O Desenvolvimento Doutrinário na Era Conciliar

O esboço abaixo é baseado no livro “O Cristianismo Através dos Séculos” de Earle E. Cairns, 2ª edição, reimpressão de janeiro de 1992, p. 105-110

 Ícone retratando o Primeiro Concílio de Niceia em 325 d.C.

Ícone retratando o Primeiro Concílio de Niceia em 325 d.C.

> Controvérsias teológicas resultaram em concílios que tentaram resolver as questões em disputa através da formulação de Credos.
> Entre 325 e 451, concílios universais ou ecumênicos foram convocados para resolver os conflitos; estabeleceram-se os principais dogmas da Igreja Cristã.
> Concílios geralmente convocados e presididos pelo Imperador romano; Sete concílios:
1. Nicéia (325) para resolver a disputa ariana;
2. Constantinopla (381) para afirmar a personalidade do Espírito Santo e a humanidade de Cristo;
3. Éfeso (431) para enfatizar a unidade da personalidade de Cristo;
4. Calcedônia (451) para declarar o relacionamento entre as duas naturezas de Cristo;
5. Constantinopla (553) para tratar da disputa monofisista (do grego: monos – “único, singular” e physis – “natureza”; defende que Jesus Cristo teria apenas uma única “natureza”);
6. Constantinopla (680) para condenar os monotelitas (proclamavam que, em Jesus Cristo, embora havendo duas naturezas, só havia uma vontade, pela identificação perfeita da vontade humana com a vontade divina);
7. Nicéia (787) para tratar dos problemas levantados pela controvérsia das imagens.

I. A Relação do Filho com o Pai na eternidade
> Constituiu-se num grave problema na Igreja logo depois de encerrada a fase das perseguições.
> Tertuliano (c. 160-230) insistira sobre a unidade de essência em três personalidades como a interpretação correta.
> 318, Ário dizia ser um equivoco estabelecer uma distinção entre as pessoas da Divindade; seu desejo era evitar uma concepção politeísta de Deus; acabou concebendo uma doutrina que recusava a verdadeira divindade de Cristo.
> Alexandria teve que condenar Ário; quebrou-se a unidade do Império e da Igreja; Constantino convocou um concílio a fim de encontrar uma solução – Nicéia, 325.
> 3 partidos no concílio:
Ário insistiu que Cristo não existiu desde a eternidade, mas que começou a existir por um ato criativo de Deus antes do tempo; Cristo era de essência ou substância diferente do Pai; pela excelência da Sua vida e por Sua obediência pôde ser considerado divino; era um ser criado a partir do nada; não era co-igual, co-eterno e da mesma substância com o Pai; era divino, mas não era Deus.
Atanásio defendeu a ideia de que Cristo existiu desde a eternidade com o Pai e era da mesma essência com o Pai, embora fosse uma personalidade distinta; Cristo era co-igual, co-eterno e da mesma substância com o Pai
Eusébio de Cesaréia propôs uma doutrina que combinasse as melhores ideias de Ário e Atanásio; para ele, Cristo não foi criado do nada como Ário entendia, mas foi gerado pelo Pai antes da eternidade.
> A ortodoxia teve uma vitória temporária em Nicéia, com a afirmação da eternidade de Cristo e a identidade de Sua substância com o Pai (posição de Atanásio venceu).
> Entre 325 e 361, a ortodoxia teve que enfrentar uma reação que provocou a sua derrota e a vitória temporária do Arianismo.
> Uma segunda reação contra a ortodoxia teve lugar entre 361 e 381.
> Anos entre 325 e 381 marcados pelo ódio e pela briga.
> Vitória final em 381; Teodósio (c. 346-395, imperador romano) definiu como a fé dos verdadeiros cristãos as doutrinas elaboradas pelos ortodoxos de Nicéia; O Concílio de Constantinopla em 381 estabeleceu que a fé de Nicéia “não deveria ser abandonada, mas deveria permanecer como a correta”; a verdadeira divindade de Cristo foi feita artigo de fé.

II. Controvérsias sobre o relacionamento entre as naturezas de Cristo
> Os teólogos ligados a Alexandria salientavam a divindade de Cristo, enquanto que os relacionados a Antioquia salientavam a Sua humanidade, às expensas de Sua deidade.
> Apolinário propôs que Cristo tinha um corpo e uma alma reais, mas que o espírito no homem foi substituído em Cristo pelo Logos. Como elemento ativo, o logos divino dominava ativamente o elemento passivo, o corpo e a alma na pessoa de Cristo. Ele exaltava a divindade de Cristo, mas minimizava Sua verdadeira humanidade. A doutrina de Apolinário foi condenada no Concílio de Constantinopla em 381.
> Nestório defendia que Cristo era apenas um homem perfeito moralmente associado à divindade. Ele era mais portador de Deus do que Deus-homem. Nestorianismo condenado em Éfeso em 431.
> Eutiques (Eutico) ensinava que após a encarnação, as naturezas de Cristo, a humana e a divina, se fundiram numa só, a divina; essa doutrina acabava na negação da verdadeira humanidade de Cristo; foi condenada pelo Concílio de Calcedônia em 451.
> Concílio de Calcedônia em 451 – se empenhou em promulgar uma Cristologia que se harmonizasse com a Bíblia; estabeleceu que Cristo era “completo em sua divindade e completo em sua humanidade, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem”, tendo “duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação”. Na Encarnação, estas duas naturezas reuniram-se harmoniosamente numa Pessoa.
> Controvérsia monofisita perturbou a paz do Império oriental até meados do séc VI, Constantinopla (553)
> Seguiu-se a discussão sobre o relacionamento entre as vontades de Cristo. Tinha Ele uma vontade ao mesmo tempo divina e humana? A questão foi resolvida no Concílio de Constantinopla (680-681) com a declaração de que as duas vontades de Cristo existem nEle numa unidade harmônica em que a vontade humana se sujeita à divina.

Sobre Cristianismo Total

Cristianismo Total é um blog evangélico que tem como objetivo difundir a fé Cristã, que é a mensagem através da qual o Deus Eterno se revelou à humanidade.
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Uma resposta para O Desenvolvimento Doutrinário na Era Conciliar

  1. Paulo Cezar disse:

    Primeiramente, com toda reverencia ao Nome de Cristo, o nosso Senhor, quero agradecer pela oportunidade de poder comentar algo que venha da parte de Deus … Creio eu que Jesus é o libertador do entendimento e de toda sabedoria e que não há outro; no demais irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Ele é a nossa armadura espiritual nas regiões Celestes da maldade … Amém.

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