Atos dos Apóstolos

Título
Atos tem sido comumente chamado de ‘Atos dos Apóstolos’ desde pelo menos o final do século dois, embora duvide-se que Lucas tinha a idéia de usar este título.
A referência aos apóstolos muito provavelmente significa os doze, todavia uma inspeção mais de perto do livro limita a atividade ‘apostólica’ a Pedro, João e Tiago, e mesmo assim somente nos primeiros capítulos.
‘Atos’ também faz referência à atividade sobrenatural que ocorreu no ministério da igreja. Esta atividade é de modo algum limitada aos doze apóstolos, mas inclui Felipe, Estevão, Ananias e Paulo; de fato a maior porção dos seus vinte e oito capítulos poderiam muito bem ter o título de ‘Os Atos de Paulo’.
A verdadeira ‘estrela’ do livro de Atos, contudo, não é Paulo, nem os doze, mas sim o Espírito Santo, o qual traz glória ao Cristo ressurreto através da igreja primitiva.

Tema
O tema de Atos é a obra do Espírito Santo dentro e através da igreja. A obra da redenção está agora completa, Cristo ressuscitou, a profecia de João 16.7 pode agora se cumprir. “Mas eu vos digo a verdade: Convém-vos que eu vá, porque se eu não for, o Consolador não virá para vós; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei.”

Verso Chave: Atos 1.8

Escritor
Lucas, o médico e companheiro de Paulo. O ‘primeiro relato’ mencionado em Atos 1.1 é o livro de Lucas, também endereçado a Teófilo (Lucas 1.3). Nossa discussão da autoria do livro de Lucas também discute a autoria de Atos.

Data e Lugar
Atos não registra a morte de Paulo, mas conclui a narrativa com Paulo ativamente trabalhando em Roma durante dois anos (Atos 28.30-31). Não há nem mesmo uma sugestão de um julgamento iminente, nem menção de quaisquer perseguições, as quais começaram com Nero em 64 AD; então, subentende-se que Atos foi escrito em 63 AD, cerca de dois anos depois da chegada de Paulo em Roma (61 AD). Paulo foi martirizado durante a perseguição de Nero aos cristãos em 64 AD.
Quanto ao lugar em que foi escrito, não há nenhuma evidência sugerindo que Lucas não esteve em Roma quando o livro foi escrito.

Propósito Imediato
O propósito de Atos foi de escrever um relato da expansão do evangelho e o desenvolvimento da igreja a partir do seu início em Jerusalém até o centro do poder em Roma.
Foi escrito para o mesmo patrono ou benfeitor do evangelho de Lucas, Teófilo, o qual pode ter ajudado financeiramente na sua publicação.
É interessante que Lucas nunca fala depreciativamente acerca dos oficiais romanos em sua narrativa, particularmente no modo que trataram a Paulo:
Sérgio Paulo, um homem inteligente – 13.7
Gálio apóia Paulo contra os judeus – 18.14-16
O escrivão da cidade apóia os cristãos – 19.37
Cláudio Lísias não viu nada contra Paulo – 23.29
Festo – Paulo nada fez para que morra – 25.25
Lucas procurou informar que o cristianismo não era nem subversivo (insubmisso, insubordinado), nem uma seita judaica, mas era para todos os homens, de toda parte.

Introdução
Atos é a última narrativa histórica da Bíblia. Registra o nascimento e primeiros momentos igreja de Jesus Cristo. Um mover dinâmico do Espírito Santo sobre a igreja primitiva provocou um crescimento, partindo de uma comunidade localizada em Jerusalém alcançando um fenômeno mundial em pouco mais de 30 anos.
Dizem que o último capítulo de Atos ainda está para ser escrito. Se o Espírito Santo atuou com tal poder sobrenatural durante os dias iniciais da igreja, então quanto mais podemos esperar nestes últimos dias!
Se você estudar o livro de Atos, é interessante observar o relacionamento dos seus dois personagens principais, Pedro e Paulo, no que se refere aos propósitos gerais de Deus. É como se estes homens fossem carregadores de tochas olímpicas. A chama de Pedro inflamou a igreja primitiva e levou o evangelho aos gentios, e então, ele passou a tocha para Paulo, o qual carregou-a pela Europa para cumprir o alvo de levar o evangelho a Roma.
O livro de Atos é empolgante e desafiador. Ele revela o que Deus pode fazer, mediante o poder do Espírito, com um bando de discípulos desencorajados e confusos. E inspirador considerar que não há nenhuma razão pela qual a mesma coisa não possa acontecer conosco.

ESBOÇO
O livro de Atos pode ser dividido de acordo com o verso chave (Atos 1.8), “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em JERUSALÉM, como em toda JUDÉIA E SAMARIA, e até aos CONFINS DA TERRA.”
1. Jerusalém – 1.1-7.60
2. Judéia e Samaria – 8.1-11.18
3. Confins da terra – 11.19-28.31

1. JERUSALÉM – 1.1-7.60
O esboço de Atos que preparei é o mais detalhado que o esboço que fiz de qualquer outro livro do Novo Testamento. Isto deve-se ao fato de Atos fornecer uma estrutura para o entendimento de muitas das epístolas que vêm em seguida. O livro de Atos começa com as últimas palavras de Jesus aos Seus discípulos (1.8), seguido pela Sua ascensão ao céu. Após a nomeação de Matias para substituir a Judas, vemos o relato familiar do dia de Pentecoste. É interessante observar que, embora muitos deles estavam falando em outras línguas conhecidas na época do derramar do Espírito, a Escritura não diz que todas as línguas eram em idiomas conhecidos.
O sermão de Pedro é provavelmente registrado como uma sinopse da sua mensagem. Fortemente influenciado pelo profeta Joel, tenho a impressão que ele ficou tão surpreso quanto os outros. O resultado, 3.000 salvos e muitos milagres.
No capítulo 3, a cura do mendigo na Porta Formosa e o sermão subsequente de Pedro trouxeram um fim abrupto aos sentimentos de 2.47, “…contando com a simpatia de todo o povo…”.
Pedro e João foram presos, mas posteriormente libertos, recebendo um alerta impossível de ser cumprido, não falar mais acerca do nome de Jesus (4.17).
A igreja primitiva foi uma comunidade real, tendo todas as coisas cm comum. Esta não é uma ordem para os cristãos venderem suas casas e dar o dinheiro à igreja, embora o princípio de dar, ajudar e compartilhar transcende o tempo – havia uma situação especial: um vasto número de visitantes de todo o mundo eram salvos e permaneciam em Jerusalém. Precisavam de casa e comida.
Quando oramos por um reavivamento, sempre pensamos em termos de milagres, curas, etc; mas reavivamento traz julgamentos poderosos também. O julgamento de Ananias e Safira é exatamente tal caso. O resultado foi fenomenal – maiores milagres se seguiram. Leia capítulo 5.11-16.
À medida que os milagres aumentavam, a perseguição também aumentava; depois da sua segunda prisão, Pedro e João foram açoitados antes de serem soltos.
No capítulo 6, sete judeus foram escolhidos para ministrar a entrega das provisões às viúvas. Os apóstolos estavam muito ocupados para fazer isso, e os judeus gregos reclamavam que os judeus nativos estavam sendo favorecidos.
Assim escolheram sete ajudantes, todos com nomes gregos. Dois destes, Filipe e Estevão iriam se tornar personagens principais o livro de Atos.
Estevão foi um grande pregador e fazia milagres (6.8, 10), mas os judeus se levantaram contra ele e levaram-no a julgamento. Sua defesa no capítulo 7 é uma maravilhosa sinopse do Velho Testamento, o qual foi cumprido por Jesus. Isto foi muito para eles; levaram-no para fora e, sem referência ao fato de que era contra a lei romana matar um homem sem consentimento do procurador, o apedrejaram. Semelhante a Jesus, Estevão também orou pelo perdão dos seus executores.

2. EM TODA JUDÉIA E SAMARIA – 8.1-12.25
O martírio de Estevão e a perseguição feita por Paulo fez com que a igreja se espalhasse para a Judéia, Samaria e além. Quase todo o capítulo 8 envolve a pregação de Filipe em Samaria; seu ministério foi poderosamente sobrenatural com curas espantosas; ele foi até mesmo trasladado pelo Espírito Santo para Azoto.
A conversão de Saulo no capítulo 9 vem logo em seguida; Paulo, este arqui-perseguidor de cristãos, o qual estava a caminho de Damasco para este fim, torna-se um pregador do evangelho. Não demorou muito antes que ele tivesse que escapar pelo muro da cidade num cesto a fim de evitar um complô judeu.
Paulo teve uma breve estadia em Jerusalém três anos depois, mas os cristãos estavam naturalmente muito desconfiados. Barnabé tornou-se seu amigo e Paulo teve um breve encontro com Pedro e os apóstolos antes de partir para a Arábia. Temos conhecimento deste período da vida de Paulo através do capítulo 1 de Gálatas. Há a sugestão de que Paulo passou 10 anos na Arábia, recebendo grandes revelações acerca da salvação dos gentios.

Vejamos Paulo com mais detalhes antes de continuarmos nosso estudo de Atos.
A educação de Paulo e sua membresia no Conselho Judaico do Sinédrio (Atos 26.10) pareceria indicar que ele era abastado. Ele era um estudante brilhante (Gl 1.14), que estudou na escola rabínica do famoso Gamaliel, mencionado em Atos 5.34 (também Atos 22.3), e provavelmente ficou com sua irmã em Jerusalém (Atos 23.16).
Quando era rapaz em Tarso, como todos os meninos judeus, ele aprendera uma profissão; no caso de Paulo ele era um fazedor de tenda e curtidor. Paulo foi sempre primeiro um judeu, mas tinha orgulho de sua cidadania romana.
Embora seus escritos refletem fortes influências helenísticas, ele não se identificou com os Saduceus helenísticos, mas era um Fariseu ortodoxo de alto nível (Fp 3.5). Entretanto, foi a influência helenística que o capacitou a pregar no mundo grego dos seus dia.
Com relação ao homem em si, vemo-lo como uma combinação de forte, fraco, abrasivo, gentil; um homem de contrastes. Os atos não-bíblicos de Paulo do século dois dizem isto:
‘Ele era pequeno em estatura e calvo, pernas tortas, mas corpo em bom estado. Sobrancelhas ligadas e nariz um tanto recurvado. Cheio de afabilidade. Num momento parecia como um homem, no outro, tinha a face de um anjo.’
Sabemos que Paulo não era um grande orador (2 Cor. 10.10), todavia, ele sempre falou com o poder e demonstração do Espírito (1 Cor. 2.4).
Diz-me comumente que Paulo era casado porque era um membro do Sinédrio, mas não foi senão no final do primeiro século que o casamento tornou-se um requisito para a membresia. Leia em Atos para descobrir mais sobre este homem incrível.

Tarso
Veremos brevemente agora o lugar onde Paulo nasceu. Tarso era um grande centro judaico, localizado numa brecha na parte oriental das montanhas turcas Taurus. Sua proximidade com a Síria, em combinação com sua rota de passagem pelas montanhas, deu-lhe o título de “Portal da Ásia Menor”.
Bem antes, no tempo dos Selêucidas, Tarso fora aberta para a helenização, como ainda é no tempo de Atos. Sob a liderança de Antíoco Epifânio, os judeus da cidade receberam cidadania plena. Em 55 AC, quando Tarso tomou-se uma província Romana, Cícero, o governador romano, concedeu aos judeus cidadania romana plena.
Sua ênfase no aprendizado, filosofia, comércio e sua mistura racial outorgou-lhe o título de “Atenas do Oriente”.

Ministério de Pedro – 9.32-11.18
O restante do capítulo 9 revela milagres incríveis nas mãos de Pedro, incluindo a ressurreição de Tabita (Dorcas). No entanto, o acontecimento mais significativo desde o Pentecoste eslava prestes a ocorrer.
Um homem que temia a Deus (um gentio não-circuncidado), cujo nome era Cornélio, viu um anjo que ordenou que ele mandasse chamar a Pedro. Agora Pedro, um judeu, não estava preparado para isto; assim, Deus deu-lhe uma visão. É interessante que a visão de Pedro (10.9-16) a respeito dos animais impuros poderia ter sido precipitada pelo fato de que ele estava na casa de um curtidor (também impuro). A visão preparou Pedro para ministrar o Espírito Santo aos gentios (10.44-46).
O capítulo 11 é muito significativo, quando Pedro relata aos anciãos em Jerusalém acerca dos gentios terem recebido o Espírito Santo. Deus usou Pedro para isto, primeiro como um dos doze, mas também porque Paulo ainda não tinha credibilidade com os apóstolos.
O restante do capítulo 11 lida com a igreja em Antioquia; voltaremos a este tópico, mas, primeiro, uma outra perseguição rompeu em Jerusalém sob a liderança de Herodes. Ele mandou decepar Tiago e aprisionou a Pedro. Pedro foi miraculosamente liberto pelos anjos e Herodes morreu logo depois por querer obter a glória de Deus (12.20-24).

Antioquia
Antioquia, outrora um pequeno povoado nas margens do rio Orontes, perto da costa do Mediterrâneo, foi tomada por Selêuco, o qual a transformou na capital da Síria. Ela foi elaborada por um arquiteto profissional chamado Selêucia.
Uma rua central espetacular repleta de colunas, com um comprimento de três quilômetros e toda coberta por um telhado, atravessava esta cidade esplêndida. Ela foi asfaltada por Herodes, o Grande, em honra a Augusto. Cada lado da rua era alinhado por lojas, fazendo-a ser conhecida como o ‘quilômetro dourado’.
Sua localização na junção do Oriente com o Ocidente trouxe comerciantes de todo o mundo. Esta cidade próspera e imoral era a maior metrópole do Oriente, depois de Alexandria.
A relativa proximidade da Palestina, e sua prosperidade, atraiu um grande número de imigrantes judeus, engrossando a população.
Depois do martírio de Estevão, e da perseguição de Herodes, muitos cristãos fugiram para lá e pregaram o evangelho, resultando num grande número de convertidos.
Enquanto Jerusalém permanecia o centro de autoridade, Antioquia tornou-se o centro do evangelismo. As viagens missionárias de Paulo originaram-se de Antioquia; com um pequeno grupo de ajudantes, ele levou o evangelho por toda a Ásia Menor e a Grécia numa velocidade surpreendente.

3. OS CONFINS DA TERRA 11.19-28.31

PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (Atos 13.1-14.28)
Barnabé e Paulo juntamente com João Marcos (autor do evangelho de Marcos) partiram para a Galácia (atual Turquia), via Chipre. Esta viagem demorou quase três anos e envolveu uma travessia tortuosa das montanhas Taurus, infestadas de bandidos e mosquitos transmissores da malária. A viagem de Perge na costa, para Antioquia da Pisídia pelas montanhas, foi uma viagem particularmente perigosa. João Marcos os deixou em Perge, possivelmente por causa dos perigos adiante, ou talvez por causa de um conflito de personalidade com Paulo.
Os resultados da viagem foram muito positivos, com igrejas plantadas em Perge, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra (Paulo foi apedrejado aqui), Derbe e possivelmente outros lugares. Na sua viagem de retorno, Barnabé e Paulo nomearam anciãos em todas as igrejas.

O CONSELHO DE JERUSALÉM (Atos 15.1-35)
Veja nossa discussão no livro de Gálatas quanto aos assuntos abordados no Conselho de Jerusalém.

SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA (Atos 15.36-18.22)
Paulo e Barnabé, depois de discutirem sobre João Marcos, concordaram em se separar. Barnabé tomou Marcos e foi para Chipre, e Paulo levou Silas consigo na sua segunda viagem. Foram para encorajar as igrejas na Síria e Ásia. Incidentalmente, ao retornar para Listra, Timóteo juntou-se a Paulo e Silas. Paulo recebeu direcionamento divino em Trôade para ir à Macedônia (norte da Grécia); assim partiram para Filipos. (Para maiores informações, veja Filipenses nesta apostila). Foi em Filipos que houve o primeiro convertido europeu, Lídia. Logo depois disto, Paulo e Silas foram presos por expelirem um demônio de uma menina escrava. Enquanto estavam na prisão, louvavam ao Senhor à meia-noite e um grande terremoto atingiu o lugar. Depois de levar o carcereiro e sua família a Cristo e batizá-los, foram libertos, e continuaram para a vizinha Tessalônica. Foi aqui que os judeus levantaram um tumulto; Paulo e Silas, então, partiram de noite para Beréia. Os bereanos aceitaram calorosamente as palavas de Paulo até que os judeus de Tessalônica chegaram para causar confusão.
Na cidade seguinte, Atenas, Paulo pregou seu famoso sermão no Areópago, convidado pelos filósofos epicureus e estóicos. Isto levou à salvação de Dionísio, uma das figuras principais de Atenas. Os resultados em Atenas, comparados com outras cidades, foram longe de serem espetaculares, e assim Paulo partiu para Corinto (para mais informações veja 1 Coríntios nesta apostila).
Foi em Corinto que Paulo encontrou-se com Áquila e Priscila, cristãos que tinham fugido de Roma devido à perseguição de Cláudio. Foi também em Corinto que Paulo fez um voto de levar o evangelho aos gentios, depois que os judeus haviam blasfemado o nome de Jesus. A salvação de Crispo, um líder da sinagoga, levou a uma grande fúria por parte dos judeus, os quais arrastaram Paulo perante Gálio. O resultado foi irônico; Paulo foi liberto e Sóstenes, o líder da sinagoga, foi açoitado. Fico imaginando se este é o mesmo Sóstenes que é o companheiro de Paulo no evangelho em 1 Coríntios 1.1. O grupo retornou para Antioquia depois de pregação em Éfeso de passagem.

TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (Atos 18.23-21.14)
Paulo novamente visita as igrejas da Galácia e Frígia, indo então para Corinto, e depois para Éfeso com Priscila e Áquila.
Apolo estivera em Éfeso um pouco antes da visita de Paulo, mas fora para Corinto depois que Priscila e Áquila corrigiram sua doutrina.
Paulo encontrou liberdade para ficar em Éfeso por um período maior e esta grande cidade tornou-se uma base para alcançar toda a Ásia (19.10). Alguns outros centros asiáticos são bem conhecidos nossos a partir de Apocalipse 2-4: Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardis, Filadélfia e Laodicéia.
Éfeso era o mercado da Ásia Menor, situada na foz do rio Caister. Era chamada de “casa do tesouro”; todos os navios da Europa ou Oriente Médio paravam ali.
Éfeso era uma cidade para inquéritos judiciais; o governador romano visitava-a para julgar casos importantes de toda a Ásia. Havia muita pompa e cerimônia envoltos nestes julgamentos.
Interessante também é que os jogos Pan Iônicos eram realizados ali (o sudeste da Ásia chama-se Iônia). Estes jogos de prestígio eram organizados pelos asiarcas, os governantes de toda a Ásia (19.31).
Éfeso era famosa pelos seus amuletos e encantamentos que chamavam-se ‘cartas de Éfeso’; eram usados para proteger o usuário.
A glória de Éfeso era a ‘deusa’ Artemis (Latim: Diana). Um comércio enorme girava ao redor da adoração à Artemis (19.24). Seu templo era uma das sete maravilhas do mundo, mas ela mesma era representada por uma horrível efígie de madeira, sentada e com muitos peitos; a superstição local é que Zeus lançou-a do céu (19.35).
Enquanto estava em Éfeso, Paulo foi confrontado com o problema de cristãos incompletos, semelhantes a Apolo, os quais tinham somente ouvido a pregação de João Batista. Durante os dois anos de sua estadia, Paulo também escreveu 1 Coríntios.
Uma característica do ministério em Éfeso foram os milagres incríveis que Paulo executou, particularmente depois da humilhação dos exorcistas judeus, os filhos de Seva.
O ministério de Paulo começou a atrapalhar o comércio local, visto que os pedidos para os ídolos diminuíram. Tumultos se levantaram, mas Paulo foi inocentado e partiu para Macedônia.
Na Grécia, Paulo ficou sabendo de uma ameaça contra sua vida; assim ele começou sua longa viagem para casa, passando por Filipos, e depois de navio para Trôade. Foi em Trôade que Paulo pregou até meia-noite e Êutico adormeceu, vindo a morrer e a ser ressuscitado dentre os mortos. Paulo partiu para Mileto, então para Éfeso, a fim de encorajar os anciãos com um emocionante discurso de despedida.
Paulo sabia que a captura o aguardava em Jerusalém (20.23); ainda assim, ele resolutamente retornou, apesar de alertas posteriores em Tiro e em Cesaréia, através de Ágabo.

JERUSALÉM
Na sua chegada em Jerusalém, Paulo encontrou-se com Tiago. Os antigos problemas judeus vieram à tona (21.21), assim arquitetaram o plano de fazer Paulo ficar bem com os judeu ao sustentar financeiramente quatro judeus que fizeram um voto nazireu e acompanhá-los ao templo para o ritual de purificação.
A manobra não deu certo e Paulo foi preso para sua própria segurança depois das acusações dos judeus de que ele levara um gentio ao templo.
Pleiteando sua cidadania romana, Paulo obteve consentimento de endereçar algumas palavras à multidão nas escadarias do Castelo Antônia, mas a multidão clamou em desaprovação (22.23). A resposta dos romanos foi de açoitar a Paulo (quase uma sentença de morte), mas ele os lembrou de que era contra a lei açoitar um cidadão romano.
Paulo recebeu ordens de ir perante o conselho judeu para responder as acusações. Ele astutamente pregou acerca da ressurreição, um tópico que dividia os fariseus e saduceus. No tumulto que se seguiu, Paulo foi levado à custódia protetora e transportado para Cesareia. Félix, o governador, temeroso em fazer um julgamento, e também esperando por um suborno, deixou que Paulo definhasse na prisão por dois anos.
No capítulo 25, Festo ressuscitou o caso, mas Paulo que iria enfrentar um julgamento judeu em Jerusalém, exigiu como cidadão de Roma que fosse julgado perante César. Festo levou Paulo perante Herodes Agripa, o qual considerou-o inocente. Todavia, ele tinha de mandá- lo para Roma, devido ao seu apelo a César.
Depois de uma viagem tumultuada para Roma, incluindo um naufrágio, Paulo é colocado em prisão domiciliar. Muitos vieram para visitá-lo e alguns da casa de César foram salvos. Foi nesta época, 60 – 62 AD, que ele escreveu suas epístolas da prisão.
Um apelo a Nero em 62 AD deu-lhe liberdade temporária, mas ele foi aprisionado novamente durante a perseguição de Nero e foi executado. Pedro também pereceu nesta época.

Fonte: Apostila do “International Bible Institute of London”, por Peter Rowe, PhD.

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