Os Aspectos Objetivos da Salvação (União com Cristo, Justificação e Adoção)

Semana-Santa (1)A União com Cristo

É instrutivo notar o grande número de referências à unidade entre Cristo e o cristão. As referências mais básicas nesse sentido retratam o crente “em” Cristo e vice-versa. Por um lado, temos muitas referências específicas ao fato de o crente estar em Cristo (2 Co 5.17; Ef 1.3,4,6-8; 1 Co 1.4,5; 15.22; Ef 2.10 e 1 Ts 4.16). O outro lado desse relacionamento é que se diz que Cristo está no crente (Cl 1.27; Gl 2.20; Jo 15.4,5; Mt 28.20; Jo 14.23). Por fim, há toda uma lista de experiências que, segundo se diz, o crente compartilha “com Cristo”: sofrimento (Rm 8.17); crucificação (G1 2.20); morte (Cl 2.2); sepultamento (Rm 6.4); revitalização (Ef 2.5), ressurreição (Cl 3.1); glorificação e herança (Rm 8.17). Nossa união com Cristo tem certas implicações para nossa vida: somos considerados justos (Rm 8.1); vivemos agora no poder de Cristo (Fp 4.13; Gl 2.20; veja tb. 2Co 12.9); significa que vamos sofrer (Mc 10.39; Jo 15.20; Fp 3.8-10); temos a perspectiva de reinar com Cristo (Lc 22.30; 2 Tm 2.12) (ERICKSON, 1997).

A Justificação

É o ato de Deus declarar que, aos seus olhos, os pecadores são justos. É uma questão de sermos perdoados e recebermos a declaração de que cumprimos tudo o que a lei exige de nós. Segundo o Antigo Testamento, justificar implica certificar que a pessoa é inocente e, depois, declarar o que de fato é a verdade: que ela é justa, ou seja, que cumpriu a lei. No Novo Testamento, a justificação é o ato declaratório de Deus, pelo qual, em razão da sufi¬ciência da morte expiatória de Cristo, ele afirma que os crentes cumpriram todos os requisitos da lei que lhes diz respeito. A justificação é um ato forense de imputação da justiça de Cristo ao crente; não é de fato uma infusão de santidade no indivíduo. É uma questão de declarar justa a pessoa, como faz um juiz ao absolver um acusado. A justificação é uma ação forense ou declarativa de Deus, como a de um juiz absolvendo o acusado. O ato de justificação não é Deus anunciando que os pecadores são algo que não são. O que Deus faz é tornar-nos justos pela imputação da justiça de Cristo a nós. É insuficiente definir a justificação simplesmente como Deus me considerar justo “como se eu nunca tivesse pecado”. A penalidade pelo pecado foi paga e, portanto, as exigências da lei foram cumpridas. Ao olhar para o crente, Deus Pai não o vê só. Ele vê o crente junto com Cristo. Jesus dispôs-se voluntariamente a se dar e a se unir com o pecador. Também existe uma decisão consciente da parte do pecador, dispondo-se a entrar nesse relacionamento. E o Pai de bom grado o aceita. As Escrituras indicam que a justificação é um dom de Deus (Rm 6.23; Ef 2.8,9). A justificação é algo completamente imerecido. Não é uma conquista. E uma obtenção, não uma aquisição. Mesmo a fé não é alguma boa obra que Deus precise premiar com a salvação. É um dom de Deus. Não é a causa de nossa salvação, mas o meio pelo qual a recebemos. Sempre foi o meio de salvação. Paulo destaca aos seus ouvintes que Abraão não foi justificado pelas obras, mas pela fé. Afirma que Abraão “creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça” (Gl 3.6). Depois, ele rejeita a ideia de que podemos ser justificados pelas obras (v. 10,11). Portanto, Deus não introduziu um novo meio de salvação. Ele sempre agiu da mesma maneira. Embora seja a fé que leve à justificação, a justificação deve produzir, e invariavelmente produz, obras apropriadas à natureza da nova criatura que passou a existir (Ef 2.10; Tg 2.17; veja tb. v. 26). Apesar da ideia bem comum de que há uma tensão entre Paulo e Tiago, ambos consideram essencial o mesmo ponto: que a genuinidade da fé que leva à justificação evidencia-se nos resultados que dela brotam. Se não há boas obras, não houve fé verdadeira nem justificação. Um problema permanece: parece que as conseqüências do pecado persistem, mesmo depois que os pecado é perdoado e o pecador, justificado. Um exemplo é Davi (2 Sm 12.13,14). Precisamos fazer uma distinção aqui entre as conseqüências temporais e eternas do pecado. Quando a pessoa é justificada, todas as conseqüências eternas do pecado são canceladas. Isso inclui a morte eterna. Mas as conseqüências temporais do pecado, tanto as que recaem sobre o indivíduo como as que recaem sobre a raça humana como um todo, não são necessariamente removidas. Assim, ainda nos sujeitamos à morte física e aos outros elementos da maldição de Gênesis 3. Deus não intervém miraculosamente para impedir o andamento dessas leis. O pecado leva a uma perda que atinge o resto da vida. Embora o perdão de Deus seja ilimitado e acessível, o pecado não é algo que se deva tratar com leviandade. Mesmo perdoado, pode ainda trazer conseqüências graves (ERICKSON, 1997).

A Adoção

Essa transferência de um estado de alienação e hostilidade para um estado de aceitação e favor é chamada adoção (Jo 1.12; Ef 1.5; Gl 4.4,5). Ela ocorre ao mesmo tempo que a conversão, regeneração, justificação e união com Cristo. Embora a adoção seja obviamente distinta da regeneração e da justificação, sua ocorrência não é de fato distinta. Somente os que são justificados e regenerados são adotados, e vice-versa. A adoção implica uma mudança de situação e de condição, uma alteração de nossa situação legal. Tornamo-nos filhos de Deus. Gozamos do que se denomina espírito de filiação. O cristão olha com ternura e confiança para Deus, como a um Pai, e não como a um feitor de escravos ou a um capataz (Jo 15.14,15). Por meio da adoção, somos restaurados ao relacionamento que o homem já teve com Deus, mas perdeu. Deus, ao nos adotar, restaura para aquele relacionamento que desejava ter conosco desde o início. O significado da adoção toma-se mais evidente quando examinamos as consequências, os efeitos sobre a vida do cristão. Nossa adoção significa que há perdão contínuo (Ef 4.32). Também implica reconciliação. Já não carregamos uma inimizade com relação a ele. Deus mostrou seu amor por nós, tomando a iniciativa na restauração da comunhão que foi prejudicada por nosso pecado (Rm 5.8, 10). Também há liberdade para os filhos de Deus. O filho de Deus não é um escravo que obedece por um sentimento de escravidão ou compulsão. Sendo filhos de Deus, não precisamos temer as consequências da incapacidade de vivermos de acordo com a lei (Rm 8.14-16; Gl 3.10,11). Somos pessoas livres. Não somos obrigados a cumprir a lei como um escravo ou um servo. Essa liberdade, porém, não é licenciosidade. Sempre há os que pervertem a liberdade (Gl 5.13). O crente guarda os mandamentos, não por medo de um senhor cruel e severo, mas por amizade e amor para com um Deus benigno e amoroso (Jo 14.15, 21; 15.14,15). A adoção implica que o cristão recebe o cuidado paterno de Deus (Rm 8.16,17). Como herdeiros, temos à nossa disposição os recursos ilimitados do Pai (Fp 4.19). Não se deve pensar, porém, que Deus é indulgente ou permissivo. Assim, a disciplina é um dos aspectos de nossa adoção (Hb 12.5-11). Por fim, a adoção implica a boa vontade do Pai. Por meio da adoção, estende a nós todos os benefícios que seu amor imensurável pode oferecer (ERICKSON, 1997).

Sobre Cristianismo Total

Cristianismo Total é um blog evangélico que tem como objetivo difundir a fé Cristã, que é a mensagem através da qual o Deus Eterno se revelou à humanidade.
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