Os Sofrimentos, a Morte e o Sepultamento do Salvador

Semana-Santa (1)O texto abaixo é um resumo baseado no livro “Teologia Sistemática” de Louis Berkhof, 2ª edição, 1992, p. 337-341.

I.) Os Sofrimentos do Salvador

a. Ele sofreu durante toda a Sua vida – Toda a Sua vida foi uma vida de sofrimentos, a vida do único ser humano sem pecado, a vida do Santo num mundo amaldiçoado pelo pecado. O caminho da obediência foi para Ele um caminho de sofrimento. Sofreu com as repetidas investidas de Satanás, com o ódio e a incredulidade do Seu povo, e com a perseguição dos Seus inimigos. Sua solidão só tinha que ser deprimente e o Seu senso de responsabilidade, esmagador. Seu sofrimento foi cada vez mais atroz, conforme o fim se aproximava. O sofrimento iniciado na encarnação chegou ao clímax em sua morte quando pesou sobre Ele toda a ira de Deus contra o pecado.

b. Sofreu no corpo e na alma – A dor física, acompanhada de angústia de alma e da consciência mediatária do pecado da humanidade pesava sobre Ele. Tanto o corpo como a alma foram afetados pelo pecado e Cristo sofreu em ambos. Agonizou no jardim, onde a Sua alma esteve “profundamente triste até à morte”, e também Ele foi esbofeteado, açoitado e crucificado.

c. Seus sofrimentos resultaram de várias causas – resultaram do fato de que Ele tomou o lugar dos pecadores vicariamente (substitutivamente); teve que viver numa atmosfera pecaminosa e corrupta, diariamente na companhia de pecadores, e os pecados do Seus contemporâneos constantemente O lembravam da enormidade da culpa que pesava sobre Ele; Sua noção dos sofrimentos que o esmagariam no fim (Ele sabia exatamente o que estava para vir, e a perspectiva estava longe de ser animadora); As privações da vida, as tentações do diabo, o ódio e rejeição do povo, e os maus tratos e perseguições a que esteve sujeito.

d. Seus sofrimentos foram únicos – Mesmo sofrimentos comuns tinham um caráter extraordinário no caso dele. Ninguém poderia sentir como Jesus sentia a dureza da dor, da tristeza e do mal moral. Havia também os sofrimentos causados pelo fato de que Deus fez com que as nossas iniquidades viessem sobre Ele. Os sofrimentos do Salvador não eram puramente naturais, mas também o resultado de uma ação positiva de Deus, Is 53.6,10. Devem ser computadas as tentações no deserto e as agonias no Getsêmani e no Gólgota.

e. Seus sofrimentos nas tentações – Só penetrando empaticamente nas provações dos homens em suas tentações, Jesus poderia ser o Sumo Sacerdote compassivo, Hb 4.15; 5.7-9. Não podemos pôr em dúvida a realidade das tentações de Jesus como o último Adão, por mais difícil que seja conceber que alguém que não podia pecar fosse tentado. Sugestões têm sido feitas para dirimir a dificuldade. Mas, a despeito disso tudo, permanece o problema: Como foi possível que Aquele que não podia pecar, não podia sequer ter alguma inclinação para pecar, e, não obstante esteve sujeito a verdadeira tentação?

II.) A Morte do Salvador

a. A extensão da Sua morte – Quando falamos da morte de Cristo, temos em mente primeiro e acima de tudo a morte física, isto é, a separação de corpo e alma. A morte física não é meramente a consequência natural do pecado, mas é, acima de tudo, a punição do pecado, punição judicialmente imposta e infligida. É a ação pela qual Deus se retira do homem com todas as bênçãos de vida e felicidade, e visita o homem com ira. É segundo este ponto de vista judicial que se deve considerar a morte de Cristo. Deus impôs judicialmente a sentença de morte ao Mediador, desde que Este se incumbiu voluntariamente de cumprir a pena do pecado da raça humana. Uma vez que Cristo assumiu a natureza humana com todas as suas fraquezas, como ela existe desde a Queda, e assim se fez semelhante a nós em todas as coisas, com a exceção única do pecado, segue-se que a morte operou nele desde o princípio e se manifestou em muitos dos sofrimentos aos quais Ele esteve sujeito. O Catecismo de Heidelberg diz: “todo o tempo em que Ele viveu na terra […] Ele suportou, no corpo e na alma, a ira de Deus contra o pecado de toda a raça humana”. Estes sofrimentos foram seguidos por Sua morte na cruz. Mas isso não foi tudo; Ele esteve sujeito, não somente à morte física, mas também à morte eterna, se bem que sofreu esta intensiva, e não extensivamente, quando agonizou no jardim e quando bradou na cruz, “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Num curto período de tempo, Ele suportou a ira infinita contra o pecado até o fim, e saiu vitorioso. Isto somente Lhe foi possível graças à Sua natureza exaltada. No caso de Cristo, a morte eterna não consiste numa anulação da união do Logos com a natureza humana, nem num abandono da natureza divina por parte de Deus, nem em retirar o Pai o Seu divino amor ou o Seu beneplácito da pessoa do Mediador. O Logos permaneceu unido à natureza humana, mesmo quando o corpo estava no túmulo; a natureza divina absolutamente não podia ser desamparada por Deus; e a pessoa do Mediador foi e continuou sendo sempre objeto do favor divino. A morte eterna revelou-se na consciência humana do Mediador como um sentimento de desamparo de Deus. A natureza humana perdeu por um momento o consciente e fortalecedor consolo que podia auferir da sua união com o Logos divino, bem como a percepção do amor divino, e esteve dolorosamente cônscia da plenitude da ira divina que pesava sobre ela. Contudo, não houve desespero, pois, mesmo na hora mais trevosa, enquanto exclama que está desamparado, dirige Sua oração a Deus.

b. O caráter judicial de Sua morte – Era essencial que Cristo não sofresse morte natural, nem acidental, e que não morresse pelas mãos de um assassino, mas sob sentença judicial. Ele tinha que ser contado com os transgressores e condenado como criminoso. Deus dispôs providencialmente que o Mediador fosse julgado e sentenciado por um juiz romano. Os romanos representavam o poder judicial mais alto do mundo. O julgamento perante um juiz romano serviria para demonstrar claramente a inocência de Jesus, o que de fato aconteceu, para que ficasse absolutamente claro que Ele não foi condenado por nenhum crime cometido por Ele. Quando o juiz romano, não obstante, condenou o inocente, ele, é verdade, também se condenou, e condenou a justiça humana, impôs sentença a Jesus na qualidade de representante do mais elevado poder judicial do mundo. A sentença de Pilatos foi também sentença de Deus, embora sobre bases inteiramente diferentes. Jesus não foi decapitado, nem apedrejado. A crucificação não era uma forma judaica de castigo, mas, sim, romana. Era considerada tão infame e ignominiosa, que não podia ser aplicada a cidadãos romanos, mas somente à escória da humanidade. Sofrendo esse tipo de morte, Jesus satisfez as extremas exigências da lei. Ao mesmo tempo, padeceu morte amaldiçoada, e assim provou que se fez maldição por nós, Dt 21.23; G1 3.13.

III.) O Sepultamento do Salvador

O Seu sepultamento também fez parte de Sua humilhação. Note-se: (a) Voltar o homem ao pó é descrito na Escritura como parte da punição do pecado, Gn 3.19; (b) Diversas declarações da Escritura implicam que a permanência do Salvador na sepultura foi uma humilhação, SI 16.10; At 2.27, 31; 13.34, 35, se bem que ele foi guardado da corrupção; (c) Ser sepultado é ir para baixo, e, portanto, uma humilhação. A Bíblia fala do pecador sendo sepultado com Cristo. Isso tem que ver com o despojamento do homem velho, Rm 6.1-6. Consequentemente, o sepultamento de Jesus também faz parte da Sua humilhação. O sepultamento de Jesus não serve apenas para provar que Jesus estava realmente morto, mas também para remover os terrores do sepulcro para os remidos e santificá-lo para eles.

Sobre Cristianismo Total

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Uma resposta para Os Sofrimentos, a Morte e o Sepultamento do Salvador

  1. Sua vida inteira, Sua caminhada contra o pecado, Sua morte de cruz é símbolo de esperança de vida eterna para aqueles que O temem e O seguem.

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