As Naturezas de Cristo

Cristologia (Parte 4) - A Divindade de CristoO esboço abaixo é baseado no livro “Teologia Sistemática” de Louis Berkhof, 2ª edição, 1992, p. 315-319.

> Desde os primeiros tempos, e mais particularmente desde o Concílio de Calcedônia, a igreja confessa a doutrina das duas naturezas de Cristo.
> O concílio não solucionou o problema (uma pessoa que era ao mesmo tempo divina e humana), mas procurou afastar soluções oferecidas que eram reconhecidas como errôneas.
> A igreja aceitou a doutrina, não porque tivesse completa compreensão do mistério, mas porque viu nela um mistério revelado pela Palavra de Deus; foi e continuou sendo um artigo de fé, muito acima da compreensão humana.
> Católicos romanos e os protestantes vão ombro a ombro nesta confissão.
> Iluminismo em diante – doutrina tornou-se alvo de ataques: era indigno do homem aceitar, pela autoridade da Escritura, o que era contrário à razão.
> Filósofos e teólogos tentaram resolver o problema; tomaram o seu ponto de partida no Jesus humano (histórico); viram em Jesus nada mais que um homem dotado de um elemento divino; não puderam elevar-se ao reconhecimento dele como seu Senhor e seu Deus; para eles, Cristo é e continuará sendo mero homem; concordam em despir Cristo de Sua divindade e em reduzi-lo a dimensões humanas: é apenas um grande mestre de ética, um vidente apocalíptico.

1. Provas Bíblicas da Divindade de Cristo
a. No Velho Testamento – Alguns demonstram inclinação para negar que o V. T. tenha predições de um Messias divino; essa negação é insustentável Sl 2.6-12 (Hb 1.5); 45.6,7 (Hb 1.8,9); 110.1 (Hb 1.13); Is 9.6; Jr 23.6; Dn 7.13; Mq 5.2; Zc 13.7; Mt 3.1; a doutrina de um Messias super-humano era uma coisa natural para o judaísmo pré-cristão.
b. Nos escritos de João e Paulo – É impossível negar que tanto João como Paulo ensinam a divindade de Cristo. Em João acha-se o mais elevado conceito da pessoa de Cristo, Jo 1.1-3,14,18; 2.24,25; 3.16-18,35,36; 4.14,15; 5.18,20-22,25-27; 11.41-44; 20.28; 1 Jo 1.3; 2.23; 4.14,15; 5.5, 10-13,20; Conceito semelhante acha-se nas epístolas paulinas e em Hebreus, Rm 1.7; 9.5; 1 Co 1.1-3; 2.8; 2 Co 5.10; G1 2.20; 4.4; Fp 2.6; Cl 2.9; 1 Tm 3.16; Hb 1.1-3,5,8; 4.14; 5.8, etc. Os eruditos críticos procuram escapar da doutrina ensinada nesses escritos: negando a historicidade do Evangelho de João e a autenticidade de várias epístolas de Paulo; considerando as exposições de João, Paulo e Hebreus como interpretações infundadas; atribuindo a Paulo um conceito inferior ao que se acha em João, a saber, o de Cristo como homem preexistente e divino.
c. Nos Sinóticos – O Cristo dos sinóticos é tão divino quanto o Cristo de João. Ele sobressai como uma pessoa super-natural, como o Filho do homem e o Filho de Deus. Seu caráter e Suas obras justificam Sua reivindicação, Mt 5.17; 9.6; 11.1-6,27; 14.33; 16.16,17; 28.18; 25.31-46; Mc 8.38.
d. A consciência própria de Jesus – Não pode haver dúvida de que Jesus estava consciente de que era o próprio Filho de Deus, Mt 11.27 (Lc 10.22); 21.37,38 (Mc 12.6; Lc 20.13); 22.41-46 (Mc 13.35-37; Lc 20.41-44); 24.36 (Mc 13.32); 28.19. Algumas destas passagens atestam a consciência messiânica de Jesus; outras, o fato de que Ele estava cônscio de que era o Filho de Deus no sentido mais elevado. Em Mateus e Lucas há várias passagens nas quais Ele fala da primeira pessoa da Trindade como “meu Pai”, Mt 7.21; 10.32,33; 11.27; 12.50; 15.13; 16.17; 18.10,19,35; 20.23; 25.34; 26.29,53; Lc 2.49; 22.29; 24.49. No Evangelho Segundo João a consciência que Jesus tinha de que era o próprio Filho de Deus é ainda mais palpável, Jo 3.13; 5.17,18,19-27; 6.37-40,57; 8.34-36; 10.17,18,30,35,36.

2. Provas Bíblicas da Verdadeira Humanidade de Cristo
Em sua reverência pelo Cristo divino, às vezes os homens se esquecem do Cristo humano. É muito importante afirmar a realidade e a integridade da humanidade de Jesus, admitindo o Seu desenvolvimento humano e as Suas limitações humanas. Não se deve salientar o esplendor da Sua divindade a ponto de obscurecer a Sua verdadeira humanidade. Jesus chamou-se homem a Si próprio, e assim foi chamado por outros, Jo 8.40; At 2.22; Rm 5.15; 1 Co 15.21. A mais comum forma de auto tratamento de Jesus, “o Filho do homem”, indica a verdadeira humanidade de Jesus. Diz a Bíblia que o Senhor veio ou foi manifestado na carne, Jo 1.14; 1 Tm 3.16; 1 Jo 4.2. A Bíblia indica claramente que Jesus possuía os elementos essenciais da natureza humana, isto é, um corpo material e uma alma racional, Mt 26.26,28,38; Lc 23.46; 24.39; Jo 11.33; Hb 2.14. Há também passagens que mostram que Jesus estava sujeito às leis ordinárias do desenvolvimento humano, e aos sofrimentos e necessidades humanos, Lc 2.40,52; Hb 2.10,18; 5.8. Há demonstrações minuciosas de que Ele passou pelas experiências normais da vida humana, Mt 4.2; 8.24; 9.36; Mc 3.5; Lc 22.44; Jo 4.6; 11.35; 12.27; 19.28,30; Hb 5.7.

3. Provas Bíblicas da Impecabilidade da Humanidade de Cristo
Impecabilidade significa que Cristo pôde evitar o pecado e que de fato o evitou, mas também que Lhe era impossível pecar devido à ligação essencial entre as naturezas humana e divina. A impecabilidade de Cristo foi negada, mas a Bíblia dá claro testemunho dela nas seguintes passagens: Lc 1.35; Jo 8.46; 14.30; 2 Co 5.21; Hb 4.15; 9.14; 1 Pe 2.22; 1 Jo 3.5. Apesar de Jesus ter-se feito pecado judicialmente, todavia, eticamente estava livre tanto da depravação hereditária como do pecado fatual. Ele jamais fez confissão de erro moral; tampouco se juntou aos Seus discípulos na oração “Perdoa as nossas dívidas”. Ele pôde desafiar os Seus inimigos a convencê-lo de pecado. A Escritura até O apresenta como pessoa em quem se realizou o ideal moral, Hb 2.8,9; 1 Co 15.45; 2 Co 3.18; Fp 3.21. Ele correspondeu ao perfeito ideal de humanidade.

4. A Necessidade das Duas Naturezas de Cristo
A necessidade das duas naturezas de Cristo decorre daquilo que é essencial à doutrina escriturística da expiação.
a. Necessidade de Sua humanidade – Desde que o homem pecou, era necessário que sofresse a penalidade. O pagamento da pena envolvia sofrimento de corpo e alma, sofrimento somente cabível ao homem, Jo 12.27; At 3.18; Hb 2.14; 9.22. Era necessário que Cristo assumisse a natureza humana, não somente com todas as suas propriedades essenciais, mas também com todas as debilidades a que está sujeita, depois da Queda, e, assim, devia descer às profundezas da degradação em que o homem tinha caído, Hb 2.17,18. Ao mesmo tempo, era preciso que fosse um homem sem pecado, pois um homem que fosse pecador não poderia fazer expiação por outros, Hb 7.26. Unicamente um Mediador verdadeiramente humano que tivesse conhecimento experimental das misérias da humanidade e se mantivesse acima de todas as tentações, poderia entrar empaticamente em todas as experiências, provações e tentações do homem, Hb 2.17,18; 4.15-5.2, e ser um perfeito exemplo humano para os Seus seguidores, Mt 11.29; Mc 10.39; Jo 13.13-15; Fp 2.5-8; Hb 12.2-4; 1 Pe 2.21.
b. Necessidade de Sua Divindade – Era necessário que Ele pudesse aplicar os frutos da Sua obra consumada aos que O aceitassem pela fé, Sl 49.7-10; 130.3.

Sobre Cristianismo Total

Cristianismo Total é um blog evangélico que tem como objetivo difundir a fé Cristã, que é a mensagem através da qual o Deus Eterno se revelou à humanidade.
Esse post foi publicado em Cristologia, Teologia e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s