A Encarnação e o Nascimento de Cristo

nascimento_de_jesus_3545O esboço abaixo é baseado no livro “Teologia Sistemática” de Louis Berkhof, 2ª edição, 1992, p. 334-337.

I. O sujeito da encarnação
Não foi o trino Deus, mas a segunda pessoa da Trindade que assumiu a natureza humana. É melhor dizer que o Verbo se fez carne, do que dizer que Deus se fez homem. Cada uma das pessoas divinas agiu na encarnação, Mt 1.20; Lc 1.35; Jo 1.14; At 2.30; Rm 8.3; Gl 4.4; Fp 2.7. A encarnação não foi uma coisa que simplesmente aconteceu com o Logos, mas foi uma ativa realização da parte dele (Ele se incumbiu espontaneamente, no pactum salutis – aliança de redenção – de administrar a nossa salvação) e se pressupõe a Sua preexistência. Não é possível falar da encarnação de alguém que não teve existência prévia. Esta preexistência é claramente ensinada na Escritura: Jo 1.1; Jo 6.38; 2 Co 8.9; Fp 2.6, 7; Gl 4.4. O preexistente Filho de Deus assume a natureza humana e se reveste de carne e sangue humanos, um milagre que ultrapassa o nosso limitado entendimento. O infinito pode entrar em relações finitas, e de fato entra, e o sobrenatural pode entrar na vida histórica do mundo.

II. A necessidade da encarnação
A razão da encarnação está na entrada do pecado no mundo. A Escritura invariavelmente representa a encarnação como condicionada pelo pecado humano Lc 19.10; Jo 3.16; Gl 4.4; 1 Jo 3.8; Fp 2.5-11.

III. A mudança efetuada na encarnação
Quando se nos diz que o Verbo se fez carne, não significa que o Verbo deixou de ser o que era antes. Quanto ao Seu Ser essencial, o Logos era exatamente o mesmo, antes e depois da encarnação. Não significa que o Logos se transformou em carne, alterando assim a Sua natureza essencial, mas simplesmente que Ele contraiu aquele caráter particular, que Ele adquiriu uma forma adicional, sem de modo algum mudar a Sua natureza original. Ele continuou sendo o infinito e imutável Filho de Deus. Não significa que Ele se revestiu de uma pessoa humana, nem que Ele apenas se revestiu de um corpo humano. A palavra sarx (carne) denota a natureza humana, que consiste de corpo e alma, Rm 8.3; 1 Tm 3.16; 1 Jo 4.2; 2 Jo 7 (comp. Fp 2.7).

IV. A encarnação fez de Cristo um membro da raça humana
Cristo assumiu a Sua natureza humana da substância da Sua mãe. Se a natureza humana de Cristo não derivou do mesmo tronco que a nossa, mas apenas se assemelhou a ela, não existe aquela relação entre nós e Ele que é necessária para tornar a Sua mediação eficaz para o nosso bem.

V. A encarnação efetuada por uma concepção sobrenatural e um nascimento virginal
O nascimento de Cristo não foi um nascimento comum, mas, sim, um nascimento sobrenatural. O elemento mais importante, com relação ao nascimento de Jesus, foi a operação sobrenatural do Espírito Santo, pois só por este meio foi possível o nascimento virginal, Mt 1.18-20; Lc 1.34, 35; Hb 10.5. A obra do Espírito Santo concernente à concepção de Jesus foi dupla: (1) Ele foi a causa eficiente do que foi concebido no ventre de Maria, e assim excluiu a atividade do homem como fator eficiente. Isso está em completa harmonia com o fato de que a pessoa que nasceu não era uma pessoa humana, mas a pessoa do Filho de Deus e estava livre da culpa do pecado. (2) Ele santificou a natureza humana de Cristo logo no início, a manteve livre da corrupção do pecado. A influência santificante do Espírito Santo não se limitou à concepção de Jesus, mas teve continuidade por toda a Sua vida, Jo 3.34; Hb 9.14. Foi somente pela sobrenatural concepção de Cristo que Ele pôde nascer de uma virgem. A doutrina do nascimento virginal baseia-se nas seguintes passagens da Escritura: Is 7.14; Mt 1.18, 20; Lc 1.34, 35, e também é favorecida por Gl 4.4. Esta doutrina foi confessada na igreja desde os primeiros tempos. Já a encontramos nas formas originais da confissão apostólica e, posteriormente, em todas as grandes confissões das igrejas protestantes e do catolicismo romano. Às vezes perguntam se o nascimento virginal é matéria de importância doutrinária. Em resposta a esta indagação, pode-se dizer que é inconcebível que Deus fizesse Cristo nascer desse modo tão extraordinário, se isto não atendesse a algum propósito: (1) Era mister que Cristo se constituísse o Messias e o messiânico Filho de Deus. Consequentemente, era necessário que Ele nascesse de mulher, mas também que não fosse fruto da vontade do homem, mas nascesse de Deus. O que é nascido da carne é carne, Jo 1.13. (2) Se Cristo fosse gerado por um homem, seria uma pessoa humana, partilharia da culpa comum da humanidade. Estando livre da culpa do pecado, a Sua natureza pôde ser mantida livre da corrupção do pecado.

VI. A encarnação propriamente dita, uma parte da humilhação de Cristo
Certamente constitui humilhação o fato de o Logos assumir a “carne”, isto é, a natureza humana como esta é desde a Queda, enfraquecida e sujeita ao sofrimento e à morte, embora isenta da mancha do pecado. Isto parece estar implícito em passagens como Rm 8.3; 2 Co 8.9; Fp 2.6,7.

Sobre Cristianismo Total

Cristianismo Total é um blog evangélico que tem como objetivo difundir a fé Cristã, que é a mensagem através da qual o Deus Eterno se revelou à humanidade.
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