Ensinos para Períodos de “Prisão” – Série José do Egito (Parte 3)

jose copeiroTEXTO: Gn 39.20 – 40.23 – Texto para leitura: Gn 39.20

INTRODUÇÃO
> Situações que são verdadeiras “Prisões”: período de desemprego; período de enfermidade; marido ou esposa doente; marido no jogo ou vício; filha que arruma namorado com dependência química que causa problemas a
toda família; situação difícil de relacionamento que se arrasta sem aparente solução, etc …
> Ex. bíblicos: José, Paulo (prisões literais), Davi (perseguido por Saul)

TRANSIÇÃO
(A.T.) “Deus, muitas vezes, em algumas circunstâncias e possivelmente devido a planos futuros, permite alguns períodos de ‘prisões’ em nossas vidas”
(S.T.) “O texto nos mostra alguns ENSINOS sobre estes períodos de ‘prisões’ que Deus algumas vezes permite em nossas vidas”

MESMO QUANDO ESTAMOS NA PRISÃO

I.) DEUS É CONOSCO – Gn 39.21a
> Ele nunca nos desampara, seja qual for a situação – Mt 28.20; Rm 8.38-39; SI 23.4
> Ele pode permitir a Cova dos Leões, A Fornalha Acesa, A perseguição de Saul, As prisões de Jeremias, mas Ele, sempre estará conosco.
> Ilustração das pegadas na areia da praia

II.) DEUS PODE NOS FAZER PROSPERAR – Gn 39.23b
> Elucidar os versos 21-23
> Davi aprendeu a lutar, constituiu um exército, teve filhos, fez alianças
> Paulo evangelizou reis e autoridades, escreveu várias epístolas, ganhou muitas almas
> John Bunyan escreveu o livro “O Peregrino” enquanto estava preso. Este é o segundo livro mais vendido em todo o mundo, depois da Bíblia!
> Não se entregue!!!

III.) DEUS NÃO CESSA DE TRABALHAR A NOSSO FAVOR – Gn 40.1-5
> Enquanto José estava preso, Deus estava produzindo alguns acontecimentos no palácio de Faraó que futuramente viriam a favorecê-lo
> Ao olhar inicialmente para aquele copeiro, José mal sabia que ele seria um instrumento de Deus para a libertação de José.
> Os sonhos do copeiro e do padeiro na mesma noite!!! Tudo era um trabalhar de Deus
> “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera” (Is 64.4)

IV.) DEVEMOS APROVEITAR AS OPORTUNIDADES DE SERVIR AQUELES QUE NECESSITAM – v.6-8
> José tinha tudo para ser um revoltado por tudo o que lhe tinha acontecido …
> Mas não, ele se preocupava com o bem estar das pessoas
> Deus naturalmente coloca em nosso caminho pessoas a quem podemos ajudar e servir
> Talvez a nossa “libertação” esteja intimamente ligada a prestarmos um serviço, benefício ou atenção a alguém

V.) DEVEMOS CONTINUAR A RECONHECER A DEUS EM TODOS OS NOSSOS CAMINHOS -v. 8b
> José reconhecia que toda a sua capacidade para interpretar os sonhos provinha de Deus
> Ler Provérbios 3.5-6

VI.) DEVEMOS ESTAR ATENTOS ÀS POSSÍVEIS OPORTUNIDADES DE SAIR DA PRISÃO -v. 14-15
> José viu na libertação daquele copeiro uma oportunidade para sair da prisão. Ele estava atento!!!
> E embora num primeiro momento o copeiro tenha se esquecido de José, foi esse mesmo o caminho que o levou para fora daquela prisão
> Às vezes a oportunidade está passando à nossa frente e nós não estamos percebendo, não atentos
> Ex. Davi e Golias – Que testão!!!
> Nós como crentes, mais do que outros, devemos achar oportunidades em meio às dificuldades !
> O inventor do velcro – viu carrapichos grudando na roupa e teve a ideia

VII.) DEVEMOS FALAR A VERDADE, SEM OMITI-LA– v. 16-19
> Não foi fácil para José encarar o padeiro e lhe dizer estas palavras
> Mesmo quando tudo parece não estar indo bem, não podemos perder a sinceridade e a transparência
> Deus honrou a sinceridade, transparência e seriedade de José – v. 20-22

VIII.) DEUS NUNCA SE ESQUECE DE NÓS. AINDA QUE OUTROS SE ESQUEÇAM – v. 23
> Em certas situações da vida ajudamos pessoas sem interesse é verdade. Mas gostaríamos de que quando precisássemos também pudéssemos contar com o auxílio destas pessoas anteriormente ajudadas por nós. Mas, via de regra elas nos esquecem … porém Deus nunca esquece!!!
> Mesmo em meio ao esquecimento do copeiro, Deus estava no controle, ainda não era o tempo de Deus …

Pr. Ronaldo Guedes Beserra – SP, 30.04.2003

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Características de uma Pessoa que Tem e Mantém a Presença de Deus em Sua Vida – Série José do Egito (Parte 2)

2734429360_5c9010121aTEXTO: Gn 39.1-23 – Inicialmente ler o v. 2

INTRODUÇÃO
> Ler os v. 1-6 e Elucidar, mostrando a benção da presença divina – v. 2:
a. A presença divina traz prosperidade – v.2, 3
b. A presença divina produz bom testemunho – v. 3
c. A presença divina nos abre portas – v. 4
d. A presença divina é fonte de bênçãos para os que estão à nossa volta – v. 5

TRANSIÇÃO
> O TEXTO (CAP. 39) NOS MOSTRA ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DE UMA PESSOA QUE TEM E MANTÉM A PRESENÇA DIVINA EM SUA VIDA

I.) DEMONSTRA FIDELIDADE
> José era fiel a Deus – v. 9b – Ele sabia que em primeira instancia seu pecado seria contra o próprio Deus. Qualquer pecado, em qualquer nível, é em primeiro lugar um pecado contra Deus.
> José era fiel a Potifar (seu dono, patrão) – v. 4, 6 – Ler Ef 6.5-8
> Ex. Fidelidade de Daniel – ver Dn 6.4
> Recompensas da Fidelidade – ver Mt 25.23; Ap 2.10

II.) RESISTE ÀS TENTAÇÕES
> Elucidar os v. 7-12 destacando:
a. 1º ato: A mulher de Potifar se oferece a José e ele recusa – a tentação era grande. José tinha todo um ambiente formado para viver um grande romance, um grande caso de amor, pois:
(i) ele já tinha tudo em suas mãos
(ii) Potifar possivelmente era um homem muito ocupado
(iii) a mulher deveria ser muito bonita
b. 2º ato: Ela o tentou por vários dias
c. 3º ato: Ela provavelmente prepara o ambiente e o agarra pelas vestes
> O diabo sempre coloca “pratos” à frente dos escolhidos de Deus para tentar frustrar os propósitos de Deus em suas vidas – Ex. Tentação de Jesus no deserto;
> José era um verdadeiro homem com H maiúsculo, porque:
a. Resistiu à tentação
b. Casou com apenas uma mulher, Azenate (mesmo tendo casos de poligamia na própria família e tendo a posição que possuía, ou seja, governador do Egito)
> Ler Pv 5, 6.20-35, 7
> Como resistir à tentação? (Tentações sensuais, vícios, avareza, colocar prazeres do mundo no lugar de Deus, etc)
1. Ter em mente que nunca somos e nem mesmo seremos tentados além do que podemos suportar -1 Cor 10.13
2. Viver no Espírito – Ler Gl 5.16-23
3. Tomar uma decisão firme e resoluta de não pecar contra Deus – v. 9
4. Não dar ouvidos, não ficar próximo, não querer chegar no limite – v. 10
5. Fugir quando necessário – v. 12 – Paulo escrevendo a Timóteo disse:”… foge…” (1 Tm 6.11; 2 Tm 2.22)

III.) SUPORTA AS PERSEGUIÇÕES
> “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos (padecerão perseguições)” 2 Tm 3.12
> José foi caluniado – ver v. 13-18
> José foi injustiçado – ver v. 19-20
> José foi preso – ver v. 20-23
> Embora Deus permita que soframos perseguições, lutas, tribulações, para nos fazer amadurecer, para nos preparar para aquilo que Ele tem para nós, Ele jamais nos desampara. Ele passa conosco pelas lutas – ver v. 21-23
> Aqui se vê novamente a Fidelidade de José que poderia ter fugido e não o fez, e cuidou da carceragem como se estivesse fazendo algo ao Senhor!
> É melhor “estar por baixo” com a presença divina do que “estar por cima” sem a presença divina
> Lembra-se da benção da presença divina na introdução? (Repassar). Se você a quer e deseja mantê-la, Demonstre Fidelidade, Resita às tentações e Suporte as Perseguições!!!

Ronaldo Guedes Beserra – 23.04.2003

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Ensinos Importantes a partir da Família de Jacó – Série José do Egito (Parte 1)

Jose-do-EgitoTEXTO: Gn 37.1-36

INTRODUÇÃO:
> O livro de Gênesis relata a história de personagens chaves: Adão, Noé, Abraão, Isaque, Jacó e José.
> José é filho de Jacó com Raquel. Jacó era também casado com Lia, irmã de Raquel e tinha como suas concubinas Zilpa, serva de Lia e Bila, serva de Raquel.
> Família de Jacó era uma família desestruturada, desequilibrada (havia clima de tensão):
a. Jacó possuía 2 esposas e 2 concubinas que o disputavam (Gn 29.31 – 30.24)
b. José denunciava o mal comportamento de seus irmãos ao seu pai (Gn 37.2)
c. O problema da parcialidade paterna: Jacó amava mais a José (Gn 37.3)
d. Rúben, o filho primogênito de Jacó, filho de Lia ou Léia, se deitou com Bila, concubina de seu pai, que também era serva de Raquel (Gn 35.22)

TRANSIÇÃO:
> O TEXTO NOS TRAZ ALGUNS ENSINOS IMPORTANTES PARA AS NOSSAS VIDAS:

I.) O PERIGO DA PARCIALIDADE PATERNA
> Motivos da parcialidade paterna:
a. Jacó quando jovem, foi o filho predileto de seu pai Isaque – ver Gn 25.28;
b. Preferência de Jacó por Raquel, a mãe de José
c. José era o filho de sua velhice – v. 3
> Provas da parcialidade paterna:
a. Protegeu mais a José que aos outros filhos em Gn 33.2
b. Deu-lhe uma túnica / vestimenta especial
> Consequências da parcialidade paterna:
a. Os demais filhos de Jacó passaram a odiar José – v.4
b. Não lhe podiam falar pacificamente (já nem sequer o saudavam) – v.4
c. Lhe tinham ciúmes – v. 11
> Aplicação para nós hoje:
a. Os pais devem amar igualmente os filhos e não ter preferências
b. O mesmo tratamento que é dado a um filho deve também ser dado ao outro
c. Notemos que grande instabilidade familiar a atitude de Jacó causou
d. Se você foi vítima, perdoe os pais e os irmãos prediletos para o seu próprio bem !

II.) A BENÇÃO DA OCUPAÇÃO EM DETRIMENTO DO PERIGO DA OCIOSIDADE
> Elucidar v. 2 a – Jacó ocupou a José (ainda com 17 anos), e a todos os seus irmãos com trabalho: apascentar os rebanhos e outros trabalhos provavelmente.
> Os pais hoje deixam seus filhos muito tempo ociosos e isso pode envolve-los com más companhias e em sérios problemas
> Ex. Meu pai me levou para sua empresa quando tinha + ou -11 anos. Terminei 1º e 2º graus, Faculdade de Administração de empresas e maior parte Seminário trabalhando e deu para sobreviver!
> Desculpa de que tem que estudar é perigosa; pode fazer pequenas coisas (ir ao banco, ajudar em casa …)

III.) A BENÇÃO DA PESSOA (FILHO / JOVEM) VOLUNTARIOSA
> Elucidar v. 13 – “… Respondeu-lhe José: Eis-me aqui…”
> Jovens de hoje em dia não querem levantar um dedo para ajudarem aos pais
> Jovens cristãos devem ser diferentes
> É bom ser voluntarioso no lar, no trabalho, na escola, na igreja respeitando-se obviamente os devidos limites. A pessoa só tem a ganhar em ser voluntariosa.

IV.) O MARAVILHOSO CONTROLE SOBERANO DE DEUS
> Ler v. 14-17, 25-30. Podemos observar o Controle de Deus e a Providência de Deus nos seguintes acontecimentos:
a. Os irmãos de José foram de Siquém para Dotã. Se tivessem ficado em Siquém provavelmente teriam matado a José, pois era isso que estavam tencionando fazer.
b. Já em Dotã, depois da intercessão de Rúben, os irmãos de José o venderam a uma caravana de mercadores que iam para o Egito, já que Dotã (e não Siquém) era a rota das caravanas que iam ao Egito.
c. O fato de Jacó ter enviado José para ver como estavam seus irmãos naquele exato momento. Ele poderia não tê-lo enviado!
d. Um homem encontrou José que havia se perdido
e. O fato de o homem não só ter visto, mas também ter ouvido os irmãos de José dizerem que iam para Dotã (ele poderia não ter ouvido!)
f. José não os achou em Siquém. Poderia ter voltado para casa e então não seria morto (neste momento) pelos irmãos, mas também não seria vendido como escravo ao Egito, deixando de dar assim sequência aos propósitos de Deus em sua vida.
g. A ideia de vender José ao invés de matá-lo e a caravana passando exatamente naquele momento! – v. 25-28
h. O fato de Rúben, por Providência de Deus, não estar presente quando tiveram a ideia de vendê-lo v. 29-30
> É maravilhoso quando os propósitos de Deus se estabelecem em nossas vidas de forma que sejamos completamente passivos nos processo – Ex. Vida de José – comentar!
> Ver v. 20 -“… vejamos em que lhe darão os sonhos Ninguém pode impedir os propósitos de Deus !!!
> Nunca devemos duvidar do que possa acontecer e do que Deus possa fazer, como os irmãos de José duvidaram.
> Alguém pode dizer a você: “Isso nunca vai acontecer!”, mas o mundo dá muitas voltas, e estas voltas estão debaixo do controle de Deus!
> Ex.1. Vida de José; Ex.2. Vida do Presidente Lula (em certos momentos da vida jamais imaginou que seria o Presidente!)

V.) A BENÇÃO DA INTERCESSÃO
> Elucidar v. 21-22
> Ao intercedermos por alguém diante de Deus ou diante dos homens, ainda que pareça que não obtivemos sucesso (como no caso de Rúben), algo de produtivo pode acontecer.
> Exemplos bíblicos de pessoas intercedendo por outras pessoas:
a. Jônatas, filho de Saul, intercedendo por Davi junto a Saul (1 Sm 19.4)
b. Abigail intercedendo por seu esposo e servos junto a Davi (1 Sm 25.24)
c. Ebede-Meleque, o etíope, intercedendo por Jeremias junto a Zedequias (Jr 38.9)
> Ao interceder por alguém junto a outra pessoa, você pode ser o instrumento que Deus está usando para estabelecer os seus propósitos soberanos na vida daquele por quem está intercedendo!

sonho-de-josc3a9VI.) A AÇÃO DESTRUTIVA DO ÓDIO. DA INVEJA (CIÚMES) E DA MENTIRA
> Ver v. 4. 5, 8 – Ódio – Sentimento que impele a causar ou desejar mal a alguém; raiva, ira; aversão a pessoa …
> A parcialidade paterna de Jacó foi um dos motivos para que o ódio se alojasse nos corações dos irmãos de José. Mas eles não deveriam ter dado lugar a este sentimento, e isto não os isenta do que o ódio os levou a fazer.
> Você pode até ter motivos aparentemente justificáveis para guardar ódio em seu coração, mas não deve fazê-lo, pois além de prejudicar a você mesmo, prejudicará também a outros
> Condenado nas Escrituras: 1 Jo 2.9; 3.15; 4.20; Pv 10.12; 15.17
> Ver v. 11 – Inveja. Ciúmes – Desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem; Desejo violento de possuir o bem alheio; Cobiçar o que é de outrem.
> Proibido nas Escrituras: Gl 5.19-21, 26; Pv 14.30, 27.4
> Não queira ser o outro, seja você mesmo. Descubra que você é especial para Deus!
> Ver v. 31-32 – Mentira, Falsidade – Afirmar coisa que sabe ser contrária à verdade; enganar.
> Escrituras: Jo 8.44 (Diabo pai da mentira); Ap 21.8; SI 101.7; Pv 12.22; 19.5,9; 21.6
> Considerações importantes. Vejamos:
a. v. 18-20 – A que ponto o ódio, inveja e ciúmes podem levar uma pessoa! Ex. Suzane Richtofen, seu namorado e seu cunhado! A que ponto chegam as pessoas que dão lugar ao sentimento do ódio em suas vidas !
b. v. 23-24 – A arma dos invejosos, dos que armazenam o ódio é a violência, não somente violência física, mas verbal (calúnia) e outros tipos
c. Os invejosos até quando são violentos, mal sabem que suas atitudes más também estão contribuindo para a concretização do propósito de Deus na vida daqueles a quem perseguem. Ex. Saul e Davi; Os inimigos de Daniel; Os opositores de Paulo, etc.
d. v. 33-35 -Os que odeiam e invejam podem submeter pessoas inocentes a um profundo sofrimento!

CONCLUSÃO:
> O perigo da família desestruturada (introdução): quão grandes tristes consequências!
> Gancho evangelístico: Assim como José foi vendido por 20 moedas (siclos) de prata (Gn 37.28) mas em tudo isso havia um propósito soberano de Deus para a salvação de toda a sua família no futuro, assim também Jesus foi vendido por 30 moedas de prata (Mt 26.15) para a salvação das nossas vidas e de toda a humanidade. Receba-o hoje como seu Salvador pessoal !
> Cenas do próximo capítulo: Ler Gn 37.36

Pr. Ronaldo Guedes Beserra – SP, 16.04.03

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Os Aspectos Objetivos da Salvação (União com Cristo, Justificação e Adoção)

Semana-Santa (1)A União com Cristo

É instrutivo notar o grande número de referências à unidade entre Cristo e o cristão. As referências mais básicas nesse sentido retratam o crente “em” Cristo e vice-versa. Por um lado, temos muitas referências específicas ao fato de o crente estar em Cristo (2 Co 5.17; Ef 1.3,4,6-8; 1 Co 1.4,5; 15.22; Ef 2.10 e 1 Ts 4.16). O outro lado desse relacionamento é que se diz que Cristo está no crente (Cl 1.27; Gl 2.20; Jo 15.4,5; Mt 28.20; Jo 14.23). Por fim, há toda uma lista de experiências que, segundo se diz, o crente compartilha “com Cristo”: sofrimento (Rm 8.17); crucificação (G1 2.20); morte (Cl 2.2); sepultamento (Rm 6.4); revitalização (Ef 2.5), ressurreição (Cl 3.1); glorificação e herança (Rm 8.17). Nossa união com Cristo tem certas implicações para nossa vida: somos considerados justos (Rm 8.1); vivemos agora no poder de Cristo (Fp 4.13; Gl 2.20; veja tb. 2Co 12.9); significa que vamos sofrer (Mc 10.39; Jo 15.20; Fp 3.8-10); temos a perspectiva de reinar com Cristo (Lc 22.30; 2 Tm 2.12) (ERICKSON, 1997).

A Justificação

É o ato de Deus declarar que, aos seus olhos, os pecadores são justos. É uma questão de sermos perdoados e recebermos a declaração de que cumprimos tudo o que a lei exige de nós. Segundo o Antigo Testamento, justificar implica certificar que a pessoa é inocente e, depois, declarar o que de fato é a verdade: que ela é justa, ou seja, que cumpriu a lei. No Novo Testamento, a justificação é o ato declaratório de Deus, pelo qual, em razão da sufi¬ciência da morte expiatória de Cristo, ele afirma que os crentes cumpriram todos os requisitos da lei que lhes diz respeito. A justificação é um ato forense de imputação da justiça de Cristo ao crente; não é de fato uma infusão de santidade no indivíduo. É uma questão de declarar justa a pessoa, como faz um juiz ao absolver um acusado. A justificação é uma ação forense ou declarativa de Deus, como a de um juiz absolvendo o acusado. O ato de justificação não é Deus anunciando que os pecadores são algo que não são. O que Deus faz é tornar-nos justos pela imputação da justiça de Cristo a nós. É insuficiente definir a justificação simplesmente como Deus me considerar justo “como se eu nunca tivesse pecado”. A penalidade pelo pecado foi paga e, portanto, as exigências da lei foram cumpridas. Ao olhar para o crente, Deus Pai não o vê só. Ele vê o crente junto com Cristo. Jesus dispôs-se voluntariamente a se dar e a se unir com o pecador. Também existe uma decisão consciente da parte do pecador, dispondo-se a entrar nesse relacionamento. E o Pai de bom grado o aceita. As Escrituras indicam que a justificação é um dom de Deus (Rm 6.23; Ef 2.8,9). A justificação é algo completamente imerecido. Não é uma conquista. E uma obtenção, não uma aquisição. Mesmo a fé não é alguma boa obra que Deus precise premiar com a salvação. É um dom de Deus. Não é a causa de nossa salvação, mas o meio pelo qual a recebemos. Sempre foi o meio de salvação. Paulo destaca aos seus ouvintes que Abraão não foi justificado pelas obras, mas pela fé. Afirma que Abraão “creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça” (Gl 3.6). Depois, ele rejeita a ideia de que podemos ser justificados pelas obras (v. 10,11). Portanto, Deus não introduziu um novo meio de salvação. Ele sempre agiu da mesma maneira. Embora seja a fé que leve à justificação, a justificação deve produzir, e invariavelmente produz, obras apropriadas à natureza da nova criatura que passou a existir (Ef 2.10; Tg 2.17; veja tb. v. 26). Apesar da ideia bem comum de que há uma tensão entre Paulo e Tiago, ambos consideram essencial o mesmo ponto: que a genuinidade da fé que leva à justificação evidencia-se nos resultados que dela brotam. Se não há boas obras, não houve fé verdadeira nem justificação. Um problema permanece: parece que as conseqüências do pecado persistem, mesmo depois que os pecado é perdoado e o pecador, justificado. Um exemplo é Davi (2 Sm 12.13,14). Precisamos fazer uma distinção aqui entre as conseqüências temporais e eternas do pecado. Quando a pessoa é justificada, todas as conseqüências eternas do pecado são canceladas. Isso inclui a morte eterna. Mas as conseqüências temporais do pecado, tanto as que recaem sobre o indivíduo como as que recaem sobre a raça humana como um todo, não são necessariamente removidas. Assim, ainda nos sujeitamos à morte física e aos outros elementos da maldição de Gênesis 3. Deus não intervém miraculosamente para impedir o andamento dessas leis. O pecado leva a uma perda que atinge o resto da vida. Embora o perdão de Deus seja ilimitado e acessível, o pecado não é algo que se deva tratar com leviandade. Mesmo perdoado, pode ainda trazer conseqüências graves (ERICKSON, 1997).

A Adoção

Essa transferência de um estado de alienação e hostilidade para um estado de aceitação e favor é chamada adoção (Jo 1.12; Ef 1.5; Gl 4.4,5). Ela ocorre ao mesmo tempo que a conversão, regeneração, justificação e união com Cristo. Embora a adoção seja obviamente distinta da regeneração e da justificação, sua ocorrência não é de fato distinta. Somente os que são justificados e regenerados são adotados, e vice-versa. A adoção implica uma mudança de situação e de condição, uma alteração de nossa situação legal. Tornamo-nos filhos de Deus. Gozamos do que se denomina espírito de filiação. O cristão olha com ternura e confiança para Deus, como a um Pai, e não como a um feitor de escravos ou a um capataz (Jo 15.14,15). Por meio da adoção, somos restaurados ao relacionamento que o homem já teve com Deus, mas perdeu. Deus, ao nos adotar, restaura para aquele relacionamento que desejava ter conosco desde o início. O significado da adoção toma-se mais evidente quando examinamos as consequências, os efeitos sobre a vida do cristão. Nossa adoção significa que há perdão contínuo (Ef 4.32). Também implica reconciliação. Já não carregamos uma inimizade com relação a ele. Deus mostrou seu amor por nós, tomando a iniciativa na restauração da comunhão que foi prejudicada por nosso pecado (Rm 5.8, 10). Também há liberdade para os filhos de Deus. O filho de Deus não é um escravo que obedece por um sentimento de escravidão ou compulsão. Sendo filhos de Deus, não precisamos temer as consequências da incapacidade de vivermos de acordo com a lei (Rm 8.14-16; Gl 3.10,11). Somos pessoas livres. Não somos obrigados a cumprir a lei como um escravo ou um servo. Essa liberdade, porém, não é licenciosidade. Sempre há os que pervertem a liberdade (Gl 5.13). O crente guarda os mandamentos, não por medo de um senhor cruel e severo, mas por amizade e amor para com um Deus benigno e amoroso (Jo 14.15, 21; 15.14,15). A adoção implica que o cristão recebe o cuidado paterno de Deus (Rm 8.16,17). Como herdeiros, temos à nossa disposição os recursos ilimitados do Pai (Fp 4.19). Não se deve pensar, porém, que Deus é indulgente ou permissivo. Assim, a disciplina é um dos aspectos de nossa adoção (Hb 12.5-11). Por fim, a adoção implica a boa vontade do Pai. Por meio da adoção, estende a nós todos os benefícios que seu amor imensurável pode oferecer (ERICKSON, 1997).

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Os Aspectos Subjetivos da Salvação (Chamado Eficaz, Conversão e Regeneração)

20h4u9gO Chamado Eficaz

Evidencia-se pelas Escrituras que existe um chamado geral para a salvação, um convite estendido a todas as pessoas (Mt 11.28). Quando Jesus disse: “Muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (Mt 22.14), é provável que estivesse fazendo referência ao convite universal de Deus. Mas note aqui a distinção entre chamados e escolhidos. Os que são escolhidos são os objetos do chamado especial ou eficaz de Deus. Por chamado especial entende-se que Deus atua de forma particularmente eficaz com os eleitos, dando-lhes condições de reagir com arrependimento e fé, e fazendo com que de fato assim reajam. As circunstâncias do chamado especial podem variar amplamente. Vemos Jesus lançando convites especiais aos que vieram a formar o círculo fechado de discípulos (Mt 4.18-22; Mc 1.16-20; Jo 1.35-51). Ele destacou Zaqueu para lhe dar atenção especial (Lc 19.1-10). Vemos outra intervenção dramática de Deus na conversão de Saulo (At 9.1-19). Às vezes, seu chamado assume uma forma mais tranquila (At 16.14). O chamado especial é, em grande medida, a obra de iluminação do Espírito Santo, dando ao receptor a capacidade de compreender o verdadeiro significado do evangelho (ERICKSON, 1997).

A Conversão

O primeiro passo da vida cristã é chamado conversão. É o ato de deixar o pecado em arrependimento e voltar-se para Cristo em fé (Ez 18.30-32; Ef 5.14). A conversão é um ato único que possui dois aspectos distintos mas inseparáveis: o arrependimento e a fé. Arrependimento é o ato de o incrédulo dar as costas para o pecado, e fé, seu ato de voltar-se para Cristo. Em certo sentido, um é incompleto sem o outro, e um é motivado pelo outro. As Escrituras não nos especificam a quantidade de tempo implicada na conversão. Em algumas ocasiões (ex. Pentecostes) parece ter ocorrido uma decisão cataclísmica, com a mudança acontecendo praticamente em segundos. Para algumas pessoas, porém, a conversão foi mais um processo (ex. Nicodemos; veja Jo 19.39). De modo semelhante, as reações emocionais que acompanham a conversão podem variar em muitos aspectos. A conversão de Lídia a Cristo parece ter sido muito simples e calma quanto à natureza (At 16.14). Por outro lado, uns poucos versículos adiante, lemos sobre o carcereiro filipense que, tremendo, clamou: “Que devo fazer para ser salvo?” (v. 30). As experiências de conversão deles foram muito diferentes, mas o resultado final foi o mesmo. É importante não exigir que os incidentes ou os fatores externos da conversão sejam idênticos para todos. É importante também fazer distinção entre conversão e conversões. Só existe um grande ponto na vida em que o indivíduo volta-se para Cristo em resposta à sua oferta de salvação. Pode haver outros pontos em que os crentes precisem abandonar determinada prática ou crença para não retornar à vida de pecado. Esses eventos, porém, são secundários, reafirmações daquele grande passo já dado. Diríamos que podem ocorrer muitas conversões na vida cristã, mas apenas uma Conversão (ERICKSON, 1997).

Como se distingue conversão de salvação? A conversão descreve o lado humano da salvação. Por exemplo: observa-se que um pecador, bêbado notório, não bebe mais, nem joga, nem frequenta lugares suspeitos; ele odeia as coisas que antes amava e ama as coisas que outrora odiava. Seus amigos dizem: “Ele está convertido; mudou de vida.” Essas pessoas estão descrevendo o que aparece, isto é, o lado humano do fato. Mas, do lado divino, diríamos que Deus perdoou o pecado do pecador e lhe deu um novo coração.
Mas isso significa que a conversão seja inteiramente uma questão de esforço humano? Como a fé e o arrependimento estão inclusos na conversão, a conversão é uma atividade humana; mas ao mesmo tempo é um efeito sobrenatural sendo ela a reação por parte do homem ante o poder atrativo da graça de Deus e da sua Palavra. Portanto, a conversão é o resultado da cooperação das atividades divinas e humanas. “Assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar segundo a sua boa vontade” (Fp 2.12,13). As seguintes passagens referem-se ao lado divino da conversão: Jr 31.18; At 3.26. E estas outras referem-se ao lado humano: Atos 3.19; 11.18; Ez 33.11 (PEARLMAN, 1992).

O Arrependimento

É o abandono ou o repúdio do pecado. Baseia-se num sentimento piedoso de pesar pelo mal que fizemos. Salienta a importância de uma separação moral consciente, a necessidade de abandonar o pecado e de ter comunhão com Deus (At 2.38). Não podemos deixar de nos impressionar com a importância do arrependimento como pré-requisito para a salvação. Ele não é opcional, mas indispensável. O fato de pessoas em muitas culturas diferentes serem instadas a se arrepender mostra que não é uma mensagem para umas poucas situações locais específicas. Antes, o arrependimento é uma parte essencial do evangelho cristão. Ele foi proeminente na pregação de João Batista e de Jesus (Mt 3.2, 4.17). E Paulo declarou em sua mensagem aos filósofos no Areópago: “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (At 17.30). Esta última declaração é significativa por ser universal: “todos, em toda parte”. Não há dúvida, portanto, de que o arrependimento é parte inextirpável da mensagem do evangelho. O verdadeiro arrependimento é lamentar o pecado por causa do erro cometido contra Deus. Esse pesar é acompanhado de um desejo genuíno de abandonar tal pecado. A repetida insistência da Bíblia na necessidade do arrependimento é um argumento irrefutável contra o que se chama de “graça barata”. Não basta simplesmente crer em Jesus e aceitar a oferta da graça; é preciso que haja uma alteração real no interior da pessoa, Lc 9.23 (ERICKSON, 1997).

Que significa a expressão condições da salvação? Significa o que Deus exige do homem a quem ele aceita por causa de Cristo e a quem dispensa as bênçãos do Evangelho da graça. As Escrituras apresentam o arrependimento e a fé como condições da salvação; o batismo nas águas é mencionado como símbolo exterior da fé interior do convertido (Mc 16.16; At 22.16; 16.31; 2.38; 3.19). Abandonar o pecado e buscar a Deus são as condições e os preparativos para a salvação. Estritamente falando, não há mérito nem no arrependimento nem na fé; pois tudo quanto é necessário para a salvação já foi providenciado a favor do penitente. Pelo arrependimento o penitente remove os obstáculos à recepção do dom; pela fé ele aceita o dom. Mas, embora sejam obrigatórios o arrependimento e a fé, sendo mandamentos, é implícita a influência ajudadora do Espírito Santo. (Notem a expressão: “Deu Deus o arrependimento” At 11.18). A blasfêmia contra o Espírito Santo afasta o único que pode comover o coração e levá-lo à contrição. Por conseguinte, para tal pecado não há perdão. São a fé e o arrependimento apenas medidas preparatórias à salvação? Ambos acompanham o crente durante sua vida cristã; o arrependimento torna-se em zelo pela purificação da alma; e a fé opera pelo amor e continua a receber as coisas de Deus. De que maneira o Espírito Santo ajuda a pessoa a arrepender-se? Ele a ajuda aplicando a Palavra de Deus à consciência, comovendo o coração e fortalecendo o desejo de abandonar o pecado (PEARLMAN, 1992).

A Fé

O arrependimento é o aspecto negativo da conversão, o ato de abandonar o pecado; a fé é o aspecto positivo, o ato de se apossar das promessas e da obra de Cristo. A fé está bem no centro do evangelho, pois é o veículo pelo qual somos habilitados a receber a graça de Deus. Devemos notar que, embora tenhamos retratado a conversão como a resposta humana para a iniciativa divina, mesmo o arrependimento e a fé são dádivas de Deus. Jesus deixou muito claro que a convicção do pecado, que é pressuposta pelo arrependimento, é obra do Espírito Santo (Jo 16.8-11). Jesus também disse: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44). Assim, tanto o arrependimento como a fé são obras da graça de Deus na vida do que crê (ERICKSON, 1997).

Fé, no sentido bíblico, significa crer e confiar. É o assentimento do intelecto com o consentimento da vontade. Quanto ao intelecto, consiste na crença de certas verdades reveladas concernentes a Deus e a Cristo; quanto à vontade, consiste na aceitação dessas verdades como princípios diretrizes da vida. A fé intelectual não é o suficiente (Tg 2.19; At 8.13,21) para adquirir a salvação. É possível dar seu assentimento intelectual ao Evangelho sem, contudo, entregar-se a Cristo. A fé oriunda do coração é o essencial (Rm 10.9). Fé Intelectual significa reconhecer como verídicos os fatos do evangelho; fé provinda do coração significa a pronta dedicação da própria vida às obrigações implícitas nesses fatos. Fé, no sentido de confiança, implica também o elemento emocional. Por conseguinte, a fé que salva representa um ato da inteira personalidade, que envolve o intelecto, as emoções e a vontade. Seguida por certas preposições gregas a palavra “crer” exprime a ideia de repousar ou apoiar-se sobre um firme fundamento; é o sentido da palavra “crer” que se lê no Evangelho de João 3.16. Seguida por outra preposição, a palavra significa a confiança que faz unir a pessoa ao objeto de sua fé. Portanto, fé é o elo de conexão entre a alma e Cristo. A fé é atividade humana ou divina? O fato de que ao homem é ordenado crer implica capacidade e obrigação de crer. Todos os homens têm a capacidade de depositar sua confiança em alguém e em alguma coisa. Por exemplo: um deposita sua fé em riquezas, outro no homem, outro em amigos, etc. Quando a crença é depositada na palavra de Deus, e a confiança está em Deus e em Cristo, isso constitui fé que salva. Contudo, reconhecemos a graça do Espírito Santo, que ajuda, em cooperação com a Palavra, na produção dessa fé (Vide Jo 6.44; Rm 10.17; Gl 5.22; Hb 12.2). Que é então, a fé que salva? Eis algumas definições: “Fé em Cristo é graça salvadora pela qual o recebemos e nele confiamos inteiramente para receber a salvação conforme nos é oferecida no evangelho”; É o “ato exclusivamente do penitente, ajudado, de modo especial, pelo Espírito, e como descansando em Cristo”; “É ato ou hábito mental da parte do penitente, pelo qual, sob a influência da graça divina, a pessoa põe sua confiança em Cristo como seu único e todo suficiente Salvador”; “É uma firme confiança em que Cristo morreu pelos meus pecados, que ele me amou e deu-se a si mesmo por mim”; “É crer e confiar nos méritos de Cristo, e por cuja causa Deus está disposto a mostrar-nos misericórdia”; “É a fuga do pecador penitente para a misericórdia de Deus em Cristo”. Um dom tem que ser aceito. Qual é o instrumento que se apropria da justiça de Cristo? A resposta é: “pela fé em Jesus Cristo.” A fé é a mão, por assim dizer, que recebe o que Deus oferece. Esta fé é despertada no homem pela influência do Espírito Santo, em conexão com a Palavra. A fé lança mão da promessa divina e apropria-se da salvação. Ela conduz a alma ao descanso em Cristo como Salvador; concede paz à consciência; dá esperança consoladora do céu; é rica em boas obras. Não existe mérito nessa fé, como não cabem elogios ao mendigo que estende a mão para receber uma esmola. A fé se opõe às obras quando por obras entendemos boas obras que a pessoa faz com o intuito de merecer a salvação (Gl 3.11). Entretanto, uma fé viva produzirá obras (Tg 2.26), tal qual uma árvore viva produzirá frutos. A fé é justificada e aprovada pelas obras (Tg 2.18), assim como o estado de saúde das raízes duma boa árvore é indicado pelos frutos. A fé se aperfeiçoa pelas obras (Tg 2.22), assim como a flor se completa ao desabrochar. As obras são o resultado da fé, a prova da fé, e a consumação da fé. Imagina-se que haja contradição entre os ensinos de Paulo e de Tiago. O primeiro, aparentemente, teria ensinado que a pessoa é justificada pela fé, o ultimo que ela é justificada pelas obras. (Ver Rm 3.20 e Tg 2.14-16). Contudo, uma compreensão do sentido em que eles empregaram os termos, rapidamente fará desvanecer a suposta dificuldade. Paulo está recomendando uma fé viva que confia somente no Senhor; Tiago está denunciado uma fé morta e formal que representa, apenas, um consentimento mental. Paulo está rejeitando as obras mortas da lei, ou obras sem fé; Tiago está louvando as obras vivas que demonstram a vitalidade da fé. A justificação mencionada por Paulo refere-se ao início da vida cristã; Tiago usa a palavra com o significado de vida de obediência e santidade como evidência exterior da salvação. Paulo está combatendo o legalismo, ou a confiança nas obras como meio de salvação; Tiago está combatendo antinomianismo, ou seja, o ensino de que não importa qual seja a conduta da pessoa, uma vez que creia. Paulo e Tiago não são soldados lutando entre si; são soldados da mesma linha de combate, cada qual enfrentando inimigos que os atacam de direções opostas (PEARLMAN, 1992).

A Regeneração

A conversão diz respeito à nossa resposta à salvação e à aproximação que Deus oferece à humanidade. A regeneração é o outro lado da conversão. É obra de Deus. É a transformação que Deus opera nos indivíduos que creem, seu ato de conceder uma nova vitalidade e direção espiritual à vida deles quando aceitam a Cristo. A natureza humana necessita de transformação. O ser humano está espiritualmente morto e, portanto, precisa do novo nascimento. É necessária alguma mudança radical ou uma metamorfose, em lugar de uma simples modificação ou de um ajuste na pessoa (conversa de Jesus com Nicodemos em Jo 3). Regeneração implica algo novo, uma reversão total das tendências naturais da pessoa. Não é uma simples amplificação de características presentes, pois uma faceta da regeneração implica entregar à morte ou crucificar qualidades existentes. Implica uma neutralização dos efeitos do pecado. O novo nascimento é a restauração da natureza humana ao que se desejava originalmente e ao que era de fato antes de o pecado entrar na raça humana por ocasião da queda. Ele é ao mesmo tempo o início de uma nova vida e um retorno à vida e à atividade antiga. Parece que o novo nascimento é, em si, instantâneo. Nada nas descrições do novo nascimento dá a entender que seja um processo. A Escritura fala que os crentes “nascem de novo” ou “nasceram de novo”, não que “estão nascendo de novo” (Jo 1.12,13; 2 Co 5.17; Ef 2.1, 5, 6; Tg 1.18; 1 Pe 1.3, 23; 1 Jo 2.29; 5.1, 4). Embora talvez não seja possível determinar o momento exato do novo nascimento e possa haver toda uma série de antecedentes, parece que o novo nascimento em si é completamente instantâneo. Apesar de a regeneração se completar instantaneamente, não é um fim em si. É o início de um processo de crescimento que continua ao longo da vida: a santificação (Fp 1.6). O novo nascimento é uma ocorrência sobrenatural. Não é algo alcançado pelo esforço humano. É especialmente obra do Espírito Santo. Embora a salvação tenha sido planejada e originada pelo Pai e de fato concretizada pelo Filho, é o Espírito Santo quem a aplica à vida do que crê (ERICKSON, 1997).

A regeneração é o ato divino que concede ao penitente que crê uma vida nova e mais elevada mediante união pessoal com Cristo. O Novo Testamento assim descreve a regeneração: (a) Nascimento – Deus o pai é quem “gerou”, e o crente é “nascido” de Deus (1 Jo 5.1), “nascido do Espírito” (Jo 3.8), “nascido do alto” (tradução literal de João 3.3,7). Esses termos referem-se ao ato da graça criadora que faz do crente um filho de Deus; (b) Purificação – Deus nos salvou pela “lavagem (literalmente, lavatório ou banho) da regeneração” (Tt 3.5). A alma foi lavada completamente das imundícias da vida de outrora, recebendo novidade de vida, experiência simbolicamente expressa no ato de batismo (At 22.16); (c) Vivificação – Somos salvos não somente pela “lavagem da regeneração”, nas também pela “renovação do Espírito Santo” (Tt 3.5. Vide também Cl 3.10; Rm 12.2; Ef 4.23; Sl 51.10). A essência da regeneração é uma nova vida concedida por Deus Pai, mediante Jesus Cristo e pela operação do Espírito Santo; (d) Criação – Aquele que criou o homem no princípio e soprou em suas narinas o fôlego de vida, o recria pela operação do seu Espírito Santo (2 Co 5.17; Ef 2.10; Gl 6.15; Ef 4.24; vide Gn 2.7). O resultado prático é uma transformação radical da pessoa em sua natureza, seu caráter, desejos e propósitos; (e) Ressurreição – (Rm 6.4,5; Cl 2.13; 3.1; Ef 2.5,6). Como Deus vivificou o barro inanimado e o fez vivo para com o mundo físico, assim ele vivifica a alma em seus pecados e a faz viva para as realidades do mundo espiritual. Esse ato de ressurreição espiritual é simbolizado pelo batismo nas águas. A regeneração é “a grande mudança que Deus opera na alma quando a vivifica; quando ele a levanta da morte do pecado para a vida de justiça” (João Wesley). Notar-se-á que os termos acima citados são apenas variantes de um grande pensamento básico da regeneração, isto é, uma divina comunicação duma nova vida à alma do homem. Três fatos científicos relativos à vida natural também se aplicam à vida espiritual; isto é, ela surge repentinamente; aparece misteriosamente, e desenvolve-se gradativamente.
Jesus apontou a necessidade mais profunda e universal de todos os homens — uma mudança radical e completa da natureza e caráter do homem em sua totalidade. Toda a natureza do homem ficou deformada pelo pecado, a herança da queda; essa deformação moral reflete-se em sua conduta e em todas as suas relações. Antes que o homem possa ter uma vida que agrade a Deus, seja no presente ou na eternidade, sua natureza precisa passar por uma transformação tão radical, que seja realmente um segundo nascimento. O homem não pode transformar-se a si mesmo; essa transformação terá que vir de cima. Jesus não tentou explicar o como do novo nascimento, mas explicou opor quê do assunto. “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido de Espírito é espírito.” Carne e espírito pertencem a reinos diferentes, e um não pode produzir o outro. A natureza humana pode gerar a natureza humana, mas somente o Espírito Santo pode gerar a natureza espiritual. A natureza humana somente pode produzir a natureza humana; e nenhuma criatura poderá elevar-se acima de sua própria natureza. A vida espiritual não passado pai ao filho pela geração natural; ela procede de Deus para o homem por meio da geração espiritual. Os meios da regeneração: (a) Agência divina – O Espírito Santo é o agente especial na obra de regeneração. Ele opera a transformação na pessoa (Jo 3.6; Tt 3.5). Contudo, todas as Pessoas da Trindade operam nessa obra; (b) A preparação humana- Estritamente falando, o homem não pode cooperar no ato de regeneração, que é um ato soberano de Deus; mas o homem pode tomar parte na preparação para o novo nascimento. Qual é essa preparação? Resposta: Arrependimento e fé (PEARLMAN, 1992).

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Princípios Básicos da Doutrina das Duas Naturezas em uma Pessoa

O texto abaixo é um resumo baseado no livro “Introdução à Teologia Sistemática” de Millard J. Erickson, 1ª edição, 1997, p. 304-307.

Cristologia (Parte 4) - A Divindade de CristoO enunciado dessa doutrina foi formulado no Concílio de Calcedônia em 451: “Um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas naturezas, inconfundíveis e imutáveis, indivisíveis e inseparáveis; a distinção de naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma só Pessoa (prosopõn) e Subsistência (hypostasis); não dividido ou separado em duas pessoas, mas um só e mesmo Filho, Unigênito, Deus Verbo, Jesus Cristo Senhor; conforme os profetas outrora a seu respeito [testemunharam], e o mesmo Jesus Cristo nos ensinou e o credo dos pais nos transmitiu”.
Tanto a unidade da pessoa quanto a integridade e a inseparabilidade das duas naturezas são reforçadas nesse enunciado. A conclusão de Calcedônia nos diz o que “duas naturezas em uma pessoa” não significa. Calcedônia não é a resposta; é a pergunta. Alguns pontos cruciais nos ajudarão a compreender esse grande mistério.
1. A encarnação foi mais uma aquisição de atributos humanos que uma desistência de atributos divinos. Filipenses 2.6,7, aquilo de que Jesus se esvaziou não foi a natureza de Deus, Colossenses 2.9. É da igualdade com Deus, não da forma de Deus, que Jesus se esvaziou. Apesar de não deixar de ser como o Pai no que diz respeito à natureza, ele se tomou funcionalmente subordinado ao Pai durante o período de encarnação.
2. A união das duas naturezas significa que elas não atuaram independentemente. Jesus não exerceu sua deidade em certas ocasiões e sua humanidade em outras. Seus atos sempre eram da divindade e da humanidade. Essa é a chave para compreender as limitações funcionais que a humanidade impôs sobre a divindade. Por exemplo, ele ainda tinha poder para estar em toda parte (onipresença). No entanto, como um ser encarnado, estava limitado no exercício daquele poder pelo fato de possuir um corpo humano. Isso não deve ser visto como uma redução do poder e das capacidades da Segunda Pessoa da Trindade, mas, antes, uma limitação circunstancial no exercício de seu poder e de suas capacidades.
Visualize a seguinte analogia. O velocista mais rápido da terra entra numa corrida de três pés em que ele precisa correr com uma de suas pernas atada à perna de um companheiro. Embora sua capacidade física não seja diminuída, as condições sob as quais ele a exerce são severamente limitadas. Mesmo que seu companheiro fosse o segundo melhor velocista do mundo, o tempo deles será muito mais alto do que seria, caso competissem em separado.
Isso se parece com a situação do Cristo encarnado. Assim como o velocista poderia desfazer a amarra, mas resolve limitar-se durante o evento, a encarnação de Cristo também foi uma limitação voluntária, escolhida por ele mesmo. Ele não precisava assumir a humanidade, mas resolveu fazê-lo pelo período da encarnação.
3. Ao pensar na encarnação, precisamos começar não com as concepções tradicionais de humanidade e de deidade, mas com o reconhecimento de que ambos são conhecidos da forma mais completa possível em Cristo. Nenhum de nós é a humanidade tal como Deus pretendia que fosse ou como surgiu de sua mão. A humanidade foi danificada e corrompida pelo pecado de Adão e Eva. Quando dizemos que na encarnação Jesus assumiu a humanidade, não estamos falando desse tipo de humanidade. Pois a humanidade de Jesus não era a humanidade de seres humanos pecadores, mas a humanidade possuída por Adão e Eva desde a criação e antes da queda. A pergunta não é se Jesus era plenamente humano, mas se nós o somos. Ele não era apenas tão humano quanto nós; ele era mais humano que nós. Ele possuía, espiritualmente, o tipo de humanidade que possuiremos quando formos glorificados. Jesus revela de forma mais completa possível a verdadeira natureza da humanidade.
Jesus Cristo é também nossa melhor fonte para conhecer a deidade. É em Jesus que Deus se revela e é conhecido de forma mais completa possível (Jo 1.18). Sendo a imagem de Deus, os homens já são as criaturas mais parecidas com ele. É bem possível que o propósito de Deus ao fazer os homens à sua própria imagem fosse o de facilitar a encarnação que ocorreria algum dia.
4. É importante pensar que a iniciativa da encarnação vem do alto, e não de baixo. Na realidade estamos nos perguntando de que forma um ser humano poderia ser Deus, como se fosse uma questão de um ser humano tornar-se Deus ou acrescentar, de alguma maneira, a deidade à sua humanidade. Mas, para Deus, tornar-se homem (ou, mais corretamente, acrescentar a humanidade à sua deidade) não é impossível. Ele é ilimitado e, portanto, capaz de condescender com o inferior, uma vez que o inferior não pode ascender ao maior ou superior. O fato de um homem não ter ascendido à divindade nem de Deus ter elevado um homem à divindade, mas, antes, de Deus ter condescendido para assumir a humanidade, aumenta nossa capacidade de conceber a encarnação.
5. É também útil pensar em Jesus como uma pessoa muito complexa. Das pessoas que conhecemos, algumas são relativamente simples. Outras pessoas, por sua vez, têm personalidade muito mais complexa. Talvez possuam uma gama mais ampla de experiência, uma formação cultural mais variada ou uma compleição emocional mais complexa. Agora, se imaginarmos a complexidade expandida ao infinito, teremos, digamos, um pequeno lampejo da “personalidade de Jesus”, de suas duas naturezas em uma pessoa, pois a personalidade de Jesus incluía as qualidades e os atributos que constituem a deidade. Com certeza, temos aqui um problema, pois essas qualidades diferem das qualidades humanas. Esse ponto serve para nos lembrar de que a pessoa de Jesus não era um simples amálgama de qualidades humanas e divinas misturadas. Antes, ele possuía uma personalidade que, além das características da natureza divina, tinha também todas as qualidades ou atributos da natureza humana perfeita e sem pecado.

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A Necessidade de Não se Contaminar com as Coisas do Mundo – Continuação – Série Livro de Daniel – Mensagem 2

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A Necessidade de Não se Contaminar com as Coisas do Mundo – Série Livro de Daniel – Mensagem 1

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Igreja: O Corpo de Cristo – Lição 9

Igreja (1)Uma das figuras mais usadas no Novo Testamento para a igreja é que ela é o Corpo de Cristo. A igreja ocupa um lugar fundamental no plano de Deus. Quando falamos de igreja, não estamos nos referindo ao prédio (este apenas serve de abrigo) feito de tijolos ou outra coisa qualquer. Igreja refere-se a pessoas, povo de Deus. Toda pessoa nascida de novo deve participar ativamente de uma igreja. Todas as pessoas que fazem parte do Corpo de Cristo na face da terra constituem a Igreja Universal de Cristo. Esta, por sua vez, se constitui de igrejas locais, formadas por grupos de crentes, que congregam unidos em comunidades locais em cidades, bairros, etc.

Leia cuidadosamente as passagens citadas e responda as perguntas por escrito com suas próprias palavras.

1. Quais são os títulos dado à igreja na Bíblia?

1 Coríntios 12:27 __________________________________________________

Efésios 2:21 _____________________________________________________

Atos 20:29 ______________________________________________________

1 Coríntios 3:9 ___________________________________________________

1 Timóteo 3:15 ___________________________________________________

Apocalipse 19:7 ___________________________________________________

Efésios 2:19 _____________________________________________________

1 Pedro 2:9 ______________________________________________________

2. Quem é a Pedra Fundamental sobre a qual a igreja está alicerçada?

Mateus 16:18 ____________________________________________________

3. A igreja é o Corpo de Cristo. Quem é o cabeça do Corpo?

Efésios 1:22 _____________________________________________________

4. Qual é a tarefa da igreja?

Marcos 16:15 ____________________________________________________

Atos 1:8 ________________________________________________________

5. Como deve ser o proceder dos membros da igreja uns para com os outros?

Efésios 4:1-3: ____________________________________________________

6. Como cabeça do Corpo, quem Jesus escolheu para liderar sua igreja na face da terra?

Filipenses 1:1 ____________________________________________________

7. Com qual propósito Jesus instituiu estes ministérios de liderança na igreja?

Efésios 4:12-14 ___________________________________________________

8. Jesus instituiu 2 ordenanças para a igreja. Quais são elas?

Marcos 16:16 ____________________________________________________

1 Coríntios 11:23-25 ________________________________________________

9. Por que devemos frequentar ativamente uma igreja local?

Hebreus 10:25 ___________________________________________________

Efésios 4:15-16 ___________________________________________________

10. Cite 2 conselhos importantes que Jesus deixou para os membros de sua igreja.

Mateus 24:13 e 1 Coríntios 10:12 _______________________________________

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Como Compartilhar Jesus com Outros – A Vida Frutífera – Lição 8

testemunhar04Quem aceita Jesus como Salvador e começa a desfrutar das bênçãos de uma nova vida acha muito natural falar desta Pessoa e do Seu amor. Falar do encontro com Jesus, porém, é mais do que um simples prazer; é uma responsabilidade que todos os filhos de Deus têm. Daí vem os problemas. Muitas pessoas acham-se incapazes de falar da Bíblia.

Leia cuidadosamente as passagens citadas e responda as perguntas por escrito com suas próprias palavras.

1. Qual é o plano de Jesus para que o mundo conheça as Boas Novas do Evangelho?

Marcos 16:15 ____________________________________________________

Atos 1:8 ________________________________________________________

2. Quem tem a responsabilidade de falar de Jesus Cristo aos outros?

2 Coríntios 5:18,20 ________________________________________________

3. Enumere algumas razões pelas quais não falamos de Jesus ao outros.

Provérbios 29:25 __________________________________________________

Atos 4:20 _______________________________________________________

Timóteo 1:8 _____________________________________________________

4. Enumere algumas maneiras pelas quais você pode falar do Evangelho com mais desembaraço e eficiência.

João 15:5 _______________________________________________________

Atos 4:29 _______________________________________________________

Colossenses 4:3 ___________________________________________________

5. Qual deve ser o tema principal na sua apresentação do Evangelho?

1 Coríntios 15:3-4 _________________________________________________

6. Os versículos abaixo apontam vários elementos importantes na apresentação do Evangelho. Quais são eles?

Romanos 6:23 ___________________________________________________

Hebreus 9:27 ____________________________________________________

João 1:12 _______________________________________________________

7. Quem pode falar de Jesus?

2 Coríntios 4:13 e 5:20 ______________________________________________

8. A quem devemos falar do Evangelho?

Marcos 5:19 _____________________________________________________

João 4:39 _______________________________________________________

9. Devemos confiar exclusivamente em nosso poder persuasivo para que uma pessoa aceite o Evangelho? Por que?

Zacarias 4:6b ____________________________________________________

1 Tessalonicenses 1:5a ______________________________________________

10. A que instrumento a Palavra de Deus é comparada para abrir o coração do homem; e o que esse instrumento faz?

Isaías 55:10-11 ___________________________________________________

Jeremias 23:29 ___________________________________________________

Hebreus 4:12 ____________________________________________________

Fonte: Revista “A Vida Frutífera” – Editora Sepal

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A Obediência: O Segredo do Sucesso na Vida Cristã – A Vida Frutífera – Lição 7

estana05Ninguém gosta de criança desobediente. Ela irrita os pais, incomoda os amigos e passa a maior parte do tempo de castigo quando deveria estar desfrutando da vida. Na Bíblia, Deus usa a figura pai-filho para ensinar a necessidade de um relacionamento baseado na confiança e obediência. Nesta lição você vai descobrir que a obediência aos princípios divinos está relacionada com a adoração, perseguição e, por incrível que pareça, com a sua capacidade de entender a vontade de Deus para a sua vida. A obediência é, de fato, a maneira principal pela qual manifestamos que realmente estamos levando Deus a sério.

Leia cuidadosamente as passagens citadas e responda as perguntas por escrito com suas próprias palavras.

1. Depois de haver nascido na família de Deus, que tipo de filho você deve ser?

1 Pedro 1:14 _____________________________________________________

2. Depois de haver crido em Cristo Jesus, como você pode provar que ama a Deus?

João 14:15, 21 ____________________________________________________

3. Existe alguma coisa que agrada a Deus mais do que a obediência?

1 Samuel 15:22 ___________________________________________________

4. Qual é a relação entre obediência e oração?

1 João 3:22 ______________________________________________________

5. Que atitude você deve manter quando a total obediência a Deus implica em perseguição e sofrimento?

1 Pedro 2:21-23 ___________________________________________________

6. Quanto tempo se deve esperar para obedecer?

Salmo 119:60 ____________________________________________________

7. Que atitudes acompanham a verdadeira obediência?

Salmo 40:8 _____________________________________________________

Salmo 100:2 _____________________________________________________

8. Qual é o papel da obediência em relação a Deus?

João 7:17 _______________________________________________________

9. Qual é uma das provas de que conhecemos a Deus?

1 João 2:4 ______________________________________________________

10. Quais as bênçãos que recebemos por meio da obediência?

Isaías 1:19 ______________________________________________________

Fonte: Revista “A Vida Frutífera” – Editora Sepal

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A Bíblia: Luz e Vida Para os Nossos Dias – A Vida Frutífera – Lição 6

Vida DevocionalNa quarta lição aprendemos alguma coisa quanto a possibilidade e o privilégio de falar com Deus em oração. Nesta lição veremos como Deus fala conosco mediante a Bíblia, que também é conhecida por Escrituras e Palavra de Deus. Ela contém história, poesias, contos, romances e, enfim, tudo que Deus precisa para revelar o que Ele é, como Ele pensa, o que Ele faz e o que Ele espera do homem. Não é de surpreender, então, que a Bíblia é diferente de todos os outros livros existentes. O seu ponto de vista é divino r por isso podemos saber os fatos e realidades que nenhum cientista pode descobrir através da pesquisa e o sábio não pode descobrir pelo raciocínio.

Leia cuidadosamente as passagens citadas e responda as perguntas por escrito com suas próprias palavras.

1. O que diz a Bíblia de si mesma?

2 Timóteo 3:16 ___________________________________________________

2 Pedro 1:21 _____________________________________________________

2. Enumere algumas coisas que Deus diz que recebemos de sua Palavra.

Salmo 119:105 ___________________________________________________

João 17:17 ______________________________________________________

Romanos 10:17 ___________________________________________________

3. A Bíblia é comparada a que tipo de instrumento para operar em nossas vidas?

Hebreus 4:12 ____________________________________________________

4. Quanto tempo permanecerá a Palavra de Deus?

Salmo 119:89 ____________________________________________________

Mateus 24:35 ____________________________________________________

5. A que grupo de pessoas pertence aquele que não quer ouvir a Palavra de Deus?

João 8:47 _______________________________________________________

6. Quais as implicações para o crescimento espiritual do filho de Deus?

Atos 20:32 ______________________________________________________

1 Pedro 2:2 ______________________________________________________

7. Qual é a vontade de Deus em relação ao crescimento do cristão?

Romanos 8:29 ___________________________________________________

8. Por que muitos cristãos não assimilam o alimento sólido da Palavra de Deus?

Hebreus 5:12, 14 __________________________________________________

9. Segundo Jesus, que parte da Bíblia se cumprirá?

Mateus 5:18 _____________________________________________________

10. Indique as quatro principais maneiras pelas quais assimilamos a Palavra de Deus.

Deuteronômio 17:19 _______________________________________________

Salmo 1:2-3 _____________________________________________________

Fonte: Revista “A Vida Frutífera” – Editora Sepal

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O Espírito Santo: o Segredo do Poder – A Vida Frutífera – Lição 5

white_dove_of_peace_m-300x240Uma das realidades mais importantes para o cristão é o ensino bíblico quanto ao Espírito Santo. Neste estudo você vai ver que o Espírito Santo de Deus não é uma força misteriosa, mas sim uma pessoa que atua poderosamente no mundo contemporâneo. Ele habita em nós e a nossa sensibilidade à sua presença é de suma importância.

Leia cuidadosamente as passagens citadas e responda as perguntas por escrito com suas próprias palavras.

1. Que atitudes caracterizam o Espírito Santo como pessoa?

João 16:7-8, 13-15 _________________________________________________

2. Que evidência há de que o Espírito Santo é Deus?

Atos 5:3-4 ______________________________________________________

3. O Espírito Santo é igual a Deus Pai e a Deus Filho?

Mateus 28:19 ____________________________________________________

4. Qual é a obra do Espírito Santo no mundo?

João 16:8, 13-14 __________________________________________________

5. Assinale algumas coisas que o Espírito Santo faz para os crentes.

Tito 3:5 ________________________________________________________

Romanos 8:14 ___________________________________________________

1 Coríntios 12:13 __________________________________________________

6. Quais são os dois mandamentos negativos que temos acerca da nossa relação com o Espírito Santo?

Efésios 4:30-31 ___________________________________________________

1 Tessalonicenses 5:19 ______________________________________________

7. Quais são os dois mandamentos positivos acerca de nosso relacionamento com o Espírito Santo?

Gálatas 5:16 _____________________________________________________

Efésios 5:18 _____________________________________________________

8. Assinale alguns resultados da plenitude do Espírito Santo de acordo com Efésios 5:19-21 e Gálatas 5:22-23

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Fonte: Revista “A Vida Frutífera” – Editora Sepal

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O Poder da Oração: Você Pode Aproveitá-lo – A Vida Frutífera – Lição 4

segredo da oraçãoOração é uma das atividades fundamentais para o cristão. O Pai Celestial entregou seu Filho para que tenhamos salvação. Será que Ele também não nos dará as coisas mínimas da vida? Nesta lição você vai descobrir que Deus, na sua sabedoria, é capaz de atender de modo apropriado a todas as nossas necessidades. Entretanto, devemos saber a maneira certa de pedir, o preparo que devemos ter e a importância que a oração deve ter em nossa vida.

Leia cuidadosamente as passagens citadas e responda as perguntas por escrito com suas próprias palavras.

1. O que podemos fazer para receber ajuda para nossas necessidades diárias?

Hebreus 4:16 ____________________________________________________

2. Qual é a grande dádiva dada por Deus que nos assegura que Ele suprirá todas as outras necessidades que temos?

Romanos 8:32 ___________________________________________________

3. Com que propósito Deus responde a oração?

João 14:13 ______________________________________________________

4. Por que nos achegamos a Deus por meio de Jesus Cristo?

João 14:6 _______________________________________________________

5. Que devemos fazer com a finalidade de receber alguma coisa de Deus?

Mateus 7:7 ______________________________________________________

Tiago 4:2 _______________________________________________________

6. Que coisas podemos pedir ao Senhor em oração?

Filipenses 4:6 ____________________________________________________

7. Mencione algumas coisas pelas quais devemos orar.

Mateus 9:38 _____________________________________________________

Filipenses 1:9 ____________________________________________________

8. Quais são as causas pelas quais freqüentemente a oração não é respondida?

Salmo 66:18 _____________________________________________________

9. Assinale alguns requisitos necessários para que Deus responda a oração.

Salmo 138:6 _____________________________________________________

João 16:23 ______________________________________________________

10. Qual era uma das características da vida de Jesus?

Marcos 1:35 _____________________________________________________

Fonte: Revista “A Vida Frutífera” – Editora Sepal

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Deus Garante Perdão de Todo e Qualquer Pecado – A Vida Frutífera – Lição 3

Significados da Ressurreição de JesusParece que as 3 palavras mais difíceis de serem pronunciadas em qualquer idioma são: EU ESTOU ERRADO. Deus já fez a parte dele para que você esteja livre diariamente de qualquer culpa do pecado. A sua parte – aquela parte difícil – é a confissão. A Bíblia ensina claramente a quem devemos confessar os pecados: quais são as conseqüências dos pecados não confessados; o grande benefício que a confissão traz para todos os nossos relacionamentos e outras coisas mais.

Leia cuidadosamente as passagens citadas e responda as perguntas por escrito com suas próprias palavras.

1. Qual é a base do perdão dos pecados?

Mateus 26:28 ____________________________________________________

Efésios 1:7 ______________________________________________________

1 João 1:7 _______________________________________________________

2. Mesmo que nossos pecados tenham sido perdoados na hora da conversão, podemos dizer que cessamos automaticamente de pecar?

1 João 1:8-10 ____________________________________________________

3. Quais são algumas conseqüências dos pecados não confessados?

Salmo 66:18 _____________________________________________________

Provérbios 28:13 __________________________________________________

4. O que devemos fazer para que Deus nos perdoe?

1 João 1:9 _______________________________________________________

5. A quem se deve confessar os pecados?

Salmo 32:5 ______________________________________________________

6. Que atitude do coração caracteriza a confissão?

Salmo 38:18 _____________________________________________________

7. Após a confissão de pecados, o que mais devemos fazer para alcançar a misericórdia?

Provérbios 28:13 __________________________________________________

8. O que esperava Davi depois de haver confessado seus pecados?

Salmos 51:12 ____________________________________________________

9. Desde que experimentamos o perdão de Deus, qual deve ser a nossa atitude para com os outros?

Efésios 4:32 _____________________________________________________

10. Qual é o resultado em nossas próprias vidas, se recusamos perdoar aos outros?

Mateus 6:15 _____________________________________________________

Fonte: Revista “A Vida Frutífera” – Editora Sepal

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Sua Vitória Sobre o Pecado Está Garantida – A Vida Frutífera – Lição 2

Sou livreA pessoa que se entrega a Deus não deixa de viver num mundo pecaminoso. É possível cessar de pecar neste ambiente moralmente contaminado? Neste estudo você vai descobrir como enfrentar o pecado tal como Jesus o enfrentou, usando a arma que Ele usou, na certeza de que a vitória é garantida!

Leia cuidadosamente as passagens citadas e responda as perguntas por escrito com suas próprias palavras.

1. Quem é o inimigo do cristão?

1 Pedro 5:8 ______________________________________________________

2. Quais são os elementos principais pelos quais somos tentados?

Gálatas 5:16-17 ___________________________________________________
1 Pedro 5:8 ______________________________________________________
1 João 2:15-16 ____________________________________________________

3. Que certeza podemos ter na hora da tentação?

1 Coríntios 10:13 __________________________________________________

4. Que benefício recebemos através das provações?

Tiago 1:2-4 ______________________________________________________

5. Quem nos concede a força para enfrentarmos a tentação?

Filipenses 4:13 ___________________________________________________

Por que Deus pode nos dar a vitória?

1 João 4:4 ______________________________________________________

6. Como podemos explicar o fato de sermos, às vezes, vencidos pela tentação?

Tiago 1:14-15 ____________________________________________________

7. O que podemos fazer para evitar a tentação?

Mateus 26:41 ____________________________________________________
Tiago 4:7 _______________________________________________________

8. Com quais armas podemos contar para vencer o inimigo?

Atos 3:6 ________________________________________________________
Efésios 6:17 _____________________________________________________
Apocalipse 12:11 __________________________________________________

9. O que Jesus usou para enfrentar os ataques de Satanás?

Mateus 4:4, 7 e 10 _________________________________________________

10. Como podemos ter a Palavra de Deus sempre à nossa disposição para alcançar vitória sobre o pecado?

Salmo 119:11 _____________________________________________________

Fonte: Revista “A Vida Frutífera” – Editora Sepal

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Você Pode Ter Certeza da Sua Salvação – A Vida Frutífera – Lição 1

maxresdefault (2)O homem que pensa, sabe que algo está errado com a humanidade. Criado à imagem de Deus, parece incapaz de se comportar como filho de Deus. Sua tendência, pelo contrário, é praticar o mal. Nesta lição você vai descobrir o que a Bíblia tem a dizer quanto a este enigma. Além disso, vai descobrir que há uma maneira do homem agradar a Deus e isto por um simples ato da sua vontade.

Leia cuidadosamente as passagens citadas e responda as perguntas por escrito com suas próprias palavras.

1. Por que os homens necessitam de salvação?

Romanos 3:23 ___________________________________________________

2. Para que Jesus veio ao mundo?

Lucas 19:10 _____________________________________________________

3. Como Cristo realizou este propósito?

Romanos 5:8 ____________________________________________________

1 Pedro 2:24 _____________________________________________________

1 Pedro 3:18 _____________________________________________________

4. O que devemos fazer para ser salvos e receber a vida eterna?

João 1:12 _______________________________________________________

João 3:16, 18 ____________________________________________________

5. As boas obras são necessárias para a salvação?

Efésios 2:8-9 ____________________________________________________

Tito 3:5 ________________________________________________________

6. Em quem se encontra a vida?

1 João 5:11-12 ____________________________________________________

7. O que acontece no momento em que cremos?

João 5:24 _______________________________________________________

2 Coríntios 5:17 ___________________________________________________

8. Por que podemos saber com certeza que temos a vida eterna?

1 João 5:13 ______________________________________________________

9. Como podemos saber realmente que temos a vida eterna, visto que Satanás, o acusador dos homens (Apocalipse 12:10), nos acusa pelos nossos sentimentos que mudam tanto?

1 Pedro 1:25 _____________________________________________________

“Receber” significa mais do que a mera aceitação intelectual dos fatos relacionados com a vida de Cristo. Significa sujeitar-se a Cristo Jesus em todas as áreas da sua vida, prometer-lhe lealdade e unir-se a Ele. Não há mistério. É um ato da vontade.

Fonte: Revista “A Vida Frutífera” – Editora Sepal

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Impecabilidade de Cristo

TentacaoJesusO Deus Filho, ao encarnar, assumiu a natureza humana, sendo assim, em uma só pessoa, plenamente homem e plenamente Deus. Sabemos também que, segundo as Escrituras, Jesus foi em tudo tentado, mas sem pecado (cf. Hb 4:15). O que nos leva a perguntar: Era possível a pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus, pecar? Vejamos alguns argumentos:

Considerações iniciais

Wayne Grudem faz algumas considerações iniciais importantes :

“Para responder a essa pergunta, precisamos distinguir, por um lado, o que as Escrituras afirmam claramente, e por outro, o que é mais uma inferência de nossa parte. (1) As Escrituras afirmam claramente que Jesus Cristo jamais pecou de fato […] Não deve haver nenhuma dúvida a esse respeito em nossa mente. (2) Elas também afirmam que Jesus foi tentado e que as tentações foram reais (Lc 4.2). Se cremos na Bíblia, precisamos insistir que Cristo foi ‘tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado’ (Hb 1.15). Se nossa especulação sobre essa questão de Cristo poder ou não ter pecado leva-nos a dizer que ele não foi verdadeiramente tentado, então chegamos a uma conclusão errada, a uma conclusão que contradiz afirmações claras das Escrituras” (GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática, 1ª ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1999. p. 442-443).

É uma natureza ou uma pessoa que peca?

Ronald Hanko nos lembra que não é uma natureza que peca, mas uma pessoa:

“Alguns têm dito que as tentações de Cristo poderiam ser reais somente se fosse possível para ele pecar em sua natureza humana. Que ele não pecou é devido apenas ao fato dele ser Deus também. Em face de tal ensino, devemos enfatizar a verdade que não era possível que ele pecasse. Devemos lembrar que não é uma natureza que peca, mas uma pessoa, e Cristo é uma pessoa somente, o Filho de Deus. Como uma pessoa divina, ele não poderia pecar. Dizer que era possível que ele pecasse em sua natureza humana é dizer que Deus poderia pecar, pois pessoalmente, mesmo em nossa natureza humana, ele é o Filho eterno de Deus. Essa, cremos, é uma das verdades ensinadas em 2 Coríntios 5:21, que diz que ele não conheceu pecado, e em Hebreus 7:26, que diz que ele era ‘santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores’ ” (HANKO, Ronald. A Natureza Humana Sem Pecado de Cristo. Disponível em http://www.monergismo.com – Acesso em: 17 de set. de 2007).

Assim sendo, afirmar que a pessoa de Jesus Cristo poderia pecar implica dizer que Deus poderia pecar. Wayne Grudem argumenta da seguinte forma:

“Nesse ponto, portanto, vamos além das afirmações claras da Bíblia e tentamos apresentar uma solução para o problema de Cristo poder ou não cometer pecado? Mas é importante reconhecer que a seguinte solução é por natureza mais um jeito de combinar vários ensinos bíblicos, não sendo diretamente sustentada por declarações explícitas das Escrituras. Tendo isso em mente, é adequado dizer: (1) Se a natureza humana tivesse existido por si só, independentemente de sua natureza divina, teria sido a mesma natureza humana que Deus deu a Adão e a Eva. Estaria isenta de pecado, mas mesmo assim seria capaz de pecar. Por conseguinte, se a natureza humana de Jesus tivesse existido por si, haveria a possibilidade abstrata ou teórica de Jesus ter pecado, assim como a natureza humana de Adão e Eva era capaz de pecar. (2) Mas a natureza humana jamais existiu à parte da união com sua natureza divina. Desde o momento de sua concepção, ele existiu como verdadeiro Deus e também verdadeiro homem. Tanto sua natureza humana como sua natureza divina existiram unidas em uma pessoa. (3) Embora Jesus tivesse experimentado algumas coisas (tais como fome, sede ou fraqueza) só em sua natureza humana e não em sua natureza divina […], um ato pecaminoso seria um ato moral que, aparentemente, teria envolvido toda a pessoa de Cristo. Assim, se tivesse pecado, isso teria envolvido sua natureza divina bem como a humana. (4) Mas se Jesus como pessoa tivesse pecado, implicando tanto a natureza humana como a divina no pecado, então o próprio Deus teria pecado e teria deixado de ser Deus. Mas é claro que isso é impossível por causa da santidade infinita da natureza de Deus. (5) Assim, se perguntarmos se de fato era possível Jesus pecar, parece que precisamos concluir que isso não era possível. A união de sua natureza humana e divina em uma pessoa o impediria de pecar” (GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática, 1ª ed. São Paulo: Edições Vida Nova, 1999. p. 443-444).

Isso não torna as tentações irreais?

Alguns, então, poderão perguntar: mas será que uma pessoa que não cai em tentação é, de fato, tentada? Ou uma pessoa que não pode pecar é totalmente humana? Sobre isso, Franklin Ferreira e Alan Mayatt respondem:

“Podemos argumentar que a pessoa que resiste à tentação conhece todo o poder da tentação. A impecabilidade de Cristo ‘aponta para uma tentação muito mais intensa, não menos intensa’. Alguém que cede à tentação não sente todo o seu poder, pois cede enquanto a tentação ainda não chegou à sua força total, não chegou ao seu extremo. Somente o homem que não cede a uma tentação, ‘no que diz respeito àquela tentação em particular, é impecável, [e] conhece aquela tentação em toda sua extensão’. Mas uma pessoa que não peca é realmente humana? Como Erickson destaca, ‘se dissermos não, estamos sustentando que o pecado faz parte da essência da natureza humana’. Indo um pouco além, ‘tal concepção deve ser considerada uma heresia por qualquer pessoa que creia que a humanidade foi criada por Deus, já que Deus seria então a causa do pecado, o criador de uma natureza essencialmente má’ […] segundo as Escrituras, o pecado não faz parte da essência da natureza humana. Erickson destaca que a pergunta correta é: somos tão humanos quanto Jesus? ‘Pois o tipo de natureza humana que cada um de nós possui não é a natureza humana pura. A verdadeira humanidade criada por Deus foi, no nosso caso, corrompida e danificada. No fim, só houve três seres humanos puros: Adão e Eva, antes da queda — e Jesus’. Após a queda, os seres humanos não passam de versões corrompidas da humanidade. Como Ericskson conclui: ‘Jesus não é apenas tão humano quanto nós; ele é mais humano. Nossa humanidade não é um padrão pelo qual possamos medir a dele. Sua humanidade, verdadeira e não adulterada, é o padrão pelo qual nós seremos medidos’ ” (FERREIRA, Franklin. MYATT Alan. Teologia Sistemática, 1ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2007. p. 523).

Por que a impecabilidade de Jesus é importante?

Ronald Hanko conclui:

“Que Cristo não tinha pecado significa que ele não tinha o pecado original, o pecado que temos de Adão (Rm. 5:12). Nesse respeito, também, ele era imaculado. O nascimento virginal de Jesus e o fato que Deus era seu Pai, também o Pai de sua natureza humana, garantiu que dentre todos os descendentes de Adão, Cristo somente nasceu puro e santo. Ele não somente não tinha o pecado original; ele também não tinha nenhum pecado real. Durante toda a sua vida, desde o tempo quando nasceu, Cristo nunca quebrou os mandamentos de Deus, nunca errou (nem infinitesimalmente), e nunca falou uma palavra frívola que não glorificasse a Deus. Ele era perfeito! Em suma, portanto, sua impecabilidade significa que ele não tinha o pecado original, nem qualquer pecado real e não tinha a possibilidade de pecar. Isso, como Hebreus nos diz, é a razão dele poder ser nosso Salvador. Como alguém sem pecado, ele não precisava oferecer sacrifício primeiro pelos seus próprios pecados, mas foi capaz de oferecer em nosso favor um sacrifício perfeito (Hb. 7:27). Portanto, ele pôde se fazer pecado em nosso lugar, para que pudéssemos ser feitos a justiça de Deus nele (2 Co. 5:21). A impecabilidade de Cristo, então, é a garantia que sua justiça é perfeita, e que ela é nossa. Tudo o que ele mereceu por sua morte ele não precisava para si mesmo; ele adquiriu para nós, que estávamos em tão grande necessidade (HANKO, Ronald. A Natureza Humana Sem Pecado de Cristo. Disponível em http://www.monergismo.com – Acesso em: 17 de set. de 2007).

Fonte: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2012/12/era-possivel-jesus-pecar/

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Reexaminando a Filiação Eterna de Cristo

Por John MacArthur

20h4u9gÉ agora minha convicção de que a geração da qual se fala em Salmos 2 e Hebreus 1 não é um evento que aconteceu no tempo. Mesmo que à primeira vista a Escritura pareça empregar terminologia com insinuações temporais (“hoje te gerei”), o contexto do Salmo 2:7 parece se referir claramente ao decreto eterno de Deus. É razoável concluir que a geração da qual se fala ali também é algo que pertence à eternidade, e não a um ponto no tempo. A linguagem temporal deveria ser entendida, portanto, como figurativa, não literal.

A maioria dos teólogos reconhece isso, e quando tratando com a filiação de Cristo, eles empregam o termo “geração eterna”. Eu não gosto da expressão. Nas palavras de Spurgeon, ela é um “termo que não nos transmite nenhum grande significado; ela simplesmente encobre nossa ignorância”. E, todavia, o conceito em si – estou agora convencido – é bíblico. A Escritura se refere a Cristo como o “unigênito do Pai” (João 1:14; cf. v. 18; 3:16, 18; Hebreus 11:17). A palavra grega traduzida como “unigênito” é monogenes. A ênfase do seu significado tem a ver com a unicidade absoluta de Cristo. Literalmente, ela pode ser traduzida como “um de um tipo” – e, todavia, ela claramente significa que ele é da mesmíssima essência que o Pai. Esse, creio, é o próprio cerne do que se quer dizer pela expressão “unigênito”.

Dizer que Cristo é “gerado” é em si mesmo um conceito difícil. Dentro do reino da criação, o termo “gerado” fala da origem da descendência de alguém. O gerar de um filho detona sua concepção – o ponto em que ele veio à existência. Assim, alguns assumem que “unigênito” refere-se à concepção do Jesus humano no ventre da virgem Maria. Todavia, Mateus 1:20 atribui a concepção do Cristo encarnado ao Espírito Santo, não a Deus o Pai. O gerar ao qual o Salmo 2 e João 1:14 se referem parece claramente ser algo mais do que a concepção da humanidade de Cristo no ventre de Maria.

E, de fato, há outro significado, mais vital, para a ideia de “gerar” do que meramente a origem da descendência de alguém. No desígnio de Deus, cada criatura gera sua descendência “segundo sua espécie” (Gênesis 1:11-12; 21-25). A descendência carrega a semelhança exata do pai. O fato de que um filho é gerado pelo pai garante que o filho compartilha a mesma essência do pai.

Eu creio que esse é o sentido que a Escritura deseja transmitir quando ela fala da geração de Cristo pelo Pai. Cristo não é um ser criado (João 1:1-3). Ele não teve princípio, mas é tão eterno quanto o próprio Deus. Portanto, o “gerar” mencionado em Salmo 2 e suas referências cruzadas não tem nada a ver com sua [de Cristo] origem .

Mas ele tem a ver com o fato de que ele é da mesma essência que o Pai. Expressões como “geração eterna”, “Filho unigênito”, e outras pertencentes à filiação de Cristo, devem todas ser entendidas nesse sentido: a Escritura as emprega para enfatizar a absoluta unicidade da essência entre Pai e Filho. Em outras palavras, tais expressões não pretendem evocar a ideia de procriação; elas pretendem transmitir a verdade sobre a unicidade essencial compartilhada pelos Membros da Trindade.

[…] relacionamentos humanos de pai-filho são meramente figuras terrenas de uma realidade celestial infinitamente maior. O relacionamento arquétipo verdadeiro Pai-Filho existe eternamente dentro da Trindade. Todos os outros são meramente réplicas terrenas, imperfeitas porque elas são limitadas pela nossa finitude, todavia, ilustrando uma realidade eterna vital.

Se a filiação de Cristo é toda sobre sua deidade, alguém se perguntaria por que isso se aplica somente ao Segundo Membro da Trindade, e não ao Terceiro. Afinal de contas, não nos referimos ao Espírito Santo como Filho de Deus, nos referimos? Todavia, ele também não é da mesma essência que o Pai?

Certamente ele é. A essência plena, não diluída e não dividida de Deus pertence igualmente ao Pai, Filho e Espírito Santo. Deus é apenas uma essência; todavia, ele existe em três Pessoas. As três Pessoas são co-iguais, mas elas ainda são Pessoas distintas. E as características principais que distinguem entre as Pessoas estão implicadas nas propriedades sugeridas pelos nomes Pai, Filho e Espírito Santo. Os teólogos têm chamado essas propriedades de paternidade, filiação e processão. Que tais distinções são vitais para o nosso entendimento da Trindade é claro a partir da Escritura. Como explicá-las completamente permanece de certa forma um mistério.

De fato, muitos aspectos dessas verdades podem permanecer inescrutáveis para sempre, mas esse entendimento básico das relações eternas dentro da Trindade, contudo, representa o melhor consenso do entendimento cristão durante muitos séculos da história da Igreja. Eu, portanto, afirmo a doutrina da filiação eterna de Cristo, enquanto reconhecendo-a como um mistério no qual não deveríamos esperar sondar muito profundamente.

Fonte: http://www.monergismo.com/textos/cristologia/filiacao_eterna_macarthur.htm

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O Concílio de Calcedônia

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O Concílio de Nicéia

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O Credo de Calcedônia

O-Credo-de-Calcedonia(…) Todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade, perfeito quanto à humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, constando de alma racional e de corpo; consubstancial [hommoysios] ao Pai, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade; em todas as coisas semelhante a nós, excetuando o pecado, gerado segundo a divindade antes dos séculos pelo Pai e, segundo a humanidade, por nós e para nossa salvação, gerado da Virgem Maria, mãe de Deus [1];

Um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas naturezas, inconfundíveis e imutáveis, inseparáveis e indivisíveis [2]; a distinção das naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma só pessoa e subsistência [hypóstasis]; não dividido ou separado em duas pessoas. Mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus Verbo, Jesus Cristo Senhor; conforme os profetas outrora a seu respeito testemunharam, e o mesmo Jesus Cristo nos ensinou e o credo dos pais nos transmitiu.

Henry Bettenson, Documentos da Igreja Cristã (SP: ASTE/Simpósio, 1998), p. 101.

[1] Theotokos, palavra grega que significa portadora de Deus ou aquela que dá a luz a Deus.

[2] Em dyo physesin, asygchytôs, atréptôs, adiairétôs, achôristôs.

Fonte: http://www.monergismo.com/textos/credos/declaracao_calcedonia.htm

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O Credo Niceno

 Ícone retratando o Primeiro Concílio de Niceia em 325 d.C.

Ícone retratando o Primeiro Concílio de Niceia em 325 d.C.

ORIGEM

O Credo Niceno deriva-se do credo de Nicéia (composto pelo Concílio de Nicéia (325 AD), com pequenas modificações efetuadas pelo Concílio de Calcedônia (451 AD) e pelo Concílio de Toledo (Espanha, 589 AD). Este credo expressa mais precisamente a doutrina da Trindade, contra o arianismo. [1] Eis o texto do Credo de Nicéia, conforme aceito por católicos e protestantes:

TEXTO

Creio em um Deus, Pai Todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis; e em um Senhor Jesus Cristo, o unigênito Filho de Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado não feito, de uma só substância com o Pai; pelo qual todas as coisas foram feitas; o qual por nós homens e por nossa salvação, desceu dos céus, foi feito carne pelo Espírito Santo da Virgem Maria, e foi feito homem; e foi crucificado por nós sob o poder de Pôncio Pilatos. Ele padeceu e foi sepultado; e no terceiro dia ressuscitou conforme as Escrituras; e subiu ao céu e assentou-se à direita do Pai, e de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim. E no Espírito Santo, Senhor e Vivificador, que procede do Pai e do Filho [2] , que com o Pai e o Filho conjuntamente é adorado e glorificado, que falou através dos profetas. Creio na Igreja una, universal e apostólica, reconheço um só batismo para remissão dos pecados; e aguardo a ressurreição dos mortos e da vida do mundo vindouro. [3]

NOTAS

* Extraído de Paulo Anglada, Sola Scriptura : A Doutrina Reformada das Escrituras (São Paulo: Os Puritanos, 1998), 179-80.

[1] Doutrina de Ario (primeira metade do século IV), segundo a qual Cristo não é eterno, mas o primeiro e mais perfeito ser criado.

[2] Esta frase (tradução do termo latino filioque ) foi adicionada pelo Concílio de Toledo (da igreja ocidental).

[3] Traduzido de Schaff, Creeds of Christendom , 25-29. citado por A. A. Hodge, Outlines of Theology , ( Edinburgh, & Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1991), 116-117 e Epifânio, Ancoratus c. 374 AD, 118 (citado por Henry Bettenson, Documentos da Igreja Cristã, 56).

Fonte: http://www.monergismo.com/textos/credos/credoniceno.htm

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Aos Pés de Cristo

maria-madalenaTextos: Lc 10.39; Jo 11.32; 12.3

Introdução
> O que significa estar aos pés de Cristo para você? Em quais situações devemos estar aos pés de Cristo?
> Maria (irmã de Marta e Lázaro) é relatada nas Escrituras como estando aos pés de Cristo em três ocasiões e situações distintas. Ela valorizava estar aos pés de Cristo.

Transição
> O discípulo de Jesus deve ansiar estar e permanecer aos pés de Cristo.
> Os textos nos mostram algumas situações nas quais devemos nos prostrar aos pés de Cristo.

I.) Esteja aos pés de Jesus para receber instrução – Lc 10.38-42
> Maria tinha fome das ‘coisas’ espirituais, tinha interesse em dar prioridade às questões espirituais.
> “Maria … quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos” (v. 39).
> Marta: distraída, muitos afazeres, não usufruiu da comunhão com Cristo e seus ensinamentos, ansiosa, preocupada, afadigada.
> Mesmo no trabalho de Reino de Deus as pessoas podem estar tão ocupadas fazendo algo para Jesus que deixam de passar momentos de comunhão com Ele.
> É importante se estabelecer corretamente as prioridades!
> Você tem fome pelas coisas espirituais, está aos pés de Jesus a ouvir-lhe os ensinamentos? Ou está tão ocupado com os afazeres (mesmo relativos ao Reino de Deus) que não tem tempo para se prostrar aos seus pés?

II.) Esteja aos pés de Jesus para receber consolo – Jo 11
> Comunique a Jesus suas necessidades (v. 3). Marta e Maria comunicaram (mandaram comunicar) a Jesus sua necessidade na esperança de que Ele curasse seu irmão!
> Ver a prontidão e obediência de Maria (v. 29).
> Nota-se uma pontinha de frustração em Marta e Maria (v. 21, 32). Como elas fizeram, precisamos aprender a expressar (com reverência) os nossos sentimentos a Jesus!
> Maria foi uma intercessora! (v. 33). O choro de Maria foi uma espécie de intercessão. Jesus já tinha o propósito de ressuscitar Lázaro, mas o choro de Maria o moveu de alguma forma!
> Esse milagre (ressurreição de Lázaro) em João mostra que Jesus é o Senhor da vida! Ainda que hoje Ele não ressuscite um ente querido que acabou de partir, Ele o fará na Ressurreição no último dia!

III.) Esteja aos pés de Jesus para prestar-lhe adoração – Jo 12.1-8
> Adoração tem um custo – ver “Uma vida com propósitos” de Rick Warren, pág. 93.
> Adoração é dar o melhor a Deus, algo que nos custe (2 Sm 24.18-25).
> Adoração é devoção, entrega, rendição, se desarmar, se derramar, não se importar com o que os outros vão dizer, humilhar-se.
> Que nossa adoração possa tocar o coração de Deus!
> Quando queremos nos entregar em adoração podem surgir pessoas (Martas e Judas) querendo objetar, impedir, criticar, questionar nosso ato! Adore assim mesmo! O que importa é a aprovação divina (v. 7,8).
> Ver Mc 14.6-9 – Hoje essa palavra se cumpre!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra – SP, 15.02.2015

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Criar e Gerar, e, Um Deus em Três Pessoas

O CéuO texto abaixo foi extraído do livro “Cristianismo Puro e Simples” de C. S. Lewis.

Um dos credos diz que Cristo é o Filho de Deus “gerado, não criado”; e acrescenta: “Gerado pelo Pai antes de todos os mundos.” Por favor, ponha na sua cabeça que isto não tem nada que ver com o fato de que, quando Cristo nasceu na terra como homem, foi filho de uma virgem. Não estamos falando aqui do nascimento virginal, mas de algo que aconteceu antes que a natureza fosse criada, antes que o próprio tempo existisse. “Antes de todos os mundos” Cristo é gerado, não criado. O que isso significa? […] Gerar é ser pai de alguém; criar é fazer, construir algo. A diferença é a seguinte: na geração, o que foi gerado é da mesma espécie que o gerador. Um homem gera bebês humanos, um castor gera castorzinhos e um pássaro gera ovos de onde sairão outros passarinhos. Mas, quando fazemos algo, esse algo é de uma espécie diferente. Um pássaro faz um ninho, um castor constrói uma represa, um homem faz um aparelho de rádio – ou talvez algo um pouco mais parecido consigo mesmo que um rádio: uma estátua, por exemplo. Se for um escultor habilidoso, sua estátua se parecerá muito com um homem. Mas é claro que não será um homem de verdade; terá somente a aparência. Não poderá pensar nem respirar. Não tem vida.
Esse é o primeiro ponto que devemos deixar claro. O que Deus gera é Deus, assim como o que o homem gera é homem. O que Deus cria não é Deus, assim como o que o homem faz não é homem. É por isso que os homens não são filhos de Deus no mesmo sentido em que Cristo o é. Podem se parecer com Deus em certos aspectos, mas não são coisas da mesma espécie. Os homens são mais semelhantes a estátuas ou quadros de Deus. A estátua tem a forma de um homem, mas não tem vida. Da mesma maneira, o homem tem a “forma” ou semelhança de Deus, mas não o tipo de vida que Deus possui […] Um homem gera uma criança, mas cria uma estátua. Deus gerou o Cristo, mas fez o homem. Contudo, quando digo isso, estou apenas ilustrando um aspecto de Deus, a saber, que o que Deus Pai gera é Deus, alguém da mesma espécie que ele […] O nível humano é um nível simples e mais ou menos vazio. Nele, uma pessoa é um ser e duas pessoas são dois seres separados […] No nível divino, ainda existem personalidades; nele, porém, as encontramos combinadas de maneiras novas, maneiras que nós, que não vivemos nesse nível, não podemos imaginar. Na dimensão de Deus, por assim dizer, encontramos um Ser que são três pessoas sem deixar de ser um único Ser, da mesma forma que um cubo são seis quadrados sem deixar de ser um único cubo. E claro que não conseguimos conceber plenamente um Ser como esse […] nós conseguimos ter, pela primeira vez na vida, uma ideia positiva, mesmo que tênue, de algo suprapessoal — algo maior que uma pessoa. É algo que nos surpreende completamente […] E foi assim que começou a Teologia. As pessoas já conheciam Deus de forma mais ou menos vaga. Então veio um homem que dizia ser Deus; um homem que, no entanto, ninguém conseguia rejeitar como um lunático. Esse homem fez com que as pessoas acreditassem nele. Essas pessoas voltaram a encontrar-se com ele depois de tê-lo visto ser assassinado. Por fim, tendo-se constituído numa pequena sociedade ou comunidade, essas pessoas de alguma forma descobriram a Deus dentro de si próprias, dizendo-lhes o que fazer e tornando-as capazes de atos que até então eram impossíveis. Quando entenderam tudo isto, elas chegaram à definição cristã do Deus tripessoal. Essa definição não é algo que inventamos […] Se o cristianismo fosse algo que inventamos, é claro que seria mais fácil. Mas não é. Não podemos competir, em matéria de simplicidade, com as pessoas que inventam religiões. Como poderíamos? Trabalhamos com a realidade como ela é. Só quem não se importa com a realidade pode se dar ao luxo de ser simplista.

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O que fazer nos momentos de maior necessidade

Texto: Mc 5.21-43

a-mulher-com-fluxo-de-sangueIntrodução
> Jairo foi ao encontro de Jesus, talvez com a maior necessidade que já havia tido em sua vida. Esse possivelmente também foi o caso da mulher com o fluxo de sangue (v. 23, 25, 26).
> Você está passando por um momento de grande necessidade?

Transição
> Todos passamos por momentos de grande necessidade!
> O texto nos mostra algumas verdades que precisamos observar e praticar em momentos de grande necessidade

I.) Nos momentos de maior necessidade é preciso que nos humilhemos aos pés de Cristo – v. 22, 23
> Jairo era a principal autoridade da sinagoga de Cafarnaum (v. 35).
> Vendo sua filha à morte se humilhou ao pés de Cristo.
> Antes de sua filha estar nesta situação, talvez, tivesse certo antagonismo a Jesus, da mesma maneira que a maioria dos fariseus que frequentavam as sinagogas. Todavia, diante do problema que enfrentava teve que descer do alto de seu orgulho e do alto de sua posição e se humilhar diante de Jesus!
> É em situações extremas que muitos finalmente se humilham diante de Deus!
> Algumas vezes, nossa submissão pode ser apenas aparente, exterior e Deus pode permitir situações extremas para que nos humilhemos aos seus pés, para que desçamos de nossa posição e orgulho. Se Ele permite situações assim é para o nosso próprio bem!
> Humilhar-se diante do Senhor é recomendação bíblica: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte” (1 Pe 5.6).

II.) Nos momentos de maior necessidade é preciso vencer todas as barreiras que nos impedem de se aproximar de Cristo – v. 25-28
> Um terrível distúrbio menstrual a debilitava.
> Era considerada impura e todos em quem ela tocasse também se tornariam impuros (Lv 15.25-27). Esse aspecto pode tê-la deixado em conflito: ela deveria ir até Jesus e expor as pessoas em geral e o próprio Jesus em particular a ficarem cerimonialmente impuros?
> Em sua debilidade, ela teve que abrir caminho por entre a multidão até alcançar Jesus e tocar em suas vestes!
> Ela venceu as barreiras! E quanto a nós? Quais são as barreiras que precisamos vencer?

III.) Nos momentos de maior necessidade é preciso vencer o temor (medo) e se apegar à fé – v. 35,36
> Ao dirigir-se à casa de Jairo, Jesus se deteve para conversar com a mulher recém-curada do fluxo de sangue. Aparentemente Jesus havia se “distraído” com outras situações enquanto Jairo estava aflito para que Jesus o atendesse o mais rápido possível. Além de tudo, neste ínterim, Jairo recebe a notícia da morte de sua filha!
> Apesar da demora e da má notícia recebida por Jairo, Jesus o encorajou a não temer e a continuar crendo!
> Não importa o que esteja acontecendo, Deus está nos encoraja a não temer e a continuar crendo!

IV.) Nos momentos de maior necessidade é preciso descansar no modo soberano de Deus agir – v. 37-40
> Jesus levou consigo apenas Pedro, Tiago e João (os mesmos que estiveram com Ele na transfiguração e no Getsêmane), disse que a menina não estava morta, apenas dormia e entrou onde o corpo estava apenas com os três discípulos que levou mais o pai e mãe da menina!
> Aqui Jesus agiu desta forma, em outras circunstâncias agiu de outras maneiras! Ele é Soberano e sabe como agir em cada determinada situação!

V.) Nos momentos de maior necessidade é preciso entender que Deus é poderoso para fazer o impossível – v. 29, 41, 42.
> Jesus curou a mulher hemorrágica e ressuscitou a filha de Jairo! Ele é poderoso para fazer milagres impossíveis aos olhos humanos!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra – SP, 19.02.2015

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O Senhorio de Jesus Cristo

Texto: Lucas 7.11-17

Jesus_raises_dead_kid_by_PrisonerOnEarthIntrodução > Pela primeira vez num trecho de narrativa Lucas chama Jesus de “o Senhor”. É apropriado nesta cena em que Jesus Se revelará Senhor sobre a própria morte! > O termo “Senhor” significa deidade, divindade. A palavra era equivalente a Jeová na Septuaginta (tradução do Velho Testamento para o grego).

Transição (A.T.) Jesus é o Senhor. (S.T.) O texto nos mostra alguns aspectos sobre os quais Seu Senhorio se manifesta.

I.) O Senhor do Tempo – v. 12 > A chegada de Jesus a Naim “coincidiu” com a saída de uma procissão fúnebre. Houve o encontro de duas multidões! > Quando é o caso de uma intervenção divina, Jesus não chega nem adiantado e nem atrasado, chega no tempo certo!

II.) O Senhor da Compaixão – v. 13 > Precisamos imitar o mestre e desenvolver nosso senso de compaixão pelas pessoas! Temos estado muito frios! > Jesus procurou consolá-la! Temos sido bons consoladores? > Precisamos dar lugar a um tipo de compaixão que nos leve a fazer algo, algo que esteja ao nosso alcance! > Ninguém pediu que Jesus fizesse coisa alguma. Comovido com compaixão, agiu pela sua própria iniciativa! Às vezes não será necessário pedir para que Jesus haja, Ele agirá por pura compaixão! Outras vezes poderemos pedir e não seremos atendidos devido à Sua soberania! Ainda assim, podemos pedir: Mt 7.7,8.

III.) O Senhor da Sensibilidade – v. 14 a > O fato de Jesus ter tocado o esquife indica que Ele preferiu ajudar o homem morto do que permanecer cerimonialmente puro (Nm 19.11,16). > Onde a necessidade humana estava em jogo, Jesus nunca se preocupava com detalhes cerimoniais. Contraste com sacerdote e levita da parábola do Bom Samaritano! > Devemos dar mais valor à essência do que à aparência, mais valor ao interior do que ao exterior. > O ritual e o formalismo religiosos devem ser precedidos pela misericórdia e amor: Oséias 6.6. Jesus ensinou essa verdade exaustivamente, seja em palavras, seja em situações práticas!

IV.) O Senhor de Poder – v. 14 b, 15 a > Jesus simplesmente falou a palavra e o milagre aconteceu! > Jesus é o Senhor, Ele tem todo o poder! Não devemos negligenciar Sua Soberania (Ele age como, quando, quanto, com quem e onde quiser), todavia devemos manter em vista o fato de que Ele é Todo Poderoso! > Qual é sua necessidade hoje? Ele tem todo o poder para mudar sua vida, sua situação, as circunstâncias que te afligem! Ele é poderoso para mudar você!

V.) O Senhor da Restituição – v. 15 b > Jesus restituiu o jovem à sua mãe! > Meu objetivo não é pregar triunfalismo, todavia devemos reconhecer que Jesus tem poder para, segundo a sua vontade, nos restituir algo que estava morto! Ele é poderoso para nos restituir um casamento que está em ruínas, um filho perdido, um sonho sepultado! O que está morto em sua vida que você gostaria de ver ressuscitar?

Conclusão > Ler os versos 16, 17.filho-da-viuva-de-naim > Quando Deus agir em nossas vidas, devemos desenvolver temor, devemos glorificá-lo, reconhecer Sua visitação e testemunhar espalhando sua fama por todo o lugar!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra em 12.02.2015

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Vitória Sobre o que nos Paralisa – Áudio

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Vitória sobre o que nos paralisa

a cura do paralítico de cafarnaumTexto: Marcos 2.1-12

Introdução
> O homem paralítico dessa história conquistou uma grande vitória: passou a andar!
> Muitos, hoje, estão paralisados por uma série de circunstâncias: problemas financeiros, conjugais, familiares, emocionais, profissionais, etc.
> Tal como este homem obteve a vitória sobre sua paralisia, nós também podemos obter a vitória sobre aquilo que nos paralisa.

Transição
> O texto nos mostra alguns detalhes importantes na busca da vitória sobre a “paralisia” que nos afeta:

I.) Devemos ter consciência de que para alcançarmos a vitória necessitamos de cooperação, necessitamos da ajuda de outras pessoas – v. 3
> O paralitico precisou da ajuda de 4 homens para levá-lo ao local onde Jesus estava e para baixá-lo pelo telhado.
> A vitória muitas vezes começa quando admitimos que precisamos de ajuda!
> Não somos autossuficientes, precisamos uns dos outros!
> A cooperação sustenta em tempos de fraqueza (Ex 17.12), realiza grandes obras (Ne 4.16,17) e adiciona poder em oração (Mt 18.19).

II.) Devemos ter consciência de que para alcançarmos a vitória necessitamos de determinação e fé para vencer os obstáculos – v. 4
> Eles não se deixaram vencer pela multidão que os impedia de entrar; foram determinados, demonstraram fé e encontraram uma solução!
> Inúmeras situações querem nos paralisar, temos que encontrar uma saída, um caminho, uma solução!
> “Vendo-lhes a fé …” (v. 5).
> Outros exemplos: Mulher com fluxo de sangue (Mc 5.25-34), o cego de Jericó (Lc 18.35-43), a mulher Cananéia (Mt 15.21-28).

III.) Devemos ter consciência de que a primeira vitória que devemos buscar é a vitória interior – v. 5
> Aparentemente Jesus frustra as expectativas de muitos, até mesmo as do doente que esperava ser imediatamente curado!
> A vitória interior é a salvação, é o perdão dos nossos pecados. Essa vitória é mais importante do que uma cura física, do que a solução de um problema financeiro ou do que a restauração de um lar.
> Qualquer outra vitória “exterior” deve se iniciar com uma vitória “interior”.
> Antes de curar a pele de Naamã, Deus o curou de seu orgulho!
> Deus pode permitir situações que nos paralisem por determinado tempo para nos curar de certas enfermidades interiores das quais precisamos nos libertar!
> No processo de busca para a cura exterior, Deus pode nos curar interiormente! Às vezes, se não fosse por uma situação exterior que nos aflige, não buscaríamos a Deus e não lhe daríamos a oportunidade de nos curar interiormente!

IV.) Devemos ter consciência de que sempre existirão aqueles que vão ficar questionando a ação de Deus em nossas vidas – v. 6,7
> O alvo principal das críticas dos escribas era Jesus. Todavia, indiretamente questionavam a ação de Deus na vida do paralitico!jesus-cura-al-paralitico-del-techo
> É importante que você creia que Deus está agindo em sua vida, não importa o que outros digam!
> Não nos cabe provar nada a ninguém, descansemos nas mãos de Deus!
> Aplicar Romanos 12.19.

V.) Devemos ter consciência de que Deus é poderoso para mudar toda e qualquer situação – v. 8-12
> Elucidar os versos 8 a 12.
> Jesus não só curou o interior como também o exterior daquele homem!
> Ele é poderoso para fazer isso em sua vida: curá-lo interiormente e também daquilo que o paralisa atualmente!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra

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Os números de 2014

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.

Aqui está um resumo:

O Museu do Louvre, em Paris, é visitado todos os anos por 8.5 milhões de pessoas. Este blog foi visitado cerca de 450.000 vezes em 2014. Se fosse o Louvre, eram precisos 19 dias para todas essas pessoas o visitarem.

Clique aqui para ver o relatório completo

1 Comentário

Série de Mensagens no Livro de Rute – Mensagem nº 03

Texto: Rute 3.1-4.22 (ler inicialmente Rt 2.20).

rute e boazIntrodução
> Explicar o papel do Resgatador; neste caso tinha dupla obrigação: (1) Resgatar a área de terra que Noemi havia posto à venda (Rt 4.3); (2) Casar-se com Rute para assegurar uma descendência a Malom (Rt 4.10)
> Explicar o costume e lei do Levirato (Dt 25.5-10)

Transição
> A partir dos capítulos 3 e 4 do livro de Rute podemos fazer algumas reflexões

I.) Dê ouvidos aos conselhos de uma pessoa mais velha e mais sábia que você – Rt 3.1-7
> Elucidar os v. 1-7
> Noemi faz com que Rute tome consciência de seu direito e a orienta quanto às informações pertinentes ao caso, para que ela mesma o faça valer diante do seu resgatador.
> Como Moabita, Rute provavelmente achou estranho o conselho de Noemi. Mas seguiu esta orientação, porque sabia que sua sogra era boa, fidedigna e cheia de integridade moral. Cada um de nós conhece o pai, irmão ou parente que sempre cuida dos nossos interesses. Dê ouvidos aos conselhos de uma pessoa mais velha e mais sábia que você. A experiência e o conhecimento dela podem ser inestimáveis. Imagine como teria sido a vida de Rute caso ela houvesse ignorado sua sogra (BEAP).

II.) Com prudência e sabedoria, na medida do possível, facilite sua felicidade – Rt 3.1-7
> Muitas pessoas desperdiçam boas oportunidades de serem felizes! Esperam o “príncipe ou princesa encantado(a)” enquanto perdem boas oportunidades de ter um bom companheiro(a).
> Em um possível relacionamento não dê atenção apenas à beleza física – Pv 11.22; 31.30; 1 Pe 3.3,4

III.) Trilhe sempre pelas veredas de um amor sincero – Rt 3.8 – 4.12
> Existe uma grande diferença entre amor e paixão. Vejamos as características de um amor sincero que conduz ao casamento:
(a) Demonstrado pelo respeito (Rt 3.8-14)
– O ato de Rute deitar-se aos pés de Boaz deve ser considerado à luz dos costumes daqueles dias. Foi algo discreto e sem conotação de intimidade. Boaz permaneceu na eira a noite inteira para proteger a sua colheita. Rute, pela sua atitude, demonstrou a Boaz seu desejo de que ele se casasse com ela, uma vez que ele era parente próximo do falecido marido dela.
– Boaz não quis possuir Rute antes do momento certo; tratou-a com dignidade;
– O sexo foi criado por Deus; é uma benção para ser desfrutada no casamento;
– Em hipótese alguma deve ser praticado antes ou fora do casamento (alguns dão boas desculpas para driblar esta orientação)!
– Ver 1 Co 6.12-20; 7.8,9 (Ex. da laranja que virou bagaço)
(b) Demonstrado pela atenção aos familiares da pessoa amada (Rt 3.15-17)
– Boaz começou conquistando a sogra!
– Quando se casa com alguém, casa-se com a família também!
– O amor sincero trata com dignidade os familiares da pessoa amada.
(c) Demonstrado pela disposição de oficializar tudo diante de Deus e dos homens (Rt 4.1-12)
– Explicar os textos Rt 4.1-12
– É importante e necessário se oficializar tudo diante de Deus e dos homens!

IV.) Seja uma pessoa confiável e de boa reputação que sempre cumpre sua palavra – Rt 3.18
> Noemi supôs que Boaz logo cumpriria sua promessa. Ele obviamente tinha a reputação de manter sua palavra. Tais pessoas confiáveis distinguem-se em qualquer idade e cultura.
> As pessoas o consideram como alguém que cumpre sua palavra? Ser honesto e realizar seus compromissos deve ser uma prioridade na vida de qualquer pessoa.
> A construção de uma reputação íntegra deve ser feita de forma gradativa, um ato contínuo (BEAP).

V.) Aprenda a esperar o final da história; o melhor de Deus ainda está por vir – Rt 4.13-17
> Deus está no controle de todas as coisas! Nada melhor do que um dia após o outro!31118_000_026_12
> Depois de uma fase de tanto sofrimento com a perda do marido e dos filhos, Noemi encerra sua vida com um final feliz: com uma nora que era como sua filha, com um remidor que era como um genro e com um lindo netinho nos braços!
> Espere pelo final das coisas, pois Rm 8.28 e Jr 29.11

VI.) Viva em fidelidade para Deus ciente que o significado de sua vida se estenderá além de sua existência terrena – Rt 4.16,17
> Os acontecimentos do livro de Rute faziam parte dos preparativos de Deus para o nascimento de Davi e de Jesus.
> Assim como Rute não sabia deste propósito em sua vida, não entendemos o porquê e a importância de nossas existências, até que consigamos olhar de acordo com a perspectiva da eternidade.
> Devido à fiel obediência de Rute, sua vida e legado foram significantes embora ela não pudesse ver os resultados futuros.
> Outro exemplo: apóstolo Paulo; penso que ele jamais imaginava o alcance e influência que suas palavras teriam na história da humanidade!

Conclusão
> Boaz é um tipo de Jesus Cristo no AT, o qual semelhantemente redime o crente de duas maneiras:
(a) Ele nos comprou com seu próprio sangue e assim não deixa nossa vida e nosso nome perecerem no pecado!
(b) Ele nos inclui como remidos na sua herança eterna, no novo céu e na nova terra!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra (com ajuda de alguns Comentários Bíblicos).

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Marcas Distintivas de uma Pessoa Verdadeiramente Cheia do Espírito Santo

Uma Vida Cheia do Espírito SantoTexto: Atos 2.1-4

Introdução
> Falar sobre avivamentos (despertamentos):
– Gerais: Reforma Protestante, Avivamento nos dias de Wesley
– Pessoais: John Bunyan, Jonathan Edwards, Jorge Whitefield, Charles Finney, Charles Spurgeon, Dwight Lyman Moody, etc.
> Textos Bíblicos:
– “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito…” (Ef 5.18).
– “…as misericórdias do SENHOR…renovam-se cada manhã…” (Lm 3.22-23). Assim como precisamos de novas misericórdias do Senhor a cada manhã, precisamos também de uma unção nova a cada dia!
– “… se o meu povo … se humilhar, e orar, e me buscar e se converter …eu ouvirei dos céus…” (2 Cr 7.14). Disposição de Deus em abençoar quando há uma atitude de busca!
– “Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is 59.1-2).
> Há necessidade de arrependimento e contrição para vir o avivamento (para sermos cheios do Espírito).

Proposição
(A.T.) “O prazer de Deus é que o seu povo esteja cheio do Espírito Santo”.
(S.T.) “A Bíblia nos mostra algumas MARCAS / SINAIS de uma pessoa verdadeiramente cheia do Espírito Santo”.

I.) Demonstra os Aspectos do Fruto do Espírito
> “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (Gl 5.22-23).
> Fruto é algo natural. Laranjeira não precisa forçar para dar laranja!
> Ser cheio do Espírito não é apenas chorar, falar em outras línguas e receber outros dons na igreja. É viver com estas características diariamente em nossas vidas!

II.) Demonstra uma Vida Radiante
> “Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo …” (2 Co 2.14-15).
> Não vive a reclamar, murmurar; Confia, descansa no Senhor.
> 0 contato com esta pessoa sempre é benção e não o contrário.

III.) Demonstra ser Guiado pelo Espírito Santo
> “Pois os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8.14).
> “Então, disse o Espírito a Filipe: Aproxima-te desse carro e acompanha-o” (At 8.29).
> Não vive dando “cabeçadas”!

IV.) Demonstra ter Certeza de sua Posição Espiritual
> “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo…” (Rm 8.16-17).
> Não tem o peso do pecado sobre si.
> Sabe o que tem, o que pode, e o que é em Cristo Jesus! “Eu tenho o que a Bíblia diz que eu tenho, eu posso o que a Bíblia diz que eu posso, eu sou o que a Bíblia diz que eu sou…”

V.) Demonstra Sede de Deus
> “Como suspira a corça pelas correntes da águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo …” (SI 42.1-2 – Salmo dos filhos de Corá).
> Sede de Deus na prática = Oração, Palavra, Jejuns, Serviço, Congregar.

Conclusão
> “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.13).

Pr. Ronaldo Guedes Beserra

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Série de Mensagens no Livro de Rute – Mensagem n° 02

rute6Texto: Rute 2.1-23 – Inicialmente ler Rt 2.12

Introdução
> Relembrar os pontos da mensagem passada (mensagem n° 01 do Livro de Rute).

Transição
O texto traz ensinos importantes para as nossas vidas, “Sete nuncas”:

I.) Nunca Espere as Coisas “Caírem do Céu”, Estando em suas Mãos a Possibilidade de Fazer Algo – v. 2 a
> Elucidar o v. 2 a – Rute tomou a iniciativa e foi trabalhar.
> Discernir entre quando ser passivo e quando ser ativo nos processos
> Não fique mexendo os “pauzinhos” para ser promovido na empresa ou na igreja, deixe Deus te exaltar. Agora não fique de braços cruzados esperando as coisas caírem do céu: estude, trabalhe, seja zeloso e fiel no que lhe foi confiado, se aperfeiçoe, se envolva, se levante, dispõe-te, pesquise, troque informações, seja observador, se recicle.
> Ex. Josué ia levar o povo à conquista da terra, mas ele não podia ficar de braços cruzados; tinha que guerrear, lutar, se dispor. Tinha que fazer o que era a sua parte, o que lhe cabia, e Deus certamente faria (como de fato fez) a sua parte !
> Quando Rute saiu ao campo, Deus proveu-lhe todas as coisas. Dê o primeiro passo!

II.) Nunca Permita que os Seus Sejam Privados das Responsabilidades que mais Cedo ou mais Tarde Terão de Assumir na Vida – V. 2 b
> Elucidar o v. 2 b
> Noemi apoiou e incentivou Rute em sua iniciativa
> Noemi não ficou protegendo Rute como que colocando-a numa redoma de vidro!!! Pais super-protetores, que protegem seus filhos em demasia, não permitindo que eles tenham suas próprias experiências de trabalho, de relacionamento com superiores e desta forma não permitindo que venham a amadurecer. Futuramente quando precisarem de se posicionar diante de uma situação/circunstância ficarão inseguros!
> Não deixa pegar um ônibus, não deixa o filho fazer nenhuma tarefa em casa, não deixa o filho pegar um copo d’água. Não ensina a pescar, mas já dá o peixinho pescado, limpo, cozido e se possível até mastigado!!!
> Necessidade de ocupação. A pessoa ociosa corre dois perigos: Ou se envolve com quem e no que não deve ou fica depressiva. Pode conferir!!!
> Dê atividades aos seus filhos. Preencha o seu tempo com atividades. Dê pequenas atividades, inclusive domésticas para ele realizar. Ex. Jacó com seus filhos em Gênesis 42.1-3.

III.) Nunca se Esqueça do Princípio da Semeadura, ou Seja, Aquilo que Semearmos, Isso Colheremos – v. 4-9, 14
> Elucidar os versos 4-9,14
> Quanto às atitudes de Boaz:
– a forma carinhosa como ele cumprimenta os seus servos – v. 4
– o interesse por saber quem era Rute – v. 5-7
– a bondade dele para com Rute, mesmo sendo ela estrangeira – v. 8-9
– a hospitalidade e benevolência dele para com Rute – v. 14-17
> Ler Gálatas 6.7-10; Boaz colheu o que plantou, pois posteriormente casou-se com Rute!!!
esperanca> Quanto às atitudes de Rute: “O trabalho de Rute (v. 7), embora servil, cansativo e talvez degradante, foi feito fielmente. Qual é a sua atitude quando sua tarefa não corresponde com o seu verdadeiro potencial? Sua responsabilidade atual talvez seja tudo o que você pode fazer, ou possivelmente seja o trabalho que Deus quer que seja realizado. Ou, como no caso de Rute, provavelmente seja um teste para o seu caráter que pode abrir novas portas e oportunidades” (BEAP).

IV.) Nunca se Esqueça de que a Gratidão é uma das Mais Belas Virtudes que Devemos Buscar Desenvolver em Nossa Caminhada Cristã – v. 10, 13
> Elucidar os versos 10 e 13 – Notar a gratidão de Rute!
> Ser uma pessoa grata pode lhe abrir inúmeras portas no decorrer de sua existência. Ser ingrato pode fechar inúmeras portas!

V.) Nunca se Esqueça de que, Conforme Dizem as Escrituras, a Mulher Virtuosa Sempre Será Louvada – v. 11,12
> Elucidar os versos 11-12 – Notar os elogios que Boaz faz em relação a Rute
> A mulher virtuosa será louvada – Ler Pv. 31.30,31
> Ler também em Pv 31 os vs. 10-15, 25-29

VI.) Nunca se Esqueça de que Nunca é Tarde Demais para Mudar – v. 18-20
> Elucidar os versos 18-20 – Notar a mudança de atitude ocorrida em Noemi.
> Comparar Rt 1.13a, 19-21 com 2.20
> Há algo em você que você reconhece que está desagradando a Deus?
> Salmo 139.23-24: “Sonda-me, ó Deus…”

VII.) Nunca Deixe de Reconhecer que o Deus que Você Serve é o Deus da Providência e, Portanto, Ele Jamais se Esquecerá de Você – v. 3, 18-20
> Elucidar os versos 3, 18-20
> Boaz, como parente próximo de Noemi e de Rute, tinha o dever, segundo a lei de Moisés, de prover as necessidades das suas parentas – Dt 25.5-10
> Deus certamente está pontilhando os seus passos e caminhos. Creia em sua Providência sobre sua vida mesmo quando você não entende os seus caminhos!!!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra

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Série de Mensagens no Livro de Rute – Mensagem nº 01

ruteTexto: Rute 1.1-22 (ler inicialmente os v. 16,17).

Introdução
> O livro possui 4 capítulos onde é narrada uma história situada no período dos Juízes de Israel. O momento histórico exato não se conhece; Josefo, historiador judeu, opina que Rute é do tempo do sacerdote Eli.
> A narrativa mostra como Rute se tornou uma ancestral de Davi e de Jesus Cristo.
> Os eventos relatados no livro abrangem um período de cerca de 11 anos. A tradição judaica atribui a Samuel a autoria do livro.

Transição
> O texto nos traz algumas lições a serem observadas. Vejamos:

I.) Entenda que as Adversidades são uma Possibilidade – v. 1-5
> Todos estamos sujeitos a adversidades; mesmo o crente fiel e leal a Deus pode experimentar grandes adversidades no decorrer de sua vida.
> Noemi passou por fome, mudança drástica e pela morte de seu marido e seus dois filhos! Teve de enfrentar muito sofrimento.
> As adversidades não significam que Deus nos abandonou ou que nos está castigando.
> Precisamos ter em mente que Deus está no controle de todas as coisas – Rm 8.28,36.

II.) Entenda que é Necessário não se Entregar às Adversidades, mas se Levantar e Assumir as Responsabilidades que nos Cabem – v. 6,7 a
> Noemi poderia ter se entregado à situação, à depressão. Havia perdido o marido e seus dois únicos filhos. Todavia, se levantou, buscou saídas e alternativas para a situação. Ela era um referencial para suas noras, não podia lhes passar um mau exemplo.
> Mesmo em meio às nossas adversidades, existem pessoas que dependem de nós, que se espelham em nós. Se cairmos, elas também cairão. Se nos levantarmos, elas também se levantarão!
> Ex. do Guilherme quando eu estava enfrentando depressão.

III.) Entenda que Devemos Considerar as Necessidades dos Outros e não Somente as Nossas – v. 7 b –14
> “Mesmo angustiada, Noemi teve uma atitude generosa. Embora decidida a retornar a Israel, ela encorajou Rute e Orfa a ficarem em Moabe e recomeçarem suas vidas, apesar de isto significar grande sofrimento para ela. Como Noemi, devemos considerar as necessidades dos outros e não apenas as nossas […] quando você age de forma abnegada, outros são encorajados a seguir seu exemplo” (BEAP).
> Muitas vezes só pensamos em nós mesmos! Por nossa natureza caída temos a tendência ao egoísmo! Precisamos aprender a praticar o altruísmo (ação de amar ao próximo sem esperar nada em troca; dedicação demonstrada de maneira desinteressada; tipo de comportamento encontrado nos seres humanos e outros seres vivos, em que as ações de um indivíduo beneficiam outros).
> Esse tipo de atitude é fundamental em todos os níveis de relacionamento: conjugal, pais e filhos, irmãos, amigos, colegas, etc.

IV.) Entenda a Necessidade da Determinação (Decisão) e do Comprometimento – v. 15-18
> Rute estava decidida e determinada em ficar com Noemi. Certamente ela havia levado em consideração o custo desta escolha. Estava consciente de estar abandonando família, terra natal, cultura e religião!
> “Se não quiser adoecer, tome decisão. A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele” (Dr. Dráuzio Varela).
> Ex.: indecisão no trânsito é uma grande causa de acidentes!
> Rute se comprometeu com sua sogra, entendeu que Noemi precisaria de seu apoio e abriu mão de sua própria vida para não deixar Noemi só neste momento difícil; Rute foi muito fiel, leal, amiga e generosa. Belas qualidades a serem imitadas.
> Rute se comprometeu com o Senhor Deus Jeová. Lembre-se: ela havia levado em consideração o custo de sua escolha em todos os âmbitos. Temos calculado o custo de ser discípulos de Jesus? Temos nos comprometido com Jesus? (explicar a diferença entre se comprometer – porco – e se envolver – galinha).
> Como estão sua determinação e comprometimento?

V.) Entenda que a Amargura pode nos Levar a Pronunciar Palavras Insensatas e nos Impedir de Perceber o Cuidado de Deus – v. 13 b, 19-21
> Em momentos de intensa provação como as perdas que Noemi sofreu é natural que o ser humano expresse certo grau de amargura. Todavia, devemos tomar cuidado com palavras insensatas, de amargura, de reclamação, de murmuração, etc (ver Ml 3.13-15).
> A Amargura de Noemi impedia que ela percebesse o cuidado de Deus para com ela através da vida de Rute, apesar de todas as provações pelas quais passara. Deus proveria tudo para Noemi através de Rute!
> Mesmo em meio às maiores provações Deus pode estar cuidando de você sem que você esteja percebendo! E enquanto isso, muitas vezes, estamos pronunciando palavras insensatas!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra em 11.12.2014

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A Alimentação dos Cinco Mil e Algumas Aplicações Práticas

multiTexto: João 6.1-21; Ler inicialmente João 6. 10-13, 21

Introdução
> A alimentação dos cinco mil é o único milagre, exceto a ressurreição, registrado em todos os quatro Evangelhos. Enquanto João omitiu vários detalhes ambientais mencionados pelos outros evangelhos, ele acrescentou diversos dados pessoais em seu relato deste milagre, dados pessoais estes que vamos tentar explorar hoje nesta mensagem.

Transição: O texto nos mostra algumas Aplicações Práticas para as nossas vidas que podemos extrair desta passagem. Vejamos:

I.) Procure avaliar qual é sua verdadeira motivação em seguir a Jesus – v. 2
> elucidar vs. 2 e 15. A maior parte do povo estava seguindo a Jesus somente interessada nos milagres e curas que Ele realizava. Outros viam nEle a esperança do cumprimento das promessas messiânicas, mas com enfoque errado. Viam-no como Rei que poderia instalar um reino político e não como o Rei que veio para inaugurar o Reino de Deus, que tem princípios totalmente diferentes dos Reinos deste mundo.
> Temos seguido a Jesus apenas com interesses egoístas? Temos usado Jesus como um simples “Filtro de papel Melita”? Temos estado interessados somente nas bênçãos e prosperidade que Ele pode nos dar?
> Ou temos seguido a Jesus porque o amamos e reconhecemos que somente nEle há salvação? Porque queremos ser seus discípulos totalmente dispostos a pagar o preço do discipulado? Porque queremos se associar a Ele para vermos o seu reino implantado na face da terra?
> Seguir a Cristo e o evangelho não é pensarmos somente em nós mesmos (como muitas igrejas estão levando as pessoas a pensarem). É justamente o oposto. É abrirmos mão de nós mesmos, é renuncia, é entrega, é morte!

II.) Procure entender que Jesus sempre permitirá situações para nos experimentar e provar – v. 5-7
> Elucidar vs. 5-7. Jesus estava experimentando, provando Filipe. Queria avaliar a qualidade de sua fé. Queria ver se sua fé estava aprovada.
> Da mesma forma Jesus permite situações em nossas vidas (mesmo sabendo exatamente o que está para fazer – ver v. 6b), para avaliar a qualidade de nossa fé, para ver se nossa fé está aprovada?
> Como temos reagido? Com fé na Palavra de Deus, ou colocando nossos olhos apenas nas circunstâncias e nas impossibilidades como fez Filipe?

III.) Procure encontrar algum tipo de solução ao seu redor, por menor que seja, e por maiscinco-paes-e-dois-peixinhos improvável que pareça – v. 8-9
> Elucidar vs. 8-9. Mesmo também demonstrando certo grau de incredulidade, André ao menos ousa arriscar uma solução, se “atreve” a apontar uma saída.
> Recuse-se a olhar somente para a escuridão à sua volta. Ouse acender uma luz, nem que seja um pequeno palito de fósforo.
> Ex.: Jacó quando pediu a Labão que o seu salário fosse a parte malhada e salpicada do rebanho; José que não se entregou à depressão na prisão, encontrando (em Deus em primeiro lugar) no trabalho e na oportunidade de ser benção para as vidas daqueles presos uma motivação para continuar vivendo; Davi encontrou a testa de Golias; Os homens que desceram um paralítico pelo telhado para este ser curado por Jesus; André ao informar a Jesus a respeito dos 5 pães e 2 peixes do garoto!
> Será que realmente não há nenhum tipo de saída, de solução ao seu redor, por menor que seja e por mais improvável que pareça?

IV.) Procure compreender que Deus pode multiplicar o pouco, desde que estejamos dispostos a colocá-lo em suas mãos – v, 9-13
> Muitas vezes passamos por este texto e nos esquecemos de perceber que o rapaz prevenido (possivelmente o único entre cinco mil homens) se dispôs a repartir o que tinha. Colocou à disposição de Jesus o pouco que tinha e este pouco veio a ser muito. Se o rapaz não houvesse se disposto a repartir e a colocar nas mãos de Jesus o pouco que tinha, talvez este milagre tão conhecido jamais tivesse acontecido.
> Ex.: Viúva de Sarepta. Tinha apenas um pouco de azeite e um punhado de farinha para preparar sua última refeição. Todavia, se dispôs a repartir com o profeta (consagrando assim o que tinha a Deus), e o milagre aconteceu, sustentando-os assim até o fim daquele período de seca.
> O que você tem? Sua vida tão limitada e falha? Seus dons e talentos que você considera tão pequenos? Seu pequena oferta ou dízimo?
> Você está disposto a colocar, a consagrar este pouco nas mãos do Senhor? Então prepare-se, pois a multiplicação está a caminho.

V.) Procure recordar que Cristo pode acalmar as tempestades de nossas vidas, sejam elas quais forem – v. 16-21
> As lutas e tribulações da vida podem ser comparadas com um bravio mar pronto a nos tragar. Quais são as tempestades que você tem enfrentado? Enfermidades pessoais ou de ente queridos? Lutas financeiras? Problemas no lar? Angústia interior?
> Você já convidou Jesus a entrar no barco da sua vida?
> Para que nossa existência chegue ao destino certo e seguro é imprescindível que Jesus esteja no barco de nossas vidas.

Pr. Ronaldo Guedes Beserra em 09.07.2005

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Mensagem Especial de Natal

cena_5_jesus_bdz5t11Texto: Lucas 2.1-18; Ler inicialmente Lc 2.10,11.

Introdução
– O inimigo sempre procura tirar os holofotes de Jesus, pois ele sabe que Ele é “… o caminho, e a verdade, e a vida …” (Jo 14.6) e que “… conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará … (Jo 8.32). Estratégias malignas: Árvore de Natal, Papai Noel, Presentes, Comidas, Coelho da Páscoa, Chocolate, etc. Devemos ter equilíbrio aqui. Você pode comprar presentes no Natal, fazer uma bela ceia, comer chocolate na Páscoa, mas cuidado para não perder o foco. E o nosso foco é a vida e a obra de Cristo.
– O nascimento de Jesus não se deu nesta época do ano. O recenseamento (Lc 2.1-3) dificilmente ocorreria no inverno (A estação corrente em dezembro na Palestina é o inverno!). Alguns estudiosos dizem que a viagem para Belém se deu no verão do ano 4 a.C. Outros acreditam que tenha sido na estação da primavera (maio- junho).
– O fato é que convencionou-se comemorar o nascimento de Jesus em dezembro. Seria estranho marcar um culto de Natal para o meio do ano, enquanto o mundo inteiro o comemora agora! Seja como for…

Transição
– Os eventos do nascimento de Jesus nos trazem alguns ensinamentos preciosos. O texto nos mostra alguns ensinamentos que podemos aprender com os eventos do nascimento de Jesus.

I.) Deus Sempre Cumpre Suas Promessas e Profecias – v.1-7
– A promessa da vinda de um Salvador esteve presente em todo o AT desde Gn 3.15 e aqui ela se cumpre! Mas Deus havia revelado que o Messias nasceria em Belém (Mq 5.2). Veja o que Deus fez para que sua profecia se cumprisse conforme havia sido predita (v.1-7)!
– “E tu, Bélem-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Mq 5.2).
– As promessas e profecias que Deus tem para sua vida certamente se cumprirão, nem que para isso Ele tenha que mover céus e terra e intervir em impérios!
– A Palavra de Deus tem promessas e profecias sobre a segunda vinda de Cristo e adverte-nos a estarmos preparados para esta segunda vinda. Assim como Deus cumpriu as promessas e profecias sobre a primeira vinda de Cristo, também cumprirá as promessas e profecias sobre a sua segunda vinda! Você está preparado?

II.) Deus Continua a Revelar que os Valores de Seu Reino são Diferentes dos Valores deste Mundo – v. 7-14
– Deus, já a partir do nascimento do Salvador começa a demonstrar que valores e princípios do seu reino são totalmente opostos aos princípios e valores deste mundo.
– Jesus nasceu em uma manjedoura (v.7). Que paradoxo! Segundo valores humanos, o Rei dos reis deveria nascer em um berço de ouro. Mas Jesus não nasce nem em uma hospedaria e sim em uma estrebaria/ estábulo (a manjedoura era uma espécie de caixa em que se dava comida aos animais). Por que?
– Porque desde o seu nascimento Ele veio para ensinar a humildade. A
natureza humana caída se inclina para a soberba, a arrogância e a ostentação. Ex. Os discípulos disputando para ver quem seria o maior! Hoje parece que existe esta disputa até entre os evangélicos (maior igreja; maior templo; maior evento; maior grupo de louvor; melhor rádio, etc). Se Jesus que era o Filho de Deus, se humilhou (Fp 2.5-8), quem somos nós para querermos nos exaltar? Ele nasceu em uma manjedoura para começar a nos dar o exemplo de humildade!
– Quando seguimos o exemplo de humildade de Jesus, o próprio Deus a seu tempo nos exaltará (Ver Fp 2.9-11 e texto abaixo).
– “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte …” (1 Pe 5.6).
– O anúncio do nascimento do Salvador do mundo foi feito primeiro a um grupo de pastores humildes. Deus confiou o mais importante anúncio público da história a pastores comuns! Não falou primeiro a reis, sacerdotes, príncipes ou religiosos, mas com pessoas simples. Por que?
– Aqui, Deus compartilha outro princípio e valor do seu reino:
– “… Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelastes aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado” (Lc 10.21).
– “Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação … Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios …” (1 Co 1.26-29).

nascimento_de_jesus_3545III.) Deus Espera uma Reação Adequada à Sua Revelação – v.15-18
– Os pastores foram até Belém para ver in loco o que lhes tinha sido passado pelos anjos (v.15-16). Devemos conferir aquilo que nos está sendo passado. Ver exemplo dos Bereanos em Atos 17.11
– Ao conferirem o que lhes tinha sido passado pelos anjos, os pastores anunciaram as boas-novas (v. 17-18). Deus nos tem revelado a Sua Salvação através de Sua Palavra, de Seu Filho Jesus Cristo. Você tem anunciado a outros esta revelação? Ou tem guardado apenas para você?

Conclusão
– Em Lucas 2.11, o anjo do Senhor anuncia “… que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor”.
– A palavra Cristo é a versão grega da palavra Messias no hebraico. Ambas querem dizer “o Ungido”. Jesus é o Ungido de Deus há muito aguardado.
– Ele também é o Salvador, é o único que pode nos salvar dos nossos pecados e da condenação eterna. Ele é o nosso salva-vidas. Ele é o único que pode nos reconduzir a Deus e nos dar a vida eterna.
– Mas Ele também é Senhor. Senhor significa dono, soberano, aquele que tem o direito sobre todas as áreas de nossas vidas. Você tem permitido que Ele seja, além de Salvador, também o Senhor de sua vida?

Pr. Ronaldo Guedes Beserra em 17.12.2004

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A Vitória que Vence o Mundo: a Nossa Fé

Texto: 1 João 5.4b,5117148078

Introdução
> “… e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? (1 João 5:4b,5).
> Vivemos em um mundo de incertezas: conflitos sociais, guerras, corrupção de toda espécie, disputa por poder, cercados por ciúmes e inveja, sociedade desestruturada, famílias desestruturadas. Incertezas podem gerar ansiedade.
> Como ser vitorioso diante de um quadro tão negativo que nos cerca? Através da fé! Ver também Hb 11.1,6.

Transição
> A Bíblia nos ensina algumas características da fé que vence o mundo:

1.) É aquela com a qual você passa a olhar para você mesmo pela perspectiva de Deus e não com a perspectiva humana
> Ex. Gideão – Jz 6.11-16
> Outros exemplos: Moisés, Isaías, Jeremias.

2.) É aquela que não fica lamentando o que passou, mas projeta alcançar o que está à frente
> Quando enfrentamos uma situação difícil só temos duas opções: (1) murmurar, reclamar, se entregar, ter uma visão pessimista, dar lugar à dúvida, à incredulidade; (2) esquecer o que passou, e ir para frente, seguir adiante.
> Ver Fp 3.13-14

3.) É aquela que identifica a situação indesejável, traça uma meta e traça um plano para se alcançar a meta estipulada
> Identificar o problema; estabelecer um alvo; estabelecer uma estratégia para se alcançar o alvo
> Ex. Fazer uma viagem: Estou cansado; preciso descansar; vou viajar; para tal lugar, por tal caminho, por tantos dias, etc.
> Ex. Neemias (Ne 6.15) – em 52 dias os muros estavam restaurados
> A importância de se estabelecer metas, alvos (podem até não serem alcançados, mas fará com que saiamos do lugar!).

4.) É aquela que encontra oportunidades em meio às dificuldades
> Ex. Davi ao enfrentar Golias (1 Sm 17.49): Que testão!
> É aquela que nunca deixa de crer mesmo diante de obstáculos demasiadamente difíceis e até impossíveis
> Jamais rejeite uma ideia por ser impossível, jamais desista por ter chegado ao fim do caminho. Procure outra estrada e siga adiante!

5.) É aquela que não é passiva, e sim ativaCouple praying together
> Ex. travessia do rio Jordão – Js 3.14-16
> Não peça para Deus abrir o mar para que você passe. Entre no mar, coloque os pés na água e certamente Deus abrirá o mar.
> O que temos que fazer, Deus não fará por nós.
> Deus ressuscita o Lázaro, mas nós temos que remover a pedra!

VI.) É aquela que deposita sua esperança, sua confiança, na bendita pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo
> Rever texto base da mensagem: 1 João 5.4b,5
> Você pode cumprir todos os pontos anteriores desta mensagem, todavia sem este ultimo ponto sua fé será incompleta!
> Jo 14.6; 1 Tm 2.5
> Pessoas podem até mesmo alcançar grandes conquistas, todavia, sem Jesus como Salvador e Senhor, jamais haverá verdadeira vitória!

Pr. Ronaldo Guedes Beserra

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Soteriologia: Chamado Eficaz, Conversão, Arrependimento, Fé e Regeneração

jesus_o_pastor_com_as_ovelhasO texto abaixo é um resumo baseado nos livros “Introdução à Teologia Sistemática” de Millard J. Erickson, 1ª edição, 1997, p. 391-402 e “Conhecendo as Doutrinas da Bíblia” de Myer Pearlman, 18ª impressão, 1992, p. 154-156.

I.) O Chamado Eficaz
Evidencia-se pelas Escrituras que existe um chamado geral para a salvação, um convite estendido a todas as pessoas (Mt 11.28). Quando Jesus disse: “Muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (Mt 22.14), é provável que estivesse fazendo referência ao convite universal de Deus. Mas note aqui a distinção entre chamados e escolhidos. Os que são escolhidos são os objetos do chamado especial ou eficaz de Deus. Por chamado especial entende-se que Deus atua de forma particularmente eficaz com os eleitos, dando-lhes condições de reagir com arrependimento e fé, e fazendo com que de fato assim reajam. As circunstâncias do chamado especial podem variar amplamente. Vemos Jesus lançando convites especiais aos que vieram a formar o círculo fechado de discípulos (Mt 4.18-22; Mc 1.16-20; Jo 1.35-51). Ele destacou Zaqueu para lhe dar atenção especial (Lc 19.1-10). Vemos outra intervenção dramática de Deus na conversão de Saulo (At 9.1-19). Às vezes, seu chamado assume uma forma mais tranquila (At 16.14). O chamado especial é, em grande medida, a obra de iluminação do Espírito Santo, dando ao receptor a capacidade de compreender o verdadeiro significado do evangelho (ERICKSON, 1997).

II.) A conversão
O primeiro passo da vida cristã é chamado conversão. É o ato de deixar o pecado em arrependimento e voltar-se para Cristo em fé (Ez 18.30-32; Ef 5.14). A conversão é um ato único que possui dois aspectos distintos mas inseparáveis: o arrependimento e a fé. Arrependimento é o ato de o incrédulo dar as costas para o pecado, e fé, seu ato de voltar-se para Cristo. Em certo sentido, um é incompleto sem o outro, e um é motivado pelo outro. As Escrituras não nos especificam a quantidade de tempo implicada na conversão. Em algumas ocasiões (ex. Pentecostes) parece ter ocorrido uma decisão cataclísmica, com a mudança acontecendo praticamente em segundos. Para algumas pessoas, porém, a conversão foi mais um processo (ex. Nicodemos; veja Jo 19.39). De modo semelhante, as reações emocionais que acompanham a conversão podem variar em muitos aspectos. A conversão de Lídia a Cristo parece ter sido muito simples e calma quanto à natureza (At 16.14). Por outro lado, uns poucos versículos adiante, lemos sobre o carcereiro filipense que, tremendo, clamou: “Que devo fazer para ser salvo?” (v. 30). As experiências de conversão deles foram muito diferentes, mas o resultado final foi o mesmo. É importante não exigir que os incidentes ou os fatores externos da conversão sejam idênticos para todos. É importante também fazer distinção entre conversão e conversões. Só existe um grande ponto na vida em que o indivíduo volta-se para Cristo em resposta à sua oferta de salvação. Pode haver outros pontos em que os crentes precisem abandonar determinada prática ou crença para não retornar à vida de pecado. Esses eventos, porém, são secundários, reafirmações daquele grande passo já dado. Diríamos que podem ocorrer muitas conversões na vida cristã, mas apenas uma Conversão (ERICKSON, 1997).

III.) O arrependimento
É o abandono ou o repúdio do pecado. Baseia-se num sentimento piedoso de pesar pelo mal que fizemos. Salienta a importância de uma separação moral consciente, a necessidade de abandonar o pecado e de ter comunhão com Deus (At 2.38). Não podemos deixar de nos impressionar com a importância do arrependimento como pré-requisito para a salvação. Ele não é opcional, mas indispensável. O fato de pessoas em muitas culturas diferentes serem instadas a se arrepender mostra que não é uma mensagem para umas poucas situações locais específicas. Antes, o arrependimento é uma parte essencial do evangelho cristão. Ele foi proeminente na pregação de João Batista e de Jesus (Mt 3.2, 4.17). E Paulo declarou em sua mensagem aos filósofos no Areópago: “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (At 17.30). Esta última declaração é significativa por ser universal: “todos, em toda parte”. Não há dúvida, portanto, de que o arrependimento é parte inextirpável da mensagem do evangelho. O verdadeiro arrependimento é lamentar o pecado por causa do erro cometido contra Deus. Esse pesar é acompanhado de um desejo genuíno de abandonar tal pecado. A repetida insistência da Bíblia na necessidade do arrependimento é um argumento irrefutável contra o que se chama de “graça barata”. Não basta simplesmente crer em Jesus e aceitar a oferta da graça; é preciso que haja uma alteração real no interior da pessoa, Lc 9.23 (ERICKSON, 1997).

IV.) A fé139_fe
Um dom tem que ser aceito. Qual é o instrumento que se apropria da justiça de Cristo? A resposta é: “pela fé em Jesus Cristo.” A fé é a mão, por assim dizer, que recebe o que Deus oferece. Esta fé é despertada no homem pela influência do Espírito Santo, em conexão com a Palavra. A fé lança mão da promessa divina e apropria-se da salvação. Ela conduz a alma ao descanso em Cristo como Salvador; concede paz à consciência; dá esperança consoladora do céu; é rica em boas obras. Não existe mérito nessa fé, como não cabem elogios ao mendigo que estende a mão para receber uma esmola. A fé se opõe às obras quando por obras entendemos boas obras que a pessoa faz com o intuito de merecer a salvação (Gl 3.11). Entretanto, uma fé viva produzirá obras (Tg 2.26), tal qual uma árvore viva produzirá frutos. A fé é justificada e aprovada pelas obras (Tg 2.18), assim como o estado de saúde das raízes duma boa árvore é indicado pelos frutos. A fé se aperfeiçoa pelas obras (Tg 2.22), assim como a flor se completa ao desabrochar. As obras são o resultado da fé, a prova da fé, e a consumação da fé. Imagina-se que haja contradição entre os ensinos de Paulo e de Tiago. O primeiro, aparentemente, teria ensinado que a pessoa é justificada pela fé, o ultimo que ela é justificada pelas obras. (Ver Rm 3.20 e Tg 2.14-16). Contudo, uma compreensão do sentido em que eles empregaram os termos, rapidamente fará desvanecer a suposta dificuldade. Paulo está recomendando uma fé viva que confia somente no Senhor; Tiago está denunciado uma fé morta e formal que representa, apenas, um consentimento mental. Paulo está rejeitando as obras mortas da lei, ou obras sem fé; Tiago está louvando as obras vivas que demonstram a vitalidade da fé. A justificação mencionada por Paulo refere-se ao início da vida cristã; Tiago usa a palavra com o significado de vida de obediência e santidade como evidência exterior da salvação. Paulo está combatendo o legalismo, ou a confiança nas obras como meio de salvação; Tiago está combatendo antinomianismo, ou seja, o ensino de que não importa qual seja a conduta da pessoa, uma vez que creia. Paulo e Tiago não são soldados lutando entre si; são soldados da mesma linha de combate, cada qual enfrentando inimigos que os atacam de direções opostas (PEARLMAN, 1992).
Devemos notar que, embora tenhamos retratado a conversão como a resposta humana para a iniciativa divina, mesmo o arrependimento e a fé são dádivas de Deus. Jesus deixou muito claro que a convicção do pecado, que é pressuposta pelo arrependimento, é obra do Espírito Santo (Jo 16.8-11). Jesus também disse: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44). Assim, tanto o arrependimento como a fé são obras da graça de Deus na vida do que crê (ERICKSON, 1997).

V.) A regeneração
A conversão diz respeito à nossa resposta à salvação e à aproximação que Deus oferece à humanidade. A regeneração é o outro lado da conversão. É obra de Deus. É a transformação que Deus opera nos indivíduos que creem, seu ato de conceder uma nova vitalidade e direção espiritual à vida deles quando aceitam a Cristo. A natureza humana necessita de transformação. O ser humano está espiritualmente morto e, portanto, precisa do novo nascimento. É necessária alguma mudança radical ou uma metamorfose, em lugar de uma simples modificação ou de um ajuste na pessoa (conversa de Jesus com Nicodemos em Jo 3). Regeneração implica algo novo, uma reversão total das tendências naturais da pessoa. Não é uma simples amplificação de características presentes, pois uma faceta da regeneração implica entregar à morte ou crucificar qualidades existentes. Implica uma neutralização dos efeitos do pecado. O novo nascimento é a restauração da natureza humana ao que se desejava originalmente e ao que era de fato antes de o pecado entrar na raça humana por ocasião da queda. Ele é ao mesmo tempo o início de uma nova vida e um retorno à vida e à atividade antiga. Parece que o novo nascimento é, em si, instantâneo. Nada nas descrições do novo nascimento dá a entender que seja um processo. A Escritura fala que os crentes “nascem de novo” ou “nasceram de novo”, não que “estão nascendo de novo” (Jo 1.12,13; 2 Co 5.17; Ef 2.1, 5, 6; Tg 1.18; 1 Pe 1.3, 23; 1 Jo 2.29; 5.1, 4). Embora talvez não seja possível determinar o momento exato do novo nascimento e possa haver toda uma série de antecedentes, parece que o novo nascimento em si é completamente instantâneo. Apesar de a regeneração se completar instantaneamente, não é um fim em si. É o início de um processo de crescimento que continua ao longo da vida: a santificação (Fp 1.6). O novo nascimento é uma ocorrência sobrenatural. Não é algo alcançado pelo esforço humano. É especialmente obra do Espírito Santo. Embora a salvação tenha sido planejada e originada pelo Pai e de fato concretizada pelo Filho, é o Espírito Santo quem a aplica à vida do que crê (ERICKSON, 1997).

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HARMONIA DOS EVANGELHOS

A presente harmonização dos Evangelhos é um esboço da Vida de Cristo apresentado e trabalhado no livro “Harmonia dos Evangelhos” de S. L. Watson e W. E. Allen, editora Juerp, 7ª edição, 1988.

PRIMEIRA PARTE
TRINTA ANOS PREPARATÓRIOSevangelhos-não-canônicos

I. Introdução
1. Prefácio do Evangelho de Lucas
2. Prólogo do Evangelho de João

II. Prenúncios do nascimento de Jesus
3. Duas genealogias de Jesus
4. Anunciação do nascimento de João Batista
5. O nascimento de Jesus anunciado à virgem Maria
6. A virgem Maria visita Isabel
7. Nascimento de João Batista
8. Anunciação a José do nascimento de Jesus

III. Nascimento e infância de Jesus
9. O nascimento de Jesus
10. Os anjos e os pastores
11. A circuncisão de Jesus
12. Sua apresentação no templo
13. Magos do oriente o visitam
14. A fuga para o Egito e a matança dos infantes
15. A volta do Egito para Nazaré.

IV. Sua vida em Nazaré
16. Sua meninice ali
17. Aos doze anos visita Jerusalém
18. Mais dezoito anos em Nazaré

SEGUNDA PARTE
INÍCIO DO MINISTÉRIO DE JESUS
Desde o aparecimento do Precursor até o aprisionamento deste

V. Os começos da pregação do evangelho
19. João Batista inicia o seu ministério
20. O batismo de Jesus
21. A tentação de Jesus
22. O testemunho de João perante uma comissão vinda de Jerusalém
23. João identifica o Cordeiro de Deus
24. Os primeiros discípulos de Jesus
25. O primeiro milagre de Jesus
26. A primeira estada de Jesus em Cafarnaum

VI. O ministério inicial de Jesus na Judéia
27. Jesus efetua a primeira purificação do templo
28. A situação de Jesus durante a primeira páscoa do seu ministério
29. Nicodemos em entrevista com Jesus
30. Os ministérios de Jesus e João em paralelo

VII. Um ministério de dois dias numa aldeia dos samaritanos
31. Razões pelas quais deixou a Judeia
32. Jesus evangeliza a mulher samaritana e a cidade de Sicar
33. Sua chegada à Galiléia

TERCEIRA PARTE
SEU GRANDE MINISTÉRIO NA GALILÉIA
Desde o aprisionamento de João Batista até a primeira multiplicação dos pães

VIII. Os começos do ministério galileu
34. Os prefácios sinóticos deste ministério
35. Cura do filho de um oficial do rei
36. A primeira rejeição de Jesus pelo povo de Nazaré
37. Deixando Nazaré, fixa residência em Cafarnaum
38. Chama quatro pescadores para serem pescadores de homens
39. Pelos seus sublimes ensinos e pela cura dum endemoninhado, Jesus causa grande admiração em Cafarnaum
40. Jesus cura a sogra de Pedro e muitos outros

IX. A par de sua fama crescente, cresce também a hostilidade contra Jesus
41. Sua primeira viagem pela Galiléia
42. A cura dum leproso causa grande excitação popular
43. Jesus cura um paralítico descido pelo telhado
44. Jesus chama a Mateus o qual lhe oferece um banquete
45. Profere três parábolas em defesa dos discípulos quando criticados por não jejuarem
46. Jesus defende a cura, num sábado, dum enfermo em Jerusalém
47. Jesus defende os discípulos da crítica que lhes foi feita por terem colhido espigas num sábado
48. Também defende a cura, num sábado, da mão mirrada dum homem

X. Jesus dá um novo passo: funda uma organização e proclama um código
49. Hostes volúveis de toda parte, afluindo à presença de Jesus, atestam a sua larga fama
50. Jesus escolhe doze discípulos, constituindo assim a primeira unidade orgânica do seu reino
51. No sermão do monte Jesus proclama um código para o seu reino

XI. Transição: Jesus age ainda sozinho, embora tendo chamado os doze
52. Cura em Cafarnaum o servo de um centurião
53. Ressuscita o filho duma viúva da cidade de Naim
54. A última comunicação entre João e Jesus
55. Ais sobre as cidades impenitentes; pronunciamento acerca do Pai; convite aos aflitos
56. Uma pecadora unge os pés de Jesus em casa de Simão o fariseu

XII. Jesus intensifica a propaganda do reino, viajando, curando e instruindo por meio de parábolas
57. Na sua segunda viagem pela Galiléia, Jesus é acompanhado pelos doze e por um grupo de mulheres que lhe ministravam dos seus bens
58. Jesus, acusado blasfemamente de expulsar demônios por Belzebu, rebate essa acusação
59. Escribas e fariseus exigem de Jesus um sinal
60. A família espiritual de Jesus
61. Primeiro grande grupo de parábolas no qual combate os fariseus e instrui os discípulos
62. Jesus acalma uma tempestade
63. Cura os gadarenos possessos de uma legião de demônios
64. Ressuscita a filha de Jairo e cura uma mulher que lhe tocara o manto
65. Cura dois cegos e um mudo; outra acusação blasfema

XIII. Jesus prossegue na sua grande atividade de doutrinação e evangelização
66. É rejeitado pela segunda vez em Nazaré (última visita a esta cidade)
67. Envia os doze dois a dois na sua frente, e enceta a sua terceira viagem pela Galiléia
68. Herodes Antipas perturbado por ter degolado João Batista

QUARTA PARTE
A ÉPOCA DAS RETIRADAS: UM PERÍODO DE INSTRUÇÃO ESPECIAL AOS DOZE

XIV. Primeira retirada e eventos subsequentes
69. Primeira tentativa de retirada e primeira multiplicação dos pães e peixes
70. Jesus desvia as multidões do propósito de o fazerem rei, isto é, um messias político
71. Jesus, andando sobre o mar revolto, aparece aos discípulos
72. Tendo chegado a Genezaré, continua fazendo muitas curas
73. Seu discurso sobre o pão da vida
74. Os discípulos acusados de transgredirem as leis cerimoniais

XV. Viagem ao norte pela Fenícia e a volta a Decápolis
75. A segunda retirada; cura da filha da siro-fenícia
76. Jesus prossegue na viagem, rodeando para o norte, o leste e o sul até Decápolis, curando muitos e multiplicando por fim os pães e peixes para quatro mil pessoas
77. Forte oposição da parte dos fariseus e saduceus

XVI. Retirada para a região de Cesaréia de Filipe
78. Terceira retirada (a qual é a segunda para o norte), o aviso aos discípulos contra o fermento dos fariseus e a cura de um cego em Betsaida Júlias
79. A grande confissão dos discípulos, sendo Pedro seu intérprete
80. Jesus prediz a sua morte e ressurreição e exorta todos à renúncia própria; a segunda vinda
81. A transfiguração de Jesus, e duas questões por ela suscitadas
82. Jesus cura um jovem endemoninhado que os discípulos não puderam curar
83. Voltando secretamente pela Galiléia, Jesus prediz novamente a sua morte e ressurreição

XVII. De volta da terceira retirada, Jesus passa alguns dias em Cafamaum com os doze, antes de subir à festa dos tabernáculos
84. Jesus paga o sagrado tributo do templo, com um estáter encontrado na boca de um peixe
85. Os doze contendem pela preeminência no reino e Jesus lhes dá uma lição de humildade
86. O zêlo imprudente de João suscita do Mestre lições sobre tropeços
87. O espírito de conciliação e perdão com que se deve tratar a um irmão ofensor
88. Jesus requer renúncia própria de seus seguidores (cfr. 80).
89. Jesus rejeita o conselho de seus irmãos incrédulos quanto à publicidade da sua obra
90. Jesus, indo a Jerusalém, passa secretamente por Samaria, onde a oposição dos habitantes irrita os discípulos

QUINTA PARTE
O MINISTÉRIO ULTERIOR NA JUDÉIACristo_774423686_17_cristo

XVIII. O ensino de Jesus por ocasião da festa dos tabernáculos
91. Estando a festa já em meio, chega Jesus e se põe a ensinar no templo, causando assim grande sensação
92. O caso da mulher adúltera
93. Jesus se declara luz do mundo; os fariseus, encolerizados pelas suas pretensões messiânicas, travam com ele forte controvérsia e acabam procurando matá-lo
94. A sensacional cura do cego de nascença
95. A parábola do bom pastor

XIX. Ministério na Judéia fora de Jerusalém
96. A missão dos setenta
97. Pela parábola do bom samaritano Jesus interpreta a lei do amor ao próximo para o doutor da lei que o tentava
98. Diante da queixa de Marta, Jesus defende Maria por ter escolhido a boa parte
99. Pela segunda vez Jesus ensina os discípulos a orar
100. Uma cura sensacional e uma acusação blasfema
101. Jesus, estando à mesa de um fariseu, lança veementes ais contra os escribas, fariseus e doutores da lei
102. Tendo-se ajuntado muitos milhares de pessoas, Jesus pronuncia um poderoso discurso
103. Jesus aproveita dois acontecimentos contemporâneos e a parábola da figueira para ensinar a urgente necessidade de arrependimento
104. Jesus, num sábado, cura uma mulher encurvada e defende o ato diante da crítica do príncipe da sinagoga
105. Jesus, na festa da dedicação, ainda é acossado pelos judeus e retira-se de Jerusalém

SEXTA PARTE
MINISTÉRIO DE JESUS NA PERÉIA

XX. O trabalho de Jesus na Peréia até a morte de Lázaro
106. Jesus retira-se de Jerusalém para Betânia de Além-Jordão, onde João batizava no princípio do seu ministério
107. Depois de certa demora em Betânia, Jesus percorre as cidades e aldeias da Peréia, ensinando e caminhando novamente para Jerusalém
108. Avisado de que Herodes Antipas o quer matar, responde com santa altivez e conhecimento de causa
109. Jesus cura no sábado um hidrópico, logo se defendendo e prosseguindo com vários ensinos
110. Jesus ensina a uma grande multidão o custo de ser discípulo dele
111. Três parábolas sobre a graça: a ovelha perdida, a moeda perdida e o filho perdido
112. Duas parábolas sobre a mordomia: a do mordomo infiel e a do rico e Lázaro
113. Três virtudes recomendadas: magnanimidade, fé e modéstia cristãs

XXI. O ministério pereu interrompido pela morte de Lázaro
114. Jesus ressuscita a Lázaro
115. A trama contra a vida de Jesus
116. Jesus cura dez leprosos
117. O advento do reino messiânico
118. Duas parábolas sobre a oração: a da viúva importuna e a do fariseu e o publicano

XXII. Final do ministério pereu
119. A questão do divórcio
120. Jesus abençoa algumas crianças de tenra idade
121. O jovem rico suscita de Jesus ensinos sobre o perigoso apego às riquezas

XXIII. Subindo a Jerusalém
122. Jesus prediz pela terceira vez a sua paixão
123. A ambição descabida de Tiago a João provoca de Jesus ensinos sobre como ser primus inter pares
124. Jesus cura dois cegos perto de Jericó
125. Jesus visita a Zaqueu
126. A parábola das dez minas

SÉTIMA PARTE
ÚLTIMA SEMANA DO MINISTÉRIO DE JESUS E SUA CRUCIFICAÇÃO

XXIV. Jesus termina o seu ministério público
127. Cochicham em Jerusalém a respeito de Jesus, e em Betânia procuram-no e a Lázaro para os matarem
128. A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém como o Messias
129. A figueira infrutífera amaldiçoada
130. A segunda purificação do templo
131. Alguns gregos procuram uma entrevista com Jesus
132. A figueira infrutífera achada seca
133. Jesus responde aos principais sacerdotes e anciãos quanto à autoridade com que ele agia
134. Jesus responde ao segundo interrogatório malicioso: sobre o tributo
135. Jesus responde ao terceiro interrogatório: sobre a ressurreição
136. Jesus responde ao quarto interrogatório: sobre o primeiro mandamento
137. Jesus ainda confunde os inimigos com uma pergunta a respeito dele mesmo
138. Jesus denuncia fortemente os escribas e fariseus no seu último discurso público
139. Jesus destaca, com louvor, a pequena oferta duma viúva pobre
140. Jesus é rejeitado pelos judeus

XXV. Jesus, à sombra da cruz, esforça-se no sentido de preparar os discípulos para o que havia de acontecer
141. O grande discurso escatológico de Jesus: a destruição de Jerusalém
142. O grande discurso escatológico de Jesus: transição da destruição de Jerusalém para a sua segunda vinda
143. O grande discurso escatológico de Jesus: a sua segunda vinda; galardão e retribuição
144. Jesus prediz a sua próxima crucificação enquanto elementos do sinédrio tramam a morte dele
145. Jesus ungido para a sepultura numa festa em Betânia
146. Judas combina com os principais sacerdotes a traição de Jesus
147. A páscoa: Jesus manda fazer os preparativos
148. A páscoa: Jesus a celebra com os doze
149. A páscoa: Jesus resolve a contenda ambiciosa entre os discípulos
150. A páscoa: Jesus à mesa com os discípulos lava-lhes os pés
151. A páscoa: Jesus prediz a sua traição por Judas
152. A páscoa: Jesus prediz que Pedro o negará
153. A páscoa: Jesus dá alguns rápidos ensinos, inclusive o novo mandamento
154. A páscoa: Jesus dá uma lição enigmática sobre a espada e outras coisas materiais
155. A páscoa: Jesus institui a ceia memorial
156. Jesus, o Mestre, faz um discurso de despedida aos discípulos
157. Jesus, o divino mediador, faz uma grande oração intercessória

XXVI. Sofrimento e morte de Jesus pelo pecado do mundo
158. Jesus no Getsêmane sofre horrenda agonia
159. Jesus no Getsêmane é traído, preso e abandonado
160. Jesus sendo processado: perante as autoridades judaicas — diante de Anás, interrogado e ferido
161. Jesus sendo processado: perante as autoridades judaicas — diante de Caifás e do sinédrio; interrogado, zombado, esbofeteado e condenado
162. Jesus sendo processado: perante as autoridade judaicas — diante de Caifás e do sinédrio; três vezes negado por Pedro
163. Jesus sendo processado: perante as autoridades judaicas — diante de Caifás e do sinédrio é formalmente condenado para ser entregue a Pilatos
164. Jesus sendo processado: sendo ele conduzido a Pilatos, Judas, roído de remorsos, suicida-se
165. Jesus sendo processado: perante as autoridades romanas — diante de Pilatos pela primeira vez, é interrogado
166. Jesus sendo processado: perante as autoridades romanas — diante de Herodes Antipas, interrogado e escarnecido
167. Jesus sendo processado: perante as autoridades romanas — diante de Pilatos pela segunda vez, finalmente açoitado, escarnecido, condenado e sentenciado
168. Jesus sofre, maltratado, pelos soldados romanos
169. Jesus sofre pela via dolorosa desde o pretório (Forum) até o Calvário
170. Jesus crucificado: as três primeiras horas na cruz
171. Jesus crucificado: as três últimas horas na cruz; reina a escuridão, morrendo Jesus às 15 horas
172. Jesus crucificado: morto, ainda pendurado no madeiro; assinalam-se fenômenos sobrenaturais
173. Jesus sepultado: verificada a sua morte, é sepultado no sepulcro novo de José de Arimatéia
174. Jesus sepultado: o sepulcro é oficialmente selado e guardado

OITAVA PARTE
RESSURREIÇÃO, APARECIMENTOS E ASCENSÃO DE JESUS

XXVII. Jesus ressurge no primeiro dia da semana; o sepulcro é encontrado vazio
175. O sepulcro visitado pela primeira vez por algumas mulheres
176. O sepulcro descerrado por um anjo durante o terremoto
177. O sepulcro, visitado pela segunda vez pelas mesmas mulheres, é encontrado vazio
178. Jesus ressurreto: assim o declaram os anjos às mulheres perplexas e atemorizadas
179. Jesus ressurreto: o fato é narrado aos discípulos pelas mulheres; dois deles examinam o sepulcro vazio

XXVIII. Jesus aparece aos fiéis cinco vezes no domingo da sua ressurreição
180. Jesus aparece primeiramente a Maria Madalena, mandando por ela uma mensagem aos discípulos
181. Jesus aparece a diversas mulheres mandando por elas outra mensagem aos discípulos
182. O suborno dos guardas pelos príncipes dos sacerdotes para encobrir o fato da ressurreição de Jesus
183. Jesus aparece a Cleopas e seu companheiro em caminho para Emaús
184. Jesus aparece a Simão Pedro (Cefas)
185. Jesus aparece a um grupo de discípulos, estando Tomé ausente

XXIX. Jesus encarrega os discípulos da evangelização do mundo, aparecendo-lhes mais cinco vezes antes de sua ascensão
186. A primeira das comissões finais que Jesus dá aos discípulos
187. Jesus aparece de novo aos discípulos e desta vez inclusive Tomé
188. Jesus aparece a sete dos discípulos (terceira vez aos mesmos) à margem do mar de Tiberíades
189. Jesus reabilita a Pedro
190. Jesus fala em termos apocalípticos sobre a morte de Pedro e João
191. Jesus aparece aos discípulos (quarta vez aos mesmos) e a uma grande multidão
192. A segunda das comissões finais que Jesus dá aos discípulos
193. Jesus aparece a Tiago
194. Jesus aparece pela décima vez, dando a terceira das comissões finais aos discípulos
195. O Senhor Jesus ressurreto e elevado aos céus suscita adoração e confirma a obra dos seus servos
196. A conclusão do Evangelho de João

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Concepções Correntes de Salvação

O texto abaixo é um resumo baseado no livro “Introdução à Teologia Sistemática” de Millard J. Erickson, 1ª edição, 1997, p. 372-379.

Significados da Ressurreição de JesusI.) Teologias de Libertação
Podemos subdividir esse movimento em várias teologias: negra, feminista e do Terceiro Mundo. Uma das ênfases comuns aqui é que o problema básico da sociedade é a opressão e a exploração das classes fracas pelas poderosas. A salvação consiste em livramento (ou libertação) de tal opressão. O método de libertação deve ser adequado à natureza da situação específica. Mas qual a natureza específica da salvação conforme a concepção das teologias de libertação? Elas não pensam na salvação primeiramente como a vida após a morte do indivíduo. A Bíblia, afirmam, preocupa-se muito mais com o estabelecimento do reino de Deus na era presente. Mesmo a vida eterna é em geral colocada no contexto de uma nova ordem social e se considera que consiste não tanto em ser arrancado da história, mas em ser participante em sua culminação. A salvação de todas as pessoas, tirando-as das forças opressoras, é o alvo da obra de Deus na história e deve, portanto, ser a tarefa dos que creem nele. Esses procurarão concretizar a salvação nesse sentido, por todos os meios possíveis, incluindo-se o esforço político e até uma revolução, caso necessário.

II.) Teologia Existencialista
No pensamento de Heidegger, nosso alvo deveria ser a existência autêntica, ou seja, ser o que devemos ser, vivendo de tal forma que se cumpra o nosso potencial como homens. A salvação não é, portanto, uma alteração na substância da alma, como alguns costumam entender a regeneração, nem uma declaração forense de que somos justos perante Deus, a compreensão tradicional de justificação. Antes, trata-se de uma alteração fundamental de nossa Existenz, toda nossa perspectiva de vida e nossa conduta de vida.

III.) Teologia Secular
Todo o ambiente cultural em que se desenvolve a teologia vem mudando. O modo de a raça humana encarar a realidade está sofrendo alterações. Nos períodos anteriores, a maioria das pessoas cria em Deus. Pensava-se que sua atividade fosse a explicação da existência do mundo e do que nele acontece, e ele era a solução dos problemas enfrentados pelos homens. Hoje, porém, muitos confiam no visível, no aqui e agora, e em explicações que não reconhecem nenhuma entidade transcendente. Esses tornaram-se seculares, ou seja, inconscientemente, passaram a seguir um estilo de vida que, na prática, não tem espaço para Deus. Parte dessa concepção secular resulta de um pragmatismo básico. Os progressos científicos têm conseguido suprir as necessidades humanas; a religião deixou de ser necessária ou eficaz. Portanto, vivemos numa era pós-cristã.
Existem duas respostas possíveis da igreja diante dessa situação. Uma é ver o cristianismo e o secularismo como adversários mutuamente excludentes. Nos últimos anos, porém, uma resposta diferente vem sendo cada vez mais adotada por teólogos cristãos. Trata-se de considerar o secularismo não como um adversário, mas como uma expressão madura da fé cristã. Um dos precursores dessa abordagem desenvolveu uma posição a que se referia como “cristianismo a-religioso”. Deus educou sua mais alta criatura para ser independente dele. Assim, Deus vem atuando no processo de secularização.
A teologia secular rejeita a ideia tradicional de que a salvação consiste em ser retirado do mundo e receber uma graça sobrenatural de Deus. Antes, a salvação não é obtida tanto por meio da religião, mas pelo afastamento dela. Ter consciência da própria capacidade e utilizá-la, tomar-se independente de Deus, emancipar-se, afirmar-se e se envolver com o mundo – esse é o verdadeiro significado da salvação.

IV.) Teologia Católica Romana Contemporânea
A posição católica oficial há muito é de que a igreja é o único canal da graça de Deus. Essa graça é transmitida por meio dos sacramentos da igreja. Os que estão fora da igreja oficial ou organizada não podem recebê-la. A igreja considera-se detentora exclusiva do privilégio de distribuir a graça divina.
Nos últimos anos, a igreja católica tem sido mais aberta à possibilidade de alguém fora da igreja visível e, talvez, de alguém que de modo nenhum se declare cristã ser recipiente da graça. Por conseguinte, o entendimento católico da salvação tornou-se um tanto mais abrangente que a concepção tradicional. Em particular, o entendimento corrente inclui dimensões que costumavam ser associadas ao protestantismo.

segredo da oraçãoV.) Teologia Evangélica
A posição ortodoxa ou evangélica tradicional a respeito da salvação está intimamente ligada ao entendimento ortodoxo da situação humana. Nesse entendimento, o relacionamento entre o ser humano e Deus é o principal. Quando esse relacionamento não é correto, as outras dimensões da vida também são adversamente afetadas. As Escrituras indicam que há dois aspectos principais no problema do pecado humano. Em primeiro lugar, o pecado é um relacionamento quebrado com Deus. Os homens têm falhando no cumprimento das expectativas divinas, seja por transgredir limitações impostas pela lei de Deus, seja deixando de fazer o que é nela ordenado. O afastamento da lei resulta num estado de culpa ou na passibilidade de castigo. Em segundo lugar, a própria natureza da pessoa é maculada em razão do afastamento da lei. Agora, existe uma inclinação para o mal, uma propensão para o pecado. Em geral denominada corrupção, muitas vezes ela também se apresenta em forma de desorientação e conflitos internos. Além disso, por vivermos numa rede de relacionamentos interpessoais, a ruptura em nosso relacionamento com Deus também resulta num distúrbio em nosso relacionamento com outras pessoas. O pecado também assume dimensões coletivas: toda a estrutura da sociedade inflige dificuldades e injustiças aos indivíduos e aos grupos minoritários.
Certos aspectos da doutrina da salvação dizem respeito à questão da posição do indivíduo perante Deus. A situação legal do indivíduo deve ser mudada de culpado para não culpado. É uma questão de a pessoa ser declarada justa ou reta diante de Deus, de ser vista como alguém que preenche totalmente as exigências divinas. O termo teológico aqui é justificação. A pessoa é justificada quando é unida legalmente a Cristo. Mas é necessário mais que uma mera remissão da culpa. Lembre-se de que a intimidade terna que devia caracterizar o relacionamento da pessoa com Deus se perdeu. Esse problema é retificado pela adoção. Na adoção, a pessoa é restaurada ao favor de Deus e recebe uma oportunidade de reivindicar todos os benefícios providos pelo Pai amoroso.
Além da necessidade de restabelecer o relacionamento da pessoa com Deus, existe a necessidade de mudar as condições de seu coração. A mudança básica na direção da vida da pessoa, de uma inclinação para o pecado para um desejo positivo de viver em retidão, é denominada regeneração ou, literalmente, novo nascimento. Implica uma verdadeira mudança no caráter da pessoa, uma infusão de uma energia espiritual positiva. Isso, porém, é apenas o começo da vida espiritual. Também existe uma mudança progressiva da condição espiritual do indivíduo: ele de fato se torna mais santo. Essa mudança subjetiva progressiva é denominada santificação (“tornar santo”). A santificação por fim chega à sua plenitude na vida após a morte, quando a natureza espiritual do crente será aperfeiçoada. Isso é denominado glorificação. A preservação pessoal da fé e do compromisso, até o fim, pela graça de Deus, é a perseverança.
Quais são os meios de salvação ou os meios da graça? A Palavra de Deus desempenha um papel indispensável em toda a questão da salvação (1 Pe 1.23, 25) e é o meio pelo qual Deus nos apresenta a salvação encontrada em Cristo. A fé é nosso meio de aceitar essa salvação (Ef 2.8,9). As obras, portanto, não são meios para receber a salvação. Antes, são a consequência natural e a prova de uma fé genuína. A fé que não produz obras não é fé real. Inversamente, as obras que não brotam da fé e de um relacionamento adequado com Cristo não terão validade na hora do julgamento.
Qual é a amplitude da salvação? Ou seja, quem será salvo? Será que todos serão salvos? De tempos em tempos, a posição de que todos serão salvos é exposta na igreja. Essa posição é conhecida como universalismo. A concepção usual da igreja ao longo da história, porém, e a concepção adotada pela maioria dos evangélicos, é a de que embora alguns ou muitos venham a ser salvos, alguns não serão. A igreja assumiu essa posição não porque não quisesse ver todos salvos, mas porque cria que as Escrituras contêm afirmações claras de que alguns se perderão. Apesar de Deus se importar com todas as necessidades humanas, tanto individuais como coletivas, Jesus deixou claro que a eterna guerra espiritual dos indivíduos é infinitamente mais importante que o atendimento das necessidades temporais.

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Soteriologia em Geral

O texto abaixo é um resumo baseado no livro “Teologia Sistemática” de Louis Berkhof, 2ª edição, 1992, p. 415-418.

O-homem-e-DeusI.) Relação entre Soteriologia e os Loci Anteriores
A soteriologia trata da comunicação das bênçãos da salvação ao pecador e seu restabelecimento ao favor divino e à vida de íntima comunhão com Deus. Desde que ela trata de restauração, redenção e renovação, só pode ser compreendida à luz da condição originária do homem, criado à imagem de Deus, e da subsequente perturbação da adequada relação entre o homem e o seu Deus, perturbação causada pela entrada do pecado no mundo. Visto tratar da salvação do pecador considerada totalmente como obra de Deus, conhecida dele desde a eternidade, ela transporta os nossos pensamentos retroativamente para o eterno conselho de paz e para a aliança da graça, em que foi feita a provisão para a redenção do homem decaído. A soteriologia parte da pressuposição da obra consumada de Cristo como o Mediador da redenção. Há a mais íntima relação possível entre a cristologia e a soteriologia.

II.) A Ordo Salutis (a Ordem da Salvação)
A ordo salutis descreve o processo pelo qual a obra de salvação, realizada em Cristo, é concretizada nos corações e vidas dos pecadores. Visa descrever, em sua ordem lógica e também em sua inter-relação, os vários movimentos do Espírito Santo na aplicação da obra de redenção. A ênfase não recai no que o homem faz, ao apropriar-se da graça de Deus, mas no que Deus faz, ao aplicá-la.
Quando falamos de uma ordo salutis, não nos esquecemos de que a ação de aplicar a graça de Deus ao pecador individual é um processo unitário, mas simplesmente ressaltamos o fato de que é possível distinguir vários movimentos no processo, que a obra de aplicação da redenção segue uma ordem definida e razoável, e que Deus não infunde a plenitude da Sua salvação ao pecador num ato único.
Pode-se levantar a questão sobre se a Bíblia alguma vez indica uma ordo salutis definida. Embora ela não nos dê explicitamente uma ordem da salvação completa, oferece-nos base suficiente para a referida ordem. A melhor aproximação a algo como uma ordo salutis na Escritura é Rm 8.29, 30. Conquanto a Bíblia não nos dê uma nítida ordo salutis, ela faz duas coisas que nos ajudam a elaborar uma ordem. (1) Dá-nos uma completa e rica enumeração das operações do Espírito Santo na aplicação da obra realizada por Cristo e das bênçãos da salvação. Nem sempre usa os termos empregados na dogmática, mas emprega termos que vieram a adquirir sentido técnico muito definido na dogmática. Palavras como regeneração, vocação, conversão e renovação servem para designar toda a transformação que se opera na vida interior do homem. (2) Ela indica a relação que os diferentes movimentos atuantes na obra de redenção mantêm uns com os outros. Ela ensina que somos justificados pela fé, e não pelas obras, Rm 3.30; 5.1; Gl 2.16-20; que, sendo justificados, temos paz com Deus e acesso a ele, Rm 5.1, 2; que ficamos livres do pecado para tornar-nos servos da justiça, e para colhermos o fruto da santificação, Rm 6.18, 22; que, quando somos adotados como filhos, recebemos o Espírito, que nos dá segurança, e também nos tornamos co-herdeiros com Cristo, Rm 8.15-17; Gl 4.4-6; que a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus, Rm 10.17; que a morte para a lei redunda em vida para Deus, Gl 2.19, 20; que, quando cremos, somos selados com o Espírito de Deus, Ef 1.13, 14; que é necessário andar de modo digno da vocação com que somos chamados, Ef 4.1, 2; que, tendo obtido a justiça de Deus pela fé, participamos dos sofrimentos de Cristo, também do poder da ressurreição, Fp 3.9, 10; e que somos gerados de novo mediante a Palavra de Deus, 1 Pe 1.23. Estas passagens indicam a relação dos vários movimentos da obra redentora, uns com os outros, e, assim, dão base para a elaboração de uma ordo salutis.
Há amplo espaço para diferenças de opinião. As igrejas não estão todas de acordo quanto à ordo salutis. A doutrina da ordem da salvação é fruto da Reforma. Dificilmente se achará nas obras dos escolásticos algo que se lhe assemelhe. Na teologia da Pré-Reforma pouca justiça é feita à soteriologia. Ela não constitui um assunto separado. Desde que o protestantismo teve como ponto de partida a crítica e a remoção do conceito católico romano de fé, arrependimento e boas obras, era natural que o interesse dos Reformadores se centralizasse na origem e desenvolvimento da nova vida em Cristo. Calvino foi o primeiro a agrupar as várias partes da ordem da salvação de maneira sistemática, mas mesmo a sua formulação, diz Kuyper, é um tanto subjetiva, visto que salienta formalmente a atividade humana, e não a divina. Posteriormente, os teólogos reformados (calvinistas) corrigiram este defeito.

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O Estado de Exaltação de Cristo (Ressurreição, Ascensão e Sessão à Destra de Deus)

O texto abaixo é um resumo baseado no livro “Teologia Sistemática” de Louis Berkhof, 2ª edição, 1992, p. 347-354.

images (1)I.) A Ressurreição de Cristo

a. Natureza da ressurreição – A ressurreição de Cristo não consistiu no mero fato de que Ele retornou à vida, dando-se a reunião do corpo e a alma. Se isso fosse tudo que ela envolveu, Cristo não poderia ser chamado “as primícias dos que dormem”, 1 Co 15.20, nem “o primogênito de entre os mortos”, Cl 1.18; Ap 1.5, dado que outros foram devolvidos à vida antes dele. Sua ressurreição consistiu, antes, em que nele a natureza humana, o corpo e a alma, foi restaurada à sua força e perfeição e até mesmo elevada a um nível superior, enquanto que o corpo e a alma foram reunidos num organismo vivo. Da analogia da mudança que, de acordo com a Escritura, ocorre no corpo de cada crente na ressurreição geral, podemos deduzir algo quanto à transformação que deve ter-se dado com Cristo. Diz-nos Paulo em 1 Co 15.42-44 que os corpos futuros dos crentes serão incorruptíveis; gloriosos, o que significa que esplenderão de fulgor celestial; poderosos, isto é, cheios de energia e, talvez, de novas faculdades; e espirituais, o que não significa imateriais, mas adaptados aos seus respectivos espíritos, cada corpo sendo um perfeito instrumento do espírito. O corpo ressurreto de Jesus passou por notável mudança: Ele não podia ser facilmente reconhecido e podia aparecer e desaparecer de repente, Lc 24.31, 36; Jo 20.13, 19; 21.7; mas era, não obstante, um corpo material e muito real, Lc 24.39. Não houve apenas uma mudança física em Cristo, mas também uma mudança psíquica. Ele foi revestido de novas qualidades, perfeitamente ajustadas ao Seu futuro ambiente celestial. Ele se tornou o Espírito vivificante, 1 Co 15.45. A ressurreição de Cristo tem significação tríplice: (1) Constituiu uma declaração do Pai de que o último inimigo tinha sido vencido, a pena tinha sido cumprida, e tinha sido satisfeita a condição em que a vida fora prometida; (2) Foi um símbolo daquilo que estava destinado a suceder aos membros do corpo de Cristo em sua justificação, em seu nascimento espiritual e em sua bendita ressurreição futura, Rm 6.4, 5, 9; 8.11; 1 Co 6.14; 15.20-22; 2 Co 4.10, 11, 14; Cl 2.12; 1 Ts 4.14; (3) Relacionou-se com a justificação, a regeneração e a ressurreição final dos crentes, Rm 4.25; 5.10; Ef 1.20; Fp 3.10; 1 Pe 1.3.

b. O autor da ressurreição – Cristo ressurgiu por Seu próprio poder. Ele falou de Si mesmo como a ressurreição e a vida, Jo 11.25, declarou que tinha o poder de entregar a Sua vida e de retomá-la, Jo 10.18, e até predisse que reedificaria o templo do Seu corpo, Jo 2.19-21. Mas a ressurreição não foi uma realização unicamente de Cristo; frequentemente é atribuída, na Escritura, ao poder de Deus em geral, At 2.24, 32; 3.26; 5.30; 1 Co 6.14; Ef 1.20, ou, mais particularmente, ao Pai, Rm 6.4; G1 1.1; 1 Pe 1.3. E se a ressurreição pode ser chamada obra de Deus, segue-se que o Espírito Santo também agiu nela (implícito em Rm 8.11).

c. O suporte doutrinário da ressurreição – (1) Não podemos negar a ressurreição física de Cristo sem impugnar a veracidade dos escritores da Escritura; afeta a nossa crença na fidedignidade da Escritura; (2) É descrita como tendo valor de prova. É a prova culminante de que Cristo foi um mestre enviado por Deus, e de que Ele é o verdadeiro Filho de Deus, Rm 1.4; (3) É também o supremo atestado do fato da imortalidade; (4) Entra como um elemento constitutivo da própria essência da obra de redenção. É uma das grandes pedras do alicerce da igreja. Se a obra expiatória de Cristo devia ser eficaz, tinha que terminar, não na morte, mas na vida; (5) Foi o selo do Pai aplicado à obra consumada de Cristo, foi a declaração de que Ele a aceitou; (6) Foi Seu ingresso numa nova vida, como a ressurreta e exaltada Cabeça da igreja e Senhor universal.

013II.) A ascensão de Cristo

a. Provas Bíblicas da ascensão – A ascensão não aparece nas páginas da Escritura de maneira tão patente como se dá com a ressurreição. Deve-se isto provavelmente ao fato de que a ressurreição foi o verdadeiro ponto decisivo da vida de Jesus, e não a ascensão. Em certo sentido, a ascensão foi o complemento e a consumação da ressurreição. A transição de Cristo para a vida superior na glória começou na ressurreição e foi aperfeiçoada na ascensão. Não significa que a ascensão é destituída de significado independente. Provas bíblicas: Lucas a relata, Lc 24.50-53 e At 1.6-11; Marcos se refere a ela em 16.19; Jesus falou dela antes da Sua morte, Jo 6.62; 14.2, 12; 16.5, 10, 17, 28; 17.5; 20.17; Paulo se refere a ela, Ef 1.20; 4.8-10; 1 Tm 3.16; Hebreus chama a atenção para o seu significado, 1.3; 4.14; 9.24.

b. A natureza da ascensão – Pode-se descrever como a subida visível da pessoa do Mediador da terra ao céu, segundo Sua natureza humana. Foi uma transição local, de um lugar para outro (isto implica que o céu, como a terra, é um lugar; alguns consideram que o céu é uma condição, e não um lugar). Incluiu também mais uma mudança da natureza humana de Cristo. Essa natureza passou então para a plenitude da glória celeste e foi perfeitamente adaptada à vida do céu.

c. A significação doutrinária da ascensão – (1) Encarnou a declaração de que o sacrifício de Cristo foi um sacrifício oferecido a Deus e, como tal, tinha que ser apresentado a Ele no santuário mais recôndito; de que o Pai considerou suficiente a obra mediatária de Cristo e, por conseguinte, admitiu-o na glória celestial; (2) Foi uma profecia da ascensão de todos os crentes, que já estão com Cristo nos lugares celestiais, Ef 2.6, e estão destinados a permanecer com Ele para sempre, Jo 17.24; revelou o restabelecimento da realeza original do homem, Hb 2.7, 9. (3) Serviu de instrumento para a preparação de um lugar para os que estão em Cristo, Jo 14.2, 3.

III.) A Sessão à Destra de Deus

a. Provas bíblicas da sessão – Quando Cristo estava diante do sumo sacerdote, pre¬disse que se assentaria “à direita do Todo-poderoso”, Mt 26.64. Pedro fez menção disto em seus sermões, At 2.33-36; 5.31. Também se faz referência à sessão de Cristo em Ef 1.20-22; Hb 10.12; 1 Pe 3.22; Ap 3.21; 22.1. Há várias outras passagens que falam de Cristo como Rei a exercer o Seu governo real, Rm 14.9; 1 Co 15.24-28; Hb 2.7, 8.

b. A significação da sessão – A expressão “direita de Deus” é antropomórfica e não pode ser entendida literalmente; é derivada do SI 110.1. É uma indicação do fato de que o Mediador recebeu as rédeas do governo sobre a igreja e sobre o universo e foi feito participante da glória correspondente. Não significa que Cristo não tinha sido o Rei antes desse tempo, mas, sim, que aí Ele foi publicamente empossado como Deus e homem e, nesta qualidade, recebeu o governo da igreja, do céu e da terra, e entrou solenemente na administração real e concreta do poder a Ele confiado. Calvino diz: “Ele foi instalado no governo de céus e terra, e foi formalmente admitido na posse da administração a Ele confiada, e não somente admitido por uma vez, mas para continuar até quando Ele descer para o juízo”. Seria um erro inferir do fato de que a Bíblia fala da ação de “assentar-se” à destra de Deus, que a vida para a qual o Senhor ressurreto ascendeu é uma vida de repouso. É e continuará sendo uma vida de constante atividade. Cristo não é somente representado como assentado à destra de Deus, mas também simplesmente como estando à destra, Rm 8.34; 1 Pe 3.22, ou de pé ali, At 7.56, e até mesmo andando no meio dos sete candeeiros de ouro, Ap 2.1. Seria igualmente errôneo concluir que a obra na qual ele está engajado durante a Sua sessão celestial é exclusivamente governamental, não sendo, portanto, nem profética nem sacerdotal.

c. A obra que Cristo realiza durante a Sua sessão à destra de Deus – Cristo está ativamente engajado na continuação da Sua obra mediatária. (1) Desde que a Bíblia relaciona com muita frequência a sessão com o governo real de Cristo, é natural pensar primeiramente na obra que Ele realiza como Rei. Ele governa e protege a sua igreja por Seu Espírito, e também a governa por meio dos Seus oficiais, por Ele designados. Ele tem também os poderes do céu sob o Seu comando: os anjos são Seus mensageiros, sempre prontos a comunicar Suas bênçãos aos santos, e a protegê-los dos perigos circundantes. Ele exerce autoridade sobre as forças da natureza e sobre todos os poderes hostis ao reino de Deus; e assim continuará a reinar, até sujeitar o último inimigo; (2) Ele é sacerdote para sempre. A Bíblia relaciona também a obra sacerdotal com a sessão de Cristo à direita de Deus, Zc 6.13; Hb 4.14; 7.24, 25; 8.1-6; 9.11-15, 24-26; 10.19-22; 1 Jo 2.2. Cristo está apresentando continuamente o Seu sacrifício consumado ao Pai como a base suficiente para a concessão da graça perdoadora de Deus. Ele está aplicando constantemente a Sua obra sacrificial e fazendo-a eficaz na justificação e santificação dos pecadores. Ele está sempre fazendo intercessão pelos que Lhe pertencem, rogando pela aceitação deles com base em Seu sacrifício consumado, e por sua segurança no mundo, e ainda tornando as suas orações e os seus serviços aceitáveis a Deus; (3) Cristo continua Sua obra profética também por meio do Espírito Santo. Ele prometeu o Espírito Santo, Jo 14.26; 16.7-15. A promessa foi cumprida; Cristo, mediante o Espírito, agiu e age como o nosso grande Profeta: na inspiração da Escritura; na pregação e por meio da pregação dos apóstolos e dos ministros da Palavra; na direção da igreja, fazendo dela a coluna e o baluarte da verdade; e dando eficácia à verdade nos corações dos crentes.

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Os Sofrimentos, a Morte e o Sepultamento do Salvador

Semana-Santa (1)O texto abaixo é um resumo baseado no livro “Teologia Sistemática” de Louis Berkhof, 2ª edição, 1992, p. 337-341.

I.) Os Sofrimentos do Salvador

a. Ele sofreu durante toda a Sua vida – Toda a Sua vida foi uma vida de sofrimentos, a vida do único ser humano sem pecado, a vida do Santo num mundo amaldiçoado pelo pecado. O caminho da obediência foi para Ele um caminho de sofrimento. Sofreu com as repetidas investidas de Satanás, com o ódio e a incredulidade do Seu povo, e com a perseguição dos Seus inimigos. Sua solidão só tinha que ser deprimente e o Seu senso de responsabilidade, esmagador. Seu sofrimento foi cada vez mais atroz, conforme o fim se aproximava. O sofrimento iniciado na encarnação chegou ao clímax em sua morte quando pesou sobre Ele toda a ira de Deus contra o pecado.

b. Sofreu no corpo e na alma – A dor física, acompanhada de angústia de alma e da consciência mediatária do pecado da humanidade pesava sobre Ele. Tanto o corpo como a alma foram afetados pelo pecado e Cristo sofreu em ambos. Agonizou no jardim, onde a Sua alma esteve “profundamente triste até à morte”, e também Ele foi esbofeteado, açoitado e crucificado.

c. Seus sofrimentos resultaram de várias causas – resultaram do fato de que Ele tomou o lugar dos pecadores vicariamente (substitutivamente); teve que viver numa atmosfera pecaminosa e corrupta, diariamente na companhia de pecadores, e os pecados do Seus contemporâneos constantemente O lembravam da enormidade da culpa que pesava sobre Ele; Sua noção dos sofrimentos que o esmagariam no fim (Ele sabia exatamente o que estava para vir, e a perspectiva estava longe de ser animadora); As privações da vida, as tentações do diabo, o ódio e rejeição do povo, e os maus tratos e perseguições a que esteve sujeito.

d. Seus sofrimentos foram únicos – Mesmo sofrimentos comuns tinham um caráter extraordinário no caso dele. Ninguém poderia sentir como Jesus sentia a dureza da dor, da tristeza e do mal moral. Havia também os sofrimentos causados pelo fato de que Deus fez com que as nossas iniquidades viessem sobre Ele. Os sofrimentos do Salvador não eram puramente naturais, mas também o resultado de uma ação positiva de Deus, Is 53.6,10. Devem ser computadas as tentações no deserto e as agonias no Getsêmani e no Gólgota.

e. Seus sofrimentos nas tentações – Só penetrando empaticamente nas provações dos homens em suas tentações, Jesus poderia ser o Sumo Sacerdote compassivo, Hb 4.15; 5.7-9. Não podemos pôr em dúvida a realidade das tentações de Jesus como o último Adão, por mais difícil que seja conceber que alguém que não podia pecar fosse tentado. Sugestões têm sido feitas para dirimir a dificuldade. Mas, a despeito disso tudo, permanece o problema: Como foi possível que Aquele que não podia pecar, não podia sequer ter alguma inclinação para pecar, e, não obstante esteve sujeito a verdadeira tentação?

II.) A Morte do Salvador

a. A extensão da Sua morte – Quando falamos da morte de Cristo, temos em mente primeiro e acima de tudo a morte física, isto é, a separação de corpo e alma. A morte física não é meramente a consequência natural do pecado, mas é, acima de tudo, a punição do pecado, punição judicialmente imposta e infligida. É a ação pela qual Deus se retira do homem com todas as bênçãos de vida e felicidade, e visita o homem com ira. É segundo este ponto de vista judicial que se deve considerar a morte de Cristo. Deus impôs judicialmente a sentença de morte ao Mediador, desde que Este se incumbiu voluntariamente de cumprir a pena do pecado da raça humana. Uma vez que Cristo assumiu a natureza humana com todas as suas fraquezas, como ela existe desde a Queda, e assim se fez semelhante a nós em todas as coisas, com a exceção única do pecado, segue-se que a morte operou nele desde o princípio e se manifestou em muitos dos sofrimentos aos quais Ele esteve sujeito. O Catecismo de Heidelberg diz: “todo o tempo em que Ele viveu na terra […] Ele suportou, no corpo e na alma, a ira de Deus contra o pecado de toda a raça humana”. Estes sofrimentos foram seguidos por Sua morte na cruz. Mas isso não foi tudo; Ele esteve sujeito, não somente à morte física, mas também à morte eterna, se bem que sofreu esta intensiva, e não extensivamente, quando agonizou no jardim e quando bradou na cruz, “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Num curto período de tempo, Ele suportou a ira infinita contra o pecado até o fim, e saiu vitorioso. Isto somente Lhe foi possível graças à Sua natureza exaltada. No caso de Cristo, a morte eterna não consiste numa anulação da união do Logos com a natureza humana, nem num abandono da natureza divina por parte de Deus, nem em retirar o Pai o Seu divino amor ou o Seu beneplácito da pessoa do Mediador. O Logos permaneceu unido à natureza humana, mesmo quando o corpo estava no túmulo; a natureza divina absolutamente não podia ser desamparada por Deus; e a pessoa do Mediador foi e continuou sendo sempre objeto do favor divino. A morte eterna revelou-se na consciência humana do Mediador como um sentimento de desamparo de Deus. A natureza humana perdeu por um momento o consciente e fortalecedor consolo que podia auferir da sua união com o Logos divino, bem como a percepção do amor divino, e esteve dolorosamente cônscia da plenitude da ira divina que pesava sobre ela. Contudo, não houve desespero, pois, mesmo na hora mais trevosa, enquanto exclama que está desamparado, dirige Sua oração a Deus.

b. O caráter judicial de Sua morte – Era essencial que Cristo não sofresse morte natural, nem acidental, e que não morresse pelas mãos de um assassino, mas sob sentença judicial. Ele tinha que ser contado com os transgressores e condenado como criminoso. Deus dispôs providencialmente que o Mediador fosse julgado e sentenciado por um juiz romano. Os romanos representavam o poder judicial mais alto do mundo. O julgamento perante um juiz romano serviria para demonstrar claramente a inocência de Jesus, o que de fato aconteceu, para que ficasse absolutamente claro que Ele não foi condenado por nenhum crime cometido por Ele. Quando o juiz romano, não obstante, condenou o inocente, ele, é verdade, também se condenou, e condenou a justiça humana, impôs sentença a Jesus na qualidade de representante do mais elevado poder judicial do mundo. A sentença de Pilatos foi também sentença de Deus, embora sobre bases inteiramente diferentes. Jesus não foi decapitado, nem apedrejado. A crucificação não era uma forma judaica de castigo, mas, sim, romana. Era considerada tão infame e ignominiosa, que não podia ser aplicada a cidadãos romanos, mas somente à escória da humanidade. Sofrendo esse tipo de morte, Jesus satisfez as extremas exigências da lei. Ao mesmo tempo, padeceu morte amaldiçoada, e assim provou que se fez maldição por nós, Dt 21.23; G1 3.13.

III.) O Sepultamento do Salvador

O Seu sepultamento também fez parte de Sua humilhação. Note-se: (a) Voltar o homem ao pó é descrito na Escritura como parte da punição do pecado, Gn 3.19; (b) Diversas declarações da Escritura implicam que a permanência do Salvador na sepultura foi uma humilhação, SI 16.10; At 2.27, 31; 13.34, 35, se bem que ele foi guardado da corrupção; (c) Ser sepultado é ir para baixo, e, portanto, uma humilhação. A Bíblia fala do pecador sendo sepultado com Cristo. Isso tem que ver com o despojamento do homem velho, Rm 6.1-6. Consequentemente, o sepultamento de Jesus também faz parte da Sua humilhação. O sepultamento de Jesus não serve apenas para provar que Jesus estava realmente morto, mas também para remover os terrores do sepulcro para os remidos e santificá-lo para eles.

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A Encarnação e o Nascimento de Cristo

nascimento_de_jesus_3545O esboço abaixo é baseado no livro “Teologia Sistemática” de Louis Berkhof, 2ª edição, 1992, p. 334-337.

I. O sujeito da encarnação
Não foi o trino Deus, mas a segunda pessoa da Trindade que assumiu a natureza humana. É melhor dizer que o Verbo se fez carne, do que dizer que Deus se fez homem. Cada uma das pessoas divinas agiu na encarnação, Mt 1.20; Lc 1.35; Jo 1.14; At 2.30; Rm 8.3; Gl 4.4; Fp 2.7. A encarnação não foi uma coisa que simplesmente aconteceu com o Logos, mas foi uma ativa realização da parte dele (Ele se incumbiu espontaneamente, no pactum salutis – aliança de redenção – de administrar a nossa salvação) e se pressupõe a Sua preexistência. Não é possível falar da encarnação de alguém que não teve existência prévia. Esta preexistência é claramente ensinada na Escritura: Jo 1.1; Jo 6.38; 2 Co 8.9; Fp 2.6, 7; Gl 4.4. O preexistente Filho de Deus assume a natureza humana e se reveste de carne e sangue humanos, um milagre que ultrapassa o nosso limitado entendimento. O infinito pode entrar em relações finitas, e de fato entra, e o sobrenatural pode entrar na vida histórica do mundo.

II. A necessidade da encarnação
A razão da encarnação está na entrada do pecado no mundo. A Escritura invariavelmente representa a encarnação como condicionada pelo pecado humano Lc 19.10; Jo 3.16; Gl 4.4; 1 Jo 3.8; Fp 2.5-11.

III. A mudança efetuada na encarnação
Quando se nos diz que o Verbo se fez carne, não significa que o Verbo deixou de ser o que era antes. Quanto ao Seu Ser essencial, o Logos era exatamente o mesmo, antes e depois da encarnação. Não significa que o Logos se transformou em carne, alterando assim a Sua natureza essencial, mas simplesmente que Ele contraiu aquele caráter particular, que Ele adquiriu uma forma adicional, sem de modo algum mudar a Sua natureza original. Ele continuou sendo o infinito e imutável Filho de Deus. Não significa que Ele se revestiu de uma pessoa humana, nem que Ele apenas se revestiu de um corpo humano. A palavra sarx (carne) denota a natureza humana, que consiste de corpo e alma, Rm 8.3; 1 Tm 3.16; 1 Jo 4.2; 2 Jo 7 (comp. Fp 2.7).

IV. A encarnação fez de Cristo um membro da raça humana
Cristo assumiu a Sua natureza humana da substância da Sua mãe. Se a natureza humana de Cristo não derivou do mesmo tronco que a nossa, mas apenas se assemelhou a ela, não existe aquela relação entre nós e Ele que é necessária para tornar a Sua mediação eficaz para o nosso bem.

V. A encarnação efetuada por uma concepção sobrenatural e um nascimento virginal
O nascimento de Cristo não foi um nascimento comum, mas, sim, um nascimento sobrenatural. O elemento mais importante, com relação ao nascimento de Jesus, foi a operação sobrenatural do Espírito Santo, pois só por este meio foi possível o nascimento virginal, Mt 1.18-20; Lc 1.34, 35; Hb 10.5. A obra do Espírito Santo concernente à concepção de Jesus foi dupla: (1) Ele foi a causa eficiente do que foi concebido no ventre de Maria, e assim excluiu a atividade do homem como fator eficiente. Isso está em completa harmonia com o fato de que a pessoa que nasceu não era uma pessoa humana, mas a pessoa do Filho de Deus e estava livre da culpa do pecado. (2) Ele santificou a natureza humana de Cristo logo no início, a manteve livre da corrupção do pecado. A influência santificante do Espírito Santo não se limitou à concepção de Jesus, mas teve continuidade por toda a Sua vida, Jo 3.34; Hb 9.14. Foi somente pela sobrenatural concepção de Cristo que Ele pôde nascer de uma virgem. A doutrina do nascimento virginal baseia-se nas seguintes passagens da Escritura: Is 7.14; Mt 1.18, 20; Lc 1.34, 35, e também é favorecida por Gl 4.4. Esta doutrina foi confessada na igreja desde os primeiros tempos. Já a encontramos nas formas originais da confissão apostólica e, posteriormente, em todas as grandes confissões das igrejas protestantes e do catolicismo romano. Às vezes perguntam se o nascimento virginal é matéria de importância doutrinária. Em resposta a esta indagação, pode-se dizer que é inconcebível que Deus fizesse Cristo nascer desse modo tão extraordinário, se isto não atendesse a algum propósito: (1) Era mister que Cristo se constituísse o Messias e o messiânico Filho de Deus. Consequentemente, era necessário que Ele nascesse de mulher, mas também que não fosse fruto da vontade do homem, mas nascesse de Deus. O que é nascido da carne é carne, Jo 1.13. (2) Se Cristo fosse gerado por um homem, seria uma pessoa humana, partilharia da culpa comum da humanidade. Estando livre da culpa do pecado, a Sua natureza pôde ser mantida livre da corrupção do pecado.

VI. A encarnação propriamente dita, uma parte da humilhação de Cristo
Certamente constitui humilhação o fato de o Logos assumir a “carne”, isto é, a natureza humana como esta é desde a Queda, enfraquecida e sujeita ao sofrimento e à morte, embora isenta da mancha do pecado. Isto parece estar implícito em passagens como Rm 8.3; 2 Co 8.9; Fp 2.6,7.

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A Unipersonalidade de Cristo

Cristo_774423686_17_cristoO esboço abaixo é baseado no livro “Teologia Sistemática” de Louis Berkhof, 2ª edição, 1992, p. 321-325.

No ano 451 o Concílio de Calcedônia formulou a fé cristã a respeito da pessoa de Cristo e declarou que Ele deve “ser reconhecido em duas naturezas, inconfusa, imutável, indivisível e inseparavelmente; sendo que a distinção das naturezas de modo nenhum é eliminada pela união, mas, antes, a propriedade de cada natureza é preservada, e ambas concorrem numa Pessoa e numa Subsistência, não partida ou dividida em duas pessoas”. Esta formulação procura resguardar a verdade; afirma a fé esposada pela Igreja Primitiva; não faz nenhuma tentativa para explicar o mistério envolvido. O grande milagre central da história deixou-se sobressair em toda a sua grandeza, o supremo paradoxo, Deus e o homem numa só pessoa. Se nos diz o que Cristo é, sem qualquer tentativa de mostrar como Ele se tomou o que é. Enuncia-se que o eterno Filho de Deus tomou sobre Si a nossa humanidade, e não que o homem Jesus adquiriu divindade. Atesta um movimento de Deus para o homem, e não vice-versa. A igreja nunca foi além da fórmula de Calcedônia. Ela sempre reconheceu a encarnação como um mistério que desafia toda e qualquer explicação. E assim permanecerá.

I.) Exposição do Conceito da Igreja a Respeito da Pessoa de Cristo

1. Há somente uma pessoa no Mediador, o Logos imutável. O Logos fornece a base da personalidade de Cristo. Contudo, não seria correto dizer que a pessoa do Mediador é somente divina; a encarnação fez dele uma pessoa complexa, constituída de duas naturezas. Ele é o Deus-homem.

2. O Logos não adotou uma pessoa humana, com a resultante de haver duas pessoas no Mediador, mas simplesmente assumiu uma natureza humana. Naquilo em que nós temos uma pessoa pecaminosa, Ele tem, ou melhor, é a pessoa divina do Logos.

3. Não é certo falar que a natureza humana de Cristo é impessoal. Isto só é verdade no sentido de que esta natureza não tem subsistência independente por si mesma. Nem por um momento a natureza humana de Cristo era impessoal. O Logos assumiu essa natureza numa subsistência pessoal com Ele. A natureza humana tem a sua existência pessoal na pessoa do Logos. É in-pessoal, e não impessoal.

4. Não temos base para dizer que a natureza humana de Cristo é imperfeita ou incompleta. Nada falta à Sua natureza humana, em nenhuma das qualidades essenciais pertencentes a essa natureza, e ela também possui individualidade, isto é, subsistência pessoal, na pessoa do Filho de Deus.

5. Esta subsistência pessoal não deve ser confundida com consciência e vontade livre. O fato de que a natureza humana de Cristo, por si mesma, não tem subsistência pessoal, não significa que não tem consciência e vontade. A posição assumida pela igreja é que a consciência e a vontade pertencem à natureza, não à pessoa.

6. A pessoa divina, que possuía uma natureza divina desde a eternidade, assumiu uma natureza humana, e agora tem ambas. Esta verdade deve ser afirmada contrariamente àqueles que, embora admitindo que a pessoa divina assumiu uma natureza humana, comprometem a integridade das duas naturezas concebendo-as como fundidas ou misturadas, resultando numa terceira realidade.

II.) Prova Bíblica da Unipersonalidade de Cristo

A doutrina das duas naturezas numa só pessoa transcende a razão humana. É expressão de um mistério incompreensível, que não tem analogia. Só pode ser aceita pela fé na autoridade da Palavra de Deus.

1. Na Escritura não há evidência de uma personalidade dual – Não há distinção de um “Eu” e um “Tu” na vida interna do Mediador, como a que vemos com relação ao trino Ser Divino, onde uma pessoa se dirige a outra, SI 2.7; 40.7, 8; Jo 17.1,4, 5, 21-24. Jesus nunca fez uso do plural ao referir-se a Si próprio, como Deus faz Gn 1.26; 3.22; 11.7.

2. Ambas as Naturezas são representadas na Escritura como unidas numa só pessoa – Há passagens da Escritura que se referem às duas naturezas de Cristo, mas nas quais é mais que evidente que só se tem em mente uma pessoa, Rm 1.3, 4; Gl 4.4, 5; Fp 2.6-11. Em diversas passagens ambas as naturezas são expostas como unidas. A natureza divina, isto é, a pessoa divina do Filho de Deus, estava unida a uma natureza humana, Jo 1.14; Rm 8.3; Gl 4.4; 9.5; 1 Tm 3.16; Hb 2.11-14; 1 Jo 4.2, 3.

3. A Pessoa é aludida em termos próprios de uma das duas Naturezas – De um lado, atributos e ações humanos são proferidos como pertencentes à pessoa, enquanto Ele é tratado com um título divino, At 20.28; 1 Co 2.8; Cl 1.13, 14. E doutro lado, atributos e ações divinos são proferidos como pertencentes à pessoa, enquanto Ele é tratado com um título humano, Jo 3.13; 6.62; Rm 9.5.

III.) Os Efeitos da União das Duas Naturezas em uma Pessoa

1. Nenhuma mudança essencial na Natureza divina – Deve-se sustentar que a natureza divina não sofreu nenhuma mudança essencial na encarnação. Ela permaneceu impassível, isto é, sem possibilidade de sofrer e morrer, livre de ignorância e insuscetível de fraqueza e queda na tentação. O resultado da encarnação foi que o Salvador divino pôde ter deficiência de conhecimento e fraqueza, pôde ser tentado, e pôde sofrer e morrer, não em sua natureza divina, mas em virtude de Sua natureza humana.

2. Uma tríplice comunicação resultante da Encarnação
a. Uma comunicação de propriedades – As propriedades de ambas as naturezas, a humana e a divina, passaram a ser propriedades da pessoa. Pode-se dizer que a pessoa é toda-poderosa, onisciente, onipresente, e assim por diante, mas também se pode dizer que é um varão de dores, de conhecimento e poder limitados, e sujeito às necessidades e misérias humanas. Devemos ter o cuidado de não entender que alguma coisa peculiar à natureza divina foi comunicada ou transmitida à natureza humana, e vice-versa; nem que há uma interpenetração das duas naturezas, com o resultado que o divino é humanizado e o humano é divinizado. A Divindade não pode participar da fraqueza humana; tampouco pode o homem compartilhar nenhuma das perfeições essenciais do soberano Deus.
b. Uma comunicação da obra consumada – A obra redentora de Cristo leva um caráter divino-humano. (1) A causa eficiente da obra redentora de Cristo é o sujeito pessoal único e indiviso que caracteriza Cristo; (2) essa obra é realizada pela cooperação das duas naturezas; (3) cada uma das duas naturezas age usando a sua própria eficácia especial; (4) não obstante, o resultado forma uma unidade indivisa, porquanto é obra realizada por uma única pessoa.
c. Uma comunicação de graças ou dons – A natureza humana de Cristo foi adornada com todas as classes de ricos e gloriosos dons, como (1) a graça de união com a pessoa do Logos, pela qual a natureza humana é elevada acima de todas as criaturas e até se torna objeto de adoração; (2) a graça habitual, que consiste daqueles dons do Espírito, em particular os do intelecto, da vontade e de poder, pelos quais a natureza humana de Cristo foi exaltada acima de todas as criaturas inteligentes. Especialmente a impecabilidade de Cristo deve ser mencionado aqui.

3. O Deus e Homem é objeto de oração – O Mediador, exatamente como existe agora, isto é, com duas naturezas, é objeto da nossa oração. A honra da adoração não pertence à natureza humana como tal, mas lhe pertence somente em virtude da sua união com o Logos divino, que em Sua própria natureza é digno de ser adorado. O objeto do nosso culto religioso é o Deus e homem Cristo Jesus, mas a base sobre a qual O adoramos é a pessoa do Logos.

IV.) A Unipersonalidade de Cristo, um Mistério

A união das duas naturezas numa pessoa é um mistério que não podemos compreender e que, por essa mesma razão, é frequentemente negado. Às vezes é comparado com a união de corpo e alma no homem; e há mesmo alguns pontos de similaridade. No homem há duas substâncias, matéria e espírito, intimamente unidas e, contudo, não misturadas; assim também no Mediador. No homem o princípio de unidade, a pessoa, não tem sua sede no corpo, mas na alma; no Mediador, não na natureza humana, mas na divina. Como a influência da alma sobre o corpo e do corpo sobre a alma é um mistério, assim também a relação das duas naturezas de Cristo e suas influências recíprocas. Tudo que acontece no corpo e na alma é atribuído à pessoa; assim, tudo que se dá nas duas naturezas de Cristo é atribuído à Sua pessoa. Como é uma honra para o corpo estar unido à alma, assim é uma honra para a natureza humana estar unida à pessoa do Logos. Naturalmente, a comparação é defeituosa. Ela não ilustra a união do divino e o humano, do infinito e o finito. Tampouco ilustra a unidade das duas naturezas numa só pessoa. No caso do homem, o corpo é material e a alma é espiritual. É uma união maravilhosa, mas não tão maravilhosa como a união das duas naturezas de Cristo.

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A Trindade e a Subsistência Pessoal e Geração Eterna do Filho

espirito-santo-imagemO esboço abaixo é baseado no livro “Teologia Sistemática” de Louis Berkhof, 2ª edição, 1992, p. 88-91, 93-95.

I.) Proposições sobre a doutrina da Trindade
a. Há no Ser Divino apenas uma essência indivisível (ousia, essentia). Deus é um em Seu ser essencial, ou seja, em Sua natureza constitucional. Essência vem de esse, ser. Esta proposição concernente à unidade de Deus baseia-se em passagens como Dt 6.4; Tg 2.19, sobre a existência autônoma e a imutabilidade de Deus.
b. Neste único Ser Divino há três Pessoas ou subsistências individuais, o Pai e o Fi¬lho e o Espírito Santo. A variedade dos termos empregados mostra que sempre se sentiu que são inadequados. Na linguagem comum, a palavra “pessoa” designa um indivíduo racional e moral separado, dotado de consciência própria, e consciente da sua identidade em meio a todas as mudanças. Onde temos uma pessoa, temos também uma essência individual distinta. Toda pessoa é um indivíduo distinto e separado, em quem a natureza é individualizada. Mas em Deus não há três indivíduos justapostos e separados uns dos outros, mas somente auto-distinções pessoais dentro da essência divina, que é numericamente, uma só. Muitos preferiram falar de três diferentes modos, não de manifestação, como ensinava Sabélio, mas de existência ou de subsistência. Diz Calvino: “Então, com pessoa, quero dizer uma subsistência na essência divina – uma subsistência que, conquanto relacionada com as outras duas, distingue-se delas por suas propriedades incomunicáveis”. As auto-distinções do Ser Divino implicam um “Eu” e “Tu” no Ser de Deus, que assumem relações pessoais uns para com os outros. Ver Mt 3.16; 4.1; Jo 1.18; 3.16; 5.20-22; 14.26; 15.26; 16.13-15.
c. Toda a indivisa essência de Deus pertence igualmente a cada uma das três pessoas. A essência não é dividida entre as três pessoas, mas está em cada uma das pessoas, de modo que têm unidade numérica de essência. A natureza divina distingue-se da natureza humana em que pode subsistir total e indivisivelmente em mais de uma pessoa. Três pessoas humanas têm apenas unidade de natureza ou essência, isto é, participam da mesma espécie de natureza ou essência, as pessoas da Divindade têm unidade numérica de essência, isto é, possuem a mesma essência, essência idêntica. A natureza ou essência humana pode ser considerada como uma espécie, da qual cada homem tem uma parcela individual. A natureza divina é indivisível e, portanto, idêntica, nas pessoas da Divindade. É numericamente uma e a mesma, pelo que a unidade da essência das pessoas é uma unidade numérica. A essência divina não é uma existência independente justaposta paralelamente às três pessoas. Ela não tem existência à parte e fora das três pessoas. Se tivesse, não haveria verdadeira unidade, mas uma divisão que levaria ao tetrateísmo. A distinção pessoal é una, dentro da essência divina. Esta tem três modos de subsistência. Não pode haver subordinação de uma pessoa a outra da Divindade quanto ao ser essencial, e, portanto, nenhuma diferença na dignidade pessoal. A única subordinação de que podemos falar é uma subordinação quanto à ordem e ao relacionamento. É especialmente quando refletimos na relação das três pessoas da essência divina, que todas as analogias nos falham e ficamos profundamente conscientes de que a Trindade é um mistério que ultrapassa a nossa possibilidade de compreensão. E a incompreensível glória da Divindade. Assim como a natureza humana é tão rica, em sua amplíssima plenitude, que não pode ser incorporada, toda ela, num só indivíduo, e só obtém adequada expressão na humanidade como um todo, também o Ser Divino só se revela em Sua plenitude em Sua tríplice subsistência de Pai e Filho e Espírito Santo.
d. A subsistência e as operações das três pessoas do Ser Divino são assinaladas por certa ordem definida. Há uma certa ordem na Trindade. Quanto à subsistência pessoal o Pai é a primeira pessoa, o Filho é a segunda, e o Espírito Santo é a terceira. Esta ordem não pertence a nenhuma prioridade de tempo ou de dignidade essencial, mas somente à ordem de derivação lógica. O Pai não é gerado por nenhuma das outras duas pessoas, nem delas procede; o Filho é eternamente gerado pelo Pai, e o Espírito procede do Pai e do Filho desde toda a eternidade. A geração e a processão ocorrem dentro do Ser Divino, e implicam certa subordinação quanto ao modo da subsistência pessoal, não porém subordinação no que se refere à posse da essência divina. Nada mais natural que a ordem existente na Trindade essencial se reflita nas opera ad extra (obras externas ao ser essencial) que se atribuem mais particularmente a cada uma das pessoas. A Escritura indica claramente esta ordem para expressar a ideia de que todas as coisas provêm do Pai, mediante o Filho, e no Espírito Santo.
e. Há certos atributos pessoais pelos quais se distinguem as três pessoas. Chamam- se opera ad intra, porque são obras realizadas no interior do Ser Divino. São operações pessoais, não realizadas pelas três pessoas juntas, e são incomunicáveis. A geração é um ato exclusivo do Pai; a filiação pertence exclusiva¬mente ao Filho; e a processão só pode ser atribuída ao Espírito Santo. Se distinguem das opera ad extra, que são as atividades e efeitos pelos quais a Trindade se manifesta exteriormente. Nunca estas obras se devem exclusivamente a uma das pessoas, mas sempre são obras do Ser Divino completo. Algumas das obras ad extra são atribuídas mais particularmente a uma pessoa, algumas mais especialmente a outra, e assim com cada uma das três pessoas divinas. Conquanto sejam obras das três pessoas conjuntamente, atribui-se a criação primariamente ao Pai, a redenção ao Filho e a santificação ao Espírito Santo. Esta ordem das operações divinas indica a ordem essencial de Deus e for¬ma a base daquilo que geralmente se conhece como Trindade econômica.
f. A igreja confessa que a Trindade é um mistério que transcende a compreensão do homem. A Trindade é um mistério; se trata de uma verdade anteriormente oculta e depois revelada; o homem não pode compreendê-la e não pode tomá-la inteligível. E inteligível em algumas de suas relações e de seus modos de manifestação, mas é ininteligível em sua natureza essencial. Esforços feitos para explicar o mistério redundaram no desenvolvimento de conceitos triteístas ou modalistas de Deus, na negação ou da unidade da essência divina ou da realidade das distinções pessoais dentro da essência. A real dificuldade está na relação em que as pessoas da Divindade estão com a essência divina e uma com as outras; e esta é uma dificuldade que a igreja não é capaz de remover, podendo apenas tentar reduzi-la mediante uma apropriada definição de termos. Ela jamais tentou explicar o mistério da Trindade, mas procurou somente formular a doutrina de modo que fossem evitados os erros que a ameaçam.

Cristologia (Parte 3) - A Humanidade de CristoII.) A subsistência pessoal do Filho
Os modalistas negam as distinções pessoais da Divindade. Pode-se consubstanciar a doutrina da personalidade do Filho como segue: (1) O modo pelo qual a Bíblia fala do Pai e do Filho um ao lado do outro implica que um é tão pessoal como o outro, e também indica a existência de uma relação pessoal entre ambos. (2) O emprego dos apelativos “unigênito” e “primogênito” implica que a relação entre o Pai e o Filho pode ser retratada aproximadamente como uma relação de geração e nascimento. O designativo “primogênito” encontra-se em Cl 1.15; Hb 1.6, e acentua o fato da geração eterna do Filho. Significa que Ele já existia antes da criação. (3) O termo “Logos” é aplicado ao Filho para indicar a Sua profunda relação com o Pai, relação como a que existe entre uma palavra e o orador que a profere. Diferentemente da filosofia, a Bíblia apresenta o Logos como pessoal e o identifica com o Filho de Deus, Jo 1.1-14; 1 Jo 1.1-3. (4) A descrição do Filho como a imagem ou mesmo como a expressa imagem de Deus em 2 Co 4.4; Cl 1.15; Hb 1.3.

III.) A geração eterna do Filho
Ele é eternamente gerado do Pai (“filiação”) e toma parte com o Pai na espiração do Espírito. A doutrina da geração do Filho é sugerida pela representação bíblica da primeira e da segunda pessoas da Trindade como estando na relação do Pai e o Filho um com o outro. Não somente os nomes “Pai” e “Filho” sugerem a geração deste por aquele, mas também o Filho é repetidamente chamado “o Unigênito”, Jo 1.14,18; 3.16,18; 1 Jo 4.9. Várias particularidades: (1) É um ato necessário de Deus. A geração do Filho deve ser considerada como um ato necessário e perfeitamente natural de Deus. Não significa que este ato não esteja relacionado com a vontade do Pai. É um ato da vontade necessária do Pai; a Sua vontade concomitante agrada-se perfeitamente com ele. (2) É um ato eterno do Pai. A geração do Filho naturalmente participa do Pai na eternidade. Não significa que seja um ato que se realizou completamente no passado distante, mas, antes, que é um ato atemporal, o ato de um eterno presente, um ato que se realiza continuadamente e, todavia, sempre de maneira completa. Sua eternidade segue-se não somente da eternidade de Deus, mas também da imutabilidade divina e da verdadeira divindade do Filho. Acresce que também se pode inferir das passagens bíblicas que ensinam ou a preexistência do Filho ou a Sua igualdade com o Pai, Mq 5.2; Jo 1, 14, 18; 3.16; 5.17, 18, 30, 36; At 13.33; Jo 17.5; Cl 1.16; Hb 1.3. (3) É geração da subsistência pessoal, e não da essência divina do Filho. Alguns falam como se o Pai gerasse a essência do Filho, mas isto equivale a dizer que Ele gerou a Sua própria essência, pois a essência do Pai e do Filho é exatamente a mesma. É melhor dizer que o Pai gera a subsistência pessoal do Filho e Lhe comunica a essência divina em sua inteireza. Devemos evitar a ideia de que o Pai gerou primeiramente a segunda pessoa e depois comunicou a essência divina a esta pessoa; isto levaria à conclusão de que o Filho não foi gerado da essência divina, mas foi criado do nada. Na obra de geração houve comunicação da essência; foi um ato indivisível. Em virtude desta comunicação, o Filho também tem vida em Si mesmo, Jo 5.26. (4) É geração que deve ser entendida como espiritual e divina. Não se deve entender esta geração de maneira física ou que lembre o processo de geração das criaturas, mas deve ser entendida como espiritual e divina, excluindo toda ideia de divisão ou mudança. Notável analogia acha-se no pensamento e na alocução do homem, e a própria Bíblia parece indicar isto, quando fala do Filho como o Logos. (5) Definição da geração do Filho: É o ato eterno e necessário da primeira pessoa da Trindade, pelo qual Ele, dentro do Ser Divino, é a base de uma segunda subsistência pessoal, semelhante à Sua própria, e dá a esta segunda pessoa posse da essência divina completa, sem nenhuma divisão, alienação ou mudança.

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As Naturezas de Cristo

Cristologia (Parte 4) - A Divindade de CristoO esboço abaixo é baseado no livro “Teologia Sistemática” de Louis Berkhof, 2ª edição, 1992, p. 315-319.

> Desde os primeiros tempos, e mais particularmente desde o Concílio de Calcedônia, a igreja confessa a doutrina das duas naturezas de Cristo.
> O concílio não solucionou o problema (uma pessoa que era ao mesmo tempo divina e humana), mas procurou afastar soluções oferecidas que eram reconhecidas como errôneas.
> A igreja aceitou a doutrina, não porque tivesse completa compreensão do mistério, mas porque viu nela um mistério revelado pela Palavra de Deus; foi e continuou sendo um artigo de fé, muito acima da compreensão humana.
> Católicos romanos e os protestantes vão ombro a ombro nesta confissão.
> Iluminismo em diante – doutrina tornou-se alvo de ataques: era indigno do homem aceitar, pela autoridade da Escritura, o que era contrário à razão.
> Filósofos e teólogos tentaram resolver o problema; tomaram o seu ponto de partida no Jesus humano (histórico); viram em Jesus nada mais que um homem dotado de um elemento divino; não puderam elevar-se ao reconhecimento dele como seu Senhor e seu Deus; para eles, Cristo é e continuará sendo mero homem; concordam em despir Cristo de Sua divindade e em reduzi-lo a dimensões humanas: é apenas um grande mestre de ética, um vidente apocalíptico.

1. Provas Bíblicas da Divindade de Cristo
a. No Velho Testamento – Alguns demonstram inclinação para negar que o V. T. tenha predições de um Messias divino; essa negação é insustentável Sl 2.6-12 (Hb 1.5); 45.6,7 (Hb 1.8,9); 110.1 (Hb 1.13); Is 9.6; Jr 23.6; Dn 7.13; Mq 5.2; Zc 13.7; Mt 3.1; a doutrina de um Messias super-humano era uma coisa natural para o judaísmo pré-cristão.
b. Nos escritos de João e Paulo – É impossível negar que tanto João como Paulo ensinam a divindade de Cristo. Em João acha-se o mais elevado conceito da pessoa de Cristo, Jo 1.1-3,14,18; 2.24,25; 3.16-18,35,36; 4.14,15; 5.18,20-22,25-27; 11.41-44; 20.28; 1 Jo 1.3; 2.23; 4.14,15; 5.5, 10-13,20; Conceito semelhante acha-se nas epístolas paulinas e em Hebreus, Rm 1.7; 9.5; 1 Co 1.1-3; 2.8; 2 Co 5.10; G1 2.20; 4.4; Fp 2.6; Cl 2.9; 1 Tm 3.16; Hb 1.1-3,5,8; 4.14; 5.8, etc. Os eruditos críticos procuram escapar da doutrina ensinada nesses escritos: negando a historicidade do Evangelho de João e a autenticidade de várias epístolas de Paulo; considerando as exposições de João, Paulo e Hebreus como interpretações infundadas; atribuindo a Paulo um conceito inferior ao que se acha em João, a saber, o de Cristo como homem preexistente e divino.
c. Nos Sinóticos – O Cristo dos sinóticos é tão divino quanto o Cristo de João. Ele sobressai como uma pessoa super-natural, como o Filho do homem e o Filho de Deus. Seu caráter e Suas obras justificam Sua reivindicação, Mt 5.17; 9.6; 11.1-6,27; 14.33; 16.16,17; 28.18; 25.31-46; Mc 8.38.
d. A consciência própria de Jesus – Não pode haver dúvida de que Jesus estava consciente de que era o próprio Filho de Deus, Mt 11.27 (Lc 10.22); 21.37,38 (Mc 12.6; Lc 20.13); 22.41-46 (Mc 13.35-37; Lc 20.41-44); 24.36 (Mc 13.32); 28.19. Algumas destas passagens atestam a consciência messiânica de Jesus; outras, o fato de que Ele estava cônscio de que era o Filho de Deus no sentido mais elevado. Em Mateus e Lucas há várias passagens nas quais Ele fala da primeira pessoa da Trindade como “meu Pai”, Mt 7.21; 10.32,33; 11.27; 12.50; 15.13; 16.17; 18.10,19,35; 20.23; 25.34; 26.29,53; Lc 2.49; 22.29; 24.49. No Evangelho Segundo João a consciência que Jesus tinha de que era o próprio Filho de Deus é ainda mais palpável, Jo 3.13; 5.17,18,19-27; 6.37-40,57; 8.34-36; 10.17,18,30,35,36.

2. Provas Bíblicas da Verdadeira Humanidade de Cristo
Em sua reverência pelo Cristo divino, às vezes os homens se esquecem do Cristo humano. É muito importante afirmar a realidade e a integridade da humanidade de Jesus, admitindo o Seu desenvolvimento humano e as Suas limitações humanas. Não se deve salientar o esplendor da Sua divindade a ponto de obscurecer a Sua verdadeira humanidade. Jesus chamou-se homem a Si próprio, e assim foi chamado por outros, Jo 8.40; At 2.22; Rm 5.15; 1 Co 15.21. A mais comum forma de auto tratamento de Jesus, “o Filho do homem”, indica a verdadeira humanidade de Jesus. Diz a Bíblia que o Senhor veio ou foi manifestado na carne, Jo 1.14; 1 Tm 3.16; 1 Jo 4.2. A Bíblia indica claramente que Jesus possuía os elementos essenciais da natureza humana, isto é, um corpo material e uma alma racional, Mt 26.26,28,38; Lc 23.46; 24.39; Jo 11.33; Hb 2.14. Há também passagens que mostram que Jesus estava sujeito às leis ordinárias do desenvolvimento humano, e aos sofrimentos e necessidades humanos, Lc 2.40,52; Hb 2.10,18; 5.8. Há demonstrações minuciosas de que Ele passou pelas experiências normais da vida humana, Mt 4.2; 8.24; 9.36; Mc 3.5; Lc 22.44; Jo 4.6; 11.35; 12.27; 19.28,30; Hb 5.7.

3. Provas Bíblicas da Impecabilidade da Humanidade de Cristo
Impecabilidade significa que Cristo pôde evitar o pecado e que de fato o evitou, mas também que Lhe era impossível pecar devido à ligação essencial entre as naturezas humana e divina. A impecabilidade de Cristo foi negada, mas a Bíblia dá claro testemunho dela nas seguintes passagens: Lc 1.35; Jo 8.46; 14.30; 2 Co 5.21; Hb 4.15; 9.14; 1 Pe 2.22; 1 Jo 3.5. Apesar de Jesus ter-se feito pecado judicialmente, todavia, eticamente estava livre tanto da depravação hereditária como do pecado fatual. Ele jamais fez confissão de erro moral; tampouco se juntou aos Seus discípulos na oração “Perdoa as nossas dívidas”. Ele pôde desafiar os Seus inimigos a convencê-lo de pecado. A Escritura até O apresenta como pessoa em quem se realizou o ideal moral, Hb 2.8,9; 1 Co 15.45; 2 Co 3.18; Fp 3.21. Ele correspondeu ao perfeito ideal de humanidade.

4. A Necessidade das Duas Naturezas de Cristo
A necessidade das duas naturezas de Cristo decorre daquilo que é essencial à doutrina escriturística da expiação.
a. Necessidade de Sua humanidade – Desde que o homem pecou, era necessário que sofresse a penalidade. O pagamento da pena envolvia sofrimento de corpo e alma, sofrimento somente cabível ao homem, Jo 12.27; At 3.18; Hb 2.14; 9.22. Era necessário que Cristo assumisse a natureza humana, não somente com todas as suas propriedades essenciais, mas também com todas as debilidades a que está sujeita, depois da Queda, e, assim, devia descer às profundezas da degradação em que o homem tinha caído, Hb 2.17,18. Ao mesmo tempo, era preciso que fosse um homem sem pecado, pois um homem que fosse pecador não poderia fazer expiação por outros, Hb 7.26. Unicamente um Mediador verdadeiramente humano que tivesse conhecimento experimental das misérias da humanidade e se mantivesse acima de todas as tentações, poderia entrar empaticamente em todas as experiências, provações e tentações do homem, Hb 2.17,18; 4.15-5.2, e ser um perfeito exemplo humano para os Seus seguidores, Mt 11.29; Mc 10.39; Jo 13.13-15; Fp 2.5-8; Hb 12.2-4; 1 Pe 2.21.
b. Necessidade de Sua Divindade – Era necessário que Ele pudesse aplicar os frutos da Sua obra consumada aos que O aceitassem pela fé, Sl 49.7-10; 130.3.

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Avalie sua Vida pela Alegria e pela Fé

alegria-1TEXTO: 2 Co 5.10

INTRODUÇÃO
> Sugiro que façamos uma avaliação sincera e que se ao final descobrirmos que precisamos mudar em alguma área ou em todas as áreas, reconsagremos nossas vidas a Deus de todo o nosso coração.
> Devemos nos avaliar porque o nosso Deus é um Deus que vê e avalia.
> Vejamos os seguintes textos: Rm 14.10-12; 1 Co 3.11-15; 2 Co 5.10

PROPOSIÇÃO
> Deus é um Deus que avalia. Consequentemente nós também devemos nos avaliar. Vejamos agora, dentre tantas outras, duas áreas nas quais devemos nos avaliar.

I.) AVALIE A SUA VIDA PELA ALEGRIA
> A alegria é um dos aspectos do fruto do Espírito – Gl 5.22
> A alegria tende a depender das circunstâncias, mas ela pode ser permanente. Como? Quando levamos a sério nossa vida de comunhão com Deus, a despeito de toda e qualquer circunstância podemos viver alegres.
> Ler Pv 15.13; Lc 6.45; Fp 3.1; 4.4
> O hábito de resmungar e se queixar, a tendência de ser negativo, refletem em parte a qualidade (ou a falta de qualidade) da sua vida espiritual.
> A alegria do Senhor é a nossa força (Ne 8.10), é aquilo que nos move, nos motiva, nos impulsiona, nos fortalece. Por isso devemos estar atentos às estratégias de Satanás para nos roubar a alegria e jamais devemos deixar de buscar a alegria na fonte certa (o Senhor e não outras coisas), pois se perdermos a alegria, perdemos a força, motivação, etc.
> Não ganhe a reputação de palhaço, de sempre estar brincando, de não levar nada a sério. Não afaste a presença de Deus de um momento sagrado com uma anedota inoportuna ou imprópria.

F2_1_~1II.) AVALIE A SUA VIDA PELA SUA FÉ
> A fé é indispensável para conquistarmos grandes bênçãos e grandes vitórias, mas a verdadeira fé é demonstrada de fato quando passamos por lutas, tribulações, dificuldades, e até certos fracassos e derrotas.
1. Avalie a sua vida pela profundidade da sua confiança – Rm 8.28; Jr 29.11. Você confia no caráter de Deus e no seu propósito e controle sobre a sua vida?
2. Avalie a sua fé pela sua obediência – Se creio de todo o meu coração na Palavra de Deus, sempre estarei disposto a obedecer.
3. Avalie a sua fé pela sua capacidade de ver as coisas da perspectiva de Deus – Ex. do copo com água pela metade. Que metade você vê? A com água ou a sem água?
4. Avalie a sua fé pela sua iniciativa – Não esperar Deus abrir o mar para colocarmos o pé na água, mas colocar o pé na água para que o mar se abra! Ex. Conquista de Jericó.
5. Avalie a sua fé pela sua capacidade de louvar apesar das circunstâncias – A fé pode ter as costas sangrando, os pés em grilhões, mas à meia-noite ela irá juntar-se a Paulo e Silas e cantar louvores a Deus.
6. Avalie a sua fé pela sua capacidade de perseverar – Ex. Jó e Adoniram Judson

CONCLUSÃO
> Se formos sinceros em avaliar a nossa alegria e principalmente a nossa fé, veremos o quanto estamos longe do propósito de Deus. Você está disposto a pagar o preço por um fé verdadeira e inabalável?

Esboço baseado no livro “Avalie a sua vida” de Wesley Duewel.

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O Desenvolvimento Doutrinário na Era Conciliar

O esboço abaixo é baseado no livro “O Cristianismo Através dos Séculos” de Earle E. Cairns, 2ª edição, reimpressão de janeiro de 1992, p. 105-110

 Ícone retratando o Primeiro Concílio de Niceia em 325 d.C.

Ícone retratando o Primeiro Concílio de Niceia em 325 d.C.

> Controvérsias teológicas resultaram em concílios que tentaram resolver as questões em disputa através da formulação de Credos.
> Entre 325 e 451, concílios universais ou ecumênicos foram convocados para resolver os conflitos; estabeleceram-se os principais dogmas da Igreja Cristã.
> Concílios geralmente convocados e presididos pelo Imperador romano; Sete concílios:
1. Nicéia (325) para resolver a disputa ariana;
2. Constantinopla (381) para afirmar a personalidade do Espírito Santo e a humanidade de Cristo;
3. Éfeso (431) para enfatizar a unidade da personalidade de Cristo;
4. Calcedônia (451) para declarar o relacionamento entre as duas naturezas de Cristo;
5. Constantinopla (553) para tratar da disputa monofisista (do grego: monos – “único, singular” e physis – “natureza”; defende que Jesus Cristo teria apenas uma única “natureza”);
6. Constantinopla (680) para condenar os monotelitas (proclamavam que, em Jesus Cristo, embora havendo duas naturezas, só havia uma vontade, pela identificação perfeita da vontade humana com a vontade divina);
7. Nicéia (787) para tratar dos problemas levantados pela controvérsia das imagens.

I. A Relação do Filho com o Pai na eternidade
> Constituiu-se num grave problema na Igreja logo depois de encerrada a fase das perseguições.
> Tertuliano (c. 160-230) insistira sobre a unidade de essência em três personalidades como a interpretação correta.
> 318, Ário dizia ser um equivoco estabelecer uma distinção entre as pessoas da Divindade; seu desejo era evitar uma concepção politeísta de Deus; acabou concebendo uma doutrina que recusava a verdadeira divindade de Cristo.
> Alexandria teve que condenar Ário; quebrou-se a unidade do Império e da Igreja; Constantino convocou um concílio a fim de encontrar uma solução – Nicéia, 325.
> 3 partidos no concílio:
Ário insistiu que Cristo não existiu desde a eternidade, mas que começou a existir por um ato criativo de Deus antes do tempo; Cristo era de essência ou substância diferente do Pai; pela excelência da Sua vida e por Sua obediência pôde ser considerado divino; era um ser criado a partir do nada; não era co-igual, co-eterno e da mesma substância com o Pai; era divino, mas não era Deus.
Atanásio defendeu a ideia de que Cristo existiu desde a eternidade com o Pai e era da mesma essência com o Pai, embora fosse uma personalidade distinta; Cristo era co-igual, co-eterno e da mesma substância com o Pai
Eusébio de Cesaréia propôs uma doutrina que combinasse as melhores ideias de Ário e Atanásio; para ele, Cristo não foi criado do nada como Ário entendia, mas foi gerado pelo Pai antes da eternidade.
> A ortodoxia teve uma vitória temporária em Nicéia, com a afirmação da eternidade de Cristo e a identidade de Sua substância com o Pai (posição de Atanásio venceu).
> Entre 325 e 361, a ortodoxia teve que enfrentar uma reação que provocou a sua derrota e a vitória temporária do Arianismo.
> Uma segunda reação contra a ortodoxia teve lugar entre 361 e 381.
> Anos entre 325 e 381 marcados pelo ódio e pela briga.
> Vitória final em 381; Teodósio (c. 346-395, imperador romano) definiu como a fé dos verdadeiros cristãos as doutrinas elaboradas pelos ortodoxos de Nicéia; O Concílio de Constantinopla em 381 estabeleceu que a fé de Nicéia “não deveria ser abandonada, mas deveria permanecer como a correta”; a verdadeira divindade de Cristo foi feita artigo de fé.

II. Controvérsias sobre o relacionamento entre as naturezas de Cristo
> Os teólogos ligados a Alexandria salientavam a divindade de Cristo, enquanto que os relacionados a Antioquia salientavam a Sua humanidade, às expensas de Sua deidade.
> Apolinário propôs que Cristo tinha um corpo e uma alma reais, mas que o espírito no homem foi substituído em Cristo pelo Logos. Como elemento ativo, o logos divino dominava ativamente o elemento passivo, o corpo e a alma na pessoa de Cristo. Ele exaltava a divindade de Cristo, mas minimizava Sua verdadeira humanidade. A doutrina de Apolinário foi condenada no Concílio de Constantinopla em 381.
> Nestório defendia que Cristo era apenas um homem perfeito moralmente associado à divindade. Ele era mais portador de Deus do que Deus-homem. Nestorianismo condenado em Éfeso em 431.
> Eutiques (Eutico) ensinava que após a encarnação, as naturezas de Cristo, a humana e a divina, se fundiram numa só, a divina; essa doutrina acabava na negação da verdadeira humanidade de Cristo; foi condenada pelo Concílio de Calcedônia em 451.
> Concílio de Calcedônia em 451 – se empenhou em promulgar uma Cristologia que se harmonizasse com a Bíblia; estabeleceu que Cristo era “completo em sua divindade e completo em sua humanidade, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem”, tendo “duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação”. Na Encarnação, estas duas naturezas reuniram-se harmoniosamente numa Pessoa.
> Controvérsia monofisita perturbou a paz do Império oriental até meados do séc VI, Constantinopla (553)
> Seguiu-se a discussão sobre o relacionamento entre as vontades de Cristo. Tinha Ele uma vontade ao mesmo tempo divina e humana? A questão foi resolvida no Concílio de Constantinopla (680-681) com a declaração de que as duas vontades de Cristo existem nEle numa unidade harmônica em que a vontade humana se sujeita à divina.

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A Doutrina de Cristo na História

Mosaico de Jesus Cristo, do período bizantino (século IV ao XV), encontrado na antiga Igreja de Hagia Sophia.

Mosaico de Jesus Cristo, do período bizantino (século IV ao XV), encontrado na antiga Igreja de Hagia Sophia.

O esboço abaixo é baseado no livro “Teologia Sistemática” de Louis Berkhof, 2ª edição, 1992, p. 305-311.

Literatura cristã primitiva
> Cristo sobressai como humano e divino, como o Filho do homem, também como o Filho de Deus.
> Seu caráter sem pecado é defendido; considerado como legítimo objeto de culto.
> Problemas suscitados por Cristo, como ao mesmo tempo Deus e homem não foram plenamente sentidos pela mente cristã dos primeiros tempos (nos tempos da perseguição, a submissão à Cristo e à Bíblia era mais importante do que o significado de certas doutrinas).

Ebionitas
> Sentiram-se constrangidos, no interesse do monoteísmo, a negar a divindade de Cristo.
> O consideravam como simples homem, filho de José e Maria, qualificado em Seu batismo para ser o Messias, pela descida do Espírito Santo sobre Ele.

Os alogi (álogos ou alogianos)
> Rejeitavam os escritos de João; entendiam que a sua doutrina do Logos está em conflito com o restante do Novo Testamento.
> Viam em Jesus apenas um homem, conquanto miraculosamente nascido de uma virgem; ensinavam que Cristo desceu sobre Ele no batismo, conferindo-lhe poderes sobrenaturais.

Monarquistas dinâmicos
> “defensores” de Deus (o Monarca); “dinâmicos” do grego dynamis “força, poder”, pois diziam que Deus deu força e poder a Jesus, adotando-o como Filho.
> Paulo de Samosata (principal representante) distinguia entre Jesus e o Logos; considerava Aquele como um homem igual a todos os demais, e Este como a razão impessoal divina, que fez Sua habitação em Cristo desde a ocasião do Seu batismo, e O qualificou para a Sua tarefa.

Gnósticos
> Alguns sacrificavam a divindade pela defesa da humanidade de Cristo; outros invertiam a ordem.
> Rejeitavam a ideia de uma encarnação, de uma manifestação de Deus em forma visível (isto envolveria um contato direto do espírito com a matéria – entendiam a matéria como inerentemente má, completamente oposta ao espírito).
> A maioria deles considerava Cristo como um Espírito consubstancial com o Pai que desceu sobre o homem Jesus quando do Seu batismo, mas O deixou de novo antes da Sua crucificação; segundo outros, Ele assumiu um corpo meramente fantasmagórico.

Monarquistas modalistas
> Concebia as três Pessoas da Trindade como os três modos pelos quais Deus se manifestava.
> Também negavam a humanidade de Cristo, em parte no interesse da Sua divindade, e em parte para preservar a unidade do Ser Divino.
> Viam nele apenas um modo ou uma manifestação do Deus único, em quem não reconheciam nenhuma distinção de pessoas.

Pais alexandrinos e antignósticos
> Empreenderam a defesa da divindade de Cristo, mas não evitaram inteiramente o erro de descrevê-lo como subordinado ao Pai (Berkhof fala de “uma certa ordem na Trindade”, pg. 90).
> Tertuliano ensinava uma espécie de subordinação, mas especialmente Orígenes, que não hesitava em falar de uma subordinação quanto à essência. Isto veio a ser um ponto de partida para o arianismo.

Arianismo
> Faz distinção entre Cristo e o Logos como a razão di¬vina; Cristo é apresentado como uma criatura pré-temporal, super-humana, a primeira das criaturas, não Deus e, todavia, mais que homem.

Atanásio
> Contestou a Ário e defendeu vigorosamente a posição de que o Filho é consubstanciai com o Pai e da mesma essência do Pai, posição oficialmente adotada pelo Concílio de Nicéia.

Semi-arianismo
> Propôs uma via média, declarando que a essência do Filho é semelhante à do Pai.

Concílio de Nicéia, em 325
> Convocado para resolver a disputa ariana.
> Divindade do Filho foi estabelecida oficialmente.

Apolinário
> Surgiu a questão quanto à relação mútua das duas naturezas de Cristo.
> Apolinário, aceitando a concepção tricotômica do homem como consistindo de corpo, alma e espírito, tomou a posição de que o Logos assumiu o lugar do espírito (pneuma) no homem, que ele considerava a sede do pecado.
> Seu interesse era assegurar a unidade da pessoa de Cristo, sem sacrificar a sua real divindade; e também resguardar a impecabilidade de Cristo. Mas o fez em detrimento da completa humanidade do Salvador.
> Sua posição foi condenada pelo Concílio de Constantinopla, em 381.
> Apolinário lutava pela unidade da pessoa de Cristo (que realmente corria perigo conforme se vê a seguir)

Escola de Antioquia
> Exagerava a distinção das duas naturezas de Cristo.
> Teodoro de Mopsuéstia e Nestório acentuavam a completa humanidade de Cristo; a habitação do Logos nele era apenas uma habitação moral, como a que os crentes também gozam, embora não no mesmo grau.
> Viam em Cristo um homem lado a lado com Deus, em aliança com Deus, compartilhando o propósito de Deus, mas não unido a Ele numa unidade de vida pessoal única – viam nele um Mediador que consistia de duas pessoas.

Cirilo de Alexandria
> Em oposição a eles, Cirilo de Alexandria salientava fortemente a unidade da pessoa de Cristo e, na opinião dos seus oponentes, negava as duas naturezas, conquanto com toda a probabilidade esses oponentes o tenham entendido mal.

Eutico e os seus seguidores
> Recorreram a Cirilo quando assumiram a posição de que a natureza humana de Cristo foi absorvida pela divina, ou que as duas se fundiram resultando numa só natureza, posição que envolvia a negação das duas naturezas de Cristo.

Concílio de Calcedônia, em 451
> Condenou esses conceitos e manteve a crença na unidade da pessoa, como também na dualidade das naturezas.

Monofisitas e Monotelitas
> Por algum tempo o erro eutiquiano continuou com os monofisitas e monotelitas, mas finalmente foi dominado pela igreja.

Leôncio de Bizâncio
> O perigo de que a natureza humana de Cristo fosse considerada como inteiramente impessoal foi afastado por Leôncio de Bizâncio, quando demonstrou que ela não é impessoal, mas in-pessoal, tendo a sua subsistência pessoal na pessoa do Filho de Deus.

João de Damasco
> Cristologia do Oriente alcançou o seu desenvolvimento máximo com ele;
> Acrescentou a ideia de que há uma comunicação dos atributos divinos à natureza humana, de modo que esta é deificada e também podemos dizer que Deus sofreu na carne. Ele mostra a tendência de reduzir a natureza humana à posição de mero órgão ou instrumento do Logos, se bem que admite que há cooperação das duas naturezas, e que a pessoa única exerce ação e vontade em cada natureza, embora a natureza humana esteja sempre sujeita à divina.

Felix, bispo de Urgel
> Representante da Igreja ocidental, defendeu o adocionismo (professa que Jesus nasceu humano, tornando-se posteriormente divino por ocasião do seu batismo, ponto em que foi adotado como filho de Deus).
> Considerava Cristo, quanto à Sua natureza divina, isto é, o Logos, como o unigênito Filho de Deus no sentido natural, mas considerava Cristo, em Seu lado humano, como um Filho de Deus meramente por adoção. Felix procurou preservar a unidade da pessoa salientando o fato de que, desde o momento da Sua concepção, o Filho do homem foi absorvido na unidade da pessoa do Filho de Deus. Fez-se, assim, distinção entre a filiação natural e a adotiva, e esta não começou com o nascimento natural de Cristo, mas teve início por ocasião do Seu batismo e se consumou em Sua ressurreição. Foi um nascimento espiritual que fez de Cristo o Filho adotivo de Deus. Mais uma vez a igreja viu a crença na unidade da pessoa de Cristo ameaçada por esse conceito e, portanto, ele foi condenado pelo Sínodo de Franckfurt, em 794.

Idade Média
> Acrescentou muito pouca coisa à doutrina da pessoa de Cristo.
> Devido a várias influências, como as da ênfase à imitação de Cristo, das teorias sobre a expiação, e do desenvolvimento da doutrina da missa, a igreja se apegou fortemente à plena humanidade de Cristo.

Escolásticos
> Buscavam conciliar a fé cristã com um sistema de pensamento racional, especialmente o da filosofia grega.
> Expuseram em sua Cristologia um conceito docético (defendia que o corpo de Jesus Cristo era uma ilusão, e que sua crucificação teria sido apenas aparente).

Pedro Lombardo
> Não hesitava em dizer que, com relação à Sua humanidade, Cristo não era absolutamente nada. Mas este niilismo (desvalorização e a morte do sentido) foi condenado pela igreja.

Tomaz de Aquino
> A pessoa do Logos tornou-se composta na encarnação, e Sua união com a natureza tomas-de-aquino1humana “impediu” esta última de chegar a ter uma personalidade independente.
> A natureza humana de Cristo recebeu dupla graça em virtude de sua união com o Logos, (a) a gratia unionis (graça da união), que lhe comunicou uma dignidade especial, de modo que até se tomou objeto de culto, e (b) a gratia habituális (graça habitual), que a mantinha em sua relação com Deus.
> O conhecimento humano de Cristo era duplo, a saber, um conhecimento infuso e um conhecimento adquirido. Há duas vontades em Cristo, mas a causalidade última pertence à vontade divina, à qual a vontade humana está sempre sujeita.

Reforma
> Não trouxe grandes mudanças à doutrina da pessoa de Cristo. Tanto a Igreja Romana como as igrejas da Reforma subscreveram a doutrina de Cristo nos termos de sua formulação pelo Concílio de Calcedônia.

Luteranos
> A doutrina de Lutero sobre a presença física de Cristo na ceia do Senhor levou ao conceito caracteristicamente luterano da communicatio idiomatum (comunicação de propriedades), com o sentido de “que cada uma das naturezas de Cristo permeia a outra (perichoresis), e que a Sua humanidade participa dos atributos da Sua divindade”. Afirma-se que os atributos de onipotência, onisciência e onipresença foram comunicados à natureza humana de Cristo ao tempo da encarnação. Suscitou-se naturalmente a questão sobre como isto poderia harmonizar-se com o que sabemos da vida terrena de Jesus. Alguns teólogos luteranos afirmam que Cristo pôs de lado os atributos divinos recebidos na encarnação, ou os usava só ocasionalmente, enquanto outros diziam que Ele continuou de posse deles durante toda a sua vida terrena, mas os manteve ocultos ou só os usava secretamente. Alguns luteranos atualmente parecem inclinados a rejeitar esta doutrina. Os teólogos reformados (calvinistas) viam nessa doutrina luterana uma espécie de eutiquianismo ou de fusão das duas naturezas de Cristo.

Teologia reformada
> Também ensina uma comunicação de atributos, mas a concebe de maneira diferente da Cristologia Luterana. Crê que, depois da encarnação, as propriedades de ambas as naturezas podem ser atribuídas à pessoa única de Cristo. Pode-se dizer que a pessoa de Cristo é onisciente, mas também, que tem conhecimento limitado; pode ser considerada onipresente, mas também limitada, em qualquer tempo particular, a um único lugar.
> Segunda Confissão Helvética: “Reconhecemos, pois, que há no único e mesmo Jesus, nosso Senhor, duas naturezas – a natureza divina e a humana; e dizemos que estas são ligadas ou unidas de modo tal, que não são absorvidas, confundidas ou misturadas, mas, antes, são unidas ou conjugadas numa pessoa (sendo que as propriedades de cada uma delas permanecem a salvo e intactas), de modo que podemos cultuar a um Cristo, nosso Senhor, e não a dois. Portanto, não pensamos nem ensinamos que a natureza divina em Cristo sofreu, ou que Cristo, de acordo com a Sua natureza humana, ainda está no mundo e, assim, em todo lugar”.

Século dezenove
> Deu-se grande mudança no estudo da pessoa de Cristo. Até àquele tempo, o ponto de partida fora predominantemente teológico, e a cristologia resultante era teocêntrica; mas durante a última parte do século dezoito houve crescente convicção de que se alcançariam melhores resultados partindo do estudo do Jesus histórico. Assim foi introduzido o “segundo período cristológico”, assim chamado. O novo ponto de vista era antropológico, e o resultado foi antropocêntrico. Isto evidenciou-se destrutivo para a fé cristã. Uma distinção de maior alcance e perniciosa foi feita entre o Jesus histórico, delineado pelos escritores dos evangelhos, e o Cristo teológico, fruto da fértil imaginação dos pensadores teológicos, e cuja imagem reflete-se agora nos credos da igreja. O Cristo sobrenatural abriu alas para um Jesus humano; e a doutrina das duas naturezas abriu alas para a doutrina de um homem divino.

Scheleiermacher
> Considerava Cristo como uma nova criação, na qual a natureza humana é elevada ao nível da perfeição ideal. Todavia, dificilmente se pode dizer que o seu Cristo se eleva acima do nível humano. A singularidade da Sua pessoa consiste do fato de que Ele possui um perfeito e vívido senso de união com o divino, e também realiza com plenitude o destino do homem em Seu caráter de perfeição impecável. A Sua suprema dignidade encontra a sua explicação numa presença especial de Deus nele, em Sua consciência singular de Deus.

Hegel
> Sistema panteísta de pensamento. O Verbo se fez carne significa que Deus se encarnou na humanidade; a encarnação expressa realmente a unidade de Deus e o homem. Enquanto a humanidade em geral considera Jesus unicamente como um mestre humano, a fé O reconhece como divino e vê que, por Sua vinda ao mundo, a transcendência de Deus torna-se imanência.

Teorias quenósicas
> Representam uma notável tentativa de melhorar a elaboração da doutrina da pessoa de Cristo.
> O termo kenosis é derivado de Fp 2.7, que ensina que Cristo “se esvaziou (ekenosen), assumindo a forma de servo”. Os quenosicistas tomam isso no sentido de que o Logos tornou-se, isto é, transformou-se literalmente num homem, reduzindo-se total ou parcialmente às dimensões de um homem, e depois cresceu em sabedoria e poder, até que afinal se tomou Deus de novo.
> Propunha-se manter a realidade e a integridade da humanidade de Cristo, e dar vivo relevo à grandiosidade da Sua humilhação, na qual Ele, sendo rico, fez-se pobre por nós. Contudo, ela envolve uma obstrução da linha de demarcação entre Deus e o homem.

Domer (Escola Mediadora)
> Opôs-se fortemente a esse conceito quenosicista e o substituiu pela doutrina de uma encarnação progressiva. Ele via na humanidade de Cristo uma nova humanidade com especial receptividade para com o divino. O Logos, o princípio de auto-concessão de Deus, juntou-se a essa humanidade; a medida em que o fez foi determinada em cada estágio pela sempre crescente receptividade da natureza humana para com o divino, e não alcançou o seu estágio final até à ressurreição. Mas isto não passa de uma nova e sutil forma da heresia nestoriana. Resulta num Cristo que consiste de duas pessoas.

Albrecht Ritschl
> Exerceu grande influência sobre a teologia contemporânea.
> Sua cristologia tem seu ponto de partida na obra de Cristo, e não em Sua pessoa. A obra de Cristo determina a dignidade de Sua pessoa. Ele era mero homem, mas em vista da obra que realizou e do serviço que prestou, acertadamente Lhe atribuímos os predicados da Divindade.
> Ritschl rejeita a preexistência, a encarnação e a concepção virginal de Cristo.
> Cristo foi o fundador do reino de Deus e induz os homens a ingressarem na comunidade cristã e a terem uma vida motivada pelo amor. Ele redime o homem por Seu ensino, por Seu exemplo e por Sua influência única, e, portanto, é digno de ser chamado Deus.

Teologia Moderna
> Ideia de uma unidade essencial de Deus e o homem.
> A doutrina das duas naturezas de Cristo desapareceu da teologia moderna e em seu lugar temos uma identificação panteísta de Deus e o homem. Essencialmente, todos os homens são divinos, desde que todos têm em si um elemento divino; e todos são filhos de Deus, diferindo de Cristo somente em grau. O ensino moderno acerca de Cristo está baseado na doutrina da continuidade de Deus e o homem. E é exatamente contra essa doutrina que Barth e os que pensam como ele ergueram sua voz.

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