Necessidades no Processo de Realização da Obra de Deus

Texto: 2 Reis 6.1-7

Introdução
– Eliseu liderava (dirigia) um grupo de profetas (NTLH). O lugar onde habitavam era provavelmente uma escola de profetas (uma espécie de seminário para preparação de líderes). Estavam sendo treinados para levar a Palavra de Deus às pessoas. Quiseram aumentar as instalações da escola e puseram as mãos à obra para tal objetivo. Ou seja, a obra de Deus estava em processo de realização.

Transição
– A obra de Deus ainda não está concluída; a obra de Deus está em processo de realização.
– O texto bíblico nos mostra algumas necessidades no processo de realização da obra de Deus

I.) Que se percebam as oportunidades de expansão e crescimento – v. 1
– Os discípulos dos profetas liderados por Eliseu perceberam que o lugar onde habitavam, e onde provavelmente eram ministrados pelo profeta, estava pequeno demais.
– A percepção de tal necessidade trouxe a visão de ampliação do espaço.
– Uma necessidade específica pode representar uma oportunidade para o estabelecimento de uma visão de crescimento.
– Temos estado atentos às oportunidades que se apresentam a partir de necessidades que identificamos? Tais necessidades têm gerado visão de crescimento ou desânimo?

II.) Que se estabeleçam estratégias claras para que se implemente a visão de crescimento – v. 2 a
– A visão do grupo de profetas era construir uma casa maior.
– A estratégia para se alcançar a visão era que os próprios profetas cortassem e reunissem várias vigas de madeira com as quais se construiria uma nova sede.
– Qual é a nossa visão para a obra de Deus? Que estratégia haveremos de usar para concretizar tal visão? Podemos fazer as mesmas perguntas para várias áreas de nossas vidas.

III.) Que se entenda que o trabalho deve ser feito em conjunto, e não individualmente – v. 2
– “Vamos […] tomemos […] construamos […] habitemos”.
– Ninguém faz nada de valor, nada de relevante, sozinho.
– Destaca-se aqui a importância do trabalho em equipe.
– Na obra de Deus não há espaço para estrelas solitárias!
– Como temos agido nesse quesito, nesse particular?

IV.) Que todos os projetos e ações sejam submetidos à liderança – v. 1, 2
– O grupo de profetas não tomou nenhuma atitude sem antes consultar o profeta Eliseu. Só depois de terem obtido o aval do profeta é que partiram à execução do projeto.
– As autoridades foram instituídas por Deus e lhes devemos submissão – Rm 13.1-5.
– A quebra de autoridade da cadeia de comando não será acompanhada pela benção de Deus.

V.) Que os líderes estejam junto aos seus liderados – v. 3, 4 a
– Os liderados não se contentaram apenas com a autorização do líder. Quiseram que Eliseu os acompanhasse.
– “Eliseu não era ocupado e nem orgulhoso demais para participar do trabalho […] a presença dele encorajava os jovens” (W. Wiersbe).
– É muito importante que os líderes estejam junto, acompanhando, encorajando, apoiando e dando o exemplo para os liderados.

VI.) Que haja trabalho duro – v. 4 b
– “Chegados ao Jordão, cortaram madeira” (ARA); “começaram a trabalhar” (NTLH).
– Cortar madeira é um trabalho pesado, duro e cansativo.
– Não se faz a obra de Deus com corpo mole; é necessário dedicação, compromisso, comprometimento.

VII.) Que se tenha consciência de que o poder para realizar a obra não é nosso, e que, ao executá-la, muitas vezes perdemos o poder – v. 5
– O machado simboliza o poder para realizar o trabalho.
– É impossível cortar árvores só com o cabo. Além do cabo é necessário o machado. Da mesma maneira não se pode fazer a obra de Deus na força humana. É necessário o poder do Espírito Santo de Deus. Ver Atos 1.8.
– Coisa terrível é fazer a obra de Deus sem o poder e a unção do Espírito Santo, ou seja, na própria força, usando apenas um cabo sem machado.
– O poder do Espírito Santo, com o qual realizamos a obra de Deus, não é nosso; é “emprestado”.
– No processo de realização da obra de Deus, muitas vezes, infelizmente, perdemos o poder, assim como o trabalhador perdeu o machado na história em questão.

VIII.) Que nos humilhemos reconhecendo onde temos perdido o poder – v. 6 a
– Eliseu perguntou ao trabalhador em que ponto do rio o machado havia caído.
– Só quem perdeu o poder sabe onde perdeu, sabe exatamente o que ocorreu para que o poder se perdesse.
– Você tem perdido o poder no processo de realização da obra de Deus?
– Onde você perdeu o poder? Por que você perdeu o poder? Falta de oração? De comunhão com Deus? Falta de consagração? Algum pecado oculto? Falta de perdão? Inveja, ciúme de alguém? Falta de dependência de Deus?
– Reconheçamos onde temos perdido o poder e nos humilhemos diante do Senhor!

IX.) Que contemos com milagres (ações sobrenaturais) da parte de Deus – v. 6 b
– Eliseu fez flutuar o ferro! Foi um milagre, foi algo sobrenatural!
– Se faz necessário orarmos para que Deus realize milagres no processo de realização da Sua obra. E Ele pode fazer isso!

X.) Que recuperemos o poder perdido e voltemos ao trabalho eficaz – v. 7
– Depois de reconhecer que perdemos o poder, e depois de identificarmos onde o perdemos, se faz necessário que o recuperemos novamente.
– Que o poder do Espírito Santo seja renovado em nossas vidas!
– Que passos práticos você tem dado para ser novamente cheio do Espírito Santo?

Pr Ronaldo Guedes Beserra – SP, 10.06.2018.

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O Jovem Cristão, o Namoro e a Sexualidade

Texto: Gênesis 24.2-4, 12-20, 50, 51, 60, 63-67.

Introdução
– Dicas livros cristãos sobre o assunto.
– O que a Bíblia tem a ensinar sobre o namoro e a sexualidade para o jovem cristão?

I.) O jovem cristão jamais deve se colocar em jugo desigual – Gn 24.2-4; 2 Co 6.14; Am 3.3
– Explicar o que significa jugo: dois animais puxando carro de arar a terra.
– Ser ‘gente boa’ não basta; quase crente é quase salvo; a salvação é individual, portanto, toda a família pode ser cristã, mas se a pessoa não for fica configurado o jugo desigual.
– Quem garante que o namorado (a) vai se converter depois do casamento?
– Casamento é para a vida toda e não podemos nos arriscar; uma escolha muda todo o seu futuro; depois não tem volta.
– Deus nos dá instruções não pelo prazer de nos ver privados do que gostamos, mas porque Ele nos ama e quer o nosso bem. Deus não quer nos ver sofrer!

> Consequências de se colocar em jugo desigual (mesmo depois de casado):
– Sair do centro da vontade de Deus (não precisa nem orar para pedir a direção da vontade de Deus quando o pretendente é não cristão).
– Casal não terá comunhão na principal área de relacionamento: espiritual
– Cônjuge não crente pode conseguir tirar o companheiro da igreja (começa a fazer críticas à igreja, reclama que cônjuge não fica com ele (a), que só pensa em igreja)
– Os dois ficarão separados nos momentos de culto
– Quando nascerem os filhos, eles serão batizados (católicos) ou serão apresentados (evangélicos)? Esse tipo de situação gera estresse entre as famílias dos cônjuges.
– Criação dos filhos (cônjuge crente tem valores cristãos, o outro não tem; pai tira a autoridade da mãe na correção e vice-versa; pai ou mãe não cristão pode impedir os filhos de irem à igreja, ou ficar questionando na cabeça da criança o que ela aprendeu na igreja, etc).

– Gn 24.2-4 – Abraão faz seu servo jurar de que não tomará para seu filho esposa dentre as mulheres cananéias, mas dentre a sua parentela.

II.) O jovem cristão jamais deve “ficar” e nem praticar o sexo antes do casamento
– Buscar simplesmente o prazer sem qualquer perspectiva de compromisso; comportamento em que os jovens conversam, se beijam, se abraçam e até mantêm relação sexual, sem nenhuma responsabilidade pós-encontro.
– “Não vos defraudeis uns aos outros” (I Co. 7:5). Defraudar é passar dos limites da intimidade com uma outra pessoa que não seja o seu cônjuge.
– “Ficar” é compatível com uma vida de santidade? Obviamente NÃO!
– Possíveis consequências: traumas, frustrações, decepções e até uma gravidez precoce.
– A Bíblia diz que ao se unir a uma mulher, o homem se torna uma só carne com ela (Gn 2.24). Existem pessoas que tem se tornado uma só carne com diversas pessoas diferentes!
– A Bíblia nos ensina que a relação íntima de um casal é algo sagrado (Hb 13.4) que não deve ser desfrutada nem antes e nem fora do casamento. A negligência dessa orientação trará tristes consequências!

– Gn 24.65 pode representar a importância do pudor e de se guardar a pureza para o casamento. É óbvio que hoje, em nossa cultura, as mulheres não precisam usar véu, mas as pessoas também não precisam ser tão vulgares como muitas vezes tem sido!
– Hoje se fala muito em “sexo seguro” (uso de preservativos, etc). Quem inventou o “sexo seguro” foi Deus, só que com outro nome: “casamento”!
– Se há alguém que deseja ter um casamento abençoado, é importante que guarde a pureza na área sexual, para desfrutar desta benção chamada sexo apenas no casamento!

– Gn 24.63-67 – Não foi o fato de Isaque e Rebeca terem ido a um cartório ou terem comparecido perante um sacerdote religioso que lhes selou a união, mas sim o relacionamento físico que tiveram; me parece que a Bíblia faz questão de mostrar isso aqui! (Isso não quer dizer que hoje o casamento civil e religioso não tem valor). A união sexual é o ato sagrado que sela o casamento, portanto, o sexo não pode ser banalizado como tem sido!

III.) O jovem cristão deve estabelecer limites em seu namoro
– Com relação ao namoro entre jovens cristãos, considerando que o corpo é templo do Espírito Santo (1 Co 6.19), entendemos que não podem ir além dos limites da santidade, da obediência e do respeito à visão bíblica do corpo como templo do Espírito Santo.

Dicas práticas para estabelecer limites no namoro cristão:
– Busque uma vida de comunhão com Deus através da leitura bíblica e oração (tempo devocional).
– Busque andar no Espírito – Ler Gl 5.16-25
– Faça uma aliança com seu namorado (a) para sempre buscarem glorificar a Deus nos atos que fizerem no namoro
– Evite ficar sozinho com seu namorado (a); busque ficar próximo de pessoas da família; busquem programações juntos com outros jovens e amigos cristãos; prefira ter um momento a sós em um shopping movimentado do que dentro do quarto de vocês.
– Estabeleça limites para beijos, toques e lugares onde as mãos possam ser colocadas.
– Cuidado com as conversas sobre assuntos “quentes”. Os homens “esquentam” muito rápido.
– Cuide das roupas que usa. Sabemos que as roupas passam mensagens. Deve haver critérios no uso das vestimentas, principalmente por parte das moças, já que a fisiologia masculina é muito baseada na visão.

IV.) O jovem cristão deve observar alguns critérios para iniciar um namoro cristão
– Namorar é ter a oportunidade de conhecer o outro; é verificar o que o casal tem em comum; é o momento de trocar confidências, aprofundar a amizade; é quando as longas conversas e os passeios irão confirmar se haverá a possibilidade de um compromisso futuro.

> Critérios a serem observados:
– Orar pedindo que Deus prepare a pessoa certa. Buscar orientação e confirmação de Deus (Gn 24.12-20). O servo de Abraão buscou orientação de Deus para escolher a mulher certa para o filho de seu senhor. Muitas pessoas começam relacionamentos e até se casam sem buscarem a menor orientação e direção de Deus e sem pedirem confirmação da vontade de Deus!
– O namoro só deve acontecer com intenção de casamento, de construir uma família e ter uma vida abençoada; não se faz experiência com sentimentos. Um jovem cristão (principalmente um rapaz) não deve iniciar um namoro sério sem estar trabalhando, sem ter nenhum tipo de perspectiva profissional.
– Observe a vida espiritual da pessoa pretendida (É constante nos cultos? Busca conhecer mais de Deus e de Sua Palavra? É interessado em ler bons livros cristãos? Se envolve em ministérios na igreja? É submisso aos líderes?)
– Observe a vida familiar (É um bom filho (a)? É submisso e obediente aos pais?) Alguém já disse que um bom filho (a) será um bom cônjuge, mas o contrário muitas vezes também é verdade!
– Observe a vida profissional (É trabalhador? Ou vive trocando de emprego toda hora? O que planeja para o futuro profissional?)
– Ter a aprovação e a benção da família (Gn 24.50, 51, 60). Muitas vezes (talvez não todas as vezes), a falta de aprovação da família pode representar também a falta de aprovação da parte de Deus. Para um casamento começar bem sucedido é muito importante haver a aprovação e benção por parte das famílias, de ambas as partes.

Pr Ronaldo Guedes Beserra – SP, 24.01.2018.

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A Oração do Cristão

Texto: Mt 6.5-15

Introdução
– Qual é a oração que agrada a Deus, que toca o coração de Deus?
– Existe oração verdadeira e oração falsa? Jesus citou a oração dos fariseus e a oração dos pagãos como modelos de oração equivocada.

Transição
– A Oração do Pai Nosso é um modelo da verdadeira oração, da oração genuinamente cristã.
– Essa oração (e o texto no qual está registrada) nos ensina as características da verdadeira oração.

I.) A verdadeira oração não é hipócrita – v. 5,6
– Não busca se aparecer, atrair os holofotes, não está em busca de auto glorificação, de glorificação do próprio ego .
– É feita em segredo, com discrição.

II.) A verdadeira oração não é mecânica – v. 7,8
– Vãs repetições é igual à falta de significado, verbosidade, falar sem pensar.
– Oração que só vem dos lábios e não do pensamento ou do coração.
– Cuidado com a reza e com os jargões religiosos enquanto a mente vagueia.

III.) A verdadeira oração visa a um despertamento pessoal e é uma confissão de nossa total dependência de Deus – v.8b
– A verdadeira oração não busca informar a Deus, nem persuadir a Deus a agir.
– Deus já sabe do que precisamos antes de lhe pedirmos. Por que orar então?
– Porque através da oração nós despertamos espiritualmente, buscamos a Deus, nos desligamos das coisas carnais e nos ligamos às coisas espirituais, aliviamos as nossas ansiedades e declaramos nossa esperança e dependência nEle.
– A oração não muda Deus; a oração muda a nós mesmos!

IV.) A verdadeira oração é aquela na qual o que ora sabe que está se dirigindo a um Pai pessoal, amoroso e poderoso – v. 9
– Ele é um Deus pessoal e não impessoal. Ele é uma pessoa e não uma força.
– Ele é um Pai amoroso; Ele preenche o ideal de paternidade em seu cuidado amoroso por seus filhos.
– Ele é poderoso. A expressão “nos céus” indicam não tanto o lugar de sua habitação como a autoridade e o poder que tem na qualidade de criador e governador de todas as coisas.
– Ele combina amor paternal com poder celestial. O que o seu amor ordena, o seu poder é capaz de realizar.

V.) A verdadeira oração dá prioridade aos interesses de Deus – v. 9 b, 10
– Santificado seja o teu nome: Desejamos que a devida honra lhe seja dada.
– Momento de adoração na oração.
– Venha o teu reino: Que o Reino de Deus cresça à medida que as pessoas se submetam a Jesus através do testemunho da Igreja, e que logo ele seja consumado com a volta de Jesus.
– Momento de interceder pelo avanço da Igreja, da obra missionária.
– Seja feita a tua vontade: Desde que a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável (Rm 12.2), resistir a ela é loucura; discerni-la, desejá-la e fazê-la é sabedoria.
– Momento de abrirmos mão das nossas vontades e desejos (muitas vezes mesquinhos) em detrimento da vontade de Deus.

– Jesus nos ensina a orar para que a vida na terra se aproxime o máximo possível da vida no céu, pois “assim na terra como no céu” parece se referir aos três pedidos acima.
– Essa oração expressa as prioridades do cristão: não o nosso nome, não o nosso império (reino), não a nossa vontade…

VI.) A verdadeira oração expressa nossa humilde dependência da Graça de Deus – v. 11-13
– O pão nosso de cada dia: É uma oração pelo imediato e não pelo distante. Ou seja, devemos viver e depender dEle um dia de cada vez.
– Perdoa as nossas dívidas: O perdão é tão indispensável à vida e à saúde da alma como o alimento para o corpo. Ler os vs. 14,15.
– Nosso Pai nos perdoará se perdoarmos aos outros, mas não nos perdoará se nos recusarmos a perdoar aos outros.
– Uma das principais evidências do verdadeiro arrependimento é um espírito perdoador. Quando nossos olhos são abertos para vermos a enormidade de nossa ofensa cometida contra Deus, as injúrias dos outros contra nós parecem, comparativamente, muitíssimo insignificantes. Se, por outro lado, temos uma visão exagerada das ofensas dos outros, é uma prova de que diminuímos muito a nossa própria (Stott).
– Não nos deixes cair em tentação: A oração é mais no sentido de podermos vencer a tentação do que de a evitarmos.

– Os três pedidos incluem as nossas necessidades humanas: materiais (pão), espirituais (perdão) e morais (livramento do mal).
– Ao fazer a oração expressamos nossa dependência de Deus em cada setor da vida humana.

Conclusão
– Em nossas orações, em nossos momentos de devoção pessoal, sigamos o seguro modelo de oração que Jesus nos ensinou na Oração do Pai Nosso!

SP, 03 e 04/03/2018 – Pr Ronaldo Guedes Beserra, baseando-se na leitura de “A mensagem do Sermão do Monte” de John R. W. Stott.

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Sermão para o Domingo de Ramos

Texto: Lucas 19.29-44

Introdução
– Entrada triunfal de Jesus em Jerusalém se deu no domingo anterior ao domingo da ressurreição de Cristo.
– Popularmente conhecido como “Domingo de Ramos”.
– O texto traz algumas aplicações práticas para as nossas vidas.

I.) Consagre ao Senhor as suas posses, seus bens, seus dons e talentos – v. 29-34
– Era um jumentinho sobre o qual ninguém jamais havia montado.
– Deus é Autossuficiente, Ele não depende de ninguém. No entanto, aprouve a Deus fazer uma parceria desigual com o ser humano. E nesse sentido Ele precisa de nós, da dedicação de nossas posses, bens, dons e talentos.
– Dedique ao Senhor não somente a sua vida e a sua família, mas também a sua casa, o seu carro, o seu dinheiro, o seu tempo, as suas habilidades, etc.
– “O Senhor precisa dele” (v. 31, 34). O Senhor ‘precisa’ de cada item relacionado acima!

II.) Obedeça ao Senhor sem questionar, por mais inusitado que seja o Seu pedido – 32-34
– Os discípulos enviados obedeceram sem questionar, talvez sem entender o pedido incomum e até mesmo estranho do Mestre.
– Estamos dispostos a obedecer nesse nível?

III.) Creia que a Palavra de Deus se cumprirá, ainda que demore muito tempo – Mt 21.4,5
– Ver a profecia de Zacarias (9.9) proferida aproximadamente 400 anos antes.

IV.) Aprenda a humildade com o Mestre da humildade – v. 35,36
– “Ele não se caracterizava por nenhuma das coisas que poderiam ser esperadas de um Messias triunfante e somente o povo comum o louvava. Sua ênfase era na humildade, aplicando assim uma lição que ele ensinava frequentemente” (Anthony Lee Ash).
– Ele se humilhou esvaziando-se a si mesmo e assumindo a natureza humana.
– Quando de seu nascimento, não nasceu em palácios, mas em uma manjedoura. O primeiro anuncio oficial de seu nascimento após o nascimento se deu a humildes pastores de Belém e não a reis, poderosos ou importantes líderes religiosos.
– Se o Todo-Poderoso Filho de Deus foi humilde e nos ensinou a humildade, quem somos nós para nos exaltarmos, para darmos lugar à arrogância, soberba e jactância?

V.) Adore ao Senhor por todas as Suas obras, mas verifique quais são as motivações do seu coração – v. 37,38
– Ler João 12.17,18
– “A adoração do povo foi efêmera e o seu compromisso superficial […] A devoção baseada apenas na curiosidade ou na popularidade desfalece rapidamente” (BEAP).
– Poucos dias mais tarde essa mesma multidão iria rejeitar Jesus e alguns até iriam gritar: Crucifica-o!
– Hoje muitos têm adorado a Deus de maneira passageira e sem compromisso, motivados apenas por curiosidade e popularidade. Com bases tão frágeis não demora muito para rejeitarem a Cristo.

VI.) Cuidado com a insensibilidade espiritual – v. 39,40.
– Ao verem toda aquela alegria e expectativa, os fariseus ficaram incomodados (ver Jo 12.19).
– Queriam que Jesus repreendesse a multidão que com suas palavras identificava Jesus como o Messias.
– “Se os discípulos não pudessem louvar, a criação clamaria. A criação é mais sensível do que aqueles que estavam reclamando”.
– Os fariseus são um modelo de insensibilidade espiritual. Não os imitemos, portanto.

VII.) Esteja atento ao tempo da visitação de Deus – v. 41-44
– Jesus chorou intensamente. “A palavra usada é forte, sugerindo arfar do peito e o soluço de uma alma em agonia” (A. L. Ash).
– Contraste da insensibilidade dos fariseus com a sensibilidade de Jesus!
– A motivo da futura destruição da cidade era “porque não conheceste o tempo da tua visitação” (v. 44).
– O Salvador esteve entre eles, andou no meio deles, curou enfermos, ensinou nas ruas e nas praças e eles não perceberam. Não souberam discernir o tempo da visitação de Deus.
– E quanto a nós? Temos discernido a ação de Deus, o mover de Deus, a visitação de Deus? Ou temos estado insensíveis?
– Que tristeza saber que Deus nos visitou e não atentamos para isso!

Pr Ronaldo Guedes Beserra – SP, 24 de março de 2018.

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Objetivos a Serem Alcançados por um Atleta de Cristo

Texto: 1 Co 9.24-27

Introdução
– Jogos Ístmicos eram disputados de três em três anos em Corinto.
– Paulo muitas vezes usa a linguagem esportiva para ilustrar verdades espirituais.
– Devemos buscar os objetivos a seguir para todas as áreas da nossa vida: espiritualidade, família, ministério, trabalho, profissão, estudos, etc (Cristo deve ser o centro ao redor do qual giram todas as áreas de nossa vida).

I.) Corra com excelência, fazendo o seu melhor – v. 24
– Não corra como mero participante, corra como quem quer vencer!
– “A excelência pode ser obtida se você se importa mais do que os outros julgam ser necessário; se arrisca mais do que os outros julgam ser seguro, sonha mais do que os outros julgam ser prático, e espera mais do que os outros julgam ser possível” (Vince Lombardi).
– “Só fazemos melhor aquilo que repetidamente insistimos em melhorar. A busca da excelência não deve ser um objetivo, e sim um hábito” (Aristóteles).

II.) Exerça controle próprio, disciplina e esforço intensos, e abstenha-se daquilo que não é necessariamente ilícito – v. 25
– Domínio
– Disciplina, esforço (não se tem em mente nenhum esforço frouxo e sem entusiasmo)
– Treino adequado e rigoroso, perseverança
– Abstinência de vinho e uma dieta rigorosa com um regime de hábitos alimentares eram requeridos (o atleta nega a si próprio muitos prazeres lícitos)

III.) Corra e lute tendo um objetivo específico em vista – v. 26
– A maneira mais certa de chegar à parte alguma é não ter um alvo em mira.
– Mire em nada e chegará a lugar nenhum.
– Tenha um alvo bem definido
– Fp 3.14

IV.) Faça tudo o que for preciso para não ser desqualificado – v. 27
– Paulo se recusa a ser dominado pelos desejos do corpo.
– Renuncie àquilo que te atrapalha na atividade em questão.
– Paulo não deixa dúvida quanto ao vigor com que subjuga a carne.
– Não seja desclassificado, desaprovado.

Conclusão
– Agindo dessa forma, um dia poderemos dizer como o apóstolo Paulo disse em 2 Tm 4.7
– Combater o bom combate, não o mal; aquele no qual vale a pena se envolver.
– Para qual causa você tem dedicado a sua vida?
– Muitos têm jogado suas vidas fora, dedicando suas forças e energias no que não perdura para a vida eterna.
– Completar a carreira, a corrida; não desistir, não ficar no meio do caminho, não jogar a toalha.
– Guardar a fé, algo muito importante nesse tempo em que a fé está sendo tão atacada e questionada!

Pr Ronaldo Guedes Beserra – SP, 25/03/2018.

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Contrastes entre a Graça e o Legalismo

Texto: João 8.1-11.

Introdução
– Definição de Legalismo: “É um termo que os Cristãos evangélicos usam para descrever uma posição doutrinária que enfatiza um sistema de regras e regulamentos para alcançar salvação e crescimento espiritual. Legalistas acreditam que é necessário ter uma aderência estrita e literal a essas regras e regulamentos. De acordo com a doutrina ensinada na Bíblia, essa posição vai de encontro à graça de Deus” (Got Questions).
– Definição de Graça: “Graça é Deus escolhendo nos abençoar ao invés de amaldiçoar como o nosso pecado merece. É a sua benevolência a quem não merece” (Got Questions).

Transição
– Nas Escrituras Sagradas, tanto a Graça é ensinada quanto o legalismo é percebido.
– Neste texto, tendo Jesus a representar a Graça, e os escribas e fariseus a representarem o legalismo, vejamos as características de uma e outra posição, bem como os seus contrastes.

I.) Características do Legalismo

a.) O legalismo espreita (vigia, regula, controla) a vida das pessoas – v. 3 a
– Talvez essa mulher estava sendo vigiada para ser pega no ato de adultério!
– Ver Gl 2.3-5

b.) O legalismo expõe o pecador – v. 3 b, 4
– Colocaram a mulher de pé diante de todos e expuseram o seu pecado diante de todos.

c.) O legalismo é parcial: expõe o que interessa expor e esconde o que interessa esconder – v. 5 a
– Expuseram apenas a mulher e não o homem adúltero com ela.
– A Lei mandava que ambos fossem apedrejados (Lv 20.10; Dt 22.22-24).

d.) O legalismo é ardiloso e está permeado pela astúcia e sagacidade – v. 5 b, 6 a
– Os legalistas queriam um motivo para acusar a Jesus.

II.) Características da Graça

a.) A Graça pensa antes de responder; reflete; não age açodadamente, afoitamente; fica em silêncio, se possível – v. 6 b, 7 a
– Jesus escrevia na terra e aparentemente só respondeu pois os legalistas insistiram muito.

b.) A Graça se compadece do pecador; a Graça põe em evidência que ninguém é melhor do que ninguém, pois todos somos pecadores – v. 7 b
– Ninguém deve se colocar em uma posição de superioridade em relação aos demais, pois todos somos pecadores.
– A questão é que alguns pecados se podem esconder, outros não!
– A base da minha salvação é a mesma base da salvação de uma prostituta ou de um ladrão: a Graça de Deus.

c.) A Graça expõe a verdade e permite que o Espírito Santo trabalhe, respeitando o livre arbítrio de cada um – v. 7 b, 8
– Jesus fez a confrontação e voltou a se inclinar e escrever na terra; não ficou pressionando e nem ameaçando os legalistas.

d.) A Graça desarma o legalismo quando este se deixa guiar pela transparência e pela verdade – v. 9
– Diante do argumento de Jesus, desarmados, os legalistas foram embora.

e.) A Graça afasta os acusadores e os que querem apenas nos condenar ou condenar o seu próximo – v. 9 d, 10 a
– Tendo sido desarmados, os legalistas se foram. Ficaram somente Jesus e a mulher.

f.) A Graça nos faz ver, perceber e entender que os acusadores (e aqueles que querem nos condenar) se foram, que eles não têm autoridade sobre nós – v. 10 b, 11 a
– Notar a pergunta de Jesus e a resposta da mulher.

g.) A Graça jamais nos condena – v. 11 b
– O único que tinha autoridade espiritual e moral para acusar a mulher não o fez!

h.) A Graça nos manda seguir livremente – v. 11 c
– “…vai…”
– Seguir livremente no sentido de não ficar preso ao pecado, ao passado, à culpa, a uma consciência pesada, à condenação – Ver Rm 5.1

i.) A Graça não compactua com o pecado; ama o pecador, mas abomina o pecado; a Graça nos perdoa e nos manda seguir sem pecar novamente – v. 11 d
– A Graça de Deus é maravilhosa, mas não é barata!

Pr Ronaldo Guedes Beserra – SP 30.06.2012.

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Segunda Oração de Paulo pelos Efésios

Texto: Ef 3.14-21

– v. 14 – “Por esta causa” – repassar muito resumidamente o que Paulo escreveu na epístola até esse ponto.
– Ajoelhar-se para a oração era sinal de profunda emoção ao fervor.

– v. 15 – Alguns veem aqui uma referência à igreja triunfante e à igreja militante.
– Deus é o Pai de todos nós. Deus é infinitamente superior em suas virtudes paternas para conosco do que o mais nobre pai humano.

– v. 16 – Primeiro pedido: “que sejais fortalecidos com poder” (sentido de fortalecimento ou capacitação).
– Que tal fortalecimento seja “segundo a riqueza da sua glória”
– Tal fortalecimento ocorre “mediante o seu Espírito no homem interior”
– A força para a vida cristã vem através da habitação do Espírito Santo no crente
– Homem interior pode incluir coração, mente, vontade e espírito; é o núcleo central da personalidade; o lugar de onde o Espírito transforma toda a vida de uma pessoa.

– v. 17 – e assim, portanto, como consequência, “habite Cristo no vosso coração”
– A habitação de Cristo e o fortalecimento do Espírito não são duas experiências distintas.
– A fé é descrita como requisito da parte humana, a atitude que O recebe. Cristo espera apenas por essa disposição e desejo para entrar na vida do ser humano com todas as bênçãos que a Sua presença oferece (Ap 3.20).
– Arraigados (raiz) e alicerçados (alicerce) em Amor.

– v. 18 – Paulo ora para que, por meio do amor, possam seguir em direção a um entendimento de Deus cada vez mais profundo (largura, etc).
– O verdadeiro conhecimento de Deus é inatingível sem amor!
– Essa compreensão se dá “com todos os santos” – não deve ser algo individual, isolado; uma convivência em amor não é algo fácil, mas é o caminho para um verdadeiro conhecimento de Deus.

– v. 19 – O alvo é conhecer algo que ultrapassa o entendimento (paradoxo).
– Um número muito grande de cristãos pensa em Deus como um Juiz ameaçador ou como um Senhor severo, em vez de como um Pai amoroso.
– Paulo ora pedindo que o povo de Deus seja cheio até o máximo dEle mesmo!

– v. 20 – Oração de Paulo é ousada, mas ele entende que Deus ó poderoso para fazer mais…
– “conforme o seu poder”, o qual age, “opera em nós”.

– v. 21 – “na igreja e em Cristo”, ou seja, Noiva e Noivo, redimida e Redentor, corpo e Cabeça, são inseparáveis.

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As Verdadeiras Funções de uma Igreja

Texto: 1 Tm 3.14,15

Introdução
– Da mesma maneira que existe o populismo político, infelizmente existe também o populismo religioso. Temos que ficar atentos a esses dois tipos de exploração da boa fé das pessoas.
– Pessoas desinformadas, insensatas, e sem um mínimo de senso crítico se tornam presas fáceis destes populistas.
– As pessoas não pedem para serem enganadas, elas clamam por isso! Sempre querem o caminho mais fácil, os atalhos enganosos.
– Para que não sejamos enganados, Deus nos deu a Sua Palavra e estabeleceu a Sua igreja para ser um lugar de segurança para nós.

Transição
– O texto bíblico nos revela alguns aspectos relevantes relativos à igreja do Senhor, que fazem dela um lugar de segurança, um porto seguro para os cristãos.

I.) A Igreja é uma instituição (divina) com procedimentos adequados – v. 14, 15 a
– Paulo escreve para que, caso ele tarde em ver Timóteo, este saiba como se deve proceder na igreja (v. 14, 15 a). Não é “a casa da mãe Joana”, onde cada um faz o que quer, quando quer, sem ordem e decência.
– “Deus não é de confusão, e sim de paz […] Tudo, porém, seja feito com decência e ordem” (1 Co 14.33.40).

– E como se deve proceder?
– Com amor (1.5)
– Tendo a oração como prática (2.1, 2, 8)
– Observando-se certas qualificações para a separação de pastores e diáconos (3.1-13)
– Para com as viúvas (5.3-16)
– Para com os presbíteros (5.17-19)
– Em relação aos senhores e aos escravos (6.1-3)
– Em relação aos falsos mestres

– Temos, como igreja, observado os procedimentos adequados relevados pelo Senhor através da Sua Palavra?

II.) A Igreja é a família de Deus – v. 15
– “como se deve proceder na casa de Deus”, ‘casa’ aqui no sentido de ‘família’. A NTLH já traduz como ‘família de Deus’.

– Somos filhos de Deus: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” (Jo 1.12).
– Fomos inseridos em Sua família: “Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo […] Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus (Ef 2.13,19).
– Somos irmãos uns dos outros: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29).

– Fazer parte de uma família implica em privilégios e responsabilidades.
– A igreja, a família de Deus, é o espaço propício para praticarmos a mutualidade. As expressões “uns aos outros” e “entre si” são usadas mais de 50 vezes no NT: amar, orar, incentivar, admoestar, saudar, servir, ensinar, aceitar, honrar, carregar os fardos, perdoar, nos submeter, ser dedicados, e até não nos morder!
– “É fácil pensar que se é maduro quando não há ninguém para nos contestar. A verdadeira maturidade se manifesta nos relacionamentos” (Rick Warren) – Não podemos mudar de igreja a cada vez que surge um problema de relacionamento. Esses problemas são oportunidades para aprofundarmos os relacionamentos e praticarmos a mutualidade.

– A igreja, a família de Deus, vai ajudá-lo a vencer o pecado.
– A igreja, a família de Deus é um espaço para desfrutarmos de comunhão.

– Como igreja, temos sido família de Deus?

III.) A Igreja pertence e serve a um Deus vivo – v. 15
– “na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo”
– A igreja é de Deus, pertence a Ele, e, portanto deve lhe servir.
– Paulo frequentemente descreve Deus como sendo vivo (4.10; 2 Co 3.3; 6.16; 1 Ts 1.9).
– Toma emprestado a designação do AT, onde serve para ressaltar o contraste entre Jeová e os ídolos mortos.
– Não servimos a um Deus morto; Ele é vivo, é real, é pessoal, quer se relacionar conosco, cuida de nós, pode nos atender em nossas suplicas, pois Ele “é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” (Ef 3.20).

IV.) A Igreja é a coluna e o baluarte da verdade – v. 15
– A igreja é a coluna (sustentáculo) e o baluarte (apoio, base) do quê? O que a igreja deve sustentar? A igreja deve servir de apoio e base ao quê?
– Resposta: VERDADE! Aqui “representa a plena revelação de Deus em Cristo”, ou seja “a fé ortodoxa […] a função e a responsabilidade de cada congregação é apoiar, reforçar, e assim salvaguardar o ensino verdadeiro pelo (através) de seu testemunho consciente” (John Kelly).

– Por que a igreja deve ser coluna e alicerce (NTLH) da verdade?
– Porque desde os dias da igreja primitiva, a igreja tem sido vítima de falsos mestres, mestres do erro, que são denunciados na sequência (1 Tm 4.1-5).
– Notar que os falsos mestres são hipócritas, falam mentiras, têm a consciência cauterizada, e suas doutrinas têm origem em espíritos enganadores, demônios (1 Tm 4.1,2).
– Sobre os falsos mestres, ver ainda 1 Tm 6.3-5; 2 Tm 4.3,4; 2 Pe 2.1-3.

– No papel de coluna e baluarte da verdade, a igreja deve ter seus credos muito bem estabelecidos – ver v. 16 – Quanto a este versículo, “as frases […] sugerem ser isso citação de um primitivo credo em forma de hino” (O Novo Comentário da Bíblia).
– Famosos credos da igreja são importantes, pois estabelecem balizas para que a verdade seja preservada. Exemplos de credos famosos: O assim chamado “credo dos apóstolos”, “Credo Niceno” (afirma a divindade de Cristo frente ao arianismo), a “Confissão de fé de Westminster”, etc.
– É importante que as igrejas tenham os seus credos bem definidos!

– Como seremos coluna e baluarte da verdade se não conhecermos profundamente a Palavra de Deus? Como está o seu nível de conhecimento das Escrituras? Você tem se dedicado ao estudo sistemático da Bíblia?

Pr Ronaldo Guedes Beserra – SP, Maio de 2018.

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Curando as Feridas da Alma: Autopiedade

Autopiedade

Texto: 1 Rs 19.1-18 – ler inicialmente v. 9,10.

Introdução
– Autopiedade é o sentimento, emoção ou comportamento de pena de si mesmo diante de um evento estressante. Pode envolver desde um comportamento breve, ocasional e transitório até um traço de personalidade central que causa sofrimento a si e aos outros; tendência para se fazer de vítima das circunstâncias.
– Sinônimos: Vitimismo; autocomiseração; coitadismo.
– Ao que tudo indica, o profeta Elias foi vítima do sentimento de autopiedade.
– Ele se comportou com pena de si mesmo diante do stress emocional que a batalha no Monte Carmelo, contra os profetas de Baal, e suas consequências, lhe trouxeram.

Transição
– A autopiedade é um sentimento ao qual estamos sujeitos, é um comportamento desaprovado por Deus, e uma atitude a ser vencida pelo cristão.
– O texto bíblico nos traz alguns ensinamentos a respeito da autopiedade à qual estamos sujeitos, e como vencê-la.

I.) A autopiedade pode ser precedida por algum tipo de ameaça – v. 2
– Elias foi ameaçado por Jezabel, esposa do rei Acabe.
– Aqui, a autopiedade ainda não estava em curso. Temos aqui uma possível causa da autopiedade.
– Temos de estar atentos aos eventos estressantes e às ameaças de qualquer espécie para evitar sentimentos de autopiedade.
– Ex. de ameaças: um problema familiar, emocional, profissional, ministerial, etc.

II.) A autopiedade pode ser precedida por um sentimento de medo – v. 3
– Medo foi uma reação instintiva diante da ameaça sofrida.
– Aparentemente também aqui, a autopiedade ainda não estava em curso. Temos aqui outra possível causa da autopiedade.
– Por ser um problema de natureza emocional, a autopiedade e o medo são sentimentos relacionados.
– O medo, vivenciado de forma equilibrada, pode até mesmo nos preservar. No entanto, devemos ficar atentos a um sentimento de medo estremo.

III.) A autopiedade pode levar à solidão e à fuga – v. 3, 4 a
– “[…] se foi […] deixou o seu moço […] se foi ao deserto […] assentou-se debaixo de um zimbro”
– A autopiedade muito provavelmente começa a se desenvolver nesse processo de fugir e se isolar.
– Enquanto fugia e se isolava, o sentimento de vitimismo, autocomiseração e coitadismo começou a tomar lugar no coração do profeta Elias.
– Você tem dado lugar à solidão e à fuga? Fique atento.

IV.) A autopiedade pode levar à depressão – v. 4-9 a
– Aqui, a autopiedade já estava instaurada no interior do profeta e o levou à depressão.
– Sintomas de depressão em Elias:
a. Elias pediu para si a morte.
– Só uma pessoa em estado depressivo não quer continuar vivendo.
– Para não nos escandalizarmos, vale lembrar que outros personagens bíblicos como Moisés (Nm 11.15) e Jonas (Jn 4.3) também chegaram a esse ponto de pedir a morte para si.
b. Elias começou a se depreciar e a se achar um fracasso (ver v. 4 na NTLH).
c. Elias só queria ficar deitado e dormindo.
d. Elias entrou numa caverna (simboliza a depressão).
– Temos de ficar atentos a comportamentos estranhos dos nossos cônjuges, filhos e ente queridos.

V.) A autopiedade leva a pessoa a se enxergar como vítima das circunstâncias – v. 10, 14
– Elias se sentia como se fosse o único em Israel que ainda permanecia fiel a Deus.
– Nesses versículos fica claro o seu vitimismo, coitadismo e autocomiseração.
– Esse é o pior tipo de sentimento ao qual uma pessoa pode dar lugar em sua vida.

VI.) A autopiedade produz insensibilidade espiritual – v. 11-14
– Ainda que não estivesse no vento, no terremoto e no fogo, foi Deus quem promoveu essas manifestações.
– Depois destes tremendos sinais, Elias continuou dando a mesma resposta de antes. Ou seja, estava insensível aos sinais de Deus.

VII.) A autopiedade pode ser vencida quando percebemos que Deus está cuidando de nós em todos os detalhes e em todos os momentos – v. 5-8
– Deus enviou comida e água para Elias através de um anjo – v. 5-7
– Deus o conduziu até o Monte Horebe/Sinai – v. 8
– Ainda que você esteja passando por um momento de autopiedade e de luta emocional, Deus continua cuidando de você!

VIII.) A autopiedade pode ser vencida quando não negligenciamos o confronto de Deus para conosco – v. 9, 13
– Deus perguntou para Elias duas vezes: “O que fazes aqui, Elias?”
– Ele nos faz a mesma pergunta: O que você está fazendo aqui, dando lugar a esse sentimento de autopiedade, vitimismo e coitadismo? Até quando você vai ficar se lamentando e reclamando?

IX.) A autopiedade pode ser vencida quando entendemos e obedecemos aos propósitos de Deus para as nossas vidas – v. 15,16
– “Vai, volta ao teu caminho […]”. Essa orientação de Deus para o profeta serve também para nós!
– “Unge a Hazael […] A Jeú […] ungirás […] e também Eliseu […] ungirás” – Descubra a missão especifica que Deus tem para você e se coloque a cumpri-la.
– Pare de se comparar com os outros. Deus trata cada um de uma maneira diferente. Ele usa cada um de uma forma particular. Se concentre na missão de Deus para você, levante-se, e cumpra o propósito de Deus para a sua vida!
– W. Wiersbe: “Pare de reclamar e de lamentar a respeito de seus fracassos aparentes. Volte ao trabalho”.

X.) A autopiedade pode ser vencida quando entendermos que não estamos sozinhos e nem devemos ficar sozinhos – v. 18
– Elias não estava sozinho. Havia mais sete mil que não haviam se dobrado a Baal.
– Você também não está sozinho. Abra os olhos e veja à sua volta pessoas que têm os mesmos valores e propósitos que você!
– Provérbios 18.1.

Pr Ronaldo Guedes Beserra – SP, 31.05.2018.

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O Meu Chamado é Maior que a Minha Dor

Texto: Josué 1.9

Introdução
– De fato, o chamado é acompanhado de muitas dores.
– Abraão, chamado para ser o pai da nação da qual descenderia o Messias, sofreu a dor a espera.
– José, chamado para ser governador do Egito, durante o processo de preparo, sofreu a dor do ciúmes, da traição, da calúnia, da prisão, do esquecimento.
– Moisés, chamado para liderar o povo de Israel na saída do Egito e na peregrinação no deserto, sofreu a dor da murmuração, a dor de achar o seu cargo pesado demais, a dor da rebelião de seus próprios irmãos, entre outros.
– Davi, chamado para ser rei de Israel, durante o processo de preparo, sofreu a dor da perseguição implacável.
– Elias, chamado para profetizar ao povo de Israel, sofreu a dor da solidão, da perseguição e da depressão.
– Neemias, chamado para reconstruir os muros de Jerusalém, sofreu a dor da oposição.
– Jeremias, chamado para profetizar ao povo de Judá, sofreu ao ver falsos profetas enganando o povo, sofreu perseguições, prisões e acusações de ser subversivo.
– Daniel, chamado para profetizar sobre acontecimentos futuros, sofreu com a armação de líderes invejosos e acabou indo parar na cova dos leões.
– Paulo, chamado para pregar o evangelho entre os gentios, sofreu desconfianças, açoites, naufrágios, prisões, perseguições, traições, incompreensões, acusações, etc.
– Jesus, chamado para efetuar a nossa redenção, sofreu a pressão dos líderes religiosos e do sistema religioso de seus dias, e por fim, suportou os pecados de toda a humanidade na cruz do calvário.
– Quais têm sido as suas dores no cumprimento do seu chamado e do seu ministério?
– Você já pensou em desistir do chamado em função das dores que tem sofrido?

Transição
– Apesar de todas as dores que enfrentamos no cumprimento do propósito para o qual Deus nos chamou, podemos afirmar que o nosso chamado é maior que a nossa dor.
– A Bíblia nos mostra algumas razões que explicam porque o nosso chamado é maior que a nossa dor.

I.) O chamado de Deus para mim foi feito pelo próprio Senhor e não por homem algum
– Não fui chamado por homens. Deus pode ter usado homens para me colocar na posição em que estou, mas o chamado vem de Deus.
– “Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós outros […] O SENHOR, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós outros” (Ex 3.14,15).
– “Não to mandei eu?” (Js 1.9 a).
– “não te enviei eu? (Jz 6.14)
– Paulo tinha consciência de que havia sido chamado por Deus: “me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça […] para que eu o pregasse entre os gentios” (Gl 1.15,16).
– Foi Deus quem te chamou. Portanto, siga em frente cumprindo o chamado que você recebeu do Senhor.

II.) O chamado de Deus para mim inclui um propósito específico do Senhor para a minha vida
– Deus tem um chamado específico para cada pessoa.
– Podemos resumir o chamado de Deus para vários personagens bíblicos em uma frase.
– Abraão (Gn 12.2,3), Moisés (Ex 3.10), Josué (Js 1.2,6), Gideão (Jz 6.14), Davi (1 Sm 16.1,12,13), Jeremias (1.5), Neemias (Ne 1.4,11; 2.5), Paulo (At 9.15,16), Jesus (Lc 1.32,33; 2.34,35).
– Você já sabe qual é o chamado específico que Deus tem para a sua vida?
– Você vai deixar de cumprir o propósito de Deus para a sua vida porque a dor que o seu chamado traz é muito grande?

III.) O chamado de Deus para mim inclui promessas específicas do Senhor para a minha vida
– Além das promessas gerais que Deus tem para todos os seus filhos, Ele tem promessas específicas para cada um de nós.
– Promessas a Abraão (Gn 12.2,3).
– Promessas a Josué (Js 1.3-5 a).
– Quais são as promessas de Deus para a sua vida? Você vai deixar de usufruí-las desistindo do chamado?

IV.) O chamado de Deus para mim será acompanhado de sinais que o confirmarão
– Ex 4.1-9, 28-31 (bordão virou uma serpente, mão ficou leprosa, águas do Nilo tornadas em sangue ao serem derramadas sobre a terra).
– Nm 17 – A vara de Arão que brotou, floresceu.
– Js 1.5 – Ao perceber que Deus havia aberto o rio Jordão através da liderança de Josué, assim como havia aberto o mar Vermelho sob a liderança de Moisés, o povo certamente reconheceu que Deus havia chamado Josué para aquele momento e para aquela tarefa.
– Ao testemunhar tais sinais, as pessoas crerão que Deus nos chamou, que Ele está conosco e respeitarão a nossa liderança.

V.) O chamado de Deus para mim faz parte de um plano maior de cumprimento da vontade de Deus
– Js 1.2 – “Moisés, meu servo, é morto; dispõe-te agora…”
– Moisés já cumpriu o chamado dele, agora é com você Josué…
– Existe um plano maior ao qual temos que dar sequência, não podemos falhar.
– Somos um elo da corrente. Temos que continuar algo que alguém já começou e que outro dará continuidade depois que partirmos. Não podemos quebrar o elo da corrente.
– Isaque deu sequência ao plano de Deus depois de Abraão; Jacó deu sequência depois de Isaque, e assim sucessivamente.
– Você foi chamado para dar sequência ao plano de expansão do Reino de Deus. Você não é uma ilha isolada, você faz parte de um plano maior!

VI.) O chamado de Deus para mim tem a promessa da presença constante do Senhor
– “como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei, nem te desampararei” (Js 1.5).
– “o Anjo do SENHOR lhe apareceu e lhe disse: O SENHOR é contigo, homem valente […] Já que eu estou contigo, ferirás os midianitas como se fossem um só homem” (Jz 6.12,16).
– “Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o SENHOR” (Jr 1.8).
– “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.20).
– A presença constante dEle é maior do que qualquer dor que possamos enfrentar. Fique firme!

VII.) O chamado de Deus para mim deve ser obedecido custe o que custar
– Devemos dar mais importância à obediência ao chamado do que à dor que o chamado nos traz.
– O apóstolo Paulo falando aos presbíteros de Éfeso: “E, agora, constrangido em meu espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali me acontecerá, senão que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações. Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (At 20.22-24).
– Em intensa agonia, Jesus orou: “Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua” (Lc 22.42).
– Você está disposto a cumprir o chamado de Deus a qualquer custo?
– “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus” (Lc 9.62).

Conclusão
– Dicas para o cumprimento do chamado: Dependa de Deus (Jo 15.5); Seja forte e corajoso (Js 1.6,7,9); Pratique a Palavra, fale da Palavra, medite na Palavra (Js 1.7,8).

Pr Ronaldo Guedes Beserra – SP, 28.02.2018.

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Pai, em que Mundo seu Filho Está?

Texto: 2 Sm 13

Introdução
– Esse tema chama os pais à responsabilidade de haver um acompanhamento em relação à vida dos filhos quanto à espiritualidade, quanto à vida emocional, quanto às amizades, quanto à influência das mídias, quanto à pregação das ideologias antibíblicas, etc.
– O que aconteceu com a família de Davi foi resultado de seu pecado com Bate-Seba, mas penso que também podemos afirmar que foi consequência de sua devida falta de acompanhamento para com os seus filhos, talvez devido às suas muitas responsabilidades reais.
– Às vezes estamos tão imersos em nossas responsabilidades profissionais, ministeriais, etc. que deixamos de dar o devido acompanhamento aos nossos filhos.
– A história narrada em 2 Sm 13 é uma história de acontecimentos extremos, mas serve como alerta aos pais.

Transição
– A falta de um devido acompanhamento dos filhos por parte dos pais pode acarretar consequências bastante desagradáveis.
– O texto abordado nos mostra algumas das possíveis tristes consequências da falta de um devido acompanhamento dos filhos por parte dos pais.

I.) Quando não há o devido acompanhamento, nossos filhos podem alimentar sentimentos e pensamentos errados e absurdos – v. 1,2
– Amnom se apaixonou por sua meia irmã.

II.) Quando não há o devido acompanhamento, nossos filhos podem ser vítimas de amizades erradas e influências nocivas – v. 3-5
– Jonadabe era muito sagaz e astuto e elaborou todo o plano maldoso para que Amnom violentasse a própria irmã.

III.) Quando não há o devido acompanhamento, nossos filhos podem seguir o conselho dos ímpios e nos enganar – v. 6
– Amnom seguiu o plano de Jonadabe e fingiu diante do próprio pai.

IV.) Quando não há o devido acompanhamento, nossos filhos podem fazer coisas desprezíveis, vergonhosas e repugnantes – v. 7-18
– Amnom violentou a própria irmã e depois sentiu enorme aversão por ela.

V.) Quando não há o devido acompanhamento, nossos filhos(as) podem ficar vulneráveis à dor, vergonha, angustia e desolação – v. 19,20
– Situação a que ficou exposta Tamar, filha de Davi.

VI.) Quando não há o devido acompanhamento, deixamos de repreender e confrontar nossos filhos quando necessário – v. 21
– Versões antigas acrescentam: “mas não repreendeu ao seu filho Amnom porque, como era o seu filho mais velho, o estimava muito”.

VII.) Quando não há o devido acompanhamento, expomos nossos filhos à rivalidade, ao ódio e até mesmo à morte entre irmãos – v. 22-29a
– Absalão passou a odiar o seu irmão Amnom.
– Durante dois anos Absalão ficou maquinando uma forma de se vingar de Amnom.
– Absalão agiu e ordenou a morte do seu irmão Amnom.

VIII.) Quando não há o devido acompanhamento, expomos toda a nossa família e a nós mesmos a situações extremamente constrangedoras e de muita tristeza e sofrimento – v. 29b-37
– Que constrangimento todos os filhos do rei terem de fugir às pressas e desesperadamente!
– Que angustia o rei sofreu inicialmente ao pensar que todos os seus filhos haviam sido mortos.
– Que grande tristeza tomou conta do rei e de sua família – v. 36,37

Conclusão
– Davi ainda enfrentou vários outros infortúnios devido ao seu pecado e também à falta de devido acompanhamento de seus filhos como: (1) a revolta de seu filho Absalão seguida da humilhante fuga do rei da cidade de Jerusalém; (2) o fato de Absalão ter coabitado com as concubinas do próprio pai; (3) a morte de Absalão que causou grande tristeza para o rei Davi.

Pr Ronaldo Guedes Beserra – SP, fevereiro de 2018.

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O Nascimento de Jesus e seus Aprendizados

Texto: Lucas 2.1-20

Introdução
– Nessa época do ano devemos ter em mente que os holofotes devem estar sempre em Jesus e não em árvores de Natal, papai Noel, panetones e presentes!
– O nascimento de Jesus não se deu nesta época do ano, mas convencionou-se comemorá-la nesta época. A data provável do nascimento deve ter sido na primavera (maio-junho). Nesta época é inverno em Israel, e dificilmente o imperador determinaria um recenseamento no inverno.

Transição
– O fato é que um dia Jesus nasceu, o Verbo se fez carne e habitou entre nós.
– Esse texto bíblico mostra alguns ENSINAMENTOS preciosos a serem aprendidos por ocasião do nascimento do Salvador.

I.) O nascimento de Jesus nos mostra que Deus é capaz de mover um império, caso seja necessário, para que suas promessas e profecias se cumpram – v. 1-7 a.
– Havia a profecia de que o Messias nasceria em Belém – Mq 5.2
– Como José e Maria estavam na Galiléia e a criança deveria nascer na Judéia, penso que podemos dizer que Deus moveu o coração do imperador para publicar um decreto convocando a população para um recenseamento.
– Como as pessoas deveriam se apresentar na cidade natal de suas famílias de origem, José e Maria foram para Belém.
– Estando eles ali, chegou o tempo do nascimento de Jesus, cumprindo-se assim a profecia do VT.
– Deus tem profecias e promessas para a sua vida? Então espere, pois Ele é capaz de mover um império para cumprir o que falou!

II.) O nascimento de Jesus nos revela que Deus se manifesta através de coisas simples e humildes – v. 7b-14
– Podemos perceber isso através do lugar onde Jesus nasceu, e para quem a notícia de seu nascimento foi transmitida pela primeira vez.
– Jesus nasceu em uma manjedoura (tabuleiro em que se deposita comida para vacas, cavalos e outros animais, em estábulos). Deus poderia ter agido para que o Seu Filho nascesse em um palácio real. No entanto, o Deus que está no controle de todas as coisas, quis que Jesus nascesse em um estábulo.
– O anuncio do nascimento do Salvador do mundo foi feito primeiro a um grupo de pastores humildes que moravam em grutas naturais. Deus confiou o mais importante anúncio público da História a pessoas comuns. Não anunciou primeiramente a reis, príncipes, sacerdotes ou religiosos, mas a pessoas simples!
– Creio que Deus quis comunicar que Ele pode ser encontrado e se manifesta através coisas simples e humildes. Além disso, Deus quis comunicar que Ele não é inatingível como os membros de famílias reais. Ele está acessível a todos, inclusive às pessoas mais simples e humildes!
– Você tem dado valor às coisas simples e humildes da vida, ou tem se deixado impressionar pela suntuosidade, pelo glamour, pelo orgulho e pela grandeza e arrogância humanas?

III.) O nascimento de Jesus nos lembra que devemos reconhecê-Lo como nosso Salvador, como o Cristo, e como o nosso Senhor – v. 10,11
– O nascimento de Jesus, o fato de o Verbo ter se feito carne é uma boa nova de grande alegria para todos os povos (v. 10).
– É imprescindível que se reconheça Jesus como: (1) o Salvador (Aquele que é o único que pode nos salvar de uma eternidade longe de Deus); (2) o Cristo (o Messias prometido); (3) o Senhor (Aquele que tem todo o direito e domínio sobre a minha vida) – ver v. 11.
– Temos reconhecido Jesus como o nosso Salvador, como o Cristo, e como o nosso Senhor?

IV.) O nascimento de Jesus nos ensina que Deus se manifesta àqueles que Ele sabe que irão RECONHECER a importância de Sua revelação – v. 15
– Ao ouvirem o anúncio, os pastores se dispuseram a ir até Belém e ver o que se lhes tinha sido anunciado pelo anjo. Ou seja, eles reconheceram a importância da mensagem e da revelação!
– Me parece que Deus não se revela a quem não dá importância à Sua revelação, mas àqueles que a valorizam (ver Sl 25.14).
– Nós também não devemos ‘jogar pérolas aos porcos’ (Mt 7.6).
– Temos reconhecido a importância da revelação de Deus a nós?

V.) O nascimento de Jesus nos ensina que Deus se manifesta àqueles que irão ANUNCIAR a Sua revelação – v. 16,17
– Depois de conferirem as palavras do anjo, os pastores divulgaram o que lhes tinha sido dito!
– As revelações de Deus a nós através de Sua Palavra não devem ficar guardadas, mas devem ser anunciadas!
– Deus nos revelou a verdade do evangelho para que divulguemos a mensagem àqueles que não a conhecem (Mt 28.18-20; Mc 16.15; At 1.8).
– Temos anunciado as boas novas de salvação em Cristo?

VI.) O nascimento de Jesus nos ensina que Deus se manifesta àqueles que se deixarão TRANSFORMAR por Sua revelação – v. 20
– Os pastores se puseram a glorificar e louvar a Deus! Foram transformados pelo impacto da mensagem!
– Deus não se revelará àqueles que não estão dispostos a se deixarem transformar pela mensagem da Graça de Deus!
– Temos estado dispostos a permitir que o Espírito Santo trabalhe em nós, nos alinhando e tirando de nós tudo o que Lhe desagrada? Quando tivermos esta disposição, Deus se manifestará a nós!

Pr Ronaldo Guedes Beserra

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Hebreus: Jesus, Nosso Grande Sumo Sacerdote

Tema
O autor da epístola aos Hebreus retrata distintivamente a Jesus Cristo como o grande Sumo Sacerdote que, tendo oferecido nada menos que a Si mesmo, como o sacrifício totalmente suficiente pelos pecados, agora ministra no santuário celestial. O propósito desse retrato, que exibe a superioridade de Cristo sobre todo aspecto e sobre todo herói da religião revelada no Antigo Testamento, foi o de impedir que os leitores originais da epístola revertessem ao judaísmo.

Autoria
Paulo – A tradição da Igreja primitiva manifesta-se em tons incertos quanto à autoria do livro anônimo dirigido aos Hebreus. Sem embargo, em data bastante recuada (cerca de 95 D. C.), a epístola aos Hebreus já era conhecida e usada, conforme se vê em I Clemente. Na porção oriental do império romano, Paulo era usualmente reputado seu autor. A teologia do tratado aos Hebreus realmente se assemelha à de Paulo, quando se coteja a preexistência e a posição de Cristo como criador, em Hebreus 1:1-4 e Colossenses 1:15-17; a humilhação de Cristo, em Hebreus 2:14-17 e Filipenses 2:5-8; a nova aliança, em Hebreus 8:6 e 11 Coríntios 3:4-11; e a distribuição de dons do Espírito Santo, em Hebreus 2:4 e I Coríntios 12:11. Não obstante, o segmento ocidental da Igreja duvidava da autoria paulina, tendo chegado mesmo a excluir o livro aos Hebreus do cânon, pelo menos a princípio, por causa de dúvidas quanto à autoria do mesmo. Esse fato mostra-nos que a Igreja primitiva não aceitava credulamente a quaisquer obras no cânon neotestamentário sem primeiramente examinar as credenciais comprobatórias no tocante à autoria, à natureza fidedigna e à pureza doutrinária. A Igreja ocidental tinha bons motivos para duvidar da autoria paulina. Nenhuma das epístolas reconhecidamente pertencentes a Paulo é anônima como a epístola aos Hebreus. O polido estilo grego de Hebreus difere radicalmente do estilo rude desse apóstolo, muito mais do que pode ser explicado pelo emprego de um amanuense diferente. E, se por um lado Paulo apelava constantemente para sua própria autoridade apostólica, por outro lado o escritor da epístola aos Hebreus apela para autoridade daqueles que tinham sido testemunhas oculares do ministério de Jesus (vide Hebreus 2:3).
Barnabé – Outros estudiosos têm sugerido Barnabé, cujo passado como levita (vide Atos 4:36) se harmoniza com o interesse pelas funções sacerdotais que se manifesta por todo o livro aos Hebreus, e cuja associação com Paulo poderia explicar as similaridades com a teologia paulina. No entanto, por ter sido residente em Jerusalém (vide Atos 4:36,37), provavelmente Barnabé chegara a ouvir e ver a Jesus, ao passo que o autor da epístola aos Hebreus inclui a si mesmo entre aqueles que dependiam de outros quanto ao testemunho ocular (vide Hebreus 2:3).
Lucas – Lucas, um outro companheiro de Paulo, também é candidato à autoria da epístola aos Hebreus, devido à semelhança de estilo do livro aos Hebreus, em grego culto e polido, e o de Lucas-Atos. Todavia, Lucas-Atos se reveste de uma perspectiva tipicamente gentílica, ao mesmo tempo que o livro aos Hebreus manifesta-se altamente judaico.
Apolo – Martinho Lutero sugeria a autoria de Apolo, cuja familiaridade com Paulo (vide 1 Coríntios 16:12), além de ter sido melhor instruído por Priscila e Áquila (vide Atos 18:26), pode ser justificativa para a semelhança com a teologia paulina que se vê em Hebreus. A eloquência de Apolo (vide Atos 18:24,27,28) poderia ter produzido o estilo elevadamente literário da epístola aos Hebreus. Outrossim, seu passado formativo alexandrino se adapta ao uso exclusivo da Septuaginta, na epístola em apreço, quando de citações extraídas do Antigo Testamento, porquanto a Septuaginta foi produzida em Alexandria, no Egito.(Alguns eruditos traçam o paralelo entre as interpretações alegóricas do Antigo Testamento, pelo filósofo judeu Filo, contemporâneo de Apolo e também nativo de Alexandria, e o manuseio das revelações do Velho Testamento em Hebreus. Todavia, Hebreus trata o Antigo Testamento como história simbólica, e não como alegoria.) Porém, a ausência de tradições antigas em favor de Apolo deixa-nos na dúvida a esse respeito.
Silvano – A suposição de que Silvano (ou Silas), companheiro de Paulo, tenha sido o autor de Hebreus, também pode explicar as suas similaridades com a teologia paulina. Mas não muito mais do que isso pode ser dito em favor ou contra a autoria de Silvano.
Felipe – Outro tanto se pode dizer no que tange à sugestão de que Filipe escreveu a epístola ao Hebreus.
Priscila – Harnack sugeriu Priscila, devido às íntimas associações entre ela e Paulo, e engenhosamente argumentou que ela escrevera a obra no anonimato porque a autoria da parte de uma mulher não era aceitável pelo público.
Clemente de Roma – As semelhanças entre Hebreus e I Clemente permitem a possibilidade que seu autor tenha sido Clemente de Roma. Entretanto, há muitas diferenças quanto à perspectiva, e o mais provável é que Clemente tenha feito empréstimos da epístola aos Hebreus, e nada mais. Juntamente com Orígenes, pai da antiga Igreja, concluímos que somente Deus sabe quem escreveu a epístola aos Hebreus.

Destinatários
A despeito do tradicional apêndice do título “aos Hebreus”, alguns têm pensado que esse livro foi originalmente endereçado a crentes gentílicos. Em apoio a essa opinião, apela-se ao estilo polido no grego e ao contínuo uso da Septuaginta, havendo apenas um desvio ocasional em relação à tradução grega do Antigo Testamento. Todos esses fenômenos, entretanto, nada deixam implícito quanto aos destinatários originais da epístola. Indicam tão-somente o passado formativo de seu autor. O uso freqüente do Antigo Testamento, o pressuposto conhecimento dos rituais judaicos, a advertência para seus leitores não reverterem ao judaísmo, além do título tradicional e antiquíssimo do livro, tudo aponta para o fato que o livro foi endereçado originalmente a judeus cristãos.

Destinação
À primeira vista, poderia parecer mais verossímil que esses judeus cristãos viviam na Palestina. Mas, levando-se em conta o trecho de Hebreus 2:3, seus leitores não tinham visto nem ouvido a Jesus, pessoalmente, durante Seu ministério terreno, conforme muitos cristãos palestinos sem dúvida o tinham feito; e, em consonância com Hebreus 6:10, eles haviam ajudado financeira e materialmente a outros cristãos, ao passo que os cristãos palestinos eram pobres e tinham recebido ajuda externa (vide Atos 11:27-30; Romanos 15:26 e II Coríntios 8 e 9). Outrossim, o conhecimento que os seus leitores dispunham sobre os rituais judaicos ao que parece provinha do Antigo Testamento segundo a versão da Septuaginta, e não porque frequentassem aos cultos no templo de Jerusalém. E a declaração, “Os da Itália vos saúdam (13:24), soa como se italianos distantes da Itália estivessem enviando saudações de volta à sua pátria. Nesse caso, Roma seria o destino provável da presente epístola. Consubstanciando essa conclusão, temos de considerar o fato que a evidência em prol do conhecimento da epístola aos Hebreus nos chega, antes de tudo, de Roma (vide I Clemente).
Recentemente, H. Montefiore propôs que Apolo escreveu a epístola aos Hebreus em Éfeso, à igreja de Corinto, especialmente a seus membros judeus cristãos, em 52-54 D. C. Ele traçou numerosos paralelos entre Hebreus e a correspondência de Paulo com os crentes coríntios. De acordo com essa posição, as palavras “Os da Itália vos saúdam” (13:24) seriam Priscila e Áquila, os quais originalmente se tinham mudado de Roma para Corinto, mas depois acompanharam Paulo de Corinto a Éfeso. Poderíamos inquirir, entretanto, por qual motivo o autor da epístola aos Hebreus não mencionou por nome a Priscila e Áquila, mas preferiu usar uma expressão generalizadora, sobretudo diante do fato que acabara de mencionar a Timóteo por nome. Não obstante, os argumentos de Montefiore merecem séria consideração.

Propósito
Onde quer que habitassem os destinatários da epístola, eram bem conhecidos do seu autor. Ele escreve a respeito da generosidade deles (vide 6:10), das perseguições que vinham sofrendo (vide 10:32-34 e 12:4), da imaturidade deles (vide 5:11 – 6:12) e de sua esperança de que em breve haveria de visitá-los novamente (vide 13:19,23). Dois detalhes adicionais podem ser muito significativos: (1) os leitores da epístola são exortados a saudar não somente os líderes e demais membros de sua própria congregação, mas também “a todos os santos” (13:24); (2) eles são repreendidos por não se reunirem com a necessária freqüência (vide 10:25). O mais provável, portanto, é que fossem um grupo de cristãos judeus que se reuniam em algum domicílio e que se tinham separado do corpo central de cristãos da localidade em que viviam, e que agora corriam o perigo de retornar ao judaísmo, a fim de evitarem as perseguições. O propósito fundamental da epístola é justamente o de entravar tal apostasia, trazendo-os de volta ao caudal da comunhão cristã.

Data
O uso da epístola aos Hebreus, em I Clemente, requer que tal epístola tenha sido escrita antes de 95 D. C., data de I Clemente. Também se tem argumentado que os verbos no tempo presente, que se vêem na epístola aos Hebreus, ao descrever a mesma os rituais expiatórios, subentendem uma data anterior ao ano 70 D. C., ano em que Tito destruiu o templo de Jerusalém e os sacrifícios deixaram de ser oferecidos ali pelos judeus. Todavia, outros escritos que por certo datam de após o ano 70 D. C., continuam a usar verbos no tempo presente ao aludirem aos rituais mosaicos (vide I Clemente, Josefo, Justino Mártir e o Talmude). Além disso, a epístola aos Hebreus não faz a descrição dos rituais efetuados no templo, e, sim, dos rituais do “tabernáculo” pré- salomônico, pelo que os verbos no tempo presente consistem tão só de um vívido estilo literário, não podendo subentender coisa alguma no tocante à data em que foi escrito o livro aos Hebreus. O que realmente favorece uma data anterior a 70 D. C., para a escrita do livro, é a ausência a qualquer alusão, nessa epístola, à destruição do templo de Jerusalém, como indicação divina de que o sistema de holocaustos do Antigo Testamento se tornara obsoleto. Não há que duvidar que o autor sagrado ter-se-ia valido de um argumento histórico dessa magnitude, se aquele acontecimento já houvesse ocorrido.

Forma literária
Tal como no caso de outras epístolas, Hebreus termina com alusões pessoais, mas, divergentemente de outras epístolas, ela não conta com saudações introdutórias. O estilo de oratória e observações como “Certamente me faltará o tempo necessário para referir…” (11:32), parecem indicar mais um sermão. Porém, a assertiva: “…vos escrevi resumidamente” (13:22), requer que pensemos que o livro de Hebreus é uma epístola, afinal de contas, embora escrita segundo o estilo de um sermão.

A superioridade de Cristo
A fim de impedir seus leitores de retornarem ao judaísmo, o autor de Hebreus ressalta a superioridade de Cristo em relação a tudo o mais, especialmente em relação a várias características do judaísmo originadas do Antigo Testamento. A expressão “melhor que” epitoma o tema predominante da superioridade de Cristo, um tema reiterado enfaticamente por toda a obra, mediante exortações para que seus leitores não apostatassem da fé cristã.

Superior aos profetas
Cristo é superior aos profetas do Antigo Testamento porquanto é Ele o próprio Filho de Deus, o herdeiro do universo, o criador, o reflexo exato da natureza divina, o sustentador da vida no mundo, o purificador dos pecados, o Ser exaltado – e, por conseguinte, a última e mais excelente palavra de Deus ao homem (vide 1:13a).

Superior aos anjos
Cristo é também superior aos anjos, a quem os contemporâneos judeus do autor sagrado reputavam mediadores da legislação mosaica, no Monte Sinai (vide Atos 7:53 e Gálatas 3:19); porque Cristo é o Filho divino e criador eterno, mas os anjos são apenas servos e seres criados (vide 1:3b – 2:18). E mesmo o fato que Ele se tornou menor que os anjos, mediante a encarnação e a morte, foi uma ocorrência meramente temporária. Era mister que Ele se tivesse tornado um ser humano a fim de estar qualificado como aquele que, por Sua morte, pudesse elevar o homem decaído àquela dignidade que originalmente lhe fora propiciada por Deus, quando da criação. Por causa de Seu ato expiatório, Cristo foi revestido de imensa honra. Na metade dessa seção é que ocorre uma exortação que insta para que os leitores originais da epístola não declinassem da sua profissão cristã (vide 2:1-4). Ler Hebreus 1 e 2.

Superior a Moisés
Na posição de divino Filho sobre a casa de Deus, Jesus Cristo é superior a Moisés, um servo na casa de Deus(vide 3:1-6). A exortação, pois, visa a evitarmos incorrer no juízo de Deus, em resultado da incredulidade. A geração de israelitas que saiu do Egito sob a liderança de Moisés, mas morreu no deserto por causa da indignação divina contra a rebelião deles provê um terrível exemplo de advertência (vide 3:7-19).

Superior a Josué
Cristo é melhor do que Josué; pois embora Josué tenha feito Israel entrar na terra de Canaã, Cristo conduzirá aos crentes ao lugar de repouso eterno, nos céus, onde Deus descansa de Sua obra criativa (vide 4:1-10). É óbvio que Josué não conseguiu fazer Israel entrar nesse repouso celestial; porquanto muito tempo depois de Josué ter vivido e morrido, Davi falou do lugar de repouso de Israel como lugar ainda não atingido (vide Salmo 95:7,8). A comparação entre Jesus e Josué é bem mais impressionante no Novo Testamento grego, pois o apelativo hebraico “Josué” assume a forma “Jesus”, no grego. Noutras palavras, o texto grego desconhece a distinção entre o nome próprio Josué, do Antigo Testamento, e o nome próprio Jesus, do Novo Testamento.
Em prosseguimento, o autor exorta os seus leitores a entrarem no descanso celestial, através da fidelidade à sua profissão cristã (vide 4:11-16). Essa ênfase posterior sobre a total suficiência da obra expiatória de Jesus elimina qualquer implicação de que a continuação das boas obras, na vida do crente, merece a salvação. Entretanto, as boas obras e o desviar-se da apostasia são coisas necessárias para demonstração da genuinidade da profissão de fé cristã. O décimo segundo versículo contém a famosa comparação da Palavra de Deus com uma espada de dois gumes, que penetra e desnuda o ser mais interior do homem. Por conseguinte, os crentes devem provar que sua externa profissão de fé se origina de uma realidade interna. Ler Hebreus 3 e 4.

Superior a Arão
Cristo é superior a Arão e seus sucessores no ofício sumo sacerdotal (vide 5:1 – 12:29). O autor da epístola aos Hebreus primeiramente destaca dois pontos de semelhança entre os sacerdotes arônicos e Jesus Cristo: (1) à semelhança de Arão, Cristo foi divinamente nomeado ao sumo sacerdócio, e (2) ao compartilhar de nossa experiência humana, Cristo adquiriu por nós uma simpatia pelo menos igual àquela de Arão (vide 5:1-10). O mais proeminente exemplo desses sentimentos de Jesus foi que Ele instintivamente procurou furtar-se da morte, quando orava no jardim do Getsêmani (embora jamais do terror da morte, como se fosse culpado, e, obviamente, também não houve a recusa de aceitar a cruz).
Em seguida há uma longa exortação (vide 5:11 – 6:20) com vistas ao progresso que nos leva da infância à maturidade espirituais, se avançarmos para além das doutrinas elementares da fé judaica, que formam o alicerce da fé cristã e que adquirem uma nova significação no seu contexto cristão. Quando o crente não se desenvolve espiritualmente, isso aumenta o perigo de vir a apostatar. E se um cristão renunciar a Cristo de maneira pública, voluntária e final, deixará de existir para sempre toda e qualquer possibilidade de salvação. O autor sagrado descreveu os seus leitores como cristãos falando do ponto de vista de sua presente profissão de fé (não conhecendo os seus corações, de que outra maneira poderia tê-los descrito?), mas continua e salienta que a apostasia tanto haveria de demonstrar a ilegitimidade de sua profissão cristã como os levaria a incorrer em irrevogável julgamento, por motivo de falsa profissão. Deve-se notar que a apostasia envolve um sentido muito mais grave do que no caso de desobediência temporária. Ler Hebreus 5 e 6.
Os itens frisados da superioridade de Cristo sobre Arão são: (1) Cristo se tornou sacerdote em virtude de um juramento divino, mas não assim com os aronitas (Arão e seus descendentes sacerdotais); (2) Cristo é eterno, ao passo que os aronitas morriam e tinham de ser substituídos; (3) Cristo é impecável, ao passo que os aronitas não o eram; (4) as funções sacerdotais de Cristo envolvem as realidades celestiais, mas as dos aronitas dizem respeito somente a símbolos terrenais; (5) Cristo ofereceu-se a Si mesmo voluntariamente como um sacrifício que jamais precisará ser repetido, ao passo que as repetitivas ofertas de animais desmascaram a sua ineficácia, pois animais inferiores não podem tirar os nossos pecados; e (6) o próprio Antigo Testamento, escrito durante o período do sacerdócio arônico, predizia que sobreviria uma nova aliança, que tornaria obsoleto ao antigo pacto, segundo o qual funcionava o sacerdócio arônico (vide Jeremias 31:31-34).
Muito se tem disputado sobre a interpretação correta da advertência que aparece em Hebreus 6:1-12, a saber:
(1) Aqueles que ensinam que a passagem fala de aterrorizante possibilidade de um verdadeiro crente reverter à condição de perdição, têm de ver-se a braços com a declarada impossibilidade de restauração (vide 6:4), e isso contrariamente àqueles trechos neotestamentários que asseguram a eterna segurança para os crentes, para os eleitos (vide João 6:39,40; 10:27-29; Romanos 11:29; Filipenses 1:6; 1 Pedro 1:5 e 1 João 2:1), e também em desacordo com a doutrina inteira da regeneração.
(2) Aqueles que sentem que o autor da epístola aos Hebreus postula aqui uma hipótese, e não uma possibilidade realista, descobrem que a reiteração dessa urgente advertência, aqui e alhures nesta epístola (vide especialmente 10:26-31), é algo muito embaraçador.
(3) Aqueles que diluem a severidade do juízo ameaçador, da perda da salvação para a perda de galardões (em que a salvação por um triz não se perdera – comparar com 1 Coríntios 3:12-15), descobrem-se antagonizando o que fica implícito em Hebreus 6:9, isto é, que o juízo aqui ameaçado é o oposto da salvação: `…estamos persuadidos das cousas que são melhores e pertencentes à salvação, ainda que falamos desta maneira.” (Comparar isso com Hebreus 10:27: “… certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários”).
(4) Aqueles que encaram essa advertência como se ela houvesse sido dirigida a quase cristãos, e não a cristãos no mais alto sentido da palavra, são forçados a minimizar a força das expressões “… aqueles que uma vez foram iluminados (comparar com 10:32; II Coríntios 4:4,6; I Pedro 2:9; et passim), e provaram do dom celestial (comparar com o fato que Cristo ‘provou’ a morte a favor de todo homem (vide 2:9), certamente uma experiência plena), e se tornaram participantes do Espírito Santo (comparar com o fato que Cristo se tornou participante da natureza humana (vide 2:14), certamente não uma encarnação parcial), e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro (comparar com I Pedro 2:3)”. Esses também sentem grande dificuldade ante o apelo em favor da maturidade, e não da conversão, ante a advertência a respeito da “apostasia” (vide 6:6), e não a respeito de não se haver confessado a Cristo no princípio, e ante o título conferido aos leitores da epístola, “amados”, um termo distintivamente cristão (vide 6:9; comparar com 10:30: “O Senhor julgará o seu povo”).
(5) A interpretação mais promissora é aquela que encara essa advertência como uma aviso dirigido a cristãos professos, ficando entendido que esses devem demonstrar a genuinidade de sua profissão resistindo à pressão tendente à apostasia. Se, por uma parte, as passagens que nos asseguram a eterna segurança do crente refletem a perspectiva divina (Deus, que conhece perfeitamente aos corações dos homens, resguardará para sempre aos que Lhe pertencem), por outra parte a presente advertência, juntamente com outras que lhe são correlatas, reflete a perspectiva humana (os cristãos, que conhecem imperfeitamente aos seus corações, devem demonstrar a si mesmo e a outros, mediante exteriorizações na forma de correta conduta, que a sua profissão de fé é real, não mediante uma perfeição impecável, mas mediante a perseverança contra a oposição e a tentação). Dessa forma, o autor do livro aos Hebreus dirige-se a seus leitores como cristãos, como não poderia mesmo ser diferente, porquanto ao escrever-lhes todos se professavam crentes. Todavia, diferentemente de Deus, ele não poderia conhecer seu estado espiritual interno. Por isso, viu-se forçado a adverti-los contra o perigo da profissão falsa, contra a apostasia final que vem mediante a negação voluntária, e finai da fé cristã anteriormente professada, e contra o julgamento irrevogável disso tudo resultante. Na verdade, não é possível alguém ser salvo e depois perder-se, mas isso é aparentemente possível, e essa “aparência” deve ser tratada com toda a gravidade, porquanto os seres humanos se movimentam principalmente no nível do que é aparente.
Quanto à distinção entre a perspectiva divina e a perspectiva humana, podemos consultar o trecho de I Samuel 16:7b (“O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração”), confrontando-o com a doutrina paulina da justificação pela fé (à vista de Deus), e também com a doutrina de Tiago da justificação comprovada pelas obras (à vista dos homens). É importante reconhecermos a validade e a seriedade de ambas perspectivas. Finalmente, o propósito de advertências como essa não é perturbar os crentes conscienciosos, e, sim, acautelar os crentes negligentes, para que não terminem por nem ser cristãos, afinal de contas.

Melquisedeque
Alicerçando-se sobre a sugestão da assertiva em Salmo 110:4, de que o rei messiânico seria sacerdote segundo o padrão de Melquisedeque, o autor da epístola aos Hebreus descobre diversos paralelos entre Cristo e aquela misteriosa personagem do Antigo Testamento, a quem Abraão deu uma décima parte dos despojos, depois da batalha na qual resgatou a Ló de seus captores (vide Gênesis 14). Ora, Melquisedeque era sacerdote de Deus; assim também o é Cristo. O nome “Melquisedeque” significa “Rei da Justiça” (ou, mais literalmente ainda, “meu rei é justo”); o homem que tinha esse nome era rei de “Salém” (provavelmente uma forma abreviada de “Jerusalém”), que significa “paz” (no sentido de completa bênção divina); e justiça e paz são características e resultados do ministério sacerdotal de Cristo. A ausência, nas páginas do Antigo Testamento, de qualquer genealogia registrada de Melquisedeque ou de narrativas sobre seu nascimento e morte (naturalmente, ele teve pais e antepassados, nasceu e morreu), tipifica a real eternidade de Cristo como Filho de Deus, em contraste com a morte que atingia a todos os sacerdotes da linhagem de Arão. A superioridade de Cristo sobre Arão é ainda retratada pelo fato que Abraão deu a Melquisedeque a décima parte dos despojos tomados em batalha, sendo que Arão era descendente de Abraão. A solidariedade de uma pessoa com seus ancestrais fica assim pressuposta. Idêntica superioridade aparece, novamente, no fato que Melquisedeque abençoou a Abraão, e não vice-versa, pois o maior é quem abençoa ao menor. Ler Hebreus 7:1 – 10:18.

Exortação
A epístola aos Hebreus se encerra com longa seção exortatória e algumas saudações finais (vide 10:19 – 13:25). O autor dela exorta seus leitores a usarem o método superior de aproximação a Deus por intermédio de Cristo, e não através do método ultrapassado do Antigo Testamento, mormente na adoração coletiva, a qual estavam abandonando (vide 10:19-22). E adverte-os novamente, tal como no sexto capítulos, a respeito do terrível julgamento que sobrevém àqueles que, aberta e terminantemente, repudiam a sua profissão cristã, apesar do que, expressa a sua confiança, baseada na constância anterior de seus leitores, sob a perseguição, de que não haveriam de cair na apostasia (vide 10:23-31).
Em seguida, encoraja-os a uma contínua perseverança, citando, como exemplos, os heróis da fé do Antigo Testamento, (O capítulo 11 é, às vezes, considerado o grande capítulo da fé do Novo Testamento, assim como I Coríntios 13 é o capítulo do amor e I Coríntios 15 o capítulo da ressurreição.) vinculando a estes os seus leitores, e, finalmente, citando a pessoa de Jesus como o mais extraordinário exemplo de paciente perseverança sob os sofrimentos, após o que recebeu o seu galardão (vide 10:32 – 12:3). O sofrimento é uma excelente disciplina, além de ser um sinal de filiação (vide 12:4-13). Por outro lado, Esaú se torna um exemplo negativo, que adverte acerca do fim dos apóstatas infiéis (vide 12:14-17).
Em conclusão, o escritor sagrado novamente põe em relevo a superioridade do novo pacto, fundamentado como está sobre o sangue de Cristo (vide 12:18-29), e exorta os seus leitores ao amor mútuo, à hospitalidade (especialmente necessária naqueles dias, para os pregadores itinerantes), à simpatia, ao uso saudável e moral do sexo, dentro dos liames do matrimônio, à necessidade de evitar a avareza, à imitação do exemplo dado pelos líderes eclesiásticos piedosos, à necessidade de evitar os ensinamentos distorcidos, à aceitação conformada diante da perseguição, às ações de graças, à generosidade, à obediência aos líderes eclesiásticos e à oração. Ler Hebreus 10:19 – 13,25.

ESBOÇO SUMÁRIO DE HEBREUS
Tema: A superioridade de Cristo como impediente da apostasia, ou seja, a reversão do cristianismo ao judaísmo.
I. A SUPERIORIDADE DE CRISTO SOBRE OS PROFETAS DO ANTIGO TESTAMENTO (1:1-3a)
II. A SUPERIORIDADE DE CRISTO SOBRE OS ANJOS (1:3b – 2:18), E AVISO QUANTO À APOSTASIA (2:1-4)
III. A SUPERIORIDADE DE CRISTO SOBRE MOISÉS (3:1-6), E AVISO QUANTO À APOSTASIA (3:7-19)
IV. A SUPERIORIDADE DE CRISTO SOBRE JOSUÉ (4:1-10), E AVISO QUANTO À APOSTASIA (4:11-6)
V. A SUPERIORIDADE DE CRISTO SOBRE OS ARONITAS E AVISOS QUANTO À APOSTASIA (51 – 12:29)
A. A Simpatia humana de Cristo e Sua divina nomeação ao sumo sacerdócio (5:1-10)
B. Aviso quanto à apostasia com uma exortação acerca da busca pela maturidade (5:11  – 6:10)
C. Melquisedeque, modelo do sumo sacerdócio de Cristo (7:1-10)
D. Caráter transitório do sacerdócio arônico (7:11-28)
E. Realezas celestiais do sacerdócio de Cristo (8:1 – 10:18)
F. Advertência contra a apostasia (10:19-39)
G. Encorajamento derivado dos heróis da fé do Antigo Testamento (11:1-40)
H. Encorajamento derivado do exemplo dado por Cristo (12:1-11)
I. Advertência acerca da apostasia, com o mau exemplo de Esaú (12:12-29)
VI. EXORTAÇÕES PRÁTICAS (13:1-19)
CONCLUSÃO: Saudações, notícia da libertação de Timóteo, e bênção final (13:20-25).

Fonte: “Panorama do Novo Testamento”, de Robert H. Gundry.

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Introdução Panorâmica da Vida e do Ministério Público de Jesus

Por Robert H. Gundry

Perguntas Normativas:
– Quais são as datas delimitadoras da carreira pública de Jesus?
– Quais foram os acontecimentos gerais e o resultado final de Seu ministério?
– Onde se acham as origens de Sua doutrina, e até que ponto Ele as ultrapassou?
– Quais são o arcabouço e os motivos básicos de Sua doutrina?

Datas
As datas delimitadoras do ministério de Jesus permanecem um tanto incertas, principalmente porque não sabemos como Lucas concebia o começo do reinado de Tibério (Lucas 3:1; ver os comentários a respeito). Mas o período de três anos, de 27 a 30 D.C., é tão provável como qualquer outro. Tradicionalmente, esse espaço de tempo tem sido dividido em um ano de obscuridade, um ano de popularidade e um ano de rejeição.

Obscuridade
O ano de obscuridade começou com o ministério anunciador de João Batista, com o batismo de Jesus por João, e com a tentação de Jesus por Satanás. Prosseguiu quando Ele chamou Seus primeiros discípulos, quando realizou o primeiro milagre, transformando a água em vinho, em Caná da Galiléia, quando purificou o templo pela primeira vez, quando conversou à noite com Nicodemus, quando retornou à Galiléia, passando por Sumaria, e quando deu início à pregação intensiva e à operação de milagres, por toda a Galiléia.

Popularidade
A pregação e realização de atos miraculosos teve prosseguimento durante o ano de popularidade, ante a presença de numerosas multidões. Sua popularidade atingiu o ponto culminante quando Jesus multiplicou os pães para os cinco mil homens; mas subitamente começou a dissipar-se, quando recusou-se a tornar-se um rei-do-pão e um líder militarista inclinado à guerra.
Durante o ano de rejeição, Jesus retirou-se para noroeste, para a Fenícia, voltou-se para Leste, ao norte do mar da Galiléia, e então para o sul, na direção de Decápolis (“dez cidades”), uma região populada por gentios, a suleste da Galiléia. Evitando as multidões tanto quanto Lhe era possível, Jesus concentrou Seus esforços a instruir em particular os Seus doze discípulos. Foi durante esse período que Pedro confessou o caráter messiânico de Jesus.

Rejeição
Os discípulos já O haviam reconhecido como o Messias, mesmo antes disso, mas a significação daquela confissão jaz no fato que os discípulos continuavam leais a Jesus, como o Messias, ao mesmo tempo que as massas se afastavam Dele. Jesus começou a predizer Sua morte e ressurreição. Ocorreu a transfiguração. Teve início a última jornada a Jerusalém. Na verdade, essa jornada foi muito mais um circuito, de idas e vindas, pela Peréia (sul da Transjordânia), pela Judéia e também pela Galiléia. Foi durante esse tempo que Jesus proferiu diversas de Suas mais famosas parábolas, como aquelas do bom samaritano e do filho pródigo. A ressurreição de Lázaro convenceu aos membros do Sinédrio de que deveriam eliminar a Jesus, abafando, juntamente com Ele, a ameaça de uma revolta messiânica.

A última semana e o ministério pós-ressurreição
A semana da paixão teve início com a entrada triunfal em Jerusalém, no domingo de Ramos. Na segunda-feira Jesus amaldiçoou a figueira estéril e purificou novamente o templo. A purificação do templo endureceu aos membros do Sinédrio em sua determinação de se libertarem Dele. Na terça-feira, Jesus pôs-se a debater com os fariseus e os saduceus nos átrios do tempo, e proferiu o Seu discurso profético para os discípulos, no monte das Oliveiras. Além disso, Judas Iscariotes arranjou as coisas para trair a Jesus. Quanto à quarta-feira há silêncio nos registros dos evangelhos, a menos que Jesus e Seus discípulos tenham participado da refeição da páscoa na noite de quarta-feira (a terça-feira à noite também é possível), mais cedo que a maioria dos judeus. Doutra sorte, a última Ceia teria tido lugar na noite de Quinta-feira, no começo da noite, os julgamentos de Jesus durante a noite de quinta-feira e cedo pela manhã da sexta-feira, ao passo que a crucificação e o sepultamento teriam tido lugar durante o dia de sexta-feira. A patrulha romana teria vigiado o sepulcro durante todo o dia de sábado. A ressurreição ocorreu bem cedo na manhã de domingo, e Jesus apareceu aos Seus discípulos por determinado número de vezes, durante quarenta dias, durante os quais realizou o Seu ministério pós-ressurreição. Finalmente, Ele ascendeu aos céus, pouco mais do que uma semana antes do derramamento do Espírito Santo, que se deu no dia de Pentecoste.

Estilo de ensino
O estilo das lições dadas por Jesus era colorido e pitoresco. Abundavam as figuras de linguagem. Com freqüência Ele criava declarações em epigramas, que não são esquecidas com facilidade, e deleitava-se em trocadilhos, que usualmente não funcionam bem nas traduções. Muitas declarações Dele foram vazadas na forma paralela de declarações, muito própria da poesia semítica. Jesus sabia empregar palavras qual verdadeiro mestre.

Conteúdo do ensino
No conteúdo de Seu doutrinamento, Jesus erigia sobre o alicerce do monoteísmo ético do Velho Testamento, isto é, sobre a crença na existência de um único Deus de amor e de justiça, o qual age tendo em vista a redenção e o juízo, na história, segundo os Seus relacionamentos de aliança firmada com os homens. Ao decretar o perdão dos pecadores, ao afirmar-se juiz dos destinos eternos de todos os homens, ao exigir total lealdade dos homens para consigo mesmo, ao proferir extravagantes afirmativas de “Eu sou…”, e ao introduzir muitas declarações com um amém (traduzido por verdadeiramente ou em verdade), em tom da mais alta autoridade, Jesus obviamente se considerava uma pessoa sem par. No entanto, usou e aceitou com relutância o vocábulo “Messias”, por causa de seus subentendidos dominantemente políticos e nacionalistas, no vocabulário do judaísmo do primeiro século. Preferia aludir a Si mesmo como “o Filho do homem”, a quem Daniel contemplara em visão, como personagem super-humana, a qual descia dos céus para julgar e governar o mundo inteiro (vide Daniel 7:9-14). Mas Jesus também associou consigo mesmo o Servo sofredor do Senhor (vide Isaías 52:13 – 53:12), como o Filho do homem. É deveras significativo que a designação “Filho do homem”, aplicada a Jesus, ocorre quase exclusivamente nos lábios do próprio Jesus. Entre os judeus, essa expressão era quase desusada em relação ao Messias, e, por isso mesmo, era um termo neutro. Em conseqüência, Jesus pôde construir a Sua própria definição. A expressão “Filho (de Deus)” ocorre tanto nas reivindicações de Jesus a respeito de Si mesmo como nas palavras de outros acerca Dele.
A consciência que tinha Jesus de uma filiação divina sem igual se manifestou no uso que fez da palavra aramaica abba, “Pai”, que tem o sentido infantil e afetuoso de “papai”, embora sem sentimentalismos desvairados. Os rabinos ousavam aludir a Deus somente como abbi, “meu Pai”, numa forma de tratamento mais formal em aramaico. Jesus chegou mesmo a ensinar a Seus discípulos que se dirigissem a Deus como abba, por causa do relacionamento que tinham com Deus, por intermédio Dele. Em ocasiões anteriores, Deus era encarado principalmente como o pai da nação israelita, considerada como um todo, pelo que a freqüência, o calor e a ênfase individualista com que Jesus falou da paternidade divina assinalam uma característica distintiva de Seu ensino.
O amor a Deus e ao próximo compreendem os dois principais imperativos éticos, de conformidade com Jesus. Seu conceito da vida reta encarecia os motivos íntimos, em contraste com o exibicionismo externo. Ele declarou a regra áurea, a qual já havia sido proferida em forma negativa, por muitas vezes antes, em uma forma positiva.
Tudo quanto Jesus ensinava foi emoldurado pela Sua proclamação de que chegara o tempo de raiar o reino de Deus. Ele representava pessoalmente esse reino. No entanto, previu a Sua rejeição, a Sua morte redentora e a sua ressurreição. Para além desses acontecimentos, jazia a época em que os Seus discípulos haveriam de evangelizar ao mundo. Então Ele haveria de retornar, com o propósito de julgar à humanidade e estabelecer o reino divino plenamente e para todo o sempre.

Para discussão posterior:
– De que modo um biógrafo moderno teria diferido dos evangelistas ao apresentar a história da vida de Jesus? O que provavelmente aquele omitiria, adicionaria, salientaria ou diminuiria de importância? Por qual razão os evangelistas, em certos particulares não escreveram como biógrafos modernos teriam escrito?
– Quais aspectos da vida e dos ensinamentos de Jesus algumas pessoas de nossa época tendem por achar inaceitáveis – intelectual, estética e socialmente – em comparação com povos antigos? E por quê?
– Como se harmonizam as espantosas reivindicações de Jesus sobre Si mesmo com Seu ensino sobre a humildade, as Suas exigências de lealdade pessoal com Seus ensinamentos sobre o serviço altruísta, e (de modo geral) Seu egocentrismo com Sua própria sanidade? Ou seria correto falarmos sobre Seu egocentrismo (alguns chegam a tachar Sua atitude de megalomania)?

Fonte: “Panorama do Novo Testamento”, de Robert H. Gundry.

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Primeira e Segunda Cartas de Paulo aos Coríntios

1 CORÍNTIOS

Tema
A primeira epístola aos Coríntios foi escrita com o propósito de corrigir desordens que haviam surgido na Igreja de Corinto e para estabelecer aos fiéis um modelo de conduta cristã. Assim sendo, podemos determinar o seu tema da seguinte maneira: a conduta cristã na igreja, no lar e no mundo (M. Pearlman).

Verso Chave
1 Co 11.29

O Escritor
Paulo, o apóstolo. A introdução à carta confirma Paulo como seu autor (1.1). Sua autoria é virtualmente inquestionável.

Histórico
Há clara evidência no livro de 1 Coríntios de que Paulo fundara a igreja. Atos 18.1-17 confirma isto e fornece uma narrativa histórica da fundação da igreja. Ele permaneceu lá por 18 meses. Apolo ficou por algum tempo (Atos 18.24-28).
A igreja em Corinto era predominantemente gentílica e não havia nenhum problema com os judaizantes. No entanto, a igreja, localizada numa cidade que estava entregue à adoração de divindades e filosofias pagãs de todo tipo, rapidamente helenizou-se depois da partida de Apolo.
Paulo tinha-lhes anteriormente escrito, exortando-os a não ligar-se com pessoas imorais (1 Cor. 5.9), mas não há nenhum outro registro desta carta ou do seu conteúdo. Entretanto, é importante percebermos que 1 Coríntios não é a primeira carta que Paulo escrevera à igreja e que havia problemas anteriores.

Data e Lugar
1 Coríntios foi escrito durante os últimos meses de Paulo em Éfeso, durante a terceira viagem missionária. Provavelmente na parte final de 54 d.C. Foi entregue por Timóteo (16.10,11).

Propósito Imediato
Paulo recebera pelo menos dois relatórios falando de contenda, divisão e imoralidade na igreja em Corinto. O primeiro foi um relatório oral da casa de Cloe (1.11) a respeito de contenda dentro da igreja; o segundo foi uma delegação com uma oferta (16.17) e uma carta sobre uma variedade de problemas. Evidência da carta é extraída de várias ‘declarações agora’ em 1 Coríntios; por exemplo, “Agora quanto ao que me escrevestes…” (7.1).
Os assuntos envolvidos eram, para dizer o mínimo, perturbadores: divisões, incesto, fornicação, bebedice, desordem e grave erro doutrinário. 1 Coríntios é o endereçamento de Paulo quanto a assuntos que, ainda, em princípio, estão impregnados na igreja cristã.

Introdução
Corinto tinha uma posição estratégica na ponta da Grécia. Localizada em mares tempestuosos, entre o Oriente e o Ocidente, sua população de mais ou menos 500.000 habitantes era cosmopolitana e variada. Era uma fortaleza natural; a acrópole em Corinto situava-se 630 metros acima do nível do mar. Esta colônia romana, a capital da Acaia (norte da Grécia), estava sob o proconsulado de Gálio (Atos 18.12). Era a terceira maior cidade do império romano, depois de Alexandria e Roma, e muito próspera.
Corinto tinha uma reputação pela corrupção moral; o verbo ‘korinthioniazo’ (corintianizar) significava praticar fornicação. Havia 1.000 prostitutas do templo devotadas à Afrodite, cujo templo foi construído no topo da acrópole e dominava a cidade. Nas proximidades havia um outro templo dedicado a Apolo; além das religiões misteriosas, ‘deuses’ pagãos, incluindo Isis, Osíris, Serapis e Mitras, eram adorados.
Corinto era uma cidade muito rica; assim, havia muito lazer para os ricos. Uma das suas buscas favoritas era a ‘sabedoria’. Adoravam ouvir grandes discursos na praça do mercado e passavam muito tempo debatendo a filosofia mais atual. Uma das filosofias mais comuns era o gnosticismo, o qual ensinava que toda a matéria é maligna e somente o espírito é bom. O pensamento gnóstico estava na raiz de muitos dos problemas na igreja em Corinto.

Esboço

1. PAULO RESPONDE AO RELATÓRIO DE CLOE – 1 Co 1.11

1.10-4.21 – Divisão
5.1-13 – Incesto
6.1-11 – Litígios
6.12-20 – Fornicação

A busca da sabedoria permeava a igreja; facções haviam-se formado seguindo a vários líderes ‘sábios’. O apelo à sabedoria ‘carnal’ dentro da igreja fez com que levassem suas disputas à tribunais civis, os quais eram realizados publicamente na praça do mercado. (1.4-21 e 6.1-11).
O pensamento gnóstico levara a problemas de incesto e fornicação. Argumentavam que se o corpo era mal de qualquer modo, não havia nenhuma diferença em satisfazer seus desejos. (5.1-13 e 6.12-20).

2. PAULO RESPONDE A UMA CARTA – 1 Co 7.1

7.1-24 – Comportamento dentro do casamento
7.25-40 – Acerca das virgens
8.1-11.1 – Carne sacrificada a ídolos
11.2-16 – Cobertura na cabeça das mulheres
11.17-34 – Abuso da mesa do Senhor
12.1-14.40 – Acerca dos dons espirituais
15.1-58 – Ressurreição física de todos os crentes

O capítulo 7 é primeiramente sobre casamento e depois sobre atitudes das pessoas solteiras. Escreveram para Paulo dizendo que estava sendo ensinado dentro da igreja que era bom para um homem não ter relacionamentos com uma mulher no casamento. Este ensino criara problemas sérios.
O gnosticismo tinha dois extremos. Um é satisfazer a carne como vimos na parte 1 de 1 Coríntios: isto é libertinagem. No capítulo 7 as esposas foram ao outro extremo; a carne é maligna, assim negue todos os seus desejos. Elas negaram a seus maridos todos os direitos conjugais. Os homens, então, apelaram para as prostitutas do templo. Paulo exorta cada homem a ter relações com sua própria mulher e vice-versa (7.3).
Os capítulos 8.1-11.1 referem-se a questões de consciência com relação à carne sacrificada a ídolos, tendo um parêntese no capítulo 9, defendendo o apostolado de Paulo e seu direito de viver por ele. Concernente à comida sacrificada a ídolos, podemos aplicar os princípios gerais, ensinados por Paulo, à nossa vida cristã.
O assunto da cobertura na cabeça das mulheres também deve ser interpretado em princípio. As mulheres levaram sua igualdade em Cristo ao extremo e deixaram de ser submissas. A cobertura da cabeça na sociedade em Corinto era um sinal de submissão ao marido. Isto nos faz lembrar que enquanto estamos vivendo aqui na terra, vivemos segundo a ordem de Deus.
A mesa do Senhor, 11.17-34, estava sendo abusada: membros mais ricos estavam tendo a preferência, havia bebedice e compravam muita comida, mas não compartilhavam-na com os pobres. A mesa do Senhor era combinada com uma festa de amor. O pensamento gnósticos deles ‘toda matéria é maligna’, levara-os a negar a existência física ou a ressurreição de Cristo; assim, havia pouca probabilidade de reconhecer o corpo do Senhor na eucaristia. Este é o âmago do problema em Corinto.
Os dons espirituais dominam os capítulos 12-14. O verso 12.1, no grego, literalmente diz “agora com relação aos espirituais”, ou “homens espirituais”. Sentiam que falar em línguas era uma sabedoria eclética, que provavam uma espiritualidade superior. O ensino de Paulo acerca dos dons é para variedade e edificação. Não é um tratado acerca dos dons, mas um corretivo e deve ser interpretado como tal.
O capítulo 15 encaixa-se com nossa discussão na segunda parte do capítulo 11. O gnóstico não conseguia crer numa ressurreição física. A resposta de Paulo é, “se Cristo não ressuscitou, vossa fé é inútil, ainda estais em vosso pecado”. Este é o grande capítulo da “ressurreição”, sendo uma leitura empolgante. Por que não lê-lo agora! Perceba os versos 50 em diante. Um dia você receberá um lindo corpo ressurrecto incorruptível. Aleluia!

Conclusão
Embora Paulo fundara a igreja com Silvano (Silas) e Timóteo, tanto Cefas (Pedro) como Apolo se envolveram. Apolo deve ter passado por grandes dificuldades, porque ele recusou-se a voltar (1 Co 16.12). Parece que Timóteo também foi até lá para tentar resolver as coisas; provavelmente foi ele que entregou a carta que chamamos de 1 Coríntios. Tristemente, nem a visita de Timóteo, nem a carta de Paulo, levou a uma mudança no comportamento da igreja em Corinto.

2 CORÍNTIOS

Tema
Discernimento de Paulo como um apóstolo e homem, intitulado por
muitos como ‘Apologia Pro Vita Sua’ de Paulo (defesa de sua vida).
“Mais do que qualquer das demais epístolas de Paulo, 2 Coríntios permite-nos entrever os sentimentos íntimos do Apóstolo sobre si mesmo, sobre seu ministério apostólico e sobre seu relacionamento com as igrejas que fundava e nutria” (Gundry).

Verso Chave
2 Co 4.11

O Escritor
A natureza autobiográfica da carta, suas muitas referências às pessoas e lugares, e sua progressão a partir de 1 Coríntios, levam à conclusão inquestionável de que Paulo é seu autor.
A igreja em Corinto não tinha reagido às repreensões de 1 Coríntio e a situação se deteriorara. Paulo visitou a igreja para consertar as coisas, mas acabou sendo uma visita dolorosa e triste (subentendido a partir de 2 Co 2.1). Havia grande oposição a Paulo.
Paulo escreveu novamente, sua terceira carta a eles (citada em 2 Co 2.3-4). Depois de enviar esta carta obviamente dura, juntamente com Tito, e ansioso em ouvir acerca de situação, Paulo procurou encontrar-se com ele em Trôade, mas Tito não apareceu. Perturbado em espírito, Paulo partiu sozinho para a Macedônia (2.13). Para sua alegria, ele encontrou-se posteriormente com Tito e teve notícias de uma mudança completa em Corinto (7.5-7). Os principais oponentes de Paulo foram disciplinados e boa parte da igreja havia se arrependido. Estes adversários intitularam-se a si mesmos de “apóstolos”. Paulo os chamou de “super apóstolos” (11.5, 12.11).
O resumo seguinte do relacionamento de Paulo com a igreja em Corinto foi extraído de “A Survey of the New Testament”, escrito por Gundry:
– Paulo evangelizou Corinto durante sua segunda viagem.
– Paulo escreveu uma carta perdida para Corinto, na qual ele ordenou uma separação dos cristãos que tinham uma vida imoral.
– Paulo escreveu 1 Coríntios em Éfeso, durante sua terceira viagem para lidar com uma variedade de problemas na igreja.
– Paulo fez uma rápida visita “dolorosa”, partindo de Éfeso para Corinto, e depois retomando, a fim de consertar os problemas em Corinto, mas não conseguiu realizar o seu propósito.
– Paulo enviou uma outra carta perdida, chamada de “carta triste”, na qual ele ordenou que os de Corinto disciplinassem seu principal oponente na igreja (2 Co 2.3-10).
– Paulo deixou Éfeso e ansiosamente aguardou por Tito, primeiro em Trôade, depois na Macedônia.
– Tito finalmente chegou com as boas novas de que a igreja tinha disciplinado o oponente de Paulo, e que boa parte da igreja submetera-se agora à autoridade de Paulo.
– Paulo escreveu 2 Coríntios na Macedônia (ainda na terceira viagem) em resposta ao relatório favorável de Tito.

Data e Lugar
Foi da Macedônia que Paulo escreveu 2 Coríntios, sua quarta carta à igreja em Corinto. A carta foi escrita apenas alguns meses depois de 1 Coríntios, provavelmente no outono de 56 d.C. Tanto 1 como 2 Coríntios foram escritos durante a terceira viagem missionária de Paulo.

Propósito Imediato
O propósito imediato de 2 Coríntios é triplo. Paulo queria expressar sua alegria pela mudança de coração deles, e ao fazer isso, abrir seu próprio coração com relação às provações de se ser um apóstolo. Segundo, com a normalização das relações, Paulo os lembra da oferta para os crentes pobres em Jerusalém. Por fim, Paulo responde algumas das acusações contra si que surgiram durante o conflito, defendendo seu ministério como apóstolo.

Características Principais
Uma característica principal de 2 Coríntios é que trata-se de uma carta intensamente pessoal e autobiográfica. Após a mudança em Corinto, Paulo vê-se disposto a abrir seu coração para eles. Na defesa do seu ministério, ele nos leva à profundidade do seu relacionamento com Deus e às provações intensas do ministério.
Há alguns versos maravilhosos em 2 Coríntios; ao lê-los, procure memorizá-los. Alguns dos meus favoritos são: 2.14; 3.6; 3.17; 1.17-18; 5.17; 6.2; 9.6-7; 10.3-5.

Esboço
1. Introdução, relacionamento de Paulo com a igreja e a defesa do seu ministério
(1.7-7.16)
2. A oferta da igreja para os pobres em Jerusalém (8.1-9.15)
3. Defesa pessoal e conclusão (10.1-13.14)

Tenho certeza de que Paulo vai além do seu contexto imediato para formular uma defesa contra as alegações contrárias ao seu ministério onde quer que ele pregue.
A seção sobre contribuir é também uma ’apologia’ desenvolvida ao logo de um bom tempo e vemos agora sua formulação.
Possivelmente 2 Coríntios carece da importância doutrinária de Romanos, dos assuntos de 1 Coríntios, ou da transcendência de Efésios; todavia, permanece um dos grandes livros do Novo Testamento e uma declaração profunda acerca do ministério e vida cristã.
Logo depois de escrever esta carta, Paulo passou três meses na igreja em Corinto, provavelmente acompanhado de Lucas (At 20.1-6).
Depois disso, era hora de retomar à Jerusalém para a Páscoa. Ao ouvir a respeito de um complô contra sua vida, ele foi para o norte via Macedônia, em vez de navegar via Trôade.
Isso marcou o final da terceira viagem missionária de Paulo; ele partiu sabedor de que a captura e aprisionamento o aguardavam em Jerusalém.

Fonte: Apostila do “International Bible Institute of London”, por Peter Rowe, PhD.

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Epístola aos Romanos

Tema
A justiça somente pode ser recebida mediante a fé em Jesus Cristo. O homem é muito pecaminoso para merecê-la.

Verso Chave
Romanos 1.16-17

O Escritor
Paulo, o apóstolo. Sua autoria é virtualmente incontestável.

– A introdução à carta confirma Paulo como seu autor (Romanos 1.1);
– Os pais da igreja primitiva unanimemente aceitavam a autoria paulina;
– Pedro, o apóstolo, o qual aceitou todas as cartas de Paulo como Escritura (2 Pedro 3.15-16), é fortemente influenciado pelos escritos de Paulo; por exemplo, há várias semelhanças entre Romanos 12 e 1 Pedro.

Histórico
A igreja em Roma não foi fundada por Paulo. Na época em que estava escrevendo a carta, ele ainda não havia visitado Roma; isto somente aconteceria depois de sua prisão em Jerusalém. Todavia, ele tinha muitos amigos em Roma e fizera algumas tentativas de visitá-los, mas sem sucesso (Rm 1.13). A epístola aos Romanos foi levada à Roma por Febe (Rm 16.1). Febe foi uma diaconisa da igreja em Cencréia, perto de Corinto.
A Roma do Novo Testamento era o centro do mundo. Uma metrópole cosmopolita com uma população próspera e agitada – o centro de todo governo e poder.
Roma já estava com 800 anos, mas agora alcançara sua era dourada. A riqueza do império era usada em prédios públicos, excessos materiais e todo prazer conhecido ao homem.
O antigo ditado ‘todos os caminhos levam à Roma’ estava longe de ser figurativo. Paulo sabia que uma vez em Roma, o coração do império, então, o cumprimento de Atos 1.8 seria inevitável.
Na época desta epístola, 56 d.C., Nero era o imperador, mas ele não era uma ameaça aos cristãos nestes primeiros dias do seu reinado.
Muitos creem que Pedro fundou a igreja em Roma, mas não há nenhuma evidência a respeito disso. Seutônio, o historiador romano, registrou que o imperador Cláudio expulsou os judeus de Roma em 49 ou 50 d.C. por causa ‘do tumulto instigado por um Crestos’ (Latim para ‘Cristo’). Isto indicaria que o cristianismo alcançara Roma na altura de 49 d.C. quando Pedro ainda estava em Jerusalém e envolvido no Concílio de Jerusalém. Se Pedro estivesse envolvido com a igreja romana, então Paulo teria mandado uma saudação a ele na carta. Parece que a igreja em Roma começou quando judeus romanos convertidos ao cristianismo retornaram à Roma depois do Pentecoste (Atos 2.10). Priscila e Áquila estiveram na igreja até a época da expulsão sob Cláudio, indo então para Corinto (Atos 18.2). Muitos dos que foram expulsos, incluindo Priscila e Áquila, teriam retornado na época da morte de Cláudio, em 54 d.C.
Há muita discussão entre os estudiosos se a igreja em Roma foi predominantemente judaica ou gentílica. Por um lado, há o conteúdo judaico dos capítulos 9-11 e as discussão sobre lei versus graça; todavia, em Romanos 11.13, Paulo endereça “…a vós que sois gentios. Visto, pois, que eu sou apóstolo dos gentios…”. É minha opinião que Paulo está escrevendo a uma
congregação misturada, com exortações tanto para crentes judeus, como gentios, e forte referência à sociedade pagã que os circundava.

Data e Lugar
Paulo estava escrevendo de Corinto. Sabemos disso porque ele acabara de levantar uma oferta para os cristãos em Jerusalém das igrejas na Grécia (Rm 15.26) e Paulo estava com Gaio (Rm 16.23), um convertido que batizara em Corinto (1 Co 1.14).
A carta é muito fácil de datar pois foi escrita no final da terceira viagem missionária, no término da estadia de Paulo de três meses em Corinto em 56 d.C.

Propósito Imediato
Paulo queria que os cristãos romanos soubessem que ele não estava negligenciando-os; ele queria ir lá e faria isso num futuro breve. Paulo também queria assegurar-se de que a igreja estava andando na sã doutrina, nem sendo influenciada pelos elementos judaizantes, nem sendo influenciada pelo paganismo dos gentios. Ele usou a ocasião para advogar fundamentos bíblicos da justificação pela fé e formou um credo para o cristianismo, o qual ele possivelmente esperava tomar-se um manifesto, tanto ao governo romano, como à comunidade cristã.
Ele também queria enfatizar que o cristianismo não era nem uma seita judaica, nem um complô politicamente subversivo; ele deu tudo de si para revelar que os cristãos eram cidadãos que cumpriam a lei (cap. 13).

Características Principais
Apesar de ser reconhecido como o grande livro de doutrina, Romanos não é difícil de se ler. O capítulo 8 é possivelmente a maior passagem em toda a Bíblia, você deve lê-lo repetidas vezes.
As doutrinas principais abordadas no livro de Romanos são pecado, santificação, justificação, propiciação e reconciliação. Naturalmente, outras doutrinas, tais como adoção, fé e glorificação são também abordadas.
Você perceberá muitas semelhanças entre Gálatas e Romanos. Gálatas foi escrita para opor-se aos judaizantes da igreja do sul da Galácia em 48 d.C. e Romanos, escrita 8 anos depois, expande os temas estabelecidos em Gálatas.
Porque Romanos é tão importante, gostaria de registrar declarações a seu respeito de alguns dos maiores líderes e teólogos da história. As seguintes foram extraídas do livro de Scroggie, ‘The Unfolding Drama of Redemption’, um livro que recomendo:
Alford: ‘A maior obra de S. Paulo.’
Coleridge: ‘O escrito existente mais profundo.’
Godet: ‘A maior obra-prima que a mente humana pôde conceber e realizar; a primeira exposição lógica da obra de Deus em Cristo para a salvação do mundo.’
Lutero: ‘A parte principal do Novo Testamento, o evangelho perfeito.’
Calvino: ‘Todo cristão devia alimentar-se dele como pão para sua alma.’
H. Meyer: ‘A maior e mais rica de todas as obras apostólicas.’
Tholuck: ‘Uma filosofia cristã da história humana.’
Farrar: ‘E inquestionavelmente a declaração mais clara e mais plena da doutrina do pecado e da doutrina da libertação, colocada pelo maior dos apóstolos.’

Esboço

1. PECAMINOSIDADE DE TODOS OS HOMENS – 1.16-3.20
Todos os homens são pecaminosos, sejam gentios ou judeus. O gentio, que tem ampla evidência da existência de Deus, tanto através da criação, como da lei interior do coração, também será julgado. Ambos são culpados pois a justiça é somente mediante a fé em Jesus Cristo.

2. JUSTIFICAÇÃO DOS CRENTES EM JESUS – 3.21-5.21
A morte expiatória de Jesus é a base da justificação (3.21-26). A fé é o meio de obter-se a justificação: fica excluída a jactância humana devido às boas obras, e exemplos vetero-testamentários em Abraão (especialmente) e Davi (3.27-4.25). As muitas bençãos da justificação (5.1-11). Contraste entre Adão, em quem há pecado e morte, e Cristo, em quem há justiça e vida (5.12-21).

3. SANTIFICAÇÃO DOS CRENTES EM JESUS – 6.1-8.39
O batismo representa nossa identificação com a morte e ressurreição de Jesus – morrer ao pecado e ressuscitar para a justiça. Escravidão à justiça através da tentativa de guardar a lei tem o mesmo efeito que escravidão ao pecado (cap. 6).
Paulo reflete que sua própria escravidão à lei produziu culpa, pecado e condenação (cap. 7). Mas as boas novas são que “não há nenhuma condenação àqueles que estão em Cristo Jesus”. Assim triunfamos em Cristo e nunca somos separados do amor de Deus em Cristo Jesus (cap. 8).

4. INCREDULIDADE DE ISRAEL – 9.1-11.36
A presente incredulidade de Israel tem um propósito. Devem ver que a justiça auto-produzida não é aceitável a Deus (caps. 9-10); por enquanto, os gentios foram enxertados na árvore da bênção, mas haverá a hora de Israel (cap. 11).
Uma palavra de alerta. Alguns mestres insistem que o Israel natural não é diferente de qualquer outro país, e que a igreja é agora Israel. Ao ler o capítulo 11 cuidadosamente, juntamente com as profecias de Isaías, Zacarias e outros, não podemos evitar a conclusão de que Israel se tornará um centro do foco mundial nestes últimos dias e que Deus não o esqueceu.
Temos liberdade para espiritualizar a escritura somente quando a Bíblia assim o faz – Romanos 11.25b-26a diz: “…veio endurecimento em parte a Israel, ate’que haja entrado a plenitude dos gentios. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito…”.

5. VIVER CRISTÃO E CONCLUSÃO – 12.1-16.27
Consagração, ministérios na igreja, amor dentro da igreja e relacionamentos fora da igreja (cap. 12).
Obediência ao estado, amor e aguardar a vinda de Cristo (cap. 13). Cap 14 até 15.1-13 lida com o assunto da liberdade dos crentes com relação às leis cerimoniais e alimentares. Por fim, os planos de Paulo para retomar à Roma, alertas quanto aos falsos mestres, saudações e doxologia (cap. 15-16).

Fonte: Apostila do “International Bible Institute of London”, por Peter Rowe, PhD.

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Atos dos Apóstolos

Título
Atos tem sido comumente chamado de ‘Atos dos Apóstolos’ desde pelo menos o final do século dois, embora duvide-se que Lucas tinha a idéia de usar este título.
A referência aos apóstolos muito provavelmente significa os doze, todavia uma inspeção mais de perto do livro limita a atividade ‘apostólica’ a Pedro, João e Tiago, e mesmo assim somente nos primeiros capítulos.
‘Atos’ também faz referência à atividade sobrenatural que ocorreu no ministério da igreja. Esta atividade é de modo algum limitada aos doze apóstolos, mas inclui Felipe, Estevão, Ananias e Paulo; de fato a maior porção dos seus vinte e oito capítulos poderiam muito bem ter o título de ‘Os Atos de Paulo’.
A verdadeira ‘estrela’ do livro de Atos, contudo, não é Paulo, nem os doze, mas sim o Espírito Santo, o qual traz glória ao Cristo ressurreto através da igreja primitiva.

Tema
O tema de Atos é a obra do Espírito Santo dentro e através da igreja. A obra da redenção está agora completa, Cristo ressuscitou, a profecia de João 16.7 pode agora se cumprir. “Mas eu vos digo a verdade: Convém-vos que eu vá, porque se eu não for, o Consolador não virá para vós; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei.”

Verso Chave: Atos 1.8

Escritor
Lucas, o médico e companheiro de Paulo. O ‘primeiro relato’ mencionado em Atos 1.1 é o livro de Lucas, também endereçado a Teófilo (Lucas 1.3). Nossa discussão da autoria do livro de Lucas também discute a autoria de Atos.

Data e Lugar
Atos não registra a morte de Paulo, mas conclui a narrativa com Paulo ativamente trabalhando em Roma durante dois anos (Atos 28.30-31). Não há nem mesmo uma sugestão de um julgamento iminente, nem menção de quaisquer perseguições, as quais começaram com Nero em 64 AD; então, subentende-se que Atos foi escrito em 63 AD, cerca de dois anos depois da chegada de Paulo em Roma (61 AD). Paulo foi martirizado durante a perseguição de Nero aos cristãos em 64 AD.
Quanto ao lugar em que foi escrito, não há nenhuma evidência sugerindo que Lucas não esteve em Roma quando o livro foi escrito.

Propósito Imediato
O propósito de Atos foi de escrever um relato da expansão do evangelho e o desenvolvimento da igreja a partir do seu início em Jerusalém até o centro do poder em Roma.
Foi escrito para o mesmo patrono ou benfeitor do evangelho de Lucas, Teófilo, o qual pode ter ajudado financeiramente na sua publicação.
É interessante que Lucas nunca fala depreciativamente acerca dos oficiais romanos em sua narrativa, particularmente no modo que trataram a Paulo:
Sérgio Paulo, um homem inteligente – 13.7
Gálio apóia Paulo contra os judeus – 18.14-16
O escrivão da cidade apóia os cristãos – 19.37
Cláudio Lísias não viu nada contra Paulo – 23.29
Festo – Paulo nada fez para que morra – 25.25
Lucas procurou informar que o cristianismo não era nem subversivo (insubmisso, insubordinado), nem uma seita judaica, mas era para todos os homens, de toda parte.

Introdução
Atos é a última narrativa histórica da Bíblia. Registra o nascimento e primeiros momentos igreja de Jesus Cristo. Um mover dinâmico do Espírito Santo sobre a igreja primitiva provocou um crescimento, partindo de uma comunidade localizada em Jerusalém alcançando um fenômeno mundial em pouco mais de 30 anos.
Dizem que o último capítulo de Atos ainda está para ser escrito. Se o Espírito Santo atuou com tal poder sobrenatural durante os dias iniciais da igreja, então quanto mais podemos esperar nestes últimos dias!
Se você estudar o livro de Atos, é interessante observar o relacionamento dos seus dois personagens principais, Pedro e Paulo, no que se refere aos propósitos gerais de Deus. É como se estes homens fossem carregadores de tochas olímpicas. A chama de Pedro inflamou a igreja primitiva e levou o evangelho aos gentios, e então, ele passou a tocha para Paulo, o qual carregou-a pela Europa para cumprir o alvo de levar o evangelho a Roma.
O livro de Atos é empolgante e desafiador. Ele revela o que Deus pode fazer, mediante o poder do Espírito, com um bando de discípulos desencorajados e confusos. E inspirador considerar que não há nenhuma razão pela qual a mesma coisa não possa acontecer conosco.

ESBOÇO
O livro de Atos pode ser dividido de acordo com o verso chave (Atos 1.8), “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em JERUSALÉM, como em toda JUDÉIA E SAMARIA, e até aos CONFINS DA TERRA.”
1. Jerusalém – 1.1-7.60
2. Judéia e Samaria – 8.1-11.18
3. Confins da terra – 11.19-28.31

1. JERUSALÉM – 1.1-7.60
O esboço de Atos que preparei é o mais detalhado que o esboço que fiz de qualquer outro livro do Novo Testamento. Isto deve-se ao fato de Atos fornecer uma estrutura para o entendimento de muitas das epístolas que vêm em seguida. O livro de Atos começa com as últimas palavras de Jesus aos Seus discípulos (1.8), seguido pela Sua ascensão ao céu. Após a nomeação de Matias para substituir a Judas, vemos o relato familiar do dia de Pentecoste. É interessante observar que, embora muitos deles estavam falando em outras línguas conhecidas na época do derramar do Espírito, a Escritura não diz que todas as línguas eram em idiomas conhecidos.
O sermão de Pedro é provavelmente registrado como uma sinopse da sua mensagem. Fortemente influenciado pelo profeta Joel, tenho a impressão que ele ficou tão surpreso quanto os outros. O resultado, 3.000 salvos e muitos milagres.
No capítulo 3, a cura do mendigo na Porta Formosa e o sermão subsequente de Pedro trouxeram um fim abrupto aos sentimentos de 2.47, “…contando com a simpatia de todo o povo…”.
Pedro e João foram presos, mas posteriormente libertos, recebendo um alerta impossível de ser cumprido, não falar mais acerca do nome de Jesus (4.17).
A igreja primitiva foi uma comunidade real, tendo todas as coisas cm comum. Esta não é uma ordem para os cristãos venderem suas casas e dar o dinheiro à igreja, embora o princípio de dar, ajudar e compartilhar transcende o tempo – havia uma situação especial: um vasto número de visitantes de todo o mundo eram salvos e permaneciam em Jerusalém. Precisavam de casa e comida.
Quando oramos por um reavivamento, sempre pensamos em termos de milagres, curas, etc; mas reavivamento traz julgamentos poderosos também. O julgamento de Ananias e Safira é exatamente tal caso. O resultado foi fenomenal – maiores milagres se seguiram. Leia capítulo 5.11-16.
À medida que os milagres aumentavam, a perseguição também aumentava; depois da sua segunda prisão, Pedro e João foram açoitados antes de serem soltos.
No capítulo 6, sete judeus foram escolhidos para ministrar a entrega das provisões às viúvas. Os apóstolos estavam muito ocupados para fazer isso, e os judeus gregos reclamavam que os judeus nativos estavam sendo favorecidos.
Assim escolheram sete ajudantes, todos com nomes gregos. Dois destes, Filipe e Estevão iriam se tornar personagens principais o livro de Atos.
Estevão foi um grande pregador e fazia milagres (6.8, 10), mas os judeus se levantaram contra ele e levaram-no a julgamento. Sua defesa no capítulo 7 é uma maravilhosa sinopse do Velho Testamento, o qual foi cumprido por Jesus. Isto foi muito para eles; levaram-no para fora e, sem referência ao fato de que era contra a lei romana matar um homem sem consentimento do procurador, o apedrejaram. Semelhante a Jesus, Estevão também orou pelo perdão dos seus executores.

2. EM TODA JUDÉIA E SAMARIA – 8.1-12.25
O martírio de Estevão e a perseguição feita por Paulo fez com que a igreja se espalhasse para a Judéia, Samaria e além. Quase todo o capítulo 8 envolve a pregação de Filipe em Samaria; seu ministério foi poderosamente sobrenatural com curas espantosas; ele foi até mesmo trasladado pelo Espírito Santo para Azoto.
A conversão de Saulo no capítulo 9 vem logo em seguida; Paulo, este arqui-perseguidor de cristãos, o qual estava a caminho de Damasco para este fim, torna-se um pregador do evangelho. Não demorou muito antes que ele tivesse que escapar pelo muro da cidade num cesto a fim de evitar um complô judeu.
Paulo teve uma breve estadia em Jerusalém três anos depois, mas os cristãos estavam naturalmente muito desconfiados. Barnabé tornou-se seu amigo e Paulo teve um breve encontro com Pedro e os apóstolos antes de partir para a Arábia. Temos conhecimento deste período da vida de Paulo através do capítulo 1 de Gálatas. Há a sugestão de que Paulo passou 10 anos na Arábia, recebendo grandes revelações acerca da salvação dos gentios.

Vejamos Paulo com mais detalhes antes de continuarmos nosso estudo de Atos.
A educação de Paulo e sua membresia no Conselho Judaico do Sinédrio (Atos 26.10) pareceria indicar que ele era abastado. Ele era um estudante brilhante (Gl 1.14), que estudou na escola rabínica do famoso Gamaliel, mencionado em Atos 5.34 (também Atos 22.3), e provavelmente ficou com sua irmã em Jerusalém (Atos 23.16).
Quando era rapaz em Tarso, como todos os meninos judeus, ele aprendera uma profissão; no caso de Paulo ele era um fazedor de tenda e curtidor. Paulo foi sempre primeiro um judeu, mas tinha orgulho de sua cidadania romana.
Embora seus escritos refletem fortes influências helenísticas, ele não se identificou com os Saduceus helenísticos, mas era um Fariseu ortodoxo de alto nível (Fp 3.5). Entretanto, foi a influência helenística que o capacitou a pregar no mundo grego dos seus dia.
Com relação ao homem em si, vemo-lo como uma combinação de forte, fraco, abrasivo, gentil; um homem de contrastes. Os atos não-bíblicos de Paulo do século dois dizem isto:
‘Ele era pequeno em estatura e calvo, pernas tortas, mas corpo em bom estado. Sobrancelhas ligadas e nariz um tanto recurvado. Cheio de afabilidade. Num momento parecia como um homem, no outro, tinha a face de um anjo.’
Sabemos que Paulo não era um grande orador (2 Cor. 10.10), todavia, ele sempre falou com o poder e demonstração do Espírito (1 Cor. 2.4).
Diz-me comumente que Paulo era casado porque era um membro do Sinédrio, mas não foi senão no final do primeiro século que o casamento tornou-se um requisito para a membresia. Leia em Atos para descobrir mais sobre este homem incrível.

Tarso
Veremos brevemente agora o lugar onde Paulo nasceu. Tarso era um grande centro judaico, localizado numa brecha na parte oriental das montanhas turcas Taurus. Sua proximidade com a Síria, em combinação com sua rota de passagem pelas montanhas, deu-lhe o título de “Portal da Ásia Menor”.
Bem antes, no tempo dos Selêucidas, Tarso fora aberta para a helenização, como ainda é no tempo de Atos. Sob a liderança de Antíoco Epifânio, os judeus da cidade receberam cidadania plena. Em 55 AC, quando Tarso tomou-se uma província Romana, Cícero, o governador romano, concedeu aos judeus cidadania romana plena.
Sua ênfase no aprendizado, filosofia, comércio e sua mistura racial outorgou-lhe o título de “Atenas do Oriente”.

Ministério de Pedro – 9.32-11.18
O restante do capítulo 9 revela milagres incríveis nas mãos de Pedro, incluindo a ressurreição de Tabita (Dorcas). No entanto, o acontecimento mais significativo desde o Pentecoste eslava prestes a ocorrer.
Um homem que temia a Deus (um gentio não-circuncidado), cujo nome era Cornélio, viu um anjo que ordenou que ele mandasse chamar a Pedro. Agora Pedro, um judeu, não estava preparado para isto; assim, Deus deu-lhe uma visão. É interessante que a visão de Pedro (10.9-16) a respeito dos animais impuros poderia ter sido precipitada pelo fato de que ele estava na casa de um curtidor (também impuro). A visão preparou Pedro para ministrar o Espírito Santo aos gentios (10.44-46).
O capítulo 11 é muito significativo, quando Pedro relata aos anciãos em Jerusalém acerca dos gentios terem recebido o Espírito Santo. Deus usou Pedro para isto, primeiro como um dos doze, mas também porque Paulo ainda não tinha credibilidade com os apóstolos.
O restante do capítulo 11 lida com a igreja em Antioquia; voltaremos a este tópico, mas, primeiro, uma outra perseguição rompeu em Jerusalém sob a liderança de Herodes. Ele mandou decepar Tiago e aprisionou a Pedro. Pedro foi miraculosamente liberto pelos anjos e Herodes morreu logo depois por querer obter a glória de Deus (12.20-24).

Antioquia
Antioquia, outrora um pequeno povoado nas margens do rio Orontes, perto da costa do Mediterrâneo, foi tomada por Selêuco, o qual a transformou na capital da Síria. Ela foi elaborada por um arquiteto profissional chamado Selêucia.
Uma rua central espetacular repleta de colunas, com um comprimento de três quilômetros e toda coberta por um telhado, atravessava esta cidade esplêndida. Ela foi asfaltada por Herodes, o Grande, em honra a Augusto. Cada lado da rua era alinhado por lojas, fazendo-a ser conhecida como o ‘quilômetro dourado’.
Sua localização na junção do Oriente com o Ocidente trouxe comerciantes de todo o mundo. Esta cidade próspera e imoral era a maior metrópole do Oriente, depois de Alexandria.
A relativa proximidade da Palestina, e sua prosperidade, atraiu um grande número de imigrantes judeus, engrossando a população.
Depois do martírio de Estevão, e da perseguição de Herodes, muitos cristãos fugiram para lá e pregaram o evangelho, resultando num grande número de convertidos.
Enquanto Jerusalém permanecia o centro de autoridade, Antioquia tornou-se o centro do evangelismo. As viagens missionárias de Paulo originaram-se de Antioquia; com um pequeno grupo de ajudantes, ele levou o evangelho por toda a Ásia Menor e a Grécia numa velocidade surpreendente.

3. OS CONFINS DA TERRA 11.19-28.31

PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (Atos 13.1-14.28)
Barnabé e Paulo juntamente com João Marcos (autor do evangelho de Marcos) partiram para a Galácia (atual Turquia), via Chipre. Esta viagem demorou quase três anos e envolveu uma travessia tortuosa das montanhas Taurus, infestadas de bandidos e mosquitos transmissores da malária. A viagem de Perge na costa, para Antioquia da Pisídia pelas montanhas, foi uma viagem particularmente perigosa. João Marcos os deixou em Perge, possivelmente por causa dos perigos adiante, ou talvez por causa de um conflito de personalidade com Paulo.
Os resultados da viagem foram muito positivos, com igrejas plantadas em Perge, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra (Paulo foi apedrejado aqui), Derbe e possivelmente outros lugares. Na sua viagem de retorno, Barnabé e Paulo nomearam anciãos em todas as igrejas.

O CONSELHO DE JERUSALÉM (Atos 15.1-35)
Veja nossa discussão no livro de Gálatas quanto aos assuntos abordados no Conselho de Jerusalém.

SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA (Atos 15.36-18.22)
Paulo e Barnabé, depois de discutirem sobre João Marcos, concordaram em se separar. Barnabé tomou Marcos e foi para Chipre, e Paulo levou Silas consigo na sua segunda viagem. Foram para encorajar as igrejas na Síria e Ásia. Incidentalmente, ao retornar para Listra, Timóteo juntou-se a Paulo e Silas. Paulo recebeu direcionamento divino em Trôade para ir à Macedônia (norte da Grécia); assim partiram para Filipos. (Para maiores informações, veja Filipenses nesta apostila). Foi em Filipos que houve o primeiro convertido europeu, Lídia. Logo depois disto, Paulo e Silas foram presos por expelirem um demônio de uma menina escrava. Enquanto estavam na prisão, louvavam ao Senhor à meia-noite e um grande terremoto atingiu o lugar. Depois de levar o carcereiro e sua família a Cristo e batizá-los, foram libertos, e continuaram para a vizinha Tessalônica. Foi aqui que os judeus levantaram um tumulto; Paulo e Silas, então, partiram de noite para Beréia. Os bereanos aceitaram calorosamente as palavas de Paulo até que os judeus de Tessalônica chegaram para causar confusão.
Na cidade seguinte, Atenas, Paulo pregou seu famoso sermão no Areópago, convidado pelos filósofos epicureus e estóicos. Isto levou à salvação de Dionísio, uma das figuras principais de Atenas. Os resultados em Atenas, comparados com outras cidades, foram longe de serem espetaculares, e assim Paulo partiu para Corinto (para mais informações veja 1 Coríntios nesta apostila).
Foi em Corinto que Paulo encontrou-se com Áquila e Priscila, cristãos que tinham fugido de Roma devido à perseguição de Cláudio. Foi também em Corinto que Paulo fez um voto de levar o evangelho aos gentios, depois que os judeus haviam blasfemado o nome de Jesus. A salvação de Crispo, um líder da sinagoga, levou a uma grande fúria por parte dos judeus, os quais arrastaram Paulo perante Gálio. O resultado foi irônico; Paulo foi liberto e Sóstenes, o líder da sinagoga, foi açoitado. Fico imaginando se este é o mesmo Sóstenes que é o companheiro de Paulo no evangelho em 1 Coríntios 1.1. O grupo retornou para Antioquia depois de pregação em Éfeso de passagem.

TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (Atos 18.23-21.14)
Paulo novamente visita as igrejas da Galácia e Frígia, indo então para Corinto, e depois para Éfeso com Priscila e Áquila.
Apolo estivera em Éfeso um pouco antes da visita de Paulo, mas fora para Corinto depois que Priscila e Áquila corrigiram sua doutrina.
Paulo encontrou liberdade para ficar em Éfeso por um período maior e esta grande cidade tornou-se uma base para alcançar toda a Ásia (19.10). Alguns outros centros asiáticos são bem conhecidos nossos a partir de Apocalipse 2-4: Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardis, Filadélfia e Laodicéia.
Éfeso era o mercado da Ásia Menor, situada na foz do rio Caister. Era chamada de “casa do tesouro”; todos os navios da Europa ou Oriente Médio paravam ali.
Éfeso era uma cidade para inquéritos judiciais; o governador romano visitava-a para julgar casos importantes de toda a Ásia. Havia muita pompa e cerimônia envoltos nestes julgamentos.
Interessante também é que os jogos Pan Iônicos eram realizados ali (o sudeste da Ásia chama-se Iônia). Estes jogos de prestígio eram organizados pelos asiarcas, os governantes de toda a Ásia (19.31).
Éfeso era famosa pelos seus amuletos e encantamentos que chamavam-se ‘cartas de Éfeso’; eram usados para proteger o usuário.
A glória de Éfeso era a ‘deusa’ Artemis (Latim: Diana). Um comércio enorme girava ao redor da adoração à Artemis (19.24). Seu templo era uma das sete maravilhas do mundo, mas ela mesma era representada por uma horrível efígie de madeira, sentada e com muitos peitos; a superstição local é que Zeus lançou-a do céu (19.35).
Enquanto estava em Éfeso, Paulo foi confrontado com o problema de cristãos incompletos, semelhantes a Apolo, os quais tinham somente ouvido a pregação de João Batista. Durante os dois anos de sua estadia, Paulo também escreveu 1 Coríntios.
Uma característica do ministério em Éfeso foram os milagres incríveis que Paulo executou, particularmente depois da humilhação dos exorcistas judeus, os filhos de Seva.
O ministério de Paulo começou a atrapalhar o comércio local, visto que os pedidos para os ídolos diminuíram. Tumultos se levantaram, mas Paulo foi inocentado e partiu para Macedônia.
Na Grécia, Paulo ficou sabendo de uma ameaça contra sua vida; assim ele começou sua longa viagem para casa, passando por Filipos, e depois de navio para Trôade. Foi em Trôade que Paulo pregou até meia-noite e Êutico adormeceu, vindo a morrer e a ser ressuscitado dentre os mortos. Paulo partiu para Mileto, então para Éfeso, a fim de encorajar os anciãos com um emocionante discurso de despedida.
Paulo sabia que a captura o aguardava em Jerusalém (20.23); ainda assim, ele resolutamente retornou, apesar de alertas posteriores em Tiro e em Cesaréia, através de Ágabo.

JERUSALÉM
Na sua chegada em Jerusalém, Paulo encontrou-se com Tiago. Os antigos problemas judeus vieram à tona (21.21), assim arquitetaram o plano de fazer Paulo ficar bem com os judeu ao sustentar financeiramente quatro judeus que fizeram um voto nazireu e acompanhá-los ao templo para o ritual de purificação.
A manobra não deu certo e Paulo foi preso para sua própria segurança depois das acusações dos judeus de que ele levara um gentio ao templo.
Pleiteando sua cidadania romana, Paulo obteve consentimento de endereçar algumas palavras à multidão nas escadarias do Castelo Antônia, mas a multidão clamou em desaprovação (22.23). A resposta dos romanos foi de açoitar a Paulo (quase uma sentença de morte), mas ele os lembrou de que era contra a lei açoitar um cidadão romano.
Paulo recebeu ordens de ir perante o conselho judeu para responder as acusações. Ele astutamente pregou acerca da ressurreição, um tópico que dividia os fariseus e saduceus. No tumulto que se seguiu, Paulo foi levado à custódia protetora e transportado para Cesareia. Félix, o governador, temeroso em fazer um julgamento, e também esperando por um suborno, deixou que Paulo definhasse na prisão por dois anos.
No capítulo 25, Festo ressuscitou o caso, mas Paulo que iria enfrentar um julgamento judeu em Jerusalém, exigiu como cidadão de Roma que fosse julgado perante César. Festo levou Paulo perante Herodes Agripa, o qual considerou-o inocente. Todavia, ele tinha de mandá- lo para Roma, devido ao seu apelo a César.
Depois de uma viagem tumultuada para Roma, incluindo um naufrágio, Paulo é colocado em prisão domiciliar. Muitos vieram para visitá-lo e alguns da casa de César foram salvos. Foi nesta época, 60 – 62 AD, que ele escreveu suas epístolas da prisão.
Um apelo a Nero em 62 AD deu-lhe liberdade temporária, mas ele foi aprisionado novamente durante a perseguição de Nero e foi executado. Pedro também pereceu nesta época.

Fonte: Apostila do “International Bible Institute of London”, por Peter Rowe, PhD.

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Características da Pregação Neotestamentária

1. Tem base Escriturística – At 2.17-21,25-28,34,35
2. Cristocêntrica – At 2.22
3. Reconhece a Soberania de Deus – At 2. 23
4. Confrontativa, Ungida (Coragem) – At 2.23,36
5. Enfatiza a morte de Cristo – At 2.23
6. Enfatiza a ressurreição de Cristo – At 2.24-32; 1 Co 15
7. Enfatiza a exaltação de Cristo – At 2.33
8. Revela Jesus como doador do Espírito Santo – At 2.33; Jo 16.7
9. Proclama Jesus como Senhor – At 2.36
10. Proclama Jesus como Cristo – At 2.36
11. Chama ao arrependimento – At 2.38
12. Enfatiza a ordenança do Batismo-At 2.38
13. Enfatiza o perdão dos pecados como resultado do arrependimento – At 2.38
14. Enfatiza a promessa do Espírito Santo para os que se arrependem e creem – At 2.38,39
15. Inclui um chamado à Santificação – At 2.40
16. Focaliza o Reino de Deus (não pessoas ou igrejas) – At 28.31; Lc 8.1, 9.2
17. Realizada no Poder do Espirito Santo – 1 Co 2.1-5
18. Enfatiza a salvação pela fé e não por obras – At 13.39; Gl 3.1-11; Ef 2.8,9
19. Toda Glória deve ser remetida a Deus em Cristo – At 3.12,13
20. Reconhece que parte da revelação de Deus se deu através da História de Israel – Hb 1.1-4
21. É dirigida a todos, indistintamente – Mc 16.15; At 10.28,34
22. Inclui a possibilidade de salvação ou de perdição – Mc 16.16; Jo 3.16
23. Deve ser coerente com a prática — 1 Co 9.24-27
24. Deve incluir insistência, admoestação, repreensão, exortação e ensino – 2 Tm 4.1,2
25. Encontra um ponto de contato – At 17.22-31
26. Enfatiza o poder que há no nome de Jesus – At 3.16, 4.10
27. Reconhece Jesus como único meio de salvação – At 4.12.
28. Tem com alvo levar as pessoas a crerem e confessarem Jesus como Senhor – Rm 10.9-13
29. Deve ser pregada a todas as pessoas em todos os lugares – Rm 10.14,15
30. O Espírito Santo usa a pregação para gerar fé nos corações – Rm 10.16,17

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Como se Deve fazer a Obra do Senhor?

Texto: 1 Co 15.58

1. A obra do Senhor se deve fazer com firmeza
– Sede firmes.
– Sólido, estável; Resistente, compacto; Resoluto, que não hesita ou vacila; Constante, inabalável, perseverante.
– Temos sido firmes na realização da obra de Deus?

2. A obra do Senhor se deve fazer com constância
– Sede … inabaláveis (ARA)
– Sentido no original: irremovível, que não pode ser mudado de seu lugar.
– Não podemos ser inconstantes como Israel – Os 6.4
– Temos sido inabaláveis, ou temos nos abalado facilmente? Temos sido constantes ou inconstantes?

3. A obra do Senhor se deve fazer com abundância
– Sempre abundantes, não de vez em quando.
– Abundar: Produzir em grande quantidade.
– Temos sido sempre abundantes? Nossa produção tem sido grande ou pequena?

4. A obra do Senhor se deve fazer com esforço
– Vosso trabalho, no original pode ser traduzido por ‘vosso esforço’.
– Ler Ec 9.10; Rm 12.11
– Temos nos esforçado na realização da obra de Deus?

5. A obra do Senhor se deve fazer com a consciência de que teremos recompensa pelo nosso trabalho
– No Senhor o vosso trabalho não é vão, vazio.
– Ler 1 Co 3.11-15 – Os galardões serão dados de acordo com o tipo de material usado na realização da obra de Deus.

Pr Ronaldo Guedes Beserra

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Um Verdadeiro Servo

Texto: João 13.1-17

Introdução
– Ef 6.6 – “não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus”; Nosso objetivo como servos não deve ser o de agradar a homens, mas agradar a Deus.
– Jesus é o maior exemplo de servo que agradou ao Pai; é o Servo por excelência – Is 53; Mt 20.28; Fp 2.5-8.

Transição
– João 13 é uma das passagens mais emblemáticas (simbólicas) de Jesus como Servo. Aqui, de forma bastante prática, Jesus é apresentado como Servo.
– A partir do exemplo de Jesus como Servo, o texto nos mostra alguns ensinamentos a respeito de um verdadeiro servo.

I.) O verdadeiro servo ama até o fim – v. 1
– Para servir é necessário muito amor!
– Ler 1 Co 13.4-8 e comentar.
– Como servos temos amado aqueles a quem servimos? E amado até o fim?

II.) O verdadeiro servo pode ser traído por alguns daqueles a quem serve – v. 2
– Jesus seria traído por Judas, pois o diabo havia colocado esse desejo maligno no coração de Judas. Portanto, nosso trabalho como servos está envolvido em intensa luta espiritual.
– Mesmo sabendo que está sendo traído, o servo deve continuar disposto a servir o traidor; Jesus também lavou os pés de Judas!
– Traições podem acontecer, e isso pode até nos angustiar, mas não deve nos tirar de nosso objetivo (v. 21).

III.) O verdadeiro servo tem consciência de quem lhe deu autoridade, e tem segurança da sua identidade – v. 3
– O servo sabe que sua autoridade vem de Deus, ainda que por meio das autoridades eclesiásticas. Portanto, a sua responsabilidade é antes para com Deus, do que para com os líderes da igreja. Em última instância, o servo deve prestar contas a Deus. O seu serviço está sendo feito para Deus. Ao servir pessoas, na verdade ele está servindo a Deus!
– Se Deus, e não o nosso líder, nos pedir conta hoje do nosso trabalho, o que responderemos?
– Jesus tinha “plena consciência de sua divindade e messiado”. (Pack). Ou seja, Ele tinha segurança de Sua identidade; não precisava ficar se comparando com os outros!
– Quem está seguro do seu valor pessoal, e do seu lugar no corpo de Cristo, não precisa ficar se comparando com outras pessoas, seja para se engrandecer, seja para se depreciar!
– Você tem se comparado muito com outros servos? Isso não pode ser sinal de insegurança pessoal?

IV.) O verdadeiro servo se dispõe a fazer o serviço mais vil – v. 4,5
– “Ele se veste como um empregado da casa e pratica a tarefa de um empregado” (F. F. Bruce, referindo-se a Jesus).
– Diante da intensa competição que havia entre eles, Jesus lhes deu um grande exemplo (ver Lc 22.24-27).
– As pessoas brigam por cargos na igreja, mas geralmente não se dispõem para ir aos asilos, orfanatos, hospitais, clinicas de recuperação, etc.
– As pessoas brigam para participar de ministérios que mais aparecem, mas não brigam para limpar banheiros e para olhar os carros na parte externa do templo.
– Estamos dispostos a fazer o trabalho mais vil? Jesus o fez!

V.) O verdadeiro servo pode encontrar resistência ao servir; no entanto deve contornar tal resistência com sabedoria e completar a tarefa – v. 6-9
– Pedro tentou resistir; Jesus sabiamente lhe convenceu a ser servido!
– Você tem encontrado resistência em sua função e em seu desejo de servir? Haja com sabedoria e cumpra a sua tarefa!

VI.) O verdadeiro servo é uma pessoa de discernimento – v. 10,11.
– Discernimento para ensinar verdades espirituais, e discernimento para conhecer as pessoas com as quais convive.
– Um servo não precisa necessariamente ser uma pessoa sem discernimento; deve se aplicar no aprendizado das coisas espirituais, deve ser dirigido pelo Espírito Santo, deve aprender com as experiências da vida.
– Não se conforme em ser alguém sem preparo bíblico, espiritual, intelectual!
– Você tem tido discernimento como servo?

VII.) O verdadeiro servo ensina com palavras e pelo exemplo – v. 12-15
– Nesses versos Jesus ensina com palavras o que já havia ensinado com Seu exemplo prático!
– Jesus foi um especialista em abrir as janelas da mente dos discípulos; Ele instigava a inteligência deles, não só com palavras, mas também com atitudes!
– v. 14 – Devemos lavar os pés uns dos outros! Temos feito isso? Temos sido servos uns dos outros?
– v. 15 – Devemos imitar o Mestre! Temos feito isso? Temos sido seus imitadores?

Conclusão
– Destacar os vs. 16,17.
– v. 16 – O servo não é maior que o seu senhor, ou seja, se o senhor serve, os servos também devem servir!
– v. 17 – Bem-aventurados, felizes sereis se praticardes estas coisas!

Pr Ronaldo Guedes Beserra – SP, 25.08.2017.

Visite o Site do Pr Ronaldo em http://www.ronaldoguedesbeserra.com.br

 

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Abraão: Uma Jornada de Fé

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Evangelização — A missão máxima da Igreja

“Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15).

A igreja de Cristo não pode enclausurar-se dentro dos templos, mas deve cumprir a sua missão por toda parte, onde estão os pecadores.

Mateus 28.19,20; Marcos 16.15-18.

INTRODUÇÃO

Evangelização: É o esforço conjunto e contínuo da igreja para anunciar o evangelho de Cristo aos pecadores.

O progresso de uma igreja local não pode ser medido ou avaliado primeiramente por suas atividades filantrópicas, educacionais e materiais. O progresso real de uma igreja é avaliado por seu alcance evangelístico, juntamente com seus frutos espirituais, como resultado da semeadura da Palavra de Deus. Todas as demais atividades são importantes, mas a prioritária e incessante é a evangelização.

I. DEFINIÇÃO DE TERMOS

Existem três palavras interligadas na proclamação das Boas-Novas que merecem a nossa atenção: evangelho, evangelismo e evangelização. Estas definem e explicam a missão máxima da igreja na terra.

1. Evangelho (Mc 16.15). Só entenderemos a importância da missão evangelizadora da igreja compreendendo o significado de evangelho. O que é evangelho? No sentido mais simples, o evangelho é definido como “boas-novas de salvação em Cristo”. Noutras palavras, “evangelho” é o conteúdo da revelação de Deus, em Jesus como Salvador e Senhor de todas as criaturas que o aceitam como seu Salvador pessoal. Evangelho, portanto, é o conjunto das doutrinas da fé cristã que deve ser anunciado a toda criatura.

2. Evangelização. Mateus 28.19,20 apresenta o imperativo evangelístico de Cristo à sua igreja, com quatro determinações verbais:
a) Ir. No sentido de mover-se ao encontro das pessoas, a fim de comunicar a mensagem salvífica do evangelho;
b) Fazer discípulos. Com o sentido de “estar com” as pessoas e torná-las seguidoras de Cristo;
c) Batizar. É o ato físico que confirma o novo discípulo pela sua confissão pública de que Jesus Cristo é o seu Salvador e Senhor;
d) Ensinar as doutrinas da Bíblia, com o objetivo de aperfeiçoar e preparar o discípulo para a sua jornada na vida cristã.

3. Evangelismo. Possui um caráter técnico, pois se propõe a ensinar o cristão a cumprir, de modo eficaz, a tarefa da evangelização. O evangelismo na igreja local implica uma ação organizada e ativada pelos membros, para desenvolver três ações necessárias à pessoa do evangelista: informação, persuasão e integração do novo convertido.

Evangelho, evangelização e evangelismo distinguem-se quanto à prática, mas possuem as mesmas formações linguísticas. Evangelização é o anúncio da mensagem. Evangelismo é a técnica de comunicação da mensagem.

II. A BASE DA EVANGELIZAÇÃO

O Pastor Guilhermo Cook, da Costa Rica, declarou num congresso de missões que a tarefa da evangelização está firmada em três bases distintas: a base cristológica, a ministerial e a sociológica.

1. A base cristológica. É evidente que a mensagem que pregamos aos pecadores só pode ser a mesma que Cristo pregou quando esteve na Terra. Jesus, ao iniciar o seu ministério terreno, o fez a partir da cidade de Nazaré, quando entrou numa sinagoga e levantou-se para ler a Escritura. Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías e, ao abri-lo, leu e explicou o texto de Isaías 61.1,2 (ver Lc 4.18,19). Nesta Escritura, Cristo se identificou com a missão para a qual viera (Jo 1.14), mas não restringiu a mensagem e a missão evangelizadora para si, pois outorgou-as a seus discípulos (Jo 20.21). Ora, o mesmo Espírito que ungiu a Jesus para proclamar as boas-novas habita na Igreja para que ela dê continuidade à proclamação da mensagem salvadora do evangelho de Cristo (Lc 24.49; At 1.8; Rm 1.16).

2. A base ministerial. No Antigo Testamento identificamos três ministérios distintos: o sacerdotal, o real e o profético.
a) O sacerdote representava o povo diante de Deus, orando e intercedendo por ele no exercício do ministério no Tabernáculo ou no Templo;
b) O rei representava a Deus perante o povo, e simbolizava o domínio do divino sobre o humano;
c) O profeta era o intermediário entre Deus e o povo, comunicando a mensagem de amor e de juízo.
Quando Jesus se fez homem, exerceu esse tríplice ministério. Como rei, nasceu da linhagem real de Davi (Lc 1.32; Rm 1.3). Como sacerdote, foi declarado sacerdote de acordo com a ordem de Melquisedeque, e não segundo a levítica (Hb 7.11-17,21-27). Como profeta, Cristo foi identificado pela mensagem que pregava (Lc 4.18,19). Porém, o Senhor Jesus transferiu para a igreja esse tríplice ministério. A igreja é vinculada à linhagem real de Jesus, porque somos o seu corpo glorioso na terra (Ap 1.6; 1 Co 12.27). O sacerdócio da igreja é identificado pela sua presença no mundo como intermediária entre Deus e os homens. Exercemos esse ministério, cumprindo as responsabilidades sacerdotais: interceder e reconciliar o mundo com Deus (2 Co 5.18,19; Hb 2.17). E, por último, a igreja, ao anunciar a Cristo como Senhor e Salvador, cumpre o seu papel profético (1 Pe 2.9; At 1.8).

3. A base sociológica. Em síntese, pessoas evangelizam pessoas, pois Jesus morreu pelos pecadores. É sociológica porque a igreja emprega os meios da comunicação pessoal para persuadir os indivíduos de que Jesus é o Salvador; e porque a mensagem não se restringe a um grupo, mas tem por objetivo alcançar todas as criaturas.

Os três pilares, que alicerçam a evangelização – cristológico, ministerial e sociológico – descrevem os fundamentos por meio dos quais as igrejas locais realizam a missão evangelizadora.

III. A EVANGELIZAÇÃO URBANA E A TRANSCULTURAL

1. Evangelização urbana. Sem prescindir da evangelização nos meios rurais, é um fato notório em nossos tempos que a vida urbana é uma realidade que desafia e exige da igreja uma pronta e veemente atitude para alcançá-la. Existe um fluxo migratório incontrolável de pessoas que deixam a vida rural e saem em busca de melhores oportunidades nas grandes cidades. Muitos problemas sociais resultam da desorganização da vida urbana, e a igreja deve estar preparada para responder a esses dilemas.
Estratégias adequadas devem ser desenvolvidas para alcançar as pessoas. Os problemas típicos da vida urbana, tais quais a diversidade cultural, a marginalização social, o materialismo, a invasão das seitas e as tendências sociais, desafiam a igreja no sentido de, sem afetar a essência da mensagem do evangelho, demonstrar o poder da Palavra de Deus que transforma e dá esperança a todos (Rm 1.16).

2. Evangelização transcultural. A evangelização transcultural começa na vida urbana com as diferentes culturas vividas pelos seus habitantes. Porém, ela avança quando requer dos missionários uma capacitação especial para alcançar as pessoas. É preciso que o missionário tenha uma visão nítida de que a mensagem do evangelho é global, pois o Cristianismo deve alcançar cada tribo, e língua, e povo, e nação até as extremidades da terra (Is 49.6; At 13.47).

A missão evangelizadora da igreja é local e global. Enquanto a evangelização local é intracultural (dentro da cultura do evangelista), a global é transcultural (fora da cultura do evangelista).

CONCLUSÃO

A mensagem do evangelho deve ir a todas as extremidades da Terra, porque a salvação que Cristo consumou no Calvário visa a toda a humanidade. A igreja não pode negligenciar sua missão principal: alcançar todos os povos com a mensagem do evangelho.

VOCABULÁRIO

Cristológico: Relativo a Cristo; fundamentado em Cristo.
Filantrópico: Relativo à filantropia; amor à humanidade; obras de caridade.
Imperativo: Que ordena, ou exprime uma ordem.
Migração: Mudar periodicamente, ou passar de uma região para outra.
Prescindir: Renunciar; abrir mão de; dispensar.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

COLEMAN, R. Plano mestre de evangelismo pessoal. RJ: CPAD, 2001.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

Subsídio Devocional

“Renovando e Alcançando Pessoas
Precisamos começar perguntando mais uma vez: Qual a nossa missão como igreja? A resposta está em reconhecer que somos o corpo de Cristo. Portanto, devíamos estar fazendo o que Ele fez na terra. A evangelização do mundo, portanto, tem de ser a missão, o objetivo norteador da Igreja, pois era a meta central de nosso Senhor — a única razão pela qual o Filho eterno, despojando-se de suas vestes de glória, assumiu nossa forma. Ele veio para ‘buscar e salvar o que se havia perdido’ (Lc 19.10) — ‘não veio para ser servido, mas para servir; e para dar a sua vida em resgate de muitos’ (Mt 20.28).
Uma senhora, num grupo de turistas que visitava o Mosteiro de Westminster, pinçou exatamente o problema. Voltando-se para o guia, perguntou-lhe: ‘Moço, moço! Pare um pouco essa conversa, e me responda: será que alguém foi salvo aqui por esses dias?’.
Um estranho silêncio recaiu sobre o grupo de turistas assustados e, quem sabe, já embaraçados. Salvo no Mosteiro de Westminster? Por que não? Não é essa a função da igreja? Uma igreja que esteja descobrindo o entusiasmo do avivamento saberá disso, e estará em atividade, procurando ganhar os perdidos. O avivamento e a evangelização, embora diferentes quanto à natureza, brotam da mesma fonte e fluem juntos. Uma igreja que não sai para o mundo anunciando as verdades do reino não reconheceria o avivamento, mesmo que este viesse”.
(COLEMAN, R. Como avivar a sua igreja. 15.ed., RJ: CPAD, 2005, p. 87-88.)

APLICAÇÃO PESSOAL

A Igreja não foi edificada por Cristo para construir escolas, fundar hospitais ou assumir cargos políticos, por mais dignas que sejam tais realizações, mas para cumprir com o mandato de “ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Quando os crentes prescindem da evangelização, não resta mais nada a igreja do que ser uma associação religiosa em busca de privilégios e reconhecimento social. Somente um poderoso reavivamento na vida dos crentes será capaz de transformar uma igreja apática quanto à evangelização em uma comunidade rediviva. Cada crente deve envolver-se com a evangelização dos pecadores. Cada cristão deve ser uma fiel testemunha de Cristo.

Fonte: Lições Bíblicas, Elienai Cabral, CPAD.

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Evangelismo

A igreja existe comunicar a Palavra de Deus. Somos embaixadores de Cristo e nossa missão é evangelizar o mundo. A palavra ir na Grande Comissão, no original grego, deve ser lida como “enquanto você está indo”. E responsabilidade de cada crente compartilhar as boas novas em qualquer lugar que vá. Devemos falar para to mundo que Cristo veio, morreu na cruz, ressuscitou e nos prometeu que voltaria. Um dia, cada um de nós prestará contas a Deus sobre o nosso posicionamento diante desta responsabilidade.

A missão do evangelismo é tão importante que Jesus nos deu cinco Grandes Comissões (Mt 28:19-20, Mc 16:15, Lc 24:47-49, Jo 20.21 e At 1:8). Jesus nos ordena a ir e falar para o mundo a mensagem da salvação.

Evangelismo é mais do que responsabilidade, é um grande privilégio. Somos convidados a participar, trazendo pessoas para a família eterna de Deus. Não conheço uma causa mais importante à qual alguém possa dedicar sua vida. Se você soubesse como curar o câncer, estou certo de que faria tudo que pudesse para compartilhar isso com os outros, pois isto salvaria milhões de vidas. Mas você já sabe de algo bem melhor: a você foi dado o evangelho da vida eterna para ser propagado. Existe notícia melhor que essa?

Enquanto houver uma pessoa no mundo que não conhece a Cristo, a igreja tem o mandamento de continuar crescendo. O crescimento não é algo opcional, é uma ordem de Jesus. Nós levemos buscar o crescimento da igreja para o nosso próprio benefício, mas sim porque Deus quer que as pessoas sejam salvas.

Fonte: Uma igreja com propósitos, Rick Warren, Editora Vida.

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O significado da evangelização

A evangelização está principalmente relacionada com o crescimento por conversão. Em segundo lugar, tem alguma relação com o crescimento biológico porque, na realidade, os filhos dos crentes precisam ser evangelizados. O crescimento por transferência, porém, não é preocupação propriamente dita da evangelização.

Não fui capaz de melhorar o que é conhecido como a “definição dos arcebispos”, formulada por um grupo de arcebispos anglicanos. Essa definição declara:

“Evangelizar é de tal maneira apresentar a Cristo Jesus no poder do Espírito Santo, que homens e mulheres venham a confiar em Deus através dEle, aceitando-O como Salvador e servindo-O como Rei, dentro da comunhão de Sua igreja”.

No final dos anos 70 […] John Stott veio com esta definição de evangelização […] e esta se tornou a definição oficial do Comitê de Lausanne:

“A natureza do evangelismo é comunicação das Boas Novas. O propósito do evangelismo é oferecer às pessoas uma oportunidade válida de aceitar Jesus Cristo. O alvo do evangelismo é persuadir homens e mulheres a aceitarem Jesus Cristo como Senhor e Salvador, servindo-O dentro da comunhão de Sua igreja”.

Fonte: Estratégias para o crescimento da igreja: princípios bíblicos e métodos práticos para uma evangelização eficaz, Peter Wagner, Editora Sepal.

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Métodos para Evangelização

Métodos de Evangelismo

Atualmente existem muitos métodos usados para a proclamação do evangelho, alguns mais eficientes que outros. De um modo geral, todos têm o seu devido valor. As pessoas possuem qualidades, personalidades e habilidades diferentes, e o desejo de Deus é que cada um use daquilo que Ele deu para levar as Boas Novas. Na Bíblia encontraremos vários exemplos de personagens que foram usados por Deus para que muitos viessem a crer no Senhor Jesus, cada um usando o seu próprio estilo. Destacaremos apenas alguns dos métodos que podem ser usados tanto pelo cristão como membro, quanto pela igreja como corpo.

Lembre-se que a mensagem sempre será a mesma em qualquer época ou para qualquer pessoa, porém os métodos podem e devem variar.

A. Método de confrontação:

A evangelização confrontadora é a forma pela qual os cristãos encontram uma pessoa ou mais, que geralmente não conhecem e aproveitam a oportunidade para apresentar-lhe o evangelho. Às vezes, o uso desta técnica ocorre com pessoas conhecidas pelo evangelizador, tais como colegas de trabalho ou vizinhos, com quem o cristão não tem um relacionamento particularmente forte ou longo. Uma característica bem forte deste método é que o cristão habitualmente determina quem está inclinado a ouvir o evangelho, quando e onde as condições são apropriadas, sendo a mensagem tipicamente dogmática para levar o ouvinte a tomar uma decisão no ato, ou arriscar-se à condenação eterna, ou seja, há proclamação das Boas Novas e uma chamada à decisão. A evangelização confrontadora acontece nos mais variados ambientes: no lar do não-cristão, por exemplo: evangelização de porta-em-porta ou encontro combinado por telefone; em lugares de atividade de lazer ou de descanso, como em praias, em concertos; em lugares públicos, ônibus, aviões, estacionamentos e eventos esportivos; em qualquer lugar onde duas pessoas ou mais possam manter uma conversa.

a. Exemplo: Em Atos 2.11-12, na ocasião da descida do Espírito, diante do que estava acontecendo, alguns ficaram atônitos e perplexos, mas outros zombavam e diziam que os discípulos estavam bêbados. Diante desta situação, Pedro começa o seu discurso (At 2.14-41) e neste deixa bem claro as Boas Novas de salvação para aquele povo, e no verso 41 diz que naquele dia houve cerca de três mil pessoas se rendendo aos pés de Cristo. Coragem, intrepidez, disposição e paixão pelos perdidos, isto é que Pedro possuía. Deus usou a Pedro com suas características pessoais, com sua personalidade própria e com suas imperfeições. Deus queria uma pessoa sem medo para assumir uma posição ali em Jerusalém – local em que Cristo fora crucificado. Em nosso meio há pessoas que precisam ser confrontadas com as verdades do evangelho seja pessoalmente, através de um diálogo ou impessoalmente, através de uma grande cruzada evangelística.

B. Método socrático [1]:

Este é o método pelo do qual argumenta com o não-cristão acerca da realidade, reflete-se sobre os argumentos que tem ouvido e tira conclusões para uma conversa, uma troca de idéias. É um método que leva a pessoa a pensar a raciocinar e até mesmo a questionar, a fim de que suas dúvidas quanto ao evangelho sejam tiradas. Este tipo de abordagem não requer uma aceitação calada de verdades impostas. Segundo George Barna este método “diferencia conhecimento de opinião, fato de emoção” [2]. Normalmente as pessoas não têm muita confiança naqueles que alegam conhecer a verdade e, além do mais, afirmam saber como obtê-la, visto que fazemos parte de uma geração onde tudo é relativo, onde não “há mais” verdades absolutas. Através da evangelização socrática, é menor o risco do não-cristão tomar uma decisão simplesmente por emoção, por pressão de um amigo ou parente, ou por estar passando por um período de dificuldades. A sua decisão virá após uma compreensão do significado do evangelho que está aceitando. Paulo usou muito este método, mesmo que ele usasse a confrontação, o seu método envolvia também uma apresentação lógica e racional da mensagem do evangelho, ele era expert em apresentar verdades centrais a respeito de Deus, o pecado, o homem e a solução para o problema do homem, haja visto a carta aos Romanos.

a. Exemplo 1 : Certa ocasião, Paulo estava em Tessalônica, onde havia uma sinagoga de judeus, e foi procurá-los a fim discutir sobre as Escrituras (At 17.1-4). É interessante que a Bíblia diz que este já era um costume de Paulo (v.2), e este “discutir” envolvia expor ou defender algum assunto alegando razões, envolvia muito o raciocínio, o intelecto. Paulo explicava-lhes porque foi necessário que Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos.

b. Exemplo 2: Um pouco mais adiante, Paulo encontra-se em Atenas enfurecido por causa da idolatria do povo, e não se cala e começa a anunciar as Boas Novas, e por isso foi levado ao Areópago, que era um Tribunal Ateniense onde eram realizadas assembleias de magistrados, sábios e literatos, e lá pôde falar mais ainda a respeito do seu Deus. Paulo usou de muita sabedoria para falar àqueles homens, pois ele partiu do conhecido; que eram as várias estátuas de deuses, para o desconhecido, que era uma estátua que havia entre as demais a qual Paulo chamou de “o Deus desconhecido”. Paulo falou com eles usando cultura e conhecimento do evangelho, e alguns creram e se agregaram a ele (At 17.16-34).

c. Exigência: Há pessoas que são resistentes ao evangelho, não aceitam qualquer ideia que seja nova para elas. São pessoas que não aceitam respostas fáceis, quadradinhas, muitos querem ver a razão em tudo. Diante destas pessoas não há método melhor a ser usado que o socrático, pois este envolve o uso de uma argumentação racional, e para isto é necessário estar preparado “para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15).

C. Método testemunhal:

Este é o método em que a pessoa evangeliza falando da obra realizada por Deus em sua vida, é um testemunho do poder transformador do evangelho. Este método, como qualquer outro, exige muito mais do que falar, porque as pessoas vão querer ver o que de fato aconteceu, investigarão para ver se é verdade ou não.

a. Exemplo 1: As Escrituras falam a respeito de um cego de nascença que fora curado pelo Senhor Jesus (Jo 9), e este teve a oportunidade de testemunhar a respeito deste milagre, tanto para seus vizinhos (vv. 8-9) quanto para os fariseus (vv. 31-33), mesmo sem conhecer o autor do mesmo. Após conhecê-lo, o que era cego creu no Senhor Jesus e O adorou (v. 38). Mesmo a liderança não acreditando, questionando o seu testemunho, ele não cessou de falar a verdade ao ponto de ser expulso da sinagoga. Nem sempre as pessoas reagirão positivamente ante ao testemunho pessoal, muitos rejeitam o evangelho independente do método usado para anunciá-lo.

b. Exemplo 2: Outro exemplo do uso deste método é o testemunho da mulher samaritana (Jo 4.1-18) que, após compreender quem era Jesus saiu contanto a todos quem havia conhecido (Jo 4.39-42); por intermédio do seu testemunho, muitos vieram a crer no Senhor. Mesmo sendo uma mulher de má reputação ela não receou em ir até a cidade para falar a respeito de quem ela conhecera. É bem possível que tenha acontecido alguém tê-la rejeitado, mas muitos foram os que a ouviram.

c. Lembrete: A maioria das pessoas tem em mente o método testemunhal para ser usado somente por aqueles que possuem um testemunho dramático ou sensacionalista. Na realidade basta haver evidências de transformação de vida, para que um testemunho seja eficiente, e se algum cristão não consegue ver o que Deus fez e faz em sua vida, algum problema há.

D. Método assistencial:

É aquele que leva as Boas Novas através de alguma obra de ação social, seja abrigando crianças de rua, distribuindo alimentos e roupas aos carentes. Este método busca infiltrar o evangelho na comunidade suprindo suas necessidades, tanto físicas quanto materiais e espirituais.

a. Exemplo: Vemos em Dorcas o exemplo de alguém que praticava este método de evangelização, um personagem pouco conhecido, mas que fez muita diferença na vida de algumas pessoas. Em Atos 9.36-42, diz que Dorcas era uma mulher notável pelas boas obras que praticava, pelos seus atos amorosos; tinha um ministério de assistência às viúvas, confeccionava roupas e lhes dava. Nesta passagem fica nítido o amor que os beneficiados sentiam por Dorcas, que havia falecido e fora ressuscitada pelo apóstolo Pedro, fato este, que tornou-se conhecido por toda Jope.

b. Perfil: Geralmente as pessoas que gostam de servir aos demais são as que se identificam com este método. Elas tem a sensibilidade de perceber a necessidade dos outros e procuram empenhar-se ao máximo para ajudá-los sentem-se realizadas e felizes em exercer este ministério, mesmo que não haja o reconhecimento de muitos.

c. Lembrete: Este é um método que leva tempo até que a pessoa compreenda o evangelho, visto que muitos só estão interessados em suprir suas necessidades físicas e materiais. As pessoas que se empenham neste método de evangelismo são as que tocam naquelas pessoas que ninguém jamais tocaria, são geralmente aquelas consideradas “escória da sociedade”. Certa vez ouvi uma ilustração que contava a história de um menino de rua que estava faminto em frente a uma padaria, observando pela janela de vidro os pãezinhos que iam saindo. Eis que chegou um senhor e vendo o menino perguntou-lhe se estava com fome, ao que este respondeu positivamente. Então, aquele senhor entrou na padaria e comprou vários daqueles pãezinhos e os entregou nas mãos do menino que olhou para ele e perguntou-lhe: — Moço, o senhor é Deus? Há pessoas famintas não só de pão, mas de Deus, e nós somos instrumentos seus para suprir tais necessidades. As pessoas não estão tão interessadas no que pensamos ou falamos até estarem sensibilizadas pelo que somos e como nos interessamos por nelas, elas querem ver Jesus Cristo em nós.

E. Método Comportamental:

Como o próprio nome diz, este método de evangelização baseia-se no relacionamento entre cristãos e não-cristãos. É desenvolvido através da amizade sincera e desinteressada do cristão. Conseqüentemente essa amizade desperta uma curiosidade no não-cristão quanto ao modo de viver, padrões, conduta, razões e motivações essenciais do estilo vida do cristão. Desta forma, não se corre o risco de fazer do não-cristão apenas o projeto evangelístico, é uma oportunidade para investir em um relacionamento autêntico de amor e amizade, o que os não-cristãos estão sempre a procura. Esse método tem crescido de modo significativo, e o que é melhor, tem crescido também a confiança mútua. Joseph Aldrich, divide o evangelismo comportamental em três fases [3].

a. Presença: A primeira fase é a presença, na qual o cristão se aproxima do não-cristão e antes que ele ouça a respeito do evangelho ele deve perceber através do modo de vida e do amor demonstrado pelo cristão, o evangelho no qual ele supostamente se baseia.

b. Proclamação: A segunda fase é a proclamação, e nesta sim, o cristão falará do evangelho para o seu amigo. Viver o evangelho não é suficiente para que o não-cristão o compreenda, há também a necessidade de falar sobre a essência do evangelho, falar sobre os fundamentos ou em que está baseado este diferente estilo de vida. É fundamental, portanto, que se fale para o não-cristão as boas notícias de salvação.

c. Persuasão: A terceira fase, Aldrich a chama de persuasão. É a fase em que a pessoa é chamada a tomar uma decisão por Cristo.

d. Vantagem: Algumas vantagens deste método é que é um método que não depende de muito conhecimento bíblico, visto que o não-cristão valoriza mais a pessoa do cristão do que o conhecimento dele. O fato de apresentar o evangelho a uma pessoa com a qual já exista um laço de amizade, facilita a proclamação da mensagem do evangelho. O conteúdo do evangelho ganha impacto adicional quando é comunicado com base no que se vive, e se a presença do espírito for de fato sentida e positiva, o não-cristão perguntará a respeito da razão da sua fé .

e. Cuidado: O cuidado que se deve tomar com este método de evangelismo é o de não acomodar-se a simplesmente viver o evangelho e se calar não buscando oportunidades para compartilhar o evangelho. O “deixar que Deus fale aos corações dos pecadores” pode-se tornar desculpa para o cristão fugir de sua responsabilidade de proclamar as Boas Novas.

F. Sobre os Métodos:

Deus escolhe pessoas diferentes para realizar Seus propósitos; deleita-se em usar pessoas comuns e simples de maneiras surpreendentes e emocionantes [4]. O evangelho deve permanecer puro e inflexível, não importando que mecanismos são usados para apresentá-lo aos não-cristãos, porém, o mecanismo que escolhermos poderá influenciar na disposição, na capacidade de ouvir, ou até mesmo na compreensão da mensagem que está sendo pregada.

a. Exemplo de Cristo: O próprio Cristo usou vários métodos para falar das Boas Novas do Reino, evangelizou através do Seu testemunho de vida, supriu as necessidades das pessoas, pregou para grandes multidões e falou individualmente com as pessoas, contudo, Ele diferenciou os método que usou para alcançar judeus, samaritanos e romanos, ricos e pobres. É preciso avaliarmos o provável sucesso de cada um desses métodos baseados no que sabemos a respeito de formas de pensamento, estilos de vida, visões e experiências religiosas, bem como das necessidades e interesses pessoais desta geração.

b. Exemplo de Paulo: O incentivo do apóstolo Paulo aos cristãos é que usem de todos os meios que estiverem ao alcance para efetivamente e sem comprometimento da integridade da mensagem, apresentem o evangelho aos não-cristãos (Rm 11.13-14; 1 Co 9.19-23).

G. Outras Sugestões:

Além de métodos (tipos) de evangelização, é importante lembrar que existem diversas outras formas de se levar o evangelho.

a. Folhetos e Literaturas: Nunca subestime o poder de um folheto, pois você nunca sabe onde ele vai parar. São diversas as histórias de pessoas que se converteram por intermédio de um folheto evangelístico. O importante é sempre ter por perto um folheto que pode ser usado nas mais diversas situações. Mantenha no carro, em casa, na gaveta da mesa do escritório, pois temos certeza que será útil em alguma oportunidade.

b. Oração: O cristão sempre deve manter-se em oração pela Evangelização. É nossa responsabilidade orar:
i. Por quem está realizando esse ministério (Ef.6.19; Cl.4.3; 2Ts.3.1)
ii. Para que Deus desperte outros para fazer esse trabalho (Mt.9.38)
iii. Para Deus abrir o coração dos pecadores (At.16.14; Rm.10.1)
iv. Por todos aqueles que desejamos evangelizar (1Tm.2.1-7)

Notas

[1] Sócrates desenvolveu um método de instrução que tem a propriedade de envolver um estudante em um debate lógico que leva a uma conclusão sólida. A chave para o método socrático é que o professor tenha domínio sobre a questão que está sendo considerada, de modo que ele possa fazer perguntas investigativas, diretivas que não manipulem o estudante, antes ajudem a esclarecer a verdade conclusiva que o estudante procura. (George Barna. Evangelização Eficaz, p. 162).

[2] BARNA, George. Evangelização Eficaz. Campinas, SP: United Press, 1998. p.164.

[3] As fases do evangelismo como estilo de vida e suas vantagens encontram-se no livro de Joseph Aldrich. “Amizade a chave para a evangelização”, p. 73-78.

[4] HYBELS, Bill, MITTELBERG, Mark, BISPO, Armando. Cristão Contagiante, São Paulo: Vida, 1999. p. 141.

Fonte: https://marceloberti.wordpress.com/2009/02/16/metodos-para-evangelizacao/

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Igrejas que evangelizam de modo não convencional

“Para com os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos. Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns” (1 Co 9.22).

Entre as muitas igrejas que prevalecem no Brasil — que realmente fazem diferença em sua comunidade —, a Igreja Batista Central de Fortaleza é uma delas. Em uma mensagem dominical intitulada “Os cinco emes da missão”, Armando Bispo, pastor que a lidera, afirmou que “o evangelismo faz parte de nossa natureza como indivíduos, não pertence exclusivamente a uma casta de pessoas com um chamado exclusivo”.
Nossa lentidão missionária é fruto em grande parte do fato de muitos cristãos se esquecerem de que todos estamos em missão neste mundo, e que não existem na Bíblia pessoas responsáveis exclusivamente por anunciar o evangelho. Lídia, vendedora de púrpura foi missionária, assim como a mulher samaritana, o coletor de impostos, o soldado, os pescadores, o carpinteiro, o fazedor de tendas: todos somos chamados para fazer missões, porque cada discípulo tem um ministério na igreja e uma missão no mundo.
Não posso deixar de citar aqui o fato de que todos nós temos dons diferentes, e isso é o que determina nosso local de atuação. Missões é uma questão de obediência ao chamado e um dos cinco propósitos de Cristo para sua Igreja e cada um de nós. É importante destacar que, por toda a eternidade, adoraremos a Deus, teremos comunhão com ele e com nossos irmãos, serviremos a ele e aos santos em Cristo, cresceremos na fé e aprenderemos sobre ele, mas somente nesta terra faremos missões e evangelizaremos. Naturalmente, precisamos nos dedicar a esse propósito.
Somente alcançaremos todo o mundo para Cristo quando entendermos que missões não é um programa para pessoas especialmente destacadas para isso na igreja ou para aqueles que receberam um chamado para ir a outro país e falar outro idioma: deve ser estilo devida de todo cristão. Portanto, vamos usar todos os meios, convencionais ou não, para evangelizar o mundo para Cristo.
Nas igrejas que prevalecem, acredita-se que o sistema de distribuição de folhetos e cultos ao ar livre são estratégias de evangelismo que vêm dando certo há mais de duzentos anos em muitos lugares do mundo. Contudo, acreditamos que não existem só essas duas formas de evangelismo. Podemos chegar até o homem sem Jesus, em especial aos mais reticentes, com abordagens mais contextualizadas e pessoais. E só aproveitarmos as oportunidades que vão surgindo em nossa cidade. Hoje, estamos com um crescente e forte ministério com mulheres chamadas profissionais do sexo, um grupo ainda não alcançado de nossa realidade local. Qual é o seu grupo?
A igreja não pode ser movida por eventos. Deve, sim, ser orientada por propósitos bíblicos. Os eventos não mudam a vida de ninguém. Eles são estratégias criadas para atingirmos os propósitos de Deus. Por isso, o evangelismo precisa ser estilo de vida de todo cristão, e não um programa de calendário.
Embora os eventos criem condições para que as pessoas se aproximem da igreja, devemos manter neles um ambiente seguro — em que nossos amigos não são constrangidos com o “jeitão” evangélico — e neutro, ou seja, em que o evangelho é apresentado de modo relevante, sem ser hostil.
É muito importante que em qualquer evento e em qualquer lugar o grupo mantenha sua identidade, ou seja, que em algum momento e de uma forma amiga e educada todos saibam que os protagonistas daquela ação pertencem a Jesus. Nossa fé precisa ser verbalizada para que todos a conheçam.
Os eventos também são excelentes oportunidades para que pessoas sem igreja conheçam um cristão e possam ter algum relacionamento com ele, e vice-versa. Nossos amigos precisam perceber em nós um sincero desejo de ter com eles um relaciona-mento íntegro, confiável e eterno.
Devemos ganhar o direito de ser ouvidos por meio de nosso testemunho, da transformação que Jesus fez em nossa vida e da mensagem de que Jesus está pronto para fazer o mesmo na vida deles.
As igrejas relevantes em todo o mundo têm usado eventos-pontes para atrair pessoas até Jesus. Essa característica tem marcado muito nossa abordagem evangelística. A isso chamamos pescaria com múltiplos anzóis. As pessoas são diferentes, e por isso devemos ser criativos e usar todos os tipos possíveis de estratégias evangelísticas para ganhá-las para Jesus. Devemos sair e evangelizar de forma não convencional, levando a criatividade e a arte para fora da igreja; sair das “quatros” paredes do templo e chegar aos lugares em que o povo está.
Lembro-me de que no final de 2001 um dos coros de nossa igreja recebeu um convite para cantar num evento em que apresentariam os alunos da maior e melhor escola de danças de nossa cidade. Seriam quatro apresentações no teatro municipal, onde pessoas da classe artística (um grupo que dificilmente seria alcançado de forma tradicional em nossa cidade) compareceriam em massa. Nas quatro noites, estimava-se uma audiência de cerca de 2 mil pessoas. Diante daquele desafio pioneiro, oramos, refletimos, ponderamos e finalmente aceitamos o convite tendo em mente a visão de nossa igreja, que é ganhar a nossa cidade para Cristo. Como diz Paulo em Colossenses 4.5, é preciso aproveitar cada oportunidade. Aqueles dias marcaram a vida de muitas pessoas e abriram novas portas para a igreja. Por termos cantado durante uma apresentação secular de dança, não significa que deixamos de ser evangélicos ou cristãos batistas. Alguns cristãos de outros segmentos evangélicos não aprovaram nossa atuação, mas nós já decidimos a quem desejamos agradar.
Outro momento que marcou nossa caminhada com eventos-pontes foi a realização de uma festa típica junina, que denominamos “Festa na roça”. Por mais de oito anos consecutivos, temos realizado esse evento, durante o qual há comidas típicas, brincadeiras, trajes típicos, música típica e o pregador a caráter. A festa acontece o dia todo nas dependências da igreja, por onde passam milhares de pessoas. Só convidamos pessoas sem Jesus. Distribuímos convites nas ruas, nas escolas, nas empresas, focando sempre o não cristão. Como essa festa é um acontecimento típico de nossa cidade, não existem barreiras para distribuirmos convites. Mais uma vez, a resistência veio do próprio meio evangélico.
Nos últimos três anos, causamos impacto nos dias do carnaval em nossa cidade e também em uma cidade vizinha. No terceiro ano, fomos considerados o melhor bloco carnavalesco da prefeitura. O fato importante, no entanto, foram as vidas decididas ao lado de Jesus, as orações e os aconselhamentos ministrados. De forma alegre, mas sem se envolver com o pecado do carnaval, temos cantado, falado e abençoado a vida de centenas de pessoas por meio dessa estratégia, que também não agrada a alguns religiosos. Entendemos, entretanto, que Deus nos deu essa missão de alcançar os sem Jesus em nossa cidade, sejam eles garotos de programa, prostitutas, moradores de rua, carnavalescos ou homens de negócios. Vamos aonde o povo está porque cada coração não cristão é um campo missionário.
Como igreja, também promovemos chás para senhoras, sere¬natas de Natal diante das casas de amigos não cristãos, musicais em shoppings e hipermercados da cidade, ações comunitárias — como a Feira do carinho , distribuição das cestas de Natal com cultos inspirativos eu.
Nossa proposta é aproximar o povo de nós e nos aproximarmos dele para evangelizar do modo não tradicional. Com muita criatividade e valendo-nos das inúmeras realidades e contextos do nosso Brasil continental, poderemos evangelizar de muitas formas diferentes.
Aproveitamos os muitos meios para chegar ao coração das pessoas, sempre procurando realizar o melhor. Buscamos constantemente a excelência em tudo o que fazemos. Estou convicto de que igrejas que prevalecem sabem que não podem ver milhões de pessoas sem Jesus e só oferecer um tipo de abordagem para todas elas. As pessoas são diferentes, por isso precisamos oferecer opções. Igrejas tradicionais basicamente só oferecem dois tipos de opções: pegar ou largar. Creio podermos fazer mais do que isso por aqueles a quem Jesus deu a própria vida na cruz.

PENSE E RESPONDA
Em sua igreja, missões é um programa ou um desafio pessoal de vida?
Que tipo de evangelismo contextualizado à sua realidade sua igreja está realizando hoje?
Missões é uma realidade em seu ministério?
Sua igreja fala a linguagem das pessoas que ela deseja alcançar?

Fonte: Igrejas que Prevalecem, Carlito Paes, Editora Vida.

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Igrejas que tiram grande proveito da mídia

“Escreva claramente a visão em tábuas, para que se leia facilmente” (Habacuque 2.2).

Igrejas que prevalecem não têm medo da mídia. Muito pelo contrário, tiram proveito dela, até porque usá-la é bíblico. Veja o texto de Habacuque acima. Creio que, se Jesus estivesse presencialmente entre nós, ele utilizaria a comunicação em massa, pois em sua época usou o que havia de mais tecnológico para falar a uma multidão: ele subiu em uma montanha e começou a pregar a mensagem de Deus.
Rádio, jornal, revista, TV, internet, cartaz, fôlder podem ser utilizados como estratégias para comunicar o evangelho, que nunca muda, a um mundo em constante mudança.
O evangelho tem chegado de forma impressionante a lugares em que um pregador não chegaria pelas vias convencionais. Igrejas e agências devem se valer dos meios de comunicação em todo o seu potencial, pois sabemos do seu poder e de sua penetração para influenciar a vida das pessoas, suas crenças e seus comportamentos.
Enquanto alguns evangélicos usam a mídia de modo ineficaz e arcaico, gastando muito dinheiro e passando ao mundo uma imagem não verdadeira de amadorismo, outros fazem um trabalho extraordinário em editoras e emissoras brasileiras de rádio e televisão.
Não raro, pastores e líderes criticam igrejas que utilizam a mídia como uma das maneiras pelas quais alcançar pessoas, talvez eles ainda não tenham percebido quão eficiente é esse meio.
Em 2004, estive em Maputo, Moçambique, ministrando cursos sobre Igrejas com propósitos. Os missionários brasileiros que lá atuam disseram que a presença de evangélicos naquela cidade mudou de forma fantástica depois que uma denominação evangélica do Brasil comprou emissoras de rádio e TV naquele país. Antes disso, a pregação do evangelho com o uso de recursos da mídia nunca havia ocorrido em Moçambique, país dominado pelo catolicismo, depois pelo ateísmo e agora grandemente influenciado pelo espiritismo e o islamismo.
Igrejas que prevalecem em todo o mundo utilizam vários tipos de anzol para pescar o seu peixe (somos pescadores de homens, não é?), e sem dúvida jamais deixam de tirar grande proveito da mídia. Se você tiver oportunidade de levar o evangelho a algum lugar pela mídia, faça-o. Use todos os meios para alcançar alguns.
Em nossa comunidade, estamos começando a investir nesse meio. Ainda estamos “engatinhando” na mídia falada, mas já utilizamos muito a categoria impressa. Exemplo disso foram os convites de Natal. Chegamos a imprimir mais de 150 mil exemplares para distribuir em nossa comunidade.
Outro recurso do qual muito nos utilizamos é a internet. Ela nos ajuda a alcançar nossa missão de forma rápida e muito barata. Estamos convictos de que precisamos investir mais na rede mundial de computadores dado o custo-benefício e a agilidade com que as informações se propagam. Portais relevantes são cada vez mais acessados.
Nosso desejo é expandir brevemente fazendo uso de muitos outros recursos para fazer Jesus conhecido e ganharmos nossa
cidade para Cristo. Hoje, temos programa de TV, rádio, um jornal semanal, uma house interna de comunicação e estamos fazendo um grande investimento para lançar um portal na internet.
Tenho certeza de que, se o apóstolo Paulo vivesse em nossos dias, ele não só tiraria grande proveito da mídia em todas as suas modalidades, como teria feito mais viagens missionárias, teria escrito mais e seu ministério teria um alcance ainda maior. Um dos fatos que levou Paulo a tornar-se um grande líder cristão foi ter usado muitos dos meios disponíveis na época para pregar o evangelho aos de sua geração.
Sabemos que existe um grande potencial inexplorado nessa área em nossa igreja. Não chegamos lá ainda, mas estamos a caminho. Vamos chegar porque temos a visão e o bom senso na urgente necessidade.
Invista em comunicação para levar Jesus, o Verbo da vida, ao mundo todo. Use a rede para esse fim — o conhecido www (world wide web).

PENSE E RESPONDA
Você está usufruindo os benefícios da mídia para proclamar o evangelho?
O que sua igreja tem feito? Qual tem sido o investimento?
O que poderá ser feito a médio prazo?
Mídia: Gasto ou investimento?

Fonte: Igrejas que Prevalecem, Carlito Paes, Editora Vida.

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Seis qualificações para que homens ou mulheres sejam úteis a Deus na obra evangelística ou missionária

Se é verdade que nosso soberano Deus escolhe seres humanos como Seus instrumentos para o aumento de Seu Reino na terra, que indivíduo irá Ele escolher? Nem todo mundo está qualificado. Na minha opinião, há pelo menos seis qualificações para que homens ou mulheres sejam úteis a Deus na obra evangelística ou missionária:

1. Pessoas que conheçam a Deus
A fim de compartilhar as boas novas da Salvação, os servos escolhidos de Deus têm de ser, eles mesmos salvos. Eles precisam da experiência de nascer de novo, pois sem o novo nascimento ninguém podo ver o Reino de Deus (Jo 3.3). A mensagem que os servos de Deus irão levar aos perdidos é a mensagem de reconciliação com Deus através de Jesus Cristo. Esta mensagem não tem autoridade alguma se levada por aqueles que, por não haverem entrado na família de Deus, não são comprometidos com Jesus Cristo.

2. Pessoas cheias do Espírito Santo
Jesus reuniu Seus discípulos e ministrou a eles por três anos. Eles O conheciam bem. Parte do que Jesus ensinou foi a Grande Comissão (Mt 28.18-20): suas ordens de marchar levando o evangelho aos perdidos. Mas conhecer Jesus e Sua vontade para com a evangelização mundial não era o bastante. Jesus disse que, antes que pudessem sair e representá-Lo pelo mundo afora, eles tinham que permanecer “na cidade, até que do alto [fossem] revestidos do poder” (At 24.49). Eles obedeceram e o poder veio no dia do Pentecoste, conforme lemos em Atos 2.
Diferentes tradições têm desenvolvido diferentes terminologias para descrever esta experiência. Alguns chamam-na “o batismo no Espírito Santo”. Outros, “a unção do Espírito”. Ainda outros usam o termo “revestimento de poder”. Eu, pessoalmente, prefiro chamá-la de “a plenitude do Espírito Santo.”
Estar cheio do Espírito Santo é uma experiência que se renova a cada dia. Só porque eu estava cheio do Espírito Santo no ano passado não significa necessariamente que eu ainda esteja cheio este ano. Só porque eu estava cheio ontem não significa necessariamente que esteja cheio hoje. Manter-se continuamente cheio do Espírito Santo é indispensável a quem deseja ser útil à obra de Deus.

3. Pessoas de Oração
Oração é comunhão com Deus. Através da oração somos capazes de conhecer os detalhes da vontade de Deus. A Bíblia nos informa dos propósitos gerais de Deus e Seus requerimentos para a vida cristã, mas nenhum de nossos nomes está escrito nela. À medida em que entramos em contato com Deus através da oração, iremos descobrir o papel específico que cada um de nós tem no Reino.
A oração desenvolve a intimidade com Deus, e isto leva tempo. Muitos que reservam tempo prioritário para orar encontram a voz de Deus falando diretamente com eles. Embora tal contato direto com o Pai precise sempre ser testado de acordo com a Palavra escrita de Deus e confirmado por outros membros do Corpo de Cristo, ele nos ajuda grandemente a sermos o tipo de servos que Deus realmente quer que sejamos.
Nos últimos anos tem crescido minha apreciação a respeito do dom de intercessão que Deus dá a certos cristãos. Sim, todo crente precisa ter uma profunda vida de oração. Este é nosso papel. Mas aqueles que têm o dom de intercessão oram mais longamente, com maior intensidade, e recebem respostas mais visíveis do que a média dos cristãos. Os dons espirituais são dados para o benefício do corpo de Cristo como um todo, e um deles, o dom de intercessão, é uma dinâmica importante no ministério dos membros do Corpo, quer seja aquele Corpo uma igreja estabelecida ou uma célula ou grupo pequeno de cristãos.
Deus colocou várias pessoas com o dom de intercessão na classe de escola dominical para adultos em que eu ensino. O resultado é uma mudança notável na qualidade do meu ministério de ensino, comparado com o que era alguns anos atrás quando não tinha tais intercessores. Como minha própria vida de oração pode ser considerada um tanto medíocre, eu atribuo muito do poder de meu ministério, às orações dos outros com este dom.

4. Pessoas comprometidas com o Corpo de Cristo
Neste livro eu vou dar ênfase ao fato que a vida cristã ideal é orientada por três prioridades: (a) compromisso com Cristo, (b) compromisso com o Corpo de Cristo e (c) compromisso com a obra do Cristo no mundo. Os primeiros três itens desta lista de qualificações para p serviço de Deus se relacionam com a prioridade (a). Este item se relaciona com a prioridade (b).
Eu tenho um alto conceito da igreja. Creio que a igreja é diferente de todas as outras instituições humanas porque não é só uma organização. Antes, a igreja é também um organismo, com Jesus Cristo sendo o Cabeça e cada membro funcionando com um ou mais dons espirituais. Aqueles que desejam servir a Deus efetivamente na propagação do Reino precisam estar firmemente enraizados na igreja local. Por quê? Porque Deus realiza Seus propósitos no mundo não através de cavaleiros solitários, mas através de comunidades comprometidas com Seu povo.
O Corpo de Cristo significa intimidade espiritual, um sistema de responsabilidade e numerosos dons espirituais que se complementam (como acontece com nosso corpo físico). Embora meu nariz e meus rins não estejam diretamente ligados, eles são membros do mesmo corpo e meu nariz não poderia fazer sua função se não fossem os rins. Romanos 12 nos lembra que o corpo humano é um modelo para entendermos como o Corpo de Cristo opera.

5. Pessoas Obedientes ao Senhor
Um dos testes do verdadeiro discipulado é obediência. “Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardarmos os seus mandamentos” (1 Jo 2.3). O ideal de Deus é que nós ofereçamos nossos corpos em “sacrifício vivo” (Rm 12.1). Se queremos que Jesus nos use, temos que tomar nossa cruz e segui-Lo (Mt 16.24). Isto significa compromisso total.
É preciso obedecer a todos os mandamentos de Jesus. Mas neste livro, iremos nos concentrar nos mandamentos diretamente relacionados com evangelismo e missões. O principal dentre eles é a Grande Comissão. Entrarei em detalhes sobre o correto entendimento da Grande Comissão mais tarde. Aqui estou enfatizando que a vontade de obedecer é pré-requisito para alguém ser usado como servo de Deus para propagar o evangelho.

6. Pessoas que sejam Dinâmicas e Criativas
Se as qualificações acima são cumpridas, o céu é o limite para o uso das energias e faculdades humanas. Deus tem prazer em guiar Seu povo. O Sl 32.8 exprime bem isto: “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho.” Muitos sabem este verso de cor e o recitam com freqüência.
Poucos, no entanto, vão ao próximo verso, que explica como Deus quer fazer isto. “Não sejais como cavalos ou mulas, sem entendimento” (Sl 32.9). Deus quer nos guiar como a seres humanos, não como a animais.
Qual é a diferença? Basicamente, os humanos são feitos à imagem de Deus (veja Gn 1.26) e os animais não o são. Os humanos são seres racionais, os animais não. Parte da direção divina então, consiste no Seu uso da razão humana, a fim de completá-la.
Não há nada de errado ou inferior com a mente humana. Jesus nos disse para amar o Pai com todo nosso coração, alma, e mente (veja Mt 22.37). Neste ponto o propósito divino e a iniciativa humana para a evangelização do mundo se juntam. Contanto que os servos de Deus tenham apropriada relação com Ele, estão livres para planejar estratégias usando os métodos e a tecnologia que irão melhor cumprir a obra de Deus no mundo. O Pai está interessado o bastante no que nós estamos fazendo para intervir, re-dirigir e corrigir, se necessário.

Fonte: Estratégias para o crescimento da igreja: princípios bíblicos e métodos práticos para uma evangelização eficaz, Peter Wagner, Editora Sepal.

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Pacto de Lausanne

INTRODUÇÃO

Nós, membros da Igreja de Jesus Cristo, procedentes de mais de 150 nações, participantes do Congresso Internacional de Evangelização Mundial, em Lausanne, louvamos a Deus por sua grande salvação, e regozijamo-nos com a comunhão que, por graça dele mesmo, podemos ter com ele e uns com os outros. Estamos profundamente tocados pelo que Deus vem fazendo em nossos dias, movidos ao arrependimento por nossos fracassos e desafiados pela tarefa inacabada da evangelização. Acreditamos que o evangelho são as boas novas de Deus para todo o mundo, e por sua graça, decidimo-nos a obedecer ao mandamento de Cristo de proclamá-lo a toda a humanidade e fazer discípulos de todas as nações. Desejamos, portanto, reafirmar a nossa fé e a nossa resolução, e tornar público o nosso pacto.

1. O Propósito de Deus

Afirmamos a nossa crença no único Deus eterno, Criador e Senhor do Mundo, Pai, Filho e Espírito Santo, que governa todas as coisas segundo o propósito da sua vontade. Ele tem chamado do mundo um povo para si, enviando-o novamente ao mundo como seus servos e testemunhas, para estender o seu reino, edificar o corpo de Cristo, e também para a glória do seu nome. Confessamos, envergonhados, que muitas vezes negamos o nosso chamado e falhamos em nossa missão, em razão de nos termos conformado ao mundo ou nos termos isolado demasiadamente. Contudo, regozijamo-nos com o fato de que, mesmo transportado em vasos de barro, o evangelho continua sendo um tesouro precioso. À tarefa de tornar esse tesouro conhecido, no poder do Espírito Santo, desejamos dedicar-nos novamente.

2. A Autoridade e o Poder da Bíblia

Afirmamos a inspiração divina, a veracidade e autoridade das Escrituras tanto do Velho como do Novo Testamento, em sua totalidade, como única Palavra de Deus escrita, sem erro em tudo o que ela afirma, e a única regra infalível de fé e prática. Também afirmamos o poder da Palavra de Deus para cumprir o seu propósito de salvação. A mensagem da Bíblia destina-se a toda a humanidade, pois a revelação de Deus em Cristo e na Escritura é imutável. Através dela o Espírito Santo fala ainda hoje. Ele ilumina as mentes do povo de Deus em toda cultura, de modo a perceberem a sua verdade, de maneira sempre nova, com os próprios olhos, e assim revela a toda a igreja uma porção cada vez maior da multiforme sabedoria de Deus.

3. A Unicidade e a Universalidade de Cristo

Afirmamos que há um só Salvador e um só evangelho, embora exista uma ampla variedade de maneiras de se realizar a obra de evangelização. Reconhecemos que todos os homens têm algum conhecimento de Deus através da revelação geral de Deus na natureza. Mas negamos que tal conhecimento possa salvar, pois os homens, por sua injustiça, suprimem a verdade. Também rejeitamos, como depreciativo de Cristo e do evangelho, todo e qualquer tipo de sincretismo ou de diálogo cujo pressuposto seja o de que Cristo fala igualmente através de todas as religiões e ideologias. Jesus Cristo, sendo ele próprio o único Deus-homem, que se ofereceu a si mesmo como único resgate pelos pecadores, é o único mediador entre Deus e os homens. Não existe nenhum outro nome pelo qual importa que sejamos salvos. Todos os homens estão perecendo por causa do pecado, mas Deus ama todos os homens, desejando que nenhum pereça, mas que todos se arrependam. Entretanto, os que rejeitam Cristo repudiam o gozo da salvação e condenam-se à separação eterna de Deus. Proclamar Jesus como “o Salvador do mundo” não é afirmar que todos os homens, automaticamente, ou ao final de tudo, serão salvos; e muito menos que todas as religiões ofereçam salvação em Cristo. Trata-se antes de proclamar o amor de Deus por um mundo de pecadores e convidar todos os homens a se entregarem a ele como Salvador e Senhor no sincero compromisso pessoal de arrependimento e fé. Jesus Cristo foi exaltado sobre todo e qualquer nome. Anelamos pelo dia em que todo joelho se dobrará diante dele e toda língua o confessará como Senhor.

4. A Natureza da Evangelização

Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos os que se arrependem e creem. A nossa presença cristã no mundo é indispensável à evangelização, e o mesmo se dá com aquele tipo de diálogo cujo propósito é ouvir com sensibilidade, a fim de compreender. Mas a evangelização propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o intuito de persuadir as pessoas a vir a ele pessoalmente e, assim, se reconciliarem com Deus. Ao fazermos o convite do evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo e negarem-se a si mesmos, tomarem a cruz e identificarem-se com a sua nova comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo.

5. A Responsabilidade Social Cristã

Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.

6. A Igreja e a Evangelização

Afirmamos que Cristo envia o seu povo redimido ao mundo assim como o Pai o enviou, e que isso requer uma penetração de igual modo profunda e sacrificial. Precisamos deixar os nossos guetos eclesiásticos e penetrar na sociedade não-cristã. Na missão de serviço sacrificial da igreja a evangelização é primordial. A evangelização mundial requer que a igreja inteira leve o evangelho integral ao mundo todo. A igreja ocupa o ponto central do propósito divino para com o mundo, e é o agente que ele promoveu para difundir o evangelho. Mas uma igreja que pregue a Cruz deve, ela própria, ser marcada pela Cruz. Ela torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização quando trai o evangelho ou quando lhe falta uma fé viva em Deus, um amor genuíno pelas pessoas, ou uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças. A igreja é antes a comunidade do povo de Deus do que uma instituição, e não pode ser identificada com qualquer cultura em particular, nem com qualquer sistema social ou político, nem com ideologias humanas.

7. Cooperação na Evangelização

Afirmamos que é propósito de Deus haver na igreja uma unidade visível de pensamento quanto à verdade. A evangelização também nos convoca à unidade, porque o ser um só corpo reforça o nosso testemunho, assim como a nossa desunião enfraquece o nosso evangelho de reconciliação. Reconhecemos, entretanto, que a unidade organizacional pode tomar muitas formas e não ativa necessariamente a evangelização. Contudo, nós, que partilhamos a mesma fé bíblica, devemos estar intimamente unidos na comunhão uns com os outros, nas obras e no testemunho. Confessamos que o nosso testemunho, algumas vezes, tem sido manchado por pecaminoso individualismo e desnecessária duplicação de esforço. Empenhamo-nos por encontrar uma unidade mais profunda na verdade, na adoração, na santidade e na missão. Instamos para que se apresse o desenvolvimento de uma cooperação regional e funcional para maior amplitude da missão da igreja, para o planejamento estratégico, para o encorajamento mútuo, e para o compartilhamento de recursos e de experiências.

8. Esforço Conjugado de Igrejas na Evangelização

Regozijamo-nos com o alvorecer de uma nova era missionária. O papel dominante das missões ocidentais está desaparecendo rapidamente. Deus está levantando das igrejas mais jovens um grande e novo recurso para a evangelização mundial, demonstrando assim que a responsabilidade de evangelizar pertence a todo o corpo de Cristo. Todas as igrejas, portando, devem perguntar a Deus, e a si próprias, o que deveriam estar fazendo tanto para alcançar suas próprias áreas como para enviar missionários a outras partes do mundo. Deve ser permanente o processo de reavaliação da nossa responsabilidade e atuação missionária. Assim, haverá um crescente esforço conjugado pelas igrejas, o que revelará com maior clareza o caráter universal da igreja de Cristo. Também agradecemos a Deus pela existência de instituições que laboram na tradução da Bíblia, na educação teológica, no uso dos meios de comunicação de massa, na literatura cristã, na evangelização, em missões, no avivamento de igrejas e em outros campos especializados. Elas também devem empenhar-se em constante auto-exame que as levem a uma avaliação correta de sua efetividade como parte da missão da igreja.

9. Urgência da Tarefa Evangelística

Mais de dois bilhões e setecentos milhões de pessoas, ou seja, mais de dois terços da humanidade, ainda estão por serem evangelizadas. Causa-nos vergonha ver tanta gente esquecida; continua sendo uma reprimenda para nós e para toda a igreja. Existe agora, entretanto, em muitas partes do mundo, uma receptividade sem precedentes ao Senhor Jesus Cristo. Estamos convencidos de que esta é a ocasião para que as igrejas e as instituições para-eclesiásticas orem com seriedade pela salvação dos não-alcançados e se lancem em novos esforços para realizarem a evangelização mundial. A redução de missionários estrangeiros e de dinheiro num país evangelizado algumas vezes talvez seja necessária para facilitar o crescimento da igreja nacional em autonomia, e para liberar recursos para áreas ainda não evangelizadas. Deve haver um fluxo cada vez mais livre de missionários entre os seis continentes num espírito de abnegação e prontidão em servir. O alvo deve ser o de conseguir por todos os meios possíveis e no menor espaço de tempo, que toda pessoa tenha a oportunidade de ouvir, de compreender e de receber as boas novas. Não podemos esperar atingir esse alvo sem sacrifício. Todos nós estamos chocados com a pobreza de milhões de pessoas, e conturbados pelas injustiças que a provocam. Aqueles dentre nós que vivem em meio à opulência aceitam como obrigação sua desenvolver um estilo de vida simples a fim de contribuir mais generosamente tanto para aliviar os necessitados como para a evangelização deles.

10. Evangelização e Cultura

O desenvolvimento de estratégias para a evangelização mundial requer metodologia nova e criativa. Com a bênção de Deus, o resultado será o surgimento de igrejas profundamente enraizadas em Cristo e estreitamente relacionadas com a cultura local. A cultura deve sempre ser julgada e provada pelas Escrituras. Porque o homem é criatura de Deus, parte de sua cultura é rica em beleza e em bondade; porque ele experimentou a queda, toda a sua cultura está manchada pelo pecado, e parte dela é demoníaca. O evangelho não pressupõe a superioridade de uma cultura sobre a outra, mas avalia todas elas segundo o seu próprio critério de verdade e justiça, e insiste na aceitação de valores morais absolutos, em todas as culturas. As missões muitas vezes têm exportado, juntamente com o evangelho, uma cultura estranha, e as igrejas, por vezes, têm ficado submissas aos ditames de uma determinada cultura, em vez de às Escrituras. Os evangelistas de Cristo têm de, humildemente, procurar esvaziar-se de tudo, exceto de sua autenticidade pessoal, a fim de se tornarem servos dos outros, e as igrejas têm de procurar transformar e enriquecer a cultura; tudo para a glória de Deus.

11. Educação e Liderança

Confessamos que às vezes temos nos empenhado em conseguir o crescimento numérico da igreja em detrimento do espiritual, divorciando a evangelização da edificação dos crentes. Também reconhecemos que algumas de nossas missões têm sido muito remissas em treinar e incentivar líderes nacionais a assumirem suas justas responsabilidades. Contudo, apoiamos integralmente os princípios que regem a formação de uma igreja de fato nacional, e ardentemente desejamos que toda a igreja tenha líderes nacionais que manifestem um estilo cristão de liderança não em termos de domínio, mas de serviço. Reconhecemos que há uma grande necessidade de desenvolver a educação teológica, especialmente para líderes eclesiásticos. Em toda nação e em toda cultura deve haver um eficiente programa de treinamento para pastores e leigos em doutrina, em discipulado, em evangelização, em edificação e em serviço. Este treinamento não deve depender de uma metodologia estereotipada, mas deve se desenvolver a partir de iniciativas locais criativas, de acordo com os padrões bíblicos.

12. Conflito Espiritual

Cremos que estamos empenhados num permanente conflito espiritual com os principados e potestades do mal, que querem destruir a igreja e frustrar sua tarefa de evangelização mundial. Sabemos da necessidade de nos revestirmos da armadura de Deus e combater esta batalha com as armas espirituais da verdade e da oração. Pois percebemos a atividade no nosso inimigo, não somente nas falsas ideologias fora da igreja, mas também dentro dela em falsos evangelhos que torcem as Escrituras e colocam o homem no lugar de Deus. Precisamos tanto de vigilância como de discernimento para salvaguardar o evangelho bíblico. Reconhecemos que nós mesmos não somos imunes à aceitação do mundanismo em nossos atos e ações, ou seja, ao perigo de capitularmos ao secularismo. Por exemplo, embora tendo à nossa disposição pesquisas bem preparadas, valiosas, sobre o crescimento da igreja, tanto no sentido numérico como espiritual, às vezes não as temos utilizado. Por outro lado, por vezes tem acontecido que, na ânsia de conseguir resultados para o evangelho, temos comprometido a nossa mensagem, temos manipulado os nossos ouvintes com técnicas de pressão, e temos estado excessivamente preocupados com as estatísticas, e até mesmo utilizando-as de forma desonesta. Tudo isto é mundano. A igreja deve estar no mundo; o mundo não deve estar na igreja.

13. Liberdade e Perseguição

É dever de toda nação, dever que foi estabelecido por Deus, assegurar condições de paz, de justiça e de liberdade em que a igreja possa obedecer a Deus, servir a Cristo Senhor e pregar o evangelho sem quaisquer interferências. Portanto, oramos pelos líderes das nações e com eles instamos para que garantam a liberdade de pensamento e de consciência, e a liberdade de praticar e propagar a religião, de acordo com a vontade de Deus, e com o que vem expresso na Declaração Universal do Direitos Humanos. Também expressamos nossa profunda preocupação com todos os que têm sido injustamente encarcerados, especialmente com nossos irmãos que estão sofrendo por causa do seu testemunho do Senhor Jesus. Prometemos orar e trabalhar pela libertação deles. Ao mesmo tempo, recusamo-nos a ser intimidados por sua situação. Com a ajuda de Deus, nós também procuraremos nos opor a toda injustiça e permanecer fiéis ao evangelho, seja a que custo for. Nós não nos esquecemos de que Jesus nos preveniu de que a perseguição é inevitável.

14. O Poder do Espírito Santo

Cremos no poder do Espírito Santo. O pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. Convicção de pecado, fé em Cristo, novo nascimento cristão, é tudo obra dele. De mais a mais, o Espírito Santo é um Espírito missionário, de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. A igreja que não é missionária contradiz a si mesma e debela o Espírito. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade, na sabedoria, na fé, na santidade, no amor e no poder. Portanto, instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus, a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo, e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em Suas mãos, para que toda a terra ouça a Sua voz.

15. O Retorno de Cristo

Cremos que Jesus Cristo voltará pessoal e visivelmente, em poder e glória, para consumar a salvação e o juízo. Esta promessa de sua vinda é um estímulo ainda maior à evangelização, pois lembramo-nos de que ele disse que o evangelho deve ser primeiramente pregado a todas as nações. Acreditamos que o período que vai desde a ascensão de Cristo até o seu retorno será preenchido com a missão do povo de Deus, que não pode parar esta obra antes do Fim. Também nos lembramos da sua advertência de que falsos cristos e falsos profetas apareceriam como precursores do Anticristo. Portanto, rejeitamos como sendo apenas um sonho da vaidade humana a ideia de que o homem possa algum dia construir uma utopia na terra. A nossa confiança cristã é a de que Deus aperfeiçoará o seu reino, e aguardamos ansiosamente esse dia, e o novo céu e a nova terra em que a justiça habitará e Deus reinará para sempre. Enquanto isso, rededicamo-nos ao serviço de Cristo e dos homens em alegre submissão à sua autoridade sobre a totalidade de nossas vidas.

CONCLUSÃO

Portanto, à luz desta nossa fé e resolução, firmamos um pacto solene com Deus, bem como uns com os outros, de orar, planejar e trabalhar juntos pela evangelização de todo o mundo. Instamos com outros para que se juntem a nós. Que Deus nos ajude por sua graça e para a sua glória a sermos fiéis a este Pacto! Amém. Aleluia!

[Lausanne, Suíça, 1974]

Fonte: http://www.lausanne.org

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Saindo da Superficialidade

Texto: Ez 47.1-12

Introdução
– Geração da superficialidade: na espiritualidade, no autoconhecimento (emoções), nos relacionamentos, na busca do aprendizado (resumos na net, buscar sempre o mais fácil, já mastigado).
– Esse texto pode ser interpretado literalmente, como um acontecimento futuro, mas “é um claro exemplo de simbolismo” (John B. Taylor).
– Águas fluindo simbolizam o Espírito Santo fluindo
– “…levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado” (Jo 7.37-39).

I.) O Fluir do Espírito se origina a partir do sacrifício de Jesus – v. 1,2.
– As águas saiam do templo, do altar
– Segundo W. Wiersbe o altar tem uma relação com a morte de Cristo.
– A cruz foi o altar onde Cristo foi oferecido como oferta pelo pecado.
– Bíblia Shedd diz que o próprio rio “Pode ser comparado ao sangue de Jesus, derramado na cruz, que fez surgir de Jerusalém uma fonte de bênçãos”.
– Hino 523 HC
– O derramamento do Espírito em Pentecostes se deu depois da obra de Cristo na Cruz.
– Se desejamos o fluir do Espírito devemos entender o sacrifício de Jesus, a obra da Cruz e os seus significados.
– Significa que devemos nos identificar com a crucificação e a morte de Cristo de forma que sejamos participantes de Sua morte, no sentido de que crucifiquemos e façamos morrer a nossa velha natureza.
– Gl 2.19,20 – “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”
– Rm 6.6 – “foi crucificado com ele o nosso velho homem”
– Se entendermos o que significa se identificar com a crucificação e a morte de Cristo, então, o Espírito fluirá em nós e sairemos da superficialidade!!!

II.) O Fluir do Espírito nos leva à profundidade em nosso relacionamento com Deus – v. 3-5
– Quando o Espírito flui, saímos da superficialidade, da mediocridade, buscamos a excelência.
– A profundidade virá através das práticas devocionais: oração, estudo e meditação das Escrituras, congregar.
– Não há atalhos para sair da superficialidade

Empecilhos à vida devocional
1. Cansaço – é muito difícil observar um tempo com o Senhor quando estamos muito cansados. Por isso é necessário observar o ponto seguinte!
2. Falta de disciplina – 1 Co 9.24-27
3. Luta espiritual envolvida – cachorro do vizinho latindo, som alto, telefone tocando, etc.
4. Desculpas: “Não tenho tempo” – Resposta: “Quem não tem tempo para Deus vive perdendo tempo”; “Quem quer dá um jeito, quem não quer dá uma desculpa”; Quanto tempo você gasta diante da TV ou na internet? Faça um orçamento de seu tempo, assim como faz um orçamento de seu dinheiro!

Orientações práticas para uma vida devocional abençoada
> Como? Oração, Leitura Bíblica, meditação (aplicação)
> Quando? Depende de cada pessoa; do metabolismo e organismo; do tempo; etc. Se possível, penso que o melhor momento é pela manhã! De preferência manter uma disciplina, um hábito quanto ao momento, ocasião.
> Onde? Embora o local não importe, de preferência sempre no mesmo local.

III.) O Fluir do Espírito produz abundância, cura e vida – v.6-10
– “havia grande abundância de árvores” – v. 7
– “águas … entram no Mar Morto, cujas águas ficarão saudáveis” – v. 8
– “haverá muitíssimo peixe, e, aonde chegarem estas águas, tornarão saudáveis as do mar, e tudo viverá por onde quer que passe este rio” – v. 9
– “Junto a ele se acharão pescadores … haverá lugar para se estenderem redes; o seu peixe … será … em multidão excessiva” – v. 10
– Se entendermos o que significa se identificar com a crucificação e a morte de Cristo, se o nosso relacionamento com Deus for aprofundado, seremos canais de abundância, de cura e de vida. Seremos condutores destas bênçãos por onde quer que passarmos, ou com quem quer que nos relacionarmos.
– O mundo, a sociedade clama por abundância, cura e vida.
– As pessoas estão vivendo vidas miseráveis, enfermas (principalmente do ponto de vista espiritual e emocional), mortas em delitos e pecados!
– Nós temos a mensagem que traz abundância, cura e vida.
– Identifiquemo-nos com a crucificação e a morte de Cristo, aprofundemos o nosso relacionamento com Deus, e sejamos canais de abundância, de cura e de vida.

Pr Ronaldo Guedes Beserra – SP, 26,27.05.2017

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Declaração de Chicago Sobre a Inerrância da Bíblia

NOTA: Esta foi a Declaração que deu origem ao Concílio Internacional sobre Inerrância Bíblica (ICBI – International Council on Biblical Inerrancy), um esforço comum inter-denominacional de centenas de eruditos e líderes evangélicos para defender a inerrância bíblica contra os conceitos da Escritura de tendência liberal e neo-ortodoxa.

A Declaração foi produzida Hyatt Regency O’Hare, em Chicago, no verão de 1978, durante uma conferência internacional suprema de líderes evangélicos interessados. Ela foi assinada por aproximadamente 300 eruditos evangélicos famosos, incluindo Boice, Norman L. Geisler, John Gerstner, Carl F. H. Henry, Kenneth Kantzer, Harold Lindsell, John Warwick Montgomery, Roger Nicole, J.I. Packer, Robert Preus, Earl Radmacher, Francis Schaeffer, R.C. Sproul e John Wenham.

A ICBI se despediu em 1988 com sua obra completa. O congresso no final das contas produziu três maiores declarações: esta sobre inerrância bíblica, em 1978; uma sobre hermenêutica bíblica, em 1982, e uma sobre aplicação bíblica, em 1986.

A Declaração a seguir discorre sobre a doutrina da inerrância das Escrituras, esclarecendo-nos sobre o que isso vem a ser e advertindo-nos contra a sua negação. Estamos convencidos de que negá-la é ignorar o testemunho dado por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo, e rejeitar aquela submissão às reivindicações da própria palavra de Deus. Diante da enxurrada de desvios doutrinários que tem invadido a Igreja, é dever de cada crente manter-se firmemente apegado à Escritura, tendo como certa a sua suficiência e a sua inerrância.

A Declaração de Chicago Sobre a Inerrância da Bíblia

Prefácio

A autoridade das Escrituras é um tema chave para a igreja cristã, tanto desta quanto de qualquer outra época. Aqueles que professam fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador são chamados a demonstrar a realidade de seu discipulado cristão mediante obediência humilde e fiel à Palavra escrita de Deus. Afastar-se das Escrituras, tanto em questões de fé quanto em questões de conduta, é deslealdade para com nosso Mestre. Para que haja uma compreensão plena e uma confissão correta da autoridade das Sagradas Escrituras é essencial um reconhecimento da sua total veracidade e confiabilidade.

A Declaração a seguir afirma sob nova forma essa inerrância das Escrituras, esclarecendo nosso entendimento a respeito dela e advertindo contra sua negação. Estamos convencidos de que nega-la é ignorar o testemunho dado por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo, e rejeitar aquela submissão às reivindicações da própria palavra de Deus, submissão esta que caracteriza a verdadeira fé cristã. Entendemos que é nosso dever nesta hora fazer esta afirmação diante dos atuais desvios da verdade da inerrância entre nossos irmãos em Cristo e diante do entendimento errôneo que esta doutrina tem tido no mundo em geral.

Esta Declaração consiste de três partes: uma Declaração Resumida, Artigos de Afirmação e Negação, e uma Explanação. Preparou-se a Declaração durante uma consulta de três dias de duração, realizada em Chicago, nos Estados Unidos. Aqueles que subscreveram a Declaração Resumida e os Artigos desejam expressar suas próprias convicções quanto à inerrância das Escrituras e estimular e desafiar uns aos outros e a todos os cristãos a uma compreensão e entendimento cada vez maiores desta doutrina. Reconhecemos as limitações de um documento preparado numa conferência rápida e intensiva e não propomos que esta Declaração receba o valor de um credo. Regozijamo-nos, no entanto, com o aprofundamento de nossas próprias convicções através dos debates que tivemos juntos, e oramos para que esta Declaração que assinamos seja usada para a glória de Deus com vistas a uma nova reforma na Igreja no que tange a sua fé, vida e missão.

Apresentamos esta Declaração não num espírito de contenda, mas de humildade e amor, o que, com a graça de Deus, pretendemos manter em qualquer diálogo que, no futuro, surja daquilo que dissemos. Reconhecemos (…) que muitos que negam a inerrância das Escrituras não apresentam em suas crenças e comportamento as conseqüências dessa negação, e estamos conscientes de que nós, que confessamos essa doutrina, freqüentemente a negamos em nossa vida, por deixarmos de trazer nossos pensamentos e orações, tradições e costumes, em verdadeira sujeição à Palavra divina.

Qualquer pessoa que veja razões, à luz das Escrituras, para fazer emendas às afirmações desta Declaração sobre as próprias Escrituras (sob cuja autoridade infalível estamos, enquanto falamos), é convidada a fazê-lo. Não reivindicamos qualquer infalibilidade pessoal para o testemunho que damos, e seremos gratos por qualquer ajuda que nos possibilite fortalecer este testemunho acerca da Palavra de Deus.

A COMISSÃO DE REDAÇÃO

Uma Breve Declaração

Deus, sendo Ele Próprio a Verdade e falando somente a verdade, inspirou as Sagradas Escrituras a fim de, desse modo, revelar-Se à humanidade perdida, através de Jesus Cristo, como Criador e Senhor, Redentor e Juiz. As Escrituras Sagradas são o testemunho de Deus sobre Si mesmo.

As Escrituras Sagradas, sendo apropria Palavra de Deus, escritas por homens preparados e supervisionados por Seu Espírito, possuem autoridade divina infalível em todos os assuntos que abordam: devem ser cridas, como instrução divina, em tudo o que afirmam; obedecidas, como mandamento divino, em tudo o que determinam; aceitas, como penhor divino, em tudo que prometem.

O Espírito Santo, seu divino Autor, ao mesmo tempo no-las confirma através de Seu testemunho interior e abre nossas mentes para compreender seu significado.

Tendo sido na sua totalidade e verbalmente dadas por Deus, as Escrituras não possuem erro ou falha em tudo o que ensinam, quer naquilo que afirmam a respeito dos atos de Deus na criação e dos acontecimentos da história mundial, quer na sua própria origem literária sob a direção de Deus, quer no testemunho que dão sobre a graça salvadora de Deus na vida das pessoas.

A autoridade das Escrituras fica inevitavelmente prejudicada, caso essa inerrância divina absoluta seja de alguma forma limitada ou desconsiderada, ou caso dependa de um ponto de vista acerca da verdade que seja contrário ao próprio ponto de vista da Bíblia; e tais desvios provocam sérias perdas tanto para o indivíduo quanto para a Igreja.

Artigos de Afirmação e Negação

Artigo I

Afirmamos que as Sagradas Escrituras devem ser recebidas como a Palavra oficial de Deus.
Negamos que a autoridade das Escrituras provenha da Igreja, da tradição ou de qualquer outra fonte humana.

Artigo II

Afirmamos que as Sagradas Escrituras são a suprema norma escrita, pela qual Deus compele a consciência, e que a autoridade da Igreja está subordinada à das Escrituras.
Negamos que os credos, concílios ou declarações doutrinárias da Igreja tenham uma autoridade igual ou maior do que a autoridade da Bíblia.

Artigo III

Afirmamos que a Palavra escrita é, em sua totalidade, revelação dada por Deus.
Negamos que a Bíblia seja um mero testemunho a respeito da revelação, ou que somente se torne revelação mediante encontro, ou que dependa das reações dos homens para ter validade.

Artigo IV

Afirmamos que Deus, que fez a humanidade à Sua imagem, utilizou a linguagem como um meio de revelação.Negamos que a linguagem humana seja limitada pela condição de sermos criaturas, a tal ponto que se apresente imprópria como veículo de revelação divina. Negamos ainda mais que a corrupção, através do pecado, da cultura e linguagem humanas tenha impedido a obra divina de inspiração.

Artigo V

Afirmamos que a revelação de Deus dentro das Sagradas Escrituras foi progressiva.Negamos que revelações posteriores, que podem completar revelações mais antigas, tenham alguma vez corrigido ou contrariado tais revelações. Negamos ainda mais que qualquer revelação normativa tenha sido dada desde o término dos escritos do Novo Testamento.

Artigo VI

Afirmamos que a totalidade das Escrituras e todas as suas partes, chegando às próprias palavras do original, foram por inspiração divina.
Negamos que se possa corretamente falar de inspiração das Escrituras, alcançando-se o todo mas não as partes, ou algumas partes mas não o todo.

Artigo VII

Afirmamos que a inspiração foi a obra em que Deus, por Seu Espírito, através de escritores humanos, nos deus Sua palavra. A origem das Escrituras é divina. O modo como se deu a inspiração permanece em grande parte um mistério para nós.
Negamos que se possa reduzir a inspiração à capacidade intuitiva do homem, ou a qualquer tipo de níveis superiores de consciência.

Artigo VIII

Afirmamos que Deus, em Sua obra de inspiração, empregou as diferentes personalidades e estilos literários dos escritores que Ele escolheu e preparou.
Negamos que Deus, ao fazer esses escritores usarem as próprias palavras que Ele escolheu, tenha passado por cima de suas personalidades.

Artigo IX

Afirmamos que a inspiração, embora não outorgando o­nisciência, garantiu uma expressão verdadeira e fidedigna em todas as questões sobre as quais os autores bíblicos foram levados a falar e a escrever.
Negamos que a finitude ou a condição caída desses escritores tenha, direta ou indiretamente, introduzido distorção ou falsidade na Palavra de Deus.

Artigo X

Afirmamos que, estritamente falando, a inspiração diz respeito somente ao texto autográfico das Escrituras, o qual, pela providência de Deus, pode-se determinar com grande exatidão a partir de manuscritos disponíveis. Afirmamos ainda mais que as cópias e traduções das Escrituras são a Palavra de Deus na medida em que fielmente representam o original.
Negamos que qualquer aspecto essencial da fé cristã seja afetado pela falta dos autógrafos. Negamos ainda mais que essa falta torne inválida ou irrelevante a afirmação da inerrância da Bíblia.

Artigo XI

Afirmamos que as Escrituras, tendo sido dadas por inspiração divina, são infalíveis, de modo que, longe de nos desorientar, são verdadeiras e confiáveis em todas as questões de que tratam.
Negamos que seja possível a Bíblia ser, ao mesmo tempo infalível e errônea em suas afirmações. Infalibilidade e inerrância podem ser distinguidas, mas não separadas.

Artigo XII

Afirmamos que, em sua totalidade, as Escrituras são inerrantes, estando isentas de toda falsidade, fraude ou engano.
Negamos que a infalibilidade e a inerrância da Bíblia estejam limitadas a assuntos espirituais, religiosos ou redentores, não alcançando informações de natureza histórica e científica. Negamos ainda mais que hipóteses científicas acerca da história da terra possam ser corretamente empregadas para desmentir o ensino das Escrituras a respeito da criação e do dilúvio.

Artigo XIII

Afirmamos a propriedade do uso de inerrância como um termo teológico referente à total veracidade das Escrituras.
Negamos que seja correto avaliar as Escrituras de acordo com padrões de verdade e erro estranhos ao uso ou propósito da Bíblia. Negamos ainda mais que a inerrância seja contestada por fenômenos bíblicos, tais como uma falta de precisão técnica contemporânea, irregularidades de gramática ou ortografia, descrições da natureza feitas com base em observação, referência a falsidades, uso de hipérbole e números arredondados, disposição tópica do material, diferentes seleções de material em relatos paralelos ou uso de citações livres.

Artigo XIV

Afirmamos a unidade e a coerência interna das Escrituras.
Negamos que alegados erros e discrepâncias que ainda não tenham sido solucionados invalidem as declarações da Bíblia quanto à verdade.

Artigo XV

Afirmamos que a doutrina da inerrância está alicerçada no ensino da Bíblia acerca da inspiração.
Negamos que o ensino de Jesus acerca das Escrituras possa ser desconhecido sob o argumento de adaptação ou de qualquer limitação natural decorrente de Sua humanidade.

Artigo XVI

Afirmamos que a doutrina da inerrância tem sido parte integrante da fé da Igreja ao longo de sua história.
Negamos que a inerrância seja uma doutrina inventada pelo protestantismo escolástico ou que seja uma posição defendida como reação contra a alta crítica negativa.

Artigo XVII

Afirmamos que o Espírito Santo dá testemunho acerca das Escrituras, assegurando aos crentes a veracidade da Palavra de Deus escrita.
Negamos que esse testemunho do Espírito Santo opere isoladamente das Escrituras ou em oposição a elas.

Artigo XVIII

Afirmamos que o texto das Escrituras deve ser interpretado mediante exegese histórico-gramatical, levando em conta suas formas e recursos literários, e que as Escrituras devem interpretar as Escrituras.
Negamos a legitimidade de qualquer abordagem do texto ou de busca de fontes por trás do texto que conduzam a um revigoramento, desistorização ou minimização de seu ensino, ou a uma rejeição de suas afirmações quanto à autoria.

Artigo XIX

Afirmamos que uma confissão da autoridade, infalibilidade e inerrância plenas das Escrituras é vital para uma correta compreensão da totalidade da fé cristã. Afirmamos ainda mais que tal confissão deve conduzir a uma conformidade cada vez maior à imagem de Cristo.
Negamos que tal confissão seja necessária para a salvação. Contudo, negamos ainda mais que se possa rejeitar a inerrância sem graves conseqüências, quer para o indivíduo quer para a Igreja.

Explanação

Nossa compreensão da doutrina da inerrância deve dar-se no contexto mais amplo dos ensinos das Escrituras sobre si mesma. Esta explanação apresenta uma descrição do esboço da doutrina, na qual se baseiam nossa breve declaração e os artigos.

Criação, Revelação e Inspiração

O Deus Triuno, que formou todas as coisas por Sues proferimentos criadores e que a tudo governa pela Palavra de Sua vontade, criou a humanidade à Sua própria imagem para uma vida de comunhão consigo mesmo, tendo por modelo a eterna comunhão da comunicação dentro da Divindade. Como portador da imagem de Deus, o homem deve ouvir a Palavra de Deus dirigida a ele e reagir com a alegria de uma obediência em adoração. Além da auto-revelação de Deus na ordem criada e na seqüência de acontecimentos dentro dessa ordem, desde Adão os seres humanos têm recebido mensagens verbais dEle, quer diretamente, conforme declarado nas Escrituras, quer indiretamente na forma de parte ou totalidade das próprias Escrituras.

Quando Adão caiu, o Criador não abandonou a humanidade ao juízo final, mas prometeu salvação e começou a revelar-Se como Redentor numa seqüência de acontecimentos históricos centralizados na família de Abraão e que culminam com a vida, morte, ressurreição, atual ministério celestial e a prometida volta de Jesus Cristo. Dentro desse arcabouço, de tempos em tempos Deus tem proferido palavras específicas de juízo e misericórdia, promessa e mandamento, a seres humanos pecaminosos, de modo a conduzi-los a um relacionamento, uma aliança, de compromisso mútuo entre as duas partes, mediante o qual Ele os abençoa com dons da graça, e eles O bendizem numa reação de adoração. Moisés, que Deus usou como mediador para transmitir Suas palavras a Seu povo à época do êxodo, está no início de uma longa linhagem de profetas em cujas bocas e escritos Deus colocou Suas palavras para serem entregues a Israel. O propósito de Deus nesta sucessão de mensagens era manter Sua aliança ao fazer com que Seu povo conhecesse Seu Nome, isto é, Sua natureza, e tantos preceitos quanto os propósitos de Sua vontade, quer para o presente, que para o futuro. Essa linhagem de porta-vozes proféticos da parte de Deus culminou em Jesus Cristo, a Palavra encarnada de Deus, sendo Ele um profeta (mais do que um profeta, mas não menos do que isso), e nos apóstolos e profetas da primeira geração de cristãos. Quando a mensagem final e culminante de Deus, Sua palavra ao mundo a respeito de Jesus Cristo, foi proferida e esclarecida por aqueles que pertenciam ao círculo apostólico, cessou a seqüência de mensagens reveladas. Daí por diante, a Igreja devia viver e conhecer a Deus através daquilo que Ele já havia dito, e dito para todas as épocas.

No Sinai, Deus escreveu os termos de Sua aliança em tábuas de pedra, como Seu testemunho duradouro e para ser permanentemente acessível, e ao longo do período de revelação profética e apostólica levantou homens para escreverem as mensagens dadas a eles e através deles, junto com os registros que celebravam Seu envolvimento com Seu povo, além de reflexões éticas sobre a vida em aliança e de formas de louvor e oração em que se pede a misericórdia da aliança. A realidade teológica da inspiração na elaboração de documentos bíblicos corresponde à das profecias faladas: embora as personalidades dos escritores humanos se manifestassem naquilo que escreveram, as palavras foram divinamente dadas. Assim, aquilo que as Escrituras dizem, Deus diz; a autoridade das Escrituras é a autoridade de Deus, pois Ele é seu derradeiro Autor, tendo entregue as Escrituras através das mentes e palavras dos homens escolhidos e preparados, os quais, livre e fielmente, “falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.21). Deve-se reconhecer as Escrituras Sagradas como a Palavra de Deus em virtude de sua origem divina.

Autoridade: Cristo e a Bíblia

Jesus Cristo, o Filho de Deus, que é a Palavra (Verbo) feita carne, nosso Profeta, Sacerdote e Rei, é o Mediador último da comunicação de Deus ao homem, como também o é de todos os dons da graça de Deus. A revelação dada por Ele foi mais do que verbal; Ele também revelou o Pai mediante Sua presença e Seus atos. Suas palavras, no entanto, foram de importância crucial, pois Ele era Deus, Ele falou da parte do Pai, e Suas palavras julgarão ao todos os homens no último dia.

Na qualidade de Messias prometido, Jesus Cristo é o tema central das Escrituras. O Antigo Testamento olhava para Ele no futuro; o Novo Testamento olha para trás, ao vê-lo em Sua primeira vinda, e para frente em Sua segunda vinda. As Escrituras canônicas são o testemunho divinamente inspirado e, portanto, normativo, a respeito de Cristo. Deste modo, não é aceitável alguma hermenêutica em que Cristo não seja o ponto central. Deve-se tratar as Escrituras Sagradas como aquilo que são em essência: o testemunho do Pai a respeito do Filho encarnado.
Parece que o cânon do Antigo Testamento já estava estabelecido à época de Jesus. Semelhantemente, o cânon do Novo Testamento está encerrado na medida em que nenhuma nova testemunha apostólica do Cristo histórico pode nascer agora. Nenhuma nova revelação (distinta da compreensão que o Espírito dá acerca da revelação existente) será dada até que Cristo volte. O cânon foi criado no princípio por inspiração divina. A parte da Igreja foi discernir o cânon que Deus havia criado, não elaborar o seu próprio cânon. Os critérios relevantes foram e são: autoria (ou Sua confirmação), conteúdo e o testemunho confirmador do Espírito Santo.

A palavra cânon, que significa regra ou padrão, é um indicador de autoridade, o que significa o direito de governar e controlar. No cristianismo a autoridade pertence a Deus em Sua revelação, o que significa, de um lado, Jesus Cristo, a Palavra viva, e, de outro, as Sagradas Escrituras, a Palavra escrita. Mas a autoridade de Cristo e das Escrituras são uma só. Como nosso Profeta, Cristo deu testemunho de que as Escrituras não podem falhar. Como nosso Sacerdote e Rei, Ele dedicou Sua vida terrena a cumprir a lei e os profetas, até ao ponto de morrer em obediência às palavras da profecia messiânica. Desta forma, assim como Ele via as Escrituras testemunhando dEle e de Sua autoridade, de igual modo, por Sua própria submissão às Escrituras, Ele testemunhou da autoridade delas. Assim como Ele se curvou diante da instrução de Seu Pai dada em Sua Bíblia (nosso Antigo Testamento), de igual maneira Ele requer que Seus discípulos assim o façam, todavia não isoladamente, mas em conjunto com o testemunho apostólico acerca dEle, testemunho que ele passou a inspirar mediante a Sua dádiva do Espírito Santo. Desta maneira, os cristãos revelam-se servos fiéis de seu Senhor, por se curvarem diante da instrução divina dada nos escritos proféticos e apostólicos que, juntos, constituem nossa Bíblia.

Ao confirmarem a autoridade um do outro, Cristo e as Escrituras fundem-se numa única fonte de autoridade. O Cristo biblicamente interpretado e a Bíblia centralizada em Cristo e que O proclama são, desse ponto de vista, uma só coisa. Assim como a partir do fato da inspiração inferimos que aquilo que as Escrituras dizem, Deus diz, assim também a partir do relacionamento revelado entre Jesus Cristo e as Escrituras podemos igualmente declarar que aquilo que as Escrituras dizem, Cristo diz.

Infalibilidade, Inerrância, Interpretação

As Escrituras Sagradas, na qualidade de Palavra inspirada de Deus que dá testemunho oficial acerca de Jesus Cristo, podem ser adequadamente chamadas de infalíveis e inerrantes. Estes termos negativos possuem especial valor, pois salvaguardam explicitamente verdades positivas.
Infalível significa a qualidade de não desorientar nem ser desorientado e, dessa forma, salvaguarda em termos categóricos a verdade de que as Santas Escrituras são uma regra e um guia certos, seguros e confiáveis em todas as questões.

Semelhantemente, inerrante significa a qualidade de estar livre de toda falsidade ou engano e, dessa forma, salvaguarda a verdade de que as Santas Escrituras são totalmente verídicas e fidedignas em todas as suas afirmações.

Afirmamos que as Escrituras canônicas sempre devem ser interpretadas com base no fato de que são infalíveis e inerrantes. No entanto, ao determinar o que o escritor ensinado por Deus está afirmando em cada passagem, temos de dedicar a mais cuidadosa atenção às afirmações e ao caráter do texto como sendo uma produção humana. Na inspiração Deus utilizou a cultura e os costumes do ambiente de seus escritores, um ambiente que Deus controla em Sua soberana providência; é interpretação errônea imaginar algo diferente.

Assim, deve-se tratar história como história, poesia como poesia, e hipérbole e metáfora como hipérbole e metáfora, generalização e aproximações como aquilo que são, e assim por diante. Também se deve observar diferenças de práticas literárias entre os períodos bíblicos e o nosso: visto que, por exemplo, naqueles dias, narrativas são cronológicas e citações imprecisas eram habituais e aceitáveis e não violavam quaisquer expectativas, não devemos considerar tais coisas como falhas, quando as encontramos nos autores bíblicos. Quando não se esperava nem se buscava algum tipo específico de precisão absoluta, não constitui erro o fato de ela existir. As Escrituras são inerrantes não no sentido de serem totalmente precisas de acordo com os padrões atuais, mas no sentido de que validam suas afirmações e atingem a medida de verdade que seus autores buscaram alcançar.

A veracidade das Escrituras não é negada pela aparição, no texto, de irregularidades gramaticais ou ortográficas, de descrições fenomenológicas da natureza, de relatos de afirmações falsas (por exemplo, as mentiras de Satanás), ou as aparentes discrepâncias entre uma passagem e outra. Não é certo jogar os chamados fenômenos das Escrituras contra o ensino da Escritura sobre si mesma. Não se devem ignorar aparentes incoerências. A solução delas, onde se possa convincentemente alcança-las, estimulará nossa fé, e, onde no momento não houver uma solução convincente disponível, significativamente daremos honra a Deus, por confiar em Sua garantia de que Sua Palavra é verdadeira, apesar das aparências em contrário, e por manter a confiança de que um dia se verá que elas eram enganos.

Na medida em que toda a Escritura é o produto de uma só mente divina, a interpretação tem de permanecer dentro dos limites da analogia das Escrituras e abster-se de hipóteses que visam corrigir uma passagem bíblica por meio de outra, seja em nome da revelação progressiva ou do entendimento imperfeito por parte do escritor inspirado.

Embora as Sagradas Escrituras em lugar algum estejam limitadas pela cultura, no sentido de que seus ensinos carecem de validade universal, algumas vezes estão culturalmente condicionadas pelos hábitos e pelas idéias aceitas de um período em particular, de modo que a aplicação de seus princípios, hoje em dia, requer um tipo diferente de ação (por exemplo, na questão do corte de cabelo e do penteado das mulheres, cf. 1 Co 11).

Ceticismo e Crítica

Desde a Renascença, e mais especificamente desde o Iluminismo, têm-se desenvolvido filosofias que envolvem o ceticismo diante das crenças cristãs básicas. É o caso do agnosticismo, que nega que Deus seja cognoscível; do racionalismo, que nega que Ele seja incompreensível; do idealismo, que nega que Ele seja transcendente; e do existencialismo, que nega a racionalidade de Seus relacionamentos conosco. Quanto esses princípios não bíblicos e antibíblicos infiltram-se nas teologias do homem a nível das pressuposições, como freqüentemente acontecem hoje em dia, a fiel interpretação das Sagradas Escrituras torna-se impossível.

Transmissão e Tradução

Uma vez que em nenhum lugar Deus prometeu uma transmissão inerrante da Escritura, é necessário afirmar que somente o texto autográfico dos documentos originais foi inspirado e manter a necessidade da crítica textual como meio de detectar quaisquer desvios que possam ter se infiltrado no texto durante o processo de sua transmissão. O veredicto dessa ciência é, entretanto, que os textos hebraicos e grego parecem estar surpreendentemente bem preservados, de modo que tempos amplo apoio para afirmar, junto com a Confissão de Westminster, uma providência especial de Deus nessa questão e em declarar que de modo algum a autoridade das Escrituras corre perigo devido ao fato de que as cópias que possuímos não estão totalmente livres de erros.

Semelhantemente, tradução alguma é perfeita, nem pode ser, e todas as traduções são um passo adicional de distanciamento dos autographa. Porém, o veredicto da linguística é que pelo menos os cristãos de língua inglesa estão muitíssimo bem servidos na atualidade com uma infinidade de traduções excelentes e não têm motivo para hesitar em concluir que a Palavra verdadeira de Deus está ao seu alcance. Aliás, em vista da freqüente repetição, nas Escrituras, dos principais assuntos de que elas tratam e também em vista do constante testemunho do Espírito Santo a respeito da Palavra e através dela, nenhuma tradução séria das Santas Escrituras chegará a de tal forma destruir seu sentido, a ponto de tornar inviável que elas façam o seu leitor “sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus” (2 Tm 3.15).

Inerrância e Autoridade

Ao confiarmos que a autoridade das Escrituras envolve a verdade total da Bíblia, estamos conscientemente nos posicionando ao lado de Cristo e de Seus apóstolos, aliás, ao lado da Bíblia inteira e da principal vertente da história da igreja, desde os primeiros dias até bem recentemente. Estamos preocupados com a maneira casual, inadvertida e aparentemente impensada como uma crença de importância e alcance tão vastos foi por tantas pessoas abandonada em nossos dias.

Também estamos cônscios de que uma grande e grave confusão é resultado de parar de afirmar a total veracidade da Bíblia, cuja autoridade as pessoas professam conhecer. O resultado de dar esse passo é que a Bíblia que Deus entregou perde sua autoridade e, no lugar disso, o que tem autoridade é uma Bíblia com o conteúdo reduzido de acordo com as exigências do raciocínio crítico das pessoas, sendo que, a partir do momento em que a pessoa deu início a essa redução, esse conteúdo pode em princípio ser reduzido mais e mais. Isto significa que, no fundo, a razão independente possui atualmente a autoridade, em oposição ao ensino das Escrituras. Se isso não é visto e se, por enquanto, ainda são sustentadas as doutrinas evangélicas fundamentais, as pessoas que negam a total veracidade das Escrituras podem reivindicar uma identidade com os evangélicos, ao mesmo tempo em que, metodologicamente, se afastaram da posição evangélica acerca do conhecimento para um subjetivismo instável, e não acharão difícil ir ainda mais longe.
Afirmamos que aquilo que as Escrituras dizem, Deus diz. Que Ele seja glorificado. Amém e amém.

Retirado do apêndice do livro “O ALICERCE DA AUTORIDADE BÍBLICA”, James Montgomery Boice, Páginas 183 a 196, Editado por: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, Edição: 1989, Reimpressão 1997.

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Bibliologia – A Doutrina das Escrituras

I. INTRODUÇÃO

A.) Terminologia
1. Bíblia. Derivado de biblion, “rolo” ou “livro” (Lc 4.17).
2. Escritura(s) – Termo usado no N.T. para, os livros sagrados do A.T., que eram considerados inspirados por Deus (2 Tm 3.16; Rm 3.2). Também é usado no N.T. com referência a outras porções do N.T. (2 Pe 3.16).
3. Palavra de Deus. Usada em relação a ambos os testamentos em sua forma escrita (Mt 15.6; Jo 10.35; Hb 4.12).

B.) Atitudes em Relação à Bíblia
1. Racionalismo – a. Em sua forma extrema nega a possibilidade de qualquer revelação sobre-natural. b. Em sua forma moderada admite a possibilidade de revelação divina, mas essa revelação fica sujeita ao juízo final da razão humana.
2. Romanismo – A Bíblia é um produto da igreja; por isso a Bíblia não é a autoridade única ou final.
3. Misticismo – A experiência pessoal tem a mesma autoridade da Bíblia.
4. Neo-ortodoxia – A Bíblia é uma testemunha falível da revelação de Deus na Palavra, Cristo.
5. Seitas – A Bíblia e os escritos do líder ou fundador de cada uma possuem igual valor.
6. Ortodoxia – A Bíblia é a nossa única base de autoridade.

C.) As Maravilhas da Bíblia
1. Sua formação – Levou cerca de 1500 anos.
2. Sua Unidade – Tem cerca de 40 autores, mas é um só livro.
3. Sua Preservação.
4. Seu Assunto.
5. Sua Influência.

II. REVELAÇÃO

A.) Definição – “Um desvendamento; especialmente a comunicação da mensagem divina ao homem”.

B.) Meios de Revelação
1. Pela Natureza (Rm 1.18-21; Sl 19)
2. Pela Providência (Rm 8.28; At 14.15-17)
3. Pela Preservação do Universo (Cl 1.17)
4. Através de Milagres (Jo 2.11)
5. Por Comunicação Direta (At 22.17-21)
6. Através de Cristo (Jo 1.14)
7. Através da Bíblia (1Jo 5.9-12)

III. INSPIRAÇÃO

A.) Definição – Inspiração é a ação supervisionadora de Deus sobre os autores humanos da Bíblia de modo a, usando suas próprias personalidades e estilos, comporem e registrarem sem erro as palavras de Sua revelação ao homem. A Inspiração se aplica apenas aos manuscritos originais (chamados de autógrafos).

B.) Teorias sobre a Inspiração
1. Natural – Não há qualquer elemento sobrenatural envolvido. A Bíblia foi escrita por homens de grande talento.
2. Mística ou Iluminativa – Os autores bíblicos foram cheios do Espírito como qualquer crente pode ser hoje.
3. Mecânica (ou teoria da ditação) – Os autores bíblicos foram apenas instrumentos passivos nas mãos de Deus como máquinas de escrever com as quais Ele teria escrito. Deve-se admitir que algumas partes da Bíblia foram ditadas (e.g., os Dez mandamentos).
4. Parcial – Somente o não conhecível foi inspirado (e.g., criação, conceitos espirituais)
5. Conceitual – Os conceitos, não as palavras, foram inspirados.
6. Gradual – Os autores bíblicos foram mais inspirados que outros autores humanos.
7. Neo-ortodoxa – Autores humanos só poderiam produzir um registro falível.
8. Verbal e Plenária – Esta é a verdadeira doutrina e significa que cada palavra (verbal) e todas as palavras (plenária) foram inspiradas no sentido da definição acima.
9. Inspiração Falível – Uma teoria, que vem ganhando popularidade, de que a Bíblia é inspirada mas não isenta de erros.

C.) Características da Inspiração Verbal e Plenária
1. A verdadeira doutrina é válida apenas para os manuscritos originais.
2. Ela se estende às próprias palavras.
3. Vê Deus como o superintendente do processo, não ditando aos escritores, mas guiando-os.
4. Inclui a inerrância.

D.) Provas da Inspiração Verbal e Plenária
1. 2 Tm 3.16 – Theopneustos, soprado por Deus. Afirma que Deus é o autor das Escrituras e que estas são o produto de Seu sopro criador.
2. 2 Pe 1.20,21 – O “como” da inspiração – homens “movidos” (lit., “carregados”) pelo Espírito Santo.
3. Ordens especificas para escrever a Palavra do Senhor (Ex 17.14; Jr 30.2).
4. O uso de citações (Mt 15.4; At 28.25).
5. O uso que Jesus fez do A.T. (Mt 5.17; Jo 10.35).
6. O N.T. afirma que outras partes do N.T. são Escrituras (1Tm 5.18; 2Pe 3.16).
7. Os escritores estavam conscientes de estarem escrevendo a Palavra de Deus (1 Co 2.13; 1 Pe 1.11,12)

E.) Provas de Inerrância
1. A fidedignidade do caráter de Deus (Jo 17.3; Rm 3.4).
2. O ensino de Cristo (Mt 5.17; Jo 10.35).
3. Os argumentos baseados em uma palavra ou na forma de uma palavra (Gl 3.16, “descendente”; Mt 22.31,32, “sou”).

IV. CANONICIDADE

A.) Considerações fundamentais
1. A Bíblia é auto-autenticável e os concílios eclesiásticos só reconheceram (não atribuíram) a autoridade inerente nos próprios livros.
2. Deus guiou os concílios de modo que o cânon fosse reconhecido.

B.) Cânon do A.T.
1. Alguns afirmam que todos os livros do cânon do A.T. foram reunidos e reconhecidos sob a liderança de Esdras (quinto século a.C.).
2. O N.T. se refere a A.T. como Escritura (Mt 23.35; a expressão de Jesus equivaleria dizer hoje “de Gênesis a Malaquias”; cf. Mt 21.42; 22.29).
3. O Sínodo de Jamnia (90 A.D.) Uma reunião de rabinos judeus que reconheceu os livros do A.T., embora houvesse alguns que questionassem Ester, Eclesiastes e Cantares de Salomão.

C.) Os Princípios de Canonicidade dos Livros do N.T.
1. Apostolicidade – O livro foi escrito ou influenciado por algum apóstolo?
2. Conteúdo – O seu caráter espiritual é suficiente?
3. Universalidade – Foi amplamente aceito pela igreja?
4. Inspiração – O livro oferecia prova interna de inspiração?

D.) A Formação do Cânon do N.T.
1. O período dos apóstolos – Eles reivindicaram autoridade para seus escritos (1 Ts 5.27; Cl 4.16).
2. O período pós-apostólico – Todos os livros forma reconhecidos exceto Hebreus, 2 Pedro, 2 e 3 João.
3. O Concílio de Cartago, 397, reconheceu como canônicos os 27 livros do N.T.

V. ILUMINAÇÃO

A.) Em Relação aos Não-Salvos
1. Sua necessidade (1 Co 2.14; 2 Co 4.4)
2. O ministério do convencimento do Espírito (Jo 16.7-11)

B.) Em Relação ao Crente
1. Sua necessidade (1 Co 2.10-12; 3.2).
2. O ministério do ensino do Espírito (Jo 16.13-15)

VI. INTERPRETAÇÃO

A.) Princípios de Interpretação
1. Interpretar histórica e gramaticalmente.
2. Interpretar de acordo com os contextos imediatos e mais amplo.
3. Interpretar em harmonia com toda a Bíblia, comparando Escritura com Escritura.

B.) Divisões Gerais da Bíblia
1. A.T.
a. Livros históricos: de Gênesis a Ester.
b. Livros poéticos: de Jó a Cantares.
c. Livros proféticos: de Isaías a Malaquias.
2. N.T.
a. Evangelhos: Mateus a João.
b. História da Igreja: Atos.
c. Epístolas: de Romanos a Judas.
d. Profecia: Apocalipse.

C.) Alianças Bíblicas
1. Noética (Gn 8.20-22).
2. Abraâmica (Gn 12.1-3).
3. Mosaica (Ex 19.3-40.38).
4. Palestiniana (Dt 30).
5. Davídica (2Sm 7.5-17).
6. Nova Aliança (Jr 31.31-34; Mt 26.28)

VII. O TESTEMUNHO BÍBLICO

Apenas para ilustrar como os tempos mudaram, até poucos anos atrás tudo o que se precisava dizer para expressar convicção de que a Bíblia era plenamente inspirada era “A Bíblia é a Palavra de Deus”. Depois, foi preciso acrescentar “a Palavra inspirada de Deus”. Mas algum tempo passou e a frase cresceu “a Palavra verbalmente inspirada de Deus”. Daí, para dizer a mesma coisa era preciso dizer: “A Bíblia é e palavra de Deus verbal e plenariamente inspirada”. Depois, surgiu a necessidade de dizer “… a Palavra de Deus, infalível, verbal e plenariamente inspirada”. Hoje em dia, é preciso usar uma bateria de termos teológicos: “A Bíblia é a Palavra de Deus, infalível, inerrante nos manuscritos originais, verbal e plenariamente inspirada”. Apesar de tudo isso, é possível não comunicar exatamente o que se quer dizer!
O que, todavia a Bíblia reivindica para si?
(1) ela afirma que toda a Escritura é inspirada por Deus (2 Tm 3:16). Isto significa que Deus, que é verdadeiro (Rm 3:4), “soprou” a verdade.
(2) Mas não teria o homem corrompido a verdade enquanto a registrava? Não, porque a Bíblia também testifica que os homens que a escreveram foram “movidos (lit., carregados) pelo Espírito Santo” (2 Pe 1:21). O Espírito foi, assim, Co-autor de todos os livros da Bíblia, escrevendo “de parceria” com cada autor humano. Há uma série de passagens no novo testamento em que trechos do antigo testamento tiveram como autor designado o Espírito Santo de Deus, embora tenham sido escritos por vários homens diferentes. A única maneira de explicar este fenômeno é reconhecer uma dupla autoria (veja Mc 12:36, onde Jesus afirma que foi o Espírito o autor de algo que David escreveu no Salmo 110; em Atos 1:16 e 4:24-25, onde os Salmos 41 e 2 são atribuídos ao Espírito Santo; igualmente Hebreus 3:7; 10:15-16).
(3) Ás vezes o registro reflete claramente o estilo e as expressões dos autores humanos. Isso deve ser esperado em um livro de dupla autoria, e não significa de maneira alguma que, ao empregarem seu próprio estilo, os autores estivessem produzindo registros errôneos (veja Rm 9:1-3 como exemplo dessa afirmação).
(4) Fora de dúvida, a Bíblia expressa possuir essa inerrância. De que outra maneira poderíamos explicar o fato de Jesus Cristo ter reivindicado para as próprias letras que formam as palavras da Escritura um caráter permanente e irrevogável: “Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem um só i ou um til passará da lei, até que tudo se cumpra” (Mt 5:18)? O i é a letra hebraica yod, a menor do alfabeto hebraico. O til era um pequenino traço que servia para distinguir certas letras hebraicas de outras (como um dalet de um resh). Num tipo comumente usado para livros, teria extensão menor que um milímetro! Em outras palavras, o Senhor estava afirmando que cada letra, ou cada palavra é importante, e que o Antigo Testamento seria cumprido exatamente como fora soletrado, letra por letra, palavra por palavra.
O Senhor também insistiu na importância de um tempo presente em Mateus 22:32. Para deixar bem clara a veracidade da ressurreição, ele relembrou aos saduceus que Deus é o Deus dos vivos porque Se identificara a Moisés dizendo “Eu sou” o Deus de Abrão, de Isaque e de Jacó, embora eles já estivessem mortos havia centenas de anos. Se a ressurreição não fosse uma realidade, Ele teria dito “Eu fui” o seu Deus. O Senhor também baseou um argumento crucial sobre Sua própria divindade na palavra do Senhor (Mt 22:41-46) conforme usada no Salmo 110:1. Se Ele não considerasse inerrantes as próprias palavras da Escritura, seu argumento na teria sentido. Em outra ocasião Ele Se escusou da acusação de blasfêmia focalizando uma única palavra do Salmo 82:6 (Jô 10:34). Depois, reforçou seu argumento lembrando a Seus acusadores que a Escritura “não pode falhar” (Lit., ser quebrada). De igual modo, Paulo insistiu na importância de um singular em contraste com um plural em seu argumento registrado em Gálatas 3:16. Tal argumento não seria válido a não ser que se pudesse confiar plenamente na diferença entre singular e plural de cada palavra. Todos esses exemplos nos levam a admitir que a Bíblia reivindica inerrância para si.
(5) Ninguém que defenda a inerrância nega que a Bíblia use figuras de linguagem comuns (como “os quatro cantos da terra”, Ap 7:1); porém tais figuras são usadas com precisão.
(6) Também não negamos que os autores humanos ocasionalmente pesquisaram os fatos sobre os quais escreveram (Lc 1:1-4). O produto, todavia, cremos que tenha sido guardado do erro pelo trabalho de supervisão do Espírito Santo.
(7) Também não negamos que haja problemas com o texto de que hoje dispomos. Problemas, todavia, são muito diferentes de erros. Na verdade, diante das reivindicações que a Bíblia faz em seu favor em termos de inspiração e inerrância, seria mais razoável, quando confrontados com problemas, colocar nossa fé nas Escrituras, que se têm demonstrado fidedignas ao longo dos séculos, e não confiar em qualquer opinião humana e falível. O conhecimento humano de muitos desses problemas é limitado e, em algumas ocasiões, demonstravelmente errado. Sem dúvida o tempo continuará a trazer à luz fatos que ajudarão a solucionar os problemas ainda não resolvidos na Bíblia.

Fonte: “A Bíblia Anotada” (The Ryrie Study Bible, Charles Caldwell Ryrie, Th.D., Ph.D.)

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Como a Bíblia Chegou até Nós

A questão de quais livros pertencem à Bíblia é chamada questão canônica. A palavra cânon significa régua, vara de medir, regra, e, em relação à Bíblia, refere-se à coleção de livros que passaram pelo teste de autenticidade e autoridade; significa ainda que esses livros são nossa regra de vida. Como foi formada esta coleção?

Os Testes de Canonicidade
Em primeiro lugar é importante lembrarmos que certos livros já eram canônicos antes de qualquer teste lhes ser aplicado. Isto é como dizer que alguns alunos são inteligentes antes mesmo de se lhes ministrar uma prova. Os testes apenas provam aquilo que intrinsecamente já existe. Do mesmo modo, nem a Igreja nem os concílios eclesiásticos jamais concederam canonicidade ou autoridade a qualquer livro; o livro era autêntico ou não no momento em que foi escrito. A Igreja ou seus concílios reconheceram certos livros como Palavra de Deus e, com o passar do tempo, aqueles assim reconhecidos foram colecionados para formar o que hoje chamamos de Bíblia.
Que testes a Igreja aplicou?
1.) Havia o teste da autoridade do escritor. Em relação ao A.T., isto significava a autoridade do legislador, ou do profeta, ou do líder em Israel. No caso do N.T., o livro deveria ter sido escrito ou influenciado por uma apóstolo para ser reconhecido. Em outras palavras, deveria ter a assinatura ou aprovação de um apóstolo. Pedro, por exemplo, apoiou a Marcos, e Paulo a Lucas.
2.) Os próprios livros deveriam dar alguma prova intrínseca de seu caráter peculiar, inspirado e autorizado por Deus. Seu conteúdo deveria de demonstrar ao leitor como algo diferente de qualquer outro livro por comunicar a revelação de Deus.
3.) O veredicto das igrejas quanto à natureza canônica dos livros era importante. Na verdade, houve uma surpreendente unanimidade entre as primeiras igrejas quanto aos livros que mereciam lugar entre os inspirados. Embora seja fato que alguns livros bíblicos tenham sido recusados ou questionados por alguma minoria, nenhum livro cuja autenticidade foi questionada por um número grande de igrejas veio a ser aceito posteriormente como parte do cânon.

A Formação do Cânon
O cânon da Escritura estava-se formando, é claro, à medida que cada livro era escrito, e completou-se quando o último livro foi terminado. Quando falamos da “formação” do cânon estamos realmente falando do reconhecimento dos livros canônicos pela Igreja. Esse processo levou algum tempo. Alguns afirmam que todos os livros do A.T. já haviam sido colecionados e reconhecidos por Esdras, no quinto século AC. Referências nos escritos de Flávio Josefo (95 DC) e em 2 Esdras 14 (100 DC) indicam a extensão do cânon do A.T. como os 39 livros que hoje aceitamos. A discussão do chamado Sínodo de Jamnia (70-100 DC) parece ter partido deste cânon. Nosso Senhor delimitou a extensão dos livros canônicos do A.T. quando acusou os escribas de serem culpados da morte de todos os profetas que Deus enviara a Israel, de Abel a Zacarias (Lc 11.51). O relato da morte de Abel está, é claro, em Gênesis; o de Zacarias se acha em 2 Crônicas 24.20,21, que é o último livro na disposição da Bíblia hebraica (em lugar de nosso Malaquias). Para nós, é como se Jesus tivesse dito: “Sua culpa está registrada em toda a Bíblia – de Gênesis a Malaquias”. Ele não incluiu qualquer dos livros apócrifos que já existiam em Seu tempo e que continham relatos das mortes de outros mártires israelitas.
O primeiro concílio eclesiástico a reconhecer todos os 27 livros do N.T. foi o concílio de Cartago, em 397 DC. Alguns livros do N.T., individualmente, já haviam sido reconhecidos como canônicos muito antes disso (2 Pe 3.16; 1 Tm 5.18) e a maioria deles foi aceita como canônica no século posterior ao dos apóstolos (Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João e Judas foram debatidos por algum tempo). A seleção do cânon foi um processo que continuou até que cada livro provasse o seu valor, passando pelos testes de canonicidade. Os doze livros apócrifos do A.T. jamais foram aceitos pelos judeus ou por nosso Senhor no mesmo nível de autoridade dos livros canônicos. Eles eram respeitados, mas não foram considerados como Escritura. A Septuaginta (versão grega do A.T. produzida entre o terceiro e o segundo século AC) incluiu os apócrifos com o A.T. canônico. Jerônimo (c. 340 – 420 DC), ao traduzir a Vulgata, distinguiu entre os livros canônicos e os eclesiásticos (que eram os apócrifos), e essa distinção acabou por conceder-lhe uma condição de canonicidade secundária. O Concílio de Trento (1548) reconheceu-os como canônicos, embora os reformadores tenham rejeitado tal decreto. Em algumas versões protestantes dos séculos XVI e XVII, os apócrifos foram colocados à parte.

O Texto de Que Dispomos É Confiável?
Os manuscritos originais do A.T. e suas primeiras cópias foram escritos em pergaminhos ou papiro, desde o tempo de Moisés (c. 1450 AC) até o tempo de Malaquias (400 AC). Até a sensacional descoberta dos Rolos do Mar Morto em 1947, não possuíamos cópias do A.T. anteriores a 895 DC. A razão de isto acontecer era a veneração quase supersticiosa que os judeus tinham pelo texto e que os levava a enterrar as cópias, à medida que ficavam gastas demais para uso regular. Na verdade, os massoretas (tradicionalistas), que acrescentaram os acentos e transcreveram a vocalização entre 600 e 950 DC, padronizando em geral o texto do A.T., engendraram maneiras sutis de preservar a exatidão das cópias que faziam. Verificavam cada cópia cuidadosamente, contando a letra média de cada página, livro e divisão. Alguém já disse que qualquer coisa numerável era numerada. Quando os Rolos do Mar Morto ou Manuscrito do Mar Morto foram descobertos, trouxeram a lume um texto hebraico datada do segundo século AC de todos os livros do A.T. à exceção de Ester. Essa descoberta foi extremamente importante, pois forneceu um instrumento muito mais antigo para verificarmos a exatidão do Texto Massorético, que se provou extremamente exato.
Outros instrumentos antigos de verificação do texto hebraico incluem a Septuaginta (tradução grega preparada em meados do terceiro século AC), os targuns aramaicos (paráfrases e citações do A.T.), citações em autores cristãos da antiguidade, a tradução latina de Jerônimo (a Vulgata, c. 400 DC), feita diretamente do texto hebraico corrente em sua época. Todas essas fontes nos oferecem dados que asseguram um texto extremamente exato do A.T.
Mais de 5.000 manuscritos do N.T. existem ainda hoje, o que o torna mais bem documentado dos escritos antigos. O contraste é surpreendente.
Além de existirem muitas cópias do N.T., muitas delas pertencem a uma data bem próxima à dos originais. Há aproximadamente setenta e cinco fragmentos de papiro datados de 135 DC até o oitavo século, possuindo partes de 25 dos 27 livros, num total de 40% do texto. As muitas centenas de cópias feitas em pergaminho incluem o grande Códice Sinaítico (quarto século), o Códice Vaticano (também quarto século) e o Códice Alexandrino (quinto século). Além disso, há cerca de 2.000 lecionários (livretos de uso litúrgico que contêm porções das Escrituras), mais de 86.000 citações do N.T. nos escritos dos Pais da Igreja, antigas traduções latinas, siríaca e egípcia, datadas do terceiro século, e a versão latina de Jerônimo. Todos esses dados, mais o trabalho feito pelos estudiosos da paleografia, arqueologia e crítica textual, nos asseguram possuirmos um texto exato e fidedigno do Novo Testamento.

Extraído de “A Survey of Bible Doctrine, por Charles C. Ryrie
Transcrito de “A Bíblia Anotada”.

Texto Massorético – texto hebraico da Bíblia utilizado com a versão universal da Tanakh para o judaísmo moderno, e também como fonte de tradução para o Antigo Testamento da Bíblia cristã, inicialmente pelos católicos e, modernamente, também por tradutores protestantes.

Tanakh – conjunto principal de livros sagrados do judaísmo, sendo o mais próximo do que se pode chamar de uma Bíblia judaica.

Codex Sinaiticus – um dos mais importantes manuscritos gregos já descobertos, pois além de ser um dos mais antigos (século IV), e o único codex (livro, documento) que contém o NT inteiro. Atualmente acha-se no Museu Britânico. Foi descoberto por Constantin von Tischendorf, em sua terceira visita ao Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina, no sopé do Monte Sinai (Egito), em 1859.

Codex Vaticanus – um dos mais antigos manuscritos existentes da Bíblia grega (Antigo e Novo Testamento); O nome deve-se ao fato de estar guardado na Biblioteca do Vaticano, pelo menos desde o século XV; datado como sendo do século IV.

Codex Alexandrinus –  pertence à primeira metade do século V. Este códice contém a Septuaginta e grande parte do Novo Testamento. Juntamente com o Codex Sinaiticos e com o Codex Vaticanus, este é um dos mais completos manuscritos gregos antigos da Bíblia. Este manuscrito recebe o nome de Alexandria, lugar onde se acredita que ele foi originalmente escrito.

Paleografia – qualquer forma antiga de escrita, tanto em documentos como em inscrições; estudo das antigas formas de escrita, incluindo sua datação, decifração, origem, interpretação etc.

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A Canonicidade do Antigo Testamento

A.) Alguns conceitos deficientes sobre o que determina a canonicidade
– A concepção de que a idade determina a canonicidade
– A concepção de que a língua hebraica determina a canonicidade
– A concepção de que a concordância do texto com a Tora determina a sua canonicidade
– A concepção de que o valor religioso determina a canonicidade

B.) A canonicidade é determinada pela inspiração

C.) Os princípios de descoberta da canonicidade
– São discerníveis cinco critérios básicos, presentes no processo como um todo: (1) O livro é autorizado – afirma vir da parte de Deus? (2) É profético – foi escrito por um servo de Deus? (3) É digno de confiança – fala a verdade acerca de Deus, do homem, etc.? (4) É dinâmico – possui o poder de Deus que transforma vidas? (5) É aceito pelo povo de Deus para o qual foi originalmente escrito – é reconhecido como proveniente de Deus?

D.) Os três passos mais importantes no processo de canonização
– Há três elementos básicos no processo genérico de canonização da Bíblia: a inspiração de Deus, o reconhecimento da inspiração pelo povo de Deus e a coleção dos livros inspirados pelo povo de Deus. Um breve estudo de cada elemento mostrará que o primeiro passo na canonização da Bíblia (a inspiração de Deus) cabia ao próprio Deus. Os dois passos seguintes (reconhecimento e preservação desses livros), Deus os incumbiria a seu povo.

E.) A diferença entre os livros canônicos e outros escritos religiosos
– Nem todos os escritos religiosos dos judeus eram considerados Canônicos pela comunidade dos crentes. E óbvio que havia certa importância religiosa em alguns livros primitivos como o livro dos justos (Js 11). 13), o livro das guerras do Senhor (Nm 21.14) e outros (v. 1 Rs 11.41). OS livros apócrifos dos judeus, escritos após o encerramento do período do Antigo Testamento (c. 400 a.C), têm significado religioso definido, mas jamais foram considerados canônicos pelo judaísmo oficial. A diferença essencial entre escritos canônicos e não-canônicos é que aqueles são normativos (têm autoridade), ao passo que estes não são autorizados. Os livros inspirados exercem autoridade sobre os crentes; os não-inspirados poderão ter algum valor devocional ou para a edificação espiritual, mas jamais devem ser usados para definir ou delimitar doutrinas. Os livros canônicos fornecem o critério para a descoberta da verdade, mediante o qual todos os demais livros (não-canônicos) devem ser avaliados e julgados. Nenhum artigo de fé deve basear-se em documento não-canônico, não importando o valor religioso desse texto. Os livros divinamente inspirados e autorizados são o único fundamento para a doutrina. Ainda que determinada verdade canônica receba algum apoio complementar da parte de livros não-canônicos, tal verdade de modo algum confere valor canônico a tais livros. Esse apoio terá sido puramente histórico, destituído de valor teológico autorizado. A verdade transmitida pelas Escrituras Sagradas, e por nenhum outro meio, é que constitui cânon ou fundamento das verdades da fé.

F.) Os livros rejeitados por todos — Pseudepígrafos
– A coleção modelar de “pseudepígrafos” contém dezessete livros. Acrescente-se o salmo 151, que se encontra na versão do Antigo Testamento feita pelos Setenta. A lista principal é a seguinte:
Lendários
1. O livro do Jubileu
2. Epístola de Aristéias
3. O livro de Adão e Eva
4. O martírio de Isaías
Apocalípticos
1. 1 Enoque
2. Testamento dos doze patriarcas
3. O oráculo sibilino
4. Assunção de Moisés
5. 2 Enoque, ou O livro dos segredos de Enoque
6. 2 Baruque, ou O apocalipse siríaco de Baruque *
7. 3 Baruque, ou O apocalipse grego de Baruque
Didáticos
1. 3 Macabeus
2. 4 Macabeus
3. Pirque Abote
4. A história de Aicar
Poéticos
1. Salmos de Salomão
2. Salmo 151
Históricos
1. Fragmentos de uma obra de Sadoque
– De modo nenhum essa lista é completa. Outros são conhecidos, mesmo alguns muito interessantes que vieram à luz quando da descoberta dos rolos do mar Morto.

G.) Os livros aceitos por alguns – Apócrifos
– Esses livros são aceitos pelo católicos romanos como canônicos e rejeitados por protestantes e judeus. Desde a era da Reforma, a palavra ‘apócrifo’ tem sido usada para denotar os escritos judaicos não-canônicos originários do período inter-testamentário.
– Há quinze livros chamados apócrifos (catorze se a Epístola de Jeremias se unir a Baruque, como ocorre nas versões católicas de Douai). Com exceção de 2 Esdras, esses livros preenchem a lacuna existente entre Malaquias e Mateus e compreendem especificamente dois ou três séculos antes de Cristo. Abaixo suas datas e classificação:
Didático
1. Sabedora de Salomão (c. 30 a.C.)
2. Eclesiástico (Siraque) (132 a.C.)
Religioso
3. Tobias (c. 200 a.C.)
Romance
4. Judite (c. 150 a.C.)
Histórico
5. 1 Esdras (c. 150-100 a.C.)
6. 1 Macabeus (c. 110 a.C.)
7. 2 Macabeus (c. 110-70 a.C.)
Profético
8. Baruque (c. 150-50 a.C.)
9. Epístola de Jeremias (c. 300-100 a.C.)
10. 2 Esdras (c. 100 a.C.)
Lendário
11. Adições a Ester (140-110 a.C.)
12. Oração de Azarias (séculos I ou II a.C.) (Cântico dos três jovens)
13. Susana (século I ou II a.C.)
14. Bel e o Dragão (c. 100 a.C.)
15. Oração de Manassés (século I ou II a.C.)

H.) Resumo e Conclusão
– O cânon do Antigo Testamento até a época de Neemias compreendia 22 (ou 24) livros em hebraico, que, nas Bíblias dos cristãos, seriam 39, como já se verificara por volta do século IV a.C. As objeções de menor monta a partir dessa época não mudaram o conteúdo do cânon. Foram os livros chamados apócrifos, escritos depois dessa época, que obtiveram grande circulação entre os cristãos, por causa da influência da tradução grega de Alexandria. Visto que alguns dos primeiros pais da igreja, de modo especial no Ocidente, mencionaram esses livros em seus escritos, a igreja (em grande parte por influência de Agostinho) deu-lhes uso mais amplo e eclesiástico. No entanto, até a época da Reforma esses livros não eram considerados canônicos. A canonização que receberam no Concílio de Trento não recebeu o apoio da história. A decisão desse concílio foi polêmica e eivada de preconceito.
– Que os livros apócrifos, seja qual for o valor devocional ou eclesiástico que tiverem, não são canônicos, comprova-se pelos seguintes fatos:
1. A comunidade judaica jamais os aceitou como canônicos.
2. Não foram aceitos por Jesus, nem pelos autores do Novo Testamento.
3. A maior parte dos primeiros grandes pais da igreja rejeitou sua Canonicidade.
4. Nenhum concilio da igreja os considerou canônicos senão no final do século IV.
5. Jerônimo, o grande especialista bíblico e tradutor da Vulgata, rejeitou fortemente os livros apócrifos.
6. Muitos estudiosos católicos romanos, ainda ao longo da Reforma, rejeitaram os livros apócrifos.
7. Nenhuma igreja ortodoxa grega, anglicana ou protestante, até a premente data, reconheceu os apócrifos como inspirados e canônicos, no sentido integral dessas palavras. À vista desses fatos importantíssimos, torna-se absolutamente necessário que os cristãos de hoje jamais usem os livros apócrifos como se foram Palavra de Deus, nem os citem em apoio autorizado a qualquer doutrina cristã.
– Com efeito, quando examinados segundo os critérios elevados de canonicidade verificamos que aos livros apócrifos falta o seguinte:
1.Os apócrifos não reivindicam ser proféticos.
2.Não detêm a autoridade de Deus.
3.Contêm erros históricos (v. Tobias 1.3-5 e 14.11) e graves heresias teológicas, como a oração pelos mortos (2 Macabeus 12.45[46]; 4).
4. Embora seu conteúdo tenha algum valor para a edificação nos momentos devocionais, na maior parte se trata de texto repetitivo; são textos que já se encontram nos livros canônicos.
5. Há evidente ausência de profecia, o que não ocorre nos livros canônicos. Os apócrifos nada acrescentam ao nosso conhecimento das verdades messiânicas.
7. O povo de Deus, a quem os apócrifos teriam sido originariamente apresentados, recusou-os terminantemente.
– A comunidade judaica nunca mudou de opinião a respeito dos livros apócrifos. Alguns cristãos têm sido menos rígidos e categóricos; mas, seja qual for o valor que se lhes atribui, fica evidente que a igreja como um todo nunca aceitou os livros apócrifos como Escrituras Sagradas.

Fonte: GEISLER, Norman; Willian Nix. Introdução Bíblica – Como a Bíblia Chegou até nós. São Paulo: Ed. Vida.

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Uma Pesca Maravilhosa

Texto: Lucas 5.1-11

Introdução
– Desejamos uma pesca maravilhosa em nossas vidas? Seja em nosso relacionamento com Deus, seja em bençãos familiares, seja no âmbito ministerial e profissional?

Transição
– Deus pode e quer nos dar uma pesca maravilhosa em todas as áreas de nossa vida.
– O texto nos mostra alguns ensinamentos sobre a pesca maravilhosa que Deus pode e quer nos conceder.

I.) Uma pesca maravilhosa pode ser precedida por fracassos anteriores – v. 2
– Aparentemente desanimados, Pedro e seus sócios Tiago e João haviam desembarcado e lavavam as redes por terem trabalhado a noite inteira sem terem apanhado nada!
– Quantas vezes na busca por uma pesca maravilhosa temos de lidar com fracassos, que terminam por gerar desânimo, desmotivação e vontade de desistir!
– Antes da maior pesca de suas vidas, Pedro e seus sócios também tiveram de lidar com o fracasso! Não desistamos, pois!

II.) Uma pesca maravilhosa acontece quando consagramos o que temos para abençoar a obra de Deus – v. 3
– Simão Pedro emprestou o seu barco para que a partir dele Jesus ensinasse à multidão. Ele consagrou o seu barco para que a obra do Senhor fosse realizada.
– Para obtermos uma pesca maravilhosa é necessário consagrar tudo o que temos (ou o que dEle recebemos) ao Senhor: nossos dons e talentos, nosso tempo, nossos recursos materiais (finanças, carro, casa, etc), nossos dízimos e ofertas.

III.) Uma pesca maravilhosa acontece quando lançamos as redes debaixo da autoridade da Palavra de Deus – v. 4-6
– Pedro havia trabalhado a noite inteira e era um pescador experiente. Mas não se baseou nas circunstâncias e nem confiou em sua própria experiência. Decidiu lançar as redes “sob a tua palavra” (v. 5).
– Devemos ter a Palavra de Deus como base para todos os nossos empreendimentos, e assim certamente seremos bem sucedidos!
– Usemos os princípios da Palavra de Deus para o nosso relacionamento com Ele, para o nosso relacionamento conjugal e familiar, para o trabalho ministerial e para os nossos empreendimentos profissionais. Deus nos abençoará!

IV.) Uma pesca maravilhosa deve nos levar a repartir com outros o resultado dos nossos empreendimentos – v. 7
– Diante da pesca que fizeram, as redes quase se rompiam. Pedro e seus sócios chamaram outros pescadores de outro barco para ajudá-los e também serem abençoados com a pesca maravilhosa.
– Se tivesse tentado manter toda a pesca para si mesmo Pedro teria ficado sem nada!
– Você tem sido abençoado por Deus em seu relacionamento com Ele, em sua vida familiar, em seu ministério e iniciativas profissionais? Reparta com outros os segredos desse êxito, compartilhe dicas e ensinamentos! Não queira manter tudo em seu poder! Isso pode levá-lo a afundar sem reter nada em suas mãos!

V.) Uma pesca maravilhosa deve nos levar a nos prostrarmos em reconhecimento e admiração aos atributos de Jesus – v. 8-10
– Pedro prostrou-se aos pés de Jesus reconhecendo a Sua Santidade, a Sua Pureza, o Seu Poder! Ficou admirado diante de Jesus e Seus atributos!
– Pedro, Tiago e João reconheceram também que o mérito pela pesca maravilhosa era de Jesus e não deles mesmos, apesar de serem bons e experientes pescadores!
– Quando obtivermos pescas maravilhosas, seja em que área de nossas vidas essas pescas ocorrerem, devemos reconhecer que tudo vem dEle (Ler Dt 8.11-18). Qualquer habilidade que tivermos é uma dádiva dEle. Portanto, somente a Ele a glória!

VI.) Uma pesca maravilhosa deve nos levar a sermos pescadores de homens e discípulos de Jesus – v. 10,11
– Quando reconhecermos que a pesca maravilhosa que fizemos se deu, não por nossos méritos, mas pela bondade e Graça de Jesus, nossa reação será a de compartilhar essa Graça com outros – e assim, nos tornaremos pescadores de homens – e nos tornarmos para sempre seus discípulos, ou seja, caminharmos ao lado dEle seguindo-o por toda a vida!

Pr Ronaldo Guedes Beserra, SP, 09.03.2017.

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O Cânon do Novo Testamento e as Fontes dos Evangelhos

canon-antigo-testamento-1-aguas-do-marO Cânon do Novo Testamento
– Consiste dos livros aceitos pela Igreja primitiva como Escrituras divinamente inspiradas.
– O termo ‘cânon’ a princípio significava ‘vara de medir’, mas terminou adquirindo o sentido metafórico de ‘padrão’.
– As epístolas de Paulo e os evangelhos receberam reconhecimento canônico imediato (2 Pe 3.16).
– Uma autoria incerta levou outros livros, como Hebreus, a serem postos em dúvida por algum tempo.
– Citações extraídas dos livros do NT, e isso de maneira autoritativa, pelos primeiros pais da Igreja, ajudam-nos a reconhecer quais livros eles reputavam canônicos. Mais tarde, a Igreja compilou listas formais de livros, ou cânons.
– No século IV d.C., todos os nossos livros do NT já haviam sido reconhecidos de modo geral, ao passo que outros livros tinham sido rejeitados.
– Os concílios eclesiásticos dos séculos IV e V d.C meramente formalizaram a crença e a prática então existente, no que concerne ao cânon do NT.
– Somos levados a crer que Deus guiou providencialmente a Igreja primitiva em sua avaliação de vários livros, pelo que aqueles que realmente foram inspirados tornaram-se aceitos.
– O processo de seleção precisou de algum tempo; a Igreja primitiva não aceitou certos livros sem a devida avaliação, e, algumas vezes, sem debate.
– Diversos critérios de canonicidade têm sido sugeridos, como a consonância com a doutrina oral apostólica do primeiro século.
– O critério mais importante – de fato, crucial – era o da apostolicidade, isto é, autoria da parte de um apóstolo ou de um associado de algum dos apóstolos, e haver sido escrito numa data dentro do período apostólico.

As Fontes dos Evangelhos
– Problema sinóptico: por que os três primeiros evangelhos são tão parecidos entre si? (Sinóptico se deriva de dois vocábulos gregos que significam “visão conjunta”).
– A solução usualmente encontrada é a hipótese de que Mateus e Lucas teriam apoiado a maior parte de sua narrativa sobre o evangelho de Marcos. Mateus incorpora a quase totalidade do evangelho de Marcos, e Lucas cerca de metade. Tanto Mateus quanto Lucas, com frequência, repetem as exatas palavras de Marcos, e usualmente acompanham a sequência de eventos da vida de Jesus, conforme Marcos os alinha.
– Outros acreditam que os Sinópticos extraíram, não de Marcos, mas de uma mesma fonte, um documento independente chamado “Q” (abreviação da palavra alemã ‘Quelle’, que significa ‘fonte’).
– A prioridade do evangelho de Marcos desfruta de considerável favor. Acerca do documento Q é que se concentram as maiores incertezas. Talvez cumpra-nos pensar em um corpo de anotações frouxas (soltas) sobre a doutrina de Jesus, feitas por Mateus.
– Eruditos ortodoxos descobrem boas razões históricas e teológicas para aceitarem na íntegra os relatos dos evangelhos. Isso não dá a entender, contudo, que os evangelistas sempre citaram as declarações de Jesus palavra por palavra. As diferenças existentes entre os evangelhos dão a entender que houve frequentes paráfrases e rearranjos editoriais, um modo perfeitamente legítimo de transmitir os pensamentos de outrem. Os eruditos ortodoxos insistem que, aquilatados através do propósito pelo qual foram escritos – proclamar as boas novas concernentes a Jesus, o Cristo – os evangelhos merecem nossa total confiança.

Fonte: “Panorama do Novo Testamento”, de Robert H. Gundry.

 

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Marcos: Evangelho da Atividade Redentora de Jesus

evangelho-de-marcosAutoria
– O primeiro dos evangelhos a ser escrito deriva seu nome de João Marcos.
– Papias, pai da Igreja antiga, segundo se sabe, disse na primeira metade do século II d.C. que Marcos anotou cuidadosamente, em seu evangelho, as reminiscências de Pedro sobre a vida e os ensinamentos de Jesus, embora nem sempre em ordem cronológica ou retórica (eloquente), portanto o seu propósito era o da instrução espiritual, e não fazer uma crônica artística dos acontecimentos.
– Irineu, Clemente de Alexandria, Orígenes e Jerônimo confirmam a autoria de Marcos, em associação com Pedro.
– Embora a ordem do material de Marcos pareça ser cronológica em suas linhas gerais, palavras chaves e similaridade de assunto com frequência formam o princípio de arranjo no que concerne a relatos e declarações isolados.

Ação
– Marcos é o evangelho da ação, e não dos longos discursos. Enfatiza os milagres de curas e exorcismos.
– “Imediatamente” ou “logo”, ou alguma expressão semelhante é a palavra chave.
– À narrativa da paixão, da morte e da ressurreição de Jesus, Marcos devota um espaço desproporcionalmente grande.

Propósito e Plano
– Questão do “Segredo Messiânico” (por exemplo, Mc 8.30).
– É perfeitamente compreensível por qual razão Jesus teria suprimido a publicidade em torno do Seu caráter messiânico: (1) os judeus concebiam erroneamente o Messias como uma personagem político-militar, excluindo a ideia de Sua redenção espiritual – assim Jesus referiu-se à Sua paixão e morte em termos do Servo sofredor do Senhor (referência a Is 52.13-53.12); (2) se Jesus houvesse encorajado a publicidade em torno de Seu papel messiânico, quase certamente ter-se-ia arriscado a ser imediatamente encarcerado e julgado – assim, pois, Ele ganhou tempo e evitou o final prematuro de Seu ministério, mediante aquela supressão de publicidade.
– O propósito provável de Marcos é evangelizador; constrói seu evangelho de modo bastante simples.

Data
– Década de 50 ou fim da década de 40 d.C.

Destinatários e Local de Escrita
– Provavelmente escrito em Roma para leitores romanos: (1) traduziu expressões em aramaico para benefício de seus leitores (3.17; 5.41; 7.34; 14.36; 15.34); (2) esclareceu expressões gregas com seus equivalentes latinos (12.42; 15.16); usou outros termos latinos; (3) menção de Rufo em 15.21, o qual, de acordo com Romanos 16.31, vivia em Roma; (4) a presença de Marcos em Roma (simbolicamente chamada “Babilônia”), de acordo com 1 Pe 5.13; (5) a combinação da declaração de Papias no sentido que Marcos foi o intérprete de Pedro com a antiga tradição sobre o martírio de Pedro em Roma; declarações feitas por Clemente de Alexandria e Irineu.
– Não alude aos antepassados de Jesus; os seus leitores gentios pouco interesse haveriam de ter pela genealogia de Jesus.

Fonte: “Panorama do Novo Testamento”, de Robert H. Gundry.

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Mateus: Evangelho do Messias e do Novel Povo de Deus

mateusAutoria
– As tradições da Igreja primitiva unanimemente atribuem a Mateus o primeiro evangelho.
– Uma falsa atribuição a um apóstolo relativamente obscuro como foi Mateus parece improvável (para uma falsa atribuição um apóstolo mais eminente teria sido escolhido).
– A habilidade de organização exibida concorda com a mentalidade provável de um cobrador de impostos.
– Esse é o único evangelho que encerra o episódio do pagamento da taxa do templo (17.24-27).
– A narrativa do chamamento de Mateus ao discipulado usa o nome apostólico, “Mateus” (9.9), ao invés do nome “Levi”, utilizado por Marcos e Lucas (Mc 2.14; Lc 5.27).

Data
– Se Mateus se valeu do evangelho de Marcos, então Mateus pertence a uma data levemente posterior (provavelmente início dos anos 60 d.C.).
– Não poderia ter sido após 70 d.C. pois Mateus apresenta a profecia de Jesus a respeito da destruição de Jerusalém que se deu no ano 70 d.C.

Cinco Discursos
– São “sermões” mais ou menos longos: (1) O Sermão da Montanha (cap. 5-7); (2) A Comissão dos Doze (cap. 10); (3) As Parábolas (cap. 13); (4) Humildade e Perdão (cap. 18); A Denúncia contra os Escribas e Fariseus (cap. 23) e o Discurso do Monte das Oliveiras, chamado “O Pequeno Apocalipse” (cap. 24,25).

Características Judaicas
– Escrito para evangelizar aos judeus, confirmando-os na fé, após a sua conversão.
– Ênfase dada sobre o fato que Jesus cumpriu a lei e as profecias messiânicas do AT.
– Traça a genealogia de Jesus fazendo-a recuar até Abraão, por intermédio de Davi.
– Designação judaica de Deus como “Pai que está nos céus” (15 vezes em Mt, 1 vez em Mc, nenhuma vez em Lc).
– Interesse tipicamente judaico pela escatologia (Mt traz um capítulo a mais, sobre o discurso do monte das Oliveiras, do que Mc e Lc).
– Referências frequentes a Jesus como “o Filho de Davi”.
– Alusões a costumes judaicos sem qualquer elucidação (23.5,27; 15.2).
– Declarações feitas por Jesus revestidas de um sabor claramente judaico (15.24; 10.5,6; 5.17-24; 6.16-18 e 23.2,3).

Universalismo
– É um evangelho cristão judaico, mas com uma perspectiva universal.
– Grande Comissão ordena que se façam discípulos de todas as nações (28.19,20).
– Magos gentios adoram ao Messias infante (2.1-12).
– Citações de Jesus (8.11,12; 13.38; 21.33-43).
– É o único entre os evangelistas a utilizar-se do termo “Igreja”, em seu evangelho (16.18; 18.17).

Fonte: “Panorama do Novo Testamento”, de Robert H. Gundry.

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Lucas: o Evangelho da Certeza Histórica

lucasAutoria
– Deduzimos a autoria lucana de Lucas-Atos do fato de ter sido ele o único dos companheiros de viagem de Paulo, mencionados nas epístolas, que poderia haver escrito as chamadas seções “nós” do livro de Atos. Todas as demais personagens estão excluídas por terem sido mencionadas na terceira pessoa, no livro de Atos, ou devido à impossibilidade de harmonizar seus movimentos geográficos em consonância com as seções “nós” do livro de Atos.
– Antigas tradições confirmam a autoria lucana.
– Mui provavelmente Lucas era um gentio; possuía facilidade no uso do idioma grego.
– O estilo grego de Lucas, juntamente com o estilo da epístola aos Hebreus, é o mais refinado de todo o NT.
– Ambos os livros de autoria lucana começam com uma dedicatória formal, ao estilo literário greco-romano.
– Paulo chama Lucas de “médico amado” em Cl 4.14.

Universalismo
– Dedica a sua obra a Teófilo, fazendo ambos os seus livros penderem mais para os gentios.
– Mostra que o evangelho é universal, que Jesus derrubara a barreira entre judeus e gentios e inaugurara uma comunidade de âmbito mundial na qual as antigas desigualdades entre escravos e libertos, entre homens e mulheres, não mais existem.
– Lucas se dirigiu a uma audiência gentílica, ele não demonstra o interesse judaico pelas profecias messiânicas cumpridas, com o mesmo grau de intensidade com que o faz Mateus.
– Modificou expressões peculiarmente judaicas, juntamente com alusões a costumes judaicos, a fim de que seus leitores gentios pudessem compreender melhor o que lessem.
– O universalismo de Lucas inclui os párias sociais (prostitutas, publicanos, ladrão da cruz, samaritanos, leproso), e se evidencia na especial atenção que ele dá às mulheres.
– Lucas retrata a Jesus como um Salvador cosmopolita (inclusivo), dotado de amplas simpatias, capaz de associar-se com toda espécie de gente, que tinha contatos com fariseus e publicanos igualmente, e que demonstrava preocupação com vítimas de calamidades pessoais.
– Lucas se concentra sobre Jesus e o povo comum.

Temas
– Em numerosas oportunidades Jesus aparece como homem de oração (3.21; 5.16; 6.12; 9.18, etc).
– Lucas destaca a obra do Espírito Santo (1.15,35,41,42,67; 2.25-27; 4.1,14; 10.21; 24.49).
– O evangelho pulsa com a alegria do bom êxito, com as emoções de um irresistível movimento da graça divina, na história humana.
– Lucas escrevia impelido pela suprema confiança do avanço bem sucedido do evangelho, inaugurado por Jesus, o “Senhor” (designação favorita de Lucas, que ele aplicava a Jesus).

Data e Lugar de Escrita
– Deve ser datado de algum tempo levemente anterior a 64 d.C. (data do martírio de Paulo).
– O lugar de escrita poderia ter sido Roma, onde Lucas permaneceu em companhia de Paulo, quando do encarceramento do apóstolo (embora a tradição antiga se divida entre a Grécia e Roma).

Informações Adicionais
– É o mais completo dos evangelhos sinópticos; é o mais volumoso livro de todo o NT.
– Registra muitas das mais famosas parábolas em nenhum outro lugar registradas.
– A história da natividade contém muitíssima informação que não se encontra em Mateus, incluindo a narrativa do nascimento de João Batista.
– Oferece material bastante diferente daquele que se acha noutros evangelhos, no tocante à sua história da ressurreição de Cristo; é o único que descreve a ascensão de Jesus.

Fonte: “Panorama do Novo Testamento”, de Robert H. Gundry.

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João: o Evangelho da Fé em Jesus para a Vida Eterna

joao-o-evangelho-segundo-joaoAutoria, Data e Lugar de Escrita
– Escrito em estilo simples, exibe uma profundidade teológica que ultrapassa à dos evangelhos sinópticos.
– As tradições da Igreja primitiva indicam que o apóstolo João escreveu o quarto evangelho já no término do primeiro século da era cristã, em Éfeso.
– Quanto a isso a o testemunho de Irineu, discípulo de Policarpo, o qual fora discípulo de João.
– Descobrimento do Fragmento Rylands, cópia egípcia do evangelho de João feita por volta de 135 d.C., subentende a data de escrita do evangelho nos últimos anos de João e refuta argumentos de que foi escrito no meio do segundo século.
– O autor reivindica o privilégio de ter sido testemunha ocular do ministério de Jesus (1.4 com 19.35 e 21.24,25); demonstra um estilo semítico em sua redação; possui conhecimento acurado sobre os costumes judeus (pressupostos em 7.37-39 e 8.12).
– Detalhes vívidos que só poderiam ser esperados da parte de uma testemunha ocular aparecem por toda a parte.
– O autor escreve como “aquele a quem Jesus amava” a fim de ressaltar que o conteúdo do evangelho merece crença.

Suplementação dos Evangelhos Sinópticos e Discursos
– Conscientemente, João suplementa os evangelhos sinópticos.
– Esclarece que o ministério público de Jesus durou por consideravelmente mais tempo do que a leitura isolada dos evangelhos sinópticos nos levaria a crer. Os evangelistas sinópticos mencionam somente a última Páscoa; João deixa-nos saber que houve pelo menos três, e talvez até quatro Páscoas, durante a carreira pública de Jesus, pelo que também esta se prolongou provavelmente de três a três anos e meio.
– Com a exceção de Mateus, o quarto evangelho contém discursos mais longos, feitos por Jesus, do que os outros evangelhos.
– João apresenta-nos um Cristo que falava em estilo bastante diferente daquilo que os evangelistas sinópticos nos dão a entender. Isso ocorre em parte pelo hábito que João tinha de parafrasear, com o resultado que o vocabulário e o estilo do próprio evangelista com frequência aparecem no seu registro sobre os ensinamentos de Jesus. Também é possível que João tivesse preservado os aspectos mais formais do ensinamento de Jesus, a saber, Seus sermões nas sinagogas e Suas disputas com os teólogos judeus.

A Teologia Joanina
– Jesus é a Palavra (ou Logos) revelatória de Deus.
– O amor de Deus veio por meio de Jesus Cristo (Jo 3.16).
– João permite que permaneça de pé a antinomia (paradoxo, aparente contradição) entre a escolha divina e a resposta favorável humana.
– Enfatiza a regeneração do Espírito Santo.
– O convite do evangelho é caracterizado pela universalidade; aqueles que aceitam tal convite recebem a vida eterna.
– O Paracleto, ou Espírito Santo, em Seu papel variado de Consolador, Conselheiro e Advogado.
– João é o evangelho da fé; o verbo crer é a palavra chave (Jo 20.30,31).
– Salienta supremamente a divindade de Jesus, como Filho de Deus único e preexistente, o qual, em obediência a Seu Pai, tornou-se um real ser humano a fim de morrer sacrificialmente, com vistas à redenção da humanidade.
– A deidade de Jesus é encarecida, “o Verbo era Deus” (1.1); também é posta em realce a Sua humanidade, “E o Verbo se fez carne” (1.14).
– Série de reivindicações de Cristo, utilizando-se da expressão “Eu Sou”: (1) “Eu sou o pão da vida” (6.35,48); (2) “Eu sou a luz do mundo” (8.12); (3) “Eu sou a porta” (10.7,9); (4) “Eu sou o bom pastor” (10.11,14); (5) “Eu sou a ressurreição e a vida” (11.25); (6) “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (14.6); (7) “Eu sou a videira verdadeira” (15.1,5).
– Além dessas reivindicações, há aquelas declarações que envolvem a expressão “Eu sou”, não seguidas por qualquer complemento, e que sugerem a reivindicação de ser Ele o eterno EU SOU – Javé do AT (4.25,26; 8.24,28,58; 13.19).
– João procura evangelizar aos incrédulos com o evangelho e estabelecer firmemente os crentes em sua fé.
– João descreve pormenorizadamente certo número de milagres realizados por Jesus, mas intitula-os “sinais”, devido ao valor que têm como símbolos do poder transformador da fé em Jesus.

Fonte: “Panorama do Novo Testamento”, de Robert H. Gundry.

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Princípios Fundamentais para a Resolução de Problemas

nota-resolucao-de-problemasTEXTO: Gênesis 41.14-40

INTRODUÇÃO
> “Ao enfrentar uma montanha não desistirei. Continuarei lutando até que possa passar por cima dela, encontrar um caminho através dela, um túnel por baixo dela, ou simplesmente permanecer onde estou e transformar a montanha numa mina de ouro! Com a ajuda de Deus!” (Credo dos Pensadores de Possibilidades – Robert Schüller).

TRANSIÇÃO
> Com base neste acontecimento específico da vida de José, podemos aprender alguns Princípios fundamentais para a resolução de problemas.

I.) Dependa exclusivamente de Deus, e não de si mesmo
> Elucidar Gn 41.16
> José reconheceu a sua dependência de Deus diante de Faraó
> Ler Pv 3.5,6.

II.) Ouça o problema com atenção
> Elucidar Gn 41.17-24
> José ouviu pacientemente a descrição do sonho de Faraó, que representava um enigma ou problema a ser resolvido e solucionado.
> Ouça sem interromper, de preferência.

III.) Anteveja os problemas e antecipe-se a eles
> Elucidar Gn 41.30,31
> Ou você pode esperar os problemas acontecerem para se posicionar (e aí talvez as soluções encontradas não sejam as melhores), ou você pode antever os problemas e antecipar-se a eles de forma que poderá evitá-los ou amenizá-los.
> Exemplo de clubes de futebol (decisões de última hora, sem planejamento, feitas no atropelo).
> Você pode pensar nos problemas sem ficar ansioso
> Duas formas de encarar os problemas: ou você os encara de forma negativa e encontra mais problemas (e eles te derrubam) ou você os encara para achar soluções!

IV.) Seja um solucionador e não um promotor de problemas
> José mostrou o problema, mas ato contínuo já apresentou também a solução para o problema
> Interessante que Faraó não o chamou para dar a solução ao problema que a interpretação do sonho traria. José foi chamado apenas para dar a interpretação do sonho!
> Aí está o diferencial que José tinha dos demais: ele era um solucionador e não um promotor de problemas. E isto já deveria ser um hábito na vida de José, pois não foi por acaso que ele foi feito mordomo na casa de Potifar e administrador da prisão onde ficou encarcerado.
> John Maxwell diz que hoje empresas pagam alto para ter pessoas que solucionem problemas! As empresas não querem pessoas que arrumem mais problemas, mas pessoas que solucionem problemas!

V.) Encare os problemas como oportunidades
> José não era bobo! Por que?
> Porque ele percebeu que não deveria dar apenas a interpretação do sonho, mas também a solução. E acredito que quando deu a solução a Faraó ele imaginava que poderia ser o homem ajuizado e sábio que estava propondo que administrasse os anos de fartura e fome!
> Certamente José viu naquela situação uma oportunidade!
> “O problema (oportunidade) pode ser o impulso de que você necessitava para remodelar, reorganizar, reestruturar, rearranjar ou recolocar. As pessoas e as organizações, enraizadas em seus sistemas tradicionais, em geral precisam enfrentar enormes problemas antes de pensarem em mudanças. Cada problema é uma oportunidade de ver algo” (R. Schüller)
> Grande exemplo de Davi: Ele viu o tamanho da testa de Golias!!!

VI.) Concentre-se e decida-se primeiro pela solução; depois concentre-se no custo
> José não disse a Faraó: “Olha, eu vou te dar uma ótima solução, mas quero lhe prevenir que vai ser muito difícil, muito complicado, vai precisar de muita gente envolvida, de muito tempo gasto, enfim, vai ser muito custoso!”
> Não, José concentrou-se na solução
> Nosso problema é que nos concentramos primeiro no custo (de dinheiro, de tempo, de energia, de pessoal, etc). Devemos fazer o inverso!
> “Poder mental, poder financeiro, força e energia, são abundantes no mundo e gravitam como o pó de ferro se ajunta ao redor do imã, em torno das pessoas que têm grandes idéias e que pensam grande” (R. Schüller).

VII.) Trace um plano de ação, dividindo seu problema em partes
> Veja a aula que José deu nos versos 33-36:
– Escolha um homem ajuizado e sábio
– Você não pode cuidar desse processo Faraó, seu foco é outro (especulação)
– Ponha administradores sobre a terra
– Separe a quinta parte (20%) das colheitas dos anos de fartura
– Administradores vão recolher o cereal nas cidades (pontos estratégicos em todo o Egito)
– Construção de vários celeiros maiores e mais apropriados (especulação)
> Como você come um elefante?
> Como você escala uma montanha?
> “Não importa quão grande seja o problema, divida-o até conseguir a menor porção, então resolva-a e depois outra – até que junte as partes resolvidas como se fosse as peças de um quebra-cabeça” (R. Schüller citando Walter Burke).
> Ex. montagem do quebra-cabeças de muitas peças.

VIII.) Busque e aceite ajuda e conselho de pessoas altamente capacitadas para ajudá-lo
> Confira atitude sábia de Faraó – v. 37,38
> Grandes líderes, empresários e políticos cercam-se e/ou buscam conselhos de pessoas altamente capacitadas.
> Leitura é uma grande fonte de sabedoria e inspiração
> Bíblia deve ser nosso grande manual de fonte de sabedoria e inspiração – Js 1.8; Sl 1.3

CONCLUSÃO
> Se tivesse olhado apenas o contexto confuso de seus dias, Jesus não teria exercido seu precioso ministério. Todavia, Jesus aproveitou aquele contexto como oportunidade para mudar a história da humanidade.
> Se Jesus tivesse se concentrado apenas no custo de resolver o problema do ser humano (pois o custo foi dar sua própria vida e verter o seu próprio sangue), nós estaríamos perdidos por toda a eternidade!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra com auxílio do Livro: “Você pode ser quem deseja” de Robert Schuller.

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Como Alcançar Veredas Retas

maxresdefault (2)Texto: Pv 3.5,6.

Introdução
> Explicar o que significa “… e ele endireitará as tuas veredas …” (v. 6).
> Significa que Deus:
– Dirigirá os nossos passos
– Não deixará vacilar os teus pés (Sl 121.3)
– Não permitirá que tomemos decisões erradas
– Aplanará os nossos caminhos
– Fechará as portas pelas quais não devemos entrar e abrirá as portas pelas quais devemos entrar
– Nos dará a direção certa

Proposição
(AT) A vontade de Deus é que as veredas de seus servos sejam veredas retas.
(ST) O texto nos mostra algumas ATITUDES que devemos ter para que o Senhor endireite as nossas veredas.

I.) Confia no Senhor de todo o teu coração – Pv 3.5 a
> No Senhor, não em homens.
> A palavra hebraica traduzida por “confiar” tinha a ideia original de ‘ficar deitado, indefeso, com o rosto no chão’, ou seja, descansando!
> Exemplo de alguém que confiou no Senhor: Ezequias.
> Ver 2 Cr 32.1-23. Devemos confiar no Senhor:
– Mesmo que o inimigo seja poderoso – v. 1
– Mesmo que o inimigo te afronte – v. 9-12
– Mesmo que o inimigo procure te intimidar – v. 13,14
– Mesmo que o inimigo questione a sua autoridade – v. 15
> Atitude de Ezequias – v. 2-8,20.
> Resultado de se confiar no Senhor – v. 21-23.
> Ver ainda Jr 17.5-8; Sl 37.5; 125.1; Is 26.3,4.
> Em quem você prefere confiar? No homem ou no Senhor?

II.) Não te estribes no teu próprio entendimento – Pv 3.5 b
> Estribar-se significa ‘apoiar-se, depender de’.
> No Senhor, não em nós mesmos: “O que confia no seu próprio coração é insensato…” (Pv 28.26 a).
> Exemplo de alguém que confiou em si mesmo: Saul.
> Ver 1 Sm 13.8-14. Não coloque a sua confiança em você:
– Mesmo que Deus pareça tardio para agir – v. 8,9.
– Mesmo que as circunstâncias te pressionem, te forcem – v. 10-12.
> Resultado da autoconfiança – v. 13,14.
> Você prefere confiar no Senhor ou em você mesmo?

III.) Reconhece ao Senhor em todos os teus caminhos – Pv 3.6 a
> Reconhecer significa ‘saber; ter consciência de’
> Exemplos: reconhecer que Ele está no controle; fazer sempre menção dEle de coração; confessá-lo publicamente; reconhecer que tudo o que temos e somos provêm dEle.
> Exemplo de alguém que reconheceu o Senhor em todos os seus caminhos: José.
– Quando tentado pela mulher de Potifar – Gn 39.7-9.
– Quando interpretou sonhos na prisão – Gn 40.7,8.
– Quando interpretou sonhos de Faraó – Gn 41.15,16.
– Quando deu nome aos seus filhos – Gn 41.50-52.
– Quando seus irmãos o temeram – Gn 50.20.
> Você tem reconhecido a Deus em todos os seus caminhos?

Conclusão
> Lembrar que confiar no Senhor de todo o coração, não se estribar no próprio entendimento, e reconhecer ao Senhor em todos os nossos caminhos, são condições para que Ele endireite as nossas veredas!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra.

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O Ambiente Religioso do Novo Testamento

judaismoeusO Paganismo

– Mitologia Grega: Zeus, Cronos, Poseidom, Apolo, etc.
– A religião oficial de Roma adotou grande parte do panteão e da mitologia gregos. As divindades romanas vieram a ser identificadas com os deuses gregos (Júpiter com Zeus, Vênus com Afrodite, etc.).
– O senado romano lançou a ideia do culto ao imperador, ao deificar, após a morte, a Augusto e a subsequentes imperadores que tivessem servido bem como tais. Domiciano (81-96 d.C.) foi o primeiro a tomar providências para forçar a adoração de sua pessoa. A recusa dos cristãos em participarem do que passou a ser tido como um dever patriótico provocou uma perseguição que foi crescendo de intensidade.
– Havia grande popularidade e influência das religiões misteriosas dos gregos, egípcios e povos orientais (cultos a Mitra, Isis, Dionísio, Cibele, etc.).
– As superstições estavam nas mentes da maioria do povo do império romano. O emprego de fórmulas mágicas, consultas de horóscopos e oráculos, augúrios ou predições sobre o futuro, mediante a observação do voo dos pássaros, os movimentos do azeite sobre a água, círculos do fígado e o uso de exorcistas profissionais – todas essas práticas faziam parte da vida diária. O povo comum fazia mescla de diversas crenças religiosas com práticas supersticiosas.
– Segundo o gnosticismo, a matéria era equiparada ao mal, ao passo que o espírito seria equivalente ao bem. Daí resultavam dois modos opostos de conduta: (1) a supressão dos desejos do corpo, devido à sua conexão com a matéria má (ascetismo), e (2) a indulgência quanto às paixões físicas, por causa da irrealidade e inconsequência da matéria (libertinagem ou sensualismo). O conceito da ressurreição física era abominável, devido ao fato da matéria ser tida por inerentemente má. Todavia, a imortalidade do espírito seria desejável, podendo-se chegar a ela por meio do conhecimento de doutrinas secretas. As ideias gnósticas parecem ocultar-se por detrás de determinadas heresias que são atacadas no NT. Ao que parece, os gnósticos tomaram por empréstimo do cristianismo, em data posterior, a doutrina de um redentor celeste. No primeiro século, o gnosticismo era ainda um agregado de concepções religiosas frouxamente ligado, e não um sistema doutrinário altamente organizado.
– O epicurismo pensava ser os prazeres o sumo bem da vida.
– O estoicismo ensinava que a aceitação racional da própria sorte é dever do homem.
– Os cínicos reputavam a virtude suprema como se fora uma vida simples e sem convenções, rejeitando a busca pelo conforto, pelas riquezas e pelo prestígio social.
– Os céticos sucumbiam ante a dúvida e a conformidade para com costumes prevalescentes.

O Judaísmo

– A perda temporária do templo, durante o exílio, deu espaço a um crescente estudo e observância da Lei do AT (a Torá, indicava instrução, ensino e a revelação divina, aludindo ora aos dez mandamentos, ora ao Pentateuco, ora ao AT inteiro, e também à lei oral, ou seja, as interpretações tradicionais dos rabinos).
– Em face de Nabucodonosor haver destruído o primeiro templo (o de Salomão) e haver deportado da Palestina a maioria de seus habitantes, os judeus estabeleceram centros locais de adoração intitulados sinagogas, onde quer que pudessem ser encontrados dez judeus adultos do sexo masculino.
– O segundo templo (reconstruído sob a liderança de Zorobabel) continuou a ser importante até à sua destruição por Tito, em 70 d.C. As exortações dos profetas Ageu e Zacarias haviam impulsionado a reconstrução do templo durante o período de restauração do VT, depois do desterro. Saqueado e aviltado por Antíoco Epifânio, em 168 a.C., o templo fora reparado, purificado e reconsagrado por Judas Macabeu 3 anos mais tarde. Herodes o Grande iniciou grandioso programa de embelezamento, mas nem bem esse projeto se completou, muito depois de sua morte, e o templo foi novamente destruído.
– Intimamente relacionadas à adoração no templo havia as festividades religiosas e dias santos dos judeus: Sábado, Páscoa, Primícias (Pães Asmos), Pentecostes, Trombetas, Dia da Expiação, Tabernáculos, Dedicação e Purim.
– Escritos em hebraico, aramaico e grego, e datados dos períodos inter e neotestamentário, os livros apócrifos do AT contêm história, ficção e literatura de sabedoria. Os judeus, e, posteriormente, os primitivos cristãos, de modo geral não reputavam esses livros como Escritura Sagrada, razão por que o termo ‘apócrifos’, que originalmente significava “oculto, secreto, profundo”, terminou por significar “não-canônico”.
– Outros livros judaicos que datam da mesma era geral são intitulados ‘pseudepígrafos’ (“falsamente escritos”), porquanto alguns deles foram escritos sob a alegação de que seus autores foram figuras do AT desde há muito falecidas, a fim de assumirem foros de autoridade. Também contêm livros anônimos.
– Talmude – As decisões rabínicas sobre casos que envolviam questões de interpretação acerca da lei do AT formavam uma tradição oral memorizada, ao chegarem os tempos do NT. Essa tradição foi crescendo durante os séculos que se sucederam, até que foi preservada em forma escrita no Talmude judaico. Cronologicamente, o Talmude consiste da Mishnah, ou lei oral, desenvolvida por rabinos através do segundo século cristão, além da Gemarah, a qual contém comentários sobre a Mishnah, feitos por rabinos que viveram nos séculos III-V d.C.
– Os judeus aguardavam a vindo do Messias. Não esperavam que fosse um salvador sofredor, e nem um ser divino. Tinham a esperança que Deus viesse a usar uma figura humana para trazer livramento político militar da dominação romana.
– Os fariseus tiveram origem pouco depois da revolta dos Macabeus; faziam objeção à helenização da cultura judaica; a maior parte pertencia à classe média leiga; compunham a mais numerosa das seitas religiosas dos judeus. Observavam escrupulosamente, tanto as leis rabínicas quanto as mosaicas; a observância do sábado era similarmente escrupulosa. No entanto, maquinavam evasivas que lhes fossem convenientes. Jesus e os fariseus entraram em choque ante o artificialismo de tal legalismo. O judeu comum admirava os fariseus.
– Os aristocráticos saduceus eram os herdeiros dos hasmoneanos do período intertestamentário. Embora em menor número que os fariseus, detinham maior influência política, pois controlavam o sacerdócio. Seus contatos com dominadores estrangeiros tendiam a reduzir sua devoção religiosa, empurrando-os mais na direção da helenização. Diferentemente dos fariseus, eles davam importância somente ao Pentateuco, e desprezavam as leis orais dos rabinhos. Não acreditavam na preordenação divina, em anjos, em espíritos e nem na imortalidade da alma e na ressurreição do corpo, conforme criam os fariseus. Os saduceus detinham posições de abastança e riqueza.
– Os essênios formavam uma seita menor. Alguns viviam em comunidades monásticas, como aquela de Qumran, onde foram descobertos os Papiros do Mar Morto. A admissão requeria um período de prova de 2 a 3 anos, com abandono das propriedades privadas e das riquezas, doadas a um tesouro comum. Os elementos mais estritos se refreavam do casamento. Chegavam a ultrapassar aos fariseus em seu minucioso legalismo. Reputavam o templo poluído por um sacerdócio corrupto. Como símbolo de pureza pessoal, eles usavam vestes brancas.
– Os herodianos não eram uma seita religiosa, mas uma pequena minoria de judeus influentes que davam apoio à dinastia dos Herodes.
– Os zelotes eram revolucionários dedicados à derrubada do domínio romano. Recusavam-se a pagar taxas a Roma; foram iniciadores de diversas revoltas. Um dos doze discípulos fora um zelote (“Simão chamado Zelote”, Lc 6.15).
– Os escribas eram um grupo de profissionais. Doutor, escriba, mestre e rabino eram expressões aplicadas a eles. Tendo-se originado com Esdras, segundo certa tradição, os escribas interpretavam e ensinavam a lei do AT e baixavam decisões judiciais sobre os casos que lhes eram apresentados. Sua função era aplicar os preceitos da lei à vida diária.
– Os romanos permitiam aos judeus manusearem muitas de suas próprias questões religiosas e domésticas. O superior tribunal dos judeus era o grande Sinédrio, que chegava a comandar uma força policial. O sumo sacerdote presidia a setenta outros juízes provenientes dos partidos farisaico e saduceu.
– O “povo da terra” (as massas) permaneciam desvinculadas das seitas e dos partidos políticos. Por causa de sua ignorância acerca da lei do AT, os fariseus menosprezavam-nas.
– Fora da Palestina, os judeus da diáspora (dispersão) se dividiam em duas categorias: (1) os hebraístas, que retinham não só sua fé judaica, mas também seu idioma e seus costumes; incorriam no ódio dos gentios, por se manterem distantes; e (2) os helenistas, que haviam adotado o idioma, o estilo de vestes e os costumes gregos, ao mesmo tempo que se apegavam à fé judaica.

Resumo do Capítulo 3, do livro “Panorama do Novo Testamento”, de Robert H. Gundry.

 

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História Política Intertestamentária e do Novo Testamento

imperiosO Período Grego
– Cativeiro Assírio imposto ao Reino do Norte, Israel.
– Cativeiro Babilônico imposto ao Reino do Sul, Judá; regresso à Palestina quando da hegemonia persa, nos séculos VI e V a.C.
– Quatro séculos entre o final da história do AT e os primórdios da história do NT, período intertestamentário.
– Alexandre, o Grande, se tornou senhor do antigo Oriente Médio, derrotando os Persas.
– Difusão da cultura grega, helenismo; idioma grego se difundiu.
– Falecimento de Alexandre em 323 a.C.; principais generais dividiram o império em quatro porções, duas delas importantes no contexto do desenvolvimento histórico do NT.
– Império dos Ptolomeus centralizava-se no Egito, com Alexandria como capital.
– Império Selêucida centralizava-se na Síria, com Antioquia como capital.
– Localizada entre Egito e Síria, a Palestina tornou-se vítima das rivalidades entre os Ptolomeus e os Selêucidas.
– Ptolomeus dominaram a Palestina por 122 anos (320-198 a.C.); judeus gozaram de boas condições. Nesse período foi produzida a Septuaginta (LXX).
– Antíoco III derrotou o Egito em 198 a.C.; Palestina passa a ser dominada pelos Selêucidas.
– Antíoco IV ou Epífanio impôs a cultura grega de forma mais intensa; judeus piedosos (os Hasidim) se opunham à paganização de sua cultura.
– Antíoco Epifânio saqueou o templo, seus exércitos assassinaram muitos habitantes da Judéia, cobrou tributo, tornou o judaísmo ilegal, estabeleceu o paganismo à força, impingiu grande destruição à cidade de Jerusalém, escravizou mulheres e crianças, proibiu a circuncisão, a observância do sábado e a celebração das festas judaicas. Também proibiu a posse de cópias do AT, tornou obrigatórios os sacrifícios pagãos; animais execrados (uma porca) foram sacrificados sobre o altar do templo.

O Período Macabeu
– Resistência judaica liderada por um sacerdote idoso chamado Matatias, que fugiu para a região montanhosa com seus 5 filhos e outros simpatizantes, em 167 a.C. Foram chamados de Hasmoneanos ou de Macabeus.
– Judas Macabeu encabeçou campanha de guerrilhas com sucesso; houve uma guerra civil entre judeus pró-helenistas e anti-helenistas.
– Macabeus recuperaram a liberdade religiosa, consagraram o templo, conquistaram a Palestina e expeliram as tropas sírias.
– Judas foi morto em batalha (160 a.C.); seus irmãos Jônatas, e posteriormente Simão, sucederam-no na liderança; obtiveram reconhecimento da independência judaica por um dos líderes dos Selêucidas, e firmaram um tratado com Roma. Começaram a reconstruir as muralhas e edifícios de Jerusalém.
– Dinastia hasmoneana (142-37 a.C.) se deteriorou com contendas internas derivadas de ambição pelo poder.

O Período Romano
– General romano Pompeu subjugou a Palestina em 63 a.C.; durante o período do NT a Palestina estava dominada pelo poderio romano.
– Pax Romana obtida após período de guerras para expansão territorial.
– Imperadores romanos vinculados às narrações do NT: Augusto (27 a.C. – 14 d.C, nascimento de Jesus, recenseamento); Tibério (14-37 d.C., ministério público de Jesus e Sua morte); Calígula (37-41 d.C., exigiu que se lhe prestasse culto); Cláudio (41-54 d.C., expulsou os judeus de Roma, entre os quais Áquila e Priscila); Nero (54-68 d.C., perseguiu os cristãos e sob quem Pedro e Paulo foram martirizados); Vespasiano (69-79 d.C., seu filho Tito destruiu Jerusalém e seu templo em 70 d.C.); Domiciano (81-96 d.C., período em que foi escrito Apocalipse).
– Os romanos permitiam a existência de governantes nativos vassalos de Roma na Palestina; um desses foi Herodes.
– Herodes, o Grande, governou, sob os romanos, de 37-4 a.C.; era astuto, invejoso e cruel; assassinou 2 esposas e 3 filhos; ordenou a matança dos infantes de Belém; era um governador eficiente e ótimo político, pois conseguiu sobreviver às lutas pelo poder; embelezou o templo de Jerusalém como tentativa de conciliar seus súditos; morreu em 4 a.C.
– Os filhos de Herodes – Arquelau, Herodes Filipe e Herodes Antipas – passaram a governar porções separadas da Palestina. João Batista repreendeu a Antipas, que permitiu a sua degola (Mc 6.17-29); Jesus chamou a Antipas de “essa raposa” (Lc 13.32) e mais tarde teve de enfrentar o juízo deste em tribunal (Lc 23.7-12). Herodes Agripa I, neto de Herodes o Grande, executou o apóstolo Tiago e encarcerou Pedro (At 12). Herodes Agripa II, bisneto de Herodes o Grande, ouviu Paulo (At 25 e 26).
– Os desmandos de Arquelau na Judéia e em Samaria provocaram sua remoção por ordens de Augusto, em 6 d.C. O território passou a ser dirigido por governadores romanos. Um desses, Pôncio Pilatos, foi o juiz de Jesus. Os governadores Félix e Festo ouviram a exposição do caso de Paulo (At 23-26).

Resumo do Capítulo 1, do livro “Panorama do Novo Testamento”, de Robert H. Gundry.

 

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Liderança modelo: uma necessidade urgente para a Igreja de nossos dias

051111TEXTOS: 1 Tm 4.12; Jo 15.1-2, 16; 1 Tm 3.1-7; Tt 1.5-9

INTRODUÇÃO:
> Ilustração Pastor x Palhaço.
> João 15.1-2,16 nos fala de dar frutos. Frutos em FAZER a obra de Deus e frutos em SER para Deus. Antes de FAZER é necessário SER.
> Dizer: “O barulho das tuas atitudes me impede de ouvir o que tu dizes”!
> 1 Tm 4.12 – líderes modelos!
> Qual vem sendo o tipo de liderança dos nossos dias? Tem sido uma liderança de boa qualidade? Tem sido uma liderança que tem se preocupado em SER para Deus antes de FAZER para Deus? Tem agradado a Deus? Tem satisfeito as expectativas de Deus? Tem satisfeito as expectativas das pessoas? QUE TIPO DE LÍDER EU E VOCÊ TEMOS SIDO?

PROPOSIÇÃO:
(A.T.) “Deus quer líderes que sejam modelos (padrões, exemplos) para os fiéis e para a sociedade como um todo”.
(S.T.) “Os textos de 1 Tm 3.1-7 e Tt 1.5-9 nos mostram algumas QUALIFICAÇÕES de um Líder Modelo”

I.) QUANTO A VÁRIAS CARACTERÍSTICAS CONSIDERADAS POSITIVAMENTE

A.) Irrepreensível (1 Tm 3.2; Tt 1.6)
> Impassível de ser preso, além de reprovação. A palavra não implica somente que o homem deve ter boa fama, mas que ele é assim reservadamente. Ex.: Jesus – Hb 4.15; 12.2

B.) Justo (Tt 1.8)
> Nas palavras, nos atos, nas ações, nos negócios.

C.) Piedoso (Tt 1.8)
> Devoto, santo. Amor, respeito e reverência para com Deus e Sua Palavra; para com as “coisas” de Deus. Ex.: Enoque (Gn 5.24); Noé (Gn 6.9); ver ainda Pv 14.26,27

D.) Temperante (Que tenha domínio de si) (1 Tm 3.2; Tt 1.8)
> Auto-controle, moderação. Significa completo auto-domínio, que controla todos os impulsos apaixonados e mantém a vontade leal à vontade de Deus. Ver Pv 16.32. Controle quanto ao dinheiro, língua, alimentação, mídias.

E.) Modesto (honesto) (1 Tm 3.2)
> Ordeiro. Implica em comportamento ordeiro, mas também no cumprimento dos deveres e o ordenamento da vida interior, da qual surge o comportamento exterior. Equilíbrio.

F.) Hospitaleiro (1 Tm 3.2; Tt 1.8)
> Em sua condição oficial ele tem o dever de manter sua casa aberta para delegados viajando à Igreja, e também para as necessidades ordinárias dos membros da congregação. Ver Hb 13.2

G.) Amigo do Bem (Tt 1.8)
> Amante do que é bom. Denota devoção a tudo que é excelente. Ver 1 Ts 5.15; Rm 12.20-21

H.) Sóbrio (1 Tm 3.2; Tt 1.8)
> De mente limpa, equilibrado. Não embriagado pelas coisas do mundo.

II.) QUANTO À VIDA FAMILIAR

A.) Marido de uma só mulher (1 Tm 3.2; Tt 1.6)
> A frase difícil significa provavelmente que ele tem apenas uma esposa de cada vez. Todavia isto não significa que pode-se trocar de cônjuge a todo momento (Mt 19.4-6 – “…se unirá a sua mulher…”). Deus não aprova o divórcio – Mt 19.7-9; 1 Co 7.27.
> A vida sexual do líder deve ser exemplar, e os mais altos padrões devem ser esperados dele. O perigo da Sedução do Olhar (2 Sm 11.2-4). De um olhar involuntário ninguém está livre, mas muito cuidado com a Sedução do Olhar!

B.) Filhos / Lar (1 Tm 3.4-5; Tt 1.6)
> Governe (domine, administre) bem a sua própria casa.
> Tendo seus filhos sob disciplina (submissão), com todo respeito (dignidade).
> Se não governa bem o lar como administrará a Igreja? – 1 Tm 3.5
> Tenha filhos crentes que não são insubordinados, nem são acusados de dissolução (incapaz de guardar dinheiro, alguém que desperdiça seu dinheiro, especialmente com a implicação de fazê-lo em prazeres, arruinando, desse modo, a si mesmo; vida luxuriosa, extravagante).
> Não adianta o líder querer fugir disto: Ele tem que ser exemplo, espelho em todos os aspectos (a esposa é visada, os filhos são visados, etc., toda a família tem que ser modelo!).
> Exemplos de líderes que não deram atenção a estes princípios:
1.) Eli – 1 Sm 3.10-14 “…e ele não os repreendeu …” – ver consequências.
2.) Samuel – 1 Sm 8.3
3.) Davi -1 Rs 1.5-6
> Resultado: Pv 29.15
> Famoso ditado popular: “Nenhum sucesso no mundo, justifica o fracasso no lar”’.

III.) QUANTO A PALAVRA DE DEUS

A.) Apto para ensinar (1 Tm 3.2)
> Não precisa ter diploma de Teologia, mas precisa ser apto para ensinar.

B.) Despenseiro de Deus (Tt 1.7)
> Despenseiro (administrador, mordomo, dirigente de uma casa, frequentemente um escravo de confiança que era encarregado de todos os negócios do lar. A palavra enfatiza que a pessoa recebe uma grande responsabilidade, pela qual deve prestar contas.
> Ver 1 Co 4.1-2. A despensa do despenseiro são “… os mistérios de Deus ..”
> O despenseiro fiel procura ficar a par de todo conteúdo da despensa, esforça-se em manter sua despensa bem provida. Ver 1 Tm 5.17; Tt 1.9
> Como se dá isto? Através do estudo sistemático, diário e persistente da Palavra de Deus.
> “Só esta disciplina de estudo, geral e específico, manterá a mente do pregador cheia dos pensamentos de Deus. Ele certamente irá guardar em seus arquivos ou cadernos de anotações os tesouros que Deus vai lhe concedendo. Assim, o pregador nunca precisará ter medo de um dia ficar sem assunto, ou de não ter sobre o que pregar. Na verdade, não há chance disto acontecer. Ao invés disto, seu problema será como escolher, dentre tanta riqueza de material, a sua mensagem” (John Stott).

IV.) QUANTO A VÁRIAS CARACTERÍSTICAS CONSIDERADAS NEGATIVAMENTE

A.) Não Arrogante (Tt 1.7)
> Obstinado em sua própria opinião, teimoso, arrogante, alguém que se recusa a obedecer a outras pessoas. É o homem que mantém obstinadamente sua própria opinião, ou assevera seus próprios direitos e não leva em consideração os direitos, sentimentos e interesses de outras pessoas. Ver Pv 8.13; 1 Sm 2.3

B.) Não Irascível (Tt 1.7)
> Inclinado à Ira, de temperamento “quente”. Ver Pv 14.17; Ec 7.9; Tg 1.19

C.) Não dado ao vinho (1 Tm 3.3; Tt 1.7)
> Alguém que senta-se por muito tempo com o seu vinho, escravo da bebida. Ver Ef 5.18

D.) Não violento, porém cordato (Inimigo de contendas) (1 Tm 3.3; Tt 1.7)
> Violento (briguento, espancador).
> Cordato (paciente, gentil).

E.) Não cobiçoso de torpe ganância (Não avarento) (Tt 1.7; 1 Tm 3.3)
> Avarento (amante do dinheiro).
> Cobiçoso de lucro vergonhoso; isto é, alguém que lucra desonestamente, adaptando o ensinamento aos ouvintes a fim de ganhar dinheiro deles, ou, talvez, refira-se ao engajamento em negócios escusos.
> Ex.: Acã – Js 7.21. Consequências:
1.) Causou a derrota em Ai.
2.) Pereceram ele e sua família.
> O verdadeiro tesouro do líder – Mt 6.19-21; 1 Tm 6.6-11

F.) Não seja Neófito (1 Tm 3,6-7)
> Novo convertido, recém-plantado. A palavra era usada no sentido literal de árvores recém-plantadas.
> A tentação para promover recém-convertidos, especialmente aqueles de posição e influência sociais, deve ter sido grande numa igreja jovem como a de Éfeso, mas os perigos são óbvios. Perigos (v.6):
1.) Para não suceder que se ensoberbeça (inchar-se, encher-se de orgulho).
2.) Incorra na condenação do diabo.
> Tenha bom testemunho dos de fora, ou seja, dos não crentes (nem é necessário mencionar a necessidade de bom testemunho dos de dentro, ou seja, os crentes),a fim de (v.7):
1.) Não cair no opróbrio (reprovação, insulto, desgraça, vergonha).
2.) Não cair no laço (armadilha) do diabo.

CONCLUSÃO:
> Que nós como líderes tenhamos estas características/qualificações.
> Que nós como líderes não promovamos à esfera de liderança ninguém que não tenha tais características/qualificações.
> Que Deus nos ajude!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra.

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Livros Lidos em 2016

amo-direito-post-livrosEm 2016, além de ter tido o privilégio de terminar de escrever e de lançar o livro “Abraão: uma Jornada de Fé”, além de ler Textos Bíblicos e diversos trechos de ‘Comentários Bíblicos’ que deram base para escritos e pregações, e além de outros livros que li sem ter concluído ainda a leitura, iniciei e terminei a leitura dos livros abaixo relacionados.

No final do ano passado, e neste ano que se finda, iniciei a leitura de alguns clássicos da literatura brasileira e internacional, o que pretendo manter nos próximos anos, com a permissão de Deus. Livros clássicos de literatura permitem uma correlação interessante entre a narrativa fictícia e momentos históricos reais e marcantes. Li também livros de História, uma de minhas áreas de formação. Li ainda livros de espiritualidade com enfoque em questões psicológicas, livros ligados à denominação Avivalista (IEAB), livros cristãos devocionais e duas biografias. Abaixo a lista na ordem em que fui terminando as leituras:

1. “Senhora” – José de Alencar (2016)
2. “O Cortiço” – Aluízio Azevedo (2016)
3. “O Mestre dos Mestres” – Augusto Cury (2016)
4. “O Mestre da Sensibilidade” – Augusto Cury (2016)
5. “Seja Líder de Si Mesmo” – Augusto Cury (2016)
6. “Biografia do Fundador Mário Roberto Lindstrom” – Djalma de Souza Bento (2016)
7. “O Médico da Humanidade e a Cura da Corrupção” – Augusto Cury (2016)
8. “Simplesmente um Vaso” – Nair Agostinho (2016)
9. “O Milagre de um Avivamento” – Aluísio Tadeu R. da Silva (2016)
10. “Quatro Contos” – O. Henry, Edgar Allan Poe, Arthur Conan Doyle, Washington Irving (2016)
11. “1822” – Laurentino Gomes (2016)
12. “Deus o Ama do Jeito que Você é” – Brennan Manning (2016)
13. “O Anseio Furioso de Deus” – Brennan Manning (2016)
14. “Memórias de um Sargento de Milícias” – Manuel Antônio de Almeida (2016)
15. “Viagens de Gulliver” – Jonathan Swift (2016)
16. “O Reino de Ponta-Cabeça” – Donald B. Kraybill (2016)
17. “O Evangelho e as Questões Emocionais” – Nelson Luiz Campos Leite (org). (2016)

Vamos ler em 2017 ?

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Características de um Servo Bom e Fiel

que-ele-cresc3a7a-1Texto: João 3.22-30

Introdução:
– Explicar o contexto: No início do ministério de Jesus, antes de ser preso João continuou exercendo o seu ministério em paralelo; a mensagem de ambos era semelhante (arrependimento), ambos batizavam.
– Aparentemente, os discípulos de João ficaram com ciúmes do sucesso de Jesus. Não é fácil perceber que outro ministério está crescendo mais do que aquele do qual você faz parte! João também tinha plena consciência do crescimento do ministério de Jesus.
– No entanto, Jesus disse mais adiante que João era o maior dentre os nascidos de mulher (Mt 11.11). Podemos dizer que João foi um servo bom e fiel.
– Na resposta de João ao questionamento de seus discípulos vemos as características de um servo bom e fiel.

I.) O servo bom e fiel deve ter consciência de que só pode (e deve) receber o que lhe for dado por Deus – v. 27
– Não queira nada que não lhe seja dado por Deus.
– Só receberemos (e só devemos receber) aquilo que Deus quiser nos dar, não devemos ‘forçar a barra’.
– Se percebermos que algo não é da vontade de Deus para as nossas vidas temos de fugir de tal coisa
– João tinha consciência da missão que havia recebido, e estava satisfeito com ela.
– A uns Deus deu 1 talento, a outros 2, e a outros 5. Você pode trabalhar esses talentos, mas deve ter consciência de que sempre haverá os que estão à nossa frente e os que estão atrás de nós. Não devemos nos depreciar e nem nos orgulhar.
– Temos forçado a barra para receber de Deus aquilo que Ele não tem planejado nos dar?

II.) O servo bom e fiel deve ter consciência do que, ou quem, é; e do que, ou quem, não é – v. 28
– João sabia que era o precursor do Messias, mas tinha consciência plena de que não era o Messias, e não iludia ninguém quanto a isso.
– Muitos estão querendo ser mais do que de fato são, ou do que Deus determinou que sejam!
– Ninguém tem todos os dons espirituais! Devo reconhecer e exercer os dons que recebi, mas também devo reconhecer os dons que não possuo e incentivar aqueles que os têm a exercê-los.
– Nenhum líder tem todas as habilidades de liderança. Deve reconhecer as que tem e se cercar de pessoas que possuam as habilidades que ele não possui!

III.) O servo bom e fiel deve ter consciência de que o seu papel é cumprir bem a função, ou a missão, que lhe foi confiada – v. 29
– O amigo do noivo era quem organizava e presidia um casamento na Judeia.
– João havia cumprido bem a missão de “amigo do noivo”, de precursor do Messias.
– Ele diz: “Pois esta alegria já se cumpriu em mim”, ou seja, ele está satisfeito por ter se saído bem em sua missão.
– Temos cumprido bem a missão que Deus tem nos reservado?

IV.) O servo bom e fiel deve ter consciência de que ele deve diminuir, enquanto Cristo deve crescer – v. 30
– Somos apenas atores coadjuvantes, a estrela é Jesus
– Os holofotes devem estar colocados em Cristo e não em nós mesmos! Devemos promover a Cristo, e não a nós mesmos!
– Não apenas Cristo deve “crescer”, mas nós temos que diminuir! Desafiador!
– Por que Ele deve crescer e nós devemos diminuir? Porque Ele é o Senhor, e nós somos os seus servos, e não o contrário!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra – SP, 28 e 29/10/2016.

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Orientações para o ministério em tempos de novos desafios

mosesordainingjoshua_6-30Texto: Josué 1.1-9

Introdução:
> Momento de novos desafios, profundas mudanças: Mudança de ambiente (Egito, deserto, agora Terra fixa); mudança de liderança (pensar no que Moisés significava para aquela geração);
> Desafios, mudanças hoje: Mídias sociais, geração mais crítica, falta de comprometimento e compromisso em todas as áreas (estudos, família, casamento, trabalho, igreja, etc), Hedonismo (constantes viagens, muitas opções de entretenimento, etc), questões sociais da atualidade (feminismo, homossexualismo, etc).

Transição:
> Assim como Josué estava enfrentando um momento de novos desafios em sua vida e liderança, hoje o líder (ministro) cristão está enfrentando tempos de novos desafios, de profundas mudanças e transformações.
> O texto nos traz algumas orientações para o ministério em tempos de novos desafios:

I.) Não fique preso ao passado em relação àquilo que não tem mais volta – v. 2 a
> Moisés morreu, aquele tempo já passou, aquela geração morreu, os desafios são outros agora, as estratégias precisam mudar, precisamos nos adaptar a uma nova realidade.
> Existe muita coisa boa a aprender com o passado, mas não podemos viver no saudosismo, ou querer fazer hoje do jeito que fazíamos há alguns anos.
> Ex: ludismo, uber; não adianta lutar contra certas mudanças; temos que nos adaptar, sem comprometer os princípios bíblicos
> Trabalho com jovens e adolescentes, etc.

II.) Tenha disposição imediata para enfrentar os novos desafios que estão à sua frente – v. 2 b
> Disposição, no sentido de determinação!
> Mas também disposição no sentido de preparação. NVI e NTLH diz: “Se preparem, ou preparem-se”
> Essa determinação, preparação tem de ser agora, não dá para deixar para depois! A concorrência está grande, se não o fizermos, outros farão!

III.) Agarre-se às promessas de Deus para a sua vida e ministério – v. 2 c, 3
> “à terra que eu dou … vo-lo tenho dado, como eu prometi a Moisés”
> Quais são as promessas de Deus para a sua vida especificamente?
> Se apropriar de promessas mais gerais sobre o avanço da igreja: “as portas do inferno não prevalecerão contra o avanço da igreja” (Mt 16.18).

IV.) Confie na presença de Deus em todo tempo e em todos os lugares – v. 5, 9 c
> Porque Deus é e será conosco, não nos deixa e nem nos deixará, não nos desampara e nem nos desamparará, então, “Ninguém te poderá resistir todos os dias da tua vida” – v 5
> “o Senhor, teu Deus, é contigo, por onde quer que andares” – v. 9 c
> Mt 28.20: “eis que estou convosco todos os dias…”
> A confiança de que Deus está conosco e de que ninguém poderá nos resistir não deve ser uma desculpa para que não tenhamos sabedoria nos relacionamentos!
– Precisamos aprender a nos interiorizar, reconhecer nossos erros, ter bons conselheiros!

V.) Seja forte e corajoso para cumprir a missão que Deus confiou a você – v. 6
> Deus exorta Josué 3 vezes neste trecho a ser forte e corajoso (v. 6, 7, 9); repetição significa ênfase!
> O ministério não é lugar para pessoas fracas e nem covardes!
> Você já entendeu a missão específica que Deus tem para a sua vida? Você conseguiria descrever o propósito de Deus para a sua vida em uma frase? Ex. José, Moisés, Josué, Neemias, Paulo.
> Busque entender, descobrir o propósito de vida, a missão de Deus para você, e seja forte e corajoso para cumprir esse propósito e missão! E não imagine que será fácil! Não foi fácil para nenhum dos personagens citados acima!

VI.) Seja forte e corajoso para ter uma atitude correta para com a Palavra de Deus – v. 7, 8
> É necessário ser muito forte e corajoso para seguir as seguintes instruções:
a.) Praticar, obedecer a Palavra, “teres o cuidado de fazer segundo toda a lei” (v. 7), “para que tenhas o cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito” (v.8)
* Notar a palavra “cuidado”, ou seja “tenha o cuidado”; significa: tenha a atenção, a cautela, a prudência de praticar e obedecer a Palavra.
* Em Mt 7, os dois homens ouviram a Palavra, mas apenas um praticou!
b.) Não se desviar da Palavra, “dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda”
* Não comprometa a pura pregação do evangelho em troca de um possível crescimento não sustentável da igreja.
* “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste” (2 Tm 3.14).
* Seja pastor de uma igreja relevante, contextualizada, mas bíblica! Não comprometa a base bíblica em nome da relevância e contextualização.
c.) Falar da Palavra, “não cesses de falar deste Livro da Lei”
* Que a Palavra seja o tema de muitas de nossas conversas!
d.) Meditar na Palavra, “medita nele dia e noite”
* Não apenas ler, mas ruminar, esmiuçar, refletir, considerar, ponderar.
* Em todo o tempo, de dia e de noite.
> Recompensas de se observar uma atitude correta para com a Palavra de Deus:
a.) Ser bem sucedido por onde quer que andar – v. 7
b.) Prosperar em nossos caminhos e ser bem sucedido – v. 8
c.) Ser como árvore bem enraizada, frondosa e frutífera – Sl 1.2,3.

VII.) Tenha em mente que você foi comissionado por Deus – v. 9 a
> Você foi comissionado por Deus, ninguém mais, ninguém menos! Não foram os seus superiores quem o comissionaram (eles foram instrumentos), mas o Todo-Poderoso!
> Já que foi o Senhor quem nos levantou, e nos tem mandado seguir no chamado, então, seja forte e corajoso (mais uma vez!), e não temas, e nem te espantes, ou seja, “não se apavore, nem desanime” (NVI), “não fique desanimado, nem tenha medo” (NTLH).
> No ministério, muitas vezes ficamos temerosos, desanimados, apavorados (eu, muitas vezes!). Mas temos aqui uma receita para vencer essas reações: lembrar que fomos comissionados por Deus, e que Ele é o fiador e o capacitador daqueles a quem Ele chama!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra – SP, 13 e 14/10/2016.

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“Abraão: Uma Jornada de Fé” – Adquira já o seu exemplar!

livro

Este livro é fruto de uma série de mensagens, agora escritas, que preguei sobre a vida de Abraão. Trata-se de uma análise da vida do patriarca desde o seu chamado até a sua morte. São dezoito capítulos subdivididos em vários tópicos, perfazendo um total de 264 páginas, trazendo muitas citações de diversos comentários bíblicos. É um tesouro para os pregadores e amantes da Palavra de Deus, que poderão ser edificados, e ainda ter em mãos um farto material para o ensino e o compartilhamento da Palavra. O livro tem um aspeto excelente, uma ótima diagramação e um conteúdo maravilhoso!

Adquira já o seu exemplar! O valor do livro é R$ 40,00 (Quarenta reais). Você pode fazer um depósito em minha conta corrente e eu me comprometo a entregar o livro pessoalmente ou pelo correio. Após fazer o depósito, me envie uma foto do comprovante através do meu whatsapp 96308.9988. O depósito deve ser feito em meu nome, Ronaldo Guedes Beserra, no banco Itaú, agência 0748, conta corrente 18.276-3. Você não vai se arrepender! Aguardo o seu contato.

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A Família do Filho Pródigo

Par_bola-do-filho-pr_digoEsboço baseado em mensagem pregada pelo Pr. Josué Gonçalves.

Texto: Lucas 15.11-32

Introdução:
> A família do filho pródigo experimenta uma grande crise.
> O pai faz uma leitura positiva da crise que estava vivendo; ele não se deixou perder com as perdas que estava sofrendo.
> O que podemos aprender com esse pai, com esse filho, com essa família?

1. Nem tudo na família sai como nós planejamos
> Apesar de tudo o que fazemos.
> O filho pródigo tinha tudo para ficar; o seu pai era um ótimo pai (representa o próprio Deus na parábola).
> Por melhor que façamos, isso não elimina o direito de escolha, livre-arbítrio de cada um (inclusive na família).

2. Faça sempre o melhor para amanhã não sofrer com a dor da culpa, do remorso, do arrependimento.
> O pai podia sofrer a dor da separação, da perda, da saudade, mas não com a dor da culpa.
> Faça o melhor para todos em sua família.
> O filho pródigo desistiu do pai, mas o pai nunca desistiu do filho.

3. Em tempo de crise não deixe Satanás fechar na sua casa a porta da reconciliação.
> O pai deixou a porta aberta para o filho; não o ameaçou: “se sair por esta porta, não volte mais”!
> O milagre passa pela porta da reconciliação.

O que o Pai do filho pródigo teria a dizer a nós para vencermos em tempos de crise familiar?

1. Nunca deixe morrer a esperança (sonhos) dentro do seu coração!
> O pai não perdeu a esperança de ver o filho voltar; ele não saia da varanda esperando o filho; talvez tenha comprado o vestido, o anel, conservado a sandália e cevado o bezerro, pois tinha esperança de que o filho haveria de voltar!
> Não deixe seus sonhos (quanto à família) morrerem!

2. Construa um ambiente marcado pela Graça (tratar o outro de uma forma que ele não merece).
> Todas as ações do pai foram manifestações da graça:
a. Em sua reação quando o filho lhe pediu a sua parte na herança (e o que isso significava – o pai dá 1/3 da fortuna para um filho que desejava sua morte)!
b. Quando o filho volta maltrapilho, sem dinheiro, o pai vai ao seu encontro; não o reprova; não lhe cobra o dinheiro; não lhe joga nada na cara; o Pai o abraça e o perdoa; coloca-lhe o vestido, o anel, a sandália, manda preparar o bezerro.
c. O pai vai ao encontro do irmão do filho pródigo, ouve-o!
> Será que não está faltando graça em nossas casas?
> Relacionamentos vêm antes de regras; quando falta graça invertemos a ordem de prioridades! Quando falta graça a indiferença petrifica o coração da família.
> Quando falta graça construímos mais paredes que separam do que pontes que unem!
> Quando falta graça todo estrutura rígida quebra com facilidade. Jesus veio em graça e verdade.

O que o filho pródigo teria a nos dizer depois de suas experiências?

1. Cuidado com suas decisões em tempo de crise porque se você decidir errado seu fim vai ser entre os porcos.
> Não se precipite.

2. Saiba sair, porque eu saí da forma errada, na hora errada, me envolvi com pessoas erradas e fui parar no lugar errado.
> Casamento é permanente; filhos são temporários.
> Sair com a benção de Deus; exemplo de Rebeca quando saiu de casa para se casar com Isaque!

3. Não deixe para dar valor para sua família quando você estiver entre os porcos ou no inferno.
> Exemplo do Rico e Lázaro. O rico só se lembrou de seus irmãos quando já estava no inferno.

4. Ainda que você tenha decidido errado e perdeu absolutamente tudo, nunca é tarde para dizer: “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai …”
> Você pode ter tudo o que perdeu se houver arrependimento genuíno!

Visite o Site do Pr Ronaldo em http://www.ronaldoguedesbeserra.com.br

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