O Estado de Exaltação de Cristo (Ressurreição, Ascensão e Sessão à Destra de Deus)

O texto abaixo é um resumo baseado no livro “Teologia Sistemática” de Louis Berkhof, 2ª edição, 1992, p. 347-354.

images (1)I.) A Ressurreição de Cristo

a. Natureza da ressurreição – A ressurreição de Cristo não consistiu no mero fato de que Ele retornou à vida, dando-se a reunião do corpo e a alma. Se isso fosse tudo que ela envolveu, Cristo não poderia ser chamado “as primícias dos que dormem”, 1 Co 15.20, nem “o primogênito de entre os mortos”, Cl 1.18; Ap 1.5, dado que outros foram devolvidos à vida antes dele. Sua ressurreição consistiu, antes, em que nele a natureza humana, o corpo e a alma, foi restaurada à sua força e perfeição e até mesmo elevada a um nível superior, enquanto que o corpo e a alma foram reunidos num organismo vivo. Da analogia da mudança que, de acordo com a Escritura, ocorre no corpo de cada crente na ressurreição geral, podemos deduzir algo quanto à transformação que deve ter-se dado com Cristo. Diz-nos Paulo em 1 Co 15.42-44 que os corpos futuros dos crentes serão incorruptíveis; gloriosos, o que significa que esplenderão de fulgor celestial; poderosos, isto é, cheios de energia e, talvez, de novas faculdades; e espirituais, o que não significa imateriais, mas adaptados aos seus respectivos espíritos, cada corpo sendo um perfeito instrumento do espírito. O corpo ressurreto de Jesus passou por notável mudança: Ele não podia ser facilmente reconhecido e podia aparecer e desaparecer de repente, Lc 24.31, 36; Jo 20.13, 19; 21.7; mas era, não obstante, um corpo material e muito real, Lc 24.39. Não houve apenas uma mudança física em Cristo, mas também uma mudança psíquica. Ele foi revestido de novas qualidades, perfeitamente ajustadas ao Seu futuro ambiente celestial. Ele se tornou o Espírito vivificante, 1 Co 15.45. A ressurreição de Cristo tem significação tríplice: (1) Constituiu uma declaração do Pai de que o último inimigo tinha sido vencido, a pena tinha sido cumprida, e tinha sido satisfeita a condição em que a vida fora prometida; (2) Foi um símbolo daquilo que estava destinado a suceder aos membros do corpo de Cristo em sua justificação, em seu nascimento espiritual e em sua bendita ressurreição futura, Rm 6.4, 5, 9; 8.11; 1 Co 6.14; 15.20-22; 2 Co 4.10, 11, 14; Cl 2.12; 1 Ts 4.14; (3) Relacionou-se com a justificação, a regeneração e a ressurreição final dos crentes, Rm 4.25; 5.10; Ef 1.20; Fp 3.10; 1 Pe 1.3.

b. O autor da ressurreição – Cristo ressurgiu por Seu próprio poder. Ele falou de Si mesmo como a ressurreição e a vida, Jo 11.25, declarou que tinha o poder de entregar a Sua vida e de retomá-la, Jo 10.18, e até predisse que reedificaria o templo do Seu corpo, Jo 2.19-21. Mas a ressurreição não foi uma realização unicamente de Cristo; frequentemente é atribuída, na Escritura, ao poder de Deus em geral, At 2.24, 32; 3.26; 5.30; 1 Co 6.14; Ef 1.20, ou, mais particularmente, ao Pai, Rm 6.4; G1 1.1; 1 Pe 1.3. E se a ressurreição pode ser chamada obra de Deus, segue-se que o Espírito Santo também agiu nela (implícito em Rm 8.11).

c. O suporte doutrinário da ressurreição – (1) Não podemos negar a ressurreição física de Cristo sem impugnar a veracidade dos escritores da Escritura; afeta a nossa crença na fidedignidade da Escritura; (2) É descrita como tendo valor de prova. É a prova culminante de que Cristo foi um mestre enviado por Deus, e de que Ele é o verdadeiro Filho de Deus, Rm 1.4; (3) É também o supremo atestado do fato da imortalidade; (4) Entra como um elemento constitutivo da própria essência da obra de redenção. É uma das grandes pedras do alicerce da igreja. Se a obra expiatória de Cristo devia ser eficaz, tinha que terminar, não na morte, mas na vida; (5) Foi o selo do Pai aplicado à obra consumada de Cristo, foi a declaração de que Ele a aceitou; (6) Foi Seu ingresso numa nova vida, como a ressurreta e exaltada Cabeça da igreja e Senhor universal.

013II.) A ascensão de Cristo

a. Provas Bíblicas da ascensão – A ascensão não aparece nas páginas da Escritura de maneira tão patente como se dá com a ressurreição. Deve-se isto provavelmente ao fato de que a ressurreição foi o verdadeiro ponto decisivo da vida de Jesus, e não a ascensão. Em certo sentido, a ascensão foi o complemento e a consumação da ressurreição. A transição de Cristo para a vida superior na glória começou na ressurreição e foi aperfeiçoada na ascensão. Não significa que a ascensão é destituída de significado independente. Provas bíblicas: Lucas a relata, Lc 24.50-53 e At 1.6-11; Marcos se refere a ela em 16.19; Jesus falou dela antes da Sua morte, Jo 6.62; 14.2, 12; 16.5, 10, 17, 28; 17.5; 20.17; Paulo se refere a ela, Ef 1.20; 4.8-10; 1 Tm 3.16; Hebreus chama a atenção para o seu significado, 1.3; 4.14; 9.24.

b. A natureza da ascensão – Pode-se descrever como a subida visível da pessoa do Mediador da terra ao céu, segundo Sua natureza humana. Foi uma transição local, de um lugar para outro (isto implica que o céu, como a terra, é um lugar; alguns consideram que o céu é uma condição, e não um lugar). Incluiu também mais uma mudança da natureza humana de Cristo. Essa natureza passou então para a plenitude da glória celeste e foi perfeitamente adaptada à vida do céu.

c. A significação doutrinária da ascensão – (1) Encarnou a declaração de que o sacrifício de Cristo foi um sacrifício oferecido a Deus e, como tal, tinha que ser apresentado a Ele no santuário mais recôndito; de que o Pai considerou suficiente a obra mediatária de Cristo e, por conseguinte, admitiu-o na glória celestial; (2) Foi uma profecia da ascensão de todos os crentes, que já estão com Cristo nos lugares celestiais, Ef 2.6, e estão destinados a permanecer com Ele para sempre, Jo 17.24; revelou o restabelecimento da realeza original do homem, Hb 2.7, 9. (3) Serviu de instrumento para a preparação de um lugar para os que estão em Cristo, Jo 14.2, 3.

III.) A Sessão à Destra de Deus

a. Provas bíblicas da sessão – Quando Cristo estava diante do sumo sacerdote, pre¬disse que se assentaria “à direita do Todo-poderoso”, Mt 26.64. Pedro fez menção disto em seus sermões, At 2.33-36; 5.31. Também se faz referência à sessão de Cristo em Ef 1.20-22; Hb 10.12; 1 Pe 3.22; Ap 3.21; 22.1. Há várias outras passagens que falam de Cristo como Rei a exercer o Seu governo real, Rm 14.9; 1 Co 15.24-28; Hb 2.7, 8.

b. A significação da sessão – A expressão “direita de Deus” é antropomórfica e não pode ser entendida literalmente; é derivada do SI 110.1. É uma indicação do fato de que o Mediador recebeu as rédeas do governo sobre a igreja e sobre o universo e foi feito participante da glória correspondente. Não significa que Cristo não tinha sido o Rei antes desse tempo, mas, sim, que aí Ele foi publicamente empossado como Deus e homem e, nesta qualidade, recebeu o governo da igreja, do céu e da terra, e entrou solenemente na administração real e concreta do poder a Ele confiado. Calvino diz: “Ele foi instalado no governo de céus e terra, e foi formalmente admitido na posse da administração a Ele confiada, e não somente admitido por uma vez, mas para continuar até quando Ele descer para o juízo”. Seria um erro inferir do fato de que a Bíblia fala da ação de “assentar-se” à destra de Deus, que a vida para a qual o Senhor ressurreto ascendeu é uma vida de repouso. É e continuará sendo uma vida de constante atividade. Cristo não é somente representado como assentado à destra de Deus, mas também simplesmente como estando à destra, Rm 8.34; 1 Pe 3.22, ou de pé ali, At 7.56, e até mesmo andando no meio dos sete candeeiros de ouro, Ap 2.1. Seria igualmente errôneo concluir que a obra na qual ele está engajado durante a Sua sessão celestial é exclusivamente governamental, não sendo, portanto, nem profética nem sacerdotal.

c. A obra que Cristo realiza durante a Sua sessão à destra de Deus – Cristo está ativamente engajado na continuação da Sua obra mediatária. (1) Desde que a Bíblia relaciona com muita frequência a sessão com o governo real de Cristo, é natural pensar primeiramente na obra que Ele realiza como Rei. Ele governa e protege a sua igreja por Seu Espírito, e também a governa por meio dos Seus oficiais, por Ele designados. Ele tem também os poderes do céu sob o Seu comando: os anjos são Seus mensageiros, sempre prontos a comunicar Suas bênçãos aos santos, e a protegê-los dos perigos circundantes. Ele exerce autoridade sobre as forças da natureza e sobre todos os poderes hostis ao reino de Deus; e assim continuará a reinar, até sujeitar o último inimigo; (2) Ele é sacerdote para sempre. A Bíblia relaciona também a obra sacerdotal com a sessão de Cristo à direita de Deus, Zc 6.13; Hb 4.14; 7.24, 25; 8.1-6; 9.11-15, 24-26; 10.19-22; 1 Jo 2.2. Cristo está apresentando continuamente o Seu sacrifício consumado ao Pai como a base suficiente para a concessão da graça perdoadora de Deus. Ele está aplicando constantemente a Sua obra sacrificial e fazendo-a eficaz na justificação e santificação dos pecadores. Ele está sempre fazendo intercessão pelos que Lhe pertencem, rogando pela aceitação deles com base em Seu sacrifício consumado, e por sua segurança no mundo, e ainda tornando as suas orações e os seus serviços aceitáveis a Deus; (3) Cristo continua Sua obra profética também por meio do Espírito Santo. Ele prometeu o Espírito Santo, Jo 14.26; 16.7-15. A promessa foi cumprida; Cristo, mediante o Espírito, agiu e age como o nosso grande Profeta: na inspiração da Escritura; na pregação e por meio da pregação dos apóstolos e dos ministros da Palavra; na direção da igreja, fazendo dela a coluna e o baluarte da verdade; e dando eficácia à verdade nos corações dos crentes.

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