Evangelização — A missão máxima da Igreja

“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15).

A igreja de Cristo não pode enclausurar-se dentro dos templos, mas deve cumprir a sua missão por toda parte, onde estão os pecadores.

Mateus 28.19,20; Marcos 16.15-18.

INTRODUÇÃO

Evangelização: É o esforço conjunto e contínuo da igreja para anunciar o evangelho de Cristo aos pecadores.

O progresso de uma igreja local não pode ser medido ou avaliado primeiramente por suas atividades filantrópicas, educacionais e materiais. O progresso real de uma igreja é avaliado por seu alcance evangelístico, juntamente com seus frutos espirituais, como resultado da semeadura da Palavra de Deus. Todas as demais atividades são importantes, mas a prioritária e incessante é a evangelização.

I. DEFINIÇÃO DE TERMOS

Existem três palavras interligadas na proclamação das Boas-Novas que merecem a nossa atenção: evangelho, evangelismo e evangelização. Estas definem e explicam a missão máxima da igreja na terra.

1. Evangelho (Mc 16.15). Só entenderemos a importância da missão evangelizadora da igreja compreendendo o significado de evangelho. O que é evangelho? No sentido mais simples, o evangelho é definido como “boas-novas de salvação em Cristo”. Noutras palavras, “evangelho” é o conteúdo da revelação de Deus, em Jesus como Salvador e Senhor de todas as criaturas que o aceitam como seu Salvador pessoal. Evangelho, portanto, é o conjunto das doutrinas da fé cristã que deve ser anunciado a toda criatura.

2. Evangelização. Mateus 28.19,20 apresenta o imperativo evangelístico de Cristo à sua igreja, com quatro determinações verbais:
a) Ir. No sentido de mover-se ao encontro das pessoas, a fim de comunicar a mensagem salvífica do evangelho;
b) Fazer discípulos. Com o sentido de “estar com” as pessoas e torná-las seguidoras de Cristo;
c) Batizar. É o ato físico que confirma o novo discípulo pela sua confissão pública de que Jesus Cristo é o seu Salvador e Senhor;
d) Ensinar as doutrinas da Bíblia, com o objetivo de aperfeiçoar e preparar o discípulo para a sua jornada na vida cristã.

3. Evangelismo. Possui um caráter técnico, pois se propõe a ensinar o cristão a cumprir, de modo eficaz, a tarefa da evangelização. O evangelismo na igreja local implica uma ação organizada e ativada pelos membros, para desenvolver três ações necessárias à pessoa do evangelista: informação, persuasão e integração do novo convertido.

Evangelho, evangelização e evangelismo distinguem-se quanto à prática, mas possuem as mesmas formações linguísticas. Evangelização é o anúncio da mensagem. Evangelismo é a técnica de comunicação da mensagem.

II. A BASE DA EVANGELIZAÇÃO

O Pastor Guilhermo Cook, da Costa Rica, declarou num congresso de missões que a tarefa da evangelização está firmada em três bases distintas: a base cristológica, a ministerial e a sociológica.

1. A base cristológica. É evidente que a mensagem que pregamos aos pecadores só pode ser a mesma que Cristo pregou quando esteve na Terra. Jesus, ao iniciar o seu ministério terreno, o fez a partir da cidade de Nazaré, quando entrou numa sinagoga e levantou-se para ler a Escritura. Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías e, ao abri-lo, leu e explicou o texto de Isaías 61.1,2 (ver Lc 4.18,19). Nesta Escritura, Cristo se identificou com a missão para a qual viera (Jo 1.14), mas não restringiu a mensagem e a missão evangelizadora para si, pois outorgou-as a seus discípulos (Jo 20.21). Ora, o mesmo Espírito que ungiu a Jesus para proclamar as boas-novas habita na Igreja para que ela dê continuidade à proclamação da mensagem salvadora do evangelho de Cristo (Lc 24.49; At 1.8; Rm 1.16).

2. A base ministerial. No Antigo Testamento identificamos três ministérios distintos: o sacerdotal, o real e o profético.
a) O sacerdote representava o povo diante de Deus, orando e intercedendo por ele no exercício do ministério no Tabernáculo ou no Templo;
b) O rei representava a Deus perante o povo, e simbolizava o domínio do divino sobre o humano;
c) O profeta era o intermediário entre Deus e o povo, comunicando a mensagem de amor e de juízo.
Quando Jesus se fez homem, exerceu esse tríplice ministério. Como rei, nasceu da linhagem real de Davi (Lc 1.32; Rm 1.3). Como sacerdote, foi declarado sacerdote de acordo com a ordem de Melquisedeque, e não segundo a levítica (Hb 7.11-17,21-27). Como profeta, Cristo foi identificado pela mensagem que pregava (Lc 4.18,19). Porém, o Senhor Jesus transferiu para a igreja esse tríplice ministério. A igreja é vinculada à linhagem real de Jesus, porque somos o seu corpo glorioso na terra (Ap 1.6; 1 Co 12.27). O sacerdócio da igreja é identificado pela sua presença no mundo como intermediária entre Deus e os homens. Exercemos esse ministério, cumprindo as responsabilidades sacerdotais: interceder e reconciliar o mundo com Deus (2 Co 5.18,19; Hb 2.17). E, por último, a igreja, ao anunciar a Cristo como Senhor e Salvador, cumpre o seu papel profético (1 Pe 2.9; At 1.8).

3. A base sociológica. Em síntese, pessoas evangelizam pessoas, pois Jesus morreu pelos pecadores. É sociológica porque a igreja emprega os meios da comunicação pessoal para persuadir os indivíduos de que Jesus é o Salvador; e porque a mensagem não se restringe a um grupo, mas tem por objetivo alcançar todas as criaturas.

Os três pilares, que alicerçam a evangelização – cristológico, ministerial e sociológico – descrevem os fundamentos por meio dos quais as igrejas locais realizam a missão evangelizadora.

III. A EVANGELIZAÇÃO URBANA E A TRANSCULTURAL

1. Evangelização urbana. Sem prescindir da evangelização nos meios rurais, é um fato notório em nossos tempos que a vida urbana é uma realidade que desafia e exige da igreja uma pronta e veemente atitude para alcançá-la. Existe um fluxo migratório incontrolável de pessoas que deixam a vida rural e saem em busca de melhores oportunidades nas grandes cidades. Muitos problemas sociais resultam da desorganização da vida urbana, e a igreja deve estar preparada para responder a esses dilemas.
Estratégias adequadas devem ser desenvolvidas para alcançar as pessoas. Os problemas típicos da vida urbana, tais quais a diversidade cultural, a marginalização social, o materialismo, a invasão das seitas e as tendências sociais, desafiam a igreja no sentido de, sem afetar a essência da mensagem do evangelho, demonstrar o poder da Palavra de Deus que transforma e dá esperança a todos (Rm 1.16).

2. Evangelização transcultural. A evangelização transcultural começa na vida urbana com as diferentes culturas vividas pelos seus habitantes. Porém, ela avança quando requer dos missionários uma capacitação especial para alcançar as pessoas. É preciso que o missionário tenha uma visão nítida de que a mensagem do evangelho é global, pois o Cristianismo deve alcançar cada tribo, e língua, e povo, e nação até as extremidades da terra (Is 49.6; At 13.47).

A missão evangelizadora da igreja é local e global. Enquanto a evangelização local é intracultural (dentro da cultura do evangelista), a global é transcultural (fora da cultura do evangelista).

CONCLUSÃO

A mensagem do evangelho deve ir a todas as extremidades da Terra, porque a salvação que Cristo consumou no Calvário visa a toda a humanidade. A igreja não pode negligenciar sua missão principal: alcançar todos os povos com a mensagem do evangelho.

VOCABULÁRIO

Cristológico: Relativo a Cristo; fundamentado em Cristo.
Filantrópico: Relativo à filantropia; amor à humanidade; obras de caridade.
Imperativo: Que ordena, ou exprime uma ordem.
Migração: Mudar periodicamente, ou passar de uma região para outra.
Prescindir: Renunciar; abrir mão de; dispensar.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

COLEMAN, R. Plano mestre de evangelismo pessoal. RJ: CPAD, 2001.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

Subsídio Devocional

“Renovando e Alcançando Pessoas
Precisamos começar perguntando mais uma vez: Qual a nossa missão como igreja? A resposta está em reconhecer que somos o corpo de Cristo. Portanto, devíamos estar fazendo o que Ele fez na terra. A evangelização do mundo, portanto, tem de ser a missão, o objetivo norteador da Igreja, pois era a meta central de nosso Senhor — a única razão pela qual o Filho eterno, despojando-se de suas vestes de glória, assumiu nossa forma. Ele veio para ‘buscar e salvar o que se havia perdido’ (Lc 19.10) — ‘não veio para ser servido, mas para servir; e para dar a sua vida em resgate de muitos’ (Mt 20.28).
Uma senhora, num grupo de turistas que visitava o Mosteiro de Westminster, pinçou exatamente o problema. Voltando-se para o guia, perguntou-lhe: ‘Moço, moço! Pare um pouco essa conversa, e me responda: será que alguém foi salvo aqui por esses dias?’.
Um estranho silêncio recaiu sobre o grupo de turistas assustados e, quem sabe, já embaraçados. Salvo no Mosteiro de Westminster? Por que não? Não é essa a função da igreja? Uma igreja que esteja descobrindo o entusiasmo do avivamento saberá disso, e estará em atividade, procurando ganhar os perdidos. O avivamento e a evangelização, embora diferentes quanto à natureza, brotam da mesma fonte e fluem juntos. Uma igreja que não sai para o mundo anunciando as verdades do reino não reconheceria o avivamento, mesmo que este viesse”.
(COLEMAN, R. Como avivar a sua igreja. 15.ed., RJ: CPAD, 2005, p. 87-88.)

APLICAÇÃO PESSOAL

A Igreja não foi edificada por Cristo para construir escolas, fundar hospitais ou assumir cargos políticos, por mais dignas que sejam tais realizações, mas para cumprir com o mandato de “ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Quando os crentes prescindem da evangelização, não resta mais nada a igreja do que ser uma associação religiosa em busca de privilégios e reconhecimento social. Somente um poderoso reavivamento na vida dos crentes será capaz de transformar uma igreja apática quanto à evangelização em uma comunidade rediviva. Cada crente deve envolver-se com a evangelização dos pecadores. Cada cristão deve ser uma fiel testemunha de Cristo.

Fonte: Lições Bíblicas, Elienai Cabral, CPAD.

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Evangelismo

A igreja existe comunicar a Palavra de Deus. Somos embaixadores de Cristo e nossa missão é evangelizar o mundo. A palavra ir na Grande Comissão, no original grego, deve ser lida como “enquanto você está indo”. E responsabilidade de cada crente compartilhar as boas novas em qualquer lugar que vá. Devemos falar para to mundo que Cristo veio, morreu na cruz, ressuscitou e nos prometeu que voltaria. Um dia, cada um de nós prestará contas a Deus sobre o nosso posicionamento diante desta responsabilidade.

A missão do evangelismo é tão importante que Jesus nos deu cinco Grandes Comissões (Mt 28:19-20, Mc 16:15, Lc 24:47-49, Jo 20.21 e At 1:8). Jesus nos ordena a ir e falar para o mundo a mensagem da salvação.

Evangelismo é mais do que responsabilidade, é um grande privilégio. Somos convidados a participar, trazendo pessoas para a família eterna de Deus. Não conheço uma causa mais importante à qual alguém possa dedicar sua vida. Se você soubesse como curar o câncer, estou certo de que faria tudo que pudesse para compartilhar isso com os outros, pois isto salvaria milhões de vidas. Mas você já sabe de algo bem melhor: a você foi dado o evangelho da vida eterna para ser propagado. Existe notícia melhor que essa?

Enquanto houver uma pessoa no mundo que não conhece a Cristo, a igreja tem o mandamento de continuar crescendo. O crescimento não é algo opcional, é uma ordem de Jesus. Nós levemos buscar o crescimento da igreja para o nosso próprio benefício, mas sim porque Deus quer que as pessoas sejam salvas.

Fonte: Uma igreja com propósitos, Rick Warren, Editora Vida.

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O significado da evangelização

A evangelização está principalmente relacionada com o crescimento por conversão. Em segundo lugar, tem alguma relação com o crescimento biológico porque, na realidade, os filhos dos crentes precisam ser evangelizados. O crescimento por transferência, porém, não é preocupação propriamente dita da evangelização.

Não fui capaz de melhorar o que é conhecido como a “definição dos arcebispos”, formulada por um grupo de arcebispos anglicanos. Essa definição declara:

“Evangelizar é de tal maneira apresentar a Cristo Jesus no poder do Espírito Santo, que homens e mulheres venham a confiar em Deus através dEle, aceitando-O como Salvador e servindo-O como Rei, dentro da comunhão de Sua igreja”.

No final dos anos 70 […] John Stott veio com esta definição de evangelização […] e esta se tornou a definição oficial do Comitê de Lausanne:

“A natureza do evangelismo é comunicação das Boas Novas. O propósito do evangelismo é oferecer às pessoas uma oportunidade válida de aceitar Jesus Cristo. O alvo do evangelismo é persuadir homens e mulheres a aceitarem Jesus Cristo como Senhor e Salvador, servindo-O dentro da comunhão de Sua igreja”.

Fonte: Estratégias para o crescimento da igreja: princípios bíblicos e métodos práticos para uma evangelização eficaz, Peter Wagner, Editora Sepal.

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Métodos para Evangelização

Métodos de Evangelismo

Atualmente existem muitos métodos usados para a proclamação do evangelho, alguns mais eficientes que outros. De um modo geral, todos têm o seu devido valor. As pessoas possuem qualidades, personalidades e habilidades diferentes, e o desejo de Deus é que cada um use daquilo que Ele deu para levar as Boas Novas. Na Bíblia encontraremos vários exemplos de personagens que foram usados por Deus para que muitos viessem a crer no Senhor Jesus, cada um usando o seu próprio estilo. Destacaremos apenas alguns dos métodos que podem ser usados tanto pelo cristão como membro, quanto pela igreja como corpo.

Lembre-se que a mensagem sempre será a mesma em qualquer época ou para qualquer pessoa, porém os métodos podem e devem variar.

A. Método de confrontação:

A evangelização confrontadora é a forma pela qual os cristãos encontram uma pessoa ou mais, que geralmente não conhecem e aproveitam a oportunidade para apresentar-lhe o evangelho. Às vezes, o uso desta técnica ocorre com pessoas conhecidas pelo evangelizador, tais como colegas de trabalho ou vizinhos, com quem o cristão não tem um relacionamento particularmente forte ou longo. Uma característica bem forte deste método é que o cristão habitualmente determina quem está inclinado a ouvir o evangelho, quando e onde as condições são apropriadas, sendo a mensagem tipicamente dogmática para levar o ouvinte a tomar uma decisão no ato, ou arriscar-se à condenação eterna, ou seja, há proclamação das Boas Novas e uma chamada à decisão. A evangelização confrontadora acontece nos mais variados ambientes: no lar do não-cristão, por exemplo: evangelização de porta-em-porta ou encontro combinado por telefone; em lugares de atividade de lazer ou de descanso, como em praias, em concertos; em lugares públicos, ônibus, aviões, estacionamentos e eventos esportivos; em qualquer lugar onde duas pessoas ou mais possam manter uma conversa.

a. Exemplo: Em Atos 2.11-12, na ocasião da descida do Espírito, diante do que estava acontecendo, alguns ficaram atônitos e perplexos, mas outros zombavam e diziam que os discípulos estavam bêbados. Diante desta situação, Pedro começa o seu discurso (At 2.14-41) e neste deixa bem claro as Boas Novas de salvação para aquele povo, e no verso 41 diz que naquele dia houve cerca de três mil pessoas se rendendo aos pés de Cristo. Coragem, intrepidez, disposição e paixão pelos perdidos, isto é que Pedro possuía. Deus usou a Pedro com suas características pessoais, com sua personalidade própria e com suas imperfeições. Deus queria uma pessoa sem medo para assumir uma posição ali em Jerusalém – local em que Cristo fora crucificado. Em nosso meio há pessoas que precisam ser confrontadas com as verdades do evangelho seja pessoalmente, através de um diálogo ou impessoalmente, através de uma grande cruzada evangelística.

B. Método socrático [1]:

Este é o método pelo do qual argumenta com o não-cristão acerca da realidade, reflete-se sobre os argumentos que tem ouvido e tira conclusões para uma conversa, uma troca de idéias. É um método que leva a pessoa a pensar a raciocinar e até mesmo a questionar, a fim de que suas dúvidas quanto ao evangelho sejam tiradas. Este tipo de abordagem não requer uma aceitação calada de verdades impostas. Segundo George Barna este método “diferencia conhecimento de opinião, fato de emoção” [2]. Normalmente as pessoas não têm muita confiança naqueles que alegam conhecer a verdade e, além do mais, afirmam saber como obtê-la, visto que fazemos parte de uma geração onde tudo é relativo, onde não “há mais” verdades absolutas. Através da evangelização socrática, é menor o risco do não-cristão tomar uma decisão simplesmente por emoção, por pressão de um amigo ou parente, ou por estar passando por um período de dificuldades. A sua decisão virá após uma compreensão do significado do evangelho que está aceitando. Paulo usou muito este método, mesmo que ele usasse a confrontação, o seu método envolvia também uma apresentação lógica e racional da mensagem do evangelho, ele era expert em apresentar verdades centrais a respeito de Deus, o pecado, o homem e a solução para o problema do homem, haja visto a carta aos Romanos.

a. Exemplo 1 : Certa ocasião, Paulo estava em Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus, e foi procurá-los a fim discutir sobre as Escrituras (At 17.1-4). É interessante que a Bíblia diz que este já era um costume de Paulo (v.2), e este “discutir” envolvia expor ou defender algum assunto alegando razões, envolvia muito o raciocínio, o intelecto. Paulo explicava-lhes porque foi necessário que Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos.

b. Exemplo 2: Um pouco mais adiante, Paulo encontra-se em Atenas enfurecido por causa da idolatria do povo, e não se cala e começa a anunciar as Boas Novas, e por isso foi levado ao Areópago, que era um Tribunal Ateniense onde eram realizadas assembleias de magistrados, sábios e literatos, e lá pôde falar mais ainda a respeito do seu Deus. Paulo usou de muita sabedoria para falar àqueles homens, pois ele partiu do conhecido; que eram as várias estátuas de deuses, para o desconhecido, que era uma estátua que havia entre as demais a qual Paulo chamou de “o Deus desconhecido”. Paulo falou com eles usando cultura e conhecimento do evangelho, e alguns creram e se agregaram a ele (At 17.16-34).

c. Exigência: Há pessoas que são resistentes ao evangelho, não aceitam qualquer ideia que seja nova para elas. São pessoas que não aceitam respostas fáceis, quadradinhas, muitos querem ver a razão em tudo. Diante destas pessoas não há método melhor a ser usado que o socrático, pois este envolve o uso de uma argumentação racional, e para isto é necessário estar preparado “para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15).

C. Método testemunhal:

Este é o método em que a pessoa evangeliza falando da obra realizada por Deus em sua vida, é um testemunho do poder transformador do evangelho. Este método, como qualquer outro, exige muito mais do que falar, porque as pessoas vão querer ver o que de fato aconteceu, investigarão para ver se é verdade ou não.

a. Exemplo 1: As Escrituras falam a respeito de um cego de nascença que fora curado pelo Senhor Jesus (Jo 9), e este teve a oportunidade de testemunhar a respeito deste milagre, tanto para seus vizinhos (vv. 8-9) quanto para os fariseus (vv. 31-33), mesmo sem conhecer o autor do mesmo. Após conhecê-lo, o que era cego creu no Senhor Jesus e O adorou (v. 38). Mesmo a liderança não acreditando, questionando o seu testemunho, ele não cessou de falar a verdade ao ponto de ser expulso da sinagoga. Nem sempre as pessoas reagirão positivamente ante ao testemunho pessoal, muitos rejeitam o evangelho independente do método usado para anunciá-lo.

b. Exemplo 2: Outro exemplo do uso deste método é o testemunho da mulher samaritana (Jo 4.1-18) que, após compreender quem era Jesus saiu contanto a todos quem havia conhecido (Jo 4.39-42); por intermédio do seu testemunho, muitos vieram a crer no Senhor. Mesmo sendo uma mulher de má reputação ela não receou em ir até a cidade para falar a respeito de quem ela conhecera. É bem possível que tenha acontecido alguém tê-la rejeitado, mas muitos foram os que a ouviram.

c. Lembrete: A maioria das pessoas tem em mente o método testemunhal para ser usado somente por aqueles que possuem um testemunho dramático ou sensacionalista. Na realidade basta haver evidências de transformação de vida, para que um testemunho seja eficiente, e se algum cristão não consegue ver o que Deus fez e faz em sua vida, algum problema há.

D. Método assistencial:

É aquele que leva as Boas Novas através de alguma obra de ação social, seja abrigando crianças de rua, distribuindo alimentos e roupas aos carentes. Este método busca infiltrar o evangelho na comunidade suprindo suas necessidades, tanto físicas quanto materiais e espirituais.

a. Exemplo: Vemos em Dorcas o exemplo de alguém que praticava este método de evangelização, um personagem pouco conhecido, mas que fez muita diferença na vida de algumas pessoas. Em Atos 9.36-42, diz que Dorcas era uma mulher notável pelas boas obras que praticava, pelos seus atos amorosos; tinha um ministério de assistência às viúvas, confeccionava roupas e lhes dava. Nesta passagem fica nítido o amor que os beneficiados sentiam por Dorcas, que havia falecido e fora ressuscitada pelo apóstolo Pedro, fato este, que tornou-se conhecido por toda Jope.

b. Perfil: Geralmente as pessoas que gostam de servir aos demais são as que se identificam com este método. Elas tem a sensibilidade de perceber a necessidade dos outros e procuram empenhar-se ao máximo para ajudá-los sentem-se realizadas e felizes em exercer este ministério, mesmo que não haja o reconhecimento de muitos.

c. Lembrete: Este é um método que leva tempo até que a pessoa compreenda o evangelho, visto que muitos só estão interessados em suprir suas necessidades físicas e materiais. As pessoas que se empenham neste método de evangelismo são as que tocam naquelas pessoas que ninguém jamais tocaria, são geralmente aquelas consideradas “escória da sociedade”. Certa vez ouvi uma ilustração que contava a história de um menino de rua que estava faminto em frente a uma padaria, observando pela janela de vidro os pãezinhos que iam saindo. Eis que chegou um senhor e vendo o menino perguntou-lhe se estava com fome, ao que este respondeu positivamente. Então, aquele senhor entrou na padaria e comprou vários daqueles pãezinhos e os entregou nas mãos do menino que olhou para ele e perguntou-lhe: — Moço, o senhor é Deus? Há pessoas famintas não só de pão, mas de Deus, e nós somos instrumentos seus para suprir tais necessidades. As pessoas não estão tão interessadas no que pensamos ou falamos até estarem sensibilizadas pelo que somos e como nos interessamos por nelas, elas querem ver Jesus Cristo em nós.

E. Método Comportamental:

Como o próprio nome diz, este método de evangelização baseia-se no relacionamento entre cristãos e não-cristãos. É desenvolvido através da amizade sincera e desinteressada do cristão. Conseqüentemente essa amizade desperta uma curiosidade no não-cristão quanto ao modo de viver, padrões, conduta, razões e motivações essenciais do estilo vida do cristão. Desta forma, não se corre o risco de fazer do não-cristão apenas o projeto evangelístico, é uma oportunidade para investir em um relacionamento autêntico de amor e amizade, o que os não-cristãos estão sempre a procura. Esse método tem crescido de modo significativo, e o que é melhor, tem crescido também a confiança mútua. Joseph Aldrich, divide o evangelismo comportamental em três fases [3].

a. Presença: A primeira fase é a presença, na qual o cristão se aproxima do não-cristão e antes que ele ouça a respeito do evangelho ele deve perceber através do modo de vida e do amor demonstrado pelo cristão, o evangelho no qual ele supostamente se baseia.

b. Proclamação: A segunda fase é a proclamação, e nesta sim, o cristão falará do evangelho para o seu amigo. Viver o evangelho não é suficiente para que o não-cristão o compreenda, há também a necessidade de falar sobre a essência do evangelho, falar sobre os fundamentos ou em que está baseado este diferente estilo de vida. É fundamental, portanto, que se fale para o não-cristão as boas notícias de salvação.

c. Persuasão: A terceira fase, Aldrich a chama de persuasão. É a fase em que a pessoa é chamada a tomar uma decisão por Cristo.

d. Vantagem: Algumas vantagens deste método é que é um método que não depende de muito conhecimento bíblico, visto que o não-cristão valoriza mais a pessoa do cristão do que o conhecimento dele. O fato de apresentar o evangelho a uma pessoa com a qual já exista um laço de amizade, facilita a proclamação da mensagem do evangelho. O conteúdo do evangelho ganha impacto adicional quando é comunicado com base no que se vive, e se a presença do espírito for de fato sentida e positiva, o não-cristão perguntará a respeito da razão da sua fé .

e. Cuidado: O cuidado que se deve tomar com este método de evangelismo é o de não acomodar-se a simplesmente viver o evangelho e se calar não buscando oportunidades para compartilhar o evangelho. O “deixar que Deus fale aos corações dos pecadores” pode-se tornar desculpa para o cristão fugir de sua responsabilidade de proclamar as Boas Novas.

F. Sobre os Métodos:

Deus escolhe pessoas diferentes para realizar Seus propósitos; deleita-se em usar pessoas comuns e simples de maneiras surpreendentes e emocionantes [4]. O evangelho deve permanecer puro e inflexível, não importando que mecanismos são usados para apresentá-lo aos não-cristãos, porém, o mecanismo que escolhermos poderá influenciar na disposição, na capacidade de ouvir, ou até mesmo na compreensão da mensagem que está sendo pregada.

a. Exemplo de Cristo: O próprio Cristo usou vários métodos para falar das Boas Novas do Reino, evangelizou através do Seu testemunho de vida, supriu as necessidades das pessoas, pregou para grandes multidões e falou individualmente com as pessoas, contudo, Ele diferenciou os método que usou para alcançar judeus, samaritanos e romanos, ricos e pobres. É preciso avaliarmos o provável sucesso de cada um desses métodos baseados no que sabemos a respeito de formas de pensamento, estilos de vida, visões e experiências religiosas, bem como das necessidades e interesses pessoais desta geração.

b. Exemplo de Paulo: O incentivo do apóstolo Paulo aos cristãos é que usem de todos os meios que estiverem ao alcance para efetivamente e sem comprometimento da integridade da mensagem, apresentem o evangelho aos não-cristãos (Rm 11.13-14; 1 Co 9.19-23).

G. Outras Sugestões:

Além de métodos (tipos) de evangelização, é importante lembrar que existem diversas outras formas de se levar o evangelho.

a. Folhetos e Literaturas: Nunca subestime o poder de um folheto, pois você nunca sabe onde ele vai parar. São diversas as histórias de pessoas que se converteram por intermédio de um folheto evangelístico. O importante é sempre ter por perto um folheto que pode ser usado nas mais diversas situações. Mantenha no carro, em casa, na gaveta da mesa do escritório, pois temos certeza que será útil em alguma oportunidade.

b. Oração: O cristão sempre deve manter-se em oração pela Evangelização. É nossa responsabilidade orar:
i. Por quem está realizando esse ministério (Ef.6.19; Cl.4.3; 2Ts.3.1)
ii. Para que Deus desperte outros para fazer esse trabalho (Mt.9.38)
iii. Para Deus abrir o coração dos pecadores (At.16.14; Rm.10.1)
iv. Por todos aqueles que desejamos evangelizar (1Tm.2.1-7)

Notas

[1] Sócrates desenvolveu um método de instrução que tem a propriedade de envolver um estudante em um debate lógico que leva a uma conclusão sólida. A chave para o método socrático é que o professor tenha domínio sobre a questão que está sendo considerada, de modo que ele possa fazer perguntas investigativas, diretivas que não manipulem o estudante, antes ajudem a esclarecer a verdade conclusiva que o estudante procura. (George Barna. Evangelização Eficaz, p. 162).

[2] BARNA, George. Evangelização Eficaz. Campinas, SP: United Press, 1998. p.164.

[3] As fases do evangelismo como estilo de vida e suas vantagens encontram-se no livro de Joseph Aldrich. “Amizade a chave para a evangelização”, p. 73-78.

[4] HYBELS, Bill, MITTELBERG, Mark, BISPO, Armando. Cristão Contagiante, São Paulo: Vida, 1999. p. 141.

Fonte: https://marceloberti.wordpress.com/2009/02/16/metodos-para-evangelizacao/

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Igrejas que evangelizam de modo não convencional

“Para com os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos. Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns” (1 Co 9.22).

Entre as muitas igrejas que prevalecem no Brasil — que realmente fazem diferença em sua comunidade —, a Igreja Batista Central de Fortaleza é uma delas. Em uma mensagem dominical intitulada “Os cinco emes da missão”, Armando Bispo, pastor que a lidera, afirmou que “o evangelismo faz parte de nossa natureza como indivíduos, não pertence exclusivamente a uma casta de pessoas com um chamado exclusivo”.
Nossa lentidão missionária é fruto em grande parte do fato de muitos cristãos se esquecerem de que todos estamos em missão neste mundo, e que não existem na Bíblia pessoas responsáveis exclusivamente por anunciar o evangelho. Lídia, vendedora de púrpura foi missionária, assim como a mulher samaritana, o coletor de impostos, o soldado, os pescadores, o carpinteiro, o fazedor de tendas: todos somos chamados para fazer missões, porque cada discípulo tem um ministério na igreja e uma missão no mundo.
Não posso deixar de citar aqui o fato de que todos nós temos dons diferentes, e isso é o que determina nosso local de atuação. Missões é uma questão de obediência ao chamado e um dos cinco propósitos de Cristo para sua Igreja e cada um de nós. É importante destacar que, por toda a eternidade, adoraremos a Deus, teremos comunhão com ele e com nossos irmãos, serviremos a ele e aos santos em Cristo, cresceremos na fé e aprenderemos sobre ele, mas somente nesta terra faremos missões e evangelizaremos. Naturalmente, precisamos nos dedicar a esse propósito.
Somente alcançaremos todo o mundo para Cristo quando entendermos que missões não é um programa para pessoas especialmente destacadas para isso na igreja ou para aqueles que receberam um chamado para ir a outro país e falar outro idioma: deve ser estilo devida de todo cristão. Portanto, vamos usar todos os meios, convencionais ou não, para evangelizar o mundo para Cristo.
Nas igrejas que prevalecem, acredita-se que o sistema de distribuição de folhetos e cultos ao ar livre são estratégias de evangelismo que vêm dando certo há mais de duzentos anos em muitos lugares do mundo. Contudo, acreditamos que não existem só essas duas formas de evangelismo. Podemos chegar até o homem sem Jesus, em especial aos mais reticentes, com abordagens mais contextualizadas e pessoais. E só aproveitarmos as oportunidades que vão surgindo em nossa cidade. Hoje, estamos com um crescente e forte ministério com mulheres chamadas profissionais do sexo, um grupo ainda não alcançado de nossa realidade local. Qual é o seu grupo?
A igreja não pode ser movida por eventos. Deve, sim, ser orientada por propósitos bíblicos. Os eventos não mudam a vida de ninguém. Eles são estratégias criadas para atingirmos os propósitos de Deus. Por isso, o evangelismo precisa ser estilo de vida de todo cristão, e não um programa de calendário.
Embora os eventos criem condições para que as pessoas se aproximem da igreja, devemos manter neles um ambiente seguro — em que nossos amigos não são constrangidos com o “jeitão” evangélico — e neutro, ou seja, em que o evangelho é apresentado de modo relevante, sem ser hostil.
É muito importante que em qualquer evento e em qualquer lugar o grupo mantenha sua identidade, ou seja, que em algum momento e de uma forma amiga e educada todos saibam que os protagonistas daquela ação pertencem a Jesus. Nossa fé precisa ser verbalizada para que todos a conheçam.
Os eventos também são excelentes oportunidades para que pessoas sem igreja conheçam um cristão e possam ter algum relacionamento com ele, e vice-versa. Nossos amigos precisam perceber em nós um sincero desejo de ter com eles um relaciona-mento íntegro, confiável e eterno.
Devemos ganhar o direito de ser ouvidos por meio de nosso testemunho, da transformação que Jesus fez em nossa vida e da mensagem de que Jesus está pronto para fazer o mesmo na vida deles.
As igrejas relevantes em todo o mundo têm usado eventos-pontes para atrair pessoas até Jesus. Essa característica tem marcado muito nossa abordagem evangelística. A isso chamamos pescaria com múltiplos anzóis. As pessoas são diferentes, e por isso devemos ser criativos e usar todos os tipos possíveis de estratégias evangelísticas para ganhá-las para Jesus. Devemos sair e evangelizar de forma não convencional, levando a criatividade e a arte para fora da igreja; sair das “quatros” paredes do templo e chegar aos lugares em que o povo está.
Lembro-me de que no final de 2001 um dos coros de nossa igreja recebeu um convite para cantar num evento em que apresentariam os alunos da maior e melhor escola de danças de nossa cidade. Seriam quatro apresentações no teatro municipal, onde pessoas da classe artística (um grupo que dificilmente seria alcançado de forma tradicional em nossa cidade) compareceriam em massa. Nas quatro noites, estimava-se uma audiência de cerca de 2 mil pessoas. Diante daquele desafio pioneiro, oramos, refletimos, ponderamos e finalmente aceitamos o convite tendo em mente a visão de nossa igreja, que é ganhar a nossa cidade para Cristo. Como diz Paulo em Colossenses 4.5, é preciso aproveitar cada oportunidade. Aqueles dias marcaram a vida de muitas pessoas e abriram novas portas para a igreja. Por termos cantado durante uma apresentação secular de dança, não significa que deixamos de ser evangélicos ou cristãos batistas. Alguns cristãos de outros segmentos evangélicos não aprovaram nossa atuação, mas nós já decidimos a quem desejamos agradar.
Outro momento que marcou nossa caminhada com eventos-pontes foi a realização de uma festa típica junina, que denominamos “Festa na roça”. Por mais de oito anos consecutivos, temos realizado esse evento, durante o qual há comidas típicas, brincadeiras, trajes típicos, música típica e o pregador a caráter. A festa acontece o dia todo nas dependências da igreja, por onde passam milhares de pessoas. Só convidamos pessoas sem Jesus. Distribuímos convites nas ruas, nas escolas, nas empresas, focando sempre o não cristão. Como essa festa é um acontecimento típico de nossa cidade, não existem barreiras para distribuirmos convites. Mais uma vez, a resistência veio do próprio meio evangélico.
Nos últimos três anos, causamos impacto nos dias do carnaval em nossa cidade e também em uma cidade vizinha. No terceiro ano, fomos considerados o melhor bloco carnavalesco da prefeitura. O fato importante, no entanto, foram as vidas decididas ao lado de Jesus, as orações e os aconselhamentos ministrados. De forma alegre, mas sem se envolver com o pecado do carnaval, temos cantado, falado e abençoado a vida de centenas de pessoas por meio dessa estratégia, que também não agrada a alguns religiosos. Entendemos, entretanto, que Deus nos deu essa missão de alcançar os sem Jesus em nossa cidade, sejam eles garotos de programa, prostitutas, moradores de rua, carnavalescos ou homens de negócios. Vamos aonde o povo está porque cada coração não cristão é um campo missionário.
Como igreja, também promovemos chás para senhoras, sere¬natas de Natal diante das casas de amigos não cristãos, musicais em shoppings e hipermercados da cidade, ações comunitárias — como a Feira do carinho , distribuição das cestas de Natal com cultos inspirativos eu.
Nossa proposta é aproximar o povo de nós e nos aproximarmos dele para evangelizar do modo não tradicional. Com muita criatividade e valendo-nos das inúmeras realidades e contextos do nosso Brasil continental, poderemos evangelizar de muitas formas diferentes.
Aproveitamos os muitos meios para chegar ao coração das pessoas, sempre procurando realizar o melhor. Buscamos constantemente a excelência em tudo o que fazemos. Estou convicto de que igrejas que prevalecem sabem que não podem ver milhões de pessoas sem Jesus e só oferecer um tipo de abordagem para todas elas. As pessoas são diferentes, por isso precisamos oferecer opções. Igrejas tradicionais basicamente só oferecem dois tipos de opções: pegar ou largar. Creio podermos fazer mais do que isso por aqueles a quem Jesus deu a própria vida na cruz.

PENSE E RESPONDA
Em sua igreja, missões é um programa ou um desafio pessoal de vida?
Que tipo de evangelismo contextualizado à sua realidade sua igreja está realizando hoje?
Missões é uma realidade em seu ministério?
Sua igreja fala a linguagem das pessoas que ela deseja alcançar?

Fonte: Igrejas que Prevalecem, Carlito Paes, Editora Vida.

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Igrejas que tiram grande proveito da mídia

“Escreva claramente a visão em tábuas, para que se leia facilmente” (Habacuque 2.2).

Igrejas que prevalecem não têm medo da mídia. Muito pelo contrário, tiram proveito dela, até porque usá-la é bíblico. Veja o texto de Habacuque acima. Creio que, se Jesus estivesse presencialmente entre nós, ele utilizaria a comunicação em massa, pois em sua época usou o que havia de mais tecnológico para falar a uma multidão: ele subiu em uma montanha e começou a pregar a mensagem de Deus.
Rádio, jornal, revista, TV, internet, cartaz, fôlder podem ser utilizados como estratégias para comunicar o evangelho, que nunca muda, a um mundo em constante mudança.
O evangelho tem chegado de forma impressionante a lugares em que um pregador não chegaria pelas vias convencionais. Igrejas e agências devem se valer dos meios de comunicação em todo o seu potencial, pois sabemos do seu poder e de sua penetração para influenciar a vida das pessoas, suas crenças e seus comportamentos.
Enquanto alguns evangélicos usam a mídia de modo ineficaz e arcaico, gastando muito dinheiro e passando ao mundo uma imagem não verdadeira de amadorismo, outros fazem um trabalho extraordinário em editoras e emissoras brasileiras de rádio e televisão.
Não raro, pastores e líderes criticam igrejas que utilizam a mídia como uma das maneiras pelas quais alcançar pessoas, talvez eles ainda não tenham percebido quão eficiente é esse meio.
Em 2004, estive em Maputo, Moçambique, ministrando cursos sobre Igrejas com propósitos. Os missionários brasileiros que lá atuam disseram que a presença de evangélicos naquela cidade mudou de forma fantástica depois que uma denominação evangélica do Brasil comprou emissoras de rádio e TV naquele país. Antes disso, a pregação do evangelho com o uso de recursos da mídia nunca havia ocorrido em Moçambique, país dominado pelo catolicismo, depois pelo ateísmo e agora grandemente influenciado pelo espiritismo e o islamismo.
Igrejas que prevalecem em todo o mundo utilizam vários tipos de anzol para pescar o seu peixe (somos pescadores de homens, não é?), e sem dúvida jamais deixam de tirar grande proveito da mídia. Se você tiver oportunidade de levar o evangelho a algum lugar pela mídia, faça-o. Use todos os meios para alcançar alguns.
Em nossa comunidade, estamos começando a investir nesse meio. Ainda estamos “engatinhando” na mídia falada, mas já utilizamos muito a categoria impressa. Exemplo disso foram os convites de Natal. Chegamos a imprimir mais de 150 mil exemplares para distribuir em nossa comunidade.
Outro recurso do qual muito nos utilizamos é a internet. Ela nos ajuda a alcançar nossa missão de forma rápida e muito barata. Estamos convictos de que precisamos investir mais na rede mundial de computadores dado o custo-benefício e a agilidade com que as informações se propagam. Portais relevantes são cada vez mais acessados.
Nosso desejo é expandir brevemente fazendo uso de muitos outros recursos para fazer Jesus conhecido e ganharmos nossa
cidade para Cristo. Hoje, temos programa de TV, rádio, um jornal semanal, uma house interna de comunicação e estamos fazendo um grande investimento para lançar um portal na internet.
Tenho certeza de que, se o apóstolo Paulo vivesse em nossos dias, ele não só tiraria grande proveito da mídia em todas as suas modalidades, como teria feito mais viagens missionárias, teria escrito mais e seu ministério teria um alcance ainda maior. Um dos fatos que levou Paulo a tornar-se um grande líder cristão foi ter usado muitos dos meios disponíveis na época para pregar o evangelho aos de sua geração.
Sabemos que existe um grande potencial inexplorado nessa área em nossa igreja. Não chegamos lá ainda, mas estamos a caminho. Vamos chegar porque temos a visão e o bom senso na urgente necessidade.
Invista em comunicação para levar Jesus, o Verbo da vida, ao mundo todo. Use a rede para esse fim — o conhecido www (world wide web).

PENSE E RESPONDA
Você está usufruindo os benefícios da mídia para proclamar o evangelho?
O que sua igreja tem feito? Qual tem sido o investimento?
O que poderá ser feito a médio prazo?
Mídia: Gasto ou investimento?

Fonte: Igrejas que Prevalecem, Carlito Paes, Editora Vida.

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Seis qualificações para que homens ou mulheres sejam úteis a Deus na obra evangelística ou missionária

Se é verdade que nosso soberano Deus escolhe seres humanos como Seus instrumentos para o aumento de Seu Reino na terra, que indivíduo irá Ele escolher? Nem todo mundo está qualificado. Na minha opinião, há pelo menos seis qualificações para que homens ou mulheres sejam úteis a Deus na obra evangelística ou missionária:

1. Pessoas que conheçam a Deus
A fim de compartilhar as boas novas da Salvação, os servos escolhidos de Deus têm de ser, eles mesmos salvos. Eles precisam da experiência de nascer de novo, pois sem o novo nascimento ninguém podo ver o Reino de Deus (Jo 3.3). A mensagem que os servos de Deus irão levar aos perdidos é a mensagem de reconciliação com Deus através de Jesus Cristo. Esta mensagem não tem autoridade alguma se levada por aqueles que, por não haverem entrado na família de Deus, não são comprometidos com Jesus Cristo.

2. Pessoas cheias do Espírito Santo
Jesus reuniu Seus discípulos e ministrou a eles por três anos. Eles O conheciam bem. Parte do que Jesus ensinou foi a Grande Comissão (Mt 28.18-20): suas ordens de marchar levando o evangelho aos perdidos. Mas conhecer Jesus e Sua vontade para com a evangelização mundial não era o bastante. Jesus disse que, antes que pudessem sair e representá-Lo pelo mundo afora, eles tinham que permanecer “na cidade, até que do alto [fossem] revestidos do poder” (At 24.49). Eles obedeceram e o poder veio no dia do Pentecoste, conforme lemos em Atos 2.
Diferentes tradições têm desenvolvido diferentes terminologias para descrever esta experiência. Alguns chamam-na “o batismo no Espírito Santo”. Outros, “a unção do Espírito”. Ainda outros usam o termo “revestimento de poder”. Eu, pessoalmente, prefiro chamá-la de “a plenitude do Espírito Santo.”
Estar cheio do Espírito Santo é uma experiência que se renova a cada dia. Só porque eu estava cheio do Espírito Santo no ano passado não significa necessariamente que eu ainda esteja cheio este ano. Só porque eu estava cheio ontem não significa necessariamente que esteja cheio hoje. Manter-se continuamente cheio do Espírito Santo é indispensável a quem deseja ser útil à obra de Deus.

3. Pessoas de Oração
Oração é comunhão com Deus. Através da oração somos capazes de conhecer os detalhes da vontade de Deus. A Bíblia nos informa dos propósitos gerais de Deus e Seus requerimentos para a vida cristã, mas nenhum de nossos nomes está escrito nela. À medida em que entramos em contato com Deus através da oração, iremos descobrir o papel específico que cada um de nós tem no Reino.
A oração desenvolve a intimidade com Deus, e isto leva tempo. Muitos que reservam tempo prioritário para orar encontram a voz de Deus falando diretamente com eles. Embora tal contato direto com o Pai precise sempre ser testado de acordo com a Palavra escrita de Deus e confirmado por outros membros do Corpo de Cristo, ele nos ajuda grandemente a sermos o tipo de servos que Deus realmente quer que sejamos.
Nos últimos anos tem crescido minha apreciação a respeito do dom de intercessão que Deus dá a certos cristãos. Sim, todo crente precisa ter uma profunda vida de oração. Este é nosso papel. Mas aqueles que têm o dom de intercessão oram mais longamente, com maior intensidade, e recebem respostas mais visíveis do que a média dos cristãos. Os dons espirituais são dados para o benefício do corpo de Cristo como um todo, e um deles, o dom de intercessão, é uma dinâmica importante no ministério dos membros do Corpo, quer seja aquele Corpo uma igreja estabelecida ou uma célula ou grupo pequeno de cristãos.
Deus colocou várias pessoas com o dom de intercessão na classe de escola dominical para adultos em que eu ensino. O resultado é uma mudança notável na qualidade do meu ministério de ensino, comparado com o que era alguns anos atrás quando não tinha tais intercessores. Como minha própria vida de oração pode ser considerada um tanto medíocre, eu atribuo muito do poder de meu ministério, às orações dos outros com este dom.

4. Pessoas comprometidas com o Corpo de Cristo
Neste livro eu vou dar ênfase ao fato que a vida cristã ideal é orientada por três prioridades: (a) compromisso com Cristo, (b) compromisso com o Corpo de Cristo e (c) compromisso com a obra do Cristo no mundo. Os primeiros três itens desta lista de qualificações para p serviço de Deus se relacionam com a prioridade (a). Este item se relaciona com a prioridade (b).
Eu tenho um alto conceito da igreja. Creio que a igreja é diferente de todas as outras instituições humanas porque não é só uma organização. Antes, a igreja é também um organismo, com Jesus Cristo sendo o Cabeça e cada membro funcionando com um ou mais dons espirituais. Aqueles que desejam servir a Deus efetivamente na propagação do Reino precisam estar firmemente enraizados na igreja local. Por quê? Porque Deus realiza Seus propósitos no mundo não através de cavaleiros solitários, mas através de comunidades comprometidas com Seu povo.
O Corpo de Cristo significa intimidade espiritual, um sistema de responsabilidade e numerosos dons espirituais que se complementam (como acontece com nosso corpo físico). Embora meu nariz e meus rins não estejam diretamente ligados, eles são membros do mesmo corpo e meu nariz não poderia fazer sua função se não fossem os rins. Romanos 12 nos lembra que o corpo humano é um modelo para entendermos como o Corpo de Cristo opera.

5. Pessoas Obedientes ao Senhor
Um dos testes do verdadeiro discipulado é obediência. “Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardarmos os seus mandamentos” (1 Jo 2.3). O ideal de Deus é que nós ofereçamos nossos corpos em “sacrifício vivo” (Rm 12.1). Se queremos que Jesus nos use, temos que tomar nossa cruz e segui-Lo (Mt 16.24). Isto significa compromisso total.
É preciso obedecer a todos os mandamentos de Jesus. Mas neste livro, iremos nos concentrar nos mandamentos diretamente relacionados com evangelismo e missões. O principal dentre eles é a Grande Comissão. Entrarei em detalhes sobre o correto entendimento da Grande Comissão mais tarde. Aqui estou enfatizando que a vontade de obedecer é pré-requisito para alguém ser usado como servo de Deus para propagar o evangelho.

6. Pessoas que sejam Dinâmicas e Criativas
Se as qualificações acima são cumpridas, o céu é o limite para o uso das energias e faculdades humanas. Deus tem prazer em guiar Seu povo. O Sl 32.8 exprime bem isto: “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho.” Muitos sabem este verso de cor e o recitam com freqüência.
Poucos, no entanto, vão ao próximo verso, que explica como Deus quer fazer isto. “Não sejais como cavalos ou mulas, sem entendimento” (Sl 32.9). Deus quer nos guiar como a seres humanos, não como a animais.
Qual é a diferença? Basicamente, os humanos são feitos à imagem de Deus (veja Gn 1.26) e os animais não o são. Os humanos são seres racionais, os animais não. Parte da direção divina então, consiste no Seu uso da razão humana, a fim de completá-la.
Não há nada de errado ou inferior com a mente humana. Jesus nos disse para amar o Pai com todo nosso coração, alma, e mente (veja Mt 22.37). Neste ponto o propósito divino e a iniciativa humana para a evangelização do mundo se juntam. Contanto que os servos de Deus tenham apropriada relação com Ele, estão livres para planejar estratégias usando os métodos e a tecnologia que irão melhor cumprir a obra de Deus no mundo. O Pai está interessado o bastante no que nós estamos fazendo para intervir, re-dirigir e corrigir, se necessário.

Fonte: Estratégias para o crescimento da igreja: princípios bíblicos e métodos práticos para uma evangelização eficaz, Peter Wagner, Editora Sepal.

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