Soteriologia: Chamado Eficaz, Conversão, Arrependimento, Fé e Regeneração

jesus_o_pastor_com_as_ovelhasO texto abaixo é um resumo baseado nos livros “Introdução à Teologia Sistemática” de Millard J. Erickson, 1ª edição, 1997, p. 391-402 e “Conhecendo as Doutrinas da Bíblia” de Myer Pearlman, 18ª impressão, 1992, p. 154-156.

I.) O Chamado Eficaz
Evidencia-se pelas Escrituras que existe um chamado geral para a salvação, um convite estendido a todas as pessoas (Mt 11.28). Quando Jesus disse: “Muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (Mt 22.14), é provável que estivesse fazendo referência ao convite universal de Deus. Mas note aqui a distinção entre chamados e escolhidos. Os que são escolhidos são os objetos do chamado especial ou eficaz de Deus. Por chamado especial entende-se que Deus atua de forma particularmente eficaz com os eleitos, dando-lhes condições de reagir com arrependimento e fé, e fazendo com que de fato assim reajam. As circunstâncias do chamado especial podem variar amplamente. Vemos Jesus lançando convites especiais aos que vieram a formar o círculo fechado de discípulos (Mt 4.18-22; Mc 1.16-20; Jo 1.35-51). Ele destacou Zaqueu para lhe dar atenção especial (Lc 19.1-10). Vemos outra intervenção dramática de Deus na conversão de Saulo (At 9.1-19). Às vezes, seu chamado assume uma forma mais tranquila (At 16.14). O chamado especial é, em grande medida, a obra de iluminação do Espírito Santo, dando ao receptor a capacidade de compreender o verdadeiro significado do evangelho (ERICKSON, 1997).

II.) A conversão
O primeiro passo da vida cristã é chamado conversão. É o ato de deixar o pecado em arrependimento e voltar-se para Cristo em fé (Ez 18.30-32; Ef 5.14). A conversão é um ato único que possui dois aspectos distintos mas inseparáveis: o arrependimento e a fé. Arrependimento é o ato de o incrédulo dar as costas para o pecado, e fé, seu ato de voltar-se para Cristo. Em certo sentido, um é incompleto sem o outro, e um é motivado pelo outro. As Escrituras não nos especificam a quantidade de tempo implicada na conversão. Em algumas ocasiões (ex. Pentecostes) parece ter ocorrido uma decisão cataclísmica, com a mudança acontecendo praticamente em segundos. Para algumas pessoas, porém, a conversão foi mais um processo (ex. Nicodemos; veja Jo 19.39). De modo semelhante, as reações emocionais que acompanham a conversão podem variar em muitos aspectos. A conversão de Lídia a Cristo parece ter sido muito simples e calma quanto à natureza (At 16.14). Por outro lado, uns poucos versículos adiante, lemos sobre o carcereiro filipense que, tremendo, clamou: “Que devo fazer para ser salvo?” (v. 30). As experiências de conversão deles foram muito diferentes, mas o resultado final foi o mesmo. É importante não exigir que os incidentes ou os fatores externos da conversão sejam idênticos para todos. É importante também fazer distinção entre conversão e conversões. Só existe um grande ponto na vida em que o indivíduo volta-se para Cristo em resposta à sua oferta de salvação. Pode haver outros pontos em que os crentes precisem abandonar determinada prática ou crença para não retornar à vida de pecado. Esses eventos, porém, são secundários, reafirmações daquele grande passo já dado. Diríamos que podem ocorrer muitas conversões na vida cristã, mas apenas uma Conversão (ERICKSON, 1997).

III.) O arrependimento
É o abandono ou o repúdio do pecado. Baseia-se num sentimento piedoso de pesar pelo mal que fizemos. Salienta a importância de uma separação moral consciente, a necessidade de abandonar o pecado e de ter comunhão com Deus (At 2.38). Não podemos deixar de nos impressionar com a importância do arrependimento como pré-requisito para a salvação. Ele não é opcional, mas indispensável. O fato de pessoas em muitas culturas diferentes serem instadas a se arrepender mostra que não é uma mensagem para umas poucas situações locais específicas. Antes, o arrependimento é uma parte essencial do evangelho cristão. Ele foi proeminente na pregação de João Batista e de Jesus (Mt 3.2, 4.17). E Paulo declarou em sua mensagem aos filósofos no Areópago: “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (At 17.30). Esta última declaração é significativa por ser universal: “todos, em toda parte”. Não há dúvida, portanto, de que o arrependimento é parte inextirpável da mensagem do evangelho. O verdadeiro arrependimento é lamentar o pecado por causa do erro cometido contra Deus. Esse pesar é acompanhado de um desejo genuíno de abandonar tal pecado. A repetida insistência da Bíblia na necessidade do arrependimento é um argumento irrefutável contra o que se chama de “graça barata”. Não basta simplesmente crer em Jesus e aceitar a oferta da graça; é preciso que haja uma alteração real no interior da pessoa, Lc 9.23 (ERICKSON, 1997).

IV.) A fé139_fe
Um dom tem que ser aceito. Qual é o instrumento que se apropria da justiça de Cristo? A resposta é: “pela fé em Jesus Cristo.” A fé é a mão, por assim dizer, que recebe o que Deus oferece. Esta fé é despertada no homem pela influência do Espírito Santo, em conexão com a Palavra. A fé lança mão da promessa divina e apropria-se da salvação. Ela conduz a alma ao descanso em Cristo como Salvador; concede paz à consciência; dá esperança consoladora do céu; é rica em boas obras. Não existe mérito nessa fé, como não cabem elogios ao mendigo que estende a mão para receber uma esmola. A fé se opõe às obras quando por obras entendemos boas obras que a pessoa faz com o intuito de merecer a salvação (Gl 3.11). Entretanto, uma fé viva produzirá obras (Tg 2.26), tal qual uma árvore viva produzirá frutos. A fé é justificada e aprovada pelas obras (Tg 2.18), assim como o estado de saúde das raízes duma boa árvore é indicado pelos frutos. A fé se aperfeiçoa pelas obras (Tg 2.22), assim como a flor se completa ao desabrochar. As obras são o resultado da fé, a prova da fé, e a consumação da fé. Imagina-se que haja contradição entre os ensinos de Paulo e de Tiago. O primeiro, aparentemente, teria ensinado que a pessoa é justificada pela fé, o ultimo que ela é justificada pelas obras. (Ver Rm 3.20 e Tg 2.14-16). Contudo, uma compreensão do sentido em que eles empregaram os termos, rapidamente fará desvanecer a suposta dificuldade. Paulo está recomendando uma fé viva que confia somente no Senhor; Tiago está denunciado uma fé morta e formal que representa, apenas, um consentimento mental. Paulo está rejeitando as obras mortas da lei, ou obras sem fé; Tiago está louvando as obras vivas que demonstram a vitalidade da fé. A justificação mencionada por Paulo refere-se ao início da vida cristã; Tiago usa a palavra com o significado de vida de obediência e santidade como evidência exterior da salvação. Paulo está combatendo o legalismo, ou a confiança nas obras como meio de salvação; Tiago está combatendo antinomianismo, ou seja, o ensino de que não importa qual seja a conduta da pessoa, uma vez que creia. Paulo e Tiago não são soldados lutando entre si; são soldados da mesma linha de combate, cada qual enfrentando inimigos que os atacam de direções opostas (PEARLMAN, 1992).
Devemos notar que, embora tenhamos retratado a conversão como a resposta humana para a iniciativa divina, mesmo o arrependimento e a fé são dádivas de Deus. Jesus deixou muito claro que a convicção do pecado, que é pressuposta pelo arrependimento, é obra do Espírito Santo (Jo 16.8-11). Jesus também disse: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44). Assim, tanto o arrependimento como a fé são obras da graça de Deus na vida do que crê (ERICKSON, 1997).

V.) A regeneração
A conversão diz respeito à nossa resposta à salvação e à aproximação que Deus oferece à humanidade. A regeneração é o outro lado da conversão. É obra de Deus. É a transformação que Deus opera nos indivíduos que creem, seu ato de conceder uma nova vitalidade e direção espiritual à vida deles quando aceitam a Cristo. A natureza humana necessita de transformação. O ser humano está espiritualmente morto e, portanto, precisa do novo nascimento. É necessária alguma mudança radical ou uma metamorfose, em lugar de uma simples modificação ou de um ajuste na pessoa (conversa de Jesus com Nicodemos em Jo 3). Regeneração implica algo novo, uma reversão total das tendências naturais da pessoa. Não é uma simples amplificação de características presentes, pois uma faceta da regeneração implica entregar à morte ou crucificar qualidades existentes. Implica uma neutralização dos efeitos do pecado. O novo nascimento é a restauração da natureza humana ao que se desejava originalmente e ao que era de fato antes de o pecado entrar na raça humana por ocasião da queda. Ele é ao mesmo tempo o início de uma nova vida e um retorno à vida e à atividade antiga. Parece que o novo nascimento é, em si, instantâneo. Nada nas descrições do novo nascimento dá a entender que seja um processo. A Escritura fala que os crentes “nascem de novo” ou “nasceram de novo”, não que “estão nascendo de novo” (Jo 1.12,13; 2 Co 5.17; Ef 2.1, 5, 6; Tg 1.18; 1 Pe 1.3, 23; 1 Jo 2.29; 5.1, 4). Embora talvez não seja possível determinar o momento exato do novo nascimento e possa haver toda uma série de antecedentes, parece que o novo nascimento em si é completamente instantâneo. Apesar de a regeneração se completar instantaneamente, não é um fim em si. É o início de um processo de crescimento que continua ao longo da vida: a santificação (Fp 1.6). O novo nascimento é uma ocorrência sobrenatural. Não é algo alcançado pelo esforço humano. É especialmente obra do Espírito Santo. Embora a salvação tenha sido planejada e originada pelo Pai e de fato concretizada pelo Filho, é o Espírito Santo quem a aplica à vida do que crê (ERICKSON, 1997).

Sobre Cristianismo Total

Cristianismo Total é um blog evangélico que tem como objetivo difundir a fé Cristã, que é a mensagem através da qual o Deus Eterno se revelou à humanidade.
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Uma resposta para Soteriologia: Chamado Eficaz, Conversão, Arrependimento, Fé e Regeneração

  1. marcelo disse:

    GOSTEI MUITO DESTE SITE, É MUITO EDIFICANTE. DEUS ABENÇOE OS VASOS QUE FORAM E ESTÃO SENDO USADOS PARA NOS ABENÇOAR COM O ENSINO DA PALAVRA LIBERTADORA DO NOSSO DEUS – JOÃO 17.17 SANTIFICA E LIBERTA JOÃO 8.36

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