alguns ENSINAMENTOS preciosos a serem aprendidos por ocasião do nascimento do Salvador.

I.) O nascimento de Jesus nos mostra que Deus é capaz de mover um império, caso seja necessário, para que suas promessas e profecias se cumpram – v. 1-7 a.
– Havia a profecia de que o Messias nasceria em Belém – Mq 5.2
– Como José e Maria estavam na Galiléia e a criança deveria nascer na Judéia, penso que podemos dizer que Deus moveu o coração do imperador para publicar um decreto convocando a população para um recenseamento.
– Como as pessoas deveriam se apresentar na cidade natal de suas famílias de origem, José e Maria foram para Belém.
– Estando eles ali, chegou o tempo do nascimento de Jesus, cumprindo-se assim a profecia do VT.
– Deus tem profecias e promessas para a sua vida? Então espere, pois Ele é capaz de mover um império para cumprir o que falou!

II.) O nascimento de Jesus nos revela que Deus se manifesta através de coisas simples e humildes – v. 7b-14
– Podemos perceber isso através do lugar onde Jesus nasceu, e para quem a notícia de seu nascimento foi transmitida pela primeira vez.
– Jesus nasceu em uma manjedoura (tabuleiro em que se deposita comida para vacas, cavalos e outros animais, em estábulos). Deus poderia ter agido para que o Seu Filho nascesse em um palácio real. No entanto, o Deus que está no controle de todas as coisas, quis que Jesus nascesse em um estábulo.
– O anuncio do nascimento do Salvador do mundo foi feito primeiro a um grupo de pastores humildes que moravam em grutas naturais. Deus confiou o mais importante anúncio público da História a pessoas comuns. Não anunciou primeiramente a reis, príncipes, sacerdotes ou religiosos, mas a pessoas simples!
– Creio que Deus quis comunicar que Ele pode ser encontrado e se manifesta através coisas simples e humildes. Além disso, Deus quis comunicar que Ele não é inatingível como os membros de famílias reais. Ele está acessível a todos, inclusive às pessoas mais simples e humildes!
– Você tem dado valor às coisas simples e humildes da vida, ou tem se deixado impressionar pela suntuosidade, pelo glamour, pelo orgulho e pela grandeza e arrogância humanas?

III.) O nascimento de Jesus nos lembra que devemos reconhecê-Lo como nosso Salvador, como o Cristo, e como o nosso Senhor – v. 10,11
– O nascimento de Jesus, o fato de o Verbo ter se feito carne é uma boa nova de grande alegria para todos os povos (v. 10).
– É imprescindível que se reconheça Jesus como: (1) o Salvador (Aquele que é o único que pode nos salvar de uma eternidade longe de Deus); (2) o Cristo (o Messias prometido); (3) o Senhor (Aquele que tem todo o direito e domínio sobre a minha vida) – ver v. 11.
– Temos reconhecido Jesus como o nosso Salvador, como o Cristo, e como o nosso Senhor?

IV.) O nascimento de Jesus nos ensina que Deus se manifesta àqueles que Ele sabe que irão RECONHECER a importância de Sua revelação – v. 15
– Ao ouvirem o anúncio, os pastores se dispuseram a ir até Belém e ver o que se lhes tinha sido anunciado pelo anjo. Ou seja, eles reconheceram a importância da mensagem e da revelação!
– Me parece que Deus não se revela a quem não dá importância à Sua revelação, mas àqueles que a valorizam (ver Sl 25.14).
– Nós também não devemos ‘jogar pérolas aos porcos’ (Mt 7.6).
– Temos reconhecido a importância da revelação de Deus a nós?

V.) O nascimento de Jesus nos ensina que Deus se manifesta àqueles que irão ANUNCIAR a Sua revelação – v. 16,17
– Depois de conferirem as palavras do anjo, os pastores divulgaram o que lhes tinha sido dito!
– As revelações de Deus a nós através de Sua Palavra não devem ficar guardadas, mas devem ser anunciadas!
– Deus nos revelou a verdade do evangelho para que divulguemos a mensagem àqueles que não a conhecem (Mt 28.18-20; Mc 16.15; At 1.8).
– Temos anunciado as boas novas de salvação em Cristo?

VI.) O nascimento de Jesus nos ensina que Deus se manifesta àqueles que se deixarão TRANSFORMAR por Sua revelação – v. 20
– Os pastores se puseram a glorificar e louvar a Deus! Foram transformados pelo impacto da mensagem!
– Deus não se revelará àqueles que não estão dispostos a se deixarem transformar pela mensagem da Graça de Deus!
– Temos estado dispostos a permitir que o Espírito Santo trabalhe em nós, nos alinhando e tirando de nós tudo o que Lhe desagrada? Quando tivermos esta disposição, Deus se manifestará a nós!

Pr Ronaldo Guedes Beserra

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Hebreus: Jesus, Nosso Grande Sumo Sacerdote

Tema
O autor da epístola aos Hebreus retrata distintivamente a Jesus Cristo como o grande Sumo Sacerdote que, tendo oferecido nada menos que a Si mesmo, como o sacrifício totalmente suficiente pelos pecados, agora ministra no santuário celestial. O propósito desse retrato, que exibe a superioridade de Cristo sobre todo aspecto e sobre todo herói da religião revelada no Antigo Testamento, foi o de impedir que os leitores originais da epístola revertessem ao judaísmo.

Autoria
Paulo – A tradição da Igreja primitiva manifesta-se em tons incertos quanto à autoria do livro anônimo dirigido aos Hebreus. Sem embargo, em data bastante recuada (cerca de 95 D. C.), a epístola aos Hebreus já era conhecida e usada, conforme se vê em I Clemente. Na porção oriental do império romano, Paulo era usualmente reputado seu autor. A teologia do tratado aos Hebreus realmente se assemelha à de Paulo, quando se coteja a preexistência e a posição de Cristo como criador, em Hebreus 1:1-4 e Colossenses 1:15-17; a humilhação de Cristo, em Hebreus 2:14-17 e Filipenses 2:5-8; a nova aliança, em Hebreus 8:6 e 11 Coríntios 3:4-11; e a distribuição de dons do Espírito Santo, em Hebreus 2:4 e I Coríntios 12:11. Não obstante, o segmento ocidental da Igreja duvidava da autoria paulina, tendo chegado mesmo a excluir o livro aos Hebreus do cânon, pelo menos a princípio, por causa de dúvidas quanto à autoria do mesmo. Esse fato mostra-nos que a Igreja primitiva não aceitava credulamente a quaisquer obras no cânon neotestamentário sem primeiramente examinar as credenciais comprobatórias no tocante à autoria, à natureza fidedigna e à pureza doutrinária. A Igreja ocidental tinha bons motivos para duvidar da autoria paulina. Nenhuma das epístolas reconhecidamente pertencentes a Paulo é anônima como a epístola aos Hebreus. O polido estilo grego de Hebreus difere radicalmente do estilo rude desse apóstolo, muito mais do que pode ser explicado pelo emprego de um amanuense diferente. E, se por um lado Paulo apelava constantemente para sua própria autoridade apostólica, por outro lado o escritor da epístola aos Hebreus apela para autoridade daqueles que tinham sido testemunhas oculares do ministério de Jesus (vide Hebreus 2:3).
Barnabé – Outros estudiosos têm sugerido Barnabé, cujo passado como levita (vide Atos 4:36) se harmoniza com o interesse pelas funções sacerdotais que se manifesta por todo o livro aos Hebreus, e cuja associação com Paulo poderia explicar as similaridades com a teologia paulina. No entanto, por ter sido residente em Jerusalém (vide Atos 4:36,37), provavelmente Barnabé chegara a ouvir e ver a Jesus, ao passo que o autor da epístola aos Hebreus inclui a si mesmo entre aqueles que dependiam de outros quanto ao testemunho ocular (vide Hebreus 2:3).
Lucas – Lucas, um outro companheiro de Paulo, também é candidato à autoria da epístola aos Hebreus, devido à semelhança de estilo do livro aos Hebreus, em grego culto e polido, e o de Lucas-Atos. Todavia, Lucas-Atos se reveste de uma perspectiva tipicamente gentílica, ao mesmo tempo que o livro aos Hebreus manifesta-se altamente judaico.
Apolo – Martinho Lutero sugeria a autoria de Apolo, cuja familiaridade com Paulo (vide 1 Coríntios 16:12), além de ter sido melhor instruído por Priscila e Áquila (vide Atos 18:26), pode ser justificativa para a semelhança com a teologia paulina que se vê em Hebreus. A eloquência de Apolo (vide Atos 18:24,27,28) poderia ter produzido o estilo elevadamente literário da epístola aos Hebreus. Outrossim, seu passado formativo alexandrino se adapta ao uso exclusivo da Septuaginta, na epístola em apreço, quando de citações extraídas do Antigo Testamento, porquanto a Septuaginta foi produzida em Alexandria, no Egito.(Alguns eruditos traçam o paralelo entre as interpretações alegóricas do Antigo Testamento, pelo filósofo judeu Filo, contemporâneo de Apolo e também nativo de Alexandria, e o manuseio das revelações do Velho Testamento em Hebreus. Todavia, Hebreus trata o Antigo Testamento como história simbólica, e não como alegoria.) Porém, a ausência de tradições antigas em favor de Apolo deixa-nos na dúvida a esse respeito.
Silvano – A suposição de que Silvano (ou Silas), companheiro de Paulo, tenha sido o autor de Hebreus, também pode explicar as suas similaridades com a teologia paulina. Mas não muito mais do que isso pode ser dito em favor ou contra a autoria de Silvano.
Felipe – Outro tanto se pode dizer no que tange à sugestão de que Filipe escreveu a epístola ao Hebreus.
Priscila – Harnack sugeriu Priscila, devido às íntimas associações entre ela e Paulo, e engenhosamente argumentou que ela escrevera a obra no anonimato porque a autoria da parte de uma mulher não era aceitável pelo público.
Clemente de Roma – As semelhanças entre Hebreus e I Clemente permitem a possibilidade que seu autor tenha sido Clemente de Roma. Entretanto, há muitas diferenças quanto à perspectiva, e o mais provável é que Clemente tenha feito empréstimos da epístola aos Hebreus, e nada mais. Juntamente com Orígenes, pai da antiga Igreja, concluímos que somente Deus sabe quem escreveu a epístola aos Hebreus.

Destinatários
A despeito do tradicional apêndice do título “aos Hebreus”, alguns têm pensado que esse livro foi originalmente endereçado a crentes gentílicos. Em apoio a essa opinião, apela-se ao estilo polido no grego e ao contínuo uso da Septuaginta, havendo apenas um desvio ocasional em relação à tradução grega do Antigo Testamento. Todos esses fenômenos, entretanto, nada deixam implícito quanto aos destinatários originais da epístola. Indicam tão-somente o passado formativo de seu autor. O uso freqüente do Antigo Testamento, o pressuposto conhecimento dos rituais judaicos, a advertência para seus leitores não reverterem ao judaísmo, além do título tradicional e antiquíssimo do livro, tudo aponta para o fato que o livro foi endereçado originalmente a judeus cristãos.

Destinação
À primeira vista, poderia parecer mais verossímil que esses judeus cristãos viviam na Palestina. Mas, levando-se em conta o trecho de Hebreus 2:3, seus leitores não tinham visto nem ouvido a Jesus, pessoalmente, durante Seu ministério terreno, conforme muitos cristãos palestinos sem dúvida o tinham feito; e, em consonância com Hebreus 6:10, eles haviam ajudado financeira e materialmente a outros cristãos, ao passo que os cristãos palestinos eram pobres e tinham recebido ajuda externa (vide Atos 11:27-30; Romanos 15:26 e II Coríntios 8 e 9). Outrossim, o conhecimento que os seus leitores dispunham sobre os rituais judaicos ao que parece provinha do Antigo Testamento segundo a versão da Septuaginta, e não porque frequentassem aos cultos no templo de Jerusalém. E a declaração, “Os da Itália vos saúdam (13:24), soa como se italianos distantes da Itália estivessem enviando saudações de volta à sua pátria. Nesse caso, Roma seria o destino provável da presente epístola. Consubstanciando essa conclusão, temos de considerar o fato que a evidência em prol do conhecimento da epístola aos Hebreus nos chega, antes de tudo, de Roma (vide I Clemente).
Recentemente, H. Montefiore propôs que Apolo escreveu a epístola aos Hebreus em Éfeso, à igreja de Corinto, especialmente a seus membros judeus cristãos, em 52-54 D. C. Ele traçou numerosos paralelos entre Hebreus e a correspondência de Paulo com os crentes coríntios. De acordo com essa posição, as palavras “Os da Itália vos saúdam” (13:24) seriam Priscila e Áquila, os quais originalmente se tinham mudado de Roma para Corinto, mas depois acompanharam Paulo de Corinto a Éfeso. Poderíamos inquirir, entretanto, por qual motivo o autor da epístola aos Hebreus não mencionou por nome a Priscila e Áquila, mas preferiu usar uma expressão generalizadora, sobretudo diante do fato que acabara de mencionar a Timóteo por nome. Não obstante, os argumentos de Montefiore merecem séria consideração.

Propósito
Onde quer que habitassem os destinatários da epístola, eram bem conhecidos do seu autor. Ele escreve a respeito da generosidade deles (vide 6:10), das perseguições que vinham sofrendo (vide 10:32-34 e 12:4), da imaturidade deles (vide 5:11 – 6:12) e de sua esperança de que em breve haveria de visitá-los novamente (vide 13:19,23). Dois detalhes adicionais podem ser muito significativos: (1) os leitores da epístola são exortados a saudar não somente os líderes e demais membros de sua própria congregação, mas também “a todos os santos” (13:24); (2) eles são repreendidos por não se reunirem com a necessária freqüência (vide 10:25). O mais provável, portanto, é que fossem um grupo de cristãos judeus que se reuniam em algum domicílio e que se tinham separado do corpo central de cristãos da localidade em que viviam, e que agora corriam o perigo de retornar ao judaísmo, a fim de evitarem as perseguições. O propósito fundamental da epístola é justamente o de entravar tal apostasia, trazendo-os de volta ao caudal da comunhão cristã.

Data
O uso da epístola aos Hebreus, em I Clemente, requer que tal epístola tenha sido escrita antes de 95 D. C., data de I Clemente. Também se tem argumentado que os verbos no tempo presente, que se vêem na epístola aos Hebreus, ao descrever a mesma os rituais expiatórios, subentendem uma data anterior ao ano 70 D. C., ano em que Tito destruiu o templo de Jerusalém e os sacrifícios deixaram de ser oferecidos ali pelos judeus. Todavia, outros escritos que por certo datam de após o ano 70 D. C., continuam a usar verbos no tempo presente ao aludirem aos rituais mosaicos (vide I Clemente, Josefo, Justino Mártir e o Talmude). Além disso, a epístola aos Hebreus não faz a descrição dos rituais efetuados no templo, e, sim, dos rituais do “tabernáculo” pré- salomônico, pelo que os verbos no tempo presente consistem tão só de um vívido estilo literário, não podendo subentender coisa alguma no tocante à data em que foi escrito o livro aos Hebreus. O que realmente favorece uma data anterior a 70 D. C., para a escrita do livro, é a ausência a qualquer alusão, nessa epístola, à destruição do templo de Jerusalém, como indicação divina de que o sistema de holocaustos do Antigo Testamento se tornara obsoleto. Não há que duvidar que o autor sagrado ter-se-ia valido de um argumento histórico dessa magnitude, se aquele acontecimento já houvesse ocorrido.

Forma literária
Tal como no caso de outras epístolas, Hebreus termina com alusões pessoais, mas, divergentemente de outras epístolas, ela não conta com saudações introdutórias. O estilo de oratória e observações como “Certamente me faltará o tempo necessário para referir…” (11:32), parecem indicar mais um sermão. Porém, a assertiva: “…vos escrevi resumidamente” (13:22), requer que pensemos que o livro de Hebreus é uma epístola, afinal de contas, embora escrita segundo o estilo de um sermão.

A superioridade de Cristo
A fim de impedir seus leitores de retornarem ao judaísmo, o autor de Hebreus ressalta a superioridade de Cristo em relação a tudo o mais, especialmente em relação a várias características do judaísmo originadas do Antigo Testamento. A expressão “melhor que” epitoma o tema predominante da superioridade de Cristo, um tema reiterado enfaticamente por toda a obra, mediante exortações para que seus leitores não apostatassem da fé cristã.

Superior aos profetas
Cristo é superior aos profetas do Antigo Testamento porquanto é Ele o próprio Filho de Deus, o herdeiro do universo, o criador, o reflexo exato da natureza divina, o sustentador da vida no mundo, o purificador dos pecados, o Ser exaltado – e, por conseguinte, a última e mais excelente palavra de Deus ao homem (vide 1:13a).

Superior aos anjos
Cristo é também superior aos anjos, a quem os contemporâneos judeus do autor sagrado reputavam mediadores da legislação mosaica, no Monte Sinai (vide Atos 7:53 e Gálatas 3:19); porque Cristo é o Filho divino e criador eterno, mas os anjos são apenas servos e seres criados (vide 1:3b – 2:18). E mesmo o fato que Ele se tornou menor que os anjos, mediante a encarnação e a morte, foi uma ocorrência meramente temporária. Era mister que Ele se tivesse tornado um ser humano a fim de estar qualificado como aquele que, por Sua morte, pudesse elevar o homem decaído àquela dignidade que originalmente lhe fora propiciada por Deus, quando da criação. Por causa de Seu ato expiatório, Cristo foi revestido de imensa honra. Na metade dessa seção é que ocorre uma exortação que insta para que os leitores originais da epístola não declinassem da sua profissão cristã (vide 2:1-4). Ler Hebreus 1 e 2.

Superior a Moisés
Na posição de divino Filho sobre a casa de Deus, Jesus Cristo é superior a Moisés, um servo na casa de Deus(vide 3:1-6). A exortação, pois, visa a evitarmos incorrer no juízo de Deus, em resultado da incredulidade. A geração de israelitas que saiu do Egito sob a liderança de Moisés, mas morreu no deserto por causa da indignação divina contra a rebelião deles provê um terrível exemplo de advertência (vide 3:7-19).

Superior a Josué
Cristo é melhor do que Josué; pois embora Josué tenha feito Israel entrar na terra de Canaã, Cristo conduzirá aos crentes ao lugar de repouso eterno, nos céus, onde Deus descansa de Sua obra criativa (vide 4:1-10). É óbvio que Josué não conseguiu fazer Israel entrar nesse repouso celestial; porquanto muito tempo depois de Josué ter vivido e morrido, Davi falou do lugar de repouso de Israel como lugar ainda não atingido (vide Salmo 95:7,8). A comparação entre Jesus e Josué é bem mais impressionante no Novo Testamento grego, pois o apelativo hebraico “Josué” assume a forma “Jesus”, no grego. Noutras palavras, o texto grego desconhece a distinção entre o nome próprio Josué, do Antigo Testamento, e o nome próprio Jesus, do Novo Testamento.
Em prosseguimento, o autor exorta os seus leitores a entrarem no descanso celestial, através da fidelidade à sua profissão cristã (vide 4:11-16). Essa ênfase posterior sobre a total suficiência da obra expiatória de Jesus elimina qualquer implicação de que a continuação das boas obras, na vida do crente, merece a salvação. Entretanto, as boas obras e o desviar-se da apostasia são coisas necessárias para demonstração da genuinidade da profissão de fé cristã. O décimo segundo versículo contém a famosa comparação da Palavra de Deus com uma espada de dois gumes, que penetra e desnuda o ser mais interior do homem. Por conseguinte, os crentes devem provar que sua externa profissão de fé se origina de uma realidade interna. Ler Hebreus 3 e 4.

Superior a Arão
Cristo é superior a Arão e seus sucessores no ofício sumo sacerdotal (vide 5:1 – 12:29). O autor da epístola aos Hebreus primeiramente destaca dois pontos de semelhança entre os sacerdotes arônicos e Jesus Cristo: (1) à semelhança de Arão, Cristo foi divinamente nomeado ao sumo sacerdócio, e (2) ao compartilhar de nossa experiência humana, Cristo adquiriu por nós uma simpatia pelo menos igual àquela de Arão (vide 5:1-10). O mais proeminente exemplo desses sentimentos de Jesus foi que Ele instintivamente procurou furtar-se da morte, quando orava no jardim do Getsêmani (embora jamais do terror da morte, como se fosse culpado, e, obviamente, também não houve a recusa de aceitar a cruz).
Em seguida há uma longa exortação (vide 5:11 – 6:20) com vistas ao progresso que nos leva da infância à maturidade espirituais, se avançarmos para além das doutrinas elementares da fé judaica, que formam o alicerce da fé cristã e que adquirem uma nova significação no seu contexto cristão. Quando o crente não se desenvolve espiritualmente, isso aumenta o perigo de vir a apostatar. E se um cristão renunciar a Cristo de maneira pública, voluntária e final, deixará de existir para sempre toda e qualquer possibilidade de salvação. O autor sagrado descreveu os seus leitores como cristãos falando do ponto de vista de sua presente profissão de fé (não conhecendo os seus corações, de que outra maneira poderia tê-los descrito?), mas continua e salienta que a apostasia tanto haveria de demonstrar a ilegitimidade de sua profissão cristã como os levaria a incorrer em irrevogável julgamento, por motivo de falsa profissão. Deve-se notar que a apostasia envolve um sentido muito mais grave do que no caso de desobediência temporária. Ler Hebreus 5 e 6.
Os itens frisados da superioridade de Cristo sobre Arão são: (1) Cristo se tornou sacerdote em virtude de um juramento divino, mas não assim com os aronitas (Arão e seus descendentes sacerdotais); (2) Cristo é eterno, ao passo que os aronitas morriam e tinham de ser substituídos; (3) Cristo é impecável, ao passo que os aronitas não o eram; (4) as funções sacerdotais de Cristo envolvem as realidades celestiais, mas as dos aronitas dizem respeito somente a símbolos terrenais; (5) Cristo ofereceu-se a Si mesmo voluntariamente como um sacrifício que jamais precisará ser repetido, ao passo que as repetitivas ofertas de animais desmascaram a sua ineficácia, pois animais inferiores não podem tirar os nossos pecados; e (6) o próprio Antigo Testamento, escrito durante o período do sacerdócio arônico, predizia que sobreviria uma nova aliança, que tornaria obsoleto ao antigo pacto, segundo o qual funcionava o sacerdócio arônico (vide Jeremias 31:31-34).
Muito se tem disputado sobre a interpretação correta da advertência que aparece em Hebreus 6:1-12, a saber:
(1) Aqueles que ensinam que a passagem fala de aterrorizante possibilidade de um verdadeiro crente reverter à condição de perdição, têm de ver-se a braços com a declarada impossibilidade de restauração (vide 6:4), e isso contrariamente àqueles trechos neotestamentários que asseguram a eterna segurança para os crentes, para os eleitos (vide João 6:39,40; 10:27-29; Romanos 11:29; Filipenses 1:6; 1 Pedro 1:5 e 1 João 2:1), e também em desacordo com a doutrina inteira da regeneração.
(2) Aqueles que sentem que o autor da epístola aos Hebreus postula aqui uma hipótese, e não uma possibilidade realista, descobrem que a reiteração dessa urgente advertência, aqui e alhures nesta epístola (vide especialmente 10:26-31), é algo muito embaraçador.
(3) Aqueles que diluem a severidade do juízo ameaçador, da perda da salvação para a perda de galardões (em que a salvação por um triz não se perdera – comparar com 1 Coríntios 3:12-15), descobrem-se antagonizando o que fica implícito em Hebreus 6:9, isto é, que o juízo aqui ameaçado é o oposto da salvação: `…estamos persuadidos das cousas que são melhores e pertencentes à salvação, ainda que falamos desta maneira.” (Comparar isso com Hebreus 10:27: “… certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários”).
(4) Aqueles que encaram essa advertência como se ela houvesse sido dirigida a quase cristãos, e não a cristãos no mais alto sentido da palavra, são forçados a minimizar a força das expressões “… aqueles que uma vez foram iluminados (comparar com 10:32; II Coríntios 4:4,6; I Pedro 2:9; et passim), e provaram do dom celestial (comparar com o fato que Cristo ‘provou’ a morte a favor de todo homem (vide 2:9), certamente uma experiência plena), e se tornaram participantes do Espírito Santo (comparar com o fato que Cristo se tornou participante da natureza humana (vide 2:14), certamente não uma encarnação parcial), e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro (comparar com I Pedro 2:3)”. Esses também sentem grande dificuldade ante o apelo em favor da maturidade, e não da conversão, ante a advertência a respeito da “apostasia” (vide 6:6), e não a respeito de não se haver confessado a Cristo no princípio, e ante o título conferido aos leitores da epístola, “amados”, um termo distintivamente cristão (vide 6:9; comparar com 10:30: “O Senhor julgará o seu povo”).
(5) A interpretação mais promissora é aquela que encara essa advertência como uma aviso dirigido a cristãos professos, ficando entendido que esses devem demonstrar a genuinidade de sua profissão resistindo à pressão tendente à apostasia. Se, por uma parte, as passagens que nos asseguram a eterna segurança do crente refletem a perspectiva divina (Deus, que conhece perfeitamente aos corações dos homens, resguardará para sempre aos que Lhe pertencem), por outra parte a presente advertência, juntamente com outras que lhe são correlatas, reflete a perspectiva humana (os cristãos, que conhecem imperfeitamente aos seus corações, devem demonstrar a si mesmo e a outros, mediante exteriorizações na forma de correta conduta, que a sua profissão de fé é real, não mediante uma perfeição impecável, mas mediante a perseverança contra a oposição e a tentação). Dessa forma, o autor do livro aos Hebreus dirige-se a seus leitores como cristãos, como não poderia mesmo ser diferente, porquanto ao escrever-lhes todos se professavam crentes. Todavia, diferentemente de Deus, ele não poderia conhecer seu estado espiritual interno. Por isso, viu-se forçado a adverti-los contra o perigo da profissão falsa, contra a apostasia final que vem mediante a negação voluntária, e finai da fé cristã anteriormente professada, e contra o julgamento irrevogável disso tudo resultante. Na verdade, não é possível alguém ser salvo e depois perder-se, mas isso é aparentemente possível, e essa “aparência” deve ser tratada com toda a gravidade, porquanto os seres humanos se movimentam principalmente no nível do que é aparente.
Quanto à distinção entre a perspectiva divina e a perspectiva humana, podemos consultar o trecho de I Samuel 16:7b (“O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração”), confrontando-o com a doutrina paulina da justificação pela fé (à vista de Deus), e também com a doutrina de Tiago da justificação comprovada pelas obras (à vista dos homens). É importante reconhecermos a validade e a seriedade de ambas perspectivas. Finalmente, o propósito de advertências como essa não é perturbar os crentes conscienciosos, e, sim, acautelar os crentes negligentes, para que não terminem por nem ser cristãos, afinal de contas.

Melquisedeque
Alicerçando-se sobre a sugestão da assertiva em Salmo 110:4, de que o rei messiânico seria sacerdote segundo o padrão de Melquisedeque, o autor da epístola aos Hebreus descobre diversos paralelos entre Cristo e aquela misteriosa personagem do Antigo Testamento, a quem Abraão deu uma décima parte dos despojos, depois da batalha na qual resgatou a Ló de seus captores (vide Gênesis 14). Ora, Melquisedeque era sacerdote de Deus; assim também o é Cristo. O nome “Melquisedeque” significa “Rei da Justiça” (ou, mais literalmente ainda, “meu rei é justo”); o homem que tinha esse nome era rei de “Salém” (provavelmente uma forma abreviada de “Jerusalém”), que significa “paz” (no sentido de completa bênção divina); e justiça e paz são características e resultados do ministério sacerdotal de Cristo. A ausência, nas páginas do Antigo Testamento, de qualquer genealogia registrada de Melquisedeque ou de narrativas sobre seu nascimento e morte (naturalmente, ele teve pais e antepassados, nasceu e morreu), tipifica a real eternidade de Cristo como Filho de Deus, em contraste com a morte que atingia a todos os sacerdotes da linhagem de Arão. A superioridade de Cristo sobre Arão é ainda retratada pelo fato que Abraão deu a Melquisedeque a décima parte dos despojos tomados em batalha, sendo que Arão era descendente de Abraão. A solidariedade de uma pessoa com seus ancestrais fica assim pressuposta. Idêntica superioridade aparece, novamente, no fato que Melquisedeque abençoou a Abraão, e não vice-versa, pois o maior é quem abençoa ao menor. Ler Hebreus 7:1 – 10:18.

Exortação
A epístola aos Hebreus se encerra com longa seção exortatória e algumas saudações finais (vide 10:19 – 13:25). O autor dela exorta seus leitores a usarem o método superior de aproximação a Deus por intermédio de Cristo, e não através do método ultrapassado do Antigo Testamento, mormente na adoração coletiva, a qual estavam abandonando (vide 10:19-22). E adverte-os novamente, tal como no sexto capítulos, a respeito do terrível julgamento que sobrevém àqueles que, aberta e terminantemente, repudiam a sua profissão cristã, apesar do que, expressa a sua confiança, baseada na constância anterior de seus leitores, sob a perseguição, de que não haveriam de cair na apostasia (vide 10:23-31).
Em seguida, encoraja-os a uma contínua perseverança, citando, como exemplos, os heróis da fé do Antigo Testamento, (O capítulo 11 é, às vezes, considerado o grande capítulo da fé do Novo Testamento, assim como I Coríntios 13 é o capítulo do amor e I Coríntios 15 o capítulo da ressurreição.) vinculando a estes os seus leitores, e, finalmente, citando a pessoa de Jesus como o mais extraordinário exemplo de paciente perseverança sob os sofrimentos, após o que recebeu o seu galardão (vide 10:32 – 12:3). O sofrimento é uma excelente disciplina, além de ser um sinal de filiação (vide 12:4-13). Por outro lado, Esaú se torna um exemplo negativo, que adverte acerca do fim dos apóstatas infiéis (vide 12:14-17).
Em conclusão, o escritor sagrado novamente põe em relevo a superioridade do novo pacto, fundamentado como está sobre o sangue de Cristo (vide 12:18-29), e exorta os seus leitores ao amor mútuo, à hospitalidade (especialmente necessária naqueles dias, para os pregadores itinerantes), à simpatia, ao uso saudável e moral do sexo, dentro dos liames do matrimônio, à necessidade de evitar a avareza, à imitação do exemplo dado pelos líderes eclesiásticos piedosos, à necessidade de evitar os ensinamentos distorcidos, à aceitação conformada diante da perseguição, às ações de graças, à generosidade, à obediência aos líderes eclesiásticos e à oração. Ler Hebreus 10:19 – 13,25.

ESBOÇO SUMÁRIO DE HEBREUS
Tema: A superioridade de Cristo como impediente da apostasia, ou seja, a reversão do cristianismo ao judaísmo.
I. A SUPERIORIDADE DE CRISTO SOBRE OS PROFETAS DO ANTIGO TESTAMENTO (1:1-3a)
II. A SUPERIORIDADE DE CRISTO SOBRE OS ANJOS (1:3b – 2:18), E AVISO QUANTO À APOSTASIA (2:1-4)
III. A SUPERIORIDADE DE CRISTO SOBRE MOISÉS (3:1-6), E AVISO QUANTO À APOSTASIA (3:7-19)
IV. A SUPERIORIDADE DE CRISTO SOBRE JOSUÉ (4:1-10), E AVISO QUANTO À APOSTASIA (4:11-6)
V. A SUPERIORIDADE DE CRISTO SOBRE OS ARONITAS E AVISOS QUANTO À APOSTASIA (51 – 12:29)
A. A Simpatia humana de Cristo e Sua divina nomeação ao sumo sacerdócio (5:1-10)
B. Aviso quanto à apostasia com uma exortação acerca da busca pela maturidade (5:11  – 6:10)
C. Melquisedeque, modelo do sumo sacerdócio de Cristo (7:1-10)
D. Caráter transitório do sacerdócio arônico (7:11-28)
E. Realezas celestiais do sacerdócio de Cristo (8:1 – 10:18)
F. Advertência contra a apostasia (10:19-39)
G. Encorajamento derivado dos heróis da fé do Antigo Testamento (11:1-40)
H. Encorajamento derivado do exemplo dado por Cristo (12:1-11)
I. Advertência acerca da apostasia, com o mau exemplo de Esaú (12:12-29)
VI. EXORTAÇÕES PRÁTICAS (13:1-19)
CONCLUSÃO: Saudações, notícia da libertação de Timóteo, e bênção final (13:20-25).

Fonte: “Panorama do Novo Testamento”, de Robert H. Gundry.

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Introdução Panorâmica da Vida e do Ministério Público de Jesus

Por Robert H. Gundry

Perguntas Normativas:
– Quais são as datas delimitadoras da carreira pública de Jesus?
– Quais foram os acontecimentos gerais e o resultado final de Seu ministério?
– Onde se acham as origens de Sua doutrina, e até que ponto Ele as ultrapassou?
– Quais são o arcabouço e os motivos básicos de Sua doutrina?

Datas
As datas delimitadoras do ministério de Jesus permanecem um tanto incertas, principalmente porque não sabemos como Lucas concebia o começo do reinado de Tibério (Lucas 3:1; ver os comentários a respeito). Mas o período de três anos, de 27 a 30 D.C., é tão provável como qualquer outro. Tradicionalmente, esse espaço de tempo tem sido dividido em um ano de obscuridade, um ano de popularidade e um ano de rejeição.

Obscuridade
O ano de obscuridade começou com o ministério anunciador de João Batista, com o batismo de Jesus por João, e com a tentação de Jesus por Satanás. Prosseguiu quando Ele chamou Seus primeiros discípulos, quando realizou o primeiro milagre, transformando a água em vinho, em Caná da Galiléia, quando purificou o templo pela primeira vez, quando conversou à noite com Nicodemus, quando retornou à Galiléia, passando por Sumaria, e quando deu início à pregação intensiva e à operação de milagres, por toda a Galiléia.

Popularidade
A pregação e realização de atos miraculosos teve prosseguimento durante o ano de popularidade, ante a presença de numerosas multidões. Sua popularidade atingiu o ponto culminante quando Jesus multiplicou os pães para os cinco mil homens; mas subitamente começou a dissipar-se, quando recusou-se a tornar-se um rei-do-pão e um líder militarista inclinado à guerra.
Durante o ano de rejeição, Jesus retirou-se para noroeste, para a Fenícia, voltou-se para Leste, ao norte do mar da Galiléia, e então para o sul, na direção de Decápolis (“dez cidades”), uma região populada por gentios, a suleste da Galiléia. Evitando as multidões tanto quanto Lhe era possível, Jesus concentrou Seus esforços a instruir em particular os Seus doze discípulos. Foi durante esse período que Pedro confessou o caráter messiânico de Jesus.

Rejeição
Os discípulos já O haviam reconhecido como o Messias, mesmo antes disso, mas a significação daquela confissão jaz no fato que os discípulos continuavam leais a Jesus, como o Messias, ao mesmo tempo que as massas se afastavam Dele. Jesus começou a predizer Sua morte e ressurreição. Ocorreu a transfiguração. Teve início a última jornada a Jerusalém. Na verdade, essa jornada foi muito mais um circuito, de idas e vindas, pela Peréia (sul da Transjordânia), pela Judéia e também pela Galiléia. Foi durante esse tempo que Jesus proferiu diversas de Suas mais famosas parábolas, como aquelas do bom samaritano e do filho pródigo. A ressurreição de Lázaro convenceu aos membros do Sinédrio de que deveriam eliminar a Jesus, abafando, juntamente com Ele, a ameaça de uma revolta messiânica.

A última semana e o ministério pós-ressurreição
A semana da paixão teve início com a entrada triunfal em Jerusalém, no domingo de Ramos. Na segunda-feira Jesus amaldiçoou a figueira estéril e purificou novamente o templo. A purificação do templo endureceu aos membros do Sinédrio em sua determinação de se libertarem Dele. Na terça-feira, Jesus pôs-se a debater com os fariseus e os saduceus nos átrios do tempo, e proferiu o Seu discurso profético para os discípulos, no monte das Oliveiras. Além disso, Judas Iscariotes arranjou as coisas para trair a Jesus. Quanto à quarta-feira há silêncio nos registros dos evangelhos, a menos que Jesus e Seus discípulos tenham participado da refeição da páscoa na noite de quarta-feira (a terça-feira à noite também é possível), mais cedo que a maioria dos judeus. Doutra sorte, a última Ceia teria tido lugar na noite de Quinta-feira, no começo da noite, os julgamentos de Jesus durante a noite de quinta-feira e cedo pela manhã da sexta-feira, ao passo que a crucificação e o sepultamento teriam tido lugar durante o dia de sexta-feira. A patrulha romana teria vigiado o sepulcro durante todo o dia de sábado. A ressurreição ocorreu bem cedo na manhã de domingo, e Jesus apareceu aos Seus discípulos por determinado número de vezes, durante quarenta dias, durante os quais realizou o Seu ministério pós-ressurreição. Finalmente, Ele ascendeu aos céus, pouco mais do que uma semana antes do derramamento do Espírito Santo, que se deu no dia de Pentecoste.

Estilo de ensino
O estilo das lições dadas por Jesus era colorido e pitoresco. Abundavam as figuras de linguagem. Com freqüência Ele criava declarações em epigramas, que não são esquecidas com facilidade, e deleitava-se em trocadilhos, que usualmente não funcionam bem nas traduções. Muitas declarações Dele foram vazadas na forma paralela de declarações, muito própria da poesia semítica. Jesus sabia empregar palavras qual verdadeiro mestre.

Conteúdo do ensino
No conteúdo de Seu doutrinamento, Jesus erigia sobre o alicerce do monoteísmo ético do Velho Testamento, isto é, sobre a crença na existência de um único Deus de amor e de justiça, o qual age tendo em vista a redenção e o juízo, na história, segundo os Seus relacionamentos de aliança firmada com os homens. Ao decretar o perdão dos pecadores, ao afirmar-se juiz dos destinos eternos de todos os homens, ao exigir total lealdade dos homens para consigo mesmo, ao proferir extravagantes afirmativas de “Eu sou…”, e ao introduzir muitas declarações com um amém (traduzido por verdadeiramente ou em verdade), em tom da mais alta autoridade, Jesus obviamente se considerava uma pessoa sem par. No entanto, usou e aceitou com relutância o vocábulo “Messias”, por causa de seus subentendidos dominantemente políticos e nacionalistas, no vocabulário do judaísmo do primeiro século. Preferia aludir a Si mesmo como “o Filho do homem”, a quem Daniel contemplara em visão, como personagem super-humana, a qual descia dos céus para julgar e governar o mundo inteiro (vide Daniel 7:9-14). Mas Jesus também associou consigo mesmo o Servo sofredor do Senhor (vide Isaías 52:13 – 53:12), como o Filho do homem. É deveras significativo que a designação “Filho do homem”, aplicada a Jesus, ocorre quase exclusivamente nos lábios do próprio Jesus. Entre os judeus, essa expressão era quase desusada em relação ao Messias, e, por isso mesmo, era um termo neutro. Em conseqüência, Jesus pôde construir a Sua própria definição. A expressão “Filho (de Deus)” ocorre tanto nas reivindicações de Jesus a respeito de Si mesmo como nas palavras de outros acerca Dele.
A consciência que tinha Jesus de uma filiação divina sem igual se manifestou no uso que fez da palavra aramaica abba, “Pai”, que tem o sentido infantil e afetuoso de “papai”, embora sem sentimentalismos desvairados. Os rabinos ousavam aludir a Deus somente como abbi, “meu Pai”, numa forma de tratamento mais formal em aramaico. Jesus chegou mesmo a ensinar a Seus discípulos que se dirigissem a Deus como abba, por causa do relacionamento que tinham com Deus, por intermédio Dele. Em ocasiões anteriores, Deus era encarado principalmente como o pai da nação israelita, considerada como um todo, pelo que a freqüência, o calor e a ênfase individualista com que Jesus falou da paternidade divina assinalam uma característica distintiva de Seu ensino.
O amor a Deus e ao próximo compreendem os dois principais imperativos éticos, de conformidade com Jesus. Seu conceito da vida reta encarecia os motivos íntimos, em contraste com o exibicionismo externo. Ele declarou a regra áurea, a qual já havia sido proferida em forma negativa, por muitas vezes antes, em uma forma positiva.
Tudo quanto Jesus ensinava foi emoldurado pela Sua proclamação de que chegara o tempo de raiar o reino de Deus. Ele representava pessoalmente esse reino. No entanto, previu a Sua rejeição, a Sua morte redentora e a sua ressurreição. Para além desses acontecimentos, jazia a época em que os Seus discípulos haveriam de evangelizar ao mundo. Então Ele haveria de retornar, com o propósito de julgar à humanidade e estabelecer o reino divino plenamente e para todo o sempre.

Para discussão posterior:
– De que modo um biógrafo moderno teria diferido dos evangelistas ao apresentar a história da vida de Jesus? O que provavelmente aquele omitiria, adicionaria, salientaria ou diminuiria de importância? Por qual razão os evangelistas, em certos particulares não escreveram como biógrafos modernos teriam escrito?
– Quais aspectos da vida e dos ensinamentos de Jesus algumas pessoas de nossa época tendem por achar inaceitáveis – intelectual, estética e socialmente – em comparação com povos antigos? E por quê?
– Como se harmonizam as espantosas reivindicações de Jesus sobre Si mesmo com Seu ensino sobre a humildade, as Suas exigências de lealdade pessoal com Seus ensinamentos sobre o serviço altruísta, e (de modo geral) Seu egocentrismo com Sua própria sanidade? Ou seria correto falarmos sobre Seu egocentrismo (alguns chegam a tachar Sua atitude de megalomania)?

Fonte: “Panorama do Novo Testamento”, de Robert H. Gundry.

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Primeira e Segunda Cartas de Paulo aos Coríntios

1 CORÍNTIOS

Tema
A primeira epístola aos Coríntios foi escrita com o propósito de corrigir desordens que haviam surgido na Igreja de Corinto e para estabelecer aos fiéis um modelo de conduta cristã. Assim sendo, podemos determinar o seu tema da seguinte maneira: a conduta cristã na igreja, no lar e no mundo (M. Pearlman).

Verso Chave
1 Co 11.29

O Escritor
Paulo, o apóstolo. A introdução à carta confirma Paulo como seu autor (1.1). Sua autoria é virtualmente inquestionável.

Histórico
Há clara evidência no livro de 1 Coríntios de que Paulo fundara a igreja. Atos 18.1-17 confirma isto e fornece uma narrativa histórica da fundação da igreja. Ele permaneceu lá por 18 meses. Apolo ficou por algum tempo (Atos 18.24-28).
A igreja em Corinto era predominantemente gentílica e não havia nenhum problema com os judaizantes. No entanto, a igreja, localizada numa cidade que estava entregue à adoração de divindades e filosofias pagãs de todo tipo, rapidamente helenizou-se depois da partida de Apolo.
Paulo tinha-lhes anteriormente escrito, exortando-os a não ligar-se com pessoas imorais (1 Cor. 5.9), mas não há nenhum outro registro desta carta ou do seu conteúdo. Entretanto, é importante percebermos que 1 Coríntios não é a primeira carta que Paulo escrevera à igreja e que havia problemas anteriores.

Data e Lugar
1 Coríntios foi escrito durante os últimos meses de Paulo em Éfeso, durante a terceira viagem missionária. Provavelmente na parte final de 54 d.C. Foi entregue por Timóteo (16.10,11).

Propósito Imediato
Paulo recebera pelo menos dois relatórios falando de contenda, divisão e imoralidade na igreja em Corinto. O primeiro foi um relatório oral da casa de Cloe (1.11) a respeito de contenda dentro da igreja; o segundo foi uma delegação com uma oferta (16.17) e uma carta sobre uma variedade de problemas. Evidência da carta é extraída de várias ‘declarações agora’ em 1 Coríntios; por exemplo, “Agora quanto ao que me escrevestes…” (7.1).
Os assuntos envolvidos eram, para dizer o mínimo, perturbadores: divisões, incesto, fornicação, bebedice, desordem e grave erro doutrinário. 1 Coríntios é o endereçamento de Paulo quanto a assuntos que, ainda, em princípio, estão impregnados na igreja cristã.

Introdução
Corinto tinha uma posição estratégica na ponta da Grécia. Localizada em mares tempestuosos, entre o Oriente e o Ocidente, sua população de mais ou menos 500.000 habitantes era cosmopolitana e variada. Era uma fortaleza natural; a acrópole em Corinto situava-se 630 metros acima do nível do mar. Esta colônia romana, a capital da Acaia (norte da Grécia), estava sob o proconsulado de Gálio (Atos 18.12). Era a terceira maior cidade do império romano, depois de Alexandria e Roma, e muito próspera.
Corinto tinha uma reputação pela corrupção moral; o verbo ‘korinthioniazo’ (corintianizar) significava praticar fornicação. Havia 1.000 prostitutas do templo devotadas à Afrodite, cujo templo foi construído no topo da acrópole e dominava a cidade. Nas proximidades havia um outro templo dedicado a Apolo; além das religiões misteriosas, ‘deuses’ pagãos, incluindo Isis, Osíris, Serapis e Mitras, eram adorados.
Corinto era uma cidade muito rica; assim, havia muito lazer para os ricos. Uma das suas buscas favoritas era a ‘sabedoria’. Adoravam ouvir grandes discursos na praça do mercado e passavam muito tempo debatendo a filosofia mais atual. Uma das filosofias mais comuns era o gnosticismo, o qual ensinava que toda a matéria é maligna e somente o espírito é bom. O pensamento gnóstico estava na raiz de muitos dos problemas na igreja em Corinto.

Esboço

1. PAULO RESPONDE AO RELATÓRIO DE CLOE – 1 Co 1.11

1.10-4.21 – Divisão
5.1-13 – Incesto
6.1-11 – Litígios
6.12-20 – Fornicação

A busca da sabedoria permeava a igreja; facções haviam-se formado seguindo a vários líderes ‘sábios’. O apelo à sabedoria ‘carnal’ dentro da igreja fez com que levassem suas disputas à tribunais civis, os quais eram realizados publicamente na praça do mercado. (1.4-21 e 6.1-11).
O pensamento gnóstico levara a problemas de incesto e fornicação. Argumentavam que se o corpo era mal de qualquer modo, não havia nenhuma diferença em satisfazer seus desejos. (5.1-13 e 6.12-20).

2. PAULO RESPONDE A UMA CARTA – 1 Co 7.1

7.1-24 – Comportamento dentro do casamento
7.25-40 – Acerca das virgens
8.1-11.1 – Carne sacrificada a ídolos
11.2-16 – Cobertura na cabeça das mulheres
11.17-34 – Abuso da mesa do Senhor
12.1-14.40 – Acerca dos dons espirituais
15.1-58 – Ressurreição física de todos os crentes

O capítulo 7 é primeiramente sobre casamento e depois sobre atitudes das pessoas solteiras. Escreveram para Paulo dizendo que estava sendo ensinado dentro da igreja que era bom para um homem não ter relacionamentos com uma mulher no casamento. Este ensino criara problemas sérios.
O gnosticismo tinha dois extremos. Um é satisfazer a carne como vimos na parte 1 de 1 Coríntios: isto é libertinagem. No capítulo 7 as esposas foram ao outro extremo; a carne é maligna, assim negue todos os seus desejos. Elas negaram a seus maridos todos os direitos conjugais. Os homens, então, apelaram para as prostitutas do templo. Paulo exorta cada homem a ter relações com sua própria mulher e vice-versa (7.3).
Os capítulos 8.1-11.1 referem-se a questões de consciência com relação à carne sacrificada a ídolos, tendo um parêntese no capítulo 9, defendendo o apostolado de Paulo e seu direito de viver por ele. Concernente à comida sacrificada a ídolos, podemos aplicar os princípios gerais, ensinados por Paulo, à nossa vida cristã.
O assunto da cobertura na cabeça das mulheres também deve ser interpretado em princípio. As mulheres levaram sua igualdade em Cristo ao extremo e deixaram de ser submissas. A cobertura da cabeça na sociedade em Corinto era um sinal de submissão ao marido. Isto nos faz lembrar que enquanto estamos vivendo aqui na terra, vivemos segundo a ordem de Deus.
A mesa do Senhor, 11.17-34, estava sendo abusada: membros mais ricos estavam tendo a preferência, havia bebedice e compravam muita comida, mas não compartilhavam-na com os pobres. A mesa do Senhor era combinada com uma festa de amor. O pensamento gnósticos deles ‘toda matéria é maligna’, levara-os a negar a existência física ou a ressurreição de Cristo; assim, havia pouca probabilidade de reconhecer o corpo do Senhor na eucaristia. Este é o âmago do problema em Corinto.
Os dons espirituais dominam os capítulos 12-14. O verso 12.1, no grego, literalmente diz “agora com relação aos espirituais”, ou “homens espirituais”. Sentiam que falar em línguas era uma sabedoria eclética, que provavam uma espiritualidade superior. O ensino de Paulo acerca dos dons é para variedade e edificação. Não é um tratado acerca dos dons, mas um corretivo e deve ser interpretado como tal.
O capítulo 15 encaixa-se com nossa discussão na segunda parte do capítulo 11. O gnóstico não conseguia crer numa ressurreição física. A resposta de Paulo é, “se Cristo não ressuscitou, vossa fé é inútil, ainda estais em vosso pecado”. Este é o grande capítulo da “ressurreição”, sendo uma leitura empolgante. Por que não lê-lo agora! Perceba os versos 50 em diante. Um dia você receberá um lindo corpo ressurrecto incorruptível. Aleluia!

Conclusão
Embora Paulo fundara a igreja com Silvano (Silas) e Timóteo, tanto Cefas (Pedro) como Apolo se envolveram. Apolo deve ter passado por grandes dificuldades, porque ele recusou-se a voltar (1 Co 16.12). Parece que Timóteo também foi até lá para tentar resolver as coisas; provavelmente foi ele que entregou a carta que chamamos de 1 Coríntios. Tristemente, nem a visita de Timóteo, nem a carta de Paulo, levou a uma mudança no comportamento da igreja em Corinto.

2 CORÍNTIOS

Tema
Discernimento de Paulo como um apóstolo e homem, intitulado por
muitos como ‘Apologia Pro Vita Sua’ de Paulo (defesa de sua vida).
“Mais do que qualquer das demais epístolas de Paulo, 2 Coríntios permite-nos entrever os sentimentos íntimos do Apóstolo sobre si mesmo, sobre seu ministério apostólico e sobre seu relacionamento com as igrejas que fundava e nutria” (Gundry).

Verso Chave
2 Co 4.11

O Escritor
A natureza autobiográfica da carta, suas muitas referências às pessoas e lugares, e sua progressão a partir de 1 Coríntios, levam à conclusão inquestionável de que Paulo é seu autor.
A igreja em Corinto não tinha reagido às repreensões de 1 Coríntio e a situação se deteriorara. Paulo visitou a igreja para consertar as coisas, mas acabou sendo uma visita dolorosa e triste (subentendido a partir de 2 Co 2.1). Havia grande oposição a Paulo.
Paulo escreveu novamente, sua terceira carta a eles (citada em 2 Co 2.3-4). Depois de enviar esta carta obviamente dura, juntamente com Tito, e ansioso em ouvir acerca de situação, Paulo procurou encontrar-se com ele em Trôade, mas Tito não apareceu. Perturbado em espírito, Paulo partiu sozinho para a Macedônia (2.13). Para sua alegria, ele encontrou-se posteriormente com Tito e teve notícias de uma mudança completa em Corinto (7.5-7). Os principais oponentes de Paulo foram disciplinados e boa parte da igreja havia se arrependido. Estes adversários intitularam-se a si mesmos de “apóstolos”. Paulo os chamou de “super apóstolos” (11.5, 12.11).
O resumo seguinte do relacionamento de Paulo com a igreja em Corinto foi extraído de “A Survey of the New Testament”, escrito por Gundry:
– Paulo evangelizou Corinto durante sua segunda viagem.
– Paulo escreveu uma carta perdida para Corinto, na qual ele ordenou uma separação dos cristãos que tinham uma vida imoral.
– Paulo escreveu 1 Coríntios em Éfeso, durante sua terceira viagem para lidar com uma variedade de problemas na igreja.
– Paulo fez uma rápida visita “dolorosa”, partindo de Éfeso para Corinto, e depois retomando, a fim de consertar os problemas em Corinto, mas não conseguiu realizar o seu propósito.
– Paulo enviou uma outra carta perdida, chamada de “carta triste”, na qual ele ordenou que os de Corinto disciplinassem seu principal oponente na igreja (2 Co 2.3-10).
– Paulo deixou Éfeso e ansiosamente aguardou por Tito, primeiro em Trôade, depois na Macedônia.
– Tito finalmente chegou com as boas novas de que a igreja tinha disciplinado o oponente de Paulo, e que boa parte da igreja submetera-se agora à autoridade de Paulo.
– Paulo escreveu 2 Coríntios na Macedônia (ainda na terceira viagem) em resposta ao relatório favorável de Tito.

Data e Lugar
Foi da Macedônia que Paulo escreveu 2 Coríntios, sua quarta carta à igreja em Corinto. A carta foi escrita apenas alguns meses depois de 1 Coríntios, provavelmente no outono de 56 d.C. Tanto 1 como 2 Coríntios foram escritos durante a terceira viagem missionária de Paulo.

Propósito Imediato
O propósito imediato de 2 Coríntios é triplo. Paulo queria expressar sua alegria pela mudança de coração deles, e ao fazer isso, abrir seu próprio coração com relação às provações de se ser um apóstolo. Segundo, com a normalização das relações, Paulo os lembra da oferta para os crentes pobres em Jerusalém. Por fim, Paulo responde algumas das acusações contra si que surgiram durante o conflito, defendendo seu ministério como apóstolo.

Características Principais
Uma característica principal de 2 Coríntios é que trata-se de uma carta intensamente pessoal e autobiográfica. Após a mudança em Corinto, Paulo vê-se disposto a abrir seu coração para eles. Na defesa do seu ministério, ele nos leva à profundidade do seu relacionamento com Deus e às provações intensas do ministério.
Há alguns versos maravilhosos em 2 Coríntios; ao lê-los, procure memorizá-los. Alguns dos meus favoritos são: 2.14; 3.6; 3.17; 1.17-18; 5.17; 6.2; 9.6-7; 10.3-5.

Esboço
1. Introdução, relacionamento de Paulo com a igreja e a defesa do seu ministério
(1.7-7.16)
2. A oferta da igreja para os pobres em Jerusalém (8.1-9.15)
3. Defesa pessoal e conclusão (10.1-13.14)

Tenho certeza de que Paulo vai além do seu contexto imediato para formular uma defesa contra as alegações contrárias ao seu ministério onde quer que ele pregue.
A seção sobre contribuir é também uma ’apologia’ desenvolvida ao logo de um bom tempo e vemos agora sua formulação.
Possivelmente 2 Coríntios carece da importância doutrinária de Romanos, dos assuntos de 1 Coríntios, ou da transcendência de Efésios; todavia, permanece um dos grandes livros do Novo Testamento e uma declaração profunda acerca do ministério e vida cristã.
Logo depois de escrever esta carta, Paulo passou três meses na igreja em Corinto, provavelmente acompanhado de Lucas (At 20.1-6).
Depois disso, era hora de retomar à Jerusalém para a Páscoa. Ao ouvir a respeito de um complô contra sua vida, ele foi para o norte via Macedônia, em vez de navegar via Trôade.
Isso marcou o final da terceira viagem missionária de Paulo; ele partiu sabedor de que a captura e aprisionamento o aguardavam em Jerusalém.

Fonte: Apostila do “International Bible Institute of London”, por Peter Rowe, PhD.

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Epístola aos Romanos

Tema
A justiça somente pode ser recebida mediante a fé em Jesus Cristo. O homem é muito pecaminoso para merecê-la.

Verso Chave
Romanos 1.16-17

O Escritor
Paulo, o apóstolo. Sua autoria é virtualmente incontestável.

– A introdução à carta confirma Paulo como seu autor (Romanos 1.1);
– Os pais da igreja primitiva unanimemente aceitavam a autoria paulina;
– Pedro, o apóstolo, o qual aceitou todas as cartas de Paulo como Escritura (2 Pedro 3.15-16), é fortemente influenciado pelos escritos de Paulo; por exemplo, há várias semelhanças entre Romanos 12 e 1 Pedro.

Histórico
A igreja em Roma não foi fundada por Paulo. Na época em que estava escrevendo a carta, ele ainda não havia visitado Roma; isto somente aconteceria depois de sua prisão em Jerusalém. Todavia, ele tinha muitos amigos em Roma e fizera algumas tentativas de visitá-los, mas sem sucesso (Rm 1.13). A epístola aos Romanos foi levada à Roma por Febe (Rm 16.1). Febe foi uma diaconisa da igreja em Cencréia, perto de Corinto.
A Roma do Novo Testamento era o centro do mundo. Uma metrópole cosmopolita com uma população próspera e agitada – o centro de todo governo e poder.
Roma já estava com 800 anos, mas agora alcançara sua era dourada. A riqueza do império era usada em prédios públicos, excessos materiais e todo prazer conhecido ao homem.
O antigo ditado ‘todos os caminhos levam à Roma’ estava longe de ser figurativo. Paulo sabia que uma vez em Roma, o coração do império, então, o cumprimento de Atos 1.8 seria inevitável.
Na época desta epístola, 56 d.C., Nero era o imperador, mas ele não era uma ameaça aos cristãos nestes primeiros dias do seu reinado.
Muitos creem que Pedro fundou a igreja em Roma, mas não há nenhuma evidência a respeito disso. Seutônio, o historiador romano, registrou que o imperador Cláudio expulsou os judeus de Roma em 49 ou 50 d.C. por causa ‘do tumulto instigado por um Crestos’ (Latim para ‘Cristo’). Isto indicaria que o cristianismo alcançara Roma na altura de 49 d.C. quando Pedro ainda estava em Jerusalém e envolvido no Concílio de Jerusalém. Se Pedro estivesse envolvido com a igreja romana, então Paulo teria mandado uma saudação a ele na carta. Parece que a igreja em Roma começou quando judeus romanos convertidos ao cristianismo retornaram à Roma depois do Pentecoste (Atos 2.10). Priscila e Áquila estiveram na igreja até a época da expulsão sob Cláudio, indo então para Corinto (Atos 18.2). Muitos dos que foram expulsos, incluindo Priscila e Áquila, teriam retornado na época da morte de Cláudio, em 54 d.C.
Há muita discussão entre os estudiosos se a igreja em Roma foi predominantemente judaica ou gentílica. Por um lado, há o conteúdo judaico dos capítulos 9-11 e as discussão sobre lei versus graça; todavia, em Romanos 11.13, Paulo endereça “…a vós que sois gentios. Visto, pois, que eu sou apóstolo dos gentios…”. É minha opinião que Paulo está escrevendo a uma
congregação misturada, com exortações tanto para crentes judeus, como gentios, e forte referência à sociedade pagã que os circundava.

Data e Lugar
Paulo estava escrevendo de Corinto. Sabemos disso porque ele acabara de levantar uma oferta para os cristãos em Jerusalém das igrejas na Grécia (Rm 15.26) e Paulo estava com Gaio (Rm 16.23), um convertido que batizara em Corinto (1 Co 1.14).
A carta é muito fácil de datar pois foi escrita no final da terceira viagem missionária, no término da estadia de Paulo de três meses em Corinto em 56 d.C.

Propósito Imediato
Paulo queria que os cristãos romanos soubessem que ele não estava negligenciando-os; ele queria ir lá e faria isso num futuro breve. Paulo também queria assegurar-se de que a igreja estava andando na sã doutrina, nem sendo influenciada pelos elementos judaizantes, nem sendo influenciada pelo paganismo dos gentios. Ele usou a ocasião para advogar fundamentos bíblicos da justificação pela fé e formou um credo para o cristianismo, o qual ele possivelmente esperava tomar-se um manifesto, tanto ao governo romano, como à comunidade cristã.
Ele também queria enfatizar que o cristianismo não era nem uma seita judaica, nem um complô politicamente subversivo; ele deu tudo de si para revelar que os cristãos eram cidadãos que cumpriam a lei (cap. 13).

Características Principais
Apesar de ser reconhecido como o grande livro de doutrina, Romanos não é difícil de se ler. O capítulo 8 é possivelmente a maior passagem em toda a Bíblia, você deve lê-lo repetidas vezes.
As doutrinas principais abordadas no livro de Romanos são pecado, santificação, justificação, propiciação e reconciliação. Naturalmente, outras doutrinas, tais como adoção, fé e glorificação são também abordadas.
Você perceberá muitas semelhanças entre Gálatas e Romanos. Gálatas foi escrita para opor-se aos judaizantes da igreja do sul da Galácia em 48 d.C. e Romanos, escrita 8 anos depois, expande os temas estabelecidos em Gálatas.
Porque Romanos é tão importante, gostaria de registrar declarações a seu respeito de alguns dos maiores líderes e teólogos da história. As seguintes foram extraídas do livro de Scroggie, ‘The Unfolding Drama of Redemption’, um livro que recomendo:
Alford: ‘A maior obra de S. Paulo.’
Coleridge: ‘O escrito existente mais profundo.’
Godet: ‘A maior obra-prima que a mente humana pôde conceber e realizar; a primeira exposição lógica da obra de Deus em Cristo para a salvação do mundo.’
Lutero: ‘A parte principal do Novo Testamento, o evangelho perfeito.’
Calvino: ‘Todo cristão devia alimentar-se dele como pão para sua alma.’
H. Meyer: ‘A maior e mais rica de todas as obras apostólicas.’
Tholuck: ‘Uma filosofia cristã da história humana.’
Farrar: ‘E inquestionavelmente a declaração mais clara e mais plena da doutrina do pecado e da doutrina da libertação, colocada pelo maior dos apóstolos.’

Esboço

1. PECAMINOSIDADE DE TODOS OS HOMENS – 1.16-3.20
Todos os homens são pecaminosos, sejam gentios ou judeus. O gentio, que tem ampla evidência da existência de Deus, tanto através da criação, como da lei interior do coração, também será julgado. Ambos são culpados pois a justiça é somente mediante a fé em Jesus Cristo.

2. JUSTIFICAÇÃO DOS CRENTES EM JESUS – 3.21-5.21
A morte expiatória de Jesus é a base da justificação (3.21-26). A fé é o meio de obter-se a justificação: fica excluída a jactância humana devido às boas obras, e exemplos vetero-testamentários em Abraão (especialmente) e Davi (3.27-4.25). As muitas bençãos da justificação (5.1-11). Contraste entre Adão, em quem há pecado e morte, e Cristo, em quem há justiça e vida (5.12-21).

3. SANTIFICAÇÃO DOS CRENTES EM JESUS – 6.1-8.39
O batismo representa nossa identificação com a morte e ressurreição de Jesus – morrer ao pecado e ressuscitar para a justiça. Escravidão à justiça através da tentativa de guardar a lei tem o mesmo efeito que escravidão ao pecado (cap. 6).
Paulo reflete que sua própria escravidão à lei produziu culpa, pecado e condenação (cap. 7). Mas as boas novas são que “não há nenhuma condenação àqueles que estão em Cristo Jesus”. Assim triunfamos em Cristo e nunca somos separados do amor de Deus em Cristo Jesus (cap. 8).

4. INCREDULIDADE DE ISRAEL – 9.1-11.36
A presente incredulidade de Israel tem um propósito. Devem ver que a justiça auto-produzida não é aceitável a Deus (caps. 9-10); por enquanto, os gentios foram enxertados na árvore da bênção, mas haverá a hora de Israel (cap. 11).
Uma palavra de alerta. Alguns mestres insistem que o Israel natural não é diferente de qualquer outro país, e que a igreja é agora Israel. Ao ler o capítulo 11 cuidadosamente, juntamente com as profecias de Isaías, Zacarias e outros, não podemos evitar a conclusão de que Israel se tornará um centro do foco mundial nestes últimos dias e que Deus não o esqueceu.
Temos liberdade para espiritualizar a escritura somente quando a Bíblia assim o faz – Romanos 11.25b-26a diz: “…veio endurecimento em parte a Israel, ate’que haja entrado a plenitude dos gentios. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito…”.

5. VIVER CRISTÃO E CONCLUSÃO – 12.1-16.27
Consagração, ministérios na igreja, amor dentro da igreja e relacionamentos fora da igreja (cap. 12).
Obediência ao estado, amor e aguardar a vinda de Cristo (cap. 13). Cap 14 até 15.1-13 lida com o assunto da liberdade dos crentes com relação às leis cerimoniais e alimentares. Por fim, os planos de Paulo para retomar à Roma, alertas quanto aos falsos mestres, saudações e doxologia (cap. 15-16).

Fonte: Apostila do “International Bible Institute of London”, por Peter Rowe, PhD.

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Atos dos Apóstolos

Título
Atos tem sido comumente chamado de ‘Atos dos Apóstolos’ desde pelo menos o final do século dois, embora duvide-se que Lucas tinha a idéia de usar este título.
A referência aos apóstolos muito provavelmente significa os doze, todavia uma inspeção mais de perto do livro limita a atividade ‘apostólica’ a Pedro, João e Tiago, e mesmo assim somente nos primeiros capítulos.
‘Atos’ também faz referência à atividade sobrenatural que ocorreu no ministério da igreja. Esta atividade é de modo algum limitada aos doze apóstolos, mas inclui Felipe, Estevão, Ananias e Paulo; de fato a maior porção dos seus vinte e oito capítulos poderiam muito bem ter o título de ‘Os Atos de Paulo’.
A verdadeira ‘estrela’ do livro de Atos, contudo, não é Paulo, nem os doze, mas sim o Espírito Santo, o qual traz glória ao Cristo ressurreto através da igreja primitiva.

Tema
O tema de Atos é a obra do Espírito Santo dentro e através da igreja. A obra da redenção está agora completa, Cristo ressuscitou, a profecia de João 16.7 pode agora se cumprir. “Mas eu vos digo a verdade: Convém-vos que eu vá, porque se eu não for, o Consolador não virá para vós; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei.”

Verso Chave: Atos 1.8

Escritor
Lucas, o médico e companheiro de Paulo. O ‘primeiro relato’ mencionado em Atos 1.1 é o livro de Lucas, também endereçado a Teófilo (Lucas 1.3). Nossa discussão da autoria do livro de Lucas também discute a autoria de Atos.

Data e Lugar
Atos não registra a morte de Paulo, mas conclui a narrativa com Paulo ativamente trabalhando em Roma durante dois anos (Atos 28.30-31). Não há nem mesmo uma sugestão de um julgamento iminente, nem menção de quaisquer perseguições, as quais começaram com Nero em 64 AD; então, subentende-se que Atos foi escrito em 63 AD, cerca de dois anos depois da chegada de Paulo em Roma (61 AD). Paulo foi martirizado durante a perseguição de Nero aos cristãos em 64 AD.
Quanto ao lugar em que foi escrito, não há nenhuma evidência sugerindo que Lucas não esteve em Roma quando o livro foi escrito.

Propósito Imediato
O propósito de Atos foi de escrever um relato da expansão do evangelho e o desenvolvimento da igreja a partir do seu início em Jerusalém até o centro do poder em Roma.
Foi escrito para o mesmo patrono ou benfeitor do evangelho de Lucas, Teófilo, o qual pode ter ajudado financeiramente na sua publicação.
É interessante que Lucas nunca fala depreciativamente acerca dos oficiais romanos em sua narrativa, particularmente no modo que trataram a Paulo:
Sérgio Paulo, um homem inteligente – 13.7
Gálio apóia Paulo contra os judeus – 18.14-16
O escrivão da cidade apóia os cristãos – 19.37
Cláudio Lísias não viu nada contra Paulo – 23.29
Festo – Paulo nada fez para que morra – 25.25
Lucas procurou informar que o cristianismo não era nem subversivo (insubmisso, insubordinado), nem uma seita judaica, mas era para todos os homens, de toda parte.

Introdução
Atos é a última narrativa histórica da Bíblia. Registra o nascimento e primeiros momentos igreja de Jesus Cristo. Um mover dinâmico do Espírito Santo sobre a igreja primitiva provocou um crescimento, partindo de uma comunidade localizada em Jerusalém alcançando um fenômeno mundial em pouco mais de 30 anos.
Dizem que o último capítulo de Atos ainda está para ser escrito. Se o Espírito Santo atuou com tal poder sobrenatural durante os dias iniciais da igreja, então quanto mais podemos esperar nestes últimos dias!
Se você estudar o livro de Atos, é interessante observar o relacionamento dos seus dois personagens principais, Pedro e Paulo, no que se refere aos propósitos gerais de Deus. É como se estes homens fossem carregadores de tochas olímpicas. A chama de Pedro inflamou a igreja primitiva e levou o evangelho aos gentios, e então, ele passou a tocha para Paulo, o qual carregou-a pela Europa para cumprir o alvo de levar o evangelho a Roma.
O livro de Atos é empolgante e desafiador. Ele revela o que Deus pode fazer, mediante o poder do Espírito, com um bando de discípulos desencorajados e confusos. E inspirador considerar que não há nenhuma razão pela qual a mesma coisa não possa acontecer conosco.

ESBOÇO
O livro de Atos pode ser dividido de acordo com o verso chave (Atos 1.8), “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em JERUSALÉM, como em toda JUDÉIA E SAMARIA, e até aos CONFINS DA TERRA.”
1. Jerusalém – 1.1-7.60
2. Judéia e Samaria – 8.1-11.18
3. Confins da terra – 11.19-28.31

1. JERUSALÉM – 1.1-7.60
O esboço de Atos que preparei é o mais detalhado que o esboço que fiz de qualquer outro livro do Novo Testamento. Isto deve-se ao fato de Atos fornecer uma estrutura para o entendimento de muitas das epístolas que vêm em seguida. O livro de Atos começa com as últimas palavras de Jesus aos Seus discípulos (1.8), seguido pela Sua ascensão ao céu. Após a nomeação de Matias para substituir a Judas, vemos o relato familiar do dia de Pentecoste. É interessante observar que, embora muitos deles estavam falando em outras línguas conhecidas na época do derramar do Espírito, a Escritura não diz que todas as línguas eram em idiomas conhecidos.
O sermão de Pedro é provavelmente registrado como uma sinopse da sua mensagem. Fortemente influenciado pelo profeta Joel, tenho a impressão que ele ficou tão surpreso quanto os outros. O resultado, 3.000 salvos e muitos milagres.
No capítulo 3, a cura do mendigo na Porta Formosa e o sermão subsequente de Pedro trouxeram um fim abrupto aos sentimentos de 2.47, “…contando com a simpatia de todo o povo…”.
Pedro e João foram presos, mas posteriormente libertos, recebendo um alerta impossível de ser cumprido, não falar mais acerca do nome de Jesus (4.17).
A igreja primitiva foi uma comunidade real, tendo todas as coisas cm comum. Esta não é uma ordem para os cristãos venderem suas casas e dar o dinheiro à igreja, embora o princípio de dar, ajudar e compartilhar transcende o tempo – havia uma situação especial: um vasto número de visitantes de todo o mundo eram salvos e permaneciam em Jerusalém. Precisavam de casa e comida.
Quando oramos por um reavivamento, sempre pensamos em termos de milagres, curas, etc; mas reavivamento traz julgamentos poderosos também. O julgamento de Ananias e Safira é exatamente tal caso. O resultado foi fenomenal – maiores milagres se seguiram. Leia capítulo 5.11-16.
À medida que os milagres aumentavam, a perseguição também aumentava; depois da sua segunda prisão, Pedro e João foram açoitados antes de serem soltos.
No capítulo 6, sete judeus foram escolhidos para ministrar a entrega das provisões às viúvas. Os apóstolos estavam muito ocupados para fazer isso, e os judeus gregos reclamavam que os judeus nativos estavam sendo favorecidos.
Assim escolheram sete ajudantes, todos com nomes gregos. Dois destes, Filipe e Estevão iriam se tornar personagens principais o livro de Atos.
Estevão foi um grande pregador e fazia milagres (6.8, 10), mas os judeus se levantaram contra ele e levaram-no a julgamento. Sua defesa no capítulo 7 é uma maravilhosa sinopse do Velho Testamento, o qual foi cumprido por Jesus. Isto foi muito para eles; levaram-no para fora e, sem referência ao fato de que era contra a lei romana matar um homem sem consentimento do procurador, o apedrejaram. Semelhante a Jesus, Estevão também orou pelo perdão dos seus executores.

2. EM TODA JUDÉIA E SAMARIA – 8.1-12.25
O martírio de Estevão e a perseguição feita por Paulo fez com que a igreja se espalhasse para a Judéia, Samaria e além. Quase todo o capítulo 8 envolve a pregação de Filipe em Samaria; seu ministério foi poderosamente sobrenatural com curas espantosas; ele foi até mesmo trasladado pelo Espírito Santo para Azoto.
A conversão de Saulo no capítulo 9 vem logo em seguida; Paulo, este arqui-perseguidor de cristãos, o qual estava a caminho de Damasco para este fim, torna-se um pregador do evangelho. Não demorou muito antes que ele tivesse que escapar pelo muro da cidade num cesto a fim de evitar um complô judeu.
Paulo teve uma breve estadia em Jerusalém três anos depois, mas os cristãos estavam naturalmente muito desconfiados. Barnabé tornou-se seu amigo e Paulo teve um breve encontro com Pedro e os apóstolos antes de partir para a Arábia. Temos conhecimento deste período da vida de Paulo através do capítulo 1 de Gálatas. Há a sugestão de que Paulo passou 10 anos na Arábia, recebendo grandes revelações acerca da salvação dos gentios.

Vejamos Paulo com mais detalhes antes de continuarmos nosso estudo de Atos.
A educação de Paulo e sua membresia no Conselho Judaico do Sinédrio (Atos 26.10) pareceria indicar que ele era abastado. Ele era um estudante brilhante (Gl 1.14), que estudou na escola rabínica do famoso Gamaliel, mencionado em Atos 5.34 (também Atos 22.3), e provavelmente ficou com sua irmã em Jerusalém (Atos 23.16).
Quando era rapaz em Tarso, como todos os meninos judeus, ele aprendera uma profissão; no caso de Paulo ele era um fazedor de tenda e curtidor. Paulo foi sempre primeiro um judeu, mas tinha orgulho de sua cidadania romana.
Embora seus escritos refletem fortes influências helenísticas, ele não se identificou com os Saduceus helenísticos, mas era um Fariseu ortodoxo de alto nível (Fp 3.5). Entretanto, foi a influência helenística que o capacitou a pregar no mundo grego dos seus dia.
Com relação ao homem em si, vemo-lo como uma combinação de forte, fraco, abrasivo, gentil; um homem de contrastes. Os atos não-bíblicos de Paulo do século dois dizem isto:
‘Ele era pequeno em estatura e calvo, pernas tortas, mas corpo em bom estado. Sobrancelhas ligadas e nariz um tanto recurvado. Cheio de afabilidade. Num momento parecia como um homem, no outro, tinha a face de um anjo.’
Sabemos que Paulo não era um grande orador (2 Cor. 10.10), todavia, ele sempre falou com o poder e demonstração do Espírito (1 Cor. 2.4).
Diz-me comumente que Paulo era casado porque era um membro do Sinédrio, mas não foi senão no final do primeiro século que o casamento tornou-se um requisito para a membresia. Leia em Atos para descobrir mais sobre este homem incrível.

Tarso
Veremos brevemente agora o lugar onde Paulo nasceu. Tarso era um grande centro judaico, localizado numa brecha na parte oriental das montanhas turcas Taurus. Sua proximidade com a Síria, em combinação com sua rota de passagem pelas montanhas, deu-lhe o título de “Portal da Ásia Menor”.
Bem antes, no tempo dos Selêucidas, Tarso fora aberta para a helenização, como ainda é no tempo de Atos. Sob a liderança de Antíoco Epifânio, os judeus da cidade receberam cidadania plena. Em 55 AC, quando Tarso tomou-se uma província Romana, Cícero, o governador romano, concedeu aos judeus cidadania romana plena.
Sua ênfase no aprendizado, filosofia, comércio e sua mistura racial outorgou-lhe o título de “Atenas do Oriente”.

Ministério de Pedro – 9.32-11.18
O restante do capítulo 9 revela milagres incríveis nas mãos de Pedro, incluindo a ressurreição de Tabita (Dorcas). No entanto, o acontecimento mais significativo desde o Pentecoste eslava prestes a ocorrer.
Um homem que temia a Deus (um gentio não-circuncidado), cujo nome era Cornélio, viu um anjo que ordenou que ele mandasse chamar a Pedro. Agora Pedro, um judeu, não estava preparado para isto; assim, Deus deu-lhe uma visão. É interessante que a visão de Pedro (10.9-16) a respeito dos animais impuros poderia ter sido precipitada pelo fato de que ele estava na casa de um curtidor (também impuro). A visão preparou Pedro para ministrar o Espírito Santo aos gentios (10.44-46).
O capítulo 11 é muito significativo, quando Pedro relata aos anciãos em Jerusalém acerca dos gentios terem recebido o Espírito Santo. Deus usou Pedro para isto, primeiro como um dos doze, mas também porque Paulo ainda não tinha credibilidade com os apóstolos.
O restante do capítulo 11 lida com a igreja em Antioquia; voltaremos a este tópico, mas, primeiro, uma outra perseguição rompeu em Jerusalém sob a liderança de Herodes. Ele mandou decepar Tiago e aprisionou a Pedro. Pedro foi miraculosamente liberto pelos anjos e Herodes morreu logo depois por querer obter a glória de Deus (12.20-24).

Antioquia
Antioquia, outrora um pequeno povoado nas margens do rio Orontes, perto da costa do Mediterrâneo, foi tomada por Selêuco, o qual a transformou na capital da Síria. Ela foi elaborada por um arquiteto profissional chamado Selêucia.
Uma rua central espetacular repleta de colunas, com um comprimento de três quilômetros e toda coberta por um telhado, atravessava esta cidade esplêndida. Ela foi asfaltada por Herodes, o Grande, em honra a Augusto. Cada lado da rua era alinhado por lojas, fazendo-a ser conhecida como o ‘quilômetro dourado’.
Sua localização na junção do Oriente com o Ocidente trouxe comerciantes de todo o mundo. Esta cidade próspera e imoral era a maior metrópole do Oriente, depois de Alexandria.
A relativa proximidade da Palestina, e sua prosperidade, atraiu um grande número de imigrantes judeus, engrossando a população.
Depois do martírio de Estevão, e da perseguição de Herodes, muitos cristãos fugiram para lá e pregaram o evangelho, resultando num grande número de convertidos.
Enquanto Jerusalém permanecia o centro de autoridade, Antioquia tornou-se o centro do evangelismo. As viagens missionárias de Paulo originaram-se de Antioquia; com um pequeno grupo de ajudantes, ele levou o evangelho por toda a Ásia Menor e a Grécia numa velocidade surpreendente.

3. OS CONFINS DA TERRA 11.19-28.31

PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (Atos 13.1-14.28)
Barnabé e Paulo juntamente com João Marcos (autor do evangelho de Marcos) partiram para a Galácia (atual Turquia), via Chipre. Esta viagem demorou quase três anos e envolveu uma travessia tortuosa das montanhas Taurus, infestadas de bandidos e mosquitos transmissores da malária. A viagem de Perge na costa, para Antioquia da Pisídia pelas montanhas, foi uma viagem particularmente perigosa. João Marcos os deixou em Perge, possivelmente por causa dos perigos adiante, ou talvez por causa de um conflito de personalidade com Paulo.
Os resultados da viagem foram muito positivos, com igrejas plantadas em Perge, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra (Paulo foi apedrejado aqui), Derbe e possivelmente outros lugares. Na sua viagem de retorno, Barnabé e Paulo nomearam anciãos em todas as igrejas.

O CONSELHO DE JERUSALÉM (Atos 15.1-35)
Veja nossa discussão no livro de Gálatas quanto aos assuntos abordados no Conselho de Jerusalém.

SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA (Atos 15.36-18.22)
Paulo e Barnabé, depois de discutirem sobre João Marcos, concordaram em se separar. Barnabé tomou Marcos e foi para Chipre, e Paulo levou Silas consigo na sua segunda viagem. Foram para encorajar as igrejas na Síria e Ásia. Incidentalmente, ao retornar para Listra, Timóteo juntou-se a Paulo e Silas. Paulo recebeu direcionamento divino em Trôade para ir à Macedônia (norte da Grécia); assim partiram para Filipos. (Para maiores informações, veja Filipenses nesta apostila). Foi em Filipos que houve o primeiro convertido europeu, Lídia. Logo depois disto, Paulo e Silas foram presos por expelirem um demônio de uma menina escrava. Enquanto estavam na prisão, louvavam ao Senhor à meia-noite e um grande terremoto atingiu o lugar. Depois de levar o carcereiro e sua família a Cristo e batizá-los, foram libertos, e continuaram para a vizinha Tessalônica. Foi aqui que os judeus levantaram um tumulto; Paulo e Silas, então, partiram de noite para Beréia. Os bereanos aceitaram calorosamente as palavas de Paulo até que os judeus de Tessalônica chegaram para causar confusão.
Na cidade seguinte, Atenas, Paulo pregou seu famoso sermão no Areópago, convidado pelos filósofos epicureus e estóicos. Isto levou à salvação de Dionísio, uma das figuras principais de Atenas. Os resultados em Atenas, comparados com outras cidades, foram longe de serem espetaculares, e assim Paulo partiu para Corinto (para mais informações veja 1 Coríntios nesta apostila).
Foi em Corinto que Paulo encontrou-se com Áquila e Priscila, cristãos que tinham fugido de Roma devido à perseguição de Cláudio. Foi também em Corinto que Paulo fez um voto de levar o evangelho aos gentios, depois que os judeus haviam blasfemado o nome de Jesus. A salvação de Crispo, um líder da sinagoga, levou a uma grande fúria por parte dos judeus, os quais arrastaram Paulo perante Gálio. O resultado foi irônico; Paulo foi liberto e Sóstenes, o líder da sinagoga, foi açoitado. Fico imaginando se este é o mesmo Sóstenes que é o companheiro de Paulo no evangelho em 1 Coríntios 1.1. O grupo retornou para Antioquia depois de pregação em Éfeso de passagem.

TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (Atos 18.23-21.14)
Paulo novamente visita as igrejas da Galácia e Frígia, indo então para Corinto, e depois para Éfeso com Priscila e Áquila.
Apolo estivera em Éfeso um pouco antes da visita de Paulo, mas fora para Corinto depois que Priscila e Áquila corrigiram sua doutrina.
Paulo encontrou liberdade para ficar em Éfeso por um período maior e esta grande cidade tornou-se uma base para alcançar toda a Ásia (19.10). Alguns outros centros asiáticos são bem conhecidos nossos a partir de Apocalipse 2-4: Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardis, Filadélfia e Laodicéia.
Éfeso era o mercado da Ásia Menor, situada na foz do rio Caister. Era chamada de “casa do tesouro”; todos os navios da Europa ou Oriente Médio paravam ali.
Éfeso era uma cidade para inquéritos judiciais; o governador romano visitava-a para julgar casos importantes de toda a Ásia. Havia muita pompa e cerimônia envoltos nestes julgamentos.
Interessante também é que os jogos Pan Iônicos eram realizados ali (o sudeste da Ásia chama-se Iônia). Estes jogos de prestígio eram organizados pelos asiarcas, os governantes de toda a Ásia (19.31).
Éfeso era famosa pelos seus amuletos e encantamentos que chamavam-se ‘cartas de Éfeso’; eram usados para proteger o usuário.
A glória de Éfeso era a ‘deusa’ Artemis (Latim: Diana). Um comércio enorme girava ao redor da adoração à Artemis (19.24). Seu templo era uma das sete maravilhas do mundo, mas ela mesma era representada por uma horrível efígie de madeira, sentada e com muitos peitos; a superstição local é que Zeus lançou-a do céu (19.35).
Enquanto estava em Éfeso, Paulo foi confrontado com o problema de cristãos incompletos, semelhantes a Apolo, os quais tinham somente ouvido a pregação de João Batista. Durante os dois anos de sua estadia, Paulo também escreveu 1 Coríntios.
Uma característica do ministério em Éfeso foram os milagres incríveis que Paulo executou, particularmente depois da humilhação dos exorcistas judeus, os filhos de Seva.
O ministério de Paulo começou a atrapalhar o comércio local, visto que os pedidos para os ídolos diminuíram. Tumultos se levantaram, mas Paulo foi inocentado e partiu para Macedônia.
Na Grécia, Paulo ficou sabendo de uma ameaça contra sua vida; assim ele começou sua longa viagem para casa, passando por Filipos, e depois de navio para Trôade. Foi em Trôade que Paulo pregou até meia-noite e Êutico adormeceu, vindo a morrer e a ser ressuscitado dentre os mortos. Paulo partiu para Mileto, então para Éfeso, a fim de encorajar os anciãos com um emocionante discurso de despedida.
Paulo sabia que a captura o aguardava em Jerusalém (20.23); ainda assim, ele resolutamente retornou, apesar de alertas posteriores em Tiro e em Cesaréia, através de Ágabo.

JERUSALÉM
Na sua chegada em Jerusalém, Paulo encontrou-se com Tiago. Os antigos problemas judeus vieram à tona (21.21), assim arquitetaram o plano de fazer Paulo ficar bem com os judeu ao sustentar financeiramente quatro judeus que fizeram um voto nazireu e acompanhá-los ao templo para o ritual de purificação.
A manobra não deu certo e Paulo foi preso para sua própria segurança depois das acusações dos judeus de que ele levara um gentio ao templo.
Pleiteando sua cidadania romana, Paulo obteve consentimento de endereçar algumas palavras à multidão nas escadarias do Castelo Antônia, mas a multidão clamou em desaprovação (22.23). A resposta dos romanos foi de açoitar a Paulo (quase uma sentença de morte), mas ele os lembrou de que era contra a lei açoitar um cidadão romano.
Paulo recebeu ordens de ir perante o conselho judeu para responder as acusações. Ele astutamente pregou acerca da ressurreição, um tópico que dividia os fariseus e saduceus. No tumulto que se seguiu, Paulo foi levado à custódia protetora e transportado para Cesareia. Félix, o governador, temeroso em fazer um julgamento, e também esperando por um suborno, deixou que Paulo definhasse na prisão por dois anos.
No capítulo 25, Festo ressuscitou o caso, mas Paulo que iria enfrentar um julgamento judeu em Jerusalém, exigiu como cidadão de Roma que fosse julgado perante César. Festo levou Paulo perante Herodes Agripa, o qual considerou-o inocente. Todavia, ele tinha de mandá- lo para Roma, devido ao seu apelo a César.
Depois de uma viagem tumultuada para Roma, incluindo um naufrágio, Paulo é colocado em prisão domiciliar. Muitos vieram para visitá-lo e alguns da casa de César foram salvos. Foi nesta época, 60 – 62 AD, que ele escreveu suas epístolas da prisão.
Um apelo a Nero em 62 AD deu-lhe liberdade temporária, mas ele foi aprisionado novamente durante a perseguição de Nero e foi executado. Pedro também pereceu nesta época.

Fonte: Apostila do “International Bible Institute of London”, por Peter Rowe, PhD.

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