Justiça, Bem-Aventurança e Provas de Apetite Espiritual

Texto: Mateus 5.6

I.) O que significam essas palavras: “Bem-aventurados aqueles que tem fome e sede de justiça?”
> Não convém que tenhamos fome e sede de alguma bênção, nem de felicidade, nem de experiências. A felicidade e a benção são coisas que Deus acrescenta àqueles que buscam a sua justiça.

II.) O que está envolvido nessa justiça?
> Não se deve pensar aqui em uma espécie de retidão geral ou de moralidade entre as nações.
> Aponta para o desejo de receber libertação do pecado, libertação do domínio do pecado, porque o pecado nos separa de Deus. Está em pauta o desejo de se estar bem com Deus.
> É desejar ver-se livre do próprio “eu”
> É o desejo de ser positivamente santo, é desejar exibir o fruto do Espírito, significa que o supremo desejo (o desejo acima de qualquer outro), na vida de uma pessoa, é conhecer a Deus e desfrutar de companheirismo com Ele. É o desejo de se parecer com o próprio Senhor Jesus Cristo.

III.) O que significa ter “fome e sede”?
> Significa que sentimos que não podemos atingir a justiça em virtude de nossos próprios esforços.
> Significa que temos consciência das nossas próprias necessidades, de nossa mais profunda necessidade, a ponto de nos causar dor. A fome fere e é dolorosa, provoca sofrimento e agonia.
> Ter fome não é o bastante, é necessário que eu esteja morrendo de inanição, para que possa saber o que está no coração de Deus a meu respeito. Quando o filho pródigo teve fome, queria alimentar-se com as bolotas jogadas aos porcos; mas, quando estava morrendo de inanição, voltou para seu pai.

IV.) O que foi prometido às pessoas dotadas dessa virtude?
> Eles “serão fartos”, receberão aquilo que tanto desejam.
> Tudo é uma dádiva de Deus. Ninguém jamais ficará farto da justiça, ninguém sentir-se-á jamais abençoado, à parte de Deus.
> Para que essa benção seja obtida, toda a preparação que Ele requer é que você perceba o quanto necessita dEle, e nada mais.

V.) Como é que tudo isso acontece? Como somos ou seremos fartos da justiça de Deus?
> Acontece imediatamente – Assim que verdadeiramente desejamos a justiça, somos justificados em Cristo, devido à Sua retidão.
> Se trata de um processo contínuo – O Espírito Santo começa a livrar-nos do poder do pecado. Cristo virá a você, passando a viver a Sua vida em você; e, na medida em que Ele estiver vivendo em você, você será crescentemente libertado do poder do pecado. Você receberá forças para resistir a Satanás, e ele fugirá de você (tudo isso é para quem tem fome e sede!).
> Essa promessa terá um cumprimento cabal e absoluto, na eternidade – Haveremos de estar de pé na presença de Deus, absolutamente perfeitos de corpo, alma e espírito, o homem inteiro revestido de uma justiça perfeita, completa e plena, a qual haveremos de receber da parte do Senhor Jesus Cristo.
> Topamos neste ponto com um paradoxo. Segundo a Bíblia nos ensina, o crente é um ser perfeito, e, no entanto, continua sendo cada vez mais aperfeiçoado. Neste exato momento já me encontro perfeito em Jesus Cristo; não obstante, continuo sendo aperfeiçoado.
> O crente é alguém que, ao mesmo tempo em que tem fome e sede, também está sendo satisfeito. Entretanto, quanto mais se satisfaz tanto mais tem fome e sede.
> Chegamos a um determinado estágio da santificação, mas não descansamos nesse ponto pelo resto de nossos dias. Antes, vamos sendo transformados de glória em glória.

VI.) Como podemos saber se realmente temos fome e sede de justiça?
> Devemos perceber o quanto é falsa a nossa própria justiça.
> Significa que temos profunda consciência de que precisamos ser libertados, de que precisamos do Salvador, senão estaremos totalmente perdidos.
> Significa que devemos ter em nós mesmos o desejo de nos assemelharmos aos santos de Deus: Moisés, Abraão, José, Daniel, etc.
> Nas palavras “fome e sede” há um certo elemento ativo. As pessoas que realmente querem alguma coisa sempre mostram alguma evidência do fato. As pessoas que deveras desejam algo, com toda a força do seu ser, não ficam calmamente sentadas, esperando passivamente que se concretize o seu desejo.
> O indivíduo que realmente tem fome e sede de justiça procura evitar tudo quanto seja contrário a ela. Não posso obter essa justiça por meus próprios esforços, mas posso refrear-me de fazer coisas que sejam obviamente contraditórias a ela. Há certas coisas que são indiscutivelmente contrárias a Deus e à Sua justiça. Ter fome e sede de justiça inclui a necessidade de evitarmos essas coisas, tal como fugiríamos de alguma praga. Evitaremos também até aquelas coisas que embora inocentes e legítimas, contribuam para embotar nosso apetite espiritual. Quando descobrimos que estamos desperdiçando tempo com tais coisas, e que estamos desejando menos intensamente as realidades divinas, então chegou a hora de evitá-las. Podemos prejudicar o nosso apetite físico, se ficarmos petiscando entre as refeições principais. Assim igualmente acontece no mundo espiritual.
> O homem que tem fome e sede de justiça sempre se coloca em uma posição de onde lhe seja possível alcançá-la, nunca perde uma oportunidade de achar-se naqueles lugares certos onde outras pessoas evidentemente encontraram a justiça divina (a casa de Deus, por exemplo).
> Você deve dedicar-se à leitura da Bíblia.
> Acrescente-se a isso a oração.
> Há a necessidade de lermos as biografias dos santos, bem como toda a literatura acessível que verse sobre essas realidades.

VII.) Por qual razão deveria ser esse o maior de todos os nossos desejos?
> A todos quantos lhes falta essa justiça de Deus pesa a condenação de estarem sob a ira divina, de estarem a caminho da perdição. Qualquer indivíduo que morra sem ter sido revestido da justiça de Jesus Cristo prossegue para a mais total desesperança e miséria (Jo 3.36).
> Se ao menos percebêssemos as coisas das quais somos culpados tão continuamente diante de Deus, bem como à vista de Sua perfeita santidade, então haveríamos de odiá-las como Deus as odeia. Esse é um grande motivo para termos fome e sede de justiça – o caráter hediondo do pecado.

Baseado no livro: “Estudos no Sermão do Monte” de Martyn Lloyd-Jones – Editora Fiel

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