Mateus: Evangelho do Messias e do Novel Povo de Deus

mateusAutoria
– As tradições da Igreja primitiva unanimemente atribuem a Mateus o primeiro evangelho.
– Uma falsa atribuição a um apóstolo relativamente obscuro como foi Mateus parece improvável (para uma falsa atribuição um apóstolo mais eminente teria sido escolhido).
– A habilidade de organização exibida concorda com a mentalidade provável de um cobrador de impostos.
– Esse é o único evangelho que encerra o episódio do pagamento da taxa do templo (17.24-27).
– A narrativa do chamamento de Mateus ao discipulado usa o nome apostólico, “Mateus” (9.9), ao invés do nome “Levi”, utilizado por Marcos e Lucas (Mc 2.14; Lc 5.27).

Data
– Se Mateus se valeu do evangelho de Marcos, então Mateus pertence a uma data levemente posterior (provavelmente início dos anos 60 d.C.).
– Não poderia ter sido após 70 d.C. pois Mateus apresenta a profecia de Jesus a respeito da destruição de Jerusalém que se deu no ano 70 d.C.

Cinco Discursos
– São “sermões” mais ou menos longos: (1) O Sermão da Montanha (cap. 5-7); (2) A Comissão dos Doze (cap. 10); (3) As Parábolas (cap. 13); (4) Humildade e Perdão (cap. 18); A Denúncia contra os Escribas e Fariseus (cap. 23) e o Discurso do Monte das Oliveiras, chamado “O Pequeno Apocalipse” (cap. 24,25).

Características Judaicas
– Escrito para evangelizar aos judeus, confirmando-os na fé, após a sua conversão.
– Ênfase dada sobre o fato que Jesus cumpriu a lei e as profecias messiânicas do AT.
– Traça a genealogia de Jesus fazendo-a recuar até Abraão, por intermédio de Davi.
– Designação judaica de Deus como “Pai que está nos céus” (15 vezes em Mt, 1 vez em Mc, nenhuma vez em Lc).
– Interesse tipicamente judaico pela escatologia (Mt traz um capítulo a mais, sobre o discurso do monte das Oliveiras, do que Mc e Lc).
– Referências frequentes a Jesus como “o Filho de Davi”.
– Alusões a costumes judaicos sem qualquer elucidação (23.5,27; 15.2).
– Declarações feitas por Jesus revestidas de um sabor claramente judaico (15.24; 10.5,6; 5.17-24; 6.16-18 e 23.2,3).

Universalismo
– É um evangelho cristão judaico, mas com uma perspectiva universal.
– Grande Comissão ordena que se façam discípulos de todas as nações (28.19,20).
– Magos gentios adoram ao Messias infante (2.1-12).
– Citações de Jesus (8.11,12; 13.38; 21.33-43).
– É o único entre os evangelistas a utilizar-se do termo “Igreja”, em seu evangelho (16.18; 18.17).

Fonte: “Panorama do Novo Testamento”, de Robert H. Gundry.

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Lucas: o Evangelho da Certeza Histórica

lucasAutoria
– Deduzimos a autoria lucana de Lucas-Atos do fato de ter sido ele o único dos companheiros de viagem de Paulo, mencionados nas epístolas, que poderia haver escrito as chamadas seções “nós” do livro de Atos. Todas as demais personagens estão excluídas por terem sido mencionadas na terceira pessoa, no livro de Atos, ou devido à impossibilidade de harmonizar seus movimentos geográficos em consonância com as seções “nós” do livro de Atos.
– Antigas tradições confirmam a autoria lucana.
– Mui provavelmente Lucas era um gentio; possuía facilidade no uso do idioma grego.
– O estilo grego de Lucas, juntamente com o estilo da epístola aos Hebreus, é o mais refinado de todo o NT.
– Ambos os livros de autoria lucana começam com uma dedicatória formal, ao estilo literário greco-romano.
– Paulo chama Lucas de “médico amado” em Cl 4.14.

Universalismo
– Dedica a sua obra a Teófilo, fazendo ambos os seus livros penderem mais para os gentios.
– Mostra que o evangelho é universal, que Jesus derrubara a barreira entre judeus e gentios e inaugurara uma comunidade de âmbito mundial na qual as antigas desigualdades entre escravos e libertos, entre homens e mulheres, não mais existem.
– Lucas se dirigiu a uma audiência gentílica, ele não demonstra o interesse judaico pelas profecias messiânicas cumpridas, com o mesmo grau de intensidade com que o faz Mateus.
– Modificou expressões peculiarmente judaicas, juntamente com alusões a costumes judaicos, a fim de que seus leitores gentios pudessem compreender melhor o que lessem.
– O universalismo de Lucas inclui os párias sociais (prostitutas, publicanos, ladrão da cruz, samaritanos, leproso), e se evidencia na especial atenção que ele dá às mulheres.
– Lucas retrata a Jesus como um Salvador cosmopolita (inclusivo), dotado de amplas simpatias, capaz de associar-se com toda espécie de gente, que tinha contatos com fariseus e publicanos igualmente, e que demonstrava preocupação com vítimas de calamidades pessoais.
– Lucas se concentra sobre Jesus e o povo comum.

Temas
– Em numerosas oportunidades Jesus aparece como homem de oração (3.21; 5.16; 6.12; 9.18, etc).
– Lucas destaca a obra do Espírito Santo (1.15,35,41,42,67; 2.25-27; 4.1,14; 10.21; 24.49).
– O evangelho pulsa com a alegria do bom êxito, com as emoções de um irresistível movimento da graça divina, na história humana.
– Lucas escrevia impelido pela suprema confiança do avanço bem sucedido do evangelho, inaugurado por Jesus, o “Senhor” (designação favorita de Lucas, que ele aplicava a Jesus).

Data e Lugar de Escrita
– Deve ser datado de algum tempo levemente anterior a 64 d.C. (data do martírio de Paulo).
– O lugar de escrita poderia ter sido Roma, onde Lucas permaneceu em companhia de Paulo, quando do encarceramento do apóstolo (embora a tradição antiga se divida entre a Grécia e Roma).

Informações Adicionais
– É o mais completo dos evangelhos sinópticos; é o mais volumoso livro de todo o NT.
– Registra muitas das mais famosas parábolas em nenhum outro lugar registradas.
– A história da natividade contém muitíssima informação que não se encontra em Mateus, incluindo a narrativa do nascimento de João Batista.
– Oferece material bastante diferente daquele que se acha noutros evangelhos, no tocante à sua história da ressurreição de Cristo; é o único que descreve a ascensão de Jesus.

Fonte: “Panorama do Novo Testamento”, de Robert H. Gundry.

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João: o Evangelho da Fé em Jesus para a Vida Eterna

joao-o-evangelho-segundo-joaoAutoria, Data e Lugar de Escrita
– Escrito em estilo simples, exibe uma profundidade teológica que ultrapassa à dos evangelhos sinópticos.
– As tradições da Igreja primitiva indicam que o apóstolo João escreveu o quarto evangelho já no término do primeiro século da era cristã, em Éfeso.
– Quanto a isso a o testemunho de Irineu, discípulo de Policarpo, o qual fora discípulo de João.
– Descobrimento do Fragmento Rylands, cópia egípcia do evangelho de João feita por volta de 135 d.C., subentende a data de escrita do evangelho nos últimos anos de João e refuta argumentos de que foi escrito no meio do segundo século.
– O autor reivindica o privilégio de ter sido testemunha ocular do ministério de Jesus (1.4 com 19.35 e 21.24,25); demonstra um estilo semítico em sua redação; possui conhecimento acurado sobre os costumes judeus (pressupostos em 7.37-39 e 8.12).
– Detalhes vívidos que só poderiam ser esperados da parte de uma testemunha ocular aparecem por toda a parte.
– O autor escreve como “aquele a quem Jesus amava” a fim de ressaltar que o conteúdo do evangelho merece crença.

Suplementação dos Evangelhos Sinópticos e Discursos
– Conscientemente, João suplementa os evangelhos sinópticos.
– Esclarece que o ministério público de Jesus durou por consideravelmente mais tempo do que a leitura isolada dos evangelhos sinópticos nos levaria a crer. Os evangelistas sinópticos mencionam somente a última Páscoa; João deixa-nos saber que houve pelo menos três, e talvez até quatro Páscoas, durante a carreira pública de Jesus, pelo que também esta se prolongou provavelmente de três a três anos e meio.
– Com a exceção de Mateus, o quarto evangelho contém discursos mais longos, feitos por Jesus, do que os outros evangelhos.
– João apresenta-nos um Cristo que falava em estilo bastante diferente daquilo que os evangelistas sinópticos nos dão a entender. Isso ocorre em parte pelo hábito que João tinha de parafrasear, com o resultado que o vocabulário e o estilo do próprio evangelista com frequência aparecem no seu registro sobre os ensinamentos de Jesus. Também é possível que João tivesse preservado os aspectos mais formais do ensinamento de Jesus, a saber, Seus sermões nas sinagogas e Suas disputas com os teólogos judeus.

A Teologia Joanina
– Jesus é a Palavra (ou Logos) revelatória de Deus.
– O amor de Deus veio por meio de Jesus Cristo (Jo 3.16).
– João permite que permaneça de pé a antinomia (paradoxo, aparente contradição) entre a escolha divina e a resposta favorável humana.
– Enfatiza a regeneração do Espírito Santo.
– O convite do evangelho é caracterizado pela universalidade; aqueles que aceitam tal convite recebem a vida eterna.
– O Paracleto, ou Espírito Santo, em Seu papel variado de Consolador, Conselheiro e Advogado.
– João é o evangelho da fé; o verbo crer é a palavra chave (Jo 20.30,31).
– Salienta supremamente a divindade de Jesus, como Filho de Deus único e preexistente, o qual, em obediência a Seu Pai, tornou-se um real ser humano a fim de morrer sacrificialmente, com vistas à redenção da humanidade.
– A deidade de Jesus é encarecida, “o Verbo era Deus” (1.1); também é posta em realce a Sua humanidade, “E o Verbo se fez carne” (1.14).
– Série de reivindicações de Cristo, utilizando-se da expressão “Eu Sou”: (1) “Eu sou o pão da vida” (6.35,48); (2) “Eu sou a luz do mundo” (8.12); (3) “Eu sou a porta” (10.7,9); (4) “Eu sou o bom pastor” (10.11,14); (5) “Eu sou a ressurreição e a vida” (11.25); (6) “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (14.6); (7) “Eu sou a videira verdadeira” (15.1,5).
– Além dessas reivindicações, há aquelas declarações que envolvem a expressão “Eu sou”, não seguidas por qualquer complemento, e que sugerem a reivindicação de ser Ele o eterno EU SOU – Javé do AT (4.25,26; 8.24,28,58; 13.19).
– João procura evangelizar aos incrédulos com o evangelho e estabelecer firmemente os crentes em sua fé.
– João descreve pormenorizadamente certo número de milagres realizados por Jesus, mas intitula-os “sinais”, devido ao valor que têm como símbolos do poder transformador da fé em Jesus.

Fonte: “Panorama do Novo Testamento”, de Robert H. Gundry.

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Princípios Fundamentais para a Resolução de Problemas

nota-resolucao-de-problemasTEXTO: Gênesis 41.14-40

INTRODUÇÃO
> “Ao enfrentar uma montanha não desistirei. Continuarei lutando até que possa passar por cima dela, encontrar um caminho através dela, um túnel por baixo dela, ou simplesmente permanecer onde estou e transformar a montanha numa mina de ouro! Com a ajuda de Deus!” (Credo dos Pensadores de Possibilidades – Robert Schüller).

TRANSIÇÃO
> Com base neste acontecimento específico da vida de José, podemos aprender alguns Princípios fundamentais para a resolução de problemas.

I.) Dependa exclusivamente de Deus, e não de si mesmo
> Elucidar Gn 41.16
> José reconheceu a sua dependência de Deus diante de Faraó
> Ler Pv 3.5,6.

II.) Ouça o problema com atenção
> Elucidar Gn 41.17-24
> José ouviu pacientemente a descrição do sonho de Faraó, que representava um enigma ou problema a ser resolvido e solucionado.
> Ouça sem interromper, de preferência.

III.) Anteveja os problemas e antecipe-se a eles
> Elucidar Gn 41.30,31
> Ou você pode esperar os problemas acontecerem para se posicionar (e aí talvez as soluções encontradas não sejam as melhores), ou você pode antever os problemas e antecipar-se a eles de forma que poderá evitá-los ou amenizá-los.
> Exemplo de clubes de futebol (decisões de última hora, sem planejamento, feitas no atropelo).
> Você pode pensar nos problemas sem ficar ansioso
> Duas formas de encarar os problemas: ou você os encara de forma negativa e encontra mais problemas (e eles te derrubam) ou você os encara para achar soluções!

IV.) Seja um solucionador e não um promotor de problemas
> José mostrou o problema, mas ato contínuo já apresentou também a solução para o problema
> Interessante que Faraó não o chamou para dar a solução ao problema que a interpretação do sonho traria. José foi chamado apenas para dar a interpretação do sonho!
> Aí está o diferencial que José tinha dos demais: ele era um solucionador e não um promotor de problemas. E isto já deveria ser um hábito na vida de José, pois não foi por acaso que ele foi feito mordomo na casa de Potifar e administrador da prisão onde ficou encarcerado.
> John Maxwell diz que hoje empresas pagam alto para ter pessoas que solucionem problemas! As empresas não querem pessoas que arrumem mais problemas, mas pessoas que solucionem problemas!

V.) Encare os problemas como oportunidades
> José não era bobo! Por que?
> Porque ele percebeu que não deveria dar apenas a interpretação do sonho, mas também a solução. E acredito que quando deu a solução a Faraó ele imaginava que poderia ser o homem ajuizado e sábio que estava propondo que administrasse os anos de fartura e fome!
> Certamente José viu naquela situação uma oportunidade!
> “O problema (oportunidade) pode ser o impulso de que você necessitava para remodelar, reorganizar, reestruturar, rearranjar ou recolocar. As pessoas e as organizações, enraizadas em seus sistemas tradicionais, em geral precisam enfrentar enormes problemas antes de pensarem em mudanças. Cada problema é uma oportunidade de ver algo” (R. Schüller)
> Grande exemplo de Davi: Ele viu o tamanho da testa de Golias!!!

VI.) Concentre-se e decida-se primeiro pela solução; depois concentre-se no custo
> José não disse a Faraó: “Olha, eu vou te dar uma ótima solução, mas quero lhe prevenir que vai ser muito difícil, muito complicado, vai precisar de muita gente envolvida, de muito tempo gasto, enfim, vai ser muito custoso!”
> Não, José concentrou-se na solução
> Nosso problema é que nos concentramos primeiro no custo (de dinheiro, de tempo, de energia, de pessoal, etc). Devemos fazer o inverso!
> “Poder mental, poder financeiro, força e energia, são abundantes no mundo e gravitam como o pó de ferro se ajunta ao redor do imã, em torno das pessoas que têm grandes idéias e que pensam grande” (R. Schüller).

VII.) Trace um plano de ação, dividindo seu problema em partes
> Veja a aula que José deu nos versos 33-36:
– Escolha um homem ajuizado e sábio
– Você não pode cuidar desse processo Faraó, seu foco é outro (especulação)
– Ponha administradores sobre a terra
– Separe a quinta parte (20%) das colheitas dos anos de fartura
– Administradores vão recolher o cereal nas cidades (pontos estratégicos em todo o Egito)
– Construção de vários celeiros maiores e mais apropriados (especulação)
> Como você come um elefante?
> Como você escala uma montanha?
> “Não importa quão grande seja o problema, divida-o até conseguir a menor porção, então resolva-a e depois outra – até que junte as partes resolvidas como se fosse as peças de um quebra-cabeça” (R. Schüller citando Walter Burke).
> Ex. montagem do quebra-cabeças de muitas peças.

VIII.) Busque e aceite ajuda e conselho de pessoas altamente capacitadas para ajudá-lo
> Confira atitude sábia de Faraó – v. 37,38
> Grandes líderes, empresários e políticos cercam-se e/ou buscam conselhos de pessoas altamente capacitadas.
> Leitura é uma grande fonte de sabedoria e inspiração
> Bíblia deve ser nosso grande manual de fonte de sabedoria e inspiração – Js 1.8; Sl 1.3

CONCLUSÃO
> Se tivesse olhado apenas o contexto confuso de seus dias, Jesus não teria exercido seu precioso ministério. Todavia, Jesus aproveitou aquele contexto como oportunidade para mudar a história da humanidade.
> Se Jesus tivesse se concentrado apenas no custo de resolver o problema do ser humano (pois o custo foi dar sua própria vida e verter o seu próprio sangue), nós estaríamos perdidos por toda a eternidade!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra com auxílio do Livro: “Você pode ser quem deseja” de Robert Schuller.

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Como Alcançar Veredas Retas

maxresdefault (2)Texto: Pv 3.5,6.

Introdução
> Explicar o que significa “… e ele endireitará as tuas veredas …” (v. 6).
> Significa que Deus:
– Dirigirá os nossos passos
– Não deixará vacilar os teus pés (Sl 121.3)
– Não permitirá que tomemos decisões erradas
– Aplanará os nossos caminhos
– Fechará as portas pelas quais não devemos entrar e abrirá as portas pelas quais devemos entrar
– Nos dará a direção certa

Proposição
(AT) A vontade de Deus é que as veredas de seus servos sejam veredas retas.
(ST) O texto nos mostra algumas ATITUDES que devemos ter para que o Senhor endireite as nossas veredas.

I.) Confia no Senhor de todo o teu coração – Pv 3.5 a
> No Senhor, não em homens.
> A palavra hebraica traduzida por “confiar” tinha a ideia original de ‘ficar deitado, indefeso, com o rosto no chão’, ou seja, descansando!
> Exemplo de alguém que confiou no Senhor: Ezequias.
> Ver 2 Cr 32.1-23. Devemos confiar no Senhor:
– Mesmo que o inimigo seja poderoso – v. 1
– Mesmo que o inimigo te afronte – v. 9-12
– Mesmo que o inimigo procure te intimidar – v. 13,14
– Mesmo que o inimigo questione a sua autoridade – v. 15
> Atitude de Ezequias – v. 2-8,20.
> Resultado de se confiar no Senhor – v. 21-23.
> Ver ainda Jr 17.5-8; Sl 37.5; 125.1; Is 26.3,4.
> Em quem você prefere confiar? No homem ou no Senhor?

II.) Não te estribes no teu próprio entendimento – Pv 3.5 b
> Estribar-se significa ‘apoiar-se, depender de’.
> No Senhor, não em nós mesmos: “O que confia no seu próprio coração é insensato…” (Pv 28.26 a).
> Exemplo de alguém que confiou em si mesmo: Saul.
> Ver 1 Sm 13.8-14. Não coloque a sua confiança em você:
– Mesmo que Deus pareça tardio para agir – v. 8,9.
– Mesmo que as circunstâncias te pressionem, te forcem – v. 10-12.
> Resultado da autoconfiança – v. 13,14.
> Você prefere confiar no Senhor ou em você mesmo?

III.) Reconhece ao Senhor em todos os teus caminhos – Pv 3.6 a
> Reconhecer significa ‘saber; ter consciência de’
> Exemplos: reconhecer que Ele está no controle; fazer sempre menção dEle de coração; confessá-lo publicamente; reconhecer que tudo o que temos e somos provêm dEle.
> Exemplo de alguém que reconheceu o Senhor em todos os seus caminhos: José.
– Quando tentado pela mulher de Potifar – Gn 39.7-9.
– Quando interpretou sonhos na prisão – Gn 40.7,8.
– Quando interpretou sonhos de Faraó – Gn 41.15,16.
– Quando deu nome aos seus filhos – Gn 41.50-52.
– Quando seus irmãos o temeram – Gn 50.20.
> Você tem reconhecido a Deus em todos os seus caminhos?

Conclusão
> Lembrar que confiar no Senhor de todo o coração, não se estribar no próprio entendimento, e reconhecer ao Senhor em todos os nossos caminhos, são condições para que Ele endireite as nossas veredas!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra.

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O Ambiente Religioso do Novo Testamento

judaismoeusO Paganismo

– Mitologia Grega: Zeus, Cronos, Poseidom, Apolo, etc.
– A religião oficial de Roma adotou grande parte do panteão e da mitologia gregos. As divindades romanas vieram a ser identificadas com os deuses gregos (Júpiter com Zeus, Vênus com Afrodite, etc.).
– O senado romano lançou a ideia do culto ao imperador, ao deificar, após a morte, a Augusto e a subsequentes imperadores que tivessem servido bem como tais. Domiciano (81-96 d.C.) foi o primeiro a tomar providências para forçar a adoração de sua pessoa. A recusa dos cristãos em participarem do que passou a ser tido como um dever patriótico provocou uma perseguição que foi crescendo de intensidade.
– Havia grande popularidade e influência das religiões misteriosas dos gregos, egípcios e povos orientais (cultos a Mitra, Isis, Dionísio, Cibele, etc.).
– As superstições estavam nas mentes da maioria do povo do império romano. O emprego de fórmulas mágicas, consultas de horóscopos e oráculos, augúrios ou predições sobre o futuro, mediante a observação do voo dos pássaros, os movimentos do azeite sobre a água, círculos do fígado e o uso de exorcistas profissionais – todas essas práticas faziam parte da vida diária. O povo comum fazia mescla de diversas crenças religiosas com práticas supersticiosas.
– Segundo o gnosticismo, a matéria era equiparada ao mal, ao passo que o espírito seria equivalente ao bem. Daí resultavam dois modos opostos de conduta: (1) a supressão dos desejos do corpo, devido à sua conexão com a matéria má (ascetismo), e (2) a indulgência quanto às paixões físicas, por causa da irrealidade e inconsequência da matéria (libertinagem ou sensualismo). O conceito da ressurreição física era abominável, devido ao fato da matéria ser tida por inerentemente má. Todavia, a imortalidade do espírito seria desejável, podendo-se chegar a ela por meio do conhecimento de doutrinas secretas. As ideias gnósticas parecem ocultar-se por detrás de determinadas heresias que são atacadas no NT. Ao que parece, os gnósticos tomaram por empréstimo do cristianismo, em data posterior, a doutrina de um redentor celeste. No primeiro século, o gnosticismo era ainda um agregado de concepções religiosas frouxamente ligado, e não um sistema doutrinário altamente organizado.
– O epicurismo pensava ser os prazeres o sumo bem da vida.
– O estoicismo ensinava que a aceitação racional da própria sorte é dever do homem.
– Os cínicos reputavam a virtude suprema como se fora uma vida simples e sem convenções, rejeitando a busca pelo conforto, pelas riquezas e pelo prestígio social.
– Os céticos sucumbiam ante a dúvida e a conformidade para com costumes prevalescentes.

O Judaísmo

– A perda temporária do templo, durante o exílio, deu espaço a um crescente estudo e observância da Lei do AT (a Torá, indicava instrução, ensino e a revelação divina, aludindo ora aos dez mandamentos, ora ao Pentateuco, ora ao AT inteiro, e também à lei oral, ou seja, as interpretações tradicionais dos rabinos).
– Em face de Nabucodonosor haver destruído o primeiro templo (o de Salomão) e haver deportado da Palestina a maioria de seus habitantes, os judeus estabeleceram centros locais de adoração intitulados sinagogas, onde quer que pudessem ser encontrados dez judeus adultos do sexo masculino.
– O segundo templo (reconstruído sob a liderança de Zorobabel) continuou a ser importante até à sua destruição por Tito, em 70 d.C. As exortações dos profetas Ageu e Zacarias haviam impulsionado a reconstrução do templo durante o período de restauração do VT, depois do desterro. Saqueado e aviltado por Antíoco Epifânio, em 168 a.C., o templo fora reparado, purificado e reconsagrado por Judas Macabeu 3 anos mais tarde. Herodes o Grande iniciou grandioso programa de embelezamento, mas nem bem esse projeto se completou, muito depois de sua morte, e o templo foi novamente destruído.
– Intimamente relacionadas à adoração no templo havia as festividades religiosas e dias santos dos judeus: Sábado, Páscoa, Primícias (Pães Asmos), Pentecostes, Trombetas, Dia da Expiação, Tabernáculos, Dedicação e Purim.
– Escritos em hebraico, aramaico e grego, e datados dos períodos inter e neotestamentário, os livros apócrifos do AT contêm história, ficção e literatura de sabedoria. Os judeus, e, posteriormente, os primitivos cristãos, de modo geral não reputavam esses livros como Escritura Sagrada, razão por que o termo ‘apócrifos’, que originalmente significava “oculto, secreto, profundo”, terminou por significar “não-canônico”.
– Outros livros judaicos que datam da mesma era geral são intitulados ‘pseudepígrafos’ (“falsamente escritos”), porquanto alguns deles foram escritos sob a alegação de que seus autores foram figuras do AT desde há muito falecidas, a fim de assumirem foros de autoridade. Também contêm livros anônimos.
– Talmude – As decisões rabínicas sobre casos que envolviam questões de interpretação acerca da lei do AT formavam uma tradição oral memorizada, ao chegarem os tempos do NT. Essa tradição foi crescendo durante os séculos que se sucederam, até que foi preservada em forma escrita no Talmude judaico. Cronologicamente, o Talmude consiste da Mishnah, ou lei oral, desenvolvida por rabinos através do segundo século cristão, além da Gemarah, a qual contém comentários sobre a Mishnah, feitos por rabinos que viveram nos séculos III-V d.C.
– Os judeus aguardavam a vindo do Messias. Não esperavam que fosse um salvador sofredor, e nem um ser divino. Tinham a esperança que Deus viesse a usar uma figura humana para trazer livramento político militar da dominação romana.
– Os fariseus tiveram origem pouco depois da revolta dos Macabeus; faziam objeção à helenização da cultura judaica; a maior parte pertencia à classe média leiga; compunham a mais numerosa das seitas religiosas dos judeus. Observavam escrupulosamente, tanto as leis rabínicas quanto as mosaicas; a observância do sábado era similarmente escrupulosa. No entanto, maquinavam evasivas que lhes fossem convenientes. Jesus e os fariseus entraram em choque ante o artificialismo de tal legalismo. O judeu comum admirava os fariseus.
– Os aristocráticos saduceus eram os herdeiros dos hasmoneanos do período intertestamentário. Embora em menor número que os fariseus, detinham maior influência política, pois controlavam o sacerdócio. Seus contatos com dominadores estrangeiros tendiam a reduzir sua devoção religiosa, empurrando-os mais na direção da helenização. Diferentemente dos fariseus, eles davam importância somente ao Pentateuco, e desprezavam as leis orais dos rabinhos. Não acreditavam na preordenação divina, em anjos, em espíritos e nem na imortalidade da alma e na ressurreição do corpo, conforme criam os fariseus. Os saduceus detinham posições de abastança e riqueza.
– Os essênios formavam uma seita menor. Alguns viviam em comunidades monásticas, como aquela de Qumran, onde foram descobertos os Papiros do Mar Morto. A admissão requeria um período de prova de 2 a 3 anos, com abandono das propriedades privadas e das riquezas, doadas a um tesouro comum. Os elementos mais estritos se refreavam do casamento. Chegavam a ultrapassar aos fariseus em seu minucioso legalismo. Reputavam o templo poluído por um sacerdócio corrupto. Como símbolo de pureza pessoal, eles usavam vestes brancas.
– Os herodianos não eram uma seita religiosa, mas uma pequena minoria de judeus influentes que davam apoio à dinastia dos Herodes.
– Os zelotes eram revolucionários dedicados à derrubada do domínio romano. Recusavam-se a pagar taxas a Roma; foram iniciadores de diversas revoltas. Um dos doze discípulos fora um zelote (“Simão chamado Zelote”, Lc 6.15).
– Os escribas eram um grupo de profissionais. Doutor, escriba, mestre e rabino eram expressões aplicadas a eles. Tendo-se originado com Esdras, segundo certa tradição, os escribas interpretavam e ensinavam a lei do AT e baixavam decisões judiciais sobre os casos que lhes eram apresentados. Sua função era aplicar os preceitos da lei à vida diária.
– Os romanos permitiam aos judeus manusearem muitas de suas próprias questões religiosas e domésticas. O superior tribunal dos judeus era o grande Sinédrio, que chegava a comandar uma força policial. O sumo sacerdote presidia a setenta outros juízes provenientes dos partidos farisaico e saduceu.
– O “povo da terra” (as massas) permaneciam desvinculadas das seitas e dos partidos políticos. Por causa de sua ignorância acerca da lei do AT, os fariseus menosprezavam-nas.
– Fora da Palestina, os judeus da diáspora (dispersão) se dividiam em duas categorias: (1) os hebraístas, que retinham não só sua fé judaica, mas também seu idioma e seus costumes; incorriam no ódio dos gentios, por se manterem distantes; e (2) os helenistas, que haviam adotado o idioma, o estilo de vestes e os costumes gregos, ao mesmo tempo que se apegavam à fé judaica.

Resumo do Capítulo 3, do livro “Panorama do Novo Testamento”, de Robert H. Gundry.

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História Política Intertestamentária e do Novo Testamento

imperiosO Período Grego
– Cativeiro Assírio imposto ao Reino do Norte, Israel.
– Cativeiro Babilônico imposto ao Reino do Sul, Judá; regresso à Palestina quando da hegemonia persa, nos séculos VI e V a.C.
– Quatro séculos entre o final da história do AT e os primórdios da história do NT, período intertestamentário.
– Alexandre, o Grande, se tornou senhor do antigo Oriente Médio, derrotando os Persas.
– Difusão da cultura grega, helenismo; idioma grego se difundiu.
– Falecimento de Alexandre em 323 a.C.; principais generais dividiram o império em quatro porções, duas delas importantes no contexto do desenvolvimento histórico do NT.
– Império dos Ptolomeus centralizava-se no Egito, com Alexandria como capital.
– Império Selêucida centralizava-se na Síria, com Antioquia como capital.
– Localizada entre Egito e Síria, a Palestina tornou-se vítima das rivalidades entre os Ptolomeus e os Selêucidas.
– Ptolomeus dominaram a Palestina por 122 anos (320-198 a.C.); judeus gozaram de boas condições. Nesse período foi produzida a Septuaginta (LXX).
– Antíoco III derrotou o Egito em 198 a.C.; Palestina passa a ser dominada pelos Selêucidas.
– Antíoco IV ou Epífanio impôs a cultura grega de forma mais intensa; judeus piedosos (os Hasidim) se opunham à paganização de sua cultura.
– Antíoco Epifânio saqueou o templo, seus exércitos assassinaram muitos habitantes da Judéia, cobrou tributo, tornou o judaísmo ilegal, estabeleceu o paganismo à força, impingiu grande destruição à cidade de Jerusalém, escravizou mulheres e crianças, proibiu a circuncisão, a observância do sábado e a celebração das festas judaicas. Também proibiu a posse de cópias do AT, tornou obrigatórios os sacrifícios pagãos; animais execrados (uma porca) foram sacrificados sobre o altar do templo.

O Período Macabeu
– Resistência judaica liderada por um sacerdote idoso chamado Matatias, que fugiu para a região montanhosa com seus 5 filhos e outros simpatizantes, em 167 a.C. Foram chamados de Hasmoneanos ou de Macabeus.
– Judas Macabeu encabeçou campanha de guerrilhas com sucesso; houve uma guerra civil entre judeus pró-helenistas e anti-helenistas.
– Macabeus recuperaram a liberdade religiosa, consagraram o templo, conquistaram a Palestina e expeliram as tropas sírias.
– Judas foi morto em batalha (160 a.C.); seus irmãos Jônatas, e posteriormente Simão, sucederam-no na liderança; obtiveram reconhecimento da independência judaica por um dos líderes dos Selêucidas, e firmaram um tratado com Roma. Começaram a reconstruir as muralhas e edifícios de Jerusalém.
– Dinastia hasmoneana (142-37 a.C.) se deteriorou com contendas internas derivadas de ambição pelo poder.

O Período Romano
– General romano Pompeu subjugou a Palestina em 63 a.C.; durante o período do NT a Palestina estava dominada pelo poderio romano.
– Pax Romana obtida após período de guerras para expansão territorial.
– Imperadores romanos vinculados às narrações do NT: Augusto (27 a.C. – 14 d.C, nascimento de Jesus, recenseamento); Tibério (14-37 d.C., ministério público de Jesus e Sua morte); Calígula (37-41 d.C., exigiu que se lhe prestasse culto); Cláudio (41-54 d.C., expulsou os judeus de Roma, entre os quais Áquila e Priscila); Nero (54-68 d.C., perseguiu os cristãos e sob quem Pedro e Paulo foram martirizados); Vespasiano (69-79 d.C., seu filho Tito destruiu Jerusalém e seu templo em 70 d.C.); Domiciano (81-96 d.C., período em que foi escrito Apocalipse).
– Os romanos permitiam a existência de governantes nativos vassalos de Roma na Palestina; um desses foi Herodes.
– Herodes, o Grande, governou, sob os romanos, de 37-4 a.C.; era astuto, invejoso e cruel; assassinou 2 esposas e 3 filhos; ordenou a matança dos infantes de Belém; era um governador eficiente e ótimo político, pois conseguiu sobreviver às lutas pelo poder; embelezou o templo de Jerusalém como tentativa de conciliar seus súditos; morreu em 4 a.C.
– Os filhos de Herodes – Arquelau, Herodes Filipe e Herodes Antipas – passaram a governar porções separadas da Palestina. João Batista repreendeu a Antipas, que permitiu a sua degola (Mc 6.17-29); Jesus chamou a Antipas de “essa raposa” (Lc 13.32) e mais tarde teve de enfrentar o juízo deste em tribunal (Lc 23.7-12). Herodes Agripa I, neto de Herodes o Grande, executou o apóstolo Tiago e encarcerou Pedro (At 12). Herodes Agripa II, bisneto de Herodes o Grande, ouviu Paulo (At 25 e 26).
– Os desmandos de Arquelau na Judéia e em Samaria provocaram sua remoção por ordens de Augusto, em 6 d.C. O território passou a ser dirigido por governadores romanos. Um desses, Pôncio Pilatos, foi o juiz de Jesus. Os governadores Félix e Festo ouviram a exposição do caso de Paulo (At 23-26).

Resumo do Capítulo 1, do livro “Panorama do Novo Testamento”, de Robert H. Gundry.

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